Por que a direita é muito menos reacionária e conservadora que a esquerda?

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O ceticismo político defende a priorização do questionamento às alegações de acordo com o grau de benefício político que ela oferece aos seus adversários. Note que ele é um complemento ao ceticismo tradicional, no qual nós questionamos a nós mesmos. Entretanto, questionarmos a nós mesmos, e esquecer de questionarmos os nossos oponentes, é um ato injustificável e extremamente ingênuo.

Em política, temos várias categorias de alegações, mas uma, em especial, é a mais relevante neste contexto: o foco das alegações. Partindo de um oponente político seu, uma alegação pode ser ad hominem ou ad rem, em relação ao foco.

Alegações ad rem falam de assuntos do mundo, enquanto as alegações ad hominem falam dos indivíduos envolvidos no debate. Assim, afirmações como “essa proposta é a melhor para a criminalidade” ou “devemos aumentar o tamanho do estado” são alegações ad rem, enquanto “eu sou progressista” ou “eu sou liberal” são alegações ad hominem.

A dinâmica social nos mostra que as alegações ad hominem são mais devastadoras, pois, se aceitas, servem como um “guarda-chuva”, protegendo uma série de alegações ad rem. Alguém que convence a patuléia de ser um “representante da ciência” ou “defensor dos pobres” (alegações ad hominem) automaticamente “desliga” o cérebro de grande parte da platéia, e, a partir daí, consegue inserir uma série de idéias absurdas que lhe trarão benefício. Todo o jogo de rótulos é, portanto, a prática de alegações ad hominem.

Rótulos como “reacionário” e “conservador” causam muito benefício aos esquerdistas, e, ingenuamente, muitos da direita caíram no jogo e passaram a aceitar esses rótulos como se fossem verdadeiros. Muitos autores da direita passaram a criar racionalizações para explicar um aspecto positivo do que é ser “reacionário” ou “conservador”. Explicações estas que serão absorvidas por menos de 10% do público.

Só que se o ceticismo político investiga todas as alegações políticas, e dá especial atenção às alegações ad hominem, então alegações como “esquerdistas são progressistas” e “direitistas são conservadores”, além de “esquerdistas são agentes de mudança” e “direitistas são reacionários” são alegações a serem testadas, e nada mais que isso. Aceitar à partida essas alegações como verdadeiras seria uma ingenuidade inaceitável.

Pois bem, vamos testar a alegação de “conservadorismo” como se fosse um atributo da direita, já que “conservador é quem conserva”. Em um debate racional, temos que reconhecer o fato de que muitos conservadores são cristãos (embora existam direitistas que não sejam conservadores, e alguns conservadores que não são teístas). Alguns poderiam argumentar que os valores a serem conservados por essa direita datam da época em que Jesus Cristo viveu, portanto são valores “antigos”.

O problema é que a crença em um Deus-estado, direcionada ao regime político de Akhenaton, é muito mais antiga que o cristianismo. E esses são os valores que os esquerdistas querem “conservar”. Lembremos que, de acordo com o ceticismo político, frases como “eu sou progressista” são apenas alegações a serem testadas, e não passam no crivo cético. Não adianta chamar algo de “progressista”, se estamos diante de algo muito mais conservador que o conservadorismo cristão.

Sendo o conservadorismo inerente a boa parte da direita, e à totalidade da esquerda, qual conservadorismo data de valores mais ultrapassados? Obviamente, o conservadorismo de esquerda, pois o culto ao estado depende de uma ingenuidade inaceitável e cuja crença já foi provada falsa diversas vezes. Enquanto isso, a crença cristã em coisas como a ressurreição de Cristo carece de evidências. Mas carecer de evidências é diferente de ter evidências em contrário, e por isso a crença esquerdista com certeza é mais obsoleta.

Vejamos também outro rótulo: “reacionário”. Se “reacionário é quem reage” às propostas de mudanças, então o esquerdista com certeza é muito mais reacionário. É o esquerdista que defende a submissão a estados fortes, como no tempo das monarquias, ou no tempo de Akhenaton. A grande revolução de nossos tempos foi a revolução capitalista, que nos libertou das amarras de tiranos. As idéias esquerdistas, por outro lado, tem feito a alegria de tiranos ao redor do mundo.

O capitalismo foi a grande mudança que atingiu o status quo. Foi a partir do capitalismo que terminamos a escravidão e inserimos as minorias no mercado de trabalho, transformando-as em consumidoras. As mulheres passaram a lutar por igualdade por que queriam trabalhar e consumir. Isso vale para todas as minorias.

