A crueldade extrema de criminosos no assassinato de um garoto de 5 anos deveria servir como um estopim para manifestações pela reforma urgente do código penal… mas, por enquanto, a direita silencia

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Esta é nossa situação: a esquerda aproveita os momentos adequados para iniciar suas manifestações, e a direita não tem o “timing” para fazer o mesmo.

A notícia do brutal assassinato de um garoto boliviano de 5 anos, na frente de seus pais, durante um assalto, deveria ser o motivo para as mais radicais manifestações de rua do cenário brasileiro recente. Entretanto, há sinais de que nada vai acontecer.

Segundo o UOL, a criança estava em casa com a família, que se mudou da Bolívia para o Brasil há seis meses. Um grupo de oito bandidos invadiu a residência do casal, localizada no Jardim São Rafael, zona leste de São Paulo (SP), por volta de 1 hora da manhã de hoje, 28/6.

O casal, que trabalhava em um ateliê de costura, só tinha R$ 4.500,00 em casa. Insatisfeitos, os bandidos começaram a ameaçar o filho do casal, Bryan, de cinco anos. Mas como não tinham mais dinheiros, os bandidos fuzilaram o garoto.

Segundo a mãe do menino (nome completo: Bryan Yanarico Capch), as últimas palavras da criança foram: “Não me mate, não mate minha mãe”.

A esquerda, como sempre sem nenhuma empatia pelas vítimas, dirá que um crime tão bárbaro só ocorre por “falta de educação escolar”. Estranho, pois em minha época de escola nunca precisaram que ensinar que atirar em crianças indefesas era certo ou errado. Tudo isso me parecia óbvio antes que eu entrasse para a escola.

Eventos como esse deveriam ser utilizados pela direita para impulsionar manifestações, indignadas, exigindo a reforma do código penal. De que adianta a presidente propor um plebiscito se nenhuma das questões discutidas tem a ver com segurança? Será que o dinheiro de nossos impostos não serve para nos dar segurança?

Segundo a esquerda, isso é papo da “direita fascista”, pois pede-se a prisão de bandidos pobres. Mas, pelo que se nota, a família de Bryan não era rica. Eram imigrantes pobres que não tinham dinheiro suficiente para saciar a sede de sangue de bandidos que dão risada diante de punições tão brandas causada por um código penal esquerdista, inacreditavelmente caridoso com criminosos violentos.

Este é um motivo adicional para as manifestações. Temos um país dividido, com esquerdistas preocupados com os criminosos, e a direita preocupada com as vítimas dos criminosos. Se a esquerda escolheu direcionar sua empatia para os predadores de nossa sociedade, ela se torna inimiga do cidadão comum.

Entendo que essa é uma das questões centrais que deveria incomodar a direita no momento. Um levante pedindo a reforma do código penal (colocando a redução da maioridade penal como um de seus pilares) conseguiria atingir finalmente o governo petista.

Primeiro, por que o governo petista deve satisfação à sua base de apoio e seus militantes, e então ficará contra qualquer tipo de plebiscito pela redução da maioridade penal ou demais reformas do código penal. Segundo, por que grande parte da população apoia naturalmente qualquer causa pedindo punições mais severas para criminosos violentos, e, na rejeição automática dos esquerdistas para a discussão pública do assunto, ficará clara a polarização entre esquerda e direita na questão do crime.

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3 COMMENTS

  1. Luciano, você viu que hoje a Dilma recebeu líderes de movimentos sociais? Porém, como bem se vê, são movimentos que defendem coisas completamente opostas àquelas dos protestos que pararam o Brasil (aqui lembrando que o teor deles foi sendo guinado a ponto de o Passe Livre não mais convocar mobilizações porque as passeatas estariam sendo contaminadas por “reacionários” e “direitistas”). Logo, na prática os anseios do povo não estão sendo atendidos, mas os de Conselho Nacional de Juventude (Conjure), UBES, Movimento Sem-Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcha Mundial das Mulheres, Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Levante Popular da Juventude, Rede Fale, Hip Hop, Forum de Juventude de BH, União da Juventude Socialista (UJS), Juventude do PT (JPT), UPL, JSB, JSPDT, JPMDB, UNE, PJ, CTB, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Marcha das Vadias, Fora do Eixo e Agência Solano Trindade. Sim, de nada adiantou o povo brasileiro marchar nas ruas e fazer algo sem liderança visível, pois apenas serviu para que os de sempre levassem agendas que interessam aos marxistas-humanistas-neoateístas no poder, o que obviamente exclui redução de maioridade penal, penas mais rigorosas e outras coisas que fazem MHN ter chilique.

