A solução libertária

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Calma, pessoal. Não, eu não me converti em um libertário e quanto mais eu me aprofundo na leitura do material de alguns autores deles, mais me decepciono. Ainda assim, a desmistificação que fazem do estado é um mérito que sempre reconhecerei.

Entretanto, o que se nota no movimento MPL, tipicamente de esquerda e partidário (em prol do PT), que não temos em movimentos da direita?

Simples: eles tem um sonho, uma ilusão, uma meta irrealizável. Na direita tradicional, não existe um sonho tão absurdo a ponto de seu proponente poder afirmar “creio por que é absurdo”. Se não é um sonho irrealizável, este não obtém a aura de fantasia que torna tudo mais empolgante para os adeptos.

Quando observamos um militante funcional do PSTU e do PSOL, vemos alguém que realmente acredita na ditadura do proletariado. Chamam a isso de “democracia direta”, e que, portanto, “representa o povo”, gerenciando o mundo sem politicagem. Pena que tudo não passa de um mito.

Quando vemos um libertário purista, do tipo anarco-capitalista, temos alguém acreditando em uma sociedade sem estado. Outros dizem que o problema das guerras estará resolvido pois não haverá mais um estado que tenha poder para causar estas guerras. Claro que ninguém explicou para eles o problema da escassez de recursos naturais, que são os principais motivadores das guerras.

Tanto libertários radicais como esquerdistas marxistas, no entanto, têm algo que um conservador de direita ou um adepto do liberalismo econômico não têm: uma fantasia na qual acreditar. Conservadores e liberais são apenas pessoas que olham a realidade e avaliam o que é possível fazer, e, em cima disso, elaboram propostas. (Há quem diga que muitos conservadores cristãos compensam isso acreditando em Deus. Não quero entrar no mérito da existência ou não de Deus, mas, tomando como premissa sua inexistência, ainda não é uma fantasia que versa sobre propostas para salvação em terra, e as interferências na política são mínimas, no máximo em questões como aborto e eutanásia)

Pois bem. Aí temos um problema bastante sério.

A esquerda radical cria movimentos baseados em suas fantasias, e seus militantes são motivados por elas. Sem essas fantasias, não teriam tanta motivação para a luta. Mesmo que as fantasias nunca se refiram a um mundo real, e suas propostas jamais sejam realizáveis. Por exemplo, o fim do capitalismo é uma proposta corrente de vários adeptos do MPL, mas todos os governos de discurso socialista ou comunista sempre usaram as regras do capitalismo em seu benefício.

Mas mesmo que eles sejam pessoas vivendo de ilusões, das quais podemos rir pela irracionalidade de suas propostas, seus protestos geram efeitos. O atual movimento MPL, por exemplo, é uma oportunidade de ouro para que o PT conquiste definitivamente o poder totalitário. Claro que vários manifestantes do MPL não pensam nisso, mas funcionais jamais tem o direito de escolher algo. Sua ingenuidade, misturada com inocência e subserviência crédula ao discurso de doutrinadores marxistas, não lhes deixará jamais perceber a realidade por baixo de suas napas.

Assim como a esquerda pragmática depende desses iludidos, a direita pode encontrar pessoas motivadas a participarem de manifestações mais radicais na figura dos libertários. Eles podem até usar a fantasia de que um dia viverão em um mundo sem estado (mesmo que isso jamais vá ocorrer, obviamente) ou mesmo achar que a paz do mundo estará garantida com o fim dos estados. Mas não são essas idéias tão ridículas e engraçadas como as idéias dos marxistas? Sim, são, mas na lógica do “creio, por que é absurdo”, são essas idéias que fazem as pessoas lutarem mais fervorosamente.

O PT se tornou pragmático, mas faz uso de movimentos sociais que acreditam no marxismo. A crença destes fiéis serve como combustível para sua atuação. E nada mais que isso. Não seria então a crença dos libertários um combustível para suas ações de qualquer tipo, inclusive intelectuais?

Sendo assim, os libertários, enfim, podem ser mais úteis para a direita do que pensamos. Basta relevarmos as besteiras que eles dizem (e eu não estou dizendo que tudo que eles falam é besteira), e aproveitarmos a motivação que eles possuem para defender suas causas.

