No que eu acredito

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Após o post No programa “Mulheres”, da TV Gazeta, finalmente perdeu-se o pudor injustificado de criticar o neo-ateísmo, algumas pessoas me questionaram, especialmente no Facebook: “Luciano, como você pode ser ateu e atacar uma associação de ateus? No que você acredita?”. Acabei sendo cobrado por uma resposta a esses questionamentos, e sobre meu posicionamento a respeito de teísmo, ateísmo, neo-ateísmo e outros. Eis o momento para essas respostas.

Vamos primeiramente às minhas definições de trabalho.

Teísmo é a crença em Deus, e, na maior parte das vezes, essa crença está alinhada com alguma das escrituras das religiões abraâmicas (cristianismo, judaísmo, islamismo, etc). Deísmo é a crença em Deus de forma independente de escrituras, mas a partir unicamente de modelos lógicos. Geralmente, deístas falam de um Deus não interferente.

Ateísmo é a ausência de crença em Deus, de qualquer forma. Agnosticismo não é uma opção “coluna do meio”, mas sim uma postura em relação ao conhecimento das questões últimas. Para o agnóstico, não é possível ter este conhecimento, e as apostas entre crer em Deus ou não crer em Deus requerem ao menos uma aposta que não é 100% sustentada racionalmente.

Diante destes conceitos, me avalio como um ateu agnóstico, ou seja, alguém que não acredita em Deus, mas entende que essa questão não pode ser definida unicamente por critérios racionais ou por avaliação empírica. Sempre será necessário o uso de um aspecto da subjetividade humana para decidir entre crer ou não crer em Deus.

A parte agnóstica de meu paradigma diz, no entanto, que se a crença em Deus não pode ser unicamente definida por critérios racionais ou empíricos, então a definição de pessoas como racionais ou não racionais não deve ser definida pela crença ou não em Deus. É onde entra o humanismo na história…

Além do ateísmo tradicional, temos uma variação de ateísmo que é essencialmente humanista, defendendo não só a ausência de crença em Deus, como também a visão de que o mundo é melhor com a substituição da crença em Deus pela crença no homem. Crença no homem é definida como a crença em que o ser humano pode, por sua ação política, eliminar suas contingências. (Atenção: existem alguns humanistas religiosos, que, obviamente, vivem em duplipensar, e não são o foco de minha análise aqui)

Pois bem. Entre 2009 e 2011, eu adotei uma postura deísta, mas influenciada pela teologia católica, e, mesmo não sendo um católico praticante, eu cheguei a me definir como católico. Hoje em dia vi que eu estava errado e deveria ter me definido, naquela época, como um deísta e só. Mesmo assim, minha crença em um Deus não-pessoal, naquela época, era baseada na seguinte heurística: a teoria da evolução não pode explicar as características únicas da espécie humana, mas a descrição das escrituras (mesmo que eu não as encarasse literalmente) pareciam coerentes com uma visão de que o homem tem um criador. Assim, racionalmente poderíamos tender para a crença em um criador.

Essa heurística caiu por terra em 2011, quando eu fiz experimentos em dinâmica social. Época, aliás, na qual eu interrompi os trabalhos neste blog por cerca de 7 meses, exatamente por estar em um conflito paradigmático. Já em outubro de 2011, eu estava plenamente convencido de que a dinâmica social é o melhor paradigma para explicarmos a sociedade e a interação humana, e que o darwinismo é o sustentáculo poderoso para essas análises. Podemos rastrear, para a avaliação do animal humano, todas as percepções vistas em outras espécies animais, mesmo com a racionalidade diferenciada de nossa espécie. Assim que minha crença em que o ser humano era um animal apartado dos outros animais sucumbiu, minha crença em Deus, mesmo que fosse um Deus não-pessoal, desabou.  Falei um pouco disso nos textos De volta dos mortos, de dezembro de 2011, e Quando o retorno (em 2011) ao ateísmo dos meus velhos tempos fez uma legião de neo-ateus molharem as calças em agonia e desespero, de 17 de janeiro de 2013.

A heurística dos humanistas simplesmente não sobrevive sob o darwinismo. Se entendermos o animal humano em termos darwinistas, e observarmos que ele tem propensão à crença, se ele abandonar a crença em Deus, na maioria dos casos ele tende a nutrir uma crença no homem, que é muito mais perigosa que qualquer crença em Deus. Sobre isso, escrevi o texto Sem religião tradicional e sem religião política: como me tornei um ponto fora da curva. (Até Richard Dawkins comenta em “Deus, um Delírio” sobre a crença na autoridade típica do ser humano, que é útil quando ele precisa se proteger na infância e precisa dos pais, e se refletiria em crença em Deus, na ONU ou no Estado, posteriormente)

Vamos, enfim, ao resultado destas constatações em meu modelo de questionamento.

Se eu não acredito na religião tradicional, também não acredito na religião política. E se a crença ou descrença em Deus não pode ser definida em termos puramente racionais, definir alguém como “racional” ou “irracional” somente por não crer ou crer em Deus deixa de ser uma discussão racional para se tornar marketing pessoal. Humanistas fazem isso o tempo todo, vendendo-se, feito prostitutas ideológicas, para uma plateia de debate querendo se impor como “donos da razão” e “representantes da ciência”.

Porém, em termos de dinâmica social, esses dois rótulos não tem significado filosófico algum, e não representam absolutamente nada em termos do debate sob os assuntos principais. O uso destas rotulagens serve apenas para “marcar espaço” na mente da patuleia. O religioso que ainda não tenha percebido estes truques será sempre uma vítima ingênua de engenharia social, e não sabe que está participando de um jogo, no qual o humanista sabe as regras, e ele ainda nem tem a noção de estar jogando. Como ateu, mas distante tanto da religião política (humanismo/esquerdismo) como da religião tradicional (cristianismo, islamismo, etc.), resolvi intervir para equilibrar o jogo, e não me furto a dar dicas poderosas para os religiosos tradicionais.

Quando o humanista diz que tem a salvação para o mundo, e que esta salvação reside na eliminação da religião, sabemos que ele está mentindo. Na verdade, ele está executando um jogo político no qual tenta definir seu oponente como bode expiatório, e ele como um “salvador” do mundo. Para quem conhece a dinâmica do jogo político, esse é mais um truque humanista que não dá para tolerar.

No fim, vemos que os neo-ateus raivosos, leitores de Dawkins, nada mais são que humanistas exacerbados, isto é, pessoas que querem a substituição de uma fé por outra. Eu, por outro lado, não quero esta troca, e, se for para perder a fé religiosa, conforme aconteceu comigo, não vai ser para aceitar a fé de uma religião política, que é muito mais nociva em termos sociais do que qualquer religião tradicional.

Eu defendo o estado laico, mas sou completamente oponente a um estado humanista. Pessoas que acreditam no estado ou na ONU acreditam em núcleos de poder com potencial para dizimar populações inteiras. Obviamente, é uma crença perigosíssima e que deve ser combatida.