  2. Luciano, sobre este assunto, pedirei que veja este texto do Sakamoto. Achei o mesmo de uma indelicadeza sem tamanho para com a situação da família do menino assassinado. É quase como se houvesse uma espera por algo muito grave para usar esse algo grave como veículo para disfarçar aquele ódio básico contra tudo que está aí (aliás, sigo sugerindo que escreva algo sobre o ódio que marxistas-humanistas-neoateístas brasileiros têm contra São Paulo, tanto cidade quanto estado, ódio esse que eles vêm incitando que outros brasileiros tenham, ainda que os mesmos na prática não estejam mordendo tanto a isca assim e continuem sem quaisquer problemas em relação àqueles que são do estado mais rico da Federação).
    Observe-se que ele está falando que o clássico estereótipo do andino com sua flauta seria algo tão grave quanto assassinarem um menino boliviano e que o tal estereótipo seria indutor de assassinato de bolivianos. Fala ele dos bolivianos que olharam para os tais que falavam do tal estereótipo como se aquilo não fosse novidade, mas presumo o óbvio: que esses bolivianos têm coisas mais úteis a fazer do que ficar se desentendendo com quem fala de lhamas e flautas, assim como o português da padaria têm um negócio rentável a gerenciar que lhe impede de ter tempo de falar sobre as piadas (e aqui poderíamos pensar em estereótipos associados a japoneses, chineses e outras nacionalidades que também têm coisa mais útil a fazer do que inventar uma associação entre estereótipos e violência que possa ocorrer com membros de sua comunidade).

    Diz ele que todos aqueles que ridicularizavam bolivianos seriam brancos e aqui duvido muitíssimo do que ele diz. Aliás, o mesmo fala que essas pessoas de fenótipo caucasiano seriam exclusivamente descendentes de europeus, quando sabemos muito bem que podem ter ancestrais índios e negros. Aliás, nada descarta também a possibilidade que ele esteja usando o termo “branco” com um distorcido significado de “toda e qualquer pessoal de classe média para cima, independendo da cor” ou então “toda e qualquer pessoa que fala de estereótipos associados a alguém que seja de grupo étnico diferente do dele”.
    Diz ele que os bolivianos estão em uma cidade que deles não gosta, mas diria que aquilo que causa estranheza nos brasileiros é o fato de aqueles que vêm do país vizinho serem muito fechados em seu grupo, em vez de acontecer aquilo que ocorre com outros grupos que se integram com facilidade na dinâmica normal de uma sociedade que se interessa pelo outro até por ser feita de vários outros. Árabes se integraram aqui com facilidade, mesmo não tendo muito em comum com os que já aqui estavam além de os que vieram para cá serem majoritariamente cristãos. Judeus também estão perfeitamente integrados ao Brasil, mesmo tendo uma religião diferente e uma significativa parcela deles ser bem fechada em seu grupo. Japoneses, que também saíram de país completamente diferente, acabaram também se integrando perfeitamente e sendo bem vistos.

    Diz ele que brasileiros estariam reclamando de tweets preconceituosos de espanhóis, mas vi isso acontecer pouquíssimo, também pelo fato de a maioria dos brasileiros ter coisa mais útil para fazer do que xingar muito no Twitter. No máximo reclamam do que acontece com os compatriotas nos aeroportos de lá e estranham que os espanhóis que para cá venham não sejam nem de longe tão sociáveis quanto os portugueses (isso sem contar o bairrismo local em que um catalão não fala com um andaluz, por exemplo).
    Dentro da maçaroca geral, observe-se o blogueiro querendo comparar bolivianos vivendo por aqui em situação análoga à escravidão (muitas vezes promovida por outros bolivianos aqui residentes) com aqueles brasileiros que vão para o exterior trabalhar duro em serviços braçais (mesmo que ilegais). Além disso, ele vem querer insinuar que um brasileiro lá fora estaria correndo mais riscos do que em seu país de 50 mil assassinatos anuais. É verdade que a polícia inglesa matou um brasileiro, mas qualquer um sabe que ninguém mata mais brasileiros do que os próprios brasileiros, assim como tenho a impressão de que morrem mais ingleses por aqui pelas mãos de brasileiros do que o oposto.
    Vem ele querer falar que as empresas brasileiras instaladas na Bolívia e no Paraguai estariam agindo de maneira análoga às empresas multinacionais aqui instaladas, bem como insinuar que aquelas que foram lá explorar o setor primário, mesmo que autorizadas pelo governo local, na realidade estariam obrigatoriamente prejudicando aqueles lugares, quando sabemos que na realidade depende muito de uma combinação de leis locais e postura da própria empresa. Sabemos bem que há por aqui empresas multinacionais que na prática são mais brasileiras (no bom sentido do termo) do que muita empresa brasileira de raiz que age mal com seus trabalhadores e com obrigações legais. Será mesmo que as empresas brasileiras instaladas em nossos dois vizinhos mais pobres na prática estariam transformando aqueles países em seus quintais e elegendo governantes-fantoche? Não me parece nem um pouco.

