Se o estado é laico, não podemos aceitar doutrinação marxista (e nem positivista) em sala de aula

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Education-Indoctrination-Center

Há tempos atrás li a história de um aluno neo-ateu que decidiu processar a escola por que a professora exigia que ele rezasse o Pai Nosso em sala de aula. Nas redes sociais, ele se tornou um ícone dos neo-ateus. Nos Estados Unidos, uma neo-ateísta, Jessica Ahlquist, processou sua escola por que havia um quadro com uma prece na parede.

Entre os conservadores cristãos, muitos se indignaram com as duas figuras, quando na verdade poderiam agradecê-los pelo precedente aberto. Em nome do estado laico, pode-se, enfim, exigir que tanto doutrinação marxista como doutrinação positivista sejam expulsas de sala de aula.

Infelizmente, hoje temos muitas pessoas mal informadas a respeito do que de fato significa estado laico. Absurdamente, muitos acham que as regras do estado laico se aplicam somente a religiosos tradicionais, criando uma terra sem lei para anti-religiosos ou não-religiosos.

Diante desse erro grosseiro de entendimento, os conservadores cristãos vêem-se na obrigação de ficar na defensiva, enquanto a esquerda capitaliza com essa “brecha” lógica de maneira extremamente fácil. Mas na verdade, estado laico significa um estado oficialmente neutro em relação às questões religiosas. Todas elas.

Por questões religiosas, entendemos coisas como “O cristianismo é melhor que o islamismo?” ou “As religiões tradicionais devem ser banidas?”. Ambas são questões religiosas, pois a tomada de posição de acordo com suas respostas pode privilegiar pessoas e grupos de acordo com sua postura em relação a essas questões.

Sendo assim, tanto a afirmação “só o cristianismo é válido” como “nenhuma religião tradicional é válida”, se feitas em escolas estaduais, violam o princípio do estado laico. Repetindo: se a primeira afirmação viola o princípio do estado laico, a segunda viola da mesma forma, e essa é uma constatação lógica da qual não podemos fugir, a não ser que você tenha caído no truque da esquerda de achar que estado laico é uma regra proibindo a manifestação do cristianismo, ao mesmo tempo em que cria uma terra sem lei para outras religiões minoritárias, especialmente inimigos da religião tradicional e, ainda mais, os inimigos do cristianismo.

O problema é que a definição macaqueada de estado laico não tem nada a vem com o que esse conceito significa. Na verdade, aquilo que os esquerdistas defendem é violação do estado laico, enquanto fingem defendê-lo. Nada mais previsível para ideólogos que se inspiram em gente como Trotsky e Lenin, que defendem o uso da mentira como método de guerra política.

No estado laico de fato, não se pode usar o poder do estado para tomar posição em favor de uma religião, e nem em questões religiosas.

Só que o positivismo toma posição em relação a religião tradicional, dizendo que ela deve ser extinta. Enquanto isso, Marx defendia um humanismo exacerbado, decretando a religião como “ópio do povo”. Algo a ser extinto. Isso é tomar partido em questões religiosas.

Como positivistas e marxistas criaram suas cosmovisões para substituir a religião tradicional por uma religião política, não há como eles professarem suas ideias sem tocarem em questões religiosas e tomarem partido, sempre, é claro, em favor de suas cosmovisões em detrimento das religiões tradicionais. É o suficiente para violar o princípio do estado laico.

Não estou dizendo que não devemos conhecer Marx e o marxismo, ou Comte e o positivismo. Muito pelo contrário. Eu me tornei especialista em mapeamento de fraudes intelectuais da esquerda ao estudar estes autores. O que não podemos permitir é a tomada de posição destas linhas de pensamento como verdadeiras por instituições escolares do estado.

Meu argumento diz que devemos nos ater aos princípios do estado laico para usar a lei para banir a doutrinação marxista e positivista em salas de aula.

Sei que a esquerda vai dizer que eu quero manter as pessoas na ignorância, sem conhecer os autores, mas evidentemente eles estarão mentindo se afirmarem isso.

O que proponho é que usemos a lei para proibir as tomadas de posição em prol do marxismo e do positivismo em salas de aula, assim como são proibidas as tomadas de posição em prol do cristianismo, usando o mesmo princípio do estado laico, que proíbe o uso da força estatal para intervir em questões religiosas, beneficiando lados destas questões.

Assim, um professor poderá ensinar Marx, mas somente de forma comparativa, junto com, por exemplo, Eugen von Böhm-Bawerk. Comte poderá ser ensinado, mas somente de forma comparativa, junto com John Gray, por exemplo, em sua estupenda crítica ao humanismo em “Cachorros de Palha”.

Escolas públicas são financiadas com nosso dinheiro. Não faz sentido usarem estas escolas contra os interesses de seus financiadores. O estado laico deve ser aplicado nas escolas. Mas, evidentemente, não pode valer como uma regra que impede benefícios aos cristãos, mas dá regalias a outros grupos que tomam posição em questões religiosas.

Em suma, devemos levar o estado laico a sério.

