Peguem os lencinhos: Aumento de R$ 0,20 na passagem obriga paulistanos de baixa renda a pular refeições. Pena que mentira tem perna curta…

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Fonte: UOL

O reajuste de R$ 0,20 no preço da tarifa dos transportes públicos na cidade de São Paulo pode parecer muito pequeno para muitas pessoas, mas obrigou a alguns paulistanos de baixa renda a deixar de fazer refeições e a arranjar “bicos” para conseguir pagar o novo valor das passagens.

O trabalhador que recebe um salário mínimo do Estado de São Paulo (um pouco mais alto do que o nacional: R$ 678) –R$ 755– e utiliza um ônibus e um metrô para ir e um ônibus e um metrô para retornar do trabalho terá gasto, ao final do mês, R$ 200, mais de 26% do total de sua renda.

“Além de trabalhar como cuidadora 26 dias por mês, ainda chego em casa e preciso fazer bordados e crochê em panos de prato para complementar a renda”, afirmou Humbertina Lima da Silva, 47, nesta quarta-feira (12), na praça da Sé, região central da capital, onde ontem ocorreu um enfrentamento entre a polícia e manifestantes que pediam a redução das tarifas.

Humbertina, que ganha pouco menos de mil reais por mês e mora em Mogi das Cruzes, estima em R$ 50 o valor adicional gasto com transportes após o aumento da passagem. “Por isso os protestos pela redução são importantes”, diz.

A estudante e auxiliar administrativa Caldineya Oliveira Santos, 23, afirma que deixou de se alimentar entre o almoço e a hora em que chega em casa da faculdade. “Almoço no trabalho, por volta do meio-dia, e depois só como lá pelas 23h. Meu salário de R$ 900 não permite que eu pague R$ 3,20 no transporte e me alimente direito”, diz.

Para o gari Célio Ferreira, 35, o novo preço prejudica muito quem tem um orçamento limitado. “Deixo de comprar alimentos ou às vezes até mesmo uma garrafa de água”, afirmou. Segundo ele, que recebe R$ 800 por mês, o preço justo para o transporte público seria “no máximo R$ 1,50”. Após o reajuste na passagem, Célio passou a gastar R$ 26 a mais por mês.

O office-boy Rodrigo Oliveira, 19, reclama que continua recebendo o vale transporte no valor de R$ 3. “Os outros R$ 0,20 eu tiro do meu bolso. Vira e mexe deixo de comer um lanche na rua, porque para quem ganha R$ 700 por mês, como eu, o aumento pesa no orçamento.”

Os novos gastos foram calculados pelos próprios personagens da reportagem.

Meus comentários

Abordarei a questão em maiores detalhes no futuro, com a proposta de que todo e qualquer debate contra a esquerda deve ser encerrado. Ao invés disso que se proponha debates entre libertários e conservadores, por exemplo. Para a esquerda, deve ser reservada a refutação e o desmascaramento, e absolutamente nada mais.

Vejam o nível da matéria do UOL, organismo de mídia que apóia descaradamente os atos terroristas do Movimento Passe Livre. Mentir com a intenção de chantagear emocionalmente o leitor. Esta é uma matéria com o DNA da esquerda.

Atenção para este bloco: “O trabalhador que recebe um salário mínimo do Estado de São Paulo (um pouco mais alto do que o nacional: R$ 678) –R$ 755– e utiliza um ônibus e um metrô para ir e um ônibus e um metrô para retornar do trabalho terá gasto, ao final do mês, R$ 200, mais de 26% do total de sua renda.”

Mentira, pois o trabalhador que recebe um salário minimo terá gasto no máximo 6% do total de sua renda, pois este é o limite de abatimento do Vale Transporte.

Em suma, quem trabalha não tem com o que se preocupar com o aumento das tarifas do transporte público.

No máximo, estudantes que não trabalham, pois não recebem Vale Transporte.

Mais uma vez temos um exemplo de que esquerdistas vivem arrumando falsos oprimidos contra falsos opressores, em busca de capitalização política, através dos logros mais torpes possíveis.

