Como a direita pode se aproveitar das atuais manifestações?

30
62

289962-970x600-1

O MPL garante que o movimento deles é apartidário. Se é verdade, temos que testar a hipótese, demonstrando que tanto o pensamento de direita como o de esquerda tem vez junto com eles.

Claro que existe uma contradição que eles precisam resolver pois a descrição da página deles no Facebook diz o seguinte: “Movimento social autônomo, horizontal, independente e apartidário que luta por um transporte público gratuito e de qualidade, sem catracas e sem tarifa.”

Se é apartidário, por que então a proposta de “transporte gratuito” (usando o mito da passagem gratuita) atende aos partidos de esquerda? Mas, a título de argumentação, aceitemos, então, que eles são apartidários. Não como uma verdade, mas como uma hipótese a ser testada.

Neste caso, as demandas e manifestações devem atender tanto a anseios da direita como da esquerda. Pela quantidade de pessoas no movimento, já podemos claramente dizer que existem muitos bi-conceituais no movimento.

Um bi-conceitual, segundo George Lakoff, é uma pessoa que não se qualifica no todo de suas idéias como nem de esquerda e nem de direita, mas assume idéias de esquerda em algumas questões e idéias da direita em outras. (Atenção que isso não significa que alguém supera os paradigmas de direita e esquerda, pois ao qualificarmos alguém nas suas crenças políticas fundamentais, alguém terá que tomar partido entre crer ou não no estado)

Mas enfim, se temos os bi-conceituais (sejam de direita moderada ou esquerda moderada), temos pessoas no movimento que concordam conosco AO MENOS EM ALGUNS PONTOS.

Por exemplo, alguém pode pedir o transporte gratuito, pois não tem a menor noção de que a idéia de “passe grátis” é um mito. Mas essa pessoa pode ao mesmo tempo ser a favor da redução da maioridade penal. Este é um bi-conceitual, que, como já disse, é alguém que adota idéias da esquerda em algumas questões e idéias da direita em outras.

Então, retornemos ao racional: se o movimento é apartidário e cresceu tanto, então não temos apenas esquerdistas retintos por lá. Temos vários bi-conceituais no meio.

Um amigo fez um teste e entrou na comunidade MPL e sugeriu as seguintes manifestações:

  • Pela redução da maioridade penal
  • Pela rejeição à PEC 37
  • Pelo fim das tentativas de controle da mídia do governo federal
  • Contra a vinda de 6.000 médicos cubanos ao Brasil
  • Contra o politicamente correto

Para sua surpresa, ele obteve vários likes.

Em seguida, segundo nos conta, ele chamou pessoas de lá para o debate, de forma muito educada, dizendo: “Por que não lutamos pela concorrência entre empresas de transporte ao invés de redução da tarifa?”.

Claro que ainda existe uma maioria de esquerda na comunidade, mas eles estão receosos em tornar o movimento partidário, portanto eles não podem ostensivamente dizer “quem é de direita não pode participar”, principalmente se o participante da direita for educado.

Atenção para esta dica clara: ao adentrarem na comunidade MPL e chamarem o pessoal para o debate, a idéia é sempre sermos educados e polidos. Estamos nos focando na conquista da confiança dos bi-conceituais, ou até de  alguns que tenham o perfil da direita por lá. Também estaremos nos focando a questionamentos incômodos para quem é da esquerda.

Quem tiver uma base teórica em von Mises, Hayek ou Friedman, nada de braçada por lá, pois a maioria não tem a menor noção dos resultados de suas demandas. No caso das rotinas de apologia ao crime, feitas pela esquerda, relembro de meus posts sobre as rotinas da bandidomania, que publiquei tempos atrás. Um esclarecimento educado e polido, sempre pautado no debate racional, pode gerar bons frutos.

Claro que se fosse uma comunidade partidária como Karl Marx Brasil, eu não recomendaria. Lá com certeza quem é da direita será tratado com selvageria, e provavelmente vai ser ridicularizado da mesma forma que eu faço com um esquerdista a aparecer por aqui.