Testemos também o rótulo “reacionário” em relação às solicitações de mudança feitas pela direita. Basta que solicitemos a redução da maioridade penal ou dos impostos, que eles batem o pé e fazem birrinha. Não aceitam discutir essas questões e passam a manifestar todo seu fascismo contra o oponente de direita. É claro que aquele que mais reage às mudanças é o esquerdista.

Ao fugir dos dogmas do tempo de Akhenaton, que os esquerdistas lutam para conservar, a direita se torna agente de mudança para nos ajudar em nossa caminhada em direção à liberdade. Para isso, precisamos lutar contra o conservadorismo e o reacionarismo quase patológico da esquerda.

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13 COMMENTS

  1. kuaaaaaaaaaaaaaaa

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/08/1328179-fora-do-eixo-deixou-rastro-de-calotes-na-origem-em-cuiaba.shtml

    Comerciantes confiaram no dinheiro falso de esquerdistas, se deram mal

    “”O acordo era que, se aceitasse os Cards como pagamento, eu trocaria parte em dinheiro e receberia parte em propaganda. Fiquei com este monte de papel”, diz Lima.

    Trato semelhante foi feito com a rede de papelarias de Zerrer Salim, outro “colecionador” involuntário de Cubo Cards. Com R$ 22 mil a receber, ele conta que fechou um acordo com o Fora do Eixo e aceitou um longo parcelamento. “Não adiantou. Recebi apenas R$ 2.000 neste ano.”

    O rastro de calotes inclui artistas, donos de estúdios musicais e ao menos três hotéis. Um deles acionou na Justiça o líder do grupo, Pablo Capilé, e obteve sentença favorável, ainda não executada.

    “Hospedamos 60 pessoas por sete dias e elas simplesmente saíram, não vieram acertar e, mesmo com decisão favorável da Justiça, não recebemos um centavo”, diz Faiana Prieto, filha da dona.

    O caso ocorreu em 2006, na realização do festival Calango, uma das vitrines do grupo, então apoiado por Estado e Prefeitura de Cuiabá.

    Financiado desde 2008 pela Petrobras, o festival foi considerado o maior evento de música alternativa do Centro-Oeste. Na última edição, em 2010, reuniu 40 bandas.

    No ano seguinte, foi cancelado e nunca mais aconteceu. A cantora Luciana Bonfim, que se apresentou no evento, diz que calote era a “política oficial”. “Até empresas de banheiro químico, de extintores de incêndio e pedreiros ficaram sem receber”, diz.

    Outro hotel disse que ficou sem receber R$ 5.000 em diárias em 2006, mas que desistiu de cobrar. Para a cineasta Caroline Araújo, esses casos “não são novidade para os cuiabanos”. “O Brasil está vendo o que Cuiabá já sabia.””

    O PT andou financiando estelionatários. 🙂

  2. Luciano, não estaria na hora de se falar de uma mostra de marxismo-humanismo-neoateísmo em modalidade gramsciana que pode na prática levar as pessoas que a isso aderem à morte? Falo da apologia à obesidade que estamos vendo nos últimos tempos, que em parte pode ser a culpada de termos a gordura virando problema de saúde pública.
    Como sabemos bem, o marxismo-humanismo-neoateísmo vive de inventar oprimidos e opressores e, se não houver opressão, eles tratam de inventar que está havendo. Como não mais cola tanto assim falar que brancos oprimiriam negros, ainda mais em um país miscigenado como o nosso, e que supostamente os brancos daqui achariam normalíssimo considerar o negro inferior (sendo que todos os dias em todas as cidades vemos pessoas de cores diferentes conversando entre si, sendo amigas, indo juntas a bares e tirando onda reciprocamente), eis que o Geledés resolveu flertar com a história de que as pessoas com menos peso estariam oprimindo as mais pesadas e o resultado é isto. Observe-se que eles já estão usando parte das novas alegações que surgiram no combate ao MHN (vide o termo “ditadura das minorias”), mas agora estão aplicando em relação a uma característica que não é exatamente de nascença (uma vez que a maioria dos bebês pode ser gordinha, mas quando cresce passa a ter um peso normal).

