O desencontro entre a vontade do povo brasileiro e a estratégia política da direita brasileira

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Saber Strike 2013

Fonte: O Globo (citado no blog Perca Tempo)

Se houvesse correlação de fato entre tendência política autodeclarada e escolha nas eleições, não haveria espaço para a esquerda no Brasil

A classificação de ideologias pelos termos “direita” e “esquerda”, inspirados na localização física dos blocos conservador e revolucionário na Assembleia Nacional durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII, nem sempre consegue ser fiel à realidade. E cada vez menos.

O fim do “socialismo real”, com a implosão da União Soviética, provocada por suas próprias contradições — como explicaria um marxista — embaralhou ainda mais as coisas. O populismo chavista é de direita ou de esquerda? Vargas, saudado pela esquerda, namorou o Terceiro Reich nazista e o fascismo de Mussolini. A lista de aparentes paradoxos é extensa. A situação fica também confusa quando se pergunta, hoje, ao eleitor brasileiro em que ponto cardial ele se situa no mapa da ideologia, e se cruza a informação com a intenção de voto de cada um. É o que o Datafolha fez na última pesquisa eleitoral, segundo a “Folha de S.Paulo”.

Há um enorme desencontro entre a autodeclarada posição ideológica e a opção de voto. Um exemplo é a presidente Dilma Rousseff, do PT, símbolo da esquerda, receber 39% dos votos dos que se dizem de direita, mais que o tucano Aécio Neves (24%), considerado candidato direitista pela militância do PT.

Se houvesse uma correlação lógica entre ideologia autodeclarada e eleição, os partidos e candidatos ditos de esquerda não teriam vez. Afinal, 49% do eleitorado brasileiro se consideram de “centro-direita” e “direita”, contra apenas 30% de “esquerda” e “centro-esquerda”.

Há várias possibilidades de análise, como a que questiona a capacidade de a grande massa da população se qualificar entre direita e esquerda. Mais ainda nestes tempos de geleia geral ideológica. Pode ser, ainda, que, dada a baixa qualidade da educação política em geral, o voto seja, na sua essência, destinado a quem, em troca, concede ao eleitorado melhorias de qualidade de vida — emprego, aumentos salariais, inflação baixa. Independentemente do posicionamento ideológico do governante.

Por trás de tudo, há, ainda, uma estrutura partidária distorcida, sem legitimidade e, portanto, de baixa qualidade de representação. Dos 32 partidos, dos quais 24 com bancadas no Congresso, poucos têm uma postura ideológica com alguma definição clara.

A grande maioria é de legendas nanicas, usadas no balcão de negociatas político-eleitorais. Como a legislação é leniente, há uma excessiva pulverização de partidos, especializados em negociar, literalmente, a cessão de tempo na propaganda gratuita em TV e rádio, a moeda de troca do baixo clero.

Os partidos políticos brasileiros não contribuem, então, para o aprimoramento político-ideológico do eleitorado, nem de espaço de formulação de efetivas propostas de governo e poder. São apenas meio de vida, às vezes escuso. Um dos reflexos deste quadro de mediocridade está nesta pesquisa da Datafolha.

Meus comentários

O editorial é interessante, embora no começo propague a fraude tradicional da esquerda de dizer que o fascismo é “de direita”, assim como seria o nazismo. Já demoli este engodo mais de uma vez. (Aqui e aqui estão apenas alguns exemplos)

Porém, o texto falha ao não conseguir identificar o detalhe que faz com que a direita, mesmo com a maior preferência do eleitorado (e é assim no mundo todo), tenha muito menos votos do que a esquerda, chegando ao ponto de não ter sequer um candidato concorrendo às eleições presidenciais.

Se olharmos a estratégia gramsciana de forma mais cirúrgica, encontramos a resposta. Gramsci descobriu antes de Konrad Lorenz que em períodos críticos do desenvolvimento das crianças e jovens, percepções podem ser mais facilmente alteradas, mesmo que não sejam compreendidas racionalmente pelos indivíduos a terem seu comportamento modificado.