Mas de novo é importante deixar claro que no caso da comunidade Movimento do Passe Livre, temos algumas variáveis, como a presença de muitos bi-conceituais no movimento e a luta atual para eles se venderem em público como apartidários. Então há uma chance de que sua participação seja bem aceita por lá, caso você seja educado, polido e não entre com tom de desafio.

Eles podem até ficar incomodados com a presença da direita, mas daí é só explicar-lhes que “se o movimento é apartidário, então a dicotomia esquerda-direita deve ser superada”.

Enfim, quem quiser entrar na comunidade, poderá fazer alguns testes importantes, ou ao menos lançar algumas minhocas nas cabeças transtornadas daquela garotada, permitindo, então, que alguns tenham alguma chance de fugir da doutrinação de esquerda.

Um amigo, Hélio, me indicou um texto de esquerdista que está odiando a participação da direita nas manifestações.

Em um deles, Carlos Carlos diz o seguinte:

[…] com o intuito de ser contra o neoliberalismo tacanho que ainda vemos correr solto pelo Brasil.. esse que extermina indígenas, enriquece empresas privadas em casos de serviços que deveriam ser “tarifa zero”, como é o caso do transporte, esse que  exclui o povo das periferias das grandes cidades, que mantém no poder malditos bancos e corporações estrangeiras e nacionais que continuam mamando na teta principalmente da população pobre, esse neoliberalismo/capitalismo que é totalmente contra um reajuste fiscal urgente onde os ricos paguem mais impostos do que os pobres

Diga-lhes que a realidade é exatamente a oposta. A tarifa zero não existe, pois o dinheiro não surge do nada. A conta sempre cai nas costas do cidadão pobre. Os bancos são aliados do governo petista, e se beneficiam de um cenário de altos impostos. Com menos impostos para os negócios, bancos menores teriam mais chances de competir com os maiores. Quanto mais taxação for feita sobre os negócios (e “os ricos”) mais isso é diretamente retornado nas costas da classe média.

[…] esse que faz de tudo para não democratizar e regulamentar a mídia pra que ela seja muito mais do que um espaço comercial de interesse de grandes corporações

A regulamentação da mídia é a colocação de grupos partidários fingindo ser “a sociedade” como representantes de um governo ditador. Com a mídia regulamentada, dificilmente teríamos uma cobertura decente dos eventos das manifestações.

[…] esse que é totalmente contra a reforma política no país

A tal “reforma política” é uma proposta do PT para aumentar o seu controle sobre o estado, e, então, ficar livre de dar qualquer resultado. Que tipo de manifestação é essa que só atende aos interesses de um governo tirânico?

Não foi o PT que detonou o Brasil. Pelo contrário, ele nasceu com base nos princípios contra as injustiças históricas, o velho colonialismo e a crítica à burguesia mesquinha. A atual crítica da esquerda ao PT, é justamente pelo fato do partido ter feito concessões demais aos neoliberais, esses mesmos que agora querem dizer que a culpa de tudo é do PT e do Lula. Não dêem ouvidos a esses aproveitadores. O maior problema sempre foi eles (os burgueses), e o problema do PT foi e está sendo a constante coligação com eles. Não se iludam.

O PT é um partido de esquerda puro-sangue, que, como sempre, usa um discurso de “apoio aos pobres”, tentando arrumar pretextos para inchar o estado e obter poder, e enfim fazer seu capitalismo de estado. Não existem “concessões” feitas pelo PT, mas planos estratégicos executados à risca. O PT não é o que detonou o Brasil, mas sim o pensamento de esquerda, presente desde os tempos de Getúlio, do governo militar, do governo FHC e do PT. É pela ausência de períodos históricos de livre mercado que o Brasil jamais produziu riqueza. Nos Estados Unidos, pessoas pobres vivem muito melhor que as pessoas de classe média aqui. Tudo por causa das idéias da direita. Ver vídeo abaixo, que pode ser divulgado para todos os frequentadores das redes sociais:


@
Para cada discurso ou rotina da esquerda, deve surgir uma refutação mostrando que a esquerda é culpada pelo péssimo nível de vida do cidadão pobre do Brasil.