Vamos aos fatos: se eliminarmos a religião tradicional do cenário, não criaremos um “ser humano racional”, mas sim veremos animais humanos parcialmente racionais aceitando outras crenças irracionais. O melhor que podemos fazer é criar um mundo onde, de forma secular, pessoas de diversas religiões possam conviver, o que é muito diferente do que adorar uma religião humanista que defende fanatismos injustificados.

Claro que devemos questionar a religião tradicional, mas todo o programa neo-ateu, baseado em obras de autores como Richard Dawkins e Sam Harris, não passa de uma farsa para vender uma nova religião (de culto a organizações globalistas, à ONU e ao estado), de caráter puramente político e de tendências absolutamente totalitárias.

Eu sou ateu, e não tenho programas de “salvação”. O autor que mais me influenciou em meu ateísmo é Arthur Schopenhauer. É claro que não vou comprar discursos de ódio de gente como Michel Onfray, Richard Dawkins e Sam Harris, que não podem sequer engraxar os sapatos de Schopenhauer.

É por isso que dou a seguinte orientação aos amigos teístas que leem este blog: se virem algum discurso humanista (ou neo-ateu, o que dá no mesmo) pela frente, refutem e encontrem todas as fraudes que eles propagarem, e é só isso que vão encontrar no ato discursório deles. Humanistas, quando olham para religiosos tradicionais, estão visualizando seus cadáveres. É claro que eles são tão perigosos, em termos de vida em uma sociedade civil, como eram os antissemitas em relação aos judeus no alvorecer da Alemanha Nazista.

Quem não acha moralmente lícito ver o que ocorreu com os judeus sob o nazismo, naturalmente não quer que o mesmo seja feito em relação aos teístas sob o humanismo exacerbado que tem sido vendido em nossa era. Mesmo que não creiam em Deus, humanistas criaram a mais irracional e perigosa de todas as religiões. É uma doutrina que serve como um moedor de carne humana, e que seu sustentação e inspiração a todos os regimes genocidas do século XX, sejam eles de inspiração nazista, fascista ou marxista.

Enfim, no que eu acredito? Acredito que, mesmo sem ter crença em Deus, que a crença no homem (conforme definida pela religião política) é muito pior e muito menos justificada. Acredito que discursos feitos para genocídio cultural não são a melhor maneira de convivermos em uma sociedade civil, e os humanistas só sabem fazer este tipo de discurso. Acredito que devemos definir as pessoas como racionais ou não-racionais pelos argumentos que usam, e não pela ausência ou presença de crença em Deus. Quem tenta se definir, a priori, como “o racional da história”, apenas por não ter crença em Deus, está executando um patético marketing pessoal, que deve ser desmascarado em público. Acredito que se nos sujeitarmos a projetos de “salvação”, que incluam a eliminação de opositores como premissa básica para funcionar, estamos cometendo um verdadeiro crime moral e intelectual. Este tipo de crime moral e intelectual é o crime que dá essência à toda ação discursiva humanista/esquerdista.

No que poderia surpreender alguns, consigo discutir questões críticas com vários religiosos. Por exemplo, eu defendo aborto e eutanásia. Vários religiosos discutem esses assuntos comigo sem o menor problema ou propagação de campanha de ódio contra mim. Por outro lado, não há como discutir com os religiosos políticos qualquer paradigma que eles tenham adotado. Se eles acham que salvarão o mundo com o fim das religiões tradicional, e se apresentarmos evidências em contrário, te transformarão em um inimigo. Fica claro que neo-ateus e esquerdistas são inimigos da sociedade civil e são incapazes de aceitar o contraditório.

Diante de tudo isso, eu também cometeria um crime moral se não desmascarasse humanistas e esquerdistas. Seria um crime moral pelo tanto que eu conheço de humanismo e esquerdismo não através de apenas seus discursos, mas também pela ótica da dinâmica social, avaliando a congruência entre comportamento e discurso. Para ateus que querem viver em um mundo secular, precisamos de mais seculares, e de menos humanistas, pois estes últimos só têm servido para queimar a imagem dos ateus e não-religiosos.

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38 COMMENTS

  1. Interessante alguém chegar a conclusões assim.

    Falando de eutanásia e aborto, let’s go!

    Sem querer puxar pro lado religioso: você não acha que um aborto em caso de estupro (O único que eu penso que deve ser discutível, atém mais por que esse tem mais sensacionalismo do que os outros e… o resto se auto refuta, por que queira ou não, o bebê não é continuação do corpo da mulher, logo, ela não pode decidir pela vida dele. Seria o mesmo que matar um recém nascido com um taco de beisebol.), a mulher sofre mais do que o normal?

    1º ela tem de superar o trauma psíquico do estupro
    2º ela tem de superar o trauma psíquico do aborto
    3º outros (ex: não poder mais gerar)

    A melhor saída – caso a mulher não quisesse ou não pudesse criar -, seria o governo criar casas pra essas crianças ficarem até serem adotadas. E também teria de facilitar o processo de adoção. Vai por mim, tem muitos pais que querem adotar no Brasil hoje.

    Quanto a eutanásia, eu também era a favor disso. Mas depois que eu vi um caso de um cara que saiu do coma depois de 20 anos, e comecei a pensar quantos não poderiam sair também e voltar para a vida… Mudei de opinião. Esse caso não é isolado. Citei esse por que foi aqui na minha cidade.

    • Rubens, no caso do aborto, se a mulher tiver consequencias, essa ainda é uma escolha dela. No caso da eutanásia, é a mesma coisa. Bastaria que o cidadão assinasse um termo dizendo que quer correr os riscos.

      Abs,

      LH

      • Luciano, mas você acha mesmo que alguém que está sob pressão (praticamente todas as mulheres que estão prestes a fazer isso; pressão do namorado malandro, da mãe que pensa no futuro, ou do próprio psiquê) pode decidir sobre a vida dela e sobre a vida de outro ser?

      • Rubens,

        Concordo que essa é uma possibilidade, mas em várias de nossas escolhas PODEMOS estar sob pressão para executá-las. Ainda assim, devemos ter o direito de correr os riscos de nossas escolhas, se elas não envolverem coerção física.

        Abs,

        LH

      • A questão é que não é só a vida da mulher. Não é só o corpo dela, o futuro ou o trauma… Tem uma vida a ser gerada em jogo. Essa é a questão.

        Como falei em outro comentário acima, a solução não seria o aborto. Mas sim políticas de acolhimento e adoção dessas crianças. Tanto pai estéril que quer adotar e pessoas querendo abortar!

        Existem muitas mulheres que se arrependem amargamente por um dia ter abortado.

      • Rubens,

        Sei desse arrependimento que muitas podem carregar por toda a vida, mas elas devem ter LIBERDADE de correr esse risco. Os melhores argumentos pró-aborto são focados na criança, mas aqueles focados na mãe vão contra a liberdade individual de correr riscos.