A conquista de corações, para a conquista das mentes (de forma não percebida pela “vítima” dessa conquista) é feita através de um conjunto de inserções, que funcionam muito bem, pois zumbis da esquerda são criados em quantidade industrial tanto na educação fundamental (com as cartilhas do MEC), como em universidades de humanas. Essa é a essência da estratégia gramsciana, baseada em criar uma legião de esquerdistas através de lavagens cerebrais, a partir do trabalho de professores desde o ensino fundamental.

Essa legião de doutrinados irá buscar posições onde influenciem opiniões, após sairem da faculdade. Outros continuarão dando aula, para manter a esteira de produção de zumbis de esquerda girando. Mesmo que as ideias esquerdistas sejam auto-destrutivas para nossa civilização, isso não importa, pois os novos reflexos condicionados passam por baixo da camada de racionalização da mente humana.

Tudo isso não seria muito crítico não fosse a complexa malha de truques usados pela esquerda para obtenção de poder político. O problema não é termos uma legião de esquerdistas doutrinados, mas sim uma legião de esquerdistas que, após doutrinados em usinas de lavagem cerebral marxista, saem em campo com um sem número de truques, a maioria deles ainda imperceptíveis pela maioria daqueles de direita.

É por isso que esquerdistas conseguem maquiar suar propostas, vencendo a guerra política, usando o controle de frame, dominando a arte da propaganda, e tendo no bolso uma série de rotinas fraudulentas. E todas estas fraudes contam pontos para eles, quando deveriam tirá-los do jogo. Isso ocorre quando a direita não percebe essas fraudes sendo praticadas. Ou seja, quase sempre. Não é fácil descobrir como eles conseguem angariar votos até de eleitores da direita. E com um detalhe adicional: mesmo que a maioria do eleitorado seja de direita, ainda assim a maior parte deles está com seu senso comum infectado por algumas ideias de esquerda, em maior ou menor nível.

Mais do que nunca, o eleitorado de direita do Brasil clama de forma subconsciente para que a direita consiga jogar o jogo político. Mesmo que a neutralização parcial da estratégia gramsciana seja trabalhosa (e demorará ao menos uma geração para gerar frutos), ainda há algo a ser feito neste momento, que é o desmascaramento público das fraudes dos esquerdistas, pois este é o recurso principal em seu modelo de atuação.

O que precisamos, então, é casar a vontade do povo brasileiro com a execução uma uma estratégia política de fato pela direita brasileira, e isso independe de partidos. Pelo contrário, começa em ações de grupos não associados oficialmente a políticos. Eu estou fazendo a minha parte, em nome do desejo do povo brasileiro. Quantos mais pessoas fizerem a sua, melhor.

Lembremos que nem todos precisam criar blogs, ou conteúdo novo. A mera divulgação de memes contra a esquerda, ou mesmo o desmascaramento de esquerdistas em caixas de comentários em blogs ou até sites de grande porte como UOL, Terra e outros. Tudo isso faz parte de uma ação política que deve ser executada de forma estratégica.

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11 COMMENTS

  1. Muito bom Luciano. Na sua opinião, qual o motivo dos políticos de Direita no Brasil não se juntarem para formar um partido com ideologia clara, vestindo a camisa da Direita, visto que a maior parte dos brasileiros, mesmo que inconscientemente, são de Direita?

    • Boa pergunta.

      A culpa a meu ver não é dos politicos, mas dos formadores de opinião da direita, que não possuem uma estratégia política decente. Se estes formadores de opinião da direita assimilarem os conceitos de estratégia política, criarão discursos para TODAS AS QUESTÕES PÚBLICAS, que darão base para que os políticos profissionais de direita possam “surfar neles”.

      • Luciano será que não poderia haver algum tipo de filiação com algum partido direitista de outro país? Republicanos, talvez. Porque eu acho que o fato de começar tudo do zero deve desanimar bastante quem tem alguma disposição para isso.

    • Acho que tem uma série de motivos, João.

      O primeiro deles é que hoje são pouquíssimos os que estão dispostos a receber o linchamento moral que um político de “direita” sofreria na mão dos dementes esquerdistas. Vide Marco Feliciano e Bolsonaro, os únicos que representam valores mais conservadores, e são difamados até o último fio de cabelo.