Enquanto isso, deve-se dirigir aos bi-conceituais não para refutação, mas para um diálogo amigável demonstrando que se alguém quiser mudar o Brasil, deve fazer algo diferente. Isto é, pensar fora da caixa criada pela esquerda.

E então, que tal uma participação na comunidade dos manifestantes do MPL?

Anúncios

30 COMMENTS

  1. Eu diria ainda, que tal também participarmos do movimento então com as nossas reinvindicaçoes? Que tal acabarmos com essa reticência em manifestarmos as nossas próprias ideias uma vez que o movimento é apartidário?

  2. Tanto a direita que culpa o foro de São Paulo como a esquerda que culpa os “reacionários”pelos protestos não estão entendo realmente o que esta acontecendo.

    O povo quer poder.

    O cidadão quer participar não apenas aplaudir os políticos, não apenas dizer amém e ficar calado.

    O que vai acontecer, e vai ser um saco no inicio.

    As demandas, que é o que não falta, serão motivo de novos protestos, estas serão contempladas na medida do possível, uma convivência não muito pacifica entre as partes e por vezes demandas irreais do tipo “tirar leite de pedra”.

    Para cada demanda atendida se criará duas.

    Com o tempo tudo evoluirá para um tipo gestão participativa do estado, se terá canais de comunicação dinâmicos entre estes manifestantes (não mais manifestantes na verdade) e o governo.

    A Subsidiariedade é inevitável agora, nada que a politica velha pode fazer vai impedir que isso aconteça.

    “Subsidiariedade, pretende assegurar uma tomada de decisões tão próxima quanto possível do cidadão, mediante a verificação constante de que a ação a empreender a nível comunitário se justifica relativamente às possibilidades oferecidas pelo nível nacional, regional ou local.”(1)

    Claro que o estado brasileiro não pode do jeito que ele é hoje responder a esta nova forma de atuar, ele é centralizado, burocrático, arcaico,e corporativista, e com certeza não vai largar o osso tão facilmente.

    Perder poder não esta na agenda de nenhum partido e muito menos passa na cabeça do politico eou burocrata brasileiro abrir mão de poder.

    Como afirmei antes o processo é inevitável, a federação deverá se reorganizar se reestruturar para responder a esta nova forma de administrar o Estado, o ente federal perde muito o seu poder e o municipio cresce e se torna o protagonista do desenvolvimento do país.

    (1)http://www.dicionarioinformal.com.br/subsidiariedade/

  3. Luciano, com as tarifas baixando (e não acho que isso vá impactar muito o poder público, uma vez que arrecada muito imposto e tem caixa suficiente para dar umas remanejadas que não impactem muito), vamos entender que ao menos o papel de inocente útil do Passe Livre já tenha se esgotado. Com a votação da PEC 37 adiada (quem sabe para 31 de fevereiro, como todos esperamos), também fica esvaziada a marcha que iria ser feita no sábado contra isso. Se formos levar em conta que parte do protesto tem um quê de modinha (vide pessoas postando fotos no Facebook e no Instagram), vamos considerar que há grandes chances de as próximas passeatas terem a meia dúzia de gatos-pingados que costumariam ter.
    Logo, tenho a impressão de que também ficaria difícil desmarxistar, desumanistizar e desneoateizar as pessoas, uma vez que uma tendência de manifestações menores tiraria o número de pessoas que no máximo propagam marxismo-humanismo-neoateísmo sem se darem conta disso. E deve ter sido isso que os marxistas-humanistas-neoateístas no poder notaram, ainda mais quando fracassaram as tentativas de guinar os protestos (vide a jogada kasparoviana de Alckmin ao deixar os black blocks arrombarem o portão do Palácio dos Bandeirantes bem à vista de toda a mídia e fotógrafos e cinegrafistas de iPhone e assim ter pretextos mais que suficientes para mandar a PM para cima, fora a expulsão dos partidos). Logo, fica meio na cara que não irá interessar a eles (salvo os MHNs que queiram ficar aparecendo, tipo o pessoal do Passe Livre agora que ganharam alguma notoriedade) continuar insuflando as manifestações (ainda mais que geraram riscos de o PT tomar uma surra daquelas na urna de 2014), uma vez que tem de ter o mínimo possível de pessoas na rua e o menos possível de possibilidades de trocas de ideias políticas por ora. Vamos pensar que aconteceu com o MHN no poder algo mais ou menos como isto (entenda como MHN a forma de vida decadente se transformando em Mumm-ra e o Lion como o povo que guinou o protesto para longe dos propósitos originais, podendo-se considerar a guinada como a hora em que Mumm-ra olha seu reflexo na lâmina da Espada Justiceira):