        Abs,

        LH

    • Vou falar aqui o meu posicionamento sobre o aborto e sobre a eutanásia. Sobre o caso do aborto, o que é preciso é atacar a causa do problema do aborto, se você for aqui no Brasil e for fazer uma comparação com a Europa, aqui no Brasil é o menina ou a mulher que usa a camisinha e se previne já na Europa é o menino ou o homem que normalmente usa a camisinha e se previne, o que eu estou querendo dizer aqui é que no Brasil, na hora de os meninos ou os homens transarem, são machistas nesse aspecto de não usarem o preservativo ou a camisinha, veja que em países onde o aborto é legalizado tem muito menos casos de aborto do que um país onde o aborto é proibido, não sou contra a descriminalização do aborto, mas sou contra a pessoa abortar, porém é uma decisão dela e ela deve refletir.

      Eu seria a favor de que o aborto seja somente até o feto estiver com dois meses. E o sus só pode cobrir se for em caso de estupro ou risco para a gestante. Nos demais casos em que não tem estupro e nem gravidez de risco para a gestante o sus não deveria cobrir e a pessoa terá que pagar a clínica particular que tem o alvará do estado e ao médico especializado para realizar o aborto.

      • No caso da eutanásia, eu sou contra por que enquanto tiver vida deve-se ter esperança, enquanto tiver esperança para a pessoa viver, ela deve estar viva. Nunca é bom desistir.

        Como nesse caso contado pelo Rubens.

        “depois que eu vi um caso de um cara que saiu do coma depois de 20 anos, e comecei a pensar quantos não poderiam sair também e voltar para a vida”

  2. Você acredita em Darwinismo, dizendo que o mesmo é um “sustentáculo poderoso” para as análises da dinâmica social e que podemos rastrear, para avaliação do animal humano, todas as percepções vistas em outras espécies animais. Não vou entrar no mérito pormenorizado dos enormes problemas que esta asserção suscita, apenas digo que os animais não tem racionalidade, portanto, eles não podem servir de qualquer base para a análise do “animal humano”, a não ser sob um escopo extremamente restrito de parâmetros, os quais não tem como, de forma alguma, servir de base para a decisão de ser teísta, deísta ou ateu. O fato é que, sendo ateu e, mais que isso, usando darwinismo como base, você adentra ao perigoso mundo de Darwin, que nem o próprio Darwin gostava, pois ele bem sabia da profunda incoerência e inconsistência de sua “ciência”, uma vez que, percebendo que nós somos nada mais que “macacos que pensam”, como confiar que nosso pensamento seja melhor e mais confiável que aquilo que se passa nas singelas cabeças de nossos irmãos gorilas? Certamente você irá dizer de nossos resultados: Ora, veja nossos edifícios, nossos aviões, toda nossa tecnologia, certamente que pensamos melhor que gorilas! Sim, é verdade, mas é verdade no que tange à solução dos problemas de nossa sobrevivência, seria também verdade no que diz respeito a uma melhor compreensão de nós mesmos, do Universo e dos animais mesmos? A resposta só pode ser não. Não temos qualquer garantia, dentro do darwinismo, de que nossa maior capacidade de criar tecnologias e nos comunicarmos nos transforme em seres que transcendam os primatas, teríamos que conviver com o fato de que, a despeito de toda nossa tecnologia, tudo o mais que pensamos pode não ser nada mais que tolice simia. Se existe alguma verdade a respeito de nós mesmos e do Universo, ela só pode ser adquirida fora do darwinismo, na filosofia mais superior, a qual deve ser também o guia correto para a decisão de ser ateu ou teísta. Não há como ser ateu sem ser humanista, porque , para o ateu, não há outro parâmetro, se você tira Deus do cenário, resta a natureza, Darwin, o homem, e, muito embora você insista que não acredita no humanismo, você indiretamente, ou mesmo diretamente, o corrobora, pelo simples fato de que você não pode eleger qualquer outro referencial que não seja o próprio ser humano para estabelecer suas ideias ( você já definiu o seu principal referencial como sendo o darwinismo, é bom lembrar) . Eu gosto do que você escreve e acompanho o blog, mas sua posição pessoal é, definitivamente, de humanista, muito embora um humanista um tanto decepcionado com o ser humano ( semelhança com Darwin não é coincidência). Seguindo esta tendência, você tem poucas opções, desembocar no niilismo ou no hedonismo. Seu humanismo, embora tácito, é um entrave para que você se apresente como alguém que tenha devidamente resolvido suas incoerências internas antes de pontificar sobre o mundo que o cerca. Repense.

    • Na verdade, os demais animais possuem racionalidade, mas não tão complexa quanto no ser humano.

      Em relação a nosso pensamento ser “melhor e mais confiável”, eu não tenho essa confiança, exatamente por isso precisamos do ceticismo em relação as alegações dos outros.

      Em relação a esta frase: “teríamos que conviver com o fato de que, a despeito de toda nossa tecnologia, tudo o mais que pensamos pode não ser nada mais que tolice simia”. Mas eu convivo com essa ideia sem problemas.

      Não há como ser ateu sem ser humanista, porque , para o ateu, não há outro parâmetro, se você tira Deus do cenário, resta a natureza, Darwin, o homem, e, muito embora você insista que não acredita no humanismo, você indiretamente, ou mesmo diretamente, o corrobora, pelo simples fato de que você não pode eleger qualquer outro referencial que não seja o próprio ser humano para estabelecer suas ideias ( você já definiu o seu principal referencial como sendo o darwinismo, é bom lembrar) . Eu gosto do que você escreve e acompanho o blog, mas sua posição pessoal é, definitivamente, de humanista, muito embora um humanista um tanto decepcionado com o ser humano ( semelhança com Darwin não é coincidência). Seguindo esta tendência, você tem poucas opções, desembocar no niilismo ou no hedonismo. Seu humanismo, embora tácito, é um entrave para que você se apresente como alguém que tenha devidamente resolvido suas incoerências internas antes de pontificar sobre o mundo que o cerca. Repense.

      Não existe esse problema, pois mesmo acreditando que o animal humano tem uma racionalidade complexa (assim como os peixes possuem mecanismos para viver na água mais complexos que os nossos), isso não implica em achar que o animal humano vai resolver suas contingências, e, por sua ação política, superar o fato de que nada mais é que uma espécie animal buscando sobreviver.

      Esta noção é a antítese do humanismo, então não posso ser humanista. A fé básica do humanismo é negada por mim.

