Rodrigo Constantino em excelente controle de frame: Ele concorda com Dilma a respeito dos médicos cubanos “sofrerem preconceito”

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Fonte: Rodrigo Constantino

A presidente Dilma afirmou que os médicos cubanos são vítimas de preconceito. Pasmem! Eu concordo com a presidenta! Eles são vítimas de preconceito. Do próprio governo, claro, que os trata como gado, que negocia diretamente com o senhor feudal, proprietário deles que retém a “mais-valia”. Esses médicos-escravos são tratados pelo nosso governo como sub-humanos, como mercadoria. Isso é preconceito!

Médico cubano também é gente, e deveria ter o mesmo tratamento dos demais. Ou seja, deveriam ser livres para escolher vir ou não, em trocas voluntárias, e receber o mesmo salário dos outros. Quem está tratando esses médicos cubanos de forma diferenciada, presidente Dilma? Os argentinos, espanhóis e portugueses são melhores, por acaso? São seres humanos diferentes? De quem é o preconceito, presidente?

Carlos Alberto Sardenberg, em sua coluna de hoje, explica a imoralidade do ato de importar esses médicos dessa forma. Foi direto ao ponto: “O problema não é que sejam médicos, muito menos cubanos. O problema é o método de contratação, que convalida grave violação de direitos humanos”. Ele acrescenta:

Assim: o país importador oferece a oportunidade e dá as condições de trabalho, os estrangeiros, pessoalmente, se candidatam, fazem os testes e assinam o contrato. Esse documento, obviamente, pode ser rescindido. Imagine que o médico chega numa cidade remota e verifica que não tem a menor condição de atender. Ou não recebe o salário acertado. Ele pode retirar-se e rescindir o contrato. Inversamente, se começa a fazer besteira, o governo, o contratante, pode afastá-lo.

E se o médico, afinal, achar que entrou numa fria, e que sua família não se adaptou – ele pode pegar um ônibus, ir até o aeroporto mais próximo e embarcar, com seu passaporte e o de seus familiares, de volta para casa. Ou para Miami.

Essa é a situação dos médicos argentinos ou portugueses. Não é, obviamente, o caso dos cubanos. Estes não têm o contrato de trabalho com o governo brasileiro ou outra entidade local, não recebem salário brasileiro, não têm o direito de desistir, não têm passaporte, não têm, pois, a liberdade de deixar o Brasil e ir para qualquer lugar que desejarem.

Os cubanos são prisioneiros, trazidos como tais, escravos de uma ditadura cruel. Suas famílias ficam retidas em Cuba, como reféns do regime. Isso é violação de direitos humanos. Isso tratar gente como gado. Presidente Dilma, de quem é o preconceito?

Sardenberg faz a pergunta incômoda: “Finalmente, e se algum cubano entrar, por exemplo, na embaixada dos EUA e conseguir refúgio, o que fará o governo brasileiro?”

Pois é. O precedente é terrível: nosso governo petista mandou os pugilistas de volta para o presídio! Há preconceito contra os médicos cubanos sim, eu concordo com a presidente Dilma. Mas pergunto: de quem é o preconceito?

Meus comentários

A qualquer bloco de discurso lançado por um esquerdista, seja em forma verbal ou escrita, temos uma ação de controle de frame, no caso para proferir mentiras. Como o esquerdismo se funda em uma mentira (a de que é preciso criar uma classe ultra-poderosa para enfim evitar disparidades de poder entre animais humanos), obviamente precisa de uma série de mentiras para esconder a inverossimilhança da ideia original.

Me incomoda notar que muitas vezes a direita se esquece de controlar o frame, e, mesmo tendo argumentos melhores, cede a vitória automática ao oponente.

Não é o caso deste brilhante texto de Rodrigo Constantino, em um exemplo impecável de controle de frame, usado para desmascarar a mentira petralha que tenta esconder a imoralidade extrema da importação de escravos cubanos.

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8 COMMENTS

    • Crowley,

      Seguem dois textos:

      http://lucianoayan.com/2013/04/13/glossario-controle-de-frame/

      http://lucianoayan.com/2013/04/18/glossario-frame/

      Eles dão um esclarecimento do que é o frame.

      O frame é tanto o enquadramento que damos aos eventos e informações do mundo, como também as estruturas mentais que interpretam esses dados do mundo de forma inconsciente.

      Por exemplo, quando alguém diz que defende “Alívio fiscal”, escolheu um frame positivo, pois inconscientemente o ser humano reagem bem a expressão “alívio”. Quando alguém diz “sou da razão”, também escolheu um frame positivo, já que subconscientemente o ser humano entende que aquele que é “da razão” aumenta sua chance de sobrevivência.

      Controlar o frame significa, de forma estratégica, escolher os frames que mais lhe dão benefício em qualquer ação que você queira fazer, inclusive no debate.

      Abraços,

      LH

  1. Duas notícias
    “O senador está a dizer que os cubanos “vêm tendo conhecimento sobre o sistema de saúde no Brasil, doenças que existem aqui e não existem lá…” O Estadão publica um texto informando que os cubanos vêm tendo aulas há seis meses.

