Glossário: Neo-esquerdismo

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soros

Última atualização: 30 de abril de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Uma das propostas consideradas mais inovadoras deste blog, embora pouco compreendida, é a do neo-esquerdismo. Este é o momento de esclarecer todas as dúvidas a respeito do neo-esquerdismo.

Neo-esquerdismo significa simplesmente a prática de qualquer doutrina esquerdista em um mundo onde o estado laico viceja em sua plenitude. Isto significa um estado que não beneficia as religiões tradicionais e nem as religiões políticas.

A consequência do aceite desta ideia nos leva a entender que assim como o catolicismo não deve influenciar a vida daqueles que não acreditam no catolicismo, o marxismo não deve influenciar a vida daqueles que não acreditam no marxismo.

Reconheço que Richard Dawkins, em um de seus momentos lúcidos (e ele os tinha antes de 2006), serve como ilustração do que estou falando. Certa vez, em um debate acadêmico, uma religiosa lhe disse que a Inglaterra era um país de tradição cristã, e que muitos acreditavam na ressurreição de Cristo. Dawkins disse: “Eu não dou a mínima para o que você acredita desde que sua crença não afete minha vida, pois eu não creio no que você acredita”. Essa é a ideia!

Enfim, o esquerdista, da mesma forma, passa a ser convidado a acomodar sua crença junto ao direito dos outros não acreditarem nela, e, ao mesmo tempo, não serem afetados por ela. Sabemos que em alguns casos a situação não é fácil de ser resolvida, mas em todas as situações onde podemos ter o respeito à liberdade de crença, devemos implementar medidas para garantir esta liberdade.

Um princípio a ser assumido é o do estado como garantidor dos direitos negativos. Como essa é uma proposta que atende a todos, esquerdistas ou direitistas, teríamos automaticamente um estado que cuide apenas destes direitos negativos. Mas ao mesmo tempo, teríamos as demandas dos esquerdistas, de um estado protetor. Isso surge por que eles possuem crença em um estado inchado, e crença nos homens que cuidam desse estado.

Como fazer para este estado não afetar a vida daqueles que não creem nele? Uma alternativa é a criação de um “estado virtual”, onde os esquerdistas possam pagar impostos considerados por nós abusivos. E estes serviços fornecidos por estes impostos, obviamente, podem não servir aqueles de direita que optaram não pagar estes impostos.

Um esquerdista lançou uma objeção, dizendo que esse princípio viola o direito dos esquerdistas,  pois se os esquerdistas acreditam que todos devem pagar impostos, então sua vida estará impactada pela crença daquele que não acredita que deva pagar impostos. Parece lógico, certo? Nem de longe, pois o princípio da liberdade está do lado da direita. Não podemos comparar o direito de um sujeito estuprar uma mulher, com o direito dela não ser estuprada. Assim, sempre optamos pela liberdade, desde que essa liberdade não prejudique DIRETAMENTE aos outros.

Portanto, o direito do esquerdista achar que os direitistas devem pagar tantos impostos quanto eles é irrelevante, pois esta premissa viola o princípio fundamental do neo-esquerdismo. A liberdade de escolha. Sua liberdade de escolha não pode influir na liberdade de escolha dos outros, em questões que não afetem DIRETAMENTE (friso no diretamente) a vida dos outros.

Um exemplo: o esquerdista de perfil marxista poderá juntar vários amigos marxistas e, via contrato, criar uma mini-sociedade, como uma fazenda, ou um condomínio, onde todos compartilhem seus bens. Ele poderá aplicar todos os princípios marxistas, sem afetar a vida dos que não creem no marxismo.

Outro esquerdista disse que haveriam problemas, por que algumas empresas recusariam aceitar a CLT. É possível, mas os esquerdistas poderiam criar empresas onde aceitam a CLT, que se tornariam mais atrativas para funcionários. E nada impediria que as outras empresas criassem formas de contrato de trabalho alternativas.

Outra questão é a da violência. Esquerdistas dizem que cadeias não são feitas para prender criminosos, mas sim para reeducá-los.

