Padronicidade e agencialidade, e o que isso tem a ver com o ceticismo político?

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Já falei mais de uma vez que, com instrumentalista, devo aproveitar o conhecimento gerado (desde que seja válido, em termos lógicos) oriundo de pessoas a que me oponho.

Embora eu não seja um oponente de Michael Shermer em relação ao seu libertarianismo moderado, o sou em relação ao humanismo, uma ideologia somente aceitável para crianças.

Mas seu livro The Believing Brain é um dos mais interessantes que já li. E seu conteúdo pode ser aplicado para quaisquer tipo de crenças, não apenas as crenças em UFO’s ou espíritos, mas também a crenças políticas, especialmente as da religião política.

Shermer explica de forma muito simples o que são os dois conceitos: padronicidade e agencialidade.

Primeiramente, a padronicidade.

Basta imaginar-se como um sujeito, hominídeo, vivendo a três milhões de anos atrás em uma savana africana. De repente, você houve um ruído no matagal. O ruído é um evento do mundo recebido por você. Este ruído pode estar relacionado ao vento ou a um predador. Se você associar o ruído ao vento, e realmente for o vento, então não haverá danos. Mas se você associou o ruído ao vento, e na verdade era um predador, você virou almoço.

Agora, questione a si próprio, de acordo com o paradigma darwinista: o que é melhor para você, em termos de sobrevivência. Você achar que o ruído se relaciona ao vento (e em caso de erro, morrer), ou achar que o ruído se relaciona a um leão (e em caso de erro, sobreviver)? Pois bem, o primeiro caso se relaciona do Erro Tipo I, ou falso positivo (achar que algo é real, quando não é), e o segundo se relaciona ao Erro Tipo II, ou falso negativo (achar que algo não é real, quando na verdade é).

Enfim, nós evoluímos não como uma máquina de detecção de “verdades”, mas como uma máquina que busca a sobrevivência.

Shermer, define uma fórmula de paternicidade, composta por

P = CTI < CTII

A padronicidade (P) vai ocorrer todas as vezes que o custo (C) de cometer um Erro Tipo I (TI) é menor que o custo (C) de cometer um Erro Tipo II (TII).

A posição padrão da máquina humana é assumir que todos os padrões são reais.

Esta teoria, aliás, não é feita apenas para explicar por que as pessoas acreditam no sobrenatural, mas sim por que as pessoas acreditam em coisas.

Agora, vamos à agencialidade.

Novamente, Shermer retorna ao cenário da savana africana. Agora, o hominídeo tem que interpretar o som, que pode representar um predador perigoso ou o vento. O vento é uma força inanimada, enquanto o predador é um agente intencional.

Existe uma enorme diferença entre os dois. Um agente intencional representa um perigo muito maior, pois este agente tem uma intenção determinada. É totalmente diferente de uma força inanimada.

Imagine que você está no sopé de uma montanha, e vê uma rocha caindo em sua direção. Agora, imagine que esta rocha possui uma intenção clara, de lhe matar. Neste caso, você precisa de muito mais agilidade e perspicácia para escapar da morte.

Este processo, a tendência de aceitar padrões com significado e intenção é aquilo que Shermer define como agencialidade.

Assim, em relação aos eventos do mundo, a padronicidade e agencialidade são poderosos mecanismos explicativos para as nossas crenças, mesmo aquelas que estão erradas. E mesmo que estejamos errados, padronicidade e agencialidade explicam por que em termos evolutivos alguns erros são aceitáveis e aumentam nossas chances de sobrevivência.

Claro que você pode sentir certo incômodo ao ler estas palavras, pois poderá achar que estou indo no mesmo caminho de Daniel Dennett ao usar este tipo de abordagem para explicar a crença no sobrenatural e especialmente a crença em Deus.

Observe: a crença em Deus pode ser perfeitamente explicada pela agencialidade, e a famosa aposta de Pascal seria um exemplo de padronicidade.

Porém, Shermer não definiu um modelo explicativo para as crenças sobrenaturais, mas sim para todas as crenças.

Por exemplo, estudemos as guerras através do mundo, que em muitos casos tem países de religiões diferentes lutando entre si. Uma avaliação lúcida nos mostrará que essas guerras ocorreriam mesmo se ambos os países tivessem a mesma religião, certo? Errado, pois para os autores neo-ateus as guerras devem ter ocorrido por causa da religião.