      O segundo é que não existem bases intelectuais para um político de direita defender suas ideias no debate político, primeiro porque os autores conservadores ( Burke, Kirk, etc.) são completamente (e propositalmente…) desconhecidos no Brasil. Só ver a mentalidade de “atrasado “caipira ignorante” que o pensamento conservador possui. Só ver a dificuldade constante que um conservador tem em debater com esquerdistas, especialmente quando fica frente à frente com todas as fraudes intelectuais utilizados pela caterva.

      O terceiro é que a esquerda muito sorrateiramente se apropriou de VÁRIAS bandeiras da direita, especialmente à caridade – que SEMPRE foi defendida pela direita, através especialmente de instituições religiosas e cooperativas. A esquerda “estatizou” a caridade, e hoje exerce um monopólio sobre ele. Qual o problema disso? O político de direita será visto como um defensor das elites- malignas-malvadonas-reacionárias-que-odeiam-pobres-e-usam-crianças-de-rua-para-alimentar-seus cachorros.

      O Danilo Gentili hoje mesmo participou de um hangout com o Lobão e o Olavo, onde ele contou que, quando ele morava no interior, a mãe dele trabalhava em uma instituição de caridade destinada a cuidar de mulheres vítimas de estupro. A instituição foi crescendo e crescendo, ao ponto que virou notícia em jornais estrangeiros. Quando o prefeito da cidade (que era daquele partido ultra democrático que nos governa) ficou sabendo, começou a inventar denúncias de maus tratos, e logo tomou posse da instituição, para utilizá-la em propaganda.

      A esquerda brasileira fez isso com praticamente TODAS as iniciativas privadas de ajuda social. O método de (des)educação Paulo Freire, por exemplo, é um plágio esquerdopata do método Laubach de alfabetização. Laubach foi um pastor americano que veio em missão ao Brasil, e utilizou seu método, que consistia em associar palavras a figuras e elaborar as associações progressivamente, para alfabetizar milhares de brasileiros. Freire e seus cupinchas logo começaram a espalhar boatos de que Laubach estava “a serviço do imperialismo”, e trataram de “criar” um novo método de “educação libertadora”, que é esse chorume que vemos hoje nas escolas brasileiras, e que nos presenteou com os últimos lugares em testes internacionais e a falência total do ensino nacional.

      Enfim, o quarto motivo é que apesar de o grosso da população brasileira ser sim, conservadora de direita, ela precisa ter suas convicções FIRMADAS na mente, senão boa parte vai cair presa fácil às falácias esquerdistas. O brasileiro precisa parar de ter medo de ser conservador, ele precisa de ferramentas que o ajudem a combater essa estrutura psicológica criada pela esquerda, onde ser de direita é um xingamento e ser conservador é um crime contra a humanidade.

      O quinto motivo é que entre os conservadores é difícil achar gente disposta a CONSTRUIR a estrutura política necessária a um partido. São poucos conservadores dispostos a DOAR dinheiro a um projeto de partido político, a trabalhar na militância, etc. Fora que, além do projeto político propriamente dito, é necessário também tomar controle das ferramentas de formação de opinião. Antes do partido, é preciso tomar controle de jornais, e principalmente de universidades – que, como todos aqui provavelmente sabem, hoje em dia são colmeias de bolcheviques acéfalos. Tudo isso para PREPARAR a chegada de um partido ao poder.

      Enfim, tem vários motivos, mas estes eu julgo que sejam alguns dos principais.

  2. Excelente o seu comentário sobre a matéria do Globo.

    Concordo integralmente com você. É gigantesco o trabalho necessário desintoxicar a Sociedade brasileira da tática gramsciana, acima de tudo porque hoje, quem domina hoje as principais fontes usadas para “contaminar” da população, são jornalistas, intelectuais, artistas, professores, e outros formadores de opinião, marxistas, maioria absoluta nos meios de comunicação, nas escolas, na área d diversão e nas Universidades. Todos empenhados em manipular a informação e em manter a população no atual estágio letárgico e ignorante.

      • Assisti até ao final e achei mais um erro de frame gravíssimo: “O direitista acha que não deve-se solapar a lei para criar a justiça social, o esquerdista acha que podemos solapar a lei para criar a justiça social”.

        Deu o rótulo de “justiça social” pro esquerdista e perdeu o frame. 🙁

        O Reinaldo é bom, mas as vezes…

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