Glossário: Esquerdismo

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Última atualização: 29 de junho de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Praticamente todas as manifestações da religião política convergem para alguma forma de esquerdismo. É preciso, portanto, dar uma definição clara do que significa esquerdismo em si, para que nunca mais um leitor desavisado caia no truque afirmando “não existir mais uma linha divisória entre direita e esquerda”.

Esquerdismo significa um conjunto específico de ações destinadas a inchar o estado, de forma a dar poder absoluto para aqueles que tomarem conta deste estado. Esquerdistas de vários tipos tentarão assumir este estado, de forma a consolidarem-se no poder. Em casos de sucesso pleno, o esquerdismo garante um totalitarismo, quando a oposição, de direita, não tem mais espaço público para divulgar sua oposição.

Para conquistarem seu intento, esquerdistas possuem doutrinas e discursos, que, obviamente, são todos programados para que o objetivo de inchar o estado ao máximo possível seja atingido.

O discurso da simulação de luta por igualdade, por exemplo, dá a impressão para o público de que o esquerdista realmente está lutando pela igualdade, quando na verdade está apenas sugerindo que o estado fique mais inchado para somente depois isso aumentar a igualdade. Na verdade, o que se vê é a criação de uma quarta classe, a mais poderosa de todas, que é a detentora de poder neste estado inchado.

Quase todas as ações discursivas esquerdistas terão como objetivo, implícito ou explícito, inchar o estado. Por exemplo, o recente movimento pelo passe livre é claramente um pretexto para inchar estado, já que o passe livre é um mito, pois alguém terá que arcar com os custos do transporte.

Outros discursos, simulando uma luta de classes (mulheres x homens, negros x brancos, gays x heterossexuais, ateus x teístas, etc.) aparentemente não seriam pretexto para inchar estado, certo? Errado. Pois se há um grupo político simuladamente defensor da classe “oprimida” (contra a classe falsamente estipulada como “opressora”), obviamente este grupo terá um pretexto para obter verbas estatais, e enfim justificar mais inchamento estatal.

Esta visão mais ampla do esquerdismo, enquanto fenômeno natural, supera os discursos deles (já que pela dinâmica social não olhamos apenas o discurso, mas a congruência entre discurso e comportamento), e observa a congruência dos discursos com os objetivos que eles tendem a alcançar, o que pode ser visualizado na história das implementações esquerdistas, sejam elas na Europa atual, nos Estados Unidos de Obama e Clinton, em toda a América do Sul, e na era dos genocídios da Rússia, Alemanha Nazista, China, Cambodja e outros países de orientação marxista, nazista ou fascista.

Há dois perfis de esquerdistas: beneficiários e funcionais. Os primeiros conseguem poder através do discurso esquerdista, e, obviamente, são os mais espertos. São os políticos que conseguem poder, ou mesmo donos de ONG’s que fazem parceria com o estado, ou até mesmo empresários que se associam aos estados inchados. Intelectuais que são financiados pelo estado também são beneficiários. Eles não “acreditam” no discurso esquerdista, mas o utilizam para sua única finalidade: obtenção de poder através de um estado inchado.

Os funcionais, por outro lado, são a grande massa esquerdista, que realmente acreditam no discurso como se ele fosse verdadeiro. O funcional realmente acredita que está “lutando por um mundo melhor”, e tem muito fervor em sua militância.

Ao estudarmos a história dos discursos políticos que usam diversos pretextos para inchar estado, podemos incluir marxismo, nazismo, fascismo, social democracia, welfare state e quaisquer outros com os mesmos objetivos no mesmo balaio.

Alguns marxistas dizem que o marxismo não se configura nesta definição, pois existe uma promessa de um mundo sem estado após um tempo de estado inchado (ditadura do proletariado). Mas vamos rever a definição de esquerdismo: “Um conjunto específico de ações destinadas a inchar o estado, de forma a dar poder absoluto para aqueles que tomarem conta deste estado”. Ora, neste caso o marxismo se qualifica perfeitamente dentro desta definição, mesmo com a falsa promessa de que no futuro o estado “desaparecerá”. Adicionar uma ilusão simulada para servir como pote de ouro ao fim do arco íris não muda o fato de que o marxismo depende de um extremo inchaço estatal, que é a ditadura do proletariado.

Marxistas também dizem que o “fascismo é de direita”. Mas vejam o que está na doutrina do fascismo, de Giovanni Gentile: “Fora do Estado não pode haver nem indivíduos nem grupos (partidos políticos, associações, sindicatos, classes). Então o fascismo opõe-se ao Socialismo, que confina o fluxo da história à luta de classes e ignora a unidade de classes estabelecida em uma realidade econômica e moral do Estado”. Temos aí um discurso ultra-esquerdista, mas usando jogos diferentes do marxismo. O nazismo também é ultra-esquerdista, por seu culto extremado ao estado.

