Hildegard Angel e a inacreditável santificação de José Dirceu

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Fonte: Hildegard Angel

Ao fim da transmissão, quinta-feira, da sessão no STF, Maria Alice Vieira, a colaboradora braço direito de José Dirceu, anunciou que todos os presentes ali reunidos no salão de festas do prédio do ex-Chefe da Casa Civil estavam convidados para retornar na próxima quarta-feira e, juntos, assistirem novamente à próxima sessão, que provavelmente deverá julgar os Embargos Infringentes, assim todos esperam.

Havia no ar uma certa sensação de alívio. Alguém atrás de mim comentou: “Mais uma semana!”. O que entendi como “mais uma semana de esperança”.

O irmão de José Dirceu, Luís, que naquela manhã teve um mal estar cardíaco e precisou ser atendido numa clínica, veio me cumprimentar e agradecer o apoio, “em nome da família”. Gesto inesperado e tocante, de quem estava claramente emocionado.

José Dirceu é o que a literatura define como “homem de fibra”. Impressionante como se manteve e se mantém de pé, ao longo de todos esses anos, mesmo atacado por todos os lados, metralhado por todas as forças, todos os poderosos grupos de mídia, os políticos seus detratores, todas as forças da elite do país, formadores de opinião de todos os segmentos e matizes, de forma maciça e ininterrupta, massacrante.

De modo como jamais se viu uma pessoa nesta Nação ser ofendida, ele vem sendo acossado, desmoralizado, num processo de demolição continuada, sem deixarem pedra sobre pedra, esmiuçando-se cada milímetro de sua intimidade, devassando, perseguindo, escarafunchado e, sem qualquer evidência descoberta, juízes o condenam proferindo frases do tipo “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso.

Com tal carga a lhe pesar sobre os ombros, ele não os curva. Às vezes mais abatido, outras aparentemente decepcionado, contudo sempre em combate, preparando-se para o momento seguinte. Não se queixa, não acusa, não lamenta, nem cobra a ausência de apoio daqueles que, certamente, deveriam o estar respaldando. É discreto. Não declina nomes. Nunca deixa transparecer quem está próximo dele, quem não. Um eterno militante de 68, que jamais despiu a boina.

“Família”, antes da reunião daquela tarde, em seu prédio, com os companheiros que o apoiam nessa via crucis penal, para juntos assistirem à transmissão da TV Justiça, ele almoçou em casa com suas três ex-mulheres, filhas, irmãos, uma confraternização familiar necessária para quem poderia, dali a algumas horas, escutar o pior dos resultados.

E lá estávamos nós, aguardando sua chegada, falando baixo, sem grande excitação no ambiente, enquanto um técnico ajeitava, no laptop, o projetor das imagens da TV que seriam exibidas na parede.

A diretora de cinema Tata Amaral fez uma preleção sobre seu filme “O grande vilão”, um documentário sobre esse período da vida de Dirceu, “o homem mais perseguido da história da República”, e distribuiu termos de autorização de uso de imagem para que os presentes, que assim o desejassem, assinassem. Pelo que percebi, todos assinaram.

Dirceu cumprimentou um por um, agradecendo a presença de todos. Parecia calmo ao chegar. E calmo permaneceu até o final. Quando se despediu de mim, José Dirceu disse, elogiando: “O ministro Barroso estava certo, quando defendeu a suspensão da sessão até a próxima semana”.

Ele se referia à argumentação do ministro Luis Roberto Barroso, que, para garantir aos advogados plena defesa dos réus, usou a  frase “seria gentil e proveitoso dar aos advogados a oportunidade de apresentar memoriais”. Ponderação que o presidente Joaquim Barbosa acolheu muito a contragosto.

Na próxima semana, estaremos lá todos com você de novo, José Dirceu. Acredito em sua inocência. Acredito em Mentirão, não em Mensalão, que para mim existe muito mais para desqualificar a luta dos heróis e mártires da ditadura militar do que para qualquer outra coisa. Mais para justificar o apoio dado pela direita reacionária de 1964 – as elites e a classe média manipulada – ao totalitarismo que massacrou nosso país, tolheu nossa liberdade e nosso pensamento, dizimou valores, destruiu famílias, acabrunhou, amedrontou, paralisou, despersonalizou e tornou apático o povo brasileiro por duas décadas.