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11 COMMENTS

  1. Luciano, em que pese estar claro que o Passe Livre está instrumentalizando a população para lutar por uma causa que na prática avançaria a agenda de PSOL, PSTU, PCO, PCB e anarquistas (ou, vai saber, dos marxistas-humanistas-neoateístas que estão no poder, dependendo de quem souber capitalizar melhor os fatos e usar o MHN a que se opõe de inocente útil), é de se preocupar a maneira como a PM agiu desta vez, que gerou seis jornalistas da Folha feridos, sendo dois com tiros de bala de borracha no rosto, um da Carta Capital foi detido por portar vinagre (algo que outros profissionais de imprensa estavam usando para cortar o efeito do gás lacrimogêneo). Nesse ponto, em que pese a revista ser MHN e apoiar os MHNs no poder, nesse ponto temos de dar razão ao repórter, pois carregar vinagre não é crime:

    http://www.youtube.com/watch?v=5w1fxiXxdbw

    Há também um vídeo de momento exato em que um repórter é atingido por bala de borracha:

    http://www.youtube.com/watch?v=fyppJexVAAk

    Partiram do Teatro Municipal e, pelo que se pode ver por este vídeo, estavam só mesmo na base dos gritos de ordem e nada além disso no trajeto até a Roosevelt:

    http://www.youtube.com/watch?v=4XvOb_FxWw8

    Houve também frequentadores de um bar que foram agredidos por policiais. Pelo que se diz, o acordo era que fossem até a praça Roosevelt e suspeita-se que possa ter havido abuso proposital da polícia (observe-se o tanto de gente que estava bem longe do grosso do movimento e os pedidos de “sem violência”):

    http://www.youtube.com/watch?v=jnbUVsFd2Ac

    http://www.youtube.com/watch?v=PxNltFuR0ms

    Há também estes outros vídeos nas imediações da Roosevelt:

    http://www.youtube.com/watch?v=mcsXzpBH9Vk

    http://www.youtube.com/watch?v=cOwIiyUw-xk

    Pelo que dá a entender, tudo estava indo com certa paz até que a polícia começou a jogar bombas de efeito moral, ao que imediatamente após gerou gritos de “sem violência”). Tudo bem que depois dá para ver que a manifestação foi insuflada por gritos de “polícia fascista”, mas que logo depois continuavam os pedidos de “sem violência”. Vale lembrar que sobrou também para a imprensa que, como se pode ver abaixo, estava do lado oposto de onde estava a linha de tiro da polícia (uma vez que os manifestantes estavam no sentido centro da Consolação):

    http://www.youtube.com/watch?v=u8iKqJXJCV4

    Há inclusive outro vídeo que permite ver melhor onde estavam policiais, manifestantes e imprensa (fora populares que nada tinham a ver com a manifestação):

    http://www.youtube.com/watch?v=31sISHVdT7c

    Obviamente que os manifestantes não cumpriram a parte deles, que era a de dispersar na Roosevelt e vimos subida pela Augusta:

    http://www.youtube.com/watch?v=K65Xzyfum6c

    E na Consolação:

    http://www.youtube.com/watch?v=E13BKzwXCho

    Observe-se nesse último como a polícia age com as pessoas (aparentemente não fazendo parte da manifestação) que ficaram se refugiando na escadaria dos edifícios Chipre e Gibraltar. Em que pese quem filma ter um quê de MHN, ainda assim dá para ver que a polícia meio que partiu para a ignorância. O mesmo episódio pelo ângulo de alguém nos edifícios:

    http://www.youtube.com/watch?v=u3-PWM9uuGI

    Após o pessoal ter tentado ficar na Paulista, observe-se que a polícia fechou todas as saídas possíveis (os aplausos que ouvimos são irônicos):

    http://www.youtube.com/watch?v=Sb70XLLCODM

    Aqui dá para se ver parte da mesma cena no nível do chão:

    http://www.youtube.com/watch?v=_58BUF7rDyk

    Por que estou preocupado com a polícia? Veja esta outra cena ocorrida na Consolação. Não está muito nítido, mas se o policial quebrou o vidro da viatura de propósito, estamos diante de uma péssima conduta e tentativa de incriminar um terceiro que nada tenha a ver (aqui podendo ser denunciação caluniosa com o agravante de vir de autoridade):

    http://www.youtube.com/watch?v=kxPNQDFcR0U

    Obviamente que o outro lado não é santinho e, além de inocentes úteis que tenha atraído e não notaram que há forte presença de PSTU, PSOL, PCO, PCB e anarquistas, também atraiu vândalos que aproveitaram o anonimato da multidão e que também aproveitaram para pichar um trólebus (note que o tipo de letra é de pichador profissa):

