Esquerdismo, histeria e irracionalidade em uma encenação de atropelamento, e nossa corresponsabilidade pela insanidade da esquerda brasileira atual

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Antes de tudo, vamos relembrar o post A psicose dos manifestantes de esquerda: carro da polícia gentilmente afasta manifestante maluco e histéricos gritam “atropelamento”, e, além deste post, ver o vídeo abaixo:

Recentemente, um amigo me perguntou: “O que está acontecendo com o Brasil?”. Minha resposta: “O Brasil está atualmente em um quadro de histeria coletiva”.

Entretanto, logo de imediato ele pensou na culpa da esquerda pelo estado atual de coisas. A meu ver, há uma divisão de responsabilidades aí. A esquerda está tão delirante atualmente por que chegou à espiral do delírio, e ela só conseguiu isso por que lançou a direita na espiral do silêncio.

Espiral do silêncio é a condição em que uma pessoa ou grupo social se encontra na qual sente que sua opinião é tão minoritária que não deve sequer ser expressada. Mas, de acordo com a tese do duelo cético, o questionamento à uma ideia política, válida ou não, deve vir do oponente desta ideia, não do proponente. Motivo: se a ideia política gera benefício para seu proponente, este não avaliará a ideia por sua validade lógica, mas sim pelo seu benefício recebido. Suponha agora que esta ideia seja inválida, estúpida e/ou amoral ao extremo. Mas ainda assim ela pode beneficiar seu proponente. Assim, não é do interesse dele abandonar a ideia, mas é do teu interesse (se você for oponente dele) questioná-lo e demonstrar perante o público que esta ideia é abjeta. Mas se você está silenciado (por causa da espiral do silêncio), então permite automaticamente que seu oponente esteja na espiral do delírio, que é a condição em que uma pessoa ou grupo social se encontra na qual sente que suas ideias (especialmente as que o beneficiem), mesmo as mais estúpidas, ridículas e amorais, são tão pouco questionadas que ele aparentará estar sob quadros de delírio absoluto, e, mesmo assim, será percebido como normal, pois seus questionadores estão silenciados (por causa da espiral do silêncio).

Assim, a tese da espiral do delírio complemente a tese de Elisabeth Noelle-Neumann da espiral do silêncio. Basta um grupo estar na espiral do silêncio, que automaticamente seu oponente entra na espiral do delírio.

O comportamento dos esquerdistas no vídeo acima é um exemplo de espiral do delírio. A hegemonia do pensamento de esquerda no Brasil leva pessoas, muitas delas universitárias, fazerem a palhaçada acima e acharem tudo isso muito normal, pois todo esse comportamento está causando benefício a eles. Eles conseguem o efeito psicológico na patuléia e, portanto, não é do interesse deles abandonar este comportamento.

Pela minha tese do duelo cético, a direita deve ir, aos poucos, quebrando a espiral do silêncio, onde se encontra, e enfim com isso ir tirando aos poucos a esquerda da espiral do delírio.

É por isso que devemos compartilhar a responsabilidade pelo estado atual bizarro do debate público entre a esquerda, que montou esse cenário, buscando jogar seu oponente na espiral do silêncio (e então entrar na espiral do delírio), e a direita, que caiu muito fácil na espiral do silêncio e então, automaticamente, jogou seu oponente na espiral do delírio.

Eis o questionamento: o que a direita fará, em termos de questionamentos incisivos, com ridicularizações subsequentes, para aos poucos ir tirando os esquerdistas da espiral do delírio?

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16 COMMENTS

  1. Luciano, assumindo que a grande imprensa é basicamente esquerdista, quais meios estariam disponíveis para a direita quebrar esta espiral do silêncio perante o grosso da população? Sabemos que a internet é fundamental para ganhar espaço e para o público direitista tomar consciência da própria força, mas ainda é um veículo bastante restrito.
    Percebo que os grupos evangélicos representam a direita mais coesa, organizada e falante no momento. O Malafaia mesmo é um exemplo de que é possível romper essa espiral e ganhar visibilidade batendo na esquerda. Mas eles obtiveram antes um lastro enorme de fiéis e uma estrutura com acesso direto à população.

    Que tipos de organizações, ou canais de contato com o povo em geral, menos iniciado nesses debates (mas que apesar das moldagens comportamentais, carregam posições claramente conservadoras), nós deveríamos buscar para difundir nosso discurso e fomentar um apoio mais consciente a um ideário anti-esquerdista?

    Você acredita que buscar contato com estes segmentos evangélicos, por exemplo, trazê-los para essa briga de forma mais consciente, seria uma estratégia producente na nossa realidade?
    Nos EUA, a manifestação política dos grupos cristãos é bastante evidente; aqui não, ao menos não de forma clara e direcionada, com nomes aos bois, abertamente anti-petista, anti-comunista, conservadora..

    Que outros grupos seria interessante abordar? Por quais meios práticos?

    Gostaria de uma opinião tua a este respeito. Suas orientações quanto às táticas de discurso são excelentes. Seria ótimo ouvir sugestões tuas sobre as possibilidades de atuação para difundir deste debate para além da internet, pra conseguir de fato pensar em romper a espiral do silêncio de forma significativa..

    Muito obrigado.
    Abraço

  2. Não sei se você vê suas mensagens no FB, mas acredito que aqui seja mais fácil de te encontrar.

    Mandei a seguinte mensagem pra você, Luciano:

    Olá, Luciano!

    Eu comecei essa página (https://www.facebook.com/ContraComunasNaIgreja) baseado na ideia do Olavo de fazer uma lista de todo mundo dentro da igreja q é associado a alguma instituição comunista, ou parecido.
    Me deparei com um problema de investigação, e acredito que você seja, pelo menos pra mim, uma autoridade quanto à investigação.
    Meu primeiro freguês aqui é o Dom Tomás Balduíno, que é bispo emérito de Goiás e presidente emérito da CPT (Comissão Pastoral da Terra).
    Como associar essa comissão com comunismo? Eles falam de um jeito bonitinho, dando uma maquiada no velho projeto de reforma agrária, mas só isso não é prova, não sei se seria suficiente para uma excomunhão.
    cê pode dar alguma dica de como resolver esse impasse?

    • Olá hendriomm,

      Eu acho que nesse caso deve-se buscar mais textos desse pessoal da Pastoral da Terra, onde eles usarão algumas “rotinas” do comuninismo, como simulação de guerra de classes, defesa da violencia auto-justificada, etc.

      O elemento comunista é mais identificado aí. Em relação a reforma agrária, é claro que eles vão dourar a pílula, mas no geral do material deles, vão cair na prática dessas rotinas.

      Parabéns pela idéia da proposta de sua página.

      Abs,

      LH

      • Identificar rotina é fácil, o problema é usar isso como uma acusação formal passível de excomunhão, saca? Entre dizer que ama os pobres e se declarar comunista tem um caminho bem longo.

      • indo pelo caminho do Ayan, vi isso:

        “Já a Teologia da Libertação não vê o marxismo como um bicho papão, não um mal, mas um instrumento científico. E aí você o adota com liberdade de cientista.”

        “Não é um dogma, embora alguns tenham isso como dogma. Mas para nós da Teologia da Libertação é útil na análise da realidade, com profundidade. Favorece a desentranhar a sociedade de hoje e trazer à tona os seus problemas e suas vinculações políticas e econômicas.”

        “Sonhavam com isso desde antes do surgimento da luta armada. Houve assaltos a bancos e tal, mas era um objetivo justo.”

        http://quemtemmedodademocracia.com/2012/09/22/d-tomas-balduino-nossa-reforma-agraria-ainda-e-a-dos-militares-especial-para-o-qtmd/

        Acho que mais um caminho bom é procurar ligações políticas de cada um com os indivíduos assumidamente comunistas/socialistas.

    • Olá Hendriomm!

      O Padre Paulo Ricardo fala bastante sobre isso, desmascarando a teologia da libertação e deixando muito claro tudo isso que você quer saber!

      Não deixe de conhecer seu site padrepauloricardo.org e o canal do youtube!

      grande abraço

    • Tarefa árdua. A maioria dos marxtólicos estão escondidos sob o manto dos movimentos sociais da própria Igreja. Após a punição do Boff, eles reduziram a pregação escancarada da ideologia do ódio de classes.

      Um bom começo é garimpar livros, de autores religiosos, com os temas Teologia da Libertação, Pastorais, Movimentos sociais, etc. Pode ser através de pesquisa nos sites das livrarias e, principalmente, das editoras católicas (Vozes, Paulus). Os cadernos CEAS também podem ser uma boa fonte de pesquisa. Após a juntada dos títulos e autores, parte-se para a investigação do conteúdo. Quem sabe, dentro da própria igreja católica, exista algum grupo acompanhando essa questão, neste caso um contato poderia facilitar a organização das informações.

      A princípio, apenas a associação dos religiosos com textos de marxistas será um grande golpe para eles, principalmente se houver destaque para as atrocidades dos regimes socialistas contra a igreja católica. Talvez, exceto para os radicais, a excomunhão seja contraproducente, pois, com a mídia dominada pela esquerda, os processados serão as vítimas dos inquisidores.

  3. Mais um texto excepcional. Eu diria, profilático.

    “Basta um grupo estar na espiral do silêncio, que automaticamente seu oponente entra na espiral do delírio.”

    Com a loucura não se cala nem se brinca, se trata.

    O nosso grande problema- senão o maior- é o FINGIMENTO e a COVARDIA generalizados nesse país imenso e manso (tanto na esquerda quanto na direita). Acho que TODOS os esforços pra sairmos desse ciclo vicioso- dessa “matrix socialista” tem de passar primeiro por vencer esses dois obstáculos. E isso NÃO é nada fácil já que a ‘auto-reflexão’ e o ‘senso moral’ (de dever, de justiça, sem melindres) tb está sob custódia da confusão mental e do coletivismo (desse pensamento de manada “chique”, “visionário” e “descolado”), e isso tem prejudicado uma tomada de posição real e sincera no âmago da consciência do indivíduo.

    “A LOUCURA, QUANDO RESPEITADA E APLAUDIDA, CEDO OU TARDE, ELA ENCAMPA E TI SEDUZ”

    Abração pra ti.

  4. Luciano, não valeria a pena dar uma atualização sobre este assunto? Pois bem, eis que eles receberam uma condenação que marxistas-humanistas-neoateístas de matiz gramsciano ou fabiano odiariam saber: a pena de morte. Eu particularmente sou contra a pena de morte por entender que punições devam ser reversíveis em caso de se constatar injustiça a alguém, mas não seria contrário à prisão perpétua para um caso desses, porém entendo perfeitamente que em um caso desses, que envolveu estupro coletivo com requintes de crueldade que acarretaram a morte da mulher, bem como agressão ao homem que a acompanhava, seja preciso uma punição bem dura até para evitar que outros casos se repitam (como infelizmente se repetiram até mesmo aqui no Brasil).
    Logo, não haverá como os MHNs de lá fazerem alguma coisa para tentar capitalizar em cima da pena dos quatro, ainda mais se disserem que os quatro estupradores seriam “vítimas da sociedade”, até porque a Índia toda é bem pobre e até o mais intocável dos dalits deve ter ficado extremamente p da vida com o ocorrido. Houve manifestações por lá, é verdade, e que foram crescendo bastante, a ponto de ir contra o regime local (que em tese é democrático, mas na prática tem altíssima influencia da família Nehru) e este ter sob pressão aprovado uma série de novas leis contra o estupro. Observe-se que feministas tentaram de alguma forma guinar os protestos para uma demonização aos homens (aquelas frases de Marcha das Vadias que vieram prontas do exterior), mas não conseguiram (ainda mais se pensarmos que boa parte dos manifestantes contra o triste episódio era do sexo masculino e estavam demonstrando perfeitamente saber se pôr no lugar de outro).

    Se formos comparar com o Brasil, podemos considerar os protestos indianos dotados de um altíssimo grau de legitimidade popular. Se por acaso foram convocados por MHNs (o que não me parece até agora), os mesmos perderam o controle lá de uma forma muito maior que a daqui (na Índia não existem black blocs e, pelo visto, se existissem, virariam carne moída em vez de intimidarem o manifestante comum). Logo, se de repente houve alguma intenção de fazer as pessoas de inocentes úteis (como foram feitas aqui após os protestos de junho nos quais os partidos foram enxotados), esta não se concretizou nem um pouco. Aliás, por lá até deixaram os MHNs se manifestarem, mas apenas e tão somente em contexto de tolerância e nada mais do que isso.
    Pode ser que por lá os indianos, até pela experiência do pós-independência até o começo dos anos 1990, anos em que a economia seguiu o modelo socialista, estejam muito mais espertos que os brasileiros em relação à arte de prestar atenção sobre se os instrumentos democráticos na prática estão sendo usados para a obtenção de marxismo-humanismo-neoateísmo. E nessa, os MHNs acabam na prática jogando palavras ao vento.

    Por ora, aqui no Brasil, quem não é MHN e quer protestar, como aconteceu em junho, vai precisar ir além do simples enxotamento de partidos e rechaço de tentativas de guinar os protestos para combater os inimigos dos MHNs no poder. Até conseguiram, mas depois tivemos um monte de encapuzados acabando com tudo e por ora, só se está aprovando pautas de interesse dos MHNs no poder.

  5. Luciano, esta aqui é para dar uma boas risadas: Cristina Kirschner diz que os argentinos vivem melhor agora do que há dez anos. De fato, ela não está mentindo, mas se esquece de nos falar que a Argentina de 2003 estava numa draga de dar dó e que na virada de 2001 para 2002 houve cinco presidentes devido a uma renúncia sucessiva.
    Também poderíamos perguntar sobre por que estão restringindo a compra de dólares e uso de cartão de crédito, sobre o quão verossímeis são as estatísticas (podendo aí perguntar sobre a inflação), sobre os problemas na histórica boa produção local de trigo e mais um bocado de outras coisas. E aí iríamos perguntar se a Argentina de hoje está mesmo tão melhor assim se compararmos com outros países da América Latina que estejam em situação normal de institucionalidade política, uma vez que aquele período no começo deste século foi ponto fora da curva daqueles e houve perda total de legitimidade governamental. E países em que o governo perde a legitimidade, como bem sabemos, sofrem conturbações das mais extremas mesmo.

    Porém, se me falarem que o cinema argentino está melhor hoje do que há dez anos, aí concordo totalmente, ainda que vá perguntar quando conseguirão ficar independentes do Ricardo Darín :D.

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