Um anônimo bi-conceitual desanca o discurso feito por Dilma sobre as manifestações

9
83


@
A direita precisa ser mais gramsciana, e uma das formas de fazermos isso é aprendermos com o bi-conceitualismo. Em política, bi-conceitualismo é a noção de que grande parte da população não conhece nem política e nem a origem das idéias que defendem. Tomam as decisões políticas pelo seu instinto.

Por exemplo, alguém pode ser totalmente contra as idéias centrais da esquerda, como guerra de classes, mas achar que a prioridade é discutir a melhoria dos serviços públicos, ao invés da transferência de muitos desses serviços para a iniciativa privada. O pensamento de direita priorizaria a privatização, e o pensamento de esquerda quer cada vez mais gastos públicos.

O cidadão pobre muitas vezes não entende que o dinheiro destes gastos públicos é retirado na maior parte de seus bolsos, pois ele é que teria o maior aumento de qualidade de vida se os impostos fossem reduzidos no nível de um estado mínimo minarquista.

Por isso existem bi-conceituais. O sujeito pode defender uma idéia de direita em uma questão, e uma idéia de esquerda em outra, pois não tem conhecimento político suficiente para entender que tanto as idéias da direita como da esquerda são arquitetadas para um objetivo único. No caso da esquerda, inchar o estado. No caso da direita, desinchá-lo.

Estrategicamente, a direita deveria aprender a aproveitar-se de algumas manifestações bi-conceituais, como no caso do vídeo acima, onde existem críticas ao governo Dilma, do PT e símbolo maior do esquerdismo atual, mas também a solicitação por aumento do gasto estatal.

O que fazer? Simples. Se o vídeo atende a alguns objetivos da direita (e alguns outros da esquerda, por seu bi-conceitualismo), tudo bem. Pragmaticamente, atende ao objetivo de enfraquecer o governo esquerdista mais faminto por poder em toda nossa história.

Anúncios

9 COMMENTS

  1. Luciano, não seria uma boa fazer alguma postagem em relação a quão tiriricas da vida estão os marxistas-humanistas-neoateístas pelo fato de as terem perdido em parte o controle do conteúdo das marchas (vide o pessoal recursando os partidos e levantando cartazes que defendem redução de maioridade penal e outras pautas que MHNs não querem ver discutidas)? Como sabemos, a internet está sob ataque e no Facebook já vimos muitas páginas sendo bloqueadas (aqui tanto sendo MHN quanto não-MHN). MHNs estão querendo evocar um fascismo inexistente e querem submeter páginas ao ridículo, como este caso, em que inclusive usam o termo “extrema-direita” para querer igualar conservadorismo (e até mesmo cristianismo, uma vez que puseram a “cura gay” e a oposição ao aborto como mostras de se estar querendo totalitarismo, fora a manifestação pacífica do Malafaia) ao ponto fora da curva que eles sempre querem que as pessoas digam ser do lado oposto do espectro político. Também já estão criando imagens como esta, em que comparam quem diz “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” e, quem diria, até mesmo o Anonymous ao integralismo e ao nazismo (a montagem é do Occupy Brazil e podemos suspeitar de dedo do Soros na coisa). Em relação ao desenho, ainda que tenha gente que acredite que o Occupy Brazil seja algo espontâneo (quando na realidade é só “movimento popular” de grife), tem gente que já sacou coisas esquisitas, ainda pareça ser em nível mais intuitivo do que informado.

    Daria até mesmo para mostrar o quão antipovo são aqueles que dizem ser movimentos democráticos e populares (mesmo que não tenham sido eleitos para tais cargos), ainda mais quando acusam as pessoas de serem fascistas por recusarem a presença de partidos nas marchas (sendo que podem só estar cansadas dos tais partidos ou mesmo tenham notado a tramoia em que queriam direcionar os protestos contra os inimigos do MHN no poder). Naquele desenho que basicamente chama o brasileiro de nazista e integralista, temos também comentário falando que o rechaço aos partidos nada tem a ver com nazismo, inclusive com gente abaixo concordando. Ainda para completar essa onda MHN contra o povo veja este texto que também está bombando de compartilhamentos.