    http://www.youtube.com/watch?v=mZZ9BliFdVE

    A óbvia preocupação que fica é que parecem querer fazer um mártir a qualquer custo. Se olharmos o trajeto da manifestação programada para esta sexta, veremos que o Choque pode muito bem fechar as duas pontas da ponte do Morumbi e encurralar os manifestantes. Imagine a tragédia que pode acontecer se os policiais forem fechando o perímetro com uma multidão em cima da ponte. Pode cair gente nas águas infectas do rio Pinheiros, em cima da linha da CPTM, sobre aquela faixa de terra da margem oeste do rio ou mesmo sobre as pistas da Marginal.
    Logo, como pode notar, estou preocupado tanto com a postura da polícia, que pode ter agido de maneira proposital para gerar caos capitalizável pelos MHNs no poder, quanto pelos MHNs que estão na rua e as posturas que estão tomando. Seguem também para que você dê uma lida este texto do Rovai que compara os ocorridos de hoje com o AI-5, comparação com certeza exagerada, este outro texto com certo grau de ceticismo político, ainda que não muito e este vídeo que é esclarece de maneira bem didática a coisa toda (LUCIANO, VALE A PENA TORNAR ESTE VÍDEO ABAIXO UMA POSTAGEM PARA O BLOG, POIS É DE CARA QUE NÃO APENAS EXPLICA A MECÂNICA DA COISA COMO TAMBÉM TEM CONHECIMENTO DE CAUSA POR SER EX-MHN):

    http://www.youtube.com/watch?v=KnZDzoHOeuw

    Para complementar, o que Reinaldo disse neste texto.
    Por ora, a conclusão que tenho é a pergunta sobre como se faria para criticar os abusos da polícia e os dos manifestantes (ainda mais que aqui é MHN X MHN, mas sem tanta chance de se usar um MHN como inocente útil no combate ao marxismo-humanismo-neoateísmo como um todo) sem que se esteja ajudando quaisquer dos lados. É um dilema que a coisa deixa forte.

    • Mais excessos da PM, como o caso dos caras que estavam gravando no sétimo andar de um dos prédios ao redor da praça Roosevelt e que tiveram seu lar invadido por uma bomba de gás lacrimogêneo deliberadamente lançada por um Choque que viu que estava sendo filmado:

      http://www.youtube.com/watch?v=VxerZMZs1cw

      Observe-se pelo teor da conversa que eles haviam fugido da muvuca e apenas assistiam à manifestação. Segue o comentário da arbitrariedade sofrida:

      “Fomos alvejados com bombas de gás lacrimogênio no sétimo andar, dentro do apartamento de uma amiga, onde inclusive reside uma bebê de 02 meses de idade, enquanto víamos e filmávamos manifestantes que foram obrigados a desviar de seu trajeto sob saraivada de bombas de efeito moral disparadas também por policiais que causaram alvoroço e confusão em uma manifestação que tinha tudo para ser pacifica. Meu amigo foi ferido no pulso ao ser atingido por um desses disparos.
      No vídeo podemos ver bem como foi a ação truculenta da PM!”

      Um senhor de idade, a bordo de um Classic parado na esquina da Bela Cintra com a Fernando de Albuquerque, teve seu carro invadido por gás lacrimogêneo que quebrou o vidro traseiro e tornou o veículo algo parecido a uma certa prática nazista:

      http://www.youtube.com/watch?v=hcAbCKm2Nic

      Observe-se a polícia também atirava em quem tentasse ajudar o dono do carro que virou câmara de gás, como se o idoso fosse obrigado a ter suas mucosas corroídas. Há também aqui um vídeo, ainda que com certo viés que tenta isentar a prefeitura de responsabilidade, com a repórter da Folha após ser atingida pela bala de borracha e imagens de arbitrariedades da polícia (como tiro de borracha a queima-roupa):

      http://www.youtube.com/watch?v=GVmOlQBCb_E

      Após a quinta de terror, vem Fernando Haddad dizer que não ficou bem para a polícia. De fato, a PM é comandada pelo Estado, mas em uma cidade do tamanho de São Paulo há uma central de informações da prefeitura, também usada pela Guarda Civil, que também ajuda a PM. Obviamente que aqui ele está querendo capitalizar em cima de algo que é de responsabilidade do governo estadual, mas começa a soar como tentativa de pôr a população contra Alckmin e como se o prefeito não tivesse sua parcela de responsabilidade. Reinaldo lembra que o PT apoiou o Passe Livre em 2011 e que a Haddad, caberia esperar o resultado da sindicância, em que pese as imagens que circulam no YouTube e também foram copiadas pelos portais mostrarem uma série de absurdos vindos da PM.

