Glossário: Debate racional

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debate

Última atualização: 01 de junho de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Embora possa parecer contraditório à primeira vista, a defesa do debate racional deve ser um valor para todo debatedor, ao menos do nosso lado (e explicarei o motivo).

A suposta contradição estaria no fato de que das três rotinas centrais do humanismo aqui desmascaradas, a auto-rotulagem como “Dono da Razão” é uma delas.  Eu defendo, de forma consistente e insistente, que a auto-rotulagem de alguém como representante da razão, tal qual fazem os positivistas, é uma ação irracional, uma alegação não-provada e não tem nada a acrescentar ao debate racional.

Entretanto, o debate racional é uma coisa, e a auto-alegação de alguém como “dono da razão” ou “representante da razão” é outra coisa completamente diferente.

Vejamos o que é a auto-rotulagem como “dono da razão”, comparando com o que ocorre ambiente corporativo.

Imagine alguém que se auto-defina como pró-desempenho, e que, por causa desta declaração, acha que deve receber o maior bônus dentre todos os gerentes. Claro que isto é apenas uma alegação, a ser provada, e não constitui por si só a prova de que o sujeito realmente é mais pró-desempenho que os demais. Enfim, auto-declarações significam nada mais que um peido.

Esse é um exemplo da auto-rotulagem “Dono da razão”, que eu defendo que seja submetida a extensivo questionamento cético.

Imagine agora que este mesmo gerente diga o seguinte: “Ok, deixemos auto-rotulagens de lado. Entendo que devemos implementar dashboards corporativos, e que cada gerente tenha sua receita, despesa e lucro mapeada de forma detalhada, para que possamos comparar os resultados”.

Note que ele abandonou a auto-declaração aí e, ao contrário, propõe um método para que a empresa possa descobrir quem de fato tem os melhores resultados.

Esse é um exemplo do debate racional.

O que eu proponho é que cada vez mais desafiemos nossos inimigos políticos para o debate racional, cujos resultados deverão ser avaliados pelo público. Claro que em uma comunidade dominada pelo adversário, eles terão o controle do fluxo das informações, e em alguns casos mesmo o debate racional não irá funcionar. Mas em um território aberto, não dominado por eles, você poderá desafiar quem quiser para o debate racional.

Neste debate, busque ter o domínio de vários guias de falácias e especialmente do assunto que está sob discussão. A regra é fácil: quem cometer mais falácias, mais distante está do debate racional. Nesse momento, você se torna também um pescador de falácias adversárias.

Neste contexto, é possível dizer com segurança que os esquerdistas são inimigos do debate racional. Foi em cima desta perspectiva que resolvi mapear várias rotinas que eles fazem de apologia ao crime. Por que é tão fácil achar as fraudes deles? Simples: Por que eles decidiram não participar do debate racional. Ao invés disso, usam chantagens emocionais e truques de propaganda desonestos.

Quando há regras mais claras para o debate, e não há possibilidade do oponente controlar o fluxo das informações, temos terreno aberto para que possamos desafiar os adversários para este tipo de debate.

Claro que as regras valem para ambos os lados, e se você começar a lançar argumentos nonsense, e seu oponente tiver conhecimento de um guia de falácias, ele também poderá lhe acusar de fuga do debate racional. Mas eu torço para que você fuja das falácias e se apegue aos fatos. Fazendo isso, junto com a prática do controle de frame e o desmascaramento das fraudes do oponente, você poderá ganhar o debate sem muita dificuldade.

Ciente disso, o debate racional é o que podemos chamar da “hora da verdade” na guerra política.

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3 COMMENTS

  1. A esquerda quando entra em debate, geralmente ela quer escolher até o oponente, de preferência um bem despreparado, fraquinho mesmo, ou um super educadinho, para servir de saco de pancadas e parecer para o público como se eles fossem a nata da inteligência e o outro um ignorante retrógrado.

    Mas, nunca veremos eles chamarem alguém que conheça o tema a fundo e, principalmente aqueles que fariam as perguntas que desmoronariam o castelo de cartas deles. É por isso que eles dizem “Olavo de Carvalho não se comenta”, “Reinaldo Azevedo é um obscurantista”.

    As vezes eles se ferram tb, eu vi no youtube, o Percival Puggina, fazer os esquerdistas silenciarem quando ele falou o que era Cuba e seu sistema, demonstrando que aquilo era uma bobagem, e mandou eles se decidirem por que fizeram uma revolução alegando o comércio injusto com os EUA e agora reclamam que não podem comerciar com o império. E o bloqueio não impede a ilha-prisão de comerciar com o mundo tanto que o Brasil exporta ônibus da marcopolo para lá, a França e Espanha tb comerciam com eles. O Percival virou para eles e perguntou, afinal o comércio com o império é ruim ou é bom, será que é melhor do que comerciar com o resto do mundo? Por que não admitem que aquele regime é uma merda?

    Os caras ficaram quietinhos, começaram a falar bobagens e não responderam.

    Fora que tem outro detalhe, geralmente o debate é convocado pela própria esquerda, como no roda viva, por exemplo, basta ver o que eles fizeram com o Cabo Anselmo. Tem começar a inverter esse jogo, os intelectuais de direta é que deveriam chamar o debate. Se houvesse algum intelectual sério de direita, ao ver a Marilena Chauí dizer aquelas coisas, ele deveria desafiá-la para um debate e detonar todos os argumentos dela.

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