Jogo esquerdista: Verdade de classe

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Última atualização: 17 de agosto de 2013 – [Índice de Jogos] [Página Principal]

Observe duas alegações, que não podem ser mutuamente verdadeiras. Ou uma das duas é falsa, ou ambas são falsas. Ei-las:

  1. Animais humanos são uma tábula rasa, e seus desejos e preferências são meras construções culturais
  2. Animais humanos herdam desejos e preferências de seus genes, não podendo alterá-los por influência do meio

A afirmação 1 é proferida pelas feministas, enquanto a afirmação 2 é proferida pelo movimento gay. Mesmo que ambos os grupos caminhem juntos enquanto pedem dinheiro do estado para corrigir a situação de “opressão” em que viveriam, cada um sustenta suas alegações em princípios mutuamente auto-excludentes.

Para tornar tudo mais irônico ainda, se observarmos o que a psicologia evolutiva tem a nos dizer, ambas as duas afirmações estão erradas. Na verdade, animais humanos não são uma tábula rasa, pois seus instintos e tendências são herdados biologicamente, mas o meio cultural pode influenciá-los no melhor uso de seus instintos ou desejos, ou mesmo no abandono ou adaptação de alguns desses instintos, desejos e preferências.

Em resumo, tanto gayzistas como feministas mentem em suas alegações centrais a respeito do mundo, e, se suas demandas são iniciadas em mentiras deslavadas, é claro que não demora para encontrarmos as fraudes não só em suas alegações centrais como também na maioria de suas teses derivadas dessas alegações.

O problema é que todos os tipos de discurso esquerdista são elaborados a partir de fraudes, e eles aparentemente não se sentem nem um pouco constrangidos em criarem fraudes todos os dias. Para eles, criar uma nova fraude intelectual parece ser uma diversão.

Alguns questionamentos imediatos podem surgir. O que leva os esquerdistas a apreciarem tanto a prática de contar mentiras, sem se importar com a veracidade do que dizem, mas apenas com o efeito político de seu discurso? Será que eles não ficam incomodados planejando discursos mentirosos quando conversam entre eles? Eles não se envergonham desse tipo de atitude?

Para compreender como funciona este modelo mental, que não vê problemas em inventar fatos sobre o mundo de maneira deliberada para justificar suas ações, temos que voltar no cerne do jogo da Simulação da Guerra de Classes, onde aprendemos que o esquerdista simula estar no meio de várias “guerras” entre classes em conflito. Uma dessas classes será definida como oprimida e a outra como opressora, e o esquerdista dirá que está do lado da classe oprimida. Entretanto, muitas dessas “opressões” na verdade são ilusões, feitas para capitalização política.

Exemplos de fraudes estão no fato de atualmente eles definirem as mulheres como oprimidas em conflito contra opressores, que são os homens. Ou mesmo de gays serem definidos como oprimidos em conflito contra opressores, que seriam os heterossexuais. Na verdade, nossa sociedade ocidental, considerando os paradigmas da liberdade individual iluminista (num contexto muito mais democrático do que o fascismo defendido pela esquerda), não tem posições para homens/mulheres ou heterossexuais/heterossexuais que os classifique como opressores ou oprimidos. (Cuidado: um homem pode oprimir uma mulher, e uma mulher oprimir um homem, ou um gay pode oprimir um heterossexual, e um heterossexual pode oprimir um gay, mas isso ainda não significa classes em conflito)

Biologicamente, temos boas explicações para o fato de muitas mulheres escolherem um marido com maior status que ela, assim como para o relacionamento heterossexual ter se tornado normatizado em nossa sociedade.

Pois bem. Se mostrarmos a teoria de Darwin demonstrando que hoje em dia as demandas esquerdistas vão na contra-mão do que a biologia tem a nos ensinar, eles se enfezam e, em muitos casos, citam a teoria crítica, criada pelos teóricos da Escola de Frankfurt. Nessa teoria, prega-se que se a realidade vai contra a ideologia, dane-se a realidade. Em outras palavras, a verdade é aquilo que atende aos interesses de classe. Verdade de classe.