      O mesmo blogueiro fala que em tese daria para aplicar a Lei de Segurança Nacional, mas aqui podemos pensar sobre se não haveria risco de se usá-la para propósitos que agradem a planos marxistas-humanistas-neoateístas.
      Ainda dentro das preocupações sobre o que tudo indica ter sido ação deliberada da polícia, há o fato de Ben-Hur Junqueira Neto, tenente-coronel da PM, ter parabenizado o pessoal pelo que até então estava pacífico para poucos instantes depois vermos o começo da violência na Roosevelt. Se formos comparar o vídeo que está no link do Estadão (há uma cópia do mesmo no YouTube, mas está bichada e não roda) com o que Reinaldo fala, está meio estranho, pois ele está dizendo, usando-se do noticiário em tempo real, que a violência teria começado da parte dos manifestantes. Pelo que está escrito, e pensando no tanto de gente, o bloqueio na Cesário Mota Júnior parece-me adequado por levar em conta o transbordo natural que haveria dessas 5 a 10 mil pessoas. E, como se pode observar, o policial xará do personagem de Charlton Heston dizia que a coisa estava indo na boa até então. Logo, há algo que não está bem explicado, ainda mais vendo os tipos de abuso que as muitas câmeras flagraram e o desenho que os muitos vídeos permitem fazer de onde estavam manifestantes, policiais e imprensa. Não invalida o fato de o Passe Livre ter toda cara de astroturfing, mas ainda assim fica patente que até então a coisa estava com um certo grau de paz (em que pese alguns quererem subir a Consolação). E aí vimos tudo aquilo que gerou essa série de vídeos.
      Ainda que a afirmação de Reinaldo Azevedo em relação a quem começou o que seja um tanto frágil por aquilo que foi apresentado, ele acabou acertando em outras coisas, como esta hipótese sobre o que fez tal movimento chegar aonde chegou e sobre se é mais importante o preço da tarifa ou questões como a PEC 37, o projeto de lei que proíbe fazer novos partidos e outras questões. Em relação à ONG detentora do domínio mpl.org.br, temos a notícia de que a Petrobras havia encerrado o contrato de patrocínio da Alquimídia desde o ano passado e pediu que retirasse o logo da empresa do site. E também a notícia de que ela vai cancelar o site do movimento em questão (aqui não será tanto impacto, pois há também o Facebook do Passe Livre

      Não esqueçamos que temos de elevar o alerta de suspeita em relação ao PT agora querer direcionar a manifestação para além do passe, ainda mais que ontem houve gente da juventude do partido e na prática PSTU, PCO, PSOL e PCB terem sido usados de navio quebra-gelo para que representantes dos MHNs no poder assumissem e direcionassem o movimento contra o governo de Geraldo Alckmin, ainda mais que estamos a um ano da eleição federal-estadual. Na eleição municipal do ano passado, vimos o uso de manifestações contra Celso Russomanno acusando-o de homofobia e outras denúncias-ônibus por movimentos aparentemente apartidários como forma de fazer a candidatura de Haddad, que estava com apenas um dígito, decolar. Logo, uma manobra mais complexa e usando o Passe Livre e partidos de ultraesquerda como estopins para algo que fosse direcionado pelo PT para onde desejem e ficar só descendo a lenha em Alckmin não seria impossível.
      Ainda na parte de tentar capitalizar em cima da desgraça alheia, esta entrevista de José Eduardo Cardozo foi destrinchada pelo Reinaldo, que também fala sobre a tal possibilidade de o Passe Livre se retirar de campo e as manifestações passarem a ser guiadas pelo PT. E aí que reside o perigo, pois estarão tentando guiar o povo para seus objetivos de ganhar o governo estadual em 2014 e reeleger-se para o federal (sendo que já há essa reprovação a Fernando Haddad, os problemas no Centro-Oeste com ditas reservas indígenas e o descontentamento no Nordeste (com Eduardo Campos se aproveitando disso). Diz Fernando Haddad que quer conversar com o pessoal do Passe Livre e fica o medo de que na prática o movimento esteja passando o bastão sobre quem irá se manifestar agora (no quarto protesto, tivemos participação das alas jovens de PT e PC do B, o que deixa a coisa muito estranha se pensarmos que os protestos incluem Haddad).
      Seguem vídeo de Raquel Sheherazade sobre o assunto:

      http://www.youtube.com/watch?v=URi98YCiQl8

      Vasculhando a rede, vejam este estranho protesto de alguém que diz ser do Anonymous:

    • Segue o texto do Implicante sobre os ocorridos de quinta e, abaixo, vídeos de Rodrigo Constantino (ainda que o mesmo ache que só se deve lutar nas urnas e nos tribunais, como se não fosse possível protesto de rua minimamente organizado e que não caia em marxismo-humanismo-neoateísmo. Ele não deve ter visto o protesto organizado pelo Fortaleza Apavorada, realizado no mesmo dia 13, levando praticamente o mesmo tanto de gente que o Passe Livre e sem episódios de vandalismo ou violência de quem quer que fosse, manifestante ou policial) e Nivaldo Cordeiro (este feito na quarta-feira e, portanto, antes dos ocorridos. Disse ele que a polícia estava sendo frouxa no combate ao vandalismo, mas o protesto do dia 13 acabou sendo aquilo que vimos, com direito a bomba de gás lacrimogêneo em sétimo andar de apartamento porque o policial viu que estava sendo filmado, gás lacrimogêneo em carro de velhinho, ataque à imprensa, balas de borracha a queima-roupa e outros):

      https://www.youtube.com/watch?v=VxQ0_6GGg5c

    • Luciano, mais uma: lembra-se daquelas faixas escrito “juntos.org.br” nos protestos do Passe Livre? Sabe quem detém o domínio em questão?
      Ainda em relação aos protestos de quinta, segue esta imagem. Sim, estamos vendo alguém com rojão na mão e disparando-o para frente, em vez de para o alto. Estou com a impressão de que a maioria das pessoas que foram protestar são pacíficas, mas não notaram que estavam sendo usadas de inocentes úteis para que gente com o explícito propósito de enfrentar a polícia pudesse alegar que a corporação estava sendo truculenta com o povo (ela estava de fato o sendo, mas pode ser que em algum momento tenha acontecido algo feito por alguém estrategicamente colocado para provocar aquilo que estava sendo desejado). Segue o link da reportagem do JN, em que dá para ver um cara soltando rojão na horizontal, bem como o áereo do momento exato em que a polícia começou a agir truculentamente com a população comum que até agora não se tocou que está sendo feita de massa de manobra.

      Pensando no mapa daquela região, pode ser que o pessoal que estava perto da Maria Antônia e da Cesário Mota Júnior só estivesse mesmo se manobrando dentro do espaço que lhes foi fornecido e preparando-se para ir até a praça Roosevelt e de lá se dispersar. Pense em algo como um desfile de escola de samba, em que uma bateria enorme consegue manobrar bem no limitado espaço do recuo e, posteriormente, seguir tranquilamente até a dispersão. Não esqueçamos que há vezes em que escolas de samba levam para a passarela número de pessoas praticamente igual ao do Passe Livre e essas conseguem seguir tranquilamente até a apoteose. Tudo bem que desfile de escola de samba é muito bem coordenado pelo pessoal da harmonia e quem vai para a passarela tem um outro estado de espírito, mas ainda assim todos sabemos bem que a maioria das multidões consegue criar um modo informal de se organizar em um espaço dado (vide, por exemplo, a manifestação liderada pelo Silas Malafaia ou mesmo o pessoal do Fortaleza Apavorada, que se mantiveram no espaço circunscrito). Logo, dá para imaginar os seguintes cenários:

      1) Polícia indo deliberadamente contra a multidão (dentro daquela história que te expliquei de achar que com borracha o governo do PSDB iria agradar quem fosse mais conservador, dentro daquele estereótipo de que conservador diria “tem mais é que descer o cacete em todo mundo”, e de alguma forma tentar se firmar como gambiarra para quem não acha algo que não seja marxista-humanista-neoateísta);

      2) Alguém isolado que começou a atiçar a polícia atendendo a um chamado maior para que deliberadamente se obtivesse o resultado da PM descendo o sarrafo a torto e a direito para que se obtivesse algo capitalizável a posteriori pelo PT, que guinaria a campanha do protesto contra os R$ 3,20 para protestos contra o governo do estado de São Paulo (o que ao mesmo tempo seria manobra diversionista para que as pessoas não vejam a tramitação da PEC 37 ou o fato de que em Fortaleza levaram no mesmo dia o mesmo número de pessoas que vimos em São Paulo, mas protestando contra a violência em frente à sede do governo estadual local, tudo na maior das pazes, mas com cobertura apenas das TVs locais).