Richard Dawkins criou sua memética, inclusive, para definir uma intencionalidade aos memes (que seriam as ideias), e mesmo aos genes. Mas ambas as crenças de Dawkins são falsas.

Ora, se unirmos a memética (em que as ideias têm intenção, e se comportam como organismos, o que é um absurdo lógico) com a crença de que sem religião não teríamos guerras, é fácil notar que os neo-ateus apelam a erros facilitados, em seus leitores, pela padronicidade e pela agencialidade.

Mesmo a crença humanista em si, que define uma capacidade do homem em controlar a si próprio (agencialidade), mesmo que não exista uma evidência científica a esse favor.

O marxismo, ao definir que em uma guerra de classes, existem sempre os burgueses, se organizando como opressores, para intencionalmente oprimir os proletários, sempre foi baseado em uma crença sem provas. Mais ainda: encontrou uma intenção (nos proletários, ou representantes dessa classe) para que enfim a sociedade pudesse ficar livre dos “homens malvados”. Mais uma vez padronicidade e agencialidade em ação.

Ao estudar todo o curso das ideias políticas, encontrarmos nos modelos que falam da padronicidade e agencialidade uma nova forma de avaliarmos as ideologias políticas, de qualquer tipo.

E, portanto, um ceticismo que faça com essas crenças o mesmo que James Randi fazia com os paranormais torna-se não apenas justificado, como algo urgente.

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16 COMMENTS

  1. Olá Luciano,

    Aparentemente isso não tem nada haver com o título do post e me desculpe até em postar isso, mas de boa, isso merece uma resposta a altura:
    Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

    Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente. Vários estudos já realizados chegaram a essa conclusão. A novidade é que o posicionamento conservador e o preconceito podem estar ligados à baixa inteligência.

    Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade de Ontario, no Canadá, chegou a conclusões bastante interessantes: adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas (racismo, homofobia, machismo etc).

    O estudo foi dirigido pelos pesquisadores Gordon Hodson e Michael A. Busseri, do departamento de Psicologia da Universidade Brock, de Ontario, e foi publicado pela revista Psychological Science.

    Os dados levam a crer que as pessoas menos inteligentes se sentem atraídas por ideologias conservadoras porque estas exigem menos esforço intelectual, pois oferecem estruturas ordenadas e hierarquizadas, onde o indivíduo pode se sentir mais confortável.

    É bom deixar claro que inteligência nada tem a ver com escolaridade. Há vários exemplos históricos (como a Comuna de Paris ou a Revolução Russa) em que as classes mais baixas e com menos escolaridade se mostraram as únicas capazes de pensar de maneira progressista.

    Hodson afirma que “menor capacidade cognitiva pode levar a várias formas simples de representar o mundo e uma delas pode ser incorporada em uma ideologia de direita, onde ‘pessoas que eu não conheço são ameaças’ e ‘o mundo é um lugar perigoso ‘…”.

    A grande contribuição dessa pesquisa pode ser a criação de novas formas de combater o racismo e outras formas de preconceito. “Pode haver limites cognitivos na capacidade de assumir a perspectiva dos outros, particularmente estrangeiros”, entende Hodson, já que a crença corrente é que o preconceito tem origens emocionais, não cognitivas.

    fonte:
    http://livrepensamento.com/2013/04/09/pessoas-menos-inteligentes-tendem-a-ser-mais-conservadoras-e-preconceituosas/

    Note, Luciano, que no blog em que essa “pesquisa” foi postada, o autor foi até meio provocativo, colocando a imagem de um nazista, envolveu Olavo de Carvalho, Malafaia, Feliciano e depois o atualizou com um monte de desculpas imbecis.
    Sem contar as falácias típicas da mídia de querer associar conservadorismo com preconceito de sempre nesta notícia.

    Vi também um comentário interessante no fórum do búfalo sobre essa pesquisa:

    “Os dados levam a crer que as pessoas menos inteligentes se sentem atraídas por ideologias conservadoras porque estas exigem menos esforço intelectual, pois oferecem estruturas ordenadas e hierarquizadas, onde o indivíduo pode se sentir mais confortável.”

    É fácil inverter o jogo desta falácia.

    1. A premissa da afirmação é que o menor esforço é devido a estrutura ordenadas e hierarquizadas. Oras, estrutura organizada e hierarquizada são pressupostos para o pensamento lógico e portanto para o encaminhamento da razão.

    O que era para ser uma ofensa, na verdade é um elogio: o conservador usa a lógica e a razão para fundamentar seus argumentos.