      • No sentido de que a base de sua moralidade emerge de meras concepções humanas sobre o que é mais adequado se fazer em prol da sobrevivência, você é um humanista, Luciano, não tem escapatória. O ateísmo desemboca, como bem observou o Otavio, necessariamente na crença de que a racionalidade humana possa equacionar as questões morais. Moralidade darwinista, mera e simples, é sobrevivência do mais apto. O mais apto pode ser desde um Sottomaior até um Stalin. Bem e mal, certo e errado passam a ser noções relativas às interações mundanas de indivíduos. E indivíduos podem ser a favor do aborto, do infanticídio, do genocídio e por aí vai. Se alguma moralidade reside de fato na natureza (e só chamo de moralidade em termos restritos, como um observador externo que valora) ela não é em nada palatável pela maioria das sociedades humanas. Ela só é aceita, invariavelmente, pelo “mais forte”. O “mais fraco” sempre tentará obter uma mudança de status quo – aliás, essa é a base verdadeira do marxismo, a admiração por parte de Marx em relação a Darwin é explícita. Creio que você está rejeitando o humanismo cometendo o mesmo equívoco que você consegue perceber em outros – ser ateu não é a mesma coisa que ser ateísta militante, que ser neo ateu; ser humanista não é a mesma coisa que ser partidário do humanismo secular como religião política (usando seus próprios conceitos). Admitir que o homem só pode ter como certeza as suas ações mundanas para tentar um convivência mais harmoniosa ente indivíduos não é a mesma coisa que substituir Deus pelo homem, substituir Deus pela razão. Quem faz a última escolha nada mais é do que um crente, um “teísta” disfarçado, tentando impor um absoluto moral que nada mais é do que um conjunto de ideias humanas. Entre tratar uma ideia como absoluta para fins práticos e tê-la como de fato absoluta vai um abismo enorme.

      • Há alguns equívocos em sua definição. A moral humanista é baseada em projetos humanos, e não em tradições humanas e adaptação, em termos evolutivos, à essas tradições. Há um equívoco quando você trata de humanismo como algo com “moralidade emergindo de meras concepções humanas”, quando na verdade é isso, mas com ênfase em um projeto.
        Outro equívoco é na confusão entre darwinismo e darwinismo social. Ademais, não há “moralidade darwinista”, e sim MODELO DE ESTUDO sobre a moral humana. Por exemplo, pela teoria de Darwin podemos entender componentes da moral humana, como empatia e agressividade, cada um a seu tempo, como benéficos ou não em termos evolutivos.
        Note que o darwinismo não diz O QUE DEVEMOS FAZER, mas sim o que funciona ou não em termos evolutivos.
        Exemplo: pelo darwinismo podemos estudar o benefício evolutivo do bico do tentilhão. Mas, ainda assim, o darwinismo não diz qual o formato adequado para o bico do tentilhão.
        Enfim, darwinismo é o entendimento de COMO SOMOS, nada mais que isso.
        Ah, uma coisa… a idéia de “substituir Deus pela razão” é só um truque de marketing, que é EXPLICADO PELA TEORIA DA EVOLUÇÃO.
        De novo: quando você diz que é “da razão”, a audiência te percebe como alguém que AUMENTA A CHANCE DE SOBREVIVÊNCIA deles. Entendeu que não dá para fugir do jogo darwinista?
        O próprio discurso pode ser analisado pela ótica da teoria de Darwin.
        Assim como o próprio humanismo…

      • Respondendo aos leitores Otávio e Deus Darwin: sim, o ateísmo PODE SER não-humanista. A postura que é quase-que-obrigatoriamente humanista é o MATERIALISMO, o qual é uma coisa diferente, embora circunstancialmente relacionada (ou relacionável). Sim, existem ateus não-materialistas, são aves muito raras, eu mesmo fui um deles 😉 A rigor, o materialismo não implica humanismo, PORÉM, como exemplifica o próprio Luciano, evitar os pontos de contato com o humanismo fica muito difícil para um materialista, quando existe tanta pressão do ambiente social na direção da “equação” «verdade científica = negação do imaterial E do divino».
        Portanto, o verdadeiro problema do Luciano, enquanto combatente dos “MHNs”, é não somente o materialismo, como também e principalmente o credo darwinista. Não, a evolução das espécies NÃO É “fato científico” e nem sequer “teoria” científica, a não ser através de malabarismos intelectuais e muita panelagem acadêmica que data do século retrasado 😉 Sendo assim, a tal da Chicologia Evolutiva, por tabela, também é um barco furado 😀
        Aqui vai uma antológica admissão de desonestidade intelectual, assinada pelo biologista esquerdopata Richard Lewontin, em sua avaliação de um livreco de Carl Sagan:
        «Our willingness to accept scientific claims that are against common sense is the key to an understanding of the real struggle between science and the supernatural. We take the side of science in spite of the patent absurdity of some of its constructs, in spite of its failure to fulfill many of its extravagant promises of health and life, in spite of the tolerance of the scientific community for unsubstantiated just-so stories, because we have a prior commitment, a commitment to materialism.
        It is not that the methods and institutions of science somehow compel us to accept a material explanation of the phenomenal world, but, on the contrary, that we are forced by our a priori adherence to material causes to create an apparatus of investigation and a set of concepts that produce material explanations, no matter how counter-intuitive, no matter how mystifying to the uninitiated. Moreover, that materialism is an absolute, for we cannot allow a Divine Foot in the door.»

  3. Que interessante Luciano!
    Espero que não se importe de eu comentar (visto que é sua história, é pessoal).

    “Teísmo é a crença em Deus, e, na maior parte das vezes, essa crença está alinhada com alguma das escrituras das religiões abraâmicas (cristianismo, judaísmo, islamismo, etc). Deísmo é a crença em Deus de forma independente de escrituras, mas a partir unicamente de modelos lógicos. Geralmente, deístas falam de um Deus não interferente.

    Ateísmo é a ausência de crença em Deus, de qualquer forma. Agnosticismo não é uma opção “coluna do meio”, mas sim uma postura em relação ao conhecimento das questões últimas. Para o agnóstico, não é possível ter este conhecimento, e as apostas entre crer em Deus ou não crer em Deus requerem ao menos uma aposta que não é 100% sustentada racionalmente.

    Diante destes conceitos, me avalio como um ateu agnóstico(…)”

    Eu me enquadro nas três categorias (Teísta, Deísta e Agnóstico). E observo que enquanto o conhecimento da pessoa acerca das escrituras caminhar concomitante ao conhecimento ‘mundano’ do homem (ciência, filosofia e história), ele eventualmente se enquadrará nos três, segundo à sua definição:

    Teísta – porque a crença está alinhada com as escrituras abraâmicas.

    Deísta – porque Deus é independente desta mesmas escrituras, posto que elas foram dirigidas a nós. A natureza divina excede mesmo o que foi registrado ali. Sua existência transcende o conhecimento.
    Atualmente Deus não interfere, a fé do cristão se baseia em uma intervenção futura.
    Em um debate não tão recente, demonstrei a uma feminista (assim como Craig fez a Dawkins) que inexistência de propósito, inviabilizaria qualquer processo criativo, evolutivo ou eventual (ou tudo estaria sempre aqui – implicando que nunca houve um começo – o que quebra a teoria do big bang, entre outras teorias que implicam eventos sequênciais / ou houve um começo, implicando assim propósito). Logo Deus é um modelo lógico que se chega a partir de uma implicação de propósito.

    Mesmo em modelos lógicos, sabendo-se que Deus excede todo conhecimento — “não é possível ter este conhecimento” — logo não é uma aposta sustentada 100% racionalmente. Daí a necessidade de fé ao cristão.

