Glossário: Ceticismo político

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Última atualização: 05 de maio de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Pode-se dizer que o ceticismo político é um dos paradigmas centrais deste blog, e foi criado para nos dar a noção do que devemos priorizar em termos de questionamento.

Para entendê-lo é preciso saber que política não se relaciona apenas a discussão sobre candidatos e partidos, mas principalmente a ações onde uma pessoa ou grupo busca levar vantagem sobre outra pessoa ou grupo.

Este tipo de situação pode acontecer em qualquer âmbito social, desde uma interação familiar (briga entre irmãos), a disputa de posições corporativas (exemplo: um gerente querendo o lugar do outro), a relação amorosa (um sujeito querendo dominar psicologicamente sua namorada, por exemplo), e especialmente o âmbito público (um grupo querendo privilégios sobre outro).

A discussão de questões como redução da maioridade penal, restrição a imigrações, proibição do aborto, legislação sobre drogas e discussões sobre impostos pertencem ao âmbito da discussão pública, e, portanto tem maior relação com a política profissional, aquela focada na disputa de cargos públicos no estado.

O modelo aplicado aqui baseia-se em qualquer contexto da política, embora minha especialização maior seja na política pública.

Uma alegação política é aquela que, se aceita, gera benefício a uma pessoa ou grupo em relação a outra pessoa ou grupo. Note que “grupo” pode envolver vários grupos. Por exemplo, se gayzistas e feministas se unem para tentar derrubar Marco Feliciano, fazem parte de um grupo que fará alegações políticas. Os defensores de Feliciano também fazem parte de outro grupo que fará alegações políticas. Mas outro que disser que suas opiniões são apartidárias também faz uma alegação política. (Note que dizer que uma alegação é política não é o mesmo que dizer que ela é inválida)

Ceticismo político é um método que nos diz que devemos priorizar o questionamento às alegações políticas, especialmente àquelas que causem maiores danos a nós.

Note que é uma complementação de duas formas já conhecidas de ceticismo: ceticismo tradicional e ceticismo científico.

No ceticismo tradicional, o foco está no íntimo da própria pessoa. Geralmente se diz: “devemos questionar a nós mesmos, devemos nos abdicar de certezas, etc.”. O estudo da mente nos mostra que esse tipo de ceticismo, embora desejável, não tende a ocorrer. Atenção: eu não sou contra o ceticismo tradicional, mas se alguém alega praticar este tipo de ceticismo (e se livrar de suas paixões e do auto-interesse), deve ser questionado se REALMENTE faz isso. Pois ele dizer que “questiona a si próprio” (portanto a plateia já deve aceitar as idéias que ele aceitou) já configura uma alegação política.

O ceticismo científico é aplicado a todas as questões que podem ser resolvidas pelo método científico. Isso, tecnicamente, é ótimo, mas o problema é que nem todas as questões podem ser resolvidas pelo método científico. Para piorar, algumas áreas acadêmicas podem ser dominadas por grupos de interesse, e até algumas questões mais polêmicas podem ser fraudadas por grupos que se juntam para aceitar “papers” de pessoas com as quais se alinham ideologicamente. A possibilidade de grupos se juntarem para calar a dissidência (algo que ocorria desde os tempos de Galileu Galileu, mas ocorre até mais nos dias de hoje, mesmo em uma sociedade secularizada) também é inevitável.

Desta forma o ceticismo científico, embora seguro para algumas questões, não é suficiente para outras, especialmente aquelas onde existam blocos hegemônicos dominando o fluxo de informações.

Observe que o ceticismo político não diz que ceticismo tradicional e ceticismo científico são inválidos. Na verdade são ótimos, mas que, por si só, não garantem nada.

Pelo ceticismo político, entende-se que alguém deve observar se as crenças do outro lhe atingem. Pode ser qualquer um querendo levar vantagem sobre você. A partir disso, jogue o questionamento para o debate público, explicando para um número cada vez maior de pessoas da platéia (e do seu grupo também) possíveis inconsistências encontradas na alegação oponente.

Outro ponto importante é o da identificação da alegação: qualquer proposta política é uma alegação, mas qualquer rotulagem (positiva para o oponente, e negativa para você, obviamente) também o é.

