Mais um pouco da “empatia” humanista: Blogueiro neo-ateu nos fornece uma ilustração de como geradores de conteúdo humanista criam ódio contra adversários

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Fonte: Paulopes

Título do artigo: “Ativistas do Femen jogam ‘água benta’ em arcebispo belga”

Usando esguichos de plástico em forma de Virgem Maria, quatro ativistas seminuas do movimento Femen jogaram ontem água supostamente benta em André-Joseph Leonard (foto), arcebispo de Bruxelas e chefe da Igreja Católica da Bélgica.

Leonard tem criado polêmica com declarações como a “Aids é uma vingança da natureza decorrente de desvios de amor”, além de comparar a homossexualidade à anorexia. Ele é uma espécie de Marco Feliciano dos belgas.

O arcebispo também chegou a defender que os padres acusados de pedofilia que já estejam aposentados ou afastados de suas atividades não sejam levados à Justiça.

Também tem feito restrições a professores de religião de escolas católicas que sejam divorciados.

As ativistas fizeram o rápido protesto quando Leonard participava de um encontro da Conferência Episcopal da Bélgica (a CNBB de lá), na Universidade Livre de Bruxelas. “Deus salve as lésbicas”, elas gritavam. “Pare com a homofobia.”

Elas deixaram o local antes que chegassem os seguranças da universidade.

O arcebispo já foi alvo de torta no rosto em duas ocasiões, em 2011 e em 2010.

Meus comentários

Quais os truques de propaganda acima?

Depois de um tempo de prática fica fácil descobri-los.

Primeiro, o blogueiro neo-ateu usa no título as “aspas” para estimular o leitor a perceber que o lançamento de “água benta” em alguém não é uma agressão.

Segundo, ele usa a maior parte do texto para comentar supostas declarações polêmicas (sem fonte, como é de se prever, pois precisaríamos entender o contexto das afirmações) do padre agredido, dando a impressão de que elas justificam a agressão contra ele.

Na verdade, no máximo justificariam críticas no mesmo tom, mas não um ato agressivo de humilhação pública.

O texto de Paulopes, avaliado sob a ótica da propaganda, é fabricado para gerar justificação a qualquer ato que for cometido contra o padre e os religiosos em geral.

O resultado, como não poderia deixar de ser, está na caixa de comentários do mesmo blog:

  • Alessandro Muniz: “eu sou contra qualquer tipo de violência mas , esse bispo gaga mereceu .”
  • Ryoko Hakubi: “chiba nele”
  • Ryoko Hakubi: “pior que evanja fundamentalista é chatolico fundamentalista com esse bispo aí.”
  • Ádilon Ferraz Ribeiro: “Você defende o arcebispo? Esqueceu-se que ele defende pedófilos da igreja? Deixe de ser débio-mental.”
  • Lion Den: “nossa, que retrógrado”
  • Cláudio Ateu: “Boa ideia, que venha o Feliciano aqui pra Brasília que eu vou pegar uns ovos. Sem mostrar meus ‘peitinhos é claro.’”
  • Warner Vanderlei: “Sinal dos tempos, perdemos o medo das pragas e maldições rogadas pelos clericos.”
  • Rodrigo Guimaraes: “Ja esta mais do que na hora destes grupos se manifestarem alem do blablabla, contra a crentalhada.”
  • Rodrigo Guimaraes: “Sustentar um diálogo sério e racional com crente fanatico é mais dificil que tirar leite de pedra. As vezes é preciso mais do que blablabla.”

Como se vê, estudar o debate público, no contexto da guerra política, pela ótica da dinâmica social, torna tudo muito mais previsível.

Basicamente, Paulopes executa truques de propaganda que tem uma função, e desta função exercida espera-se um resultado.

A função é estabelecer uma incitação ao crime contra religiosos, e o resultado é o comportamento por parte de sua patuléia de acordo com esta indução.

Qualquer crítico do Paulopes, a partir de agora, está moralmente justificado a definir este site neo-ateu como um site criminoso, nem um pouco diferente de qualquer site de apologia a crimes contra nordestinos, por exemplo.

Simples assim.

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4 COMMENTS

  1. Pesquisei as citações alegadas pelo Paulo, e embora elas não sejam inteiramente falsas, foram tiradas do contexto e completamente distorcidas:
    A primeira delas, dizendo respeito a aids, diz exatamente o seguinte: “When we adopt a form of behaviour that is not right, there are consequences that let us know that it’s not correct. At the beginning of this epidemic, if I’ve understood the scientific articles, there were risky practices, sex with multiple partners, anal relations instead of vaginal which allowed this proliferation to happen. So we can say, if we want to reason in that way, that nature is taking revenge if you don’t use your body correctly.”
    Ou seja, diz que, metaforicamente, é como se a natureza se vingasse. Mas na verdade ele está apenas alertando para as consequencias de determinadas práticas de risco.
    Em seguida, a comparação entre homossexualismo e anorexia: “Homosexuality is not the same as normal sex in the same way that anorexia is not a normal appetite,” Ou seja, ele diz que tanto homossexualidade quanto anorexia são “apetites” anormais. E ele tem toda razão: normalidade e anormalidade têm um sentido claro de regra e excção, respectivamente aquilo que é comum e aquilo que é um desvio dessa norma geral. Ninguém há de negar que isso se aplica aos dois casos, sem que isso implique algum juízo de valor. Do mesmo modo, pode-se dizer que gênios são anormais, e ninguém vai achar isso um demérito aos gênios.
    A citação dos padres pedófilos é mais detalhado no artigo sobre ele na Wikipédia, mais uma vez ele foi mal-interpretado. Quanto à exigência de que professores de religião não fossem divorciados, eu nem chequei a citação, mas nem preciso: Se o professor é de religião católica e tem que dar aulas sobre a doutrina católica, nada mais natural que a vida dele seja coerente com esses ensinamentos, entre os quais está a condenação do divórcio. Não há nenhum absurdo nisso.

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