Por que o esquerdista petralha tem motivos para odiar a nova edição da Veja propondo novas questões para plebiscitos?

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Quando eu defini o esquerdismo, de uma forma mais científica que a maioria dos autores, reconheço que o fiz para aceitar um desafio: ter uma tese em mãos tratando o esquerdismo como um fenômeno natural, de forma que a tese descrevendo-o pode ser corroborada ou refutada.

Em minha definição esquerdismo significa “um conjunto específico de ações destinadas a inchar o estado, de forma a dar poder absoluto para aqueles que tomem conta deste estado”. Claro que ações para criar falsos oprimidos e falsos opressores, em que esquerdistas fingem estar do lado dos oprimidos, também são pretextos para inchar estado. Um partido esquerdista no poder, então, deverá tomar ações que foquem na manutenção do poder que ele já tem. Partidos esquerdistas que querem tirar o poder de outro partido esquerdista deverão usar discursos esquerdistas um pouco diferenciados, e alguns até buscarão usar lapsos de “direitismo”, mas apenas para enganar a população de direita.

Assim sendo, a edição da Veja que vai às bancas neste final de semana propõe 10 questões para plebiscito, sendo uma delas em tom de piada e o restante levando a coisa a sério. Todas essas questões com certeza farão os esquerdistas do PT ficarem mordidos de raiva. Na análise de cada um deles, mostrarei o motivo:

1) Os brasileiros trabalham cinco meses do ano só para pagar impostos e agora o governo quer que paguemos também todas as campanhas eleitorais dos políticos. Você concorda?

É claro que a esquerda petralha odiará esta proposta, pois se esquerdismo é feito para inchar estado, é óbvio que para eles quanto mais impostos são cobrados do cidadão, melhor. Além do mais, minha tese prevê que o partido no poder lutará para manter o poder usando brechas na legislação para isso, ou criando leis para essa manutenção do poder. Por isso, o financiamento público de campanha ajuda os partidos que comandam o núcleo de poder, pois o dinheiro público será dividido de acordo com o número de bancadas no Congresso. Logo, além de arrumar um pretexto para inchar ainda mais o estado, o financiamento público beneficia os partidos que estão no poder.

2) Se bem gasto, o dinheiro dos impostos seria mais do que suficiente para prover educação, saúde e segurança os brasileiros. No entanto, a população tem de pagar uma segunda vez por escolas privadas, médicos e seguranças. Você concorda?

Aqui a pergunta da Veja desagrada aos esquerdistas do PT, mas não a todos esquerdistas, já que muitos deles defendem que todas as escolas sejam públicas. Mas o PT tem motivos para não gostar dessa questão, já que está no poder, e oferece educação, saúde e segurança de última categoria, já que para eles é melhor cobrar impostos do que gastá-los adequadamente.

3) Você concorda em proibir o uso de jatinhos da FAB por políticos e, com o dinheiro economizado, investir na melhoria do transporte coletivo urbano e na saúde?

Mais uma pergunta para matar petralhas do coração, já que se o objetivo do esquerdismo é inchar o estado para dar poder aos que tomam conta do estado inchado, tirar a mamata de quem está no poder é simplesmente uma blasfêmia.

4) Aos 16 anos, um(a) brasileiro(a) já pode votar e se casar. Caso ele(a) cometa crimes bárbaros, deve ser julgado(a) como se fosse uma criança?

Para arrumar pretexto para inchar estados, esquerdistas funcionais devem acreditar que “o homem é bom, e a sociedade o corrompe”, portanto não podem admitir que criminosos são culpados, mas sim que “a sociedade é culpada”. Não surpreende que a impunidade de menores tenha se tornado um dogma para esquerdistas funcionais, tudo alimentado, é claro, pelos esquerdistas beneficiários. Aliás, já passou da hora de um plebiscito para redução da maioridade penal, do qual, conforme minha teoria sobre o esquerdismo, eles fugirão como o diabo foge da cruz.

5) Você concorda que Brasília deveria abandonar a galáxia distante onde vive e voltar para o Brasil?

Engraçado, no mínimo. E é evidente que todas as propostas de plebiscito feitas por Dilma não fazem nada em favor de desinchar o estado. Minha tese prevê que ela não poderia fazer isso mesmo.

6) Você concorda que deveria acabar a alegação de “réu primário” uma vez que isso beneficia quem mata pela primeira vez, mesmo que de maneira cruel e sem chance para a vítima?

Assim como na pergunta 4, esta é mais uma questão que agride de forma contundente o dogma de que “o homem é bom, a sociedade é que o corrompe”, usado como pretexto para inchar estados (já que estes devem “corrigir” a sociedade).

7) Você aceita ceder aos caciques dos partidos políticos seu direito de escolher o candidato em quem votar?

O sistema do voto em lista facilita a manutenção do poder, já que os partidos determinam os candidatos a ficarem no topo das listas.

8) Você concorda que deveriam ser fechadas as embaixadas brasileiras na Coreia do Norte, Cuba, Azerbaijão, Mali, Timor-Leste, Guiné Equatorial, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, Botsuana, Nepal, Barbados e em outros países sem a menor expressão, e o dinheiro gasto com elas investido nos hospitais públicos no Brasil?

O fechamento de embaixadas brasileiras em países de menor representatividade reduziria o inchaço estatal, e portanto desagrada muito a esquerdistas petralhas.

9) Você concorda que quem recebe dinheiro do governo federal poderia ter o direito de se declarar impedido de votar por óbvio conflito de interesses?

Mais uma pergunta que enlouquecerá os esquerdistas, pois se tudo que eles querem é inchar o estado para conseguir poder neste estado para seus líderes, como poderão estes líderes se beneficiar de coisas como o voto de cabresto? Por exemplo, o Bolsa Família não passa de uma variação do voto de cabresto.

10) O governo tem 39 ministérios e nenhum deles resolveu sequer um problema relevante do Brasil. Você fecharia a maioria deles?

Se a única função do esquerdismo é inchar o estado, e então dar poder aos líderes que tomem conta deste estado, quanto mais ministérios existirem, melhor para os esquerdistas. Obviamente, esses ministérios se tornam mais pretextos para gastos, lobby e corrupção, mas é exatamente essa a função do inchaço estatal.

Enfim, de acordo com minha tese sobre o esquerdismo, cada vez mais sólida, esquerdistas que apóiam o PT tem motivos de sobra para ficar contra as 10 questões para plebiscito propostas pela Veja.

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4 COMMENTS

  1. Luciano, só para constar, não é só o Brasil 247 que se melindrou com a capa alienígena de Veja. Primeiro, veja a repercussão de comentários da capa em questão na página do Face da própria Veja. O comentário mais curtido foi o primeiro a ser feito, até agora na casa de 125 joinhas e que também teve desdobramentos falando de outros números que digitam na urna. Porém, o segundo comentário mais curtido foi o segundo, até a hora em que escrevo com 90 polegares para o ar, em que se vê links para imagens de cunho marxista-humanista-neoateísta. Esse, por sinal, já está tomando um monte de lapada dos comentaristas, ainda que alguns MHNs venham destilar sua linguagem empolada em que sempre constarão palavras como “fascistoide”, “reacionário” e “elites”.
    Talvez você tenha ouvido falar de uma página chamada “Anarcomiguxos”, que em tese deveria ser de crítica ao libertarianismo-anarcocapitalismo, mas que na prática critica tudo aquilo que MHN não for (ou que até seja, mas não seja o marxismo-humanismo-neoateísmo deles). É deles esta paródia malsucedida da capa em questão. Talvez você tenha observado o termo “coxinha”, que eles muito usam na página inteira, e queira saber o que significa. Os próprios passam de onde tiraram a referência e, quando você lê, logo irá para o primeiro comentário, que diz exatamente o óbvio sobre o que estão querendo dizer por “coxinha”, ainda que o dono da página venha dizer também o óbvio que já sabíamos: “coxinha” também serve para designar quem MHN seja, mas não siga o MHN de quem o chama de “coxinha”. Alguém ao ver isso logo deu esta resposta, que gerou esta tréplica em que o epíteto é revertido contra quem o usa, fora terem usado o MHN contra o próprio MHN quando este falou “invasor da USP”, fora o tanto de pessoas que acha normal que alguém se diga comunista e use GAP. Também não esqueçamos que Reinaldo Azevedo reverteu parte do uso que se faz do tal termo quando passou a chamar Fernando Haddad de “Supercoxinha”.

