Brasil247 e a apologia da escravidão – Pt. 1 – Se FHC fez, Dilma também pode fazer

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Fonte: Brasil247

Numa reportagem publicada na edição número 1.620, de 20 de outubro de 1999, a revista Veja elogiou a vinda de médicos cubanos ao Brasil. “O milagre veio de Cuba”, chega a colocar o texto, depois de descrever a precária situação do, na época, único hospital do município de Arraias, em Tocantins. A matéria explica o motivo pelo qual o hospital ficou fechado por quatro anos depois de ser inaugurado, em 1995: “Faltavam médicos que quisessem aventurar-se naquele fim de mundo”. Foi quando a cidade “conseguiu importar cinco médicos da ilha de Fidel e, assim, abrir as portas do hospital”.

Infelizmente, a situação de hoje não é muito diferente. O governo da presidente Dilma Rousseff, com Alexandre Padilha no ministério da Saúde, anunciou a contratação de quatro mil médicos cubanos para trabalhar em 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum profissional inscrito no programa Mais Médicos. Diferente de quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso firmou o convênio com Cuba, no entanto, desta vez a revista cobriu o assunto escancarando seu preconceito. Chamou o que antes era “a tropa vestida de branco de Cuba” de “espiões comunistas”. O colunista Reinaldo Azevedo os chamou de escravos.

Em outro trecho, a matéria diz: “os cubanos são bem-vindos”, ressaltando, porém, que a contratação desses médicos era irregular, motivo que também é trazido à tona atualmente. Apesar dessa pequena crítica, o destaque do texto de 1999 fica para histórias de personagens cubanos que pretendiam melhorar de vida no Brasil e trabalhar com amor. Inexplicavelmente, agora, sob o governo petista, a posição da revista mudou completamente. Por quê?

Leia mais em Por que a importação de médicos cubanos vai inundar o Brasil com espiões comunistas

E artigo de Reinaldo Azevedo, que chama os médicos cubanos de “escravos de jaleco do Partido Comunista”.

Abaixo, a reportagem de Veja de outubro de 1999:

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Meus comentários

A esquerda brasileira está cada vez mais catatônica, e só sobrevive por que a direita ainda não percebeu que esse é o Calcanhar de Aquiles dela. Uma mostra disso é o post acima do Brasil247.

Como eles não conseguem justificar o injustificável, partem para arrumar um exemplo de algo similar já feito por FHC. O problema é que isso não justifica a escravidão, seja endossada por FHC ou por Dilma.

Além do mais, todos sabemos que a Revista Veja jamais foi de direita, mas de esquerda moderada (tanto que idolatram Barack Obama e odeiam o Partido Republicano, além de adotarem toda a agenda gayzista, neo-ateísta, etc.). Ao publicarem a matéria, o Brasil247 simplesmente dá um tiro no próprio pé, reconhecendo que a publicação não era de direita.

Ao que parece, no entanto, a Veja ultimamente tem assumido um perfil dúbio, permitindo tanto material de esquerdistas moderados como de alguns poucos colunistas da direita, o que lhe configura um papel único no cenário nacional: uma publicação capaz de dar espaço para ambos os lados, mesmo ainda tendendo à esquerda.

É por isso que colunistas de direita, como Reinaldo Azevedo, hoje em dia renegam matérias ultra-esquerdistas como aquela que aceitou a escravidão de cubanos como algo normal em 1999.

Por outro lado, publicações como Brasil247 jamais permitirão que um colunista critique a escravidão de cubanos. Assim, ponto para a Revista Veja, e ponto negativo para o Brasil247, que tenta encontrar seu único argumento para defender a escravidão cubana com a falácia tu quoque, ou seja, “você também”.

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11 COMMENTS

    • Via Gracita Salgueiro…

      “Para quem tem um olho atento e conhece de perto esse “programa”, é fácil perceber que há médicos que vieram aproveitar a oportunidade de ganhar um pouco mais de dinheiro sem ter que se prostituir, e os que são agentes do G2, que vieram apenas para controlar a vida dos seus “soldados”.

      Os primeiros passam de cabeça baixa e seguem seu caminho, com as bandeiras – que lhes obrigaram a agitar, como durante os enfadonhos discursos dos Castro na Plaza de la Revolución – abaixadas.

      Os segundos, vão dar entrevista e estão afastados do restante do grupo, conferindo que todos passem e sigam o caminho indicado. Estes riem da cara dos idiotas, agitam suas bandeirinhas freneticamente, e acenam para a platéia de zumbis amestrados.

      É triste ver essa cena…”

  1. Tem outro detalhe, pelo que entendi na reportagem da Veja de 1999, o hospital oferecia R$2.000,00 ao médico, como os brasileiros não quiseram, os cubanos aceitaram. O salario que os cubanos receberam foi o mesmo que outros médicos receberiam, o governo cubano não entrou como “cafetão”, sugando a maior parte do salario dos caras como esta acontecendo agora. Tudo bem que eles estavam exercendo medicina no território nacional sem passar por uma avaliação profissonal como esta acontecendo agora, mas pelo menos eles recebiam seu salario integral. Pelo menos é isso que a reportagem deu a entender.

  2. Dá até pena de ver…

    http://veja.abril.com.br/noticia/saude/cubanos-nao-podem-deixar-alojamento-diz-estrangeiro

    “Apenas dois dias depois de desembarcarem no Brasil para o Programa Mais Médicos, os médicos estrangeiros tiveram evidências de que os profissionais cubanos não vão desfrutar da mesma liberdade que os demais inscritos no projeto do governo federal. No que foi classificado como o momento mais tenso desde o desembarque dos cubanos em Brasília, a vice-ministra da Saúde de Cuba, Márcia Cobas, deu ordens expressas para que os médicos não deixem os locais onde estão hospedados para fazer qualquer tipo de atividade de lazer.

    O médicos estão hospedados em áreas militares de Brasília, com acesso restrito. Os homens estão no Alojamento da Guarda Presidencial, e as mulheres, no Batalhão da Cavalaria Montada. No domingo, alguns estrangeiros se aventuraram a passear pelos principais pontos turísticos de Brasília, como a Esplanada dos Ministérios e o Teatro Nacional. Os profissionais arcaram com despesas de táxi e lanche para conhecer a cidade. Convidados, os cubanos não puderam ir ao passeio. Oficialmente, o Ministério da Saúde diz que não há restrições de deslocamento para nenhum profissional.”

    Veio como escravo, vai ficar preso em alojamento igual escravo. Que diferença para os médicos de outros países.

  3. “Inexplicavelmente, agora, sob o governo petista, a posição da revista mudou completamente. Por quê?”

    Seria por que na época os cubanos ganhariam “no mínimo R$ 2.000,00”, o salário integral pago pelo hospital – que “não era desprezível”, sem o governo da ilha da fantasia (pra uns, pesadelo pra outros) sugar mais da metade desse valor?

  4. Todo jornalista é um ávido defensor da liberdade de expressão, desde que seje a sua própria.
    Isso explica a fúria da Veja, Globo, etc.
    Simples luta pela sobrevivência.

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