    http://www.youtube.com/watch?v=ea7l_9EYpAk

    Logo, é possível que tenhamos MHNs no poder por ora mansinhos, uma vez que não interessa mexer mais na m… para que ela não feda mais. Se os protestos seguirão com força, é difícil saber, ainda mais que as pessoas precisam mover a economia e sabem que se ficarem de muita bagunça não dará para continuar chegando bem nutrida e saudável aos protestos.
    Hoje achei interessante o seguinte: Felipão exaltando a livre opinião (sim, isso vai além da simples liberdade de expressão, pois significa que a pessoa tem o direito de pensar o que quiser). Partindo de quem parte e da simpatia que amplas parcelas da população têm pelo técnico pentacampeão, isso também pode ser um (talvez involuntário) tapa com luva de pelica no gramscismo e o clima de censura branca que seus seguidores implantam na sociedade. Obviamente que Felipão não pode se posicionar contra ou a favor, pois a Seleção representa tanto aqueles que são pró ou contra os protestos. Porém, sendo ele gaúcho e herdeiro de uma unidade federativa com tendência a polarizações que vêm desde os tempos de chimangos e maragatos (e que pode fornecer clima para que a opinião divergente não seja inibida de se expressar como o é em outros lugares), acaba sinalizando algo importante a quem tiver opinião divergente daquela mais corrente para que dela não se envergonhe (vide os libertários-anarcocapitalistas nos protestos da Paulista, mesmo tendo tomado porrada de MHNs). Para completar essa impressão de que a coisa pode ter tomado rumos diferentes daqueles desejados pelos MHNs no poder, temos este vídeo:

  4. Apartidario? Nem fudendo! A tal da Mayara Vivian ja deu entrevista hoje dizendo que o objetivo do MPL e o fim do latifundio rural (um troço que so existe na cabeça dos esquerdopatas) e do latifundio urbano seja la o que porra for isso.

    • Sim, isso eu sei, mas quando tratamos o apartidarismo deles como hipótese, podemos ridicularizá-los mais. Ao invés de declarar “não são apartidários” é uma maior pressão dizer “se é apartidário, então faz isso?”. É a dica do Saul Alinsky de fazer o adversário sucumbir pelo seu próprio livro de regras.

      Eu acho mais divertido chegar para um adepto do MPL, com expressão inocente, perguntando “Se é apartidário, então pq pede algo que só vai ajudar um governo federal que quer inchar estado?”

  5. Belo texto, novamente, Luciano! Fico muito feliz por ter achado, por acidente, seu blog!

    Gostaria de, se possível, pedir indicações de livros e autores de direita liberal, pois estou me introduzindo a esse pensamento. Livros mais básicos, para que eu possa me familiarizar a esses pensamentos, para que assim eu possa entrar na parte mais hardcore do pensamento político. Desde já, grato.

  6. Protesto apartidário para boi dormir, Luciano olha uma grande prova que este protesto era de esquerda… foram falar mal do PT e quase apanharam.

