Criando jaulas intelectuais para humanistas e esquerdistas: como o ceticismo político pode se tornar uma diversão

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Este “jogo”, que é legítimo, tornou-se para mim uma prática em debates com humanistas e esquerdistas.

Tudo começa com uma constatação básica: fraudadores não gostam de ter seus truques desmascarados, e, em seguida, tentam demonstrar que aquele que os desmascarou está errado. Algo como você encontrar evidências de que alguém vendeu segredos para a concorrência, e o acusado tentar demonstrar que esta acusação é um absurdo. Quase sempre ele irá querer provar que você está errado ao acusá-lo de fraude.

Em cima deste estímulo, o esquerdista tentará provar que você está errado ao acusá-lo de fraudes intelectuais. O jogo se conclui quando você força o esquerdista ao repetir ad aeternum a fraude que ele tenta negar.

Vejamos um exemplo recente. Denunciei uma fraude típica do discurso de petistas, onde eles interrompem a discussão lógica de qualquer tema e dizem algo como “Não importa se isso é certo ou errado, o que importa é que o PT vai ganhar a eleição com isso!”. Logo, estou denunciando o ato de abandono do debate lógico para a propaganda de seu partido, junto com a noção de que “certo e errado são métricas para algo que me beneficia ou não”.

O que o petralha deveria fazer? Simplesmente tentar provar que estou errado e ser um exemplo desta amostra. Ele deveria desistir da propaganda pro partidão e focar apenas nos argumentos. Com isso, ele seria ao menos um exemplo de petralha que se comporta de maneira diferente da qual estou denunciando. E aí que a jaula é criada: emocionalmente abalado, o petralha acaba não percebendo que ele responde com a repetição da fraude que estou denunciando. Isto é, ao invés de me refutar ele confirma minha acusação. A partir daí, basta continuar provocando-o para que ele continue repetindo o truque.

Pelas vias da provocação, eu faço o oponente se comportar da maneira que eu prevejo. O conhecimento de como funcionam os estímulos que regem o comportamento do petralha obviamente é utilíssimo para enfim, prevermos como o oponente reagirá sob situação de tensão. Em suma, tudo funciona quando você conhece o padrão do comportamento dele e o força a executar esse padrão, enquanto ele não percebe que está agindo de uma maneira automatizada.

Outro exemplo recente está na reação de um neo-ateu ao texto A única discussão aceitável sobre crença ou descrença em Deus na ótica da dinâmica social. O texto explica que as pessoas não devem ser definidas como mais ou menos racionais por causa da crença em Deus, mas sim pelos argumentos que usam para defender a crença em Deus ou a descrença em Deus. Note que a alegação do texto, mesmo óbvia e não refutada, muitas vezes é esquecida por aqueles que transformaram debates de teísmo X ateísmo em pura propaganda histérica. Eu também denunciei que, diante do questionamento, os neo-ateus, que alegam serem “os racionais do palco” irão apresentar um sem número de argumentos irracionais.

Não deu outra: na caixa de comentários daquele post surgiu um neo-ateu, Geraldo Soares, que provavelmente achou que estava debatendo apologética e não dinâmica social (sendo que esta última era o foco do texto, e não apologética). Ao invés de tentar provar que eu estava errado ao denunciar neo-ateus como praticantes de fraudes intelectuais para fugir da discussão (sobre a racionalidade de se tomar uma decisão de crer ou não em Deus, ao invés da discussão sobre a existência ou não de Deus), ele começou a empilhar de forma inacreditável as rotinas básicas do neo-ateísmo, envolvendo comparações com Papai do Céu, Duendes Verdes de Angola, Unicórnios Invisíveis de Cor Rosa e todas as artimanhas típicas do discurso dos leitores de Dawkins. Não passam de rotinas para bloquear o debate.

E, sem ele perceber, quanto mais eu dava a mínima para as palhaçadas, mais eu o forçava a repeti-las. O objetivo era simples: fazê-lo repetir as fraudes (que eu estava denunciando), executando um comportamento mapeado por mim. Mas ao praticar as fraudes, mesmo que ele provavelmente tenha uma descarga emocional momentânea agradável, ainda assim ele está agindo a meu favor, confirmando minhas denúncias.

