Rotina esquerdista: A culpa não é do criminoso, mas da sociedade

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Última atualização: 22 de maio de 2013 – [Índice de Rotinas][Página Principal]

Sem dúvida, essa é a rotina número 1 do esquerdista em sua saga de apologia ao crime.

A  importância desta rotina é tamanha que simplesmente ela representa toda a base da crença esquerdista em relação aos crimes e criminosos. Mais ainda: sustenta toda a cosmovisão do esquerdista.

Nesta visão, o ser humano, isoladamente, é “sempre bom” (ou ao menos maleável ao limite do infinito para sê-lo), mas, se alguém possui comportamentos considerados corruptos e amorais, significa que estes comportamentos surgem por culpa da sociedade, e não da própria pessoa.

Basicamente, nesta tese, o meio é responsável pelo comportamento de alguém, ao invés da pessoa que adotou o comportamento.

Esse tipo de inversão surge desde os tempos de Rousseau, e tudo foi especialmente amplificado por Marx. É exatamente em cima desta crença injustificada que surgiu a idéia de que nossa civilização deveria passar por uma ditadura do proletariado, para, em seguida, partir para a sociedade sem classes.

A sociedade sem classes seria o status original da sociedade, e, se o ser humano um certo dia viveu sob esta condição, então um dia pode voltar a viver sob a mesma condição. A ditadura do proletariado faria a transição.

O erro, tanto de Rousseau como de Marx, reside na visão distorcida da natureza humana, partindo da idéia de que o animal humano, ao nascer, é uma tábula rasa. A verdade é que o ser humano pode ser condicionado de acordo com o meio, mas isso ainda não significa que seus instintos sejam dissipados. Na verdade, permanecem adormecidos, prontos para serem despertados de acordo com o alarme adequado. Um dos alarmes, por exemplo, é o conhecimento, inclusive tecnológico, que o ser humano não possuía nos tempos tribais.

Em suma, o ser humano hoje possui ambições que não possuía, pois há conhecimento para que ele possua tais ambições. A sociedade, como um ente abstrato, não pode regular esta busca contínua por conhecimento. Incluindo conhecimento tecnológico.

Já não vivemos em uma era onde a diferença entre o pajé e um desfavorecido era um cocar diferente, e mais mulheres ao seu redor. A diferença pode ser de poderio tecnológico, ou qualquer outra forma de poder, especialmente consolidado através do conhecimento.  Mas ainda assim, esse é o fluxo inevitável da sociedade. Até mesmo as sociedades comunistas buscam a evolução tecnológica e o conhecimento.

Não há uma “sociedade maligna”, que corrompe o homem, assim como não havia uma “sociedade pura”, que jamais corrompia o homem. Isso era apenas um salto de fé de Rousseau, jamais baseado em evidências.

O livro Os Bons Anjos de Nossa Natureza, de Steven Pinker (que erra em sua teoria, mas acerta magnificamente no levantamento dos dados históricos), nos mostra uma longa história de animais humanos quebrando o “contrato social”. Estes eram ainda mais perigosos nas eras tribais, quando existia uma sociedade praticamente sem classes.

Em outras palavras, um indivíduo da espécie humana não é uma máquina pura (uma tabula rasa), mas uma amostra plenamente capaz de se adaptar à sociedade vigente, e, de acordo com as regras do jogo, decidir quebrá-las.

Hoje em dia, o criminoso tem um agravante, ao invés de um atenuante: nossa sociedade, mesmo secularizada, deu espaço para doutrinas que pregam caridade e amor ao próximo, ajudando a cravar no senso comum a noção de que morte, roubo e estupro são crimes abomináveis.

A crença de que todos os seres humanos são tábulas rasas, corrompidos por uma sociedade maligna, é apenas uma fantasia esquerdista que, ao demolida, destrói todo o castelo de cartas ideológico que eles internalizaram. Para tirar o chão por debaixo dos pés do esquerdista, basta estudarmos a história das civilizações, aliando esse conhecimento à psicologia evolutiva.

Entretanto, mesmo que eles sejam dependentes psicologicamente dessa crença, isso não muda o fato de que é uma crença ao mesmo falsa como também perigosa.

É esta crença, enraizada no sistema límbico profundo de todo esquerdista, que os incapacita a perceber a responsabilidade de um criminoso por um crime. Só que seja hoje, seja nos tempos das cavernas, a responsabilidade é a mesma. Apenas as condições ambientais são diferentes, e o animal humano se adapta a elas.