      • Certo Luciano, eu entendi a sua hipótese.
        É que este mantra hipnótico – “movimento apartidário”, “movimento apartidário” – deve ser quebrado um pouco, pois quem sabe não tem bi-conceituais por aqui querendo formar uma opinião mais sólida, e seria bom que estes vissem real e comprovadamente e não como mera suposição todo este sortilégio esquerdista por trás do dito movimento.
        E incrível como tem gente honesta e bem intencionada que se envolveu nisto, inclusive teve conhecidos meus que por mais que eu explicasse que hoje eles serão usados como massa de manobra de grupos orquestrados (pois vai haver uma manifestação em Manaus hoje 20/06/2013, que inclusive houve liberação de servidores do setor público para participar da “Manifestação” – é assim mesmo que o pessoal se refere, sem adjetivos, não se sabe ao certo contra quem/ o que que vão se manifestar) até imprimi alguns textos inclusive este do Reinaldo Azevedo que descobriu a origem de um dos grupos do “movimento apartidário” que é a musa inspiradora da “Manifestação” daqui de Manaus, mas mesmo assim irão se fazer presente nesta farsa. – http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/descoberta-a-origem-de-mais-um-grupo-que-ajuda-a-tocar-o-terror-em-sao-paulo-vejam-ou-eles-trocaram-marx-por-uma-mistura-de-lafargue-com-bakunin/.

      • Então, Sebastião, há duas formas de se quebrar um mantra. Uma é a negação direta. Outra é a tomada momentânea do que eles dizem com o hipótese para questionar “mas se é apartidário, então por que…”, amplificando o poder de ridiciularização. Eu sugeri isto para gerar confusão em alguns membros de lá.

  7. Amigos, um pouco fora do post, mas acho que isso precisa ser divulgado:

    Leiam o trecho abaixo¹:

    Expomos até aqui como Antonio Gramsci define o que é um partido, neste sentido podemos ver que muitas organizações autodenominadas “não-governamentais”, “apartidárias”, etc., na realidade funcionam como partidos políticos, pois visam organizar, educar e dirigir, tendo como princípio a formação dos dirigentes; assim “os ‘partidos’ podem se apresentar sob os nomes mais diversos, mesmo sob o nome de antipartido e de “negação dos partidos”. Seguindo esta linha de raciocínio, nosso autor diz que alguns partidos apresentam-se como puramente “educativos”, “moralistas”, de “cultura”, no entanto “o partido é essencialmente político e até mesmo sua atividade cultural é atividade de política cultural”. Ou seja, as organizações que buscam embelezar, camuflar, conquistar uma aparência “positiva”, “neutra” por meio de termos simpáticos como, por exemplo, “cultura”, são na realidade partidos – entendidos em seu sentido lato.

    ¹JURUCÊ, RODRIGO. O partido político para Antonio Gramsci: o papel histórico dos intelectuais e dos aparelhos de hegemonia. Disponível em http://pcb.org.br/portal/precongresso/juruce.pdf

    • Pecador,

      Sinto dizer que não. Acho que o PT está no controle da situação. O que eles precisam é que o movimento se declare apartidário, mas induza os marxistas radicais a lutarem. As críticas ao PT serão sempre críticas de amigo.

      Posso estar errado, claro, pois trabalhamos com hipóteses. Amanhã farei um texto sobre isso.

      Abs,

      LH

  8. O LGBT já está se aproveitando pra capitalizar na tal “cura gay”, pedindo a cabeça do Feliciano.

    Veja uma postagem e me diga é uma pessoa comum:

    “Essa é a hora!
    Vamos tirar esse cretino doente da presidência de umas das mais importantes comissões para a Democracia. Marcos Feliciano é um câncer que precisa ser extirpado da sociedade e da história do nosso país.
    E deixo bem claro, não sou gay. O Estado não pode interferir na intimidade da pessoa ao ponto de poder escolher ou dizer de quem a pessoa deve gostar, amar, trocar fluidos. Sou pela liberdade. TODA FORMA DE AMOR VALE A PENA. TODO AMOR VALE AMAR.”