E como alvo maior desse processo de desqualificação reacionária, que ressurge como um zumbi nostálgico assombrando o país, foi eleito José Dirceu, o qual, como bem analisa o cineasta Luiz Carlos Barreto, cometeu o grave delito de colocar no poder um sindicalista das classes populares, o Lula.

Pois foi por obra, empenho, articulação e graça de José Dirceu que Luís Inácio Lula da Silva chegou a Presidente da República. E chegou com um projeto político de sucesso, bem estruturado, com um discurso certo, que alçou Luís Inácio não só a um patamar diferenciado de Estadista em nossa História, como também a um conceito internacional jamais alcançado por um Chefe de Estado brasileiro.

Grande parte disso tudo pode ser creditada (ou, segundo interpretação de alguns, debitada) a José Dirceu.

Motivos não faltaram nem faltam para essa obsessão de tantos por destrui-lo.

Meus comentários

Uma dica importante em Neurolinguística é perceber o uso de quantificadores universais, que induzem uma leitura do grupo nominal relativa a todos os elementos do conjunto em discussão. Preste atenção para expressões como “todos”, “sempre” e “qualquer”.

Foi o que me saltou aos olhos de imediato na patética ode feita por Hildegard Angel à José Dirceu, cujo título é “José Dirceu: Nunca antes, na história deste país, um homem sofreu tal linchamento”.

Preste atenção neste parágrafo em particular: “De modo como jamais se viu uma pessoa nesta Nação ser ofendida, ele vem sendo acossado, desmoralizado, num processo de demolição continuada, sem deixarem pedra sobre pedra, esmiuçando-se cada milímetro de sua intimidade, devassando, perseguindo, escarafunchado e, sem qualquer evidência descoberta, juízes o condenam proferindo frases do tipo ‘não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite’. Nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso.”

Bom, entrando no clima, nunca antes na história deste país jamais se viu tanto exagero e perda deliberada de senso de proporções. O “linchamento” a que Hildegard Angel se refere é receber um julgamento com um milhão de recursos, podendo responder a todo o processo em liberdade, e ainda ganhar jantares de solidariedade de amigos do PT, tudo financiado com o nosso dinheiro público. Sem esquecer de que tratamos de um sujeito envolvido com terrorismo nos anos 60, e que, por isso, foi capaz de fazer seu nome e ainda receber benefício estatal. Ela quer mais moleza que isso?

Quando Hildegard Angel diz que “nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso”, nota-se que ela está claramente histérica, pois evidentemente podemos ver que nenhum criminoso condenado recebeu tanta moleza e foi tão poupado. Alguns poderiam dizer que Lula é mais poupado que José Dirceu. Isso é verdade, mas Lula ainda não está condenado, portanto, dentre os criminosos condenados, José Dirceu é o campeão das mordomias.

Aliás, a maioria das palavras lançadas por Hildegard a José Dirceu deveria ser direcionada a Joaquim Barbosa, que foi perseguido pela BESTA (Blogosfera Estatal) por ter comprado um apartamento modesto em Miami, ou por ver seu filho ganhar um emprego no programa de Luciano Huck. Considerado o algoz de José Dirceu e seus amigos petralhas, Joaquim foi difamado e demonizado por uma série de jornalistas sem o menor pingo de ética. E, lembrando, não há um processo sequer de corrupção contra Barbosa, enquanto Dirceu está condenado em um. Mesmo que eu discorde de Barbosa quanto às suas crenças esquerdistas, dá para ver que Dirceu é atacado de menos enquanto Barbosa é atacado de forma moralmente criminosa.

Seja lá como for, parece que o texto de Hildegard é uma sátira para pegar trouxas. Algo como: “vou fazer o texto para ganhar o troféu de hipocrisia de 2013, e, se alguém cair em minhas chantagens emocionais, significa que eu posso capitalizar com qualquer coisa”.