    Ao debater logicamente minha postura sempre será agnóstica (sabendo que nessa ou outras questões é impossível 100% de confiabilidade, até mesmo na razão). Ao questionar os sofismos e erísticas dos neo-ateus minha postura é deísta (mantenho o modelo lógico, ao passo que uso o conhecimento bíblico — o qual neo ateus não possuem — mesclado ao conhecimento humano — o qual eles fraudam) . Ao lidar com religiosos, minha postura é Teísta (maior parte das vezes o peso maior é no conhecimento bíblico).

    —-

    Podemos rastrear, para a avaliação do animal humano, todas as percepções vistas em outras espécies animais, mesmo com a racionalidade diferenciada de nossa espécie. Assim que minha crença em que o ser humano era um animal apartado dos outros animais sucumbiu, minha crença em Deus, mesmo que fosse um Deus não-pessoal(…)

    Embora nossa racionalidade seja diferenciada, não é ela que determina nossa diferença com relação aos outros animais (até porque como você mesmo disse, animais raciocinam de maneira menos complexo, e isso é auto-evidente quando observamos novos comportamentos que os animais aderem, quando em contato com o ser humano). O que de fato determina nossa diferença com relação aos outros animais é A NOSSA CONSCIÊNCIA.

    O ser humano é o único ser que (apesar de exibir toda gama de comportamentos dos outros animais) tem consciência DE SI MESMO. As simples palavras de gênesis — “e o homem se tornou UM SER….” — indica que ele tomou consciência de si mesmo. Então não, ele não é apartado do resto dos animais, (segundo o criacionismo) ele foi criado dos mesmos elementos, compartilha de biologia semelhante, vivendo no mesmo habitat e obviamente com comportamentos muito semelhantes, pra não dizer iguais…mas a consciência de si mesmo foi o determinante para que este ‘dominasse’ sobre as outras espécies.

    Eu fui ensinado desde a infância a entender essa diferença por esse prisma, e talvez por isso foi que não segui o mesmo caminho que você concernente a este assunto em específico.

    O conhecimento de um ser que adquire consciência de si mesmo, é a ferramenta que inicia todos os complexos processos que explicaria até mesmo a evolução segundo a teoria do design inteligente. A ausência ou destruição da consciência de si mesmo (que é individualista) é fator determinante para a aplicação de regimes como o comunismo. Outra coisa que seres humanos são capazes é IR ALÉM DE SI, e dos outros, em processos complexos conhecidos como “ABSTRAÇÕES”, processos que inclusive dão origem a modelos lógicos, também complexos.

    Quanto à pessoalidade de Deus, enquanto formos a única espécie conhecida capaz de usar a racionalidade complexa, consciência de si mesmo e abstrair….fico a hipótese de pessoalidade.
    Talvez fique com ela mesmo que algo mude nesse sentido também…:)

    Não defendo o aborto em qualquer hipótese, mas a decisão não é minha, nem a consciência.
    Não defendo a eutanásia, mas sei que se a decisão fosse minha e eu não tivesse ninguém, sinceramente não sei o que faria.

    Eu considero tais coisa anormais, mas completamente naturais. (tudo que ocorre dentro deste universos natural, é natural), porém é anormal porque foge à regra, foge à norma. E não raro sempre surgem daí efeitos desastrosos, penosos a si e a outros, geralmente afeta à consciência de si, e do que é certo por ser normal.
    O que me enoja, é o sequestro e a propaganda ideológica que a esquerda faz destas coisas, com o único propósito de disseminar sua odiosa e odiadora ideologia.

    Mas luciano…enquanto à vida, há esperança. Quem sabe um dia novos conhecimentos te levem a novos (ou velhos, mas diferenciados) paradigmas.

    • Seu post respeitoso, esclarecedor e com argumentos mostrando a opinião contrária em alguns pontos é um exemplo do tipo de diálogo que tenho com teístas. Este tipo de interação é impossível com humanistas, especialmente os mais retintos.

      Abraços,

      LH

  4. Luciano, o senhor conhece o trabalho do Sr. Sidney Silveira? Do blog Contraimpugnantes?
    Ele é a pessoa mais refinada no trato da teologia tomista que eu conheço, uma pessoa realmente
    muito correta intelectualmente. Creio que os senhores poderiam ter conversas muito promissoras.
    Ele está no facebook também! Abraço.

  5. Caro Luciano,

    Creio que nem seria necessário vc divulgar suas crenças nesse campo da metafísica. O trabalho de saneamento psico-emocional (e moral) nos debates intelectuais que vc tem promovido (contra esse PRESÍDIO DO PENSAMENTO trazido pelo humanismo esquerdista) já o libera dessa “confissão de culpa”.
    |¬)
    E culpa não deixa de ser um princípio humano (uma “natureza”, pegando carona no Darwin) fundamental e ESTRUTURANTE para a perpetuação de uma coletividade humana no tempo (parece auto-contraditório isso, mas li alguns trechos do Reneé Girard sobre a Teoria do Bode Expiatório que estão me entusiasmando bastante); e essa condição de culpabilidade humana vem sendo trabalhada pelos teístas a tanto tempo com resultados práticos e eficientes (aceitando a culpa e dimensionando-a no mundo), porém sistematicamente CORROMPIDA pelos MESSIANISMOS MODERNOS (a tal religião política, que tende a fugir dela- dessa culpa- internamente para exarcebá-la externamente… É claro que isso não vai prestar como realmente não prestou).

    Mas muito interessante suas colocações.

    Umas dúvidas (de novo, já tô abusando rê-rê):

    1)onde entra a palavra CETICISMO nessa história toda, na sua história e como se deve usá-la criteriosamente naqueles assuntos considerados por mim mais “cabeludos”?

    2)Há espaço para o misticismo dentro dos paradoxos darwinistas?

    3)Na sua fase católica vc chegou a se interessar pelo fenômeno dos ‘corpos incorruptos’ da Igreja e da história dos santos?

    A questão do aborto pra mim é bem tranquila. Sou contra qualquer tipo (mas tendo a TOLERAR- o que é bem diferente de IMPEDIR ou PROIBIR- a escolha alheia [por mais equivocada que ela possa estar], já que sou um INTRANSIGENTE defensor da liberdade de expressão e de ação individuais… Coletivos só aceito aqueles com motorista, cobrador e ar-condicionado), inclusive:

    -Em caso de ESTUPRO, já que a teoria em que essa condição se baseia é puramente rosseauniana e que NADA PROVA que alguém gerado numa circunstância terrível dessas irá virar um delinquente ou terá problemas psico-emocionais (é a mesma historinha marxista com o feto pobre e miserável);

    -No caso de risco de morte da gestante, já que- até onde sei- NÃO HÁ PROVAS de que a maioria dos fetos nessa situação SÃO O DIAGNÓSTICO PRINCIPAL que OBSTRUI a vida da mãe; e que caso haja o falecimento cerebral dessa gestante, o feto tenderá a sobreviver no útero por tempo suficiente para que se possa fazer uma intervenção cirúrgica simples que o salve tb da morte iminente;

    -Nos casos de má formação fetal, que me lembra muito os IDEAIS NAZISTAS (fora que com os avanços da Medicina, principalmente no campo neurológico, uma criança, jovem ou adulto pode sobreviver e ter uma vida relativamente consciente e pró-ativa com apenas meio cérebro e meio crânio… Ou até nenhum! Eu acredito que para haver vida cerebral bastaria uma ligação neuronal… Daí pra frente reina o mistério).