    Essa senhora da postagem é uma professora acadêmica, só pra constar. Está certa em dizer que o Estado não pode interferir na intimidade de ninguém, concordo. Mas acho que deveríamos ampliar essa tese, não é mesmo? E os homossexuais que desejam fazer a tentativa de deixar isso de lado? (note que eu disse “tentativa”, justamente pra elucidar que não é algo com resultado garantido). Juro pra você, tentei ser o mais educado e polido possível ao explicar isso, e o que eu recebi? Xingamentos, acusações, ordens para procurar um tratamento, pois o doente sou eu. Bom, a partir de hoje, eu desisto de tocar nesses assuntos, pelo menos por enquanto. Já está claro que as pessoas já adquiriram um ódio profundo de quem ousa expor as vísceras dessas coisas.

      • Cidadão, vou publicar um texto sobre a dinâmica social do MPL. O PT sabe certinho o que está acontecendo, em minha opinião. Achei que o Rui Falcão fez uma “prova de conceito” só, mas o PT está morrendo de rir com o movimento. Em um texto, darei mais detalhes. Será amanhã.

        Abs,

        LH

      • Luciano, seria também uma boa que você explicasse também um pouco sobre a rejeição à presença de partidos nas marchas, como estamos vendo por ora. Tem gente que faz correlação com o fascismo (o real, não a falácia que marxistas-humanistas-neoateístas bradam sempre que são contrariados) e AI-5. Em ambos os períodos, sabemos que houve rejeição a partidos (incluindo aí em manifestações), mas aqui me é estranho comparar isso ao que está acontecendo por aqui, em que me parece mesmo que o povo está cansado dos partidos em si (afinal, temos o tal lance de igualamento de partidos dentro dos conformes gramscianos somado àquela sacanagem tipicamente brasileira e que existe desde antes de os jacobinos darem filhotes).
        Ainda que sejam protestos desencontrados (exceto o contrário à PEC 37 programado para sábado, uma vez que bem focado) e estejam descambando para a violência (vide black blocks em vários lugares e agora ouvimos falar também que skinheads brigaram tanto contra os antifas, os skinheads MHNs, como também deram porrada em MHNs comuns, fora os saques ao comércio), dá para entender também que o povo quer que seja mantida a ordem democrática, ainda que não desta forma, o que se torna completamente diferente de dizer que não querer a presença de partidos nas marchas seria igualar aos exemplos que dei no primeiro parágrafo. Seria uma boa falar desse assunto em especial e sobre de que forma se deveria proceder (permitir ou não presença de partidos?).

        Obviamente que os protestos podem ser utilizados como catalisadores de mudanças que tenham cunho MHN (imagine se fazem uma reforma política com voto legislativo em lista fechada, por exemplo), aproveitando-se aí do anseio há muito tempo pelas tão faladas reformas política, tributária, penal e trabalhista.

  9. Mais uma postagem, dessa vez de um esquerdista sobre todo o rolo acontecendo nesse país:

    “Cara, eu respeito a sua discordância, totalmente.

    No entanto, quando você observa a pauta de reivindicações que foi difundida por aí, principalmente pelo Anonymous, você começa a ver quem está construindo o futuro desse movimento social.

    Nossas reivindicações agora são compatíveis com as reivindicações de setores da comunicação que SEMPRE foram opositores. Isso NÃO É normal.

    Desfocaram a luta… O movimento, desde o início, tinha um caráter anticapitalista e tendia a expor como a Economia de Mercado deveria nosso inimigo comum.

    Agora olha o que virou essa porra toda… Já vi cartazes de todo tipo… Contra o aborto, pedindo menos impostos pra empresários, críticas a um Estado Gordo, Impeachment da Dilma Roussef… Já vi bizarrices como o apoio da FIESP ao movimento. A Veja, o Jabor e a Globo batem palmas.

    O único legado dessa porra vai ser a ascensão de um movimento nacionalista, conservador e muito alinhado com um fascismo.”

    Não pude deixar de ficar feliz com a infelicidade do sujeito, ainda assim ignorando os dois últimos parágrafos.

Deixe uma resposta