    Seis meses ou um ano e meio? Em qualquer dos casos, fica evidente que havia um programa secreto em gestação. Chegou-se a pensar por aqui que o governo tomou medidas meio atabalhoadas, pressionado pelas manifestações.”

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/durante-18-meses-governo-brasileiro-deu-treinamento-a-cubanos-e-nao-moveu-uma-palha-levar-medicos-as-pareas-carentes-do-pais/

    “O “Mais Médicos” de Dilma Rousseff começa a se mostrar a cruza malsucedida da vaca com o jumento. O híbrido nem dá leite nem puxa carroça. Mal começou, e o resultado vai saindo pelo avesso. A Folha publica reportagem na edição de hoje demonstrando que, em muitos municípios, em vez de aumento de médicos, está havendo substituição. Os que já estão contratados estão sendo demitidos para receber os profissionais ligados ao programa federal. Leiam trechos:”

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/prefeituras-estao-demitindo-medicos-para-contratar-os-do-mais-medicos/

    • Para completar essa notícia de médicos brasileiros que estavam em rincões distantes sendo substituídos por cubanos, segue esta notícia. A cidade em questão é governada por um prefeito do PTB, que por ora faz parte da base aliada. Logo, daria para chamar o programa de Mais Médicos… brasileiros sendo preteridos e demonizados por uma blogosfera e porcentagem de redes sociais de matiz marxista-humanista-neoateísta que chama de “coxinha” e “playboy” aqueles que protestam contra a falta de infraestrutura no interior que impede os médicos de irem para lá.
      Aliás, aqui fica a parte interessante, pois muitas cidades não possuem hospital e mesmo assim ganham status de município. Pelo que já vi, em outros países, para que um agrupamento de pessoas possa conquistar status de cidade, precisa ter uma série de dispositivos mínimos obrigatórios, como delegacia de polícia, corpo de bombeiros e hospital, senão continuará em status menor (como de distrito, aldeia ou outra coisa).

  2. Constantino tem muito a contribuir com o pensamento de direita no país, ele já parece estar manjando dos “paranauês” da guerra política, principalmente se compararmos com aquele “debate” pífio com o Ciro Gomes… Agora só falta acabar com as picuínhas entre ele e o Olavo.

    • Olavo não vai parar, Constantino que vai ter que assumir seu tamanho, assumir que o Olavo é seu mestre secreto, que ele corre pra ler todos os artigos do Olavo e todos os livros que o Olavo recomenda. Constantino escreve bem e está se tornando um cara que vale a pena acompanhar (tanto que até muitos olavetes andam lendo ele), tem que largar desse orgulho besta de querer parecer uma grande mente que chegou ali sozinho.

  3. E vamos abastecer a polêmica com Laura Greenhalgh, cujo sobrenome denuncia de quem é irmã, tenta defender os cubanos e acusar os médicos brasileiros de um suposto racismo falando sobre a história do médico baiano Justiniano Clímaco da Silva, que se radicou no norte paranaense e acabou sendo conhecido pelo apelido Doutor Preto, tendo trabalhado até morrer aos 93 anos e deixado um legado de dois hospitais abertos e a criação da Sociedade Médica de Maringá. É verdade que esse personagem histórico era negro e clinicou em uma região à época sem maiores recursos ou mesmo luz elétrica, mas Laura se esquece que foi em um tempo no qual a medicina em si tinha menos recursos (ele se formou em 1933). Foi vítima de preconceito? Sim, caso esse que está relatado lá.
    Porém, se formos analisar a fundo, é um tiro no pé daqueles na história de defender os médicos cubanos, pois o médico em questão foi de vontade própria para o norte paranaense e de lá podia sair se quisesse, mas resolveu ficar lá (o que inclusive prova que não havia tanto preconceito assim a ponto de o obrigar a sair de onde ficou). E o tiro no pé mirou onde viu e atingiu o que não viu, pois acabou falando de alguém negro que resolveu ser senhor de seu destino e, tal qual qualquer outro, estudou muito para entrar na faculdade de medicina e se esforçou bastante para terminar o curso. Pode ter sido o único negro de sua turma? Sim. Teve de enfrentar as dificuldades que a pobreza oferece? Teve, mas comandou sua vida e descobriu um caminho para chegar até lá, caminho esse que poderia ser trilhado também por alguém de outra cor e pobre. Logo, nada de cotas e tudo de merecimento. Teve de praticar medicina em uma época mais precária? Sim, mas tudo na época era precário e não me parece que a medicina praticada na Segunda Guerra fosse melhor (aliás, creio que eram condições ainda piores, por óbvios motivos). Será mesmo que o Doutor Preto, que viveu tantas fases da medicina, da mais intuitiva à mais instrumentalizada, preferia no fim de sua vida ficar confiando tanto em recursos simples? Isso, é claro, sem esquecermos que Londrina, Maringá, Apucarana e entorno podem ter sido muito pobres no começo do século XX, mas acabaram com o tempo se tornando cidades das mais ricas deste país, e com certeza com muitos recursos (parte disso graças a essa figura extraordinária). Acabei também achando este trabalho sobre esse senhor importante para a história do norte paranaense (obviamente que há um certo cunho marxista-humanista-neoateísta no estudo, mas é uma fonte de informação a respeito dele).

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