Marilena Chauí e sua diatribe contra a classe média. Ah, como faz falta uma oposição no Brasil hoje em dia!

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Sei que demorei para comentar este vídeo em que esta auto-intitulada filósofa da USP faz um discurso patético contra a classe média. Antes tarde do que nunca.

Na última parte da série “Um Raio X das Regras para Radicais de Saul Alinsky”, quando falei do capítulo “Muito a frente”, eu já tinha tratado a questão do atual poderio da esquerda norte-americana, que sabe dialogar com a classe média.

Alisnky dizia que o poder estava com a classe média, que perfaz a “maioria silenciosa”. Naquela época, a classe média era visualizada pela esquerda como “materialista, decadente, pequeno-burguesa, degenerada, imperialista, defensora da guerra, brutalizada e corrupta”.

A classe média sempre relutava em aderir ao ativismo, pois segundo Alinsky eram pessoas que “lutaram todas suas vidas pelo que possuem”,e vivem possuindo medo de perder esse pouco.

Diz Alinsky:

Suas vidas tem sido 90% compostas de sonhos não-preenchidos. Para escapar de suas frustrações eles se agarram a uma última esperança de que seus filhos obtenham formação universitária e realizem aqueles sonhos não preenchidos. Vivem com medo de depender da assistência social, ou de perderem seus empregos, além de duelarem com hipotecas horripilantes.Eles olham para os pobres desempregados como dependentes parasitas, que recebem uma grande variedade de programas públicos, todos pagos por eles. Quando os pobres demandam ações sociais e chamam isso de “direitos”, a classe média baixa entende como uma ofensa.

Alinskydiz que essas pessoas, que estão “machucadas, amarguradas, desconfiadas e rejeitadas”, devem ser contatadas com respeito e compreensão.

É quando ele sugere o plano de trabaho: “O trabalho [do organizador] deve ser procurar os líderes dessas comunidades de classe média, identificar suas questões principais, encontrar áreas de interesse comum, e exercitar a imaginação deles com táticas que podem introduzir drama e aventura na vida tediosa  que possuem”. Como sempre, as táticas “devem partir da experiência da classe média, aceitando a aversão deles à rudeza, vulgaridade e conflito”

No Brasil é o contrário: Marilena Chauí destila ódio contra a classe média. Se tivéssemos uma oposição, e aprendéssemos as regras de Alinsky, deveríamos estar com um sorriso de orelha a orelha.

Grotestamente, a oposição não se mobiliza para questionar Lula e Dilma, que estavam no evento onde Marilena proferiu essas bobagens (era o lançamento do livro de Emir Sader, “Lula e Dilma: 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil”) . Perguntas para Lula/Dilma poderiam ser: “Lula/Dilma, você concorda com tudo isso que Marilena disse sobre a classe média?”.

Ao invés disso, feito paquidermes, não aproveitam para capitalizar neste momento.

Ela diz que a classe média é “arcaica, conservadora e retrógrada”. Mas por qual motivo? Por que abandonaram as utopias da esquerda?

A existência da classe média, e dos valores da classe média, são uma das comprovações de que a utopia socialista é um acinte ao bom senso.

Dizem os utópicos que a sociedade sem classes pode ser ambicionada, onde todos compartilharão seus bens. Mas a verdade é que a existência da classe média nos mostra uma parcela da população que conquistou o pouco que tem com muito esforço. E esta classe tende a questionar se é verdade que os que trabalham duro devem colocar o fracasso de alguns em suas costas.

O “conservadorismo” da classe média é notório por causa disso. Falamos de pessoas que tem pouco, e lutam para manter o pouco que tem. Preferem ações, e não discursos baseados em estilo sem substância. É por isso que Marilena os odeia.

Ora, o que a direita poderia fazer? Se tivessem um candidato nas eleições, poderiam dizer: “Classe média, a esquerda te odeia, enquanto nós estamos do teu lado!”.

Esse é o problema: a ausência de uma oposição.

Estrategicamente, se tivéssemos uma oposição de fato, estaríamos comemorando o discurso infeliz de Marilena Chauí como se fosse uma dádiva.

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10 COMMENTS

  1. Só para lembrar que não é a primeira vez que Marilena ataca a classe média. Há este outro vídeo em que ela também faz o mesmo, mas guinando mais para aquele ódio a São Paulo que marxistas-humanistas-neoateístas vêm demonstrando em tempos mais recentes:

  2. No fundo, devíamos agradecer a essa vaca velha, pois ela simplesmente expressou o que todo petralha sente e não tem coragem de dizer. Os aplausos fizeram cair a máscara do PT. Como você disse, só falta uma oposição para aproveitar o momento.

  3. E ela que ganha 15mil por mês é o que? Classe média alta? Ou está acima da sociedade? É incrível como esse tipo de gente ainda consegue audiência. O Brasil está saindo do mundo real mesmo.

