Dos jogos politicos da esquerda

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chess

O leitor mais atento deve ter notado que neste fim de semana a seção “Agenda de Esquerda”, foi renomeada para “Jogos Esquerdistas”.

O motivo para essa mudança é que a terminologia dos jogos é mais adequada ao paradigma da dinâmica social, no qual o animal humano joga jogos para atingir seus objetivos e cada um destes jogos é composto de ações específicas, as quais são denominadas rotinas.

Vamos aos jogos da esquerda que já foram publicados:

Cada um destes jogos tem um objetivo específico, e possui regras claras que, se os esquerdistas seguirem, conseguem obter a pontuação que precisam. No caso de um funcional, é conseguir inchar o estado e dar poder aos seus machos-alfa. No caso de um beneficiário, é conseguir obter o poder através deste inchaço estatal ou através do aproveitamento da ingenuidade dos funcionais. (Ver texto Beneficiários e funcionais)

Um amigo não gostou da terminologia dos jogos, pois achou que isso tiraria a seriedade do tema. Vejo de forma bastante diferente: ao entendermos a política como um jogo, ensinaremos ao nosso subconsciente de que tratamos de uma arte tão complexa quanto jogar xadrez ou pôquer, onde existem muitos detalhes e meandros. O entendimento dos blefes, assim como da natureza humana, bem como o aprimoramento de nossa reação ao fluxo de eventos, por vezes inesperados (mesmo que dentro de regras específicas), são parte das artes a serem dominadas. Não é diferente da preparação de alguém em artes marciais.

Uma outra objeção seria quanto ao fato dos jogos, no imaginário popular, serem conhecidos como forma de entretenimento. Sim, na maior parte dos casos isso ocorre, mas não no caso específico dos jogos políticos. Se a esquerda vence o jogo final em uma civilização, temos rios de sangue derramados.

Nos jogos tradicionais, muito provavelmente ambos os lados sabem que estão jogando, pois realmente é uma forma de entretenimento. Nos jogos políticos, muitas vezes um lado joga e o outro não sabe que está jogando. A esquerda, por exemplo, joga melhor seus jogos somente quando seus adversários não tem ciência de que está ocorrendo um jogo.

Aliás, este é o maior motivador para a fase pós-dinâmica social deste blog (isto é, depois de dezembro de 2011). Simplesmente eu notei que a esquerda joga os jogos, enquanto a direita ainda nem sequer possui noção de que está participando dos jogos. Esse é o cenário mais desejado pela esquerda.

Em oposição a isso, eu desvelo os jogos jogados pela esquerda, explico ao público como funciona a interatividade, as regras e os objetivos, e especialmente quais os critérios de vitória/derrota nestes jogos.

Eis, então, a arquitetura dos jogos políticos da esquerda:

  1. O sucesso maior da esquerda ocorre quando os beneficiários da esquerda alcançam poder a ponto de executar seu poder de forma totalitária, incluindo o uso do estado para praticar genocídio contra seus opositores. Este poder não fica na mão dos funcionais, só dos beneficiários, mas, por um processo vicário, os funcionais se satisfazem com o sucesso de seus beneficiários. Exemplo: eles não ganham nem um centavo com o Mensalão, mas criam um estado que habilite seus machos-alfa a ganharem muita $$$ com o Mensalão.
  2. Enquanto não conseguem a vitória maior em (1), jogam vários jogos, que vão obtendo maior ou menor sucesso. A vida do esquerdista funcional passa a ser baseada em jogar estes jogos, que funcionam melhor quando o direitista não percebe que há jogos sendo jogados.
  3. Cada um destes jogos é composto de uma série de práticas e ações, que são traduzidas em rotinas, que usam de uma ou mais técnicas de propaganda.

Segue a regra para a ação da direita quanto aos jogos da esquerda:

  1. Quanto mais distante de um totalitarismo genocida estivermos, menos pontos ganha a esquerda, e mais pontos ganha a direita. Assim como quanto mais distante de um estado inchado estamos, mais pontos ganha a direita, e menos pontos ganha a esquerda. Desta forma, enquanto o esquerdista funcional vive como subserviente a seus machos-alfa, o direitista não é subserviente a ninguém, pois luta pelo poder do consumidor.
  2. Para cada um dos jogos da esquerda, a direita deve tomar uma decisão: (1) jogar o jogo, (2) neutralizar o jogo, (3) ignorar o jogo. A primeira opção é quando o jogo não vai de encontro aos seus princípios morais. A segunda é quando o jogo se opõe a estes princípios. A terceira é a única opção que garante a derrota. Voltando às opções (1) e (2), quando o esquerdista joga o jogo de mentir em quantidade absoluta, a direita não pode jogar este jogo, pois isto conspira contra seus valores morais. O melhor, neste caso, é jogar um jogo alternativo que neutralize o jogo da esquerda. Em resumo: para cada jogo fraudulento, desmascare, e isto é que me refiro quanto tomamos a opção de neutralizar o jogo.
  3. A mesma regra de jogar o jogo, ou neutralizar o jogo, vale para cada uma das instâncias dos jogos, portanto a cada rotina ou técnica de propaganda, é preciso de uma ação contrária.

A isto se resume minha interação com esquerdistas.

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6 COMMENTS

  1. Caro, acho a alteração para “jogos” pertinente e coerente com a prática da esquerda. A noção de jogo está longe de ter seu significado limitado pela ideia de mera “brincadeira”. O jogo tem regras específicas, que devem ser cumpridas inevitavelmente pelos jogadores.

    Se ainda não conhecer, sugiro a leitura de um livro chamado “Homo Ludens” de Johan Huizinga (mesmo de O Outono da Idade Média), a relação do ser humano com o jogo, bem como a real relevância do jogo está explicitada lá.

    Um abraço.

  2. Em português realmente pode causar alguma confusão. Em inglês (“games”) fica bem mais claro. Tanto que o livro “Game of Thrones” foi traduzido como “A Guerra dos Tronos” para ficar melhor. “Jogo de Tronos” ficaria realmente muito estranho…

    Mas não vejo termo melhor não. Acho que tá bom assim mesmo.

  3. Luciano, nunca entendi, de fato, quais os ganhos de um esquerdista funcional. É só pelo prazer de pertencer a algo mesmo? Em um debate na Globo, Luiz Felipe Pondé disse que muita gente se diz de esquerda (sem nem saber por que) porque é fácil ser de esquerda, não precisa ler. E isso é fácil de perceber, principalmente quando nos deparamos com idiotinhas que amam Guevara, mas fazem cara de susto quando dizemos que ele matou, estuprou, roubou, torturou.

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