    -E – essa os liberais pró-aborto adoram!- o útero não seria o princípio fundante da PROPRIEDADE PRIVADA?? Se esse direito for abolido por uma livre escolha (por um direito DERIVADO, PARCIAL, CONTINGENTE e INDIVIDUAL), não tem-se aí um PARADOXO que necessariamente terá que ser resolvido racionalmente e moralmente??

    -Fora que eu acho a questão do nascimento (de qualquer criatura, assim como a morte) a questão CENTRAL do sentido da vida e de todo esse papo por aqui . Se a interrupção forçada desse processo natural e espontâneo de alguém- que não tem começo e nem fim já que de um organismo morto a vida de alguém não pode surgir- coaduna com questões meramente SUBJETIVAS, E PASSÍVEIS DE MANIPULAÇÃO, onde ficará retida a razão e o bom senso moral humano (e das proporções) senão nesse relativismo revolucionário sufocante?

    Bom, acho que é isso…

    Abs pra ti.

    • Olá Anderson,

      Eis as respotas:

      1)onde entra a palavra CETICISMO nessa história toda, na sua história e como se deve usá-la criteriosamente naqueles assuntos considerados por mim mais “cabeludos”?

      Basicamente, o empreendimento meu é basicamente cético, mas utilizado em um contexto muito mais amplo do que os céticos em relação ao sobrenatural e ao paranormal. Eu aplico o mesmo tipo de ceticismo desafiador, agora para questionar as crenças políticas.

      http://lucianoayan.com/2013/05/05/glossario-ceticismo-politico/

      2)Há espaço para o misticismo dentro dos paradoxos darwinistas?

      O darwinismo não implica em um materialismo exacerbado. Há até alguns paradigmas não-tradicionais, como a conexão não-local de Rupert Sheldrake, que é essencialmente darwinista. O darwinismo não deriva em negação de divindades ou de qualquer forma de misticismo.

      3)Na sua fase católica vc chegou a se interessar pelo fenômeno dos ‘corpos incorruptos’ da Igreja e da história dos santos?

      Para ser honesto, não. Conheço mto pouco sobre o assunto.

      Abs,

      LH

      • Grato pela sinceridade e pelas dicas, Luciano.

        Abs

        …Ih! Mudastes o visual do blog. Esse já é o quarto espaço que frequento que faz isso e eu ainda não consegui me acostumar. Nesse ponto sou até bastante conservador. |¬)

    • Anderson Silva, permita-me comentar esse também:
      “o útero não seria o princípio fundante da PROPRIEDADE PRIVADA?? Se esse direito for abolido por uma livre escolha (por um direito DERIVADO, PARCIAL, CONTINGENTE e INDIVIDUAL), não tem-se aí um PARADOXO que necessariamente terá que ser resolvido racionalmente e moralmente?”

      Eu vejo que sim. Mas no útero fecundado (acho que foi isso que você quis escrever).
      A vida que se gerou ali, pertence àquele ser, lá formado. E entende-se vida aqui como a ordem, o direcionamento, a função de multiplicação de células que determina que essa mesma multiplicação é um novo organismo……aquela vida é diferente, mesmo dentro do útero de outra pessoa. Acontece que toda a enganação semântica de pró-abortistas se foca em determinar civilmente e por força do estado, que aquela vida NÃO É UMA PESSOA, e relacionam a questão da vida à uma mera de impulso elétrico cerebral. O fato é que esta função, ordem , direcionamento e multiplicação de células só se daria de outra forma no corpo humano — se fosse câncer.
      A desonestidade intelectual e semântica dos pró-aborto, resume a qualificar a concepção da vida humana, em um aglomerado de células cancerígeno a ser extirpado por força estatal — sendo ele (o estado) aquele que define o que é a vida e quando ela começa — separa-a do seu sujeito quando não o reconhece como indivíduo / pessoa. Lógica semelhante se aplica no caso da eutanásia, sendo o diferencial — o fato do sujeito já ter experimentado a vida, criado elos…tem todo um contexto familiar, social e moral que eles preferem evitar.

      http://www.dw.de/idosos-fogem-da-holanda-com-medo-da-eutan%C3%A1sia/a-1050812

      Esses paradoxo ‘montados’ contrariam toda a lógica, história, ciência, moral e experiência humana, aponta-lo já não é suficiente, a coisa toda é estruturada para fazer aquilo que eu comentei com o Luciano lá em cima: Destruir a individualidade dos que já nasceram, e não permitir que se nasçam novos indivíduos.

      Quando se investiga a MOTIVAÇÃO de tais pessoas, seu histórico e sua ideologia em seus moldes mais primitivos, esses paradoxos serão a menor das preocupações.

      —-

      Quanto à questão do misticismo, mesmo não sendo católico recomendo o seguinte link:

      http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=62E87DDA-3048-313C-2ECE0358A8642168&mes=Setembro2009&pag=1

      de um total de 4 partes, e alerto….de viés crítico ao darwinismo radical. Mas a princípio serve de aguçamento para a busca de nova informações, ou confirmação das antigas.
      Todo o conhecimento humano, infelizmente já foi sequestrado vez por outra; ou é diretamente oriundo do ocultismo, que em sua forma mais branda é lido como misticismo.

      Cabe às pessoas que apreendem esse conhecimento a separação ‘do que é bom, daquilo que é mau’.

      • Obrigado tb por responder, Pecador. Valeu pelos links. É um assunto pra mim fundamental para alavancar qualquer debate sobre um ‘Um Mundo Melhor’ na sociedade humana.

        “Mas no útero fecundado (acho que foi isso que você quis escrever).”

        Certamente.

        Porém acho que a questão fica: onde começa essa propriedade privada dentro de outro ser? Só a partir da sua ocupação física? As leis que e regem a p. privada aqui fora servem para essa condição intra-uterina? É realmente cabível isso? Eu tendo a achar que sim.

        “Quando se investiga a MOTIVAÇÃO de tais pessoas, seu histórico e sua ideologia em seus moldes mais primitivos, esses paradoxos serão a menor das preocupações.”

        Pois é…

        Sabe-se que o controle populacional total é um dos objetivos fundamentais pra essa tal NOM. E esse controle passa inevitavelmente pelo da natalidade.

        Administração “enxuta” facilita a dinâmica social dessa gente louca, megalomaníaca (outra característica das esquerdas).

        Essa questão da “Explosão Populacional do Planeta” somados aos do “Aquecimento Global” e do dogma da “SUSTENTABILIDADE” (tô segurando aqui um exemplar da revista Época, ed.”VERDE”, de junho 2011, com o singelo título: ‘Agora somos 7 bilhões… Nosso planeta aguenta?’) são o carro-chefe do MAIOR ENGODO da nossa História moderna desde Rosseau.