    2. Para usar a lógica é necessário raciocínio. Tal ação depende do problema que pode ser simples ou complexo. Portanto, afirmar que pensar de forma organizada e hierarquizada não reflete necessariamente a um maior conforto.

    3. A pessoa claramente não sabe o que é o conservador. É necessário esforço intelectual para isso! Um dos fundamentos é o uso do conhecimento da história para fins de aprendizado e de progresso, ou seja, é necessário não apenas a explicação de eventos históricos, como também a interpretação dos contextos das diferentes épocas. Algo que requer, lógicamente, esforço intelectual.

    4. Mais confortável é o progressismo, que opta por ignorar ou simplesmente adulterar a história para fazer suas maluquisses.

    E tem uma outra “pesquisa”, feita na Inglaterra dizendo “Right-wingers are less intelligent than left wingers, says study“. Note que a Inglaterra, como todo conservador deve saber, com o esquerdismo que está lá, está as “mil maravilhas”. É impossível não notar isso nas fotos de 50 anos atrás, quando a Inglaterra era mais ‘nazista-de-extrema-direita-conservadora-de-menos-qi-homofóbica’. Basta comparar as fotos de tempos atrás com as de hoje, pra vermos o “inegável avanço e como a Inglaterra está muito melhor”: http://revoltagainst.wordpress.com/2013/02/05/london-then-and-now/

    Luciano, estou postando isso, porque essas “pesquisas” merecem uma resposta a altura e tem que serem refutadas, pois podem se espalhar e fazer a cabeça de muitos inocentes, sem contar que um esquerdista pode usá-las num debate, para zombar de novos conservadores e que, como muitos neo-ateus tem a ciência como uma “deusa”, eles certamente vão achar que se a ciência está dizendo, é porque é verdade e ignorando o mal uso da ciência e se for olhar, há “pesquisas científicas” até mesmo propondo pedofilia, racismo, legalização das drogas, aborto aos nove meses, com métodos desumanos para isso e até aborto depois que a pessoa nasce. Todas com estatísticas falsas e com conclusões precipitadas. Vi uma “pesquisa” também falando que se a pessoa gosta da bandeira da Austrália é porque ela é racista… aff..

    O Leonardo Bruno já falou sobre esse negócio de “estudos revelam que…”.

    Essas pesquisas aí citadas, ignoram também que o QI da humanidade está caindo cada vez mais . Sem contar que é ignorado que em países conservadores como Rússia, Japão, Suíça, o QI é mais alto.

    Vi um comentário em outro blog que não sei se concorda, mas que isso faz parte de um terrorismo intelectual falado por Jean Sevilla: “O terrorismo intelectual é uma mecânica totalitária. Injuria, execrações, mentiras, amalgamas, inculpações e caca as bruxas , todos esses recursos são empregados para dificultar qualquer debate sobre questões essenciais para o futuro da sociedade.”

    Felizmente há pesquisas indicando o contrário como esta e esta daqui. Esta última é mais interessante, pois mostra que essa tendência de falarem que conservadores são menos inteligentes é antiga (desde 2004ou até) e refuta tudo isso, citando caso da Suécia, além de mostrar referências adicionais e outros artigos interessantes sobre isso.

    Esse outro estudo aqui também (com um comentário mostrando um estudo falando que liberais dos EUA são as pessoas mais bobas do planeta), nem precisa comentar!

    Uma coisa também, Luciano, ao refutarmos isso, é mostrarmos esse outro lado da ciência, pois se formos olhar, teríamos que aceitar tudo e até que aceitar a pedofilia. Já vi até um “artigo” falando que o sexo entre crianças é normal e que as crianças estariam sendo vítimas de malvados antipedófilos que estariam as impedindo de ter uma vida sexual… aff!

    Felizmente, como falei, há muitos estudos também a favor de nós conservadores, mostrando os perigos da homossexualidade, aborto, legalização das drogas e muito mais. Alguns foram até citados aqui e imagina se mostrarmos a um esquerdista neo-ateu, metido a cientista, que veio todo gostosão postando um estudo desse?

    Certamente virá o duplo padrão deles de sempre.

    Enfim, como falei isso merece uma resposta a altura e mostrarmos esse outro lado da ciência, uso de falsas estatísticas, conclusões absurdas e muito mais.