Todas elas devem ser colocadas sob estrito questionamento.

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6 COMMENTS

  1. O único ponto que eu acho que faltou ser citado com mais ênfase é a questão da censura política, que ocorre quando um determinado grupo ( com um conjunto de agendas e interesses políticos) que limitar o espaço de um outro grupo (que também possui sua agenda e seus interesses políticos) .
    Podemos citar que hoje os grupos mais autoritário nesse aspecto são os Marxistas-Humanistas -Neo ateístas que querem limitar o espaço dos grupos contrários ás suas ideias , recentemente o PT de matriz marxista , queria aprovar um projeto de lei que dificultaria a criação de novos partidos e limitar o poder de decisão do STF , os humanistas e neo ateístas , queriam retirar a frase ” Deus seja louvado ” das notas de dinheiro .
    Observe que esses 3 projetos ,por mais estranhos e desnecessários que sejam ,traduzem interesses políticos bem claros . A argumentação tem um papel central nisso , por exemplo o Livro “Como argumentar e vencer sempre ” de Gerry Spence , em seu jogo de regras ele fala

    ” Vencer é conseguir o que queremos e que também significa ajudar os “outros” a conseguirem o que querem . ”

    Ou Seja ganhar um debate publico ou um jogo político , significa ajudar aqueles os quais estamos defendemos a se beneficiarem politicamente e é isso que a esquerda assim como seus sub-grupos de propaganda e agenda ideológica trabalham .
    Quando os partidos do governo ,quis defender o projeto que dificulta a criação de novos partidos ,qual a justificativa foi :

    “Esse projeto que impede o parlamentar de mudar de partido e levar o fundo partidário e o tempo de propaganda foi apresentado em setembro do ano passado e corroborado por 12 líderes partidários naquela época. O projeto queria evitar essa mercantilização dos partidos políticos. Naquela época já se falava em 3 ou 4 partidos de 15 deputados”, disse Henrique Eduardo. Ele afirmou que é preciso coibir a prática do partido de aluguel. “Eu não posso acreditar que um partido que queira se formar por 15 deputados ou 12 deputados seja um partido para se consolidar, sobretudo as vésperas de um ano eleitoral”,
    Dep . Henrique Alves

    Quando organizações humanistas pressionaram a retirada da frase “Deus seja Louvado ” a justificativa foi

    ” Queira-se ou não, a medida do MPF faz valer a laicidade do Estado brasileiro, tornando-a mais próxima da realidade. Ela é um valor essencial para a liberdade religiosa e para a garantia dos direitos de 100% dos cidadãos brasileiros, independente de terem ou não uma religião e qual crença religiosa professam. Num Estado confessionário, assumidamente não laico, apenas os adeptos da religião oficial têm direitos integrais, enquanto as minorias pertencentes a outras crenças e descrenças tendem a ter direitos limitados em comparação com a maioria adepta da religião estatal. ”
    Robson Fernando de Souza – Articulista do Bule Voador

    Quando o projeto de lei que limita o poder de decisões do STF foi elaborado , a justificativa foi a seguinte :

    “Uma corte dos Estados Unidos em 200 anos nunca ousou derrubar uma emenda constitucional do Congresso americano. Como é que essa cortezinha nossa daqui ousa isso?”
    Dep . Nazareno Fonteles