        Sabendo disso, fica fácil deduzir qual é o papel do aborto e da eutanásia para para fins de “melhoria social” e “paz mundial”.

        Essa cultura de morte e desprezo pela vida humana (que deriva desse ódio de si mesmo introjetado de forma inversa pela mentalidade revolucionária) precisa urgentemente ser DENUNCIADO, independente de crenças ou objetivos pessoais.

        E, concordemos ou não, quem hoje se tornou o maior OBSTÁCULO aos planos dessa NOM (de viés socialista) senão a religião cristã juntamente com a Igreja Católica? Por que boa parte das religiões protestantes já caíram nesse engodo de “controle de natalidade” pra constituir uma família cristã “mais saudável”.

        Aqui no Ocidente estamos em meio a um PARADOXO: as mulheres- devido a uma tremenda exposição de erotismo, vulgaridade e sexo- estão cada vez mais tendo suas primeiras menstruações cada vez mais cedo; em contrapartida, boa parte delas já estão convencidas a não formar mais famílias NUMEROSAS fincadas em regras de um casamento tradicional e religioso, o que tb as MOTIVA a postergarem a maternidade para depois dos 30, 35 anos. O elo filial está sendo rompido. Aquilo que era a causa & efeito de uma junção carnal, isto é, filhos, passou a ser relativizado em prol de desejos manipuláveis, imediatistas, individualistas e vulgarizantes ao extremo.

        O número de mães solteiras muito jovens e- no extremo oposto- de tantas outras que estreiam na maternidade depois dos 40 é o sintoma DOENTIO desses tempos onde salvar um filhote de foca e comer hambúrger de alface o torna um sujeito digno, descolado, politizado e bem resolvido com o mundo… O que me fez lembrar: eu fujo como o diabo da cruz de pessoas que chegam até a mim e dizem que algum ciclano é “bem resolvido”(quando não o próprio é que faz isso). Tenho verdadeiro pânico desse ‘mantra’ da atualidade.
        |¬)

        abs

      • Anderson.

        “Porém acho que a questão fica: onde começa essa propriedade privada dentro de outro ser? Só a partir da sua ocupação física? As leis que e regem a p. privada aqui fora servem para essa condição intra-uterina? É realmente cabível isso? Eu tendo a achar que sim.”

        Eu tendo a achar que não. Não nesses termos.
        Esse termo ‘propriedade privada’ seria assim usado somente para um efeito de entendimento rápido das outras pessoas, acerca de que a vida do Feto é de sua propriedade, considero um afirmação de bate e pronto que dá um choque, mas ainda é superficial. Uma vez que o feto tem a posse de sua vida, a vida é dele e é bem alienável.O termo correto é ele possui vida, e vida é um direito, inclusive defendido por aqueles que se julgam defensores dos direitos humanos. A grande incoerência é defender os direito a vida de bandido, e não de um feto. “O dentro e fora de outro ser” é redundante posto que atualmente uma criança só pode se desenvolver em meio intra-uterino (e sinceramente espero que isso não mude, embora há afirmações de que isso já está, contra toda ética, sendo experimentado).

        “quem hoje se tornou o maior OBSTÁCULO aos planos dessa NOM (de viés socialista) senão a religião cristã juntamente com a Igreja Católica? Por que boa parte das religiões protestantes já caíram nesse engodo de “controle de natalidade” pra constituir uma família cristã “mais saudável”.

        Aqui eu discordo em apenas de duas afirmações…

        A primeira diz respeito ao viés socialista da NOM.
        Os globalistas da NOM ao meu ver se julgam acima do esquerdismo e direitismo, consequentemente acima do socialismo e capitalismo. A ideologia ali, pra mim é outra, mais ‘pura’ em sua forma primitiva, como dei a entender um pouco atrás. Primeiro que dinheiro não existe, não como o concebemos, logo o capitalismo atual é um engodo de qualquer forma. Segundo que quem quer o poder máximo, e já usufrui as benesses do mundo capitalista, sabe que o socialismo culmina na morte das pessoas, e pessoas mortas não rendem. De um lado temos o capitalismo como o controle do consumo, controle da produção, propaganda, desejo, cobiça, engano e uma falsa sensação de liberdade……por outro temos o socialismo como a privação total da liberdade humana, morte do individualismo e o encerramento da vida. Entenda que nessa história não existe um mocinho. É como um terceiro, que estimula a briga de outros dois, pronto a eliminar o ganhador da briga.

        Em todo aspecto de vivência humana, a decisão que trará um mal menor, é a mais acertada.

        Meu segundo ponto discordante é a afirmação da igreja católica como instituição ser o grande obstáculo. Percebo que boa parte das religiões (católica e protestante) já caíram no engodo.
        Em termos bíblicos é profético que a religião como instituição não se salvará. O grande obstáculo contas os planos da NOM são AS PESSOAS QUE MANTÉM OS PRINCÍPIOS CRISTÃOS independente da instituição religiosa. Todas as medidas globalistas estão sendo tomadas para obliterar o direito INDIVIDUAL das pessoas, pois as instituições religiosas, já estão bem controladas, em termos de infiltração, influência e consequentemente em termos de poder político.

        “Aqui no Ocidente estamos em meio a um PARADOXO: as mulheres- devido a uma tremenda exposição de erotismo, vulgaridade e sexo- estão cada vez mais tendo suas primeiras menstruações cada vez mais cedo; “

        Embora, devo admitir, eu tenha tendência a pensar que isso pode ocorrer…Só aconselho a ter cuidado com algumas afirmações de difícil comprovação. Uns 30 anos atrás isso já acontecia, mocinhas de 10 anos menstruando e a exposição não era tanta. A exposição como você a descreveu, claro existe, mas a relação que fez carece comprovação, aqui o esquerdista joga um “prove” e aí você vai ter que se virar.

        “O que me fez lembrar: eu fujo como o diabo da cruz de pessoas que chegam até a mim e dizem que algum ciclano é “bem resolvido”(quando não o próprio é que faz isso). Tenho verdadeiro pânico desse ‘mantra’ da atualidade.”

        Eu considero isso apenas lobby, e do bem mentiroso. Propaganda da revolução ou anarquia sexual de Kinsey…outro dia um esquerdista veio com esse papo de liberalidade sexual aqui, e tomou um bonde, que nem tocou mais no assunto. O distanciamento das pessoas, umas das outras é cada vez maior. Isso me fez lembrar de uma garota que conheci, que falava besteira pra caramba….atirada e tal…e no fim era virgem, não duvido que o mesmo ocorra com muitos homens.

        Você tem é que ficar esperto mesmo com pessoas MUITO discretas…haha.

  6. Luciano diz:

    “Mesmo assim, minha crença em um Deus não-pessoal, naquela época, era baseada na seguinte heurística: a teoria da evolução não pode explicar as características únicas da espécie humana, mas a descrição das escrituras (mesmo que eu não as encarasse literalmente) pareciam coerentes com uma visão de que o homem tem um criador. Assim, racionalmente poderíamos tender para a crença em um criador.”