Quer dizer, cada vez menos há uma justificativa moral para alguém colocar culpa na sociedade por um ato criminoso que pratique.

Assim, ao inverso do que a crença esquerdista prega, a culpa de um crime doloso é sempre de um criminoso, e a sociedade onde o crime ocorre é apenas uma condição ambiental.

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14 COMMENTS

  1. Luciano, só faltou falar um detalhe para acrescentar na quebra dessa rotina: o de a sociedade não ser um ente com vida própria e independente, mas sim algo feito por indivíduos e, no cometimento de um crime, a sociedade não irá se incorporar como se fosse um espírito em um indivíduo e forçá-lo a fazer algo que não faria se lúcido. Um indivíduo pode até não estar lúcido ao cometer um crime (drogas, doenças psiquiátricas), mas com certeza não fará um delito por culpa da sociedade.

  2. Eu sempre me perguntei…

    Se o homem é originalmente bom, como é que uma sociedade de homens, um grupo de homens, o torna mal? O grupo de homens é um grupo de boas pessoas, como este grupo se torna maligno?

    E, se a sociedade é maligna, como é que uma ditadura de proletariado vai resolver o problema? Se a sociedade corrompe a bondade original do homem, até mesmo uma sociedade utópica terá os mesmos resultados.

    Enfim, não faz sentido a proposta Marxista, mas não se discute dogmas religiosos rsrsrs

    • Esse é mais um daqueles momentos em que quem combate o marxismo-humanismo-neoateísmo não precisa tomar qualquer parte no combate ao mesmo, pois os próprios marxistas-humanistas-neoateístas falando mal de outro marxista-humanista-neoateísta já estão fazendo esse serviço sem que os tenhamos pedido. É a tal filosofia de Jurassic Park, em que os humanos estão sendo perseguidos por velociraptores, mas são salvos por um tiranossauro, sem o tiranossauro notar que ao atacar os velociraptores na prática está lutando contra a causa que interessa a ele e aos velociraptores (a ressurreição dos dinossauros):

      http://www.youtube.com/watch?v=OJ9jTOxv7gw

      Os humanos veem isso, somem da atenção das duas espécies de dinossauro e, ao mesmo tempo que deixam os lagartões se matando, aproveitam a atenção da plateia para descer a lenha na tal causa que interessa tanto a velociraptores como a tiranossauro, que estão mais ocupados se matando e não irão prestar atenção que a causa de interesse comum está sendo sumariamente esculachada.

      • É por isso que defendo que cada vez criemos uma dialética negativa, jogando tensão em tudo que for esquerdista, ridicularizando quaisquer contradições, erros de discurso, fraudes lógicas, e ainda colocando lenha na fogueira.

        Em suma: aquilo que os neo-ateus fazem com a religião, fazer com os esquerdistas. (sem usar as fraudes intelectuais dos neo-ateus, é claro, mas usar ridicularização sempre que possível)

  3. Luciano,

    Essa rotina esquerdista também é um “nazismo ao contrário”, que é potencialmente perigoso, como o nazismo de Hitler, e é mais uma prova do quanto o nazismo e o esquerdismo são iguais.

    O nazismo assumia que os judeus são responsáveis por tudo de ruim no mundo, logo a “raça ariana” era 100% boa, não era agente moral e quaisquer coisas erradas eram culpas dos judeus.

    Mas não é assim. Judeus, brancos, negros, japoneses, etc., são pessoas conhecedoras do bem e do mal, podem fazer coisas erradas como qualquer ser humano e podem fazer o bem também e é preciso falar mal das minorias quando fazem coisas erradas, assim como quaisquer outros grupos.

    Assumir que as minorias são 100% boas e a que sociedade / homem branco heterossexual ateu / cristão conservador é responsável por tudo de ruim é um tipo de nazismo.

    É a mesma coisa também com esses neo-ateus que falam que a religião é responsável por tudo de ruim no mundo, logo (para eles), os religiosos são um grupo homogêneo mal que precisa ser combatido (como os nazistas pensavam dos judeus) e os neo-ateus não são agentes morais.

    Algo fácil de perceber, mas os próprios esquerdistas e neo-ateus não notam que eles mesmos estão agindo como nazistas, mas também, não perceber coisas óbvias é algo que os esquerdistas são mestres em fazer e eles adoram acusar o oponente do que eles mesmos fazem e xingá-lo do que eles são.

    • Nazismo, fascismo, reacionarismo e etc,hoje em dia, são tidos como monopólio de grupos escolhidos a dedo pelos “iluminados”. É foda.

