Luiz Felipe Pondé falando sobre o politicamente correto… excelente conteúdo, mas com alguns poucos deslizes

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Eu sei que sempre tenho que achar algum defeito no conteúdo produzido por outras pessoas da direita, especialmente em termos de estratégia política, mas não posso me censurar. É assim que sou. Um implicante profissional.

No geral, esta entrevista de Luiz Felipe Pondé ao Canal Livre da Band, em 27 de maio, é um achado.

Pondé surpreende com uma lógica coesa e excelentes momentos, em especial quando ele resume o quanto Rousseau é corresponsável, junto com Marx, pelo cenário politicamente correto atual.

O maior problema, no entanto, vem quando Ricardo Boechat diz que o Tea Party representa o extremo de um “politicamente correto”, pois é o grupo que se acha o “maior redentor, em termos de missão divina de salvação social”, sendo de “extrema-direita”.

Pondé não refuta essa observação, logo nos primeiros minutos da entrevista. Lamentável e imperdoável, já que seria muito fácil refutar o discurso de Boechat.

Primeiro: não existe nada de “extremo” na solicitação da redução do tamanho do estado.

Segundo: não existe promessa de “redenção” ao acharmos que a sociedade não deve ser “planejada” por um estado que pratique coerção.

Em suma, Boechat projeta no Tea Party todas as características do Occupy Wall Street, este sim um grupo que joga alto em utopias terrenas para capitalização política, sempre com promessas de “salvação” e uso de coitadismo simulado.

O Tea Party só é “extrema-direita” no mesmo sentido que uma mulher que pede que seu estuprador não retalhe seu rosto é uma “extremista anti-estupro”.

Nada disso. Solicitações por liberdade são manifestações legítimas do ser humano. Fuga da coerção também. Quando tudo isso é feito pela via do diálogo e do debate, obviamente não temos nenhum extremismo.

Os esquerdistas pedem um estado inchado, que pratique coerção sobre os que não crêem neste estado inchado. Uma oposição “extrema” ao esquerdismo seria a solicitação da destruição dos que defendem o estado inchado.

Ao contrário: o Tea Party apenas pede que os direitistas fiquem livres da coerção estatal, em uma proposta que nem de longe é extremista. Na verdade, é uma proposta completamente moderada.

Se Pondé fosse por essa via, teria destruído Boechat moralmente. Este, por outro lado, foi perspicaz e estrategista, e conseguiu, por alguns momentos, implementar na patuléia a noção de que o Tea Party é “extrema-direita”, por pedir redução do estado, assim como lançar todas as críticas que podem ser feitas à esquerda para este legítimo movimento de direita.

Quando vi a ausência de refutação por parte de Pondé, pensei em desistir de acompanhar o restante da entrevista. Pensei comigo mesmo: “Vá ser ingênuo lá na casa do caralho!”.

Mas depois a coisa melhora, e muito. Por isso perdôo a ausência de resposta de Pondé em uma necessária refutação ao discurso de Boechat.

Para quem possui uma visão tão adulta na análise da natureza humana, como Pondé, é perdoável que ele tenha alguns segundos dignos de uma criança em um debate.

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12 COMMENTS

  1. Exatamente Luciano, nessa parte fiquei esperando uma resposta bem dada, mas nada. Quando falaram do Tea Party dizendo que ele era extrema-direita, quando esse partido não quer um estado agigantado e se intrometendo nos aspectos mais banais da vida, e certamente, tb não quer essa patrulha do vocabulário que reina nos dias atuais, como que o Pondé não destruiu o argumento, mostrando a ignorância ou a desonestidade intelectual dos entrevistadores? Qualquer um que pesquise um pouquinho na internet vai ver que o Tea Party de extremo não tem nada, por que ninguém viu eles colocarem bombas, realizarem sequestros, etc.

    Isso me lembrou a Mirian Leitão dizendo que o Tea Party era um partido racista, mas é só entrar na internet e nos jornais conservadores americanos para ver a quantidade de negros que o partido possui e, inclusive, alguns líderes também são negros.

    E pior, é você ainda ter um trabalhão para mostrar para os seus amigos que o que dizem na mídia brasileira sobre qualquer coisa é mentira, mesmo mostrando as provas, eles não acreditam. Parece que a sociedade brasileira está sofrendo de alucinação coletiva, só raciocinam dentro quadros rígidos onde tentam enfiar qualquer aspecto da realidade neles, e desacreditar no que não se encaixa apesar do esforço. Ex: “Tea party, é conservador, logo é extrema-direita, pois americanos são de direita. Se são de direita, tb são racistas”.

    Mesmo que vc mostre o que realmente eles são, ainda assim vc vai ouvir: “ah mas os negros que estão lá estão por interesse ecônomico, apenas querem dinheiro, devem ser empresários, por que vc sabe, todo empresário é direita”.

    É por isso que um cara como o Pondé, diante de uma oportunidade deveria aproveitar para destruir esse argumento. Em seguida, ele diz que pelo menos o Tea Party mostra a sua roupagem enquanto que os marxistas não, o que é verdade, mas não refuta a bobagem de chamar o Tea Party de extrema-direita.

    • Pois é.

      Um Olavo de Carvalho iria responder na lata isso.

      Teve uma outra do Pondé, em um debate com o esquerdista Marcos Nobre, onde o entrevistador disse que “nazismo é de direita”, e o Pondé também nada.

      Acho que devemos criar, para isso, o termo direita ingênua, aquela que ainda acredita em Papai Noel, ou seja, cai nos truques do esquerdista.