      E, o que vimos, foi muita gente que estava indo de boa fé e acreditando mesmo na proposta de lutar contra R$ 3,20 que acabou ficando no meio da linha de tiro, que poderão até ir à manifestação de segunda-feira, no Largo da Batata, com o risco de acontecer coisa muito parecida, até uma hora em que a coisa guine totalmente dos R$ 3,20 para protestos contra o Alckmin.
      Só para complementar a ronda do que vi na imprensa, segue mais uma do Sakamoto.

  2. Luciano, ainda sobre Passe Livre, há suspeitas de que os protestos em São Paulo, Rio, Goiânia e Natal possam na prática ser desvio de foco para protestos mais importantes, como o protesto na capital cearense que reuniu tantas 10 mil pessoas quanto as do Passe Livre e pedia segurança, movimento esse promovido pela organização Fortaleza Apavorada. E, pelo que falam, a massa lá andou muito mais ordeira, mesmo tendo o tanto de gente do protesto paulistano. Imagine se o ocorrido no Nordeste for rastilho para outros protestos pelo mesmo tópico em outras cidades. Pelo que falam, os MHNs cearenses hostilizaram a marcha, acusaram-na de protesto burguês (que a própria organização respondeu que classe média tem direito ao protesto e que havia também gente pobre engrossando as fileiras). E, convenhamos, segurança é mais importante que R$ 0,20 a mais em passagem de ônibus. Também temos de lembrar da PEC 37, que interessa a quem não quer a pressão do Ministério Público.

    Não esqueçamos que manobras diversionistas têm sido comuns neste ano, vide o ocorrido com Marco Feliciano enquanto Genoino e João Paulo Cunha assumiam a CCJ. Porém, o efeito naquele caso foi pela culatra, pois fortaleceu o deputado, bem como os movimentos com forte presença de evangélicos. No caso do Passe Livre, temos a tal história de a PEC 37 e essa da segurança que teriam de ficar fora da atenção do povo. De minha parte, torço muito para que o movimento fortalezense ganhe o país todo. Seguem vídeos da marcha cearense:

    http://www.youtube.com/watch?v=cxNIFNEY7u0

    http://www.youtube.com/watch?v=mdZIPhQM1G4

    http://www.youtube.com/watch?v=-eOK7aIBB5E

    http://www.youtube.com/watch?v=hfAEc2jpWpQ

    http://www.youtube.com/watch?v=r_vQbyYkc5U

    http://www.youtube.com/watch?v=LSmZsVIKj7g

    http://www.youtube.com/watch?v=WGqj-eQxtfc

    http://www.youtube.com/watch?v=2fDLcAY1eLU

    http://www.youtube.com/watch?v=cfRhRYx7c5g

    Se pensarmos que Fortaleza tem menos gente que São Paulo e levou em uma quinta-feira praticamente o mesmo número de pessoas do quarto ato do Passe Livre, proporcionalmente esta manifestação é mais representativa do desejo popular do que a paulistana. Outra coisa importante aqui é que se protestou contra a violência como um todo, sem usar recortes de sexo ou sexualidade (como se uma determinada violência fosse mais grave do que outra).
    E a pergunta: se teve tanta gente quanto em São Paulo, por que tivemos de procurar por notícias vasculhando a rede, em vez de as termos disponibilizadas pelos grandes meios de imprensa? Ao que vi, só as redes cearenses é que falaram a respeito do Fortaleza Apavorada. Luciano, meu caro, seja aquele de fora do Ceará que dê um efeito multiplicador a isso, pois este é um movimento que tem de se espalhar por todo o país e ter um monte de atos como está tendo o Passe Livre. Não adianta o pessoal do Fortaleza Apavorada fazer apenas e tão somente um único protesto, senão passará em brancas nuvens. É preciso usar a mesma estratégia de protestos repetidos que o Passe Livre tem usado, mas com a diferença de se usar viés pacífico sempre. Se de repente a polícia não autorizar que se use a rua, que uma multidão caminhe nas calçadas. Outra arma que pode ser usada é, em vez de usar apitos, gritar palavras de ordem (poderiam até mesmo se apropriar do “sem violência”).

    Ainda sobre o Passe Livre, veja esta foto em que um fotógrafo provoca a PM mostrando o dedo. Em que pese termos tido jornalistas que sofreram verdadeiras arbitrariedades (vide a repórter da Folha que tomou tiro de borracha na cara, outros seis jornalistas do mesmo jornal que sofreram o mesmo, o repórter da Carta Capital detido por portar vinagre para combater o gás lacrimogêneo e o repórter do Portal Aprendiz detido por tentar evitar que polícia borrachasse duas mulheres), também temos de ver quando é que tem gente na mídia que quer algo de efeito a todo custo.
    E já que sempre falamos do que o lado marxista-humanista-neoateísta divulga a respeito, seguem textos do Brasil de Fato e do Sakamoto. Não acho que eles falarão do protesto cearense que levou no mesmo dia o mesmo tanto de gente que o Passe Livre em São Paulo. Para reforçar a impressão de que a coisa começava protestando contra os R$ 3,20 até a hora em que a polícia metesse a borracha e praticasse atos indevidos (como o gás lacrimogêneo no carro do velhinho e no sétimo andar de um prédio cujas pessoas filmavam a barbárie praticada, as balas de borracha a queima-roupa e na imprensa e outras), segue também entrevista em que Walter Maierovitch desce a lenha em Alckmin. É MHN contra MHN, verdade, e neste caso até poderia ser aproveitado de alguma forma para combater o MHN. Aliás, creio que foi um erro daqueles da parte de Alckmin ter permitido que a polícia fizesse o que fez. Isso com certeza não agradou nem um pouco aquelas pessoas que são contrárias ao PT e que poderiam ver no PSDB uma gambiarra em relação à ausência de um partido que verdadeiramente seja contrário ao marxismo-humanismo-neoateísmo. Estão achando que quem é anti-MHN supostamente apoiaria ações como as que vimos no dia 13, quando na verdade apenas e tão somente deseja que a polícia esteja presente e tenha força, mas que não aja de maneira tresloucada como vimos.

    Fica-me a impressão de que os protestos irão acabar tão logo o PT esteja liderando a corrida para o governo estadual. Por fim, e guinando um pouco para o humor contra a truculência da PM vi este Tumblr memetizando aquele policial que jogou spray de pimenta em um câmera que apenas fazia seu trabalho. E vamos continuar apoiando os fortalezenses que foram às ruas no mesmo dia do Passe Livre, levaram o mesmo tanto de gente, mas passaram praticamente sem notícias (só soube agora de madrugada disso tudo).

    • Mais notícias sobre o Passe Livre:

      1) Movimento Black Block, que prega o vandalismo como ação política, estava presente. Eram aqueles anarquistas que saíram pichando a cidade com o símbolo de seu movimento e quebrando janelas de bancos e fazendo arruaças. Em outra notícia sobre o assunto, observa-se que a página do Facebook deles tinha cenas do vandalismo feitas nos protestos.
      Lema do movimento, que cita Jack Kerouac: “aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, Glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo são as que o mudam”.

      Ainda que se digam anarquistas, possuem algum comando centralizado, pois não estavam presentes na quinta-feira, uma vez que membros de suas filas estão enquadrados por formação de quadrilha. Porém, é importante que notemos a presença desses caras. Eles são os que foram mencionados na notícia do Observatório da Imprensa que falava da marcha de manifestantes cujo centro seguia normal e cujos participantes das laterais saíam fazendo arruaça. Esses das laterais, quando a polícia responde, são os que vão para dentro da massa pacífica e se misturam com ela a ponto de sobrar borrachada para quem nada tinha a ver com o ocorrido. Se formos pensar em uma coordenação maior e na necessidade de marxistas-humanistas-neoateístas em que haja o caos e o medo na população para que consigam se estabelecer, é muito possível que sua presença nas marchas tenha sido tolerada e esperava-se que fizessem o que fizeram com o tal objetivo. Porém, como sabemos bem, eles estavam queimando o filme do movimento e sua retração também pode ter atendido a esse objetivo. Uma coisa que deu para notar na pichação feita nos protestos anteriores é que elas não usavam aquela tipologia típica de pichador, enquanto o trólebus pichado na quinta tinha pichação de tal tipo, o que denota que gente com spray no último ocorrido era só mesmo pichador comum que se sentiu autorizado a ir após ver anarquistas deixando suas marcas;