    Ele vem querer insinuar que hoje em dia ainda exista ódio aos nordestinos em São Paulo (e fica novamente o pedido para que escreva sobre esse ódio a paulistas e paulistanos que os MHNs tupiniquins vêm incitando, pois é faceta muito particular da estratégia local dos discípulos de Gramsci). Claro que há preconceituosos por aqui, mas também há muito que São Paulo reconhece e admira seus nordestinos, São Paulo que também teve papel decisivo para que se preservasse a cultura do forró pé-de-serra (que minguava muito no Nordeste devido aos teclados), São Paulo que come tapioca e baião-de-dois sem problemas, São Paulo cuja maioria de sushimen vem do Ceará, São Paulo que elegeu uma paraibana como sua primeira prefeita há um quarto de século. Será mesmo que esse quadro pintado com as piores cores possíveis se sustenta tanto assim?
    Ele vem querer dizer que estamos culpando os que migram de roubo de empregos, mas jamais vi alguém dizer que algo contra os bolivianos que estão nas tecelagens. O máximo que ouvimos de estranhamento mesmo é o fato de terem uma cultura diferente e serem uma comunidade muito mais fechada que a de judeus ortodoxos, mas jamais vi alguém dizer que bolivianos seriam ladrões. Aliás, não me lembro de bolivianos por aqui se envolverem em crimes além daqueles de bolivianos que submetem seus patriotas a situações análogas à escravidão. Aliás, os bolivianos que conheço são todos cidadãos pacíficos, muito educados e com um senso de honra que há muito não vemos nos compatriotas. Sinto-me muito mais seguro perto de um boliviano do que de um compatriota, pois sei que os primeiros têm um conjunto de princípios mais sólido que aqueles que vemos nos habitantes aqui nascidos. E tenho a impressão de que essa seja uma impressão que outros tantos brasileiros também tenham.

    E chegando-se à indelicadeza sem tamanho em relação ao uso do caso Brayan para querer descer a lenha especialmente em São Paulo, pior ainda é querer que as pessoas obrigatoriamente relacionem o assassinato, cometido por brasileiros, a um esquecimento da tal situação análoga à escravidão que muitos de nossos vizinhos aqui vivem. Será mesmo que os brasileiros não se comoveram e comovem com o que acontece com os tais bolivianos nas tecelagens? Será que é impeditivo de se comover com o assassinato de Brayan o fato de se pensar naquela família boliviana em especial em vez de pensar em bolivianos como um todo?
    Diz o blogueiro em questão que bolivianos bloqueando as ruas de São Paulo em protesto tomariam borrachada e seriam deportados. Porém, o mesmo UOL em que ele escreve o contradiz e mostra que bolivianos foram protestar na Paulista na maior das pazes e sendo respeitados em sua dor e além de o cônsul boliviano ter falado com seus compatriotas, a polícia agiu com rapidez e achou os brasileiros responsáveis pela atrocidade, bem como recuperou a grana roubada, fora empresários brasileiros já terem se oferecido para ajudar o casal vítima do assassinato a conseguir se restabelecer com um mínimo de dignidade no país natal. Será essa uma mostra de país hostil aos vizinhos pelo simples fato de os associar a lhamas, flautas e ponchos? Se for isso, então vou acreditar que outros países sejam na prática algo como a Alemanha nazista, o Camboja khmerista ou o Zimbábue mugabista de tão xenófobos e racistas, mesmo que tenham gente de muitas origens e um grau de miscigenação semelhante ao do Brasil.

    Porém, como verá no final do texto dele, ele ainda continua achando que falar de flautas e lhamas é análogo a se maltratar e negar serviço a alguém em função de sua origem. Se assim o for, então portugueses também foram muito maltratados por aqui quando fazemos as clássicas piadas e, por causa dos chistes, acabaram sendo impedidos de ir além das padarias, ainda que alguns tenham esquecido de ficar circunscritos às massas e doces e tenham conseguido empregos e abrido empresas nos mais diversos setores de nossa economia, isso sem falar que Roberto Leal é querido por muitos.

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