É a isto que chamo de prender um oponente em uma jaula intelectual. Ele passará a ficar restrito a uma série de comportamentos instintivos, que não são uteis para ele (enquanto ele se opõe a mim), mas, como não consegue se livrar desses reflexos condicionados, terá que se conformar com o fato de que ele não tem força suficiente para tentar neutralizar a denúncia de seu oponente em relação a seu comportamento. E ele tem que continuar servindo como exemplo da validade de minha denúncia.

Provavelmente isso ocorre por que a descarga emocional positiva que ele sente está associada ao sistema límbico profundo, área do cérebro humano ligada às emoções, assim como às manifestações do subconsciente. Ele está preso em uma jaula intelectual da qual dificilmente conseguirá fugir.

Alguém poderia objetar dizendo que isto é uma diversão sádica. Não vejo desta forma, pois pessoas que cometem fraudes precisam ser expostas. Se você visse um fraudador no mundo corporativo repetindo em público a fraude de que está sendo acusado de praticar, você não iria demonstrar aos outros o absurdo de toda essa situação?

Enfim, este é o método para transformar a interação com humanistas e esquerdistas não em uma “troca de ideias” (até por que não há ideias a serem trocadas com eles) dentro de embates políticos, mas sim em sessões de desmascaramentos e principalmente experimentos do comportamento deles, especialmente quanto possuem suas fraudes identificadas e nem são capazes de deixar de praticar a fraude. A coisa toda vira praticamente um esporte.

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8 COMMENTS

  1. “Enfim, este é o método para transformar a interação com humanistas e esquerdistas não em uma “troca de ideias” (até por que não há ideias a serem trocadas com eles)”

    “(até por que não há ideias a serem trocadas com eles)”

    “(até por que não há ideias a serem trocadas com eles)”

    Como é mesmo esse lance de debater ideias e não pessoas? hehe Generalizar e desclassificar pessoas previamente parece mesmo um ótimo movimento argumentativo…

    • Filipe,

      Boa pergunta.

      O esquerdista não entra interessado em debater, mas em bloquear o debate. Se formos debater desinteressadamente com ele, ficamos vulneráveis. Por isso, é importante desmascarar todas as fraudes do outro lado.

      Em relação ao que quis dizer, é que não debato “ideias” dos esquerdistas, mas sim fraudes intelectuais lançadas por eles.

      Abs,

      LH

  2. Humanista não é quem preza , defende, se importa, e protege o ser humano? Não é uma pessoa altruísta e benévola? Qual sentido você, Luciano, atribui a uma pessoa humanista? desculpa a ingenuidade e ignorância, qual sua definição de humanista?

  3. Olá Luciano
    Tenho lido bastante seu blog, e realmente seu trabalho sobre mapeamentos de rotinas é impressionante e agora que resolvi comentar.
    Durante muito tempo fui simpatizante do PT embora nunca fosse um militante e eu tenha uma opinião mais conservadora em relação a questões de moral e costumes (casamento gay, aborto, eutanásia, etc), mas devido aos vários escândalos acabei me decepcionando, e ficando meio cético ao estatismo.
    Só que numa conversa com um conhecido minhas dúvidas ficaram maiores quando ele afirmou sobre as políticas econômicas e sociais do atual governo, em que através do Bolsa-Família o dinheiro começou a circular mais e alavancar a economia, disse também que se o dinheiro ficasse concentrado nas classes um pouco mais abastadas o dinheiro não circularia.
    Realmente fiquei sem o que dizer na hora e não sei até que ponto isso é verdade ou se foi uma rotina muito bem empregada, até pq meu conhecimento ainda é muito raso.
    Que tipo de leitura vc me recomendaria em relação a essas políticas econômicas?

    • Olá Thiago Bernardo

      Em relação a esta resposta dele, há um equívoco quando ele diz “em que através do Bolsa-Família o dinheiro começou a circular mais e alavancar a economia, disse também que se o dinheiro ficasse concentrado nas classes um pouco mais abastadas o dinheiro não circularia”.

      O erro é achar que a única forma de fazer o dinheiro circular é através do inchaço estatal, mas podemos ver que em países de livre-mercado o dinheiro circula muito mais.

      Eu recomendo o material de Milton Friedman para abordar essas questões, especialmente de como o livre-mercado é melhor tanto para a economia como para os pobres.

      Obrigado pelas palavras.

      Abs,

      LH

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