    Lucius diz:

    Luciano, vc disse q as características únicas presentes na espécie humana te levaram a crença num deus não-pessoal.
    Mas será q um Deus pessoal não seria mais adequado para explicar o Criador da espécie humana?
    Um deus não-pessoal não seria o mesmo que uma força cega q move o universo, assim como crêem os panteístas?
    Aliás, deus não-pessoal é crença panteísta, concorda?

    Obrigado pelo texto. Abcs!

  7. Bom vê vc, Luciano, na defesa! Certamente, como bom estrategista, sabe que esta não é a posição mais confortável. Tenho apenas uma pergunta de ordem filosófica. Parece que o fato de constar que humanos não são nada além de animais o fez repensar e abandonar o teísmo com base nas provas católicas da existência de Deus. Ou seja, a Evolução, parece que vc percebeu isso nos experimentos, mostra que o homem é apenas mais uma animal. Mas digamos que seja. Resta a questão do argumento cosmológico. Não é lógico que tudo tenha vindo do nada e sem sentido. Não é possível uma sucessão infinita de eventos desde o infinito passado, senão o tempo ate´ o hoje seria infindo. Não teríamos o hoje. A outra questão é estratégica. Ou a vida é um valor máximo e somente pode ser sacrificado em razão de outra vida.Ou a vida humana não é o valor máximo.Assim a liberdade da mulher pode ser superior a vida do feto. O que não faz sentido. Assim como o bem estar do paciente valer mais que sua própria vida. A alternativa para isso é relativizar essas situações e considerar que fetos e pessoas inconscientes não são seres humanos vivos. Mas aí vem a questão do poder. Quem decide isto? A história ensina que é o Estado e, assim, vai ampliando o seu poder de vida e morte sobre todos. Grande abraço!

    • Alexandre,

      Eu vou por outro caminho. O feto mesmo sendo considerado um ser humano vivo, pode ser considerado como azarado de estar na barriga de uma mãe que não o quer. Neste caso, o argumento pró-aborto não depende de desconsiderar o feto como um ser humano vivo.

      Abs,

      LH

      • Sim Luciano, podemos considerar um feto humano vivo como azarado, e permitir que a mãe se desfaça dele……assim como também podemos considerar que ela é uma azarada por fazer isso, e responder por esse ato por força da lei e da moral ‘normal’ aplicada.

      • Luciano,

        “O feto mesmo sendo considerado um ser humano vivo, pode ser considerado como azarado de estar na barriga de uma mãe que não o quer.”

        Mas aí é jogar pro acaso e transformar uma vida humana numa loteria com uma ética que vela pelos mais fortes e capazes. Será que até o instinto de auto-preservação e descendência darwinianos estamos perdendo pras outras espécies?

        Mas onde entra o risco? Essa mãe poderia alegar desconhecimento desse risco? Eu sei que parece brincadeira dizer isso nos dias de hoje; mas sabendo então, como daí a mãe teria legitimidade de não querer assumir esse risco? E caso fosse “de menor”, ainda assim a família dessa gestante não responderia por esse risco não assumido? Existe um ato e NINGUÉM assume a responsabilidade por isso?? Não. Quem assume, claro (e já está fazendo isso com maestria) é o Estado.

        Tenho isso muito claro na minha cabeça com relação a quem se entrega à irresponsável volúpia sexual : o filho é uma “falha”, um “defeito na engrenagem do ato” , um “imprevisto” que precisa ser “consertado” o mais rápido possível.

        Quem pensa NO ABORTO e o defende como ideologia ou política pra sei lá o que, geralmente sabe conter esses desejos carnais e sabe se precaver da aparição repentina de um feto inconveniente. Geralmente vivem de forma até bastante conservadora (conheço algumas criaturas assim), mas ao mesmo tempo FOMENTAM comportamentos nos outros que irão INEVITAVELMENTE acabar nos milhões de assassinatos reais de bêbes e na destruição- psico-emocional- de uma penca de famílias (conheço tb algumas dessas incluindo a minha mesmo). Não vejo como nem porque a consciência de alguém pode ficar mais em paz e melhor abortando do que DOANDO sua “SOBRA” (ou tumor) pra alguém mais necessitado e interessado. Os futuros azarados agradeceriam se pudessem se expressar lá dentro com a linguagem que os sortudos aprenderam aqui fora.

  8. Olá Ayan, esse meu post pode parecer uma tentativa de converte-lo, mas não o leve assim rsrs 🙂
    É claro que você deixou o teísmo por várias questões, mas você destacou uma, que o ser humano é como qualquer animal, e eu queria discorrer sobre este assunto. Bom, em um post seu você disse o siguinte:

    “…eu acreditei em uma época no teísmo, e no catolicismo, por um detalhe bastante claro: eu entendia que o ser humano era um animal a parte dos outros animais…”

    Acho que a teologia cristã erra nesse ponto, em achar que tudo gira em torno do homem, e que pode manipular a deus para que ele faça a sua vontade, isso é bem a cara da teologia moderna. Deixando de bla bla bla, eu queria destacar a filosofia hassídica, a filosofia do judaísmo baseada na biblía é óbvio.
    O hassídismo ensina que o homem tem duas almas criada por Deus: Nefesh Ha’elokit (Alma divina) e Nefesh Ha’behamit (Alma animal), o homem é da mesma “árvore” dos animais, um animal como outro qualquer, feito de matéria biológica iguais, isso não é mera opinião pessoal, é biblico, o homem e os animais foram criados do pó da terra (Gên 2:19) por isso compartilham o mesmo comportamento, o mesmo instinto, eles são terrenos, porém o homem em particular tem uma pequena essência divina, o sopro de Deus (Gên 2:7), o que fez o homem ser um animal mais complexo.

    Como disse Davi o Rei: Slm 144:3 “Ó Senhor, que é o homem, para que tomes conhecimento dele, e o filho do homem, para que o consideres? ”
    Ou como o amigo de Jó  25:6 “quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um vermezinho!” ou mesmo Isaías 41:14 “Não temas, ó תולעת (Vermizinho) de Jacó, nem vós, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu redentor é o Santo de Israel.”
    Slm 62:9 Certamente que os filhos de Adão são vaidade, e os filhos dos homens são desilusão; postos na balança, subiriam; todos juntos são mais leves do que um sopro.

    Abraço Ayan.

  9. Ateísmo é a negação e/ou a descrença em Deus.

    Luciano, tem certeza que deseja usar essa definição de ateísmo como sendo (só) ‘ausência de crença’? O quebrando o encanto do neo-ateísmo já desfez essa falácia, veja: https://projetoquebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2012/09/26/analise-cetica-o-ateismo-e-somente-a-ausencia-de-crenca/

    PS: vc não irá encontrar em nenhum dicionário acadêmico ou filosófico tal definição de ateísmo como sendo ‘ausência de crença’. Se quer continuar usando, divirta-se, só que esse significado lato senso não passa num senso crítico.

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