    Observe-se que usam também parte da retórica que os combatentes do MHN usariam (como o tal lance de estranhar quem se intromete na vida alheia, sendo que sabemos bem que marxistas-humanistas-neoateístas é que o querem). Obviamente que a tentativa de incorporar parte de uma retórica não-MHN cai quando vemos que querem colocar no mesmo balaio tanto aquela natural preocupação ou aflição que temos quando vemos alguém gordo quanto ações que de fato sejam preconceituosas para com quem tem uns quilos a mais (como negar serviço, fazer comentários maldosos e outras coisas). E aqui não fica muito diferente de quererem pôr no mesmo balaio um estuprador e um homem de bem ou outras das combinações que usam essa típica mecânica.
    Note a ausência de senso de humor quando dizem que estão querendo comparar uma gestante a uma orca, quando na realidade apenas se fez um “separados ao nascer” aludindo à roupa preta no dorso e branca na barriga, mesmo esquema de cores do referido cetáceo (se aludissem a espécies de pinguim, não haveria como o MHN extrair alguma coisa). E já que é para meter mais coisas no balaio, observe o quanto que eles estão querendo transformar a simples preocupação natural em um ato de preconceito com os outros exemplos.

    Logo, na cabeça dessas pessoas, se queremos que um gordo emagreça, tenha força de vontade para tal e pare de usar alegações vitimistas ou desculpas esfarrapadas, logo somos considerados preconceituosos, mesmo que estejamos desejando que essa pessoa fique menos propensa a infarto, artérias entupidas, joelhos doendo e tenha mais disposição geral. Observe que querem comparar tal preocupação com a vigorexia de famosos magros que se entopem de bomba, vícios diversos ou mesmo se mutilam em cirurgias plásticas, como se estivéssemos querendo que os obesos virassem isso e não pessoas comuns com peso normal.
    Já que estou fazendo uma sugestão, esta acaba inclusive levando a outra, que poderia ser rotina mapeada: o horror dos MHNs ao altruísmo mais amplo (talvez porque inviabilize a caridade com chapéu alheio que eles querem promover para manter as pessoas escravizadas a sua agenda). E isso, como sabemos, remonta ao próprio Marx defendendo que as pessoas não deem esmolas aos mais necessitados.

    Mas voltemos ao texto do Geledés. Observe que eles abertamente falam em “criticá-los sob o pretexto de que ‘só quer ajudar'”, como se estivéssemos falando mal de algo de nascença (como cor de pele, tipo de cabelo, defeitos congênitos etc.). E, como sabemos, por vezes a pessoa se sentir mal consigo mesma é a centelha que surge para que ela própria se transforme. Ou será que muitos ex-gordos não se sentiram mal consigo mesmos ao verem que não podiam subir escadas direito, entalavam ou mesmo quebravam cadeiras e outras coisas? Falam de autodesprezo, mas não falam da preocupação que qualquer pessoa tem de ter com o alimento que come ou a quantidade que ingere, assim como falam de autorrejeição, mas não falam de a pessoa transformar esse sentimento na tal força transformadora. Falam de autodestruição, mas esquecem-se de falar que a pessoa se destrói por aquilo que come ou a falta de atividade que tenha.
    Porém, eis que vejo uma luta em causa própria em “e como gorda e boa observadora da natureza humana eu garanto: o problema não é seu”. É claro que o problema não é meu, até porque cada um sabe onde o calo aperta, mas é mais fácil ficar falando que “as pessoas odeiam, segregam, desprezam, ofendem e humilham por defeitos internos, por questões mal resolvidas, por motivos que estão muito além do seu comportamento do outro” (sic). E por que não incentivar a pessoa a emagrecer ou mesmo parar de usar eufemismos para sua condição (como uma mulher que se diz curvilínea para não falar de seu peso ou pensar no que ele a acarreta).

    Observe-se que a autora do texto começa a dizer que quem se preocupa com um gordo (aqui falando da pessoa que tem aflição de ver alguém em tal situação, não da pessoa que de fato pratique preconceito) estaria no mesmo nível de alguém que agride homossexuais, um nazista ou um Ku Klux Klan. Talvez na cabeça dela, alguém só poderia emagrecer se chegasse ao nível de um prisioneiro em campo de concentração ou alguém em algum país subsaariano, não ter um índice de massa corpórea normal.
    Por fim, fica a história de que os MHNs dependem muito de as pessoas continuarem em um estado que as faça se sentir mal para que possam a partir desse estado insinuar que o resto do mundo estaria contra elas, aproveitando-se do estado frágil de suas mentes (aqui o tal conservadorismo a que se referiu) e que qualquer tentativa de ajudar seria uma tentativa de querer mal a alguém (o tal do reacionarismo dos filhotes de jacobinos). Isso está expresso no último parágrafo do texto, que diz para quem lê “buscar fazer as coisas que te deixam feliz, livre-se das comparações, se jogue na moda pra gordinhas, se inspire na vida dos gordos bem resolvidos e muito amados, lembre-se que a intolerância do mundo não é pessoal. E acima de tudo, o ódio e o preconceito não são problemas seus!”. Logo, na cabeça dela, alguém que ama muito um gordinho, não quer que ele continue gordo e tenta dar um incentivo a que emagreça seria alguém repleto de ódio e preconceito.