Fica claro que não é possível alguém ser “nem de direita ou de esquerda” em relação ao paradigma do inchaço estatal (derivado ao culto ao estado), e este é o paradigma central do esquerdismo.

Claro que pessoas que não conhecem política (boa parte da população) podem se qualificar como bi-conceituais. Um bi-conceitual é alguém que assume algumas posições de direita, e outras de esquerda. Mas ainda assim, em relação ao paradigma do inchaço estatal, esta pessoa deverá em algum momento nos dizer se acredita ou não no estado como um órgão “corretor da sociedade”. Se acreditar, é esquerdista. Se não, é direitista.

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17 COMMENTS

  1. as vezes o esquerdista diz que não é nem de direita e nem de esquerda pq defende o estado inchado mas quer que o estado seja melhor gerenciado, e por isso ele não é nem de direita e nem de esquerda. o que vc diria para esquerdistas que usam este truque?

    • Defender um estado inchado “mas que atenda bem o público” ainda é defender um estado inchado, usando um pretexto para isso. Até pq o atendimento poderia ser feito pela iniciativa privada ou por ação voluntária, no paradigma que defendo como neo-esquerdismo.

      Essa opção não é um meio-termo assim como pedir para uma gangue de estupradores deixar uma rosa no corpo desacordado de uma mulher que foi estuprada pela gangue não é um meio termo entre estupro e não-estupro.

  2. Luciano, pra você, qual seria então a fronteira entre um Estado inchado e um não inchado? Qual o tamanho mínimo o Estado precisa ter para ser considerado de esquerda e o tamanho máximo para ser considerado de direita? Como mensurar isso? E o que você pensa sobre partidos ou ideologia ditas de “Centro”?

    • Maykon,

      Uma definição boa para trabalho é a seguinte: um estado não-inchado é aquele baseado na defesa dos direitos negativos, pelos quais eu pagaria de bom grado.

      Com certeza, isso não chega a 10% de impostos.

      Abs,

      LH

      • Vixxxx….

        Mas se for mesmo verdade o que eu ouvi da boca da Presidente Dilma hoje no Jornal Nacional sobre a questão do Trasporte Coletivo, onde ela afirmou peremptoriamente que o transporte “no mundo inteiro” é subsidiado, então é praticamente impossível que qualquer governo da face da terra seja de direita. Ainda mais em países que possuem grandes centros urbanos, onde a grande demanda por vários modais de transporte público exige altíssimos investimentos.

      • Mas é aí que está a causa do problema. A criação das demandas feitas pela esquerda, que alimentam o inchaço estatal. Iniciativas privadas poderiam realizar investimentos e obter lucros a partir disso.

        Abs,

        LH

  3. Eu vi uma definição interessante (acho que foi do Olavo):

    esquerdista = revolucionário.

    Essa explicação, para mim, esclarece perfeitamente porque nazismo, socialismo, fascismo, e tudo quanto é ismo, é de esquerda.

  4. ‘Esquerdismo significa um conjunto específico de ações destinadas a inchar o estado, de forma a dar poder absoluto para aqueles que tomarem conta deste estado. Esquerdistas de vários tipos tentarão assumir este estado, de forma a consolidarem-se no poder. Em casos de sucesso pleno, o esquerdismo garante um totalitarismo, quando a oposição, de direita, não tem mais espaço público para divulgar sua oposição.’

    Essa definição tem um problema.Suponha que o objetivo do estado inchado não seja dar poder pra meia duzia de idiotas, imagine que seja por uma suposta causa nobre, como salvar o capitalismo dele mesmo, corrigir as ‘imperfeições do mercado’, garantir a segurança dos civis otários…merdas do tipo que infestam os livrinhos de história e que os insetos manipulados acreditam…
    Então, se for um estado inchado por uma causa nobre, aí tá valendo? Grande erro, grande tiro no pé esse daí.

    • Slaine,

      Há um erro em seu raciocínio.

      Existir um inchaço do estado, menor do que o inchaço da gestão anterior, é parte do processo de desinchamento.

      A sua lógica se baseia no seguinte: se uma pessoa tinha 200 kg, e agora tem 140 kg, está acima do peso. Então, não há diferença entre estar com 140 kg e 200 kg, e ambos estados são PARTE DO PROCESSO DE ENGORDA.

      Reveja seus conceitos e abandone o purismo.

      Abs,

      LH

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