Rotina esquerdista: Os crimes violentos não são tão problemáticos quanto os crimes do colarinho branco

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Última atualização: 13 de maio de 2013 – [Índice de Rotinas][Página Principal]

Uma das técnicas dos esquerdistas para impor sua bandidomania na sociedade é relativizar os crimes, dizendo que os crimes violentos não são, na verdade, crimes tão problemáticos assim.

Veja por exemplo uma análise deste tipo de pensamento em um texto de apologia ao crime entitulado “Tolerância zero” e Estado mínimo geram inflação carcerária, de Carolina Justo:

Nalayne Pinto chama a atenção ainda para o caráter social e não objetivo do conceito de crime. A definição dos desvios de comportamento, que são considerados crimes, varia de tempos em tempos e sofre influências culturais. “O que significa que há também divergência no conceito de crime, pois, afinal, o crime não tem existência própria”, afirma a pesquisadora. Segundo ela, são as classes dominantes, as elites e formadores de opinião, que definem o que é crime, selecionam e hierarquizam os crimes, bem como comportamentos a punir e o rigor da punição. Por isso, “a seletividade opera direcionada para os crimes das classes populares e para os comportamentos de grupos estigmatizados”, completa. Exemplos dessa seletividade são os crimes econômicos, contra o bem ou patrimônio público, como a corrupção e o desvio de dinheiro público, os chamados crimes “do colarinho branco”, que têm uma punição muito menos severa do que os crimes violentos, mesmo que prejudiquem e possam até levar à morte muitas pessoas, ainda que indiretamente.

O processo “lógico” da mente da Nalayne Pinto deve ser estudado, pois podemos aprender muito sobre a patologia que os acomete ao dissecar este parágrafo.

Antes, já vou tirando o lixo da frente, ao citar a rotina Os crimes violentos são praticados pela classe baixa contra a classe rica, portanto não são um problema, que surge lá pelo meio do parágrafo.

Outra rotina é Não podemos ser tão duros contra o crime, pois crime é um conceito que muda com o tempo.   (Aliás, vejam que é importante “achar” as rotinas dentro de parágrafos ou qualquer porção de conteúdo que eles gerem, e muitas vezes as rotinas são concatenadas)

Após estas duas rotinas, ela parte para o “core” do seu truque, dizendo que os crimes violentos não são tão problemáticos quanto os crimes do colarinho branco, pois, muitas vezes, os crimes do colarinho branco causam vítimas, de forma indireta.

O problema é que há muitas diferenças entre o crime do colarinho branco, que merece outro tipo de punição, incluindo a prisão.

Na maioria dos casos, crimes do colarinho branco incluem a possibilidade de bloqueio de bens, ou mesmo multas altíssimas, para ressarcimento do erário público. São crimes, em muitos casos, reparáveis.

É exatamente o oposto de um crime violento, como estupro ou assassinato. A vítima que morreu não irá reviver mais, e uma mulher estuprada continuará com seu trauma pelo resto da vida. Não são coisas que podemos “reparar”. Este é um dos fatores que permite que esses crimes sejam classificados como hediondos.

Claro que um criminoso do colarinho branco é um ser prejudicial para a sociedade, mas não é uma fera que mata os outros com suas próprias mãos, e nem destrói vidas de famílias inteiras por puro prazer. Basicamente, ele comete crimes por oportunidades, aproveitando-se da burocracia, e deve ser punido por isso. Mas nem de longe é uma máquina de matar, e nem uma máquina de causar destruição.

Por exemplo. Imaginemos os políticos mais “barra-pesada” do Brasil, em termos de corrupção: José Dirceu, Paulo Maluf, José Genoíno, etc.

São criminosos do colarinho branco. E um sujeito pobre que acabou de sair do banco pode passar do lado de qualquer um dos três, sem risco de ser degolado ou fuzilado somente por não entregar o dinheiro fruto de seu trabalho.

Assim, sair dizendo que “não podemos punir crimes violentos, pois os crimes do colarinho branco merecem mais punição” não passa de um truque psicológico de guerra de classes que, se analisado fria e racionalmente, nos levará a notar que até em termos de guerra de classes, ele é prejudicial aos cidadãos mais pobres.

Ao pedir a punição a criminosos violentos, pede-se a proteção de vidas de seres humanos pagadores de impostos, que podem ser vítimas de bestas assassinas, que cometem crimes contra a vida humana. Para piorar, são crimes irreparáveis, para os quais não há volta.

Simplesmente, estamos livrando a sociedade, especialmente o cidadão pobre, de seres humanos prontos a conspirar diretamente contra sua vida, de forma intencional, e, muitas vezes, prazeirosa (para o criminoso).

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5 COMMENTS

  1. Poderíamos considerar aqui abrangida aquela história de dizer que o bandido não está nas favelas ou ruas, mas sim em um escritório com ar-condicionado, ou há alguma especificidade no clichê que citei e que será esmiuçada a posteriori?

    • Essa é bem usada,uma vez um sujeito disse que nos preocupamos demais em linchar ladrões de galinha, enquanto os políticos, os bandidos que comem caviar, estão no bem-bom.

      Até que faz algum sentido à primeira vista, mas quando você começa a imaginar o que há por trás, e tendo em conta a ideologia do sujeito, já é o bastante para acender o sinal vermelho.

  2. Luciano, faz tempo que você não fala sobre o lado libertário-anarcocapitalista da religião política, mas este compêndio de besteiras de Daniel Fraga sobre abandono de crianças praticamente vai te obrigar a fazer um comentariozinho que seja:

    http://www.youtube.com/watch?v=MhBrwOyg-H8

    Se você vir nos comentários do YouTube, tem gente até perguntando se pode pagar em bitcoin e outros se indagando se o vlogueiro em questão está ficando louco. Como isso começou? Com um comentário que foi pego no Fraga na página Conservadorismo no Facebook. Tem gente inclusive chamando a figura em questão de “Testemunha de Rothbard”, em óbvia analogia àqueles proselitistas que em duplas tocam a campainha de seu lar em uma manhã de sábado.
    Sobre a tal proposta, nem precisamos nos colocar no lugar de uma criança que soubese que foi abandonada pelos pais biológicos e, em vez de adotada por uma família, descobrisse que foi vendida. Isso por si só já é de um absurdo sem tamanho e querer usar lógica de mercado apenas e tão somente piora ainda mais. Se tal besteira do Fraga fosse dita antes, com certeza Glória Perez iria dar um jeito de encaixar no enredo de Salve Jorge algo nela baseado.

    • Eu gosto de muitos integrantes do lado libertário, devo muita coisa à alguns deles inclusive, mas têm alguns nesse meio que são extremistas demais e Daniel é um deles. Não é à toa que os esquerdistas acabaram por generalizar os libertários ,tomando ele como exemplo máximo desse posicionamento. Tanto é assim que, páginas no Facebook como “O Reacionário” e “Anarcomiguxos”, tem uma caricatura do Daniel, meio que para mostrar que todos os adeptos desses posicionamentos são e agem exatamente igual à ele.

      PS: http://www.contraocorodoscontentes.com.br/2013/04/era-uma-vez-um-liberal-que-virou.html, Leiam esse texto e percebam a intolerância da libertária com conservadores.

      Mas o fato é que toda pessoa deveria ler Mises, Rothbard e outros autores dessa corrente, é uma grande experiência e a visão de mundo se altera num piscar de olhos.

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