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13 COMMENTS

  1. Caro Luciano,

    “Em nome do estado laico, pode-se, enfim, exigir que tanto doutrinação marxista como doutrinação positivista sejam expulsas de sala de aula.”

    Sim, mas como exigir isso se a maioria das pessoas no sistema de ensino (nem falo dos alunos) já nem consegue mais distinguir essa doutrinação em sala de aula??

    “Infelizmente, hoje temos muitas pessoas mal informadas a respeito do que de fato significa estado laico.”

    E essa má informação passa inevitavelmente por essa formação/doutrinação insidiosa e indolor, por esse ‘marxismo atmosférico’. Como sair dessa arapuca gramsciana sem causar uma CATARSE COLETIVA DE ALTO A BAIXO (uma crise existencial e cognitiva) no sistema de ensino?

    “Mas na verdade, estado laico significa um estado oficialmente neutro em relação às questões religiosas. Todas elas.”

    Acho isso, essa neutralidade, IMPOSSÍVEL, simplesmente porque essas questões religiosas fundamentam a moral e a ética do próprio estado-laico (a vida social).

    Não vai dar pra ensinar História, Língua, Ciência, Literatura e Geografia sem passar por essas questões (seria até contraproducente para o crescimento intelectual dos alunos).

    O Estado não funciona como um corpo vazio que só é preenchido por equações matemáticas (a única “substância neutra” nessa história).

    O Estado por mais laico que seja precisará de um “sopro de vida”, de juízos de valores (éticos e morais) que, dependendo da cultura que se estabeleceu ANTES da formação desse Estado, poderá- e será- baseado ou numa tradição religiosa ou filosófica ou pagã ou bárbara (no caso da religião política, que eu prefiro chamar de messianismo moderno). Acho que não tem saída. E essa turma revolucionária, meio que inconscientemente, sabe disso, lhe restando usar a brecha dessa “neutralidade” para a prática do cinismo, do indiferentismo e do discurso de ódio de classe.

    • Olá Anderson
      Sim, mas como exigir isso se a maioria das pessoas no sistema de ensino (nem falo dos alunos) já nem consegue mais distinguir essa doutrinação em sala de aula??
      Não há outra forma que não a conscientização maciça, via redes sociais (que são acessadas por adolescentes, inclusive), onde o esclarecimento público das fraudes da esquerda pode tirar alguns da doutrinação.
      E essa má informação passa inevitavelmente por essa formação/doutrinação insidiosa e indolor, por esse ‘marxismo atmosférico’. Como sair dessa arapuca gramsciana sem causar uma CATARSE COLETIVA DE ALTO A BAIXO (uma crise existencial e cognitiva) no sistema de ensino?
      Eu defendo que, principalmente, devemos focar na denunciação pública das fraudes dos esquerdistas, de forma que cada vez mais pessoas tenham aparato intelectual para entrar em sala de aula e olhar para o que o professor diz, enquanto está doutrinando, com uma suspeita sadia.
      Acho isso, essa neutralidade, IMPOSSÍVEL, simplesmente porque essas questões religiosas fundamentam a moral e a ética do próprio estado-laico (a vida social). Não vai dar pra ensinar História, Língua, Ciência, Literatura e Geografia sem passar por essas questões (seria até contraproducente para o crescimento intelectual dos alunos). O Estado não funciona como um corpo vazio que só é preenchido por equações matemáticas (a única “substância neutra” nessa história).
      O Estado por mais laico que seja precisará de um “sopro de vida”, de juízos de valores (éticos e morais) que, dependendo da cultura que se estabeleceu ANTES da formação desse Estado, poderá- e será- baseado ou numa tradição religiosa ou filosófica ou pagã ou bárbara (no caso da religião política, que eu prefiro chamar de messianismo moderno). Acho que não tem saída. E essa turma revolucionária, meio que inconscientemente, sabe disso, lhe restando usar a brecha dessa “neutralidade” para a prática do cinismo, do indiferentismo e do discurso de ódio de classe.

      Esta é uma questão que a meu ver se resolve depois. O que eu foquei é no fato de que hoje em dia um ateu pode entrar em sala de aula e reclamar que seu professor privilegiou a visão cristã em detrimento das demais, e citará o estado laico para isso. Eles já fazem isso, e estão tendo sucesso. Não há como reverter isso. Mas, em contra-partida, pelo mesmo princípio, podemos rejeitar a doutrinação marxista e a doutrinação positivista em salas de aula.
      Eu não pedi “neutralidade absoluta”, pois sei que isso é impossível. Mas também temos que reconhecer o fato de que um professor tem que estar ciente de que os outros estão de olho nos conteúdos que ele divulga em sala de aula. Ao menos que ele segure seus instintos o quanto conseguir…

  2. Tenho 50 anos de idade e desde a 4 serie estudo em livros comunistas/marxista….foram deixando acontecer e olha o que está acontecendo. Pergunto por que a ilha paradisiaca chamada CUBA é uma miseria e Israel que só tem pedra é milionaria e feliz?

  3. As suas definições sobre estado laico também estão um pouco equivocadas, releia sobre isso. Nem o Marxismo nem o Positivismo são religiões.

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