Quando o esquerdista joga este jogo, seus “argumentos” são selecionados não por sua validade empírica ou filosófica, mas por que atendem ao interesse da “classe”. (Mesmo que, como eu já tenha apontado anteriormente, essas classes sejam definidas de forma arbitrária, com o único objetivo de capitalização política)

No exemplo do feminismo, a teoria de gênero já foi demonstrada como uma fraude completa, e um dos melhores desmascaramentos foi publicado em um post recente aqui. Mas, quando confrontados com os fatos, esquerdistas começam a protestar dizendo que “as informações divulgadas privilegiam a classe opressora, portanto devem ser renegadas”.

Assim sendo, este jogo constitui-se em uma falácia ad hominem levada às últimas consequências, em que as idéias são aceitas como válidas se atendem ao interesse da classe definida como oprimida, e inválidas se atendem ao interesse da classe definida como opressora.

Em resumo, o esquerdista mente em quantidade impressionante por que isso faz parte do jogo dele.

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12 COMMENTS

  1. Mentes sendo salvadas do esquerdismo por atuação e debates nas redes sociais. Veja a declaração de Davi Viveiros

    “Recebo nas notificações do Facebook a informação de um sujeito aí que curtiu uns comentários meus página Anarcomiguxos feitos em novembro de 2012… Ah, se ele soubesse que eu penso hoje o contrário do que pensava naquela época. Quase um ano de lá para cá, deu pra aprender pra caramba. E menos de um ano para se transformar um social-democrata num liberal libertário de extrema-direita.

    Interessante também como a minha linguagem se tornou mais limpa. Curioso isso, me tornei bem mais politicamente incorreto ao passo que a minha forma de expressar tornou-se mais formal, polida, equilibrada. Antes escrevia de um modo bastante virulento, agressivo, com o fígado e sistema límbico a milhão. Talvez a liberdade na expressão me permitiu ser mais irônico e despreocupado, expurgando o que me incomodava sem me deixar ainda mais incomodado no final do processo.

    E agora de volta à programação normal, é hora de lamber as botas do bloco mundial neoliberal, imperialista, patriarcal, libertário, masculinista. E ir dormir feliz, contente, rindo à toa! Hue! LOL!”

  2. Exato, a CIÊNCIA de fato é chamada por esses seres de ‘ciência radical’, enquanto somente serve para eles a ciência HISTORICISTA, que praticamente age como uma propaganda a favor do movimento, sem nenhum compromisso com a verdade. Já que para socialistas a verdade e os fatos são subjetivos, e tudo, principalmente o senso moral, é relativo.

  3. Luciano,
    um ótimo livro que te recomendo é do Maturana, “A árvore do Conhecimento”.

    Lá ele constrói uma teoria que explica como o fenômeno da cognição surgiu e evoluiu através da Linguagem em uma perspectiva evolutiva. Ele fala o que você explicou aí, mas penso que você não achará demais ler mais um livro sobre isso…

    Parabéns pelo post, muito bom!

  4. Sobre consciência e luta de classes:

    MARX: Minha segunda resposta é que a falta de consciência acerca do conflito de classe não prova sua inexistência. Uma coisa pode existir quando não se está ciente dela; a verdade é objetiva, lembra-te disso.

    SÓCRATES: Ótima observação, Karl. De certo, algum planeta distante ou algum elemento químico oculto poderiam existir sem que ninguém se apercebesse disso, mas o “conflito de classes” poderia existir sem que ninguém o sentisse? O que poderia luta de “classes” significar em uma sociedade em que todos, mesmo as classes inferiores, aceitassem o sistema de classe, um sistema no qual poucas pessoas, ou nenhuma, se sentissem oprimidas ou quisessem depor seus superiores, ou onde sequer quisessem ascender a uma classe superior? Pois muitas sociedades do passado parecem ter sido assim. O que significaria “conflito de classe” em tal sociedade?

    MARX: Não aceito teu pressuposto de que mutas sociedades foram dessa forma, porém, mesmo que tais sociedades houvessem existido, ainda assim poderiam ter contido conflitos de classe – apenas sua consciência ainda não teria sido iluminada com relação a esse fato. Essas pessoas eram oprimidas, mas por demais estúpidas para perceber isso.

    SÓCRATES: Mas como eram oprimidas, se eram felizes? Onde há “conflito de classe” quando ele não é sentido por ninguém? Isso não seria um oxímoro, como uma guerra entre pacifistas ou a fome entre saciados?

    (Trecho do livro “Sócrates encontra Marx”)

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