  2. Luciano, mais uma notícia sobre os protestos, em que vemos grupos na periferia formando tropas de choque após partidos terem sido rechaçados nas manifestações paulistanas. Observe-se que estão naquela história de que tudo aquilo que não for marxismo-humanismo-neoateísmo seria fascismo, fora falarem de grupos que até podem estar nas marchas, mas em número insuficiente para que gerem influência significativa. É preocupante o seguinte parágrafo:

    “Não é uma luta qualquer. É luta de classes. A gente fala tanta coisa, escreve tanta coisa. Tanta gente cita o Che Guevara, agora o Mariguella. Chegou o dia”, avaliou. Vaz acredita que o fortalecimento do conservadorismo afeta diretamente a periferia. “Normalmente sobra para a gente. Mas as balas aqui não vão ser de borracha”, afirmou.

    Tenho aqui o medo de que surjam com força os chamados antifas (que estão para o MHN como skinheads estão para o nazifascismo) e, como já disse antes, assim como skinheads são muito poucos no Brasil para que tenham impacto significativo, esses mesmos poderiam guinar para dizer que tudo aquilo que marxista-humanista-neoateísta não fosse seria fascista, o que poderia significar violência contra todo e qualquer brasileiro (ainda mais quando eles viram nas ruas que as pessoas não estão protestando contra aquilo que os MHNs desejam que se proteste). Poderíamos somar a essa massa de antifas os chamados black blocks, que vimos em tão grande número nos protestos e sempre fazendo vandalismo (vandalismo esse que é controlado, uma vez que se ausentou das marchas quando se pediu protesto pacífico).
    Deixo abaixo um vídeo do canal PizzariaBrasil falando sobre os protestos recentes. Ainda que ele possa cair em certas subscrições de gramscismo, elas são discretas e parecem involuntárias:

      • Luciano, e eis que vejo uma postagem do Sakamoto falando para a galera checar as informações antes de postá-las nas redes sociais. Até aí podemos concordar perfeitamente e é mesmo necessário checar as informações antes de fazer qualquer coisa. Porém, a pergunta que fica é: irão também checar a informação quando esta vier de fontes marxistas-humanistas-neoateístas e for do tipo que fica insinuando que o povo que rejeita a presença de partidos nas marchas estaria sendo fascista, nazista, integralista ou outras coisas? Irão também checar a informação quando esta disser que quem canta o Hino Nacional, diz “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” ou agita a bandeira deste país seria todas essas monstruosidades que querem imputar a pessoas comuns que têm o direito de se indignar com os partidos e também de não aceitar que sua indignação seja maquinada para atender a este ou àquele interesse? Ou só vale mesmo checar a informação quando esta disser algo contrário ao MHN, mesmo que seja informação rigorosamente apurada e checada pela fonte original antes de a postar?

    • Luciano, só para somar na coisa toda, temos esta próxima manifestação do Passe Livre nas periferias zonas Sul e Leste paulistanas. Sim, voltamos a ver pobres sendo usados como massa de manobra e aquela suspeita de nos próximos anos surgirem com força os tais antifas (e, como não existem skinheads em quantidade significativa no Brasil, pode ser que sejam daqueles que considerem fascismo tudo aquilo que não ajude a adiantar a agenda marxista-humanista-neoateísta, mesmo que Stalin tenha dito que o nazismo era o navio quebra-gelo do comunismo), uma vez que essas gangues são tipicamente periféricas e a criação de caos interessa aos MHNs para que consigam fazer avançar agenda.

  3. Luciano, neste burburinho todo de protestos, eis que me chamou a atenção o programa do PCO de 13 de junho:

    http://www.youtube.com/watch?v=bb7Ga5kTsyE

    Notou a oposição não tão oposição assim (vide a lenha descida do PSDB e o graveto descido no PT)? Notou que ao PT referem-se como legitimamente eleito (e aqui de fato não estão mentindo, pois as urnas dizem isso) e evocam uma suposta direita (aqui não usaram o termo “fascismo”, dando-me a impressão de terem notado que aumentou o número de pessoas que sabem ser Churchill e De Gaulle totalmente diferentes de Hitler e Mussolini) que estaria tentando dar um golpe via Judiciário e outras instituições não eleitas.
    Eu achei isso tudo muito estranho.

Deixe uma resposta