      Abs,

      LH

      • Eu acho que eles tem muito respeito pelo adversário, bancando os educados, e polidamente refutando idéias, qdo fazem isso, claro. Esquecem de combater a pessoa. Por outro lado, o esquerdista tá pouco se lixando para o que ele aparenta, basta ver os xiliques, o histrionismo com que muitos deles debatem, a simulação de indignação, aquela afetação de pavor ou de surpresa que muitos entrevistadores simulam qdo alguém afirma que o terrorismo no Brasil começou em 1962 e não 64, ou ainda, qdo se fala dos milhões de mortos do comunismo, fazendo que muitos esquerdistas reajam com aquele ar de superioridade olímpica e bradam “mas isso é extemporâneo”, “aquilo não foi comunismo”.

        Um exemplo, foi o Bolsonaro numa entrevista falando da comissão da verdade e demonstrando que os “jovens que só queriam democracia” trabalharam para uma ditadura sangrenta, e o seu interlocutor rebate dizendo que ele tem uma fixação por Cuba, que aquilo não tem nada haver com os dias de hoje. Baita argumento, meu Deus…

        Ele poderia colocar o cara numa saia justa, como numa entrevista no canal fox news, se não me engano, em que uma mulher do partido democrata começou a defender veladamente o terrorismo islâmico, mas o repórter disse que não entendeu o posicionamento dela e pediu para ela condenar em voz alta as atividades do Hamas. Ela pulou fora na hora, ficou evidente de que lado ela estava.

        Tem que fazer isso com eles, lutar no campo que escolheram, do psicologismo rasteiro e fazer aquelas perguntas das quais não podem fugir. Espremer o cara até dar pena como o Olavo fez no debate com o Alor Café.

  2. Para mim, um dos sintomas de que a “direita” perde a guerra na esfera do jogo intelectual propriamente dito, é quando ela opera de maneira covarde no debate. Gostaria de saber sua opinião, que me desse bons motivos para o Pondé, por exemplo, não ter sido vítima de um duelo cético (parafraseando você, salvo engano), mas no máximo de uma discordância “café-com-leite”, como no caso do Boechat. Alguém que se diz preocupado em não “baratear o debate” como o Pondé, não pode ir falar isso numa mesa tão branda. Não que, por exemplo, Marilena Chauí e sua “tchurma” aceitem esse duelo, mas que ao menos a “direita” se proponha a ser questionada pelo exato tipo de pessoa que ela ataca na ausência (emulando o modus operandi de estilo Leninista).

    • A tal “covardia” no debate é muito mais do que isso. Eis o que vejo:

      (1) direita na espiral do silêncio (e esquerda na espiral do delírio);
      (2) falta de conscientização dos truques do oponente – se Pondé lesse esse blog, já teria um sinal de alerta para o truque do Boechat -> http://lucianoayan.com/2013/04/23/rotulo-extrema-var-ultra/
      (3) falta de estratégia política, que a política tem de monte – a direita não teve a sorte de ter autores como Gramsci, Alinsky, Chomsky e Lakoff (devemos quebrar esse ‘gap’)
      (4) ausência de pensamento fora da caixa do esquerdismo (e isso é o mais importante e vou bater nesta tecla mais vezes neste blog a partir de agora)

      Não adianta somente a direita reagir de maneira assertiva, que, a meu ver, seria fazer com a esquerda aquilo que os neo-ateus fazem com os religiosos. Ela precisa PENSAR ESTRATEGICAMENTE e saber o que são OS TRUQUES do oponente.

      Vi em um debate recentemente alguém de direita bravíssimo contra a apologia ao crime, feita pela esquerda, dizendo “Esses Direitos Humanos não aparecem para visitar as vítimas”.

      Ele perdeu o frame, e o esquerdista ganhou o debate NESTE MOMENTO. Então, não adianta apenas reagir e ser assertivo, é preciso ser estrategista, entender o jogo político, sabendo que o controle de frame é fundamental, e estar também conscientizado dos truques do oponente.

      Abs,

      LH

      • Concordo com você em praticamente tudo. Mas não me referia a ‘reagir de maneira assertiva’. Como se pode pensar em estratégia política sendo confrontado por, por exemplo, um Gabeira lesado graças a anos de maconha e esquerdismo desenfreados? (qual o mais nocivo aos neurônios, não saberia dizer)
        O cara quase deu um beijo no Pondé, numa espécie de “auto-redenção pós-culpa” que nada têm a ver com amadurecimento intelectual. O ponto que toco é que para você saber os truques do oponente é melhor você estar em contato com o próprio. A covardia a qual me refiro é feito falar que uma “certa filósofa desceu a lenha na classe média”, não citando o nome da ‘paniquete uspiana’ e não a chamando “para o pau”. Debater a posteriori é fácil, refutar um vídeo do youtube é moleza. Enquanto a “direita” não preparar debatedores para o improviso, para o raciocínio rápido (como no caso de ter aceito a definição Boechatniana do Tea Party) a discussão pública sempre será vencida pelos lado que dá com mais frequencia a cara a tapa. Aliás, esse é um dos méritos do PT, expor muito de seus militantes ao ridículo, aprender com as falhas, “higienizar” a imagem dos petralhas quem fizeram papel de idiotas e seguir em frente. Se você pegar o exemplo do Malafaia na Luciana Gimenez, que você comentou aqui, ele obviamente perdeu o debate pro sensacionalismo da moça, mas teve a oportunidade de se dar conta de que não estava preparado para aquela situação específica. E é ai que ele deve trabalhar a evolução do discurso e não a partir do óbvio, tipo refutar as baboseiras de um Eli Vieira no youtube. Enfim. Para ter controle de frame é preciso conhecer o maior número de frames possível. E nada como a experiência pessoal para calejar.

  3. Gostei do debate, mas ficou claro que o Pondé deixou barato nos pontos apresentados. O pessoal da direita obrigatoriamente tem que ler este blog e o site do olavão, só assim estarão totalmente preparados para o debate.

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