  4. Luciano, lembra que há algum tempo eu te disse para ficarmos atentos com o que os cartunistas fizessem (em referência àquela ação orquestrada na Ilustrada contra Marco Feliciano e também chamando a atenção para um evento em que o Laerte estaria na praça Roosevelt? Pois bem, eis que um tal de Adriano Kitani fez isto, que obviamente corrobora o discurso de Marilena Chaui e insinua que classe média quer ver pobre preso por simplesmente ser pobre, quer espancar homossexuais em nome de uma suposta liberdade de expressão e quer comprar produtos sem impostos. Se fôssemos perguntar ao cartunista que relação direta há entre alguém querer menos impostos e tudo isso que ele insinua ser o desejo da classe média (e poderíamos aqui incluir gays de classe média, partindo do princípio que eles têm renda média superior à do brasileiro médio), provavelmente a mensagem que ele dará será Error 404. A única pessoa que fez algum comentário a respeito dessa postagem do referido cartunista foi um tal de pikolas, cujo Tumblr tem um quê de marxista-humanista-neoateísta e disse simplesmente “pior post. parabéns.”, algo que podemos considerar, ainda que pouco, denotativo de que o pessoal começa a não aceitar essas tiras pretensamente engraçadinhas que satanizam algum setor da sociedade.
    Na mesma linha, atenção também para esta tirinha de Adão Iturrusgarai em que ele diagnostica uma tal de “direiticulite”, óbvia referência à grave diverticulite, que costuma causar mortes. Observe os tipos de clichê que ele atribui a quem porventura se diga de direita. Claro que o cartunista em questão deve estar fazendo as coisas de maneira tão automatizada quanto aqueles que subscrevem sem saber os postulados gramscistas, ainda que aqui possa haver alguma consciência daquilo que faz. Porém, aqui dá para ver que a galera também está afiada nos comentários. Vamos dar destaque a alguns deles:

    [melo]
    Porque esses valores são jogados na conta da direita? Sim, porque a esquerda só quer o bem da humanidade, nem que custe alguns milhões de cadáveres…

    29/05/2013 19:58

    [Raphael Alencar]
    A esquerda condena a venda de armas por que uma população armada pode se defender dos seus planos de um mundo melhor.

    29/05/2013 23:11

    [Fernando]
    Tudo quanto é “artista” se faz de esquerda, mas não vive sem seus direitos autorais… fico imaginando se essa identificação com a marginália é porque são seus fornecedores de “bagulho”, sua fonte de “inspiração”.

    30/05/2013 11:59

    [Bruno]
    Porcaria, Adão. Bom mesmo é a esquerda com suas milícias venezuelanas e seu apreço pela liberdade, como na Coreia do Norte.

    30/05/2013 12:58

    Este último acabou tendo uma resposta tímida do cartunista:

    [Adao]
    também não curto o modelo da venezuela e colegas bolivarianos nem o caminho populista da argentina.

    30/05/2013 13:03

    Como se observa, ele não notou que esqueceu de responder a respeito da Coreia do Norte, o que poderia ser capitalizado por alguns como apoio à monarquia comunista. E a zoeira continua:

    [ivanovisk]
    A moda hoje é dizer que a esquerda é legal, moderna e descolada e que a direita á retrógrada e preconceituosa. No entanto, uma rápida visão da história mostra o oposto; o comunismo é impossível de coexistir com a democracia, e consequentemente onde houve esquerda só se viu atraso, fome, opressão e morte. Cartunistas como Adão e Laerte adoram tirar onda de esquerdinhas, mas não sobreviveriam uma semana em um regime assim. Essa liberdade de falar o que quer (inclusive merda à rodo) só existe na democracia. E nunca existiu um país democrata de esquerda até hoje na história.

    30/05/2013 19:08

    Admira-me que até agora este blog não tenha falado da onda de cartuns contrários a quem não for MHN, mas seria importante falar dessa ação aparentemente inocente. Tudo bem que cartunistas costumam ser os mais descartáveis e os mais inocentes (no sentido de falta de atenção àquilo que geram e a quem ajudam) dos inocentes úteis, mas dá para se considerar que quando muitas tirinhas contrárias aos anti-MHNs surgem, é sintoma de que aquele organismo está sentindo as pressões de algum jeito e de alguma forma tenta ridicularizar quem for contrário ao marxismo-humanismo-neoateísmo. Veja-se que já começa a haver uma não-recepção a tais tipos de tirinhas, mas ainda assim segue-se passando a imagem de que um setor da população é doente por acreditar em algo que não seja MHN e deseja violência e prisões arbitrárias.

  5. ** provocações de parquinho editadas **
    a professora-doutora Marilena Chauí não se autointitulou filósofa, como você falsamente afirmou; o título lhe foi outorgado pela USP há mais de 30 anos

    By the way, quais são suas credenciais mesmo?

    • a professora-doutora Marilena Chauí não se autointitulou filósofa, como você falsamente afirmou; o título lhe foi outorgado pela USP há mais de 30 anos
      O título que a USP deu a ela no máximo a qualifica como PROFESSORA DE FILOSOFIA, e é para isso que as pessoas fazem faculdade de filosofia. 
      By the way, quais são suas credenciais mesmo?
      Em investigação de fraudes? CISA, CIA e CISM. Apresente outro especialista em política e investigação do discurso filosófico que também seja um especialista em investigação de fraudes no mundo corporativo, que eu ficaria muito satisfeito em conhecer.
      Ah, entendeu pq eu acho suas fraudes tão fácil? Rs.

  6. ** provocações de parquinho editadas **

    cadê minha sugestão para que vc consulte o currículo Lattes dela e veja com seus próprios olhos os prêmios que lhe foram concedidos por sua produção por institutos internacionais?

    • Isso ainda não a qualifica como “filósofa”. 🙂

      Diga qual o prêmio de “filosofia” que ela ganhou?

      Agora, instituto de esquerda dá “prêmio” para alguém e este vira filósofo? Bem, se for assim, Lula é filósofo… rs.

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