    E já que é para inventar a “gordofobia” e capitalizar em cima dela, temos este, este e este outro texto no mesmo site, ainda que reproduzidos de fontes como o Blogueiras Feministas e o blog da Lola.
    Luciano, como observa, os MHNs estão demonstrando alguma visão de futuro, pois notam que já há pessoas dos grupos que lhes eram queridinhos (mulheres, gays, negros e outros) que notaram o engodo em que estavam acreditando e voltaram-se contra tal coisa. Logo, é preciso que comecem a jogar conversinha em quem sofre com o próprio peso não para que marquem menos na balança, mas sim para que continuem do jeito que estão, quem sabe até se voltando contra aqueles que os querem bem e que falam as piores verdades na cara em vez de iludir com as melhores mentiras. Em parte daria até mesmo para falar do Minimanual do Guerrilheiro Urbano, em que Carlos Marighella dizia claramente ser obrigação do guerrilheiro estar em plena forma para suportar o que der e vier (e Marighella, como sabemos, estava em muito boa forma até o fim de seus dias, a ponto de com 50 anos ter sozinho dado porrada em diversos agentes do regime militar em uma ocasião).

    Obs.: Há uma correção a ser feita em seu texto, que é na frase “Alegações ad rem falam de assuntos do mundo, enquanto as alegações ad rem falam dos indivíduos envolvidos no debate”, na qual deve-se ler “Alegações ad rem falam de assuntos do mundo, enquanto as alegações ad hominem falam dos indivíduos envolvidos no debate”.

  3. Pode tratar de slogans esquerdistas como “educação não é mercadoria” e “saúde não é mercadoria”? Acho que se cria uma aversão natural (dado que um serviço não é um objeto, mercadoria) para criar uma aversão política, dado que o esquerdismo elimina o raciocínio e reflexão substituindo por sentimentos. Essa aversão(uma sensação ou sentimento) sustentaria a posição anticapitalista

  4. Luciano, seguem algumas notícias que com certeza dão margem para comentários:

    1) Viu o problema em que Luís Eduardo Greenhalgh se meteu por causa do Araguaia? Leia antes esta notícia para entender melhor o quiproquó todo em que o ex-deputado se meteu;

    2) Esta aqui vem da terra da Bjork e é para ir para o rol de bizarrices: feministas se inscreveram com o objetivo de trollar o Miss Islândia. A alegação delas? O concurso obrigaria que as mulheres fossem bem comportadas, doces, bonitas e reprimidas. Ué, mas não é a Islândia um país tão feminista que chegou a proibir a prostituição? E se você olhar aqui, notará que também estão dizendo que o concurso teria de diversificar em relação ao arquétipo de uma mulher loira de olhos azuis. Ao que me consta, tirando a Bjork e a Emiliana Torrini (que é filha de um italiano), é muitíssimo difícil encontrar uma mulher não-loira em um país de 315 mil habitantes e população majoritariamente de origem nativa (assim como seria muito difícil encontrar uma loira natural angolana, país esse que recentemente ganhou um Miss Universo). Há morenas e ruivas? Até há, mas sabemos que não são tão comuns na Islândia quanto seriam loiras, por motivo óbvio.
    Porém, lá foram as Algumacoisadóttir que acreditam ser a beleza uma imposição, não uma combinação de simetria e proporções áureas que são um padrão que se repete com tudo aquilo que é considerado belo no mundo ao redor, querer se inscrever. Acharam que iam trollar a organização, mas se esqueceram de que as regras são claras e só permitem mulheres de 18 a 24 anos, solteiras e sem filhos, regras essas iguais às dos concursos internacionais de miss. E lá ficaram as feministas falando para as paredes…

  5. “Alegações ad rem falam de assuntos do mundo, enquanto as alegações ad rem falam dos indivíduos envolvidos no debate”. Repetiu o “ad rem”.

  6. Sou esquerda mas a tese do artigo é bem fundamentada, parabens. A excessão no artigo é que mistura micro economia com macro. O comércio ou mercado é tão antigo quanto o Egito, quer dizer, o capitalismo já existia a milênios. Ha duas opções, eternas: O mercado como regulador ou o Estado popular como regulador. A segunda opção será bem melhor quando o Estado formos nós.

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