Assim, o estado virtual esquerdista poderia financiar essas prisões, mas somente para criminosos que tenham cometidos crimes somente contra esquerdistas. Claro que alguém poderia colocar em sua identidade o perfil esquerdista ou direitista, assim como alguém define se é doador ou não de órgãos. Poderíamos até estabelecer um prazo de fidelidade de no mínimo dois anos. Assim, se um esquerdista quiser virar direitista em 2013, isso só terá validade a partir do início de 2015, por exemplo. Essas fidelidades ajudariam a evitar que muitos brincassem com o sistema.

E quanto aos menores impunes? Eles poderiam continuar impunes, desde que as vítimas de seus crimes sejam esquerdistas. Se a vítima for da direita, ele terá que ir para a prisão e ser passível até de penas capitais.

Claro que existiriam limites, como, por exemplo, a legislação sobre estradas, que deveriam atender a todos. Mas mesmo neste caso, alguém da direita poderá optar por não pagar um imposto para financiar as estradas, e, neste caso, ter um pedágio maior. Esse tipo de proposta, por si só, já é capaz de gerar boas discussões.

O esquerdista, por outro lado, teria resolvidos todos os seus problemas morais perante os oponentes, pois nós achamos que os esquerdistas querem na verdade inchar o estado para dar poder a totalitários. O neo-esquerdismo seria a forma de mostrar que eles de fato tem intenções de “luta pela justiça social” ao invés de criar pretextos para inchar estado.

O esquerdista também não teria limites para o pagamento de impostos opcionais. Imaginem pessoas como George Soros, Bill Gates e Bono Vox ofertando praticamente tudo que possuem para o estado virtual de esquerda? Isso praticamente resolve o problema da “justiça social”. Claro que isso tudo dependerá da honestidade dos esquerdistas.

Mas até nisso a direita poderá ajudá-los. Podemos investigá-los de fora para avaliar se eles pagam impostos opcionais mesmo, e se os empresários de esquerda realmente lutam para “resolver o problema social”.

Nessas alternativas, não estará sendo criado um estado inchado, com poder de coerção sobre os que nele não creem, e o esquerdista, enfim, poderá sair da teoria para a prática.

Neo-esquerdismo, portanto, é a única forma moral pela qual um esquerdista pode viver sua crença em um estado laico de fato.

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10 COMMENTS

  1. “Claro que isso tudo dependerá da honestidade dos esquerdistas”

    Em teoria isso seria ótimo Luciano….mas na prática da realidade, a frase acima dita por você mesmo, demonstra onde a teoria falhará terrivelmente.

    Esquerdistas, não são e nunca serão honestos.
    Isto se dá por um entrave psico-emocional (transtorno dissociativo de Despersonalização / Desrealização), que rejeita sua própria realidade. Esse efeito é necessário (e propositalmente empregado em forma de doutrinação nas leituras das bases ideológicas e subscrito em todo discurso esquerdista) para que ele destrua sua individualidade em favor do coletivo.

    Somente atualmente, quando tive maior contato com as teorias e comportamentos esquerdistas…é que cheguei a conclusão (que pode estar enganada, é claro) que a questão da honestidade esta subjugada ao que ele encara como realidade.

    Esquerdistas nunca aceitarão que a massa de trabalhadores se sujeitem a algo que não seja o esquerdismo. E mesmo quando essa recusa, é pautada em razão e vontade, a visão do esquerdista é que essa massa é manipulada e portanto não possui vontade genuína, tendo que ser libertos pela utopia esquerdista.

    A proposta é boa, e lógica….mas ao meu ver, não há qualquer esperança para esquerdistas que debruçaram suas mentes e almas em sua religião ideológica e utópica. O esquerdista é doutrinado a saber que esquerdismo só pode ser possível se IMPOSTO A TODAS AS PESSOAS E INSTITUIÇÕES HUMANAS, em processo contínuo. Nunca será suficiente à um grupo de indivíduos.

    Inclusive esse tipo de transtorno, é a minha resposta à sua pergunta sobre o tal padre que foi excomungado.

    • Pecador,

      Mas é justamente aí que está o “pulo do gato” do neo-esquerdismo.

      Ou os esquerdistas aceitam o neo-esquerdismo OU ENTÃO terão de ser rotulados como hipócritas e mentirosos perante a direita.