      2) Uma boa dissecação de quem está por trás dos protestos. Infelizmente na internet não tem o infográfico que há na página A24 do Estadão de papel mostrando quem compõe as manifestações. Nele mostra-se a separação em sindicatos (metroviários, ferroviários, professores da rede estadual e saúde), coletivos autônomos (vamos assim dizer, pois há uns com cunho marxista-humanista-neoateísta. Coletivos que estavam presentes: Movimento Passe Livre, Igreja Punk do Fim de Semana, Corrente Proletária Estudantil, anarquistas que não black block, Espaço Socialista, Fanfarra do Mal, Levante Popular da Juventude, Anonymous, Território Livre e integrantes do movimento hip-hop), Partidos ou coletivos ligados a partidos (Juventude do PT, que estranhamente passou a estar na marcha de quinta, Todos Juntos por um Futuro, o movimento estudantil do PSTU, Ligra Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, de cunho trotskista, União da Juventude e da Rebelião, ligada ao Partido Comunista Revolucionário) e a tropa de choque (no caso os black blocks);

      3) O Roda Viva entrevistará os líderes do Passe Livre na segunda. Os entrevistadores serão Milton Coelho da Graça, Rafael Colombo e Leandro Machado;

      4) Assim como continuamos a estranhar a ação da polícia na última quinta, surge esta notícia de que havia gente dentro da PM que estava querendo que a corporação agisse com calma, com o pedido do comandante Benedito Roberto Meira para que os batalhões fizessem preleção para que fosse mantida a calma. Como sabemos, PM responde ao governador do estado e fica a pergunta sobre de quem partiu a ordem para que fizessem o que fizeram (em que pese agora isso ter ajudado um bocado para a guinada que o PT queria, uma vez que lhe interessa derrubar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes);

      5) Está na página A21 do Estadão de hoje e complementa a notícia de ontem com o vídeo. Pelo que se falava, havia gente no Passe Livre querendo que o protesto fosse além da praça Roosevelt e parasse na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Logo, fica a impressão de que estão mesmo querendo guinar o protesto contra o governo de São Paulo e esquecer a prefeitura antes mesmo de terem ocorrido os episódios lamentáveis. Ainda assim, fica difícil achar explicações possíveis para o que vimos por parte dos agentes da lei;

      6) Ainda dentro da alta possibilidade de esquecerem a prefeitura e passarem a ir contra o governo do estado, temos esta notícia de que Fernando Haddad quer conversar com o Passe Livre. Diz o prefeito que quer mostrar o que tem formado a passagem do ônibus, mas temos cá a suspeita de que subitamente passarão a só falar contra o governo do estado (em que pese a ação da polícia já ter fornecido o pretexto necessário para camuflar o que pode ser uma guinada planejada do movimento). Temos esta outra notícia falando a respeito. Atenção a este parágrafo: “o Movimento Existe Amor em SP, responsável por protesto às vésperas da eleição que reuniu simpatizantes de Haddad, criticou o prefeito por não apoiar os atos”. É bem possível que a intransigência da prefeitura em baixar o preço da passagem tenha sido planejada para que o protesto recrudecesse ainda mais e, pelo decorrer do tempo, conseguisse-se alguma ação da polícia repleta de absurdos como a que tivemos na quinta. Se lembrarmos que o Existe Amor em SP foi incorporado ao Conselho da Cidade coincidentemente após as passeatas anti-Russomanno, em ação que praticamente parece agradecimento pela eleição conseguida, não ficaria surpreso se o Passe Livre acabasse sendo incorporado à mesma instituição caso se consiga o intuito de ganhar a eleição estadual. Vamos lembrar que muitas dessas críticas que um movimento faz a quem está no poder podem propositadamente ser da boca pra fora. Também podemos estranhar o silêncio de Haddad diante dos atos que prejudicaram a cidade que governa.

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