O esquerdismo, sob a ótica da dinâmica social OU Como nunca mais se surpreender com notícias nos mostrando que mais um país de esquerda vira uma ditadura formal

3
68

rafael-correa-20110907-size-598

Conforme a Folha de S. Paulo, o Congresso do Equador finalmente conseguiu implementar uma lei para censurar radicalmente a imprensa. Leiam abaixo, e depois comento:

O Congresso do Equador aprovou ontem projeto do governo do presidente Rafael Correa que cria um órgão para vigiar a mídia do país, com poder para sanções econômicas e administrativas, e fixa novos critérios para futuras concessões de rádio e TV.

Após tramitar por quatro anos, a Lei de Comunicação passou graças à ampla maioria do partido do esquerdista Correa na Assembleia Nacional unicameral (137 cadeiras). Para a votação, o projeto foi dividido em sete seções, e cada uma delas foi aprovada por no mínimo 108 votos.

A lei, que seguirá para sanção presidencial, foi duramente criticada por opositores e entidades de jornalistas, que veem nela mais um capítulo da briga de Correa com a mídia –no plenário, parlamentares oposicionistas protestaram colocando mordaças logo depois da aprovação.

Além de criar a Superintendência de Informação e Comunicação –cujo papel será de “vigilância, auditoria, intervenção e controle”–, a lei reserva 33% das futuras frequências de rádio e TV para a mídia estatal, 33% para emissoras privadas e 34% para grupos indígenas, sem mudar as concessões atuais.

Outro artigo polêmico vem sendo apelidado de defesa contra o “linchamento midiático”: caso julgue que pessoa física ou jurídica foi “desacreditada” pela mídia, a Superintendência pode obrigar o veículo responsável a divulgar um ou mais pedidos de desculpas, dependendo de quantas vezes a “informação lesiva” foi publicada.

CORRUPÇÃO PROTEGIDA

Para o presidente da União Nacional de Jornalistas do Equador, Vicente Ordóñez, o objetivo da lei é o “controle absoluto da imprensa independente” –em vez da informação livre, ela “protege a corrupção, por meio do dispositivo sobre linchamento midiático”, diz o jornalista.

Entidades como o Comitê para a Proteção de Jornalistas e a Anistia Internacional se disseram preocupadas.

O autor do projeto, o parlamentar governista Mauro Andino, argumenta que a lei veta a censura prévia e garante liberdade de expressão “com responsabilidade”.

Como sempre, a implementação oficial de uma ditadura surge de um país esquerdista.

Por que eu não estou surpreso?

Eu não estou surpreso pois estudo ciência política pela ótica da dinâmica social, em que os discursos são observados apenas na medida em que são congruentes com os comportamentos apresentados pelos indivíduos sob análise.

Por exemplo, vi um debate recentemente entre um esquerdista chamado Marcos Nobre e Luiz Felipe Pondé, de direita (debate que publicarei ainda neste fim de semana, com comentários), no qual Nobre afirmou que “não existe esquerda sem democracia, e ser de esquerda significa apenas abdicar de quaisquer cláusulas pétreas na luta pelo progresso”.

Emocionante, não? Mas é claro que esse discurso é mais falso que menstruação de travesti.  Mas estudarmos o comportamento dos esquerdistas, vemos que o discurso de Nobre, além de falso, é exatamente o oposto do que ele prega.

Vamos então ao que é o esquerdismo, na observação dos comportamentos dos esquerdistas, por uma ótica mais “crua”, ou seja, olhando a questão de fora, como se fôssemos investigadores evolucionistas observando grandes tribos e indivíduos e grupos em ação nestas tribos.

