Em homenagem aos 195 anos do nascimento de Karl Marx, um texto de Paul Johnson, no livro “Os Intelectuais”

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Fonte:  OS INTELECTUAIS, Paul Johnson (agradecimentos ao Tiago Carraro, pela transcrição feita em seu Facebook)

“Em todas as investigações que fez sobre as injustiças dos capitalistas britânicos, ele [Marx] encontrou por acaso vários exemplos de trabalhadores com salários baixos, porém nunca conseguiu achar nenhum que não recebesse salário. No entanto, esse trabalhador existia, e vivia na casa de Marx.

Quando ele levava sua família em seus pomposos passeios, bem atrás, carregando a cesta de piquenique e outras bagagens, estava uma atarracada figura feminina. Tratava-se de Helen Demuth, conhecida pela família como “Lenchen”. Nascida em 1823, filha de camponeses, tinha se juntado à família von Westphalen [família da mulher de Marx] na idade de oito anos como babá. Ganhava seu sustento mas não recebia salário.

Em 1845, a baronesa, que se sentia aflita e preocupada com sua filha casada, cedeu Lenchen, então com 22 anos, para Jenny Marx a fim de facilitar a situação da filha. Ela continuou com a família de Marx até sua morte, em 1890. Eleanor a chamava de “a mais amorosa das pessoas em relação aos outros, enquanto que austera, a vida inteira, consigo mesma’.

Ela trabalhava de forma brutal e infatigável, não apenas cozinhando e lavando a casa mas também administrando o orçamento familiar, o que Jenny era incapaz de fazer. Marx nunca lhe pagou um centavo. Entre 1849 e 1850, durante o período mais tenebroso da história da família, Lenchen tornou-se amante de Marx e ficou grávida. O pequeno Guido tinha acabado de morrer, mas Jenny, também ela, estava novamente grávida.

Toda a família estava vivendo em dois cômodos e Marx teve de ocultar o estado de Lenchen não apenas de sua esposa mas dos muitos visitantes revolucionários. Por fim, Jenny descobriu ou teve de ser informada e, mais do que as outras desgraças por que passava na época, esse fato representou o fim de seu amor por Marx. […]

O filho de Lenchen nasceu na casa de Soho, o n° 28 da Dean Street, a 23 de junho de 1851. O garoto foi registrado como Henry Frederik Demuth. Marx se recusou a reconhecer sua responsabilidade, na época ou mais tarde, e negou categoricamente os boatos de que era o pai.”

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