Olavo de Carvalho e as três esquerdas

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Em uma ótima entrevista à Folha de São Paulo, entitulada Cruzada anti-idiotas (entrevista recomendadíssima, diga-se, de passagem), Olavo de Carvalho em um dado momento nos explica a diferença entre três esquerdas:

Há uma esquerda que aceita concorrer democraticamente com a direita, sair do poder quando perde as eleições e continuar disputando cargos normalmente sem quebrar as regras do jogo. O Partido Trabalhista inglês é assim. Nosso antigo PTB era assim. Disputavam o poder, mas sabiam que, sem uma oposição de direita, perderiam sua razão de ser.

Há uma segunda esquerda que deseja suprimir a direita pela matança dos seus representantes reais ou imaginários. Esta governa Cuba, a China, a Coreia do Norte etc., assim como governou a URSS e os países satélites.

Há uma terceira esquerda que, aliada da segunda, diverge dela em estratégia: pretende conquistar primeiro a hegemonia, de modo que, nos termos de Antonio Gramsci, o seu partido se torne “um poder onipresente e invisível, como um mandamento divino ou um imperativo categórico”; e, em seguida, tendo controlado a sociedade por completo, apossar-se do Estado quando já não haja nem mesmo a possibilidade remota de uma oposição de direita. Só aí virá um toque de violência, para dar acabamento à obra-prima.

A existência da primeira esquerda é essencial ao processo democrático. A segunda e a terceira devem ser expulsas da política e dos canais de cultura porque sua essência mesma é a supressão de todas as oposições pela violência ou pela fraude e porque se infiltram na primeira esquerda, corrompendo-a e prostituindo-a.

Ninguém pode apoiar esse tipo de esquerda por “boa intenção”. Você já viu algum militante dessa esquerda sonhar em implantar o socialismo e depois ir para casa e viver como um humilde operário do paraíso socialista? Eu nunca vi.

Cada militante se imagina um futuro primeiro-ministro ou chefe da polícia política. Quando matam, é para conquistar o direito de matar mais, de matar legalmente. São porcos selvagens –sem ofensa aos mimosos animais.

Gostei destas definições, que conseguem explicar muito bem as diferentes manifestações do esquerdismo.

Entretanto, entendo que devemos tolerar a primeira esquerda, mas demonstrar em público que eles ainda tem um problema moral em sua ideologia e que deveriam substituir seu discurso pelo neo-esquerdismo. Eu chamaria esta esquerda de esquerda moderada, mas ainda assim impositiva em relação a seus dogmas.

Já em relação as outras esquerdas, devemos desmascará-los de forma impiedosa, pois a mente deles é formatada para dar poder totalitário aos seus líderes. Poderíamos chamar a segunda de esquerda radical e a terceira de esquerda dissimulada, que não passa de veículo para a segunda, mas em doses homeopáticas. A terceira é a forma mais perigosa de todas, exatamente por sua dissimulação.

Resta, então, pela avaliação do comportamento, enquadrar o esquerdista em cada uma dessas posições, sabendo que a primeira delas é extremamente rara.

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14 COMMENTS

  1. Também penso que no final esquerdismo, mesmo moderado, sempre acaba resultando em coerção. Mas concordo com o Olavo que sua existência deva ser tolerada, mesmo que com um certo receio de minha parte, até mesmo por uma possível evolução das ideias no campo de debates (ingenuidade?).

    Infelizmente a ideologia vermelha tem um forte apelo emocional, embora pouco/nenhum embasamento racional. Mudar uma mentalidade construída por décadas de doutrinação nas escolas, pela desinformação midiática e pelo discurso demagógico dos políticos me parece bem difícil.

  2. Eu não vejo nenhum benefício em ser esquerdista e tampouco entendo porque alguém que tenha estudado um pouco queira ser esquerdista. No campo econômico a esquerda quebra a economia de um país e só aumenta as desigualdades sociais que ela supostamente iria extinguir. No campo social ela ataca a família, ataca a religião e glorifica uma cultura vagabunda e onde tudo pode e tudo é bonito. E antes de me chamarem de fundamentalista… divórcios, mães solteiras, drogas e tudo depois acaba tendo um impacto na sociedade (60 mil assassinatos ao ano, fora os custos monetários para se arcar com todos esses problemas – cadeias, mais polícia etc etc)… basta ir atrás da estatísticas. A Suécia é um ótimo exemplo de um modelo de país para não seguir em termos sociais…. Outra: o assistencialismo Sueco está acabando porque mais uma vez foi comprovado que o socialismo não funciona.

  3. Creio que, na terminologia usada pelo Olavo de Carvalho, a primeira esquerda é a “esquerda democrática” (necessária para a democracia), e as outras duas (que só divergem quanto à estratégia) fazem parte da “esquerda revolucionária”. (Sobre a esquerda democrática, ver: http://www.youtube.com/watch?v=OpKvK75lG0w) (Sobre o conceito de movimento revolucionário, do qual a esquerda revolucionária é uma parte, ver: http://www.youtube.com/watch?v=mQqMrr6uo2g).

  4. Isso era algo que me intrigava um tempo atrás… Será possível a essa altura do campeonato existir um pensamento de esquerda que NÃO seja revolucionário?

    Comecei a pesquisar o assunto e, pra minha surpresa, o próprio Olavo já tinha afirmado que é possível sim (apesar que não se pode mais COMPARAR o que havia num passado recente com o contingente de hoje; ele mesmo tem uma bela lista desse passado que não vou lembrar aqui de cabeça… O Oscar Wilde era um tipo desses… Jung se não me engano…).

    Cito alguns nomes da moda dessa esquerda necessária à democracia saudável: Ferreira Gullar, Alain Soral (não confundir com Alan Sokal), Carlos Vereza (é, o ator), a deputada Cidinha Campos, Gabeira, o biólogo militante da fauna e flora Mario Moscatelli, Caio Blinder (Hummm ??), o Janer Cristaldo (que ainda tem um pé inteiro no progressismo e o outro que só serve pra chutar a crença alheia)… Se puderem acrescentar mais gente desse tipo na lista- tão raro ultimamente- eu agradeço.
    |¬)

    Acho tb que esse “trabalho do negativo” do Olavo (e do Felipe, e o seu aqui Luciano) tem até um objetivo não tão evidente de TAMBÉM FOMENTAR NAS PRÓPRIAS ESQUERDAS a “DESFOSSILIZAÇÃO” ideológica, saneando tb o ambiente mental, intelectual e espiritual delas mesmas.

    abs a todos aí.

  5. Luciano, o Olavo diz que a primeira esquerda seria a democrática. Mas não seria melhor, assim como no caso das outras duas esquerdas, extirpá-la de toda a esfera cultural, tendo em vista que, em alguns países (como na Alemanha Nazista) ela chegou ao poder por vias democráticas?

    Mais duas questões: frequentemente, ao me posicionar contra o esquerdismo, sou indagado por duas questões que me impossibilitam a réplica (pela minha pouca experiência e conhecimento neste campo):
    1) “Mas a ideologia esquerdista foi a que possibilitou a melhoria das condições de vida dos trabalhadores.”
    2) “A esquerda foi a responsável pela melhoria de vida, através do bem-estar social”.
    Tem algum argumento que eu possa usar pra refutar essas teses?

    Abraço Luciano!
    Parabéns pelo blog!

    • Vinícius,

      Para se defender destes truques, eu recomendo a leitura das obras de Milton Friedman e Ludwig von mises.

      1) “Mas a ideologia esquerdista foi a que possibilitou a melhoria das condições de vida dos trabalhadores.”

      Os trabalhadores tiveram a melhoria de suas condições de vida com o advento do livre mercado, onde puderam evoluir não só como consumidores como vendedores de sua força de trabalho. Se notarmos países socialistas, veremos que a vida dos trabalhadores de lá é muito pior do que em países não socialistas.

      2) “A esquerda foi a responsável pela melhoria de vida, através do bem-estar social”.

      Ao contrário. A esquerda domina o pensamento sul-americano desde sempre. Veja o nível de vida da população. Na Europa, a maioria do pensamento é de esquerda, mas não todo. A vida deles já é bem melhor. Nos Estados Unidos, é 50/50, e eles são a maior potencia do mundo.

      Esquerdismo não gera valor. Apenas DESTRÓI valor.

      Um pouco mais aqui: http://www.capitalismoparaospobres.com/

      Este vídeo é interessante: http://www.youtube.com/watch?v=rahxjdU0r7A

      Outro: http://www.youtube.com/watch?v=1rC1sd2Oabc

      Creio que já é um bom arsenal.

      Um abraço e obrigado pelas palavras,

      LH

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