Esquerdismo significa um conjunto de ações com foco na obtenção de poder concentrado para pessoas que tem o privilégio de tomar conta do estado. Em termos biológicos, significa a subserviência absoluta aos machos alfa, que são os dirigentes de um estado inchado. Esquerdistas se dividem em dois tipos: beneficiários e funcionais. Os primeiros são os machos alfa, beta e em alguns poucos casos gama nos vários núcleos onde conseguirão este poder. Os demais são machos delta (junto com alguns gama) e épsilon, que em muitos casos visualizam o discurso esquerdista como se fosse uma “causa sincera” pela justiça social. Obviamente, sempre são massa de manobra nas mãos dos beneficiários.

A maneira pela qual a hipnose esquerdista funciona é pela criação de discursos onde sempre existem oprimidos a lutarem contra opressores. Funcionais são doutrinados a acreditar que vivem em lutas para salvar estes oprimidos dos cruéis opressores. Obviamente, todas as “lutas” passam por propostas que aumentem o inchaço estatal.

O esquerdismo, na visão que mais nos importa (a dos beneficiários, pois é que mais nos atinge, enquanto cidadãos), tem essa descrição. Mas ele aparece, ao olharmos para os funcionais (mas como sempre, tudo é gerenciado pelos beneficiários), como uma forma sofisticada de religião política, derivada 100% das crenças humanistas. Isto é, as crenças que prometem a remodelação da vida humana por um projeto centralizado, via ação política, resolvendo as contingências humanas. No esquerdismo, como uma religião política, a crença em Deus é transferida para o estado (mesmo que alguns, em duplipensar, adotem a teologia da libertação). O conceito de família se perde, e ao invés de pensarmos em nossos pais e mães como protetores, somos obrigados a pensar na “grande família” cujo pai é o estado. Ao avaliarmos todas as crenças esquerdistas em qualquer paradigma adotado pela esquerda (seja ele marxismo, welfare state, nazismo, marxismo, social democracia, nacional socialismo), vemos que todas as crenças se convergem para aquilo que mencionei anteriormente: foco na obtenção de poder concentrado para que tem o privilégio de tomar conta do estado. Obviamente, o funcional não precisa estar ciente disso, mas olhando de fora vemos que é isso que sempre ocorre no esquerdismo.

Marxistas, por exemplo, dizem que Karl Marx prometia uma “sociedade sem estado no futuro”. Claro que essa é uma proposta impossível, apenas um pote de ouro ao final do arco íris para iludir a patuléia. Enquanto isso, ele dizia que “antes da maravilhosa sociedade sem estado no futuro”, teríamos que aceitar um estado inchadíssimo e extremamente totalitário, isto é, a ditadura do proletariado. Assim, em nossa investigação crua, o marxismo é um perfeitíssimo exemplo de uma religião política esquerdista, que atende ao principal objetivo do esquerdismo na visão dos beneficiários.

E não se iludam com títulos como “golpe socialista” ou “golpe comunista”, pois essas ideologias, pela ótica da dinâmica social, não passam de fachadas para a tomada de poder. Após o poder conquistado, o governo semi-totalitário ou totalitário irá misturar o que quiser, inclusive se beneficiando do capitalismo.

O principal recurso que os arquitetos do esquerdismo possuem, alinhados aos beneficiários, é o discurso hipnótico, de forma a fazer que o esquerdista funcional sempre abrace suas causas de forma fervorosa. Como o discurso de esquerda é sempre irracional, mas ao mesmo tempo repleto de slogans para capitalização política, é muito fácil encontrar fraudes intelectual em todo conteúdo divulgado por eles. Seja um humanista que não debandou para o esquerdismo (são raríssimos, como alguns libertários que parecem adotar a crença humanista,  embora outros libertários a reneguem), seja um que se tornou um esquerdista (e todos os esquerdistas são humanistas), não há parágrafos de conteúdo produzidos por eles que não possam ser refutados por guias de falácias.