      • Uma alternativa é ridicularizar os termos…

        “Ah, verdade, eu peço redução de impostos, por isso sou… fascista????”
        “Ah, eu quero mudar o status quo do estado inchado, por isso sou… reacionário?????”

        O esvaziamento do discurso oponente (quando ele de fato é só fraude mesmo) é uma tática legítima.

        Abs,

        LH

  4. Luciano, leu esta postagem do Reinaldo sobre Martim Neves, o adolescente português que aos 15 anos criou uma grife que já vende para o mundo inteiro e produz suas peças com mão de obra assalariada portuguesa? Se não leu, leia-a, não sem antes assistir à serena resposta que o moleque dá à pesquisadora Raquel Varela, que segundo o blogueiro é mais ou menos equivalente a Marilena Chauí para nós (mas mais serena e classuda, como poderá notar):

    http://www.youtube.com/watch?v=pts3A_cV40M

    Segue a página da grife no Facebook e também o link para a íntegra do programa. Não devemos esquecer que o português não leva tão a sério assim o pessoal de matiz marxista-humanista-neoateísta, em parte devido a um pensamento herdado da Universidade de Coimbra que não simpatiza com o processo revolucionário por saber que o resultado dele é pior que o do status quo anterior (nunca esqueçamos que Portugal foi invadido pelas tropas napoleônicas, viveu o assassinato de seu último monarca e caiu nas mãos de 40 anos de fascismo salazarista). Não chegou a haver o genocídio que os processos revolucionários costumam trazer, mas qualquer um que sabe o que significa a sigla PIDE não quer lembrar disso e, após a Revolução dos Cravos, conseguiu-se na maior das pazes evitar que os socialistas mais tresloucados conseguissem ficar no poder (ainda que eles tenham tentado implantar os ditos marxistas).
    Esse tipo de pensamento vindo de Coimbra também influenciou o Brasil, sendo um dos motivos de termos nos tornado, mesmo com as diferenças entre Oiapoque e Chuí que os tornam mais diferentes entre si do que México e Guatemala, um país coeso e com alto senso de identidade (fora um único idioma e sem maiores diferenças linguísticas, ainda mais quando comparamos com as variantes do espanhol). Esse conjunto de ideias é também responsável pela gênese de nossa forte diplomacia e o fato de só termos entrado em apenas dois conflitos internacionais (Guerra do Paraguai e Segunda Guerra Mundial). Tudo bem que é parte das razões da apatia do brasileiro frente a graves problemas e um processo de desenvolvimento econômico mais lento.

    Porém, como se pode notar, escaldados que são com revolucionários e sendo um povo mais culto que o brasileiro, um gramscismo (uma vez que a única via possível de agir marxista-humanista-neoateisticamente por lá) tem de ser extremamente sutil para que consiga ter algum efeito. Com tradição de empreendedorismo, o português também não aceita que alguém venha querer tirar muito de seu angu e restringir essa característica cultural do povo. Outrora tão cartorial quanto o Brasil, Portugal promoveu um enorme programa de desburocratização, a ponto de se poder tirar um passaporte em cinco minutos em uma maquininha parecida com uma que venda refrigerantes, coisa essa que só favorece esse ethos de bicho solto do povo.
    Obviamente que vez ou outra Portugal elege marxistas-humanistas-neoateístas, mas esses têm a sua frente um povo que não é polarizado como o brasileiro (graças em parte ao tal pensamento vindo de Coimbra). Por lá, alguém falar contra os postulados MHNs não gerará um bando de histéricos artificialmente sensibilizados vindo responder, pois os anti-MHNs aprenderam a usar da serenidade irritante, fora que mesmo portugueses são pessoas por regra polidas e contidas no trato ao próximo, mesmo que sejam MHNs dos mais funcionais e com vontade de marchar com as vadias.

  5. Isso de achar que o ser humano é intrinsecamente bom, e a “sociedade” é que o corrompe, é só para quem nunca frequentou um pátio de colégio na hora do recreio. Somos indivíduos, com INDIVIDUALIDADES!
    A “sociedade” tem pouco ou quase nada a ver com o fato de alguém ser “sangue bom” ou “sangue ruim”. O pior é que tenho uma professora riponga que é totalmente adepta do behaviorismo e acha que todos nós somo “bonzinhos”, o mundo é que nos fez tanto mal que aí, não tem jeito: só podemos retrubuir com maldade.

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