      Se lançamos sobre eles a suspeita de que tudo que eles fazem é pretexto para incharem estado e darem poder totalitário aos donos deste estado, eles terão uma única chance de tirarem essa suspeita de cima deles e serem declarados inocentes: com o neo-esquerdismo.

      Claro que eu espero que eles rejeitem o neo-esquerdismo, mas eu espero isso porque creio na teoria de que tudo que eles fazem é uma FARSA com pretexto para inchar estado. Mas eles podem ter uma chance de se redimir, mostrando que de fato “querem lutar” pela justiça social.

      Em outras palavras, o neo-esquerdismo é mais que um sistema político, é também um DESAFIO aos esquerdistas.

      Acho que vai ser praticamente impossível que eles aceitem. E se isso ocorrer, nos darão, enfim, toda autoridade moral para que possamos condená-los moralmente.

      Abs,

      LH

      • Luciano…você e seus ardis psicológicos contra a religião política.
        Por falar em religião política, eu estava tendo uma boa conversa com uma feminista lá no blog da Lola…quando de repente…..comentários anônimos não são mais permitidos….O grupinho ficou fechado.

        Logo a Lola, que sempre se orgulhou de manter a liberdade de expressão mesmo dos anônimos. Triste.

      • Assim…

        Não diria um ardil psicológico, mas uma forma incisiva e até implacável de questionamento. Minha crítica é que a direita sempre se baseou em apresentar suas propostas para contrabalançar a esquerda. Eu acho que devíamos optar pela direção oposta: QUESTIONAR a esquerda, assim como os neo-ateus questionam a religião revelada. Assim como James Randi questionava um paranormal.

        Se eu QUESTIONO a alegação de um esquerda de que ele “luta pela justiça social”, quero testar a congruência entre o comportamento e a alegação dele. Aí o neo-esquerdismo surgiu naturalmente. Mais ou menos é dito algo similar a: “Você, esquerdista, REALMENTE luta pela justiça social, conforme alega? Então, se as pesquisas dizem que no mínimo 30% da população aderem ao esquerdismo, é uma quantidade suficiente para ‘mudar o mundo’. Se suas alegações são verdadeiras, vocês tem que nos provar agora!”. 😉

        Essa é a diferença do conteúdo deste blog para os outros autores da direita. Eu entendo toda e qualquer alegação de esquerdistas ou humanistas como alegações A SEREM TESTADAS, e então exerço pressão sobre estas alegações. 😉

        Alias, isso explica que a Lola, quando começa a ser vítima de questionamentos de opositores, espana.

        A crença esquerdista é frágil demais. Eles precisam da hegemonia e de formas absolutistas de manutenção de seu pensamento para sobreviverem no cenário cultural/intelectual.

        Abs,

        LH

  2. Luciano,

    Nesse mundão pragmático e mediano em que eu preciso enterrar uma semente pra depois de meses, chuvas e cuidados afinal colher um pé de soja, você realmente vê alguma chance dessa tua utopia?

    Abç.

    • Não pensei nisso. Isso são os esquerdistas que devem nos dizer. A formulação e um desafio: ou eles aceitam o neo-esquerdismo (acho difícil), ou eles terão que reconhecer que o esquerdismo deles é somente pretexto para inchar o estado mesmo e nossas críticas serão mais embasadas, pois alternativas eles já tem. 😉

  3. Eu achei engraçado o texto, de verdade. Desculpa, mas acredito que uma pessoa inteligente como você sabe que isso é utópico. E por ser utópico não acho que tenha falhas. Hahaha muito legal mesmo seu texto. O maior problema da política brasileira é a falta de conhecimento… nem os próprios partidários sabem o que é direita ou esquerda, apenas os verdadeiros chefes e aqueles que sustentam o pilar de ideais, não é verdade? O resto é levado aonde seus interesses levarem.

  4. Simplesmente perfeito o ideal. Aí todo mundo pode viver feliz e sem hipocrisia. A questão é que esquerdista nenhum vai topar isso, tudo que querem mesmo é poder mostrar seu monopólio das bondades às custas dos outros.

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