Entretanto, em sua luta por lutarem para aparecer ao público como “salvadores do mundo”, eles vão obter seu espaço, pois seus arquitetos investiram muito em estudos de sociologia e psicologia social para o domínio da mente dos incautos. Para conseguir contra-atacar a psicose de esquerda, a direita precisa estudar estes recursos que eles aprenderam, inclusive autores como Gramsci, Alinsky e Lakoff. O aprendizado serve para neutralizar as fraudes que eles cometem.

É importante neutralizar toda e qualquer fraude intelectual cometida por esquerdista, seja ele beneficiário ou funcional, pois todas elas conspiram contra sua liberdade. Ao vermos o Congresso do Equador conseguir aprovar uma lei ditatorial usando termos como “democratização da mídia”, nada mais vemos que discursos orwellianos, fraudulentos e que geram resultado por que (a) foram planejados para dar o resultado que o esquerdismo requer, e (b) não são conhecidos pela oposição aos esquerdistas como as fraudes intelectuais que realmente são.

Após essa explicação, há alguma surpresa ao ver que mais um país esquerdista se tornou uma ditadura formal? Não, não há. Há apenas a constatação de que o esquerdismo tem mais um case de sucesso.

Quando os burocratas conseguem se aproveitar do welfare state na Escandinávia, consumindo 60% da renda dos cidadãos que realmente trabalham (aliás, o sucesso desses países surgiu nos tempos em que eram capitalistas, portanto méritos escandinavos ocorrem apesar do esquerdismo atual, e não por causa dele), temos um case de sucesso do esquerdismo. Quando Barack Obama consegue usar a Receita Federal para investigar seus adversários, e iniciar um programa de espionagem contra eles, novamente, temos um outro case de sucesso. Notaram que a surpresa desaparece?

Porém, os maiores cases de sucesso da esquerda estão nos governos genocidas da Rússia, Alemanha Nazista, Cambodja e China, onde os esquerdistas beneficiários conseguiram concentrar tanto poder estatal em mãos, controlando a mídia, que em situações de crise puderam usar o estado para esmagar os adversários políticos de seu país.

Hoje em dia, a América do Sul traz cases de sucesso muito potentes, em que, pela via gramsciana, é melhor controlar a cultura primeiro (a hegemonia), para conseguir a tomada do poder de forma totalitária. A ditadura é implementada sem o uso de tanta violência como na Rússia e no Cambodja e tudo aparece mais “bonitinho” para a mídia estrangeira. Foi assim que a esquerda implementou ditaduras recentemente na Venezuela, Argentina e agora no Equador. E caminha, a passos largos, para tentar o mesmo no Brasil.

Agora ninguém mais tem o direito de ficar surpreso com o que ocorreu no Equador.

Anúncios

3 COMMENTS

  1. “Hoje em dia, a América do Sul traz cases de sucesso muito potentes, em que, pela via gramsciana, é melhor controlar a cultura primeiro (a hegemonia), para conseguir a tomada do poder de forma totalitária. A ditadura é implementada sem o uso de tanta violência como na Rússia e no Cambodja e tudo aparece mais “bonitinho” para a mídia estrangeira. Foi assim que a esquerda implementou ditaduras recentemente na Venezuela, Argentina e agora no Equador. E caminha, a passos largos, para tentar o mesmo no Brasil.”

    Será que chega no Chile também? Ao que parece, a Bachelet vai acabar sendo eleita por lá esse ano. Isso sem contar que li algumas semanas atrás, que ela receberá apoio do Partido Comunista de lá, que faz parte do Foro de São Paulo. Não sei, cada dia mais a América Latina está indo pro buraco e tem um punhado de gente que pensa se tratar de “progresso anti-imperialista”.

    • Marcio,

      Pode chegar a qualquer lugar. Quanto mais complexo o país, mais difícil. No Brasil, não a coisa não está tão fácil para o PT, mas me surpreendi com a rapidez com que implementaram a ditadura na Argentina.

      Lembremos que isso pode levar sociedades a colapso, e o sistema totalitário pode ruir no futuro também.

      Abs,

      LH

Deixe uma resposta