Esse é um diferencial da esquerda: pragmaticamente, aqueles que conquistam o poder sabem usar os funcionais, especialmente os radicais, que são os mais motivados para a luta, especialmente por suas crenças em mitos.

É hora da direita ser um pouco mais pragmática e começar a tornar sua interação com os libertários mais divertida do que é atualmente. Ao invés de entrarmos em oposição a eles, que passemos a lhes dar corda, criticando somente um ponto ou outro menos relevante.

Eu não acredito no libertarianismo purista, e nem no marxismo. Mas sei os resultados que crentes em idéias absurdas podem gerar em termos sociais.

Crentes em idéias absurdas não abandonarão suas crenças por causa do questionamento racional de um oponente, na maioria dos casos. A crença deles lhes dá uma paga psicológica, e, sendo assim, que façamos um acordo justo: eles fiquem com as fantasias, e nós fiquemos com os resultados da motivação deles para lutar. Nada mais justo.

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15 COMMENTS

  1. Eu tenho um problema com essa palavra, “movimento”. Aqui no Rio, “pessoal do movimento” é referência aos traficantes no morro. Por isso sempre achei que caiu como uma luva pra qualquer grupelho da esquerda. Pelo mesmo motivo, não acho legal a direita adotar o termo.

  2. Luciano, eu sou adepto do liberalismo econômico, não radical, mas minarquista. Vou tentar ignorar a parte em que vc diz que o liberalismo tem ideias ridículas, e também não vou tentar converter você.
    Mas apoio a ideia de parar de perder tempo com discussões Conservadorismo x Libertarismo, e nos colocarmos juntos contra a esquerda que leva o país cada vez mais pra vala.
    Conservadores também possuem algumas ideias que eu, sinceramente, acho ridículas, mas nem se comparam com as da “esquerda Ballantine’s”.
    Vejo conservadores e libertários como católicos e protestantes, juntos, contra um líder islamita radical, por exemplo.

  3. Luciano, segue o que diz o padre Paulo Ricardo sobre os protestos. Não esqueçamos que ele estudou o marxismo cultural e pode falar com propriedade do assunto:

  4. http://www.youtube.com/watch?v=T4L8WlBFlGQ

    Luciano, é importante frisar que o Anonymous BR está rachado e pode ser que o vídeo acima não represente o todo do movimento (aqui, novamente, lembremos daquele poder autodestrutivo do marxismo-humanismo-neoateísmo que por vezes pode ser usado contra ele próprio sem necessidade de inocentes úteis). Ainda assim, é bem sinistrinho.
    Temos o fato de o MPL ter dito que não mais chamará passeatas, até porque perderam o protagonismo dos protestos e, nos protestos que eles chamaram, o pessoal começou a defender pautas com as quais eles não concordam (esqueceram-se de que o brasileiro é conservador) e reclamaram de o pessoal não querer partidos nas marchas. Claro que, se pensarmos no raciocínio de inocente útil, o MPL já cumpriu sua parte e está sendo descartado, uma vez que sequer conseguiu cumprir sua parte (vide o ódio que o PT conseguiu gerar contra si próprio.

    Outra coisa a se falar: o pronunciamento de hoje da Dilma. Observe-se que ela falou de importar médicos (leia-se agentes secretos cubanos, uma vez que 6 mil médicos de lá demandariam quase 20 anos de formaturas naquele país exclusivamente dedicados a atender o Brasil). Ela também falou de fazer as tais reformas que há tanto tempo estão sendo proteladas (mas que agora podem ser feitas de um jeito que o povo não queira). Se bem que neste caso é melhor esperar sair no YouTube o vídeo.

  5. pelo meu nome ja devem ter percebido meu posicionamento né? o texto cita o anarco-capitalismo como um exemplo de libertarianismo purista mas logo depois abandona essa ideia dizendo q os libertários são contra o capitalismo. pq o anarco-capitalismo é citado então? pq, no texto, vc diz q o estado nunca deixara de existir e essa é uma ideia absurda? o autor do texto fala varias coisas mas n explica nenhuma, n da argumentos. n passa de um texto infundado mas quero q os amigos direitistas me ajudem a compreender melhor oq na vdd o texto queria dizer pq foram escritas centenas de palavras q no final n diziam nada

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