Conselho de Ética arquiva processo contra Jair Bolsonaro. Vitória da direita? Infelizmente, não…

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Fonte: UOL

Depois de manifestações do plenário do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), o relator Sérgio Moraes (PTB-RS) modificou seu parecer e votou pela inadmissibilidade da representação do PSOL contra o parlamentar do Rio. Com a decisão, o Conselho arquivou o processo contra Bolsonaro.

A primeira versão do parecer de Moraes era pela abