A arte de conter o instinto defensivo e ampliar o instinto ofensivo na guerra política

17
61

Italianos-contam-com-craques-para-vencer-a-Copa-do-Mundo

Um amigo do Facebook leu o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., e me questionou o seguinte: “Luciano, como faço para refutar este livro?”. Eu, que nem sequer li o livro (e nem lerei), disse: “Para quê?”.

Para início de conversa, para mim o PSDB faz parte do mesmo mal que o PT: é um partido de esquerda. Nunca gostei do PSDB, e sempre achei que eles mais eram aliados que opositores do PT. Chego a chamá-los de “oposição de fachada”, para que o PT estabeleça sua estratégia das tesouras (na qual arruma-se uma oposição falsa para que o povo não perceba o totalitarismo reinante). Sendo assim, qual o ‘cui bono?’ para eu gastar qualquer tipo de esforço na defesa do PSDB? Não vejo nenhum.

Esse meu amigo argumentou que como o PSDB é opositor do PT, então valeria a pena defendê-los. Eis que notei que ele esqueceu-se do principal: ele está em uma guerra política. Como tal, é importante saber os princípios deste tipo de conflito.

David Horowitz, em “A Arte da Guerra Política”, nos disse o seguinte:

Os republicanos normalmente atuam com base em uma estratégia conservadora de esperar pelo ataque vindo do outro lado. No futebol, isto é conhecido como “defesa preventiva”. Na política, é a estratégia dos perdedores. Agressão é geralmente vantajosa pois política é uma guerra de posição, que é definida pelas imagens que ficam. Ao atacar primeiro, você pode definir os termos do debate assim como definir o seu adversário. Definir a oposição é a jogada decisiva em toda a guerra política. Outros aspectos sendo igualados, aquele que estiver na defensiva geralmente perde.

Em outras palavras, você não precisa defender o PSDB, mas sim atacar o PT em dobro. Os grandes inovadores do debate público nos últimos 10 anos são os neo-ateus. Você os vê defendendo uma religião em detrimento da outra? Não. O máximo que eles podem fazer é atacar uma religião mais que a outra, mas jamais defender qualquer delas. Motivo: eles entenderam o princípio da guerra política que nos diz que o agressor geralmente prevalece.

Sendo assim, que o PSDB vá para as cucuias. Simplesmente não me importa defendê-los, e não gastarei uma caloria para ajudá-los.

Mas em relação ao PT, alguns frames podem ser úteis:

  • O PT é um partido tão baixo, tão abjeto, tão podre, que fica tentando arrumar casos de corrupção praticados pelo PSDB em âmbito estadual para esconder um caso de corrupção que o próprio PT fez em âmbito FEDERAL. Um partido que escolhe este tipo de estratégia, citando casos dos oponentes para evitar ter que responder pelos seus casos de corrupção, realmente chegou ao fundo do poço em termos morais.
  • Eu não considero o DEM de direita, mas, digamos, a título de argumento, que o DEM seja “meio de direita”. Quem é de direita e optava por votar no DEM (para optar pelo partido menos esquerdista do mercado de partidos), com certeza pediu a punição de Demóstenes Torres quando seus casos de corrupção foram descobertos. Esse é nosso DIFERENCIAL em relação a um petralha, um ser amoral que não tem princípios e nem valores, e que defende seus corruptos.

Nos frames acima, eu defendi PSDB ou DEM? Nem um momento. Pelo contrário, ataquei-os. Mas sem esquecer de atacar o PT pela sua postura muito mais abjeta e conivente em relação à corrupção.

Hoje em dia, avaliando retroativamente a estratégia política do neo-ateísmo, reconheço: eles venceram, e os religiosos perderam. Hoje em dia um neo-ateu pode se aliar a um gayzista e ir em uma igreja ejacular na cara de um padre e ninguém reagirá contra isso. Pelo contrário, artistas aparecerão dizendo, na mídia: “o padre mereceu”. Esse é um sinal de que o neo-ateísmo venceu.

Mas se o neo-ateísmo venceu, é por que executou as estratégias corretas (mesmo que tenha usado recursos amorais, como mentir sobre o oponente – recursos que não defendo, diga-se de passagem, mesmo que defenda a cópia da estratégia base). E dentre estas estratégias, a postura de sempre ficar no ataque é digna de nota. Do lado dos cristãos, a maioria deles optou por sempre ficar na defesa. Isto é, um lado escolheu a estratégia que sempre resulta em vitória, e o outro escolheu a estratégia que sempre resulta em derrota.

Eu uso os neo-ateus como um modelo de como agir estrategicamente em debates públicos, e se suas estratégias funcionam, é óbvio que elas devem ser copiadas (sem usar os recursos de fraude, evidentemente). Horowitz também já cantou a bola, como se nos dissesse: “Quer ficar se defendendo? Então talvez você tenha um prazer mórbido pela derrota política, mas aí o problema já não é mais meu…”

Enfim, na próxima vez em que virem petralhas gritando histericamente “E a privataria tucana, hein? Hein?”, diga que o PSDB é uma lixeira de esquerda tão grande quanto eles, e aproveite para ridicularizá-los em dobro por serem tão baixos a ponto de citarem atos de corrupção estaduais de outros para esconderem seus atos de corrupção federais. E ainda diga algo como: “Este é meu diferencial em relação a você. Quem está do meu lado e rouba, não tem minha defesa. Já quem está do seu lado e rouba, tem sua adoração. Isso mostra que você não tem nem moral para discutir comigo”.

No momento em que você conseguir reagir assim automaticamente às interações com esquerdistas petralhas, enfim, você já terá remodelado um mindset  antes orientado a colecionar derrotas, para caminhar em direção à vitórias políticas, ao menos nos debates de que participar.

É como no filme Indiana Jones e a Última Cruzada, quando um personagem rival do herói diz: “Você perdeu hoje, garoto. Mas isso não significa que você tenha que gostar de perder.”

Esqueça a estratégia dos perdedores e parta para o ataque sempre que puder.

Anúncios

17 COMMENTS

  1. Luciano, tenho utilizado suas dicas para debates com esquerdistas e vejo que cada vez mais eles ficam irritados. Eu também tinha a mania de defender o PSDB só para ficar contra o PT mas seu texto deixou tudo bem explicado, pois defender PSDB é apostar em cavalo perdedor. O PT é que deve se explicar por tentar encobrir suas falcatruas.

  2. Luciano, executando as estratégias de controle de frame e estando-se preparado para as rotinas esquerdistas, quanto tempo você acha que os religiosos podem virar o jogo?
    E podemos dizer que o processo de virada de jogo já começou com nomes como Craig, Plantinga, Lennox, e outros? Craig já ridicularizou Dawkins em alguns videos, assim como outros neo-ateus, e o Lennox, em seu debate contra Dawkins, conseguiu botar a culpa dos genocídios do século XXI no ateismo militante:

    Craig mostrando a Irracionalidade de um neo-ateu:

    http://www.youtube.com/watch?v=tl4-Do2VTk4

    Craig esculachando fortemente a obra de Dawkins:

    http://www.youtube.com/watch?v=l2cZPw3ZjlI

    mais ou menos em 1h05min Lennox começa a vincular o ateismo militante ao comunismo ateu:

    http://www.youtube.com/watch?v=3k-E76Wt5H8

    Essas ações possuem algum impacto para o jogo político?

    • Olha, Cidadão, infelizmente, eu acho que não servem ainda.

      Falta para o Craig, Plantinga e o Lennonx a assertividade necessária (assim como uma agilidade de ações) para disputas políticas.

      Eu acho que é preciso de uma NOVA GERAÇÃO para superar o neo-ateísmo.

      Os resultados podem surgir em 5 a 10 anos.

      Abs,

      LH

    • Acho que não. Os argumentos destes apologistas realmente são bons, quanto a isso não duvide. E muitos ateuzinhos toddystas não tem este traquejo intelectual. Aliás, até onde sei Plantinga não teve esses embates ao-vivo. Todo modo, eles são bons como material de consulta em filosofia, não de debates em política.

      • Eu sei que os argumentos dos apologistas são bons, mas eles estão NA DEFESA, ao invés de atacar os humanistas, por exemplo. E a argumentação é apenas uma parte do jogo, a outra parte é controlar o frame. Quanto a isso, os apologistas cristãos estão ainda engatinhando.

  3. Seu amigo Suriani surgiu com uma pérola: “Assim, é um cenário quase utópico imaginar uma empresa investindo por 1 ou 2 anos em treinamento para capacitar um profissional.”

  4. Luciano para exemplificar o que vc disse sobre o psdb,li que o senador Aloisio nunes dará apoio a uma homenagem ao terrorista carlos marighella.

  5. Luciano, uma questão:

    1 – Num estado livre de religião política, o mais a esquerda que poderíamos aceitar seria um partido de acordo com o nome do PSDB (“sociais democratas” de fato – e não socialistas fabianos)? Se não, qual seria esse partido?

    • Eu não vejo num curto espaço de tempo o estado livre da religião política. O que vejo é que podemos criar intolerância com as manifestações mais radicais da religião política. Neste caso, se o PSDB chegar ao poder, lutar contra ele para que o DEM consiga tomar seu lugar. E depois lutar para outro tomar o lugar do DEM…

      Eu não vejo tanta relevância em partidos hoje até que surja um partido que adote os princípios da direita e cresça em número, mas para isso temos mais de 20 anos de trabalho.

      Enquanto isso, fazemos pressão sob os partidos que existem.

      Abs,

      LH

  6. Luciano, queres rir um pouco? Então te passo o que me fez rir: frei David, da Educafro, quer nem que seja em tribunais que 30% dos ingressos da Copa do Mundo seja vendido para pessoas consideradas negras. A ONG aceita reduzir essa cota para 20% nos jogos do Brasil devido à alta procura pelos ingressos.
    Como aqui se fala de futebol, poderíamos dar uma de Garrincha e perguntar se combinaram com os russos. Também poderíamos perguntar se a Educafro não aceita uma mudança nas cotas também quando o jogo envolver seleção da África subsaariana, uma vez que haverá naturalmente um maior número de pessoas negras, neste caso oriundas dos países em questão.

    Porém, poderíamos perguntar mais ainda por que raios os marxistas-humanistas-neoateístas brasileiros querem fraudar as estatísticas demográficas do Brasil e inventar uma falsa maioria de negros no Brasil, uma vez que para eles supostamente daria para somar as categorias “preto” e “pardo” (miscigenado, o que pode incluir pessoas que não tenham qualquer ancestralidade africana nem se identifiquem culturalmente com o que vem daquela parte do mundo, como ocorre com muitos mestiços de branco e índio e branco e oriental) para criar a tal suposta supercategoria, gerando inclusive aquela distorção do Mapa da Violência 2012 em dizer que a região Norte, profundamente indigenizada, seria o lugar líder de morte de negros no Brasil, quando na realidade é o lugar onde mais se mata pessoas mestiças no país, uma vez que a maioria absoluta da população de lá tem múltiplas ancestralidades, muito se orgulha disso, não quer escamotear ou desmerecer quaisquer de suas ancestralidades, mas também não aceitam ter imposta uma identidade que não é a deles.
    Poderíamos também usar, caso as cotas do frade que se esqueceu de Gálatas 3:26-28 fossem aprovadas, as leis de racismo em relação a isso, pois se estaria negando um bem ou serviço a alguém em função de sua cor de pele ou origem. Caso alguém que não fosse enquadrado como negro pela fraude estatística dos MHNs quisesse comprar um ingresso, esbarraria na tal cota e não poderia realizar seu sonho de ver a Copa em casa, o que poderia configurar que o Brasil estaria se tornando um país oficialmente racista, tal qual a África do Sul em que havia ônibus e espaços públicos que deveriam ser usados exclusivamente por alguém segundo uma categoria de cor.

    E aqui também fica minha sugestão para que faça uma postagem só com citações racistas, homofóbicas e machistas dos marxistas-humanistas-neoateístas. Poderiam ser incluídas as muitas de Marx e Engels, mas também creio que possa haver algumas dos fundadores da Escola de Frankfurt (observe-se que nem falo dos gramscistas que vieram depois, pois você mesmo já mostrou o que Amiri Baraka já falou a respeito).

Deixe uma resposta