    Oservem que os argumentos usados por esses 3 grupos (Marxistas-Humanistas-Neo ateístas ) Vão sempre usar uma linguagem apelativa ,com o objetivo que ganhar apoio do publico alvo para qual trabalham e também da opinião publica , porém é necessário ser um leitor desatento e de pouco conhecimento sobre disputa política para entender os reais objetivos e interesses que essas alegações trazem consigo .
    A primeira alegação que foi sobre a limitação de criação de novos políticos é fácilmente refutada ,primeiro porque vivemos em uma sociedade democrática e a democracia nos dá liberdade para defendermos ideias políticas e organizar grupos de pessoas que compartilham dessas ideias e ideais , se eu estou insatisfeito com um partido posso muito bem me filiar a outro como também posso criar um novo partido , porém o objetivo do projeto é dificultar a criação de novas oposições justamente numa época onde já existe uma certa insatisfação com o atual governo .
    A segunda alegação também é frágil , primeiro porque se for para retirar a frase “Deus seja louvado ” por ela afetar aqueles que não acreditam em Deus , também se retire vários monumentos e estátuas de divindades pagãs , que representam várias entidades do governo como hospitais,tribunais,foruns ,prefeituras,universidades e etc , assim como se retire outros vários simbolos humanistas , pois nem todos compartilham da crença humanista .Se uma simples frase representa uma ameaça ao estado laico ,também é justo retirar outras diversas frases,simbolos ,estatuas e escudos ,de dinvidades pagãs Greco-romanas ,assim como elementos que homenageiem o humanismo , pois nem todos compartilham da crença pagã e humanista .
    A terceira alegação , é vísivel que ele usa um espantalho , primeiro que a Corte do Brasil raras vezes se intromete nas decisões do congresso , ela avalia a constitucionalidade do projeto . Porém após o STF ter condenado alguns políticos ligado ao atual o governo e ter suspendidos leis como aquela que limitava a criação de partidos , é previsível essa decisão pois dentro de um cenário de guerra de interesses , o STF está sendo um obstaculo para objetivos do atual governo , por isso limitar o pode de decisão do STF é um passo importante para os interesses do governo .

    Há um vídeo do Conde , que ele sintetiza tudo isso , o canal do Conde foi bloqueado por neo-ateus radicais . Cada dia que passa a mascara dos neo ateus vai caindo , de um grupo que defendia a liberdade de crítica a religião para se tornar um grupo de patrulhamento ideológico ,que não aceita críticas . http://www.youtube.com/watch?v=y_gTBeH7ESM

    • Legal, Luis, bem lembrado.

      Eu falarei disso mais na tese do duelo cético, e criarei um verbete para isso.

      O que eu digo é que o questionamento a uma idéia política deve ser feito pelo oponente dela, ao invés do proponente.

      A censura política tende a acontecer quando o oponente não questiona suficientemente o lado que está consolidando mais poder, até o ponto em
      que existe tanto poder no outro lado que a censura vai ser inevitável.

      • Concordo com seu comentário porém só discordo quando você afirma
        ” A censura política tende a acontecer quando o oponente não questiona suficientemente o lado que está consolidando mais poder, até o ponto em
        que existe tanto poder no outro lado que a censura vai ser inevitável. ”
        Eu acredito que para uma censura política ocorrer, precisa o atual grupo do governo está em alta a ponto de não ser questionado .
        Hoje em dia já existe uma censura silenciosa em grandes jornais e meios de comunicação ,por exemplo , em muitos jornais ,colunas e sites ( tirando os sites independentes como o Paulo Lopes) já é comum ver comentários conservadores que refutam ou fazem questionamentos contra uma notícia ou conteúdo de interesse dos MHN(marxistas-humanistas-neo ateistas) não serem publicados e também muitas vezes , é comum ver comentários que desreipeitam as normas e os termos editoriais ( como comentários preconceituosos e de apologia a crimes ) serem aceitos , certa vez entrei no site de um grande portal de notícias e nele havia vários comentários escarnecendo e ridicularizando religiões e religiosos (OBS:. Não sou contra alguém questionar uma religião usando argumentos filosóficos ) e no mesmo site na caixa de comentários ,havia várias pessoas se queixando de seus comentários não serem aprovados .
        A censura já existe,porém ela é uma censura seletiva ,pois os argumentos e pessoas que contrariam as normas do “politicamente correto” já são excluídos e muitas vezes tachados de “extremistas ” e “radicais” , Feliciano por exemplo se ofereceu para dar entrevista no programa da Gabriela e não foi aceito , muitos sites e colunas ligados a grandes portais e jornais , faziam vários artigos criticando Marcos Feliciano e usando uma chava de “ad-hominens” e de truques retóricos (por sinal já mostrei aqui o caso de um jornalista que usou de vários truques e propagandas para enganar a opinião publica ,porém refutei o mesmo artigo ) .
        Recentemente temos o caso desse Padre Beto , que foi “canonizado” pela mídia politicamente correta. Motivo : Pregou doutrinas e ideologias Marxistas -Humanistas e foi excomungado e expulso da Igreja .
        Agora esse padre vai ficar famoso , pois vários canais vão dar espaço para ele e diversos articulistas vão criticar a Igreja católica , triste , cada vez mais nossa mídia sendo usada por esses grupos .Triste