    Voltando à “Anarcomiguxos” em si, não esqueçamos que essa página também mostra-se favorável a pautas defendidas pelos MHNs no poder quando critica os (justos) protestos dos médicos brasileiros por melhores condições no interior para que mais profissionais possam ir atender por lá. Já chamaram os caras de “playboys”. Aliás, sobre chamar médico de tal epíteto, tivemos o o caso de um cara em Natal que veio querer colar a pecha de playba nos de branco e teve seu xingamento no Twitter respondido por uma porrada de médicos, que disseram inclusive para outros para que marquem o rosto do cara ou mesmo torcem para que ele seja atendido por um médico cubano. MHNs, que fazem-se de não compreender a diferença entre alguém dizer ou não de brincadeira que vai dar porrada, logo vieram dizer que o tal cara estava sendo cerceado em sua liberdade de expressão e opinião (aliás, isso muito me lembra a reação que alguns MHNs gritando palavras de ordem chamando outros de “racista” no Congresso e não sabendo o porquê de serem presos pela Polícia Legislativa, quando sabemos que acusar sem provas alguém de ser racista é calúnia). Voltando à “Anarcomiguxos”, eles continuaram xingando os médicos que se manifestam, como podemos ver aqui, aqui e aqui. Como se pode observar, na cabeça deles médico não vai para o interior porque é um mimado, em vez do óbvio que conhecemos, que é o de não poder contar com boa infraestrutura nas cidades menores, ser alvo de jogo político e otras cositas más.
    Porém, nossa nave decola da “Anarcomiguxos”, para quem todo mundo que não é como eles é coxinha, e pousa na “Meme Consciente”, em que ser consciente significa ser MHN. Vamos reconhecer que a sátira da capa deles foi superior, até porque usaram uma capa da revista UFO. Porém, como pode observar, eles, com seus 10 mil e poucos curtidores, não têm o mesmo poder de difusão no Face que tem a “Anarcomiguxos” e seus 11.300 curtidores, inclusive podendo ser visto pelo baixo número de compartilhamentos de suas imagens. A mesma página fez esta, esta e esta outra menção à tal capa. Observe-se que, comparando a “Meme Consciente” com a “Anarcomiguxos” exclusivamente no quesito humor, a primeira pareceu mais aqueles programas bons de humor que todos compreendem perfeitamente, enquanto a segunda parece aqueles programas de humor que parecem ser feitos de propósito para não serem engraçados, e quem diz que não achou graça naquilo é logo acusado de não ter entendido a piada. A “Meme Consciente” tentou ficar mais na sátira em si, enquanto a “Anarcomiguxos” prega que os “coxinhas” teriam de ser expurgados do planeta (nada mais MHN que isso, não?). Porém, isso não isenta de olharmos o resto da “Meme Consciente” e ver que “reaça” para eles (ou ele, ou ela, caso a página seja tocada por uma só pessoa) é todo aquele que não pensar daquela forma específica. Ah sim, a “Meme Consciente” também é contra médicos brasileiros protestarem contra a vinda dos cubanos e, como todo MHN, odeia quem de classe média for (aliás, Luciano, seria bom que você fizesse um verbete abordando especificamente a tal “classemediafobia” que MHNs, que majoritariamente são de tal classe, possuem. Você já falou da Marilena Chaui, mas dá para ir mais além nisso, inclusive por remeter àquela noção marxista de classe média em que supostamente quem fosse de tal classe tem um desejo ardente de se distanciar dos pobres a qualquer custo).

  2. Luciano, uma pergunta: por que você considera o esquerdismo como algo natural? Pergunto isso, pois quando argumento com pessoas de esquerda, elas, normalmente, p. ex., não atribuem os crimes ao criminosos, mas, sim, à tal da sociedade. Argumentando que “o homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”, usando Rousseau à sua “fineza”. Contudo, como bem sabemos, o homem não é mau [branco], assim como ele não é bom [negro], nós somos, na verdade, simples animais que, ora somos bons, ora somos maus, por simples conveniência [cinza].

    Ao afirmar, categoricamente, que o homem é bom por natureza, eles, os de esquerda, negam a nossa natureza, mergulhando em em uma grande utopia. Não seria isso algo anti-natural?

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