Os leitores da colunista caíram feito patinhos. Zuleika Pereira disse: “Dizem que temos preconceito contra o Ministro Joaquim, mas ele é que tem contra o PT. Tem tanto que está se tornando um tirano.” Adelina de Alorna já preferiu copiar o clichê de Fidel Castro: “Muito bom! a história o absolverá!”. Maria de Lourdes Giampaolo afirma: “Estive ao lado do Zé Dirceu todo esse tempo em que ele vem sendo massacrado a todo instante.Aguardo o resgate desse valoroso brasileiro. Adelante! Esmorecer jamais!” Rô Nascimento está empolgada: “Brilhante, texto espetacular!” Sueli Fernandes não tem medo de apelar à justiça dos amigos: “Desde o início do PT confio nos meus companheiros. Já escrevi em outro site, tirando a parte política, jurídica e outras mais, tenho sofrido com tudo isso. É uma dor da alma. A história (pena que demora) dirá quem são os bandidos dessa história. Um forte abraço e a esperança vermelha prevalecerá. E que Deus nos ajude.” Edson Júnior chega a fazer os crédulos nessa besteira toda urinarem nas calças: “A estátua da Deusa Têmis, em frente ao STF, tem seus olhos vendados hoje para o horror que é cometido no interior daquela casa, não pelo simbolismo da imparcialidade da justiça.”

Parece piada mas não é.

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13 COMMENTS

  1. É uma piada.
    Um levante direcionados aos fanáticos petistas (ou petistas fanáticos), que se sensibilizam e se embriagam de fontes loucas e transviadas, como Brasil247, Conversa Afiada e outros tantos mais.
    Sempre é uma boa leitura. No mínimo divertido,.

  2. É de dar nojo esse coitadismo em prol de um covarde que não assume nem o que fez, e armou toda a situação para que se a coisa estourasse só pegasse os subalternos. Honre tuas calças, Zé covarde!

  3. José Dirceu centralizou as decisões do Mensalão em seu gabinete na Casa Civil, e sempre trabalhou para proteger Lula, o mentor da coisa toda. José Dirceu é um vagabundo dissimulado que foi extremamente poupado pela mídia, e deveria ter pego uma pena muito maior que a de Marcos Valério.

  4. Luciano, Hildgard Angel é uma das mais influentes e importantes colunistas sociais do Brasil. Por sua coluna no Globo, onde trabalhou por mais de 30 anos, desfilaram todos os nomes do dinheiro e do poder no Brasil, incluindo os generais de alto coturno durante o regime militar. É casada com o empresario Francis Bogossin, dono da Geomecâmica e engenheiro. O casal mora num duplex na avenida Atlântica, além de possuir também uma belíssima casa, construída em estilo arte noveau, na Usina, bairro histórico do Rio. A quem Hildegard se refere, quando fala de ” todos os poderosos grupos de mídia, os políticos seus detratores, todas as forças da elite do país, formadores de opinião de todos os segmentos e matizes”? Mas tudo isto não é ela mesma?

  5. o homem do PT-pol. implantador de diversos informantes e capatazes, os idiotas-úteis do partido dentro de jornais, delegacias, estatais, empresas e muitos outros locais.
    um verdadeiro agente de Cuba, que tem como premissa básica de vida, a implantação da revolução na AM. do sul.
    no mínimo, merece a forca por no mínimo traição.

  6. Esse blog é de humor? Que isso, Dona Hildegard Angel? Que favores vc deve ao comandante em chefe (porque o Lula não pode aparecer) do mensalão?

  7. Olá Hildegard Angel, tudo bem?
    Eu gostaria de dizer que estou me vendendo também, e se o Zé Dirceu quiser me comprar para falar bem dele, eu aceito. Manda lá o recado para ele.
    Abraços.

  8. Sabendo-se que essa tal Hildegard Angel pertence a “zelite” carioca e os comentários ali colocados elogiando o bisonho artigo foram escritos por gente da classe alta carioca, isso prova que a burguesia no Brasil é praticamente eleitor da esquerda ou simpatizante da mesma.

    Minha vovozinha, que Deus a tenha, costumava dizer que se os ricos de um país (que são os primeiros a darem bons exemplos) perdem a moral, é questão de tempo isso afetar toda a sociedade.

    Como a elite brasileira já perdeu a moral a muito tempo, tá explicado, segundo o pensamento da minha avó, do porque o Brasil decair tanto.

  9. Zé dirceu é um TRAIDOR em todos os sentidos e esferas.
    TRAIU amantes, companheiros, a família, o partido e o país.
    Entretanto a piroca dele, tando dura ou não ainda atrai muitos incautos e incautas porque dalí sai muito dinheiro.

  10. Até plástica na cara ele fez par voltar ao Brasil e mudou de nome – boa coisa não pode ser.
    Será que essa senhora já esqueceu o que aconteceu com a família dela?
    Por favor vejam no Wikipédia sobre isso.
    E esse malandro já andava por perto.

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