      • Luis,

        Para explicar melhor meu ponto de vista, que não é muito diferente do seu, neste texto eu explico mais a minha abordagem de que o totalitarismo da esquerda tende a ocorrer por ausência de questionamento do outro lado.

        http://lucianoayan.com/2013/05/04/segundo-thomas-sowell-pensar-esta-se-tornando-algo-obsoleto-de-acordo-com-minha-tese-do-duelo-cetico-eis-o-motivo/

        Ao longo dos anos, a ausência de questionamento de nossa parte, em direção aos desmandos lógicos esquerdistas (inclusive na mídia, nas universidades, e na cultura em geral), está criando um cenário de totalitarismo de esquerda.

        Abs,

        LH

  2. onde se lê ” Eu acredito que para uma censura política ocorrer, precisa o atual grupo do governo está em alta a ponto de não ser questionado . ”

    Correto é : ” Eu NÃO acredito que para uma censura política ocorrer, precisa o atual grupo do governo está em alta a ponto de não ser questionado . “

  3. Luciano, material preciosíssimo em relação ao combate à “marcofobia” e que passou meio em brancas nuvens:

    http://www.youtube.com/watch?v=U26FPpxV-68

    Observe-se que dois cidadãos comuns de Orlândia e pessoas de convívio normal do deputado da discórdia mostram que o mesmo tem um grande número de amigos negros, fora que um é homossexual assumido e que convive normalmente com a família. Aloísio, o homossexual em questão, é aquele a quem o Marco já disse que está sendo acossado pela militância gay por simplesmente ser amigo do pastor e de sua família.
    No caso do Aloísio, imagino eu que ele tenha uma postura em relação àquilo que diz a Bíblia sobre a relação homossexual mais ou menos parecida com aquela que qualquer cristão teria em relação ao Velho Testamento dizer que não se pode comer carne de porco e frutos do mar: ter convívio normal com quem assim pensa.

    Em relação às proibições alimentares, isso não impede que judeus convivam ou, mais além, sejam amigos de cristãos e os tenham nas melhores das contas, apenas ocorrendo pequenos detalhes de convívio normal, como caso forem a um mesmo restaurante evitar de pedir pratos que tenham carne suína, camarões, ostras e outras comidas proibidas para o amigo judeu.
    No caso do tal Aloísio, vou imaginar que quando em contato com a família dele o mesmo evite falar de sua conduta (ainda que tanto Marco quanto o resto do lar dele saibam o que ele faz em quatro paredes) e acabem valorizando os pontos de contato que há pelo óbvio fato de ambos serem pessoas.

    Ainda assim, é importante frisar que também acharam a viúva do piloto do avião dos Mamonas Assassinas, que também é de Orlândia. Foi batatada do Marco? Claro que foi e ele hoje paga o preço de um ato de mais de uma década atrás, ainda que isso fosse tempo suficiente para que uma pessoa mudasse completamente e se arrependesse do que fez em seu passado. Vamos aqui pensar na nova geração de contrários ao marxismo-humanismo-neoateísmo e consideremos quantos desses eram marxistas-humanistas-neoateístas até pouco tempo e provavelmente se desiludiram por alguma coisa do MHN. Esses podem inclusive ter guinado rapidamente, até por irem estudar quem não aceitou a ideia de o MHN se achar algo tão bom e perfeito que imune a crítica. É óbvio que hoje esses ex-MHNs e ex-apoiadores do MHN muito provavelmente se arrependem daquilo que fizeram e defenderam, mas será daqueles arrependimentos e atos passados com os quais terão de conviver durante toda a vida, tal qual qualquer pessoa tem de conviver, independente daquilo que seja ou creia.

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