    • “Shermer cita um estudo chamado Political Conservatism as Motivated Social Cognition, de John T. Jost, Jack Glaser, Arie W. Kruglanski e Frank J. Sulloway, feito pela Universidade de Stanford.
      Analyzing political conservatism as motivated social cognition integrates theories of personality (authoritarianism, dogmatism–intolerance of ambiguity), epistemic and existential needs (for closure, regulatory focus, terror management), and ideological rationalization (social dominance, system justification). A meta-analysis (88 samples, 12 countries, 22,818 cases) confirms that several psychological variables predict political conservatism: death anxiety (weighted mean r _ .50); system instability (.47); dogmatism–intolerance of ambiguity (.34); openness to experience (–.32); uncertainty tolerance (–.27); needs for order, structure, and closure (.26); integrative complexity (–.20); fear of threat and loss (.18); and self-esteem (–.09). The core ideology of conservatism stresses resistance to change and justification of inequality and is motivated by needs that vary situationally and dispositionally to manage uncertainty and threat.
      Automaticamente, a esquerda capitalizou com o artigo. Embora, à primeira vista, uma análise cética já encontra as fraudes intelectuais.
      Observem as variáveis que os autores citam. Uma delas, dogmatismo-intolerância à ambiguidade, é normalmente fraudada por esquerdistas pois eles solicitam aceitação à ambiguidade somente quando as idéias deles são apresentadas. Daí, afirmam que o oponente não possui “tolerância a ambiguidade”. Entretanto, segundo o The Sparhead, o Conselho Nórdico quer proibir o discurso anti-feminista em todos os países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Finlância, Islândia e Noruega).
      Claro que a idéia surgiu de um painel de “experts”, repleto de feministas radicais. Por outro lado, a Organização de Luta pela Igualdade Masculina (MRM) é rotulada por essas “experts” como extremismo de extrema-direita. Entre outras coisas, o relatório chega a pedir que a imprensa seja obrigada a rejeitar o discurso anti-feminista, não podendo dar legitimidade às suas opiniões.
      Em outras palavras, a “tolerância a ambiguidade” não é aceita por esquerdistas. Daí, para maquiar os resultados, obviamente exemplos como a questão nórdica são eliminados do estudo, enquanto, por exemplo, a crítica de um conservador cristão ao casamento gay é colocada em uma lista. Daí, concluem que o conservador é mais “intolerante à ambiguidade”. Com omissão de casos assim, fica fácil. ”

      […]

      “A mera leitura do abstract já demonstra fraudes linguísticas, como por exemplo: “ansiedade da morte” (qual o valor adequado para ansiedade da morte?), “instabilidade sistêmica” (quais sistemas?), “dogmatismo-intolerância quanto a ambiguidade” (quais dogmas e quais ambiguidades?), abertura a experiência (quais experiências?), tolerância à incertezas (quais incertezas?), necessidade por ordem, estrutura e delimitação (quais ordens, estruturas e delimitações e em quais contextos?), complexidade integrativa (em relação a que?), medo de ameaças e perda (em relação a que perdas e quais ameaças?), e auto-estima (e isso não poderia ser pelo fato da contínua pressão acadêmica esquerdista?). Ainda no abstract, ele diz que o conservador é resistente às mudanças (omitindo quais mudanças) e “justifica a desigualdade” (o problema é que a igualdade forçada pelo estado, amplia o totalitarismo e retira a liberdade do ser humano, e esta variável foi omitida do estudo).
      O “problema mental” que vemos está no fato de esquerdistas entrarem em universidades para lançar estudos fraudulentos e mentirosos, e mentirem tanto quanto psicopatas fariam. Por todo o estudo, todos os questionamentos que fiz acima não são respondidos, detalhes são omitidos, e frases são cortadas ao meio de forma estratégica.”

      [..]

      “Shermer também nota que há algo de errado na alegação dos “estudiosos” esquerdistas, e nos diz:
      Por que as pessoas são conservadoras? Por que votam nos Republicanos? As questões são normalmente expressas sem a menor lufada de consciência por causa do viés inerente no questionamento feito desta maneira – isto por que os Democratas estão certos de forma tão inquestionável e os Republicanos tão inquestionavelmente errados. O conservadorismo deve ser uma doença mental, uma falha no cérebro, um distúrbio de personalidade que leva ao malfuncionamento do cérebro. Assim como cientistas na medicina tentam estudar o câncer par acurar essa doença, os cientistas políticos de esquerda devem estudar as atitudes e comportamentos políticos para curar as pessoas do câncer do conservadorismo. Este viés esquerdista está tão enraizado na academia que já se tornou a água política nas quais o esquerdista vai nadar – eles nem sequer percebem mais isso.
      Isto nos dará mais pontos para investigação.
      Shermer observa que em obras como The Political Mind, escrito em 2008 por Lakoff, e The Political Brain, de Drew Westen, temos novamente o mesmo padrão visto na “pesquisa” de Stanford:
      O discurso é familiar: os esquerdistas são generosos em relação a falhas (“corações compassivos”), racionais, inteligentes, otimistas, e apelam a razão dos eleitores através de argumentos convincentes; os conservadores são mesquinhos (“sem coração”), severos e autoritários estúpidos que apelam as emoções dos eleitores através de ameaças e pânico moral. Mas os os conservadores ganham a maioria das eleições por causa de sua manipulação maquiavélica das emoções dos eleitores, e portanto os políticos de esquerda precisam implementar em suas campanhas apelo às emoções do coração do eleitor, ao invés de suas mentes.
      Shermer nota que toda a caracterização feita pelos acadêmicos esquedistas, incluindo Lakoff e Westen, não passa da manifestação de um viés político, e, como tal, são afirmações sujeitas ao escrutínio cético. Logo de imediato, Shermer nota que a afirmação de que os conservadores estão “conquistando as batalhas pelos eleitores é errada”. De acordo com os dados levantados por Shermer, no Senado os Democratas conquistaram 3395 cadeiras, contra 3323 dos Republicanos, dentre as 6832 cadeiras sob disputa, de 19855 a 2006. No mesmo período, os Democratas elegeram 15363 congressistas, contra 12994 dos Republicanos, considerando 27906 cadeiras sob disputa.
      Em outras palavras, a alegação de que os conservadores vencem mais posições políticas por “conquistarem a mente da plateia” já tem um falsidade facilmente identificada na investigação dos números.
      Shermer também cita que em relação às características de personalidade, ele cita números interessantes, como uma pesquisa do National Opinion Research Center, entitulada General Social Surveys, 1972-2004, onde 44% dos conservadores declararam-se “muito felizes”, contra apenas 25% dos esquerdistas. Em uma pesquisa do Gallup de 2007, 58% dos Republicanos, contra 38% dos Democratas, disseram que sua saúde mental está “excelente”.
      Shermer interpreta esses números:
      Uma razão pode ser que conservadores são muito mais generosos que os esquerdistas, dando 30% mais dinheiro (mesmo em doações sob controle de renda), doando mais sangue, e ofertando mais horas de voluntariado. E isto não ocorre por que os conservadores possuem mais dinheiro para ser gasto. O trabalhadores pobres dão uma percentagem substancialmente alta de suas rendas para caridade do que qualquer outro grupo, e três vezes mais que aqueles em assistência pública de renda comparável. Em outra palavras, a pobreza não é uma barreira para a caridade, mas o estado de bem estar social é. Uma das explicações para estes achados é que os conservadores acreditam que a caridade deve ser privada (através de organizações sem fins lucrativos), enquanto os esquerdistas acreditam que a caridade deve ser pública (através do governo).
      Sendo assim, por que pesquisas tão fraudulentas são lançadas por esquerdistas e tomadas como verdade pela mídia de esquerda? Em mais investigações de Shermer, ele nos afirma que uma das possibilidades reside no fato do viés encontrado nas academias, escolas e universidades. Em um estudo de 2005 feito na Universidade George Mason pelo economista Daniel Klein, foi descoberto que havia 10 Democratas para 1 Republicano na Universidade de Berkeley, California, e 7.6 Democratas para 1 Republicano na Universidade de Stanford. Na área de Ciências Humanas, a coisa fica ainda pior para a direita: são 16 alunos de esquerda, para 1 de direita, e o número chega a 30×1 para a esquerda quando professores e assistentes estão sob análise. Em áreas como jornalismo e antropologia, nenhum conservador foi encontrado. Em uma avaliação global, a razão entre esquerdistas e direitistas é de 8×1 em favor dos esquerdistas.
      Shermer cita outro estudo, do cientista político Stanley Rothman, no Colégio Smith, que achou o mesmo viés em um estudo de 2005. Apenas 15% dos professores se descreviam como conservadores, comparado a 72% se rotulando como esquerdistas. O valor chegava a 80% em áreas de Humanas.
      Outro estudo de âmbito nacional conduzido em 2001 pelo Instituto de Pesquisas de Educação Superior da UCLA, mapeou que 5.3% dos mesmos da universidade eram de extrema-esquerda, 42.3 de esquerda, 34.4 indecisos, 17.6 de direita, e 0.3 de extrema-direita. Note que existem dezessete vezes mais esquerdistas radicais do que direitistas radicais.
      Claro que o viés no momento de exprimir seu ponto de vista não é exclusividade da esquerda, pois existem comentaristas e autores de direita que puxam a sardinha para o seu lado. Entretanto, o sucesso da estratégia gramsciana, que visa doutrinar a maior quantidade possível de alunos nas escolas em ideologias humanistas e marxistas, assim como em outras ideologias da esquerda, faz com que muitos esquerdistas sejam vítimas de doutrinação escolar, o que torna o ambiente acadêmico um lugar hoje “tomado” pela esquerda. Por causa deste viés, muitos alunos de humanas (jornalismo, inclusive) acabam indo para a mídia com a mente formatada em esquerdismo, e passam o seu tempo usando espaço para divulgar conteúdo que beneficie a esquerda. Por causa desta dominação de espaços, fica fácil um trabalho fraudulento como o da universidade de Stanford não apenas ser aceito via peer review, como também ser publicado na mídia como “evidência” de que a direita é sinônimo de problemas mentais.
      Fica muito fácil para um esquerdista, por exemplo, publicar estudos dizendo que pessoas de maior QI tem maior chance de serem esquerdistas. É claro, pois pessoas de maior QI tem maior chance de caminharem adiante em escolas e especialmente universidades, e portanto maior chance de serem submetidas à lavagem cerebral de esquerda.
      Mas se esquerdistas querem rotular o oponente da direita como alguém “mentalmente incapaz”, é essencial contestar essa crença, e avaliar evidências que discordem deles. Mais interessante ainda é notar que, se eles dizem defendem a teoria da evolução, enquanto a neguem em suas crenças, é por que provavelmente há algo de errado com eles. “

  2. Luciano, lembra da Caros Amigos, aquela revista que demitiu coletivamente um monte de jornalistas que já estavam privados da muito cristã obrigação de pagar a quem para você trabalha? Pois bem, eis que hoje ela vem querer apontar o dedo para os cristãos, chamá-los de fascistas, reclamar da excomunhão do padre Beto e dizer que eventual inserção maior na política seria ameaça ao Estado laico. Ainda que seja um monte daquelas rotinas e clichês que você mesmo já deschavou, não deixa de ser interessante notar que vem de um veículo de comunicação que está desmoralizado de forma amplamente divulgada tanto pela imprensa como pelas redes sociais. Fica parecendo uma ex-prostituta querendo que não saibam de seu passado e apontando as coisas menores dos outros como se fossem piores do que as dela.

    PS: note-se também um wishful thinking em relação ao papa Francisco para que ele faça a Igreja Católica receber de maneira acrítica o pensamento marxista-humanista-neoateísta em vez de amar os MHNs enquanto pecadores sem amar o pecado que eles cometem. Parece que deu um nó daqueles na cabeça dos MHNs que tanto pintaram os conservadores como monstros que exploram os pobres para viver em meio ao luxo o fato de o conservador Jorge Bergoglio ser alguém simpático, amigável e de vida bem modesta, muito lembrando um avozinho conservador que gosta de viver na simplicidade.

    • Pois é… esquerdista beneficiário é isso aí. Pessoas que usam um discurso para capitalizar, usando de chantagens emocionais e manipulações psicológicas, e NADA MAIS. Não há um traço de ética ou moral neles.

  3. Luciano, mas em qualquer tipo de caso, não é natural do mecanismo de defesa humano recorrer a agencialidade?

    Se bem, entendi, o ser humano sempre vai considerar o custo tipo II (Leão) maior do que o custo tipo I (Vento). Pode me esclarecer? Obrigadinho.

    E parabéns pelo serviço público que tem prestado. Vc é um herói que faz a diferença. É uma boa alma.

    • Sobre o livro, novidades em breve. Breve mesmo.

      Em relação ao Randi, prometo que lerei e avaliarei em breve.

      Ah, e não ligo se o Randi tomar uma espinafrada, assim como se o Harris tomar uma também…

      Eu apenas “reconstruo” Randi e Harris. 😉

      • Ainda não é “o livro” sobre ceticismo político, que deixarei para o ano que vem, mas duas surpresinhas que estão surgindo em breve, que darão exemplos práticos do que é o ceticismo político em duas questões recentes.

        A primeira novidade no final de outubro, via Kindle. (Aliás, tem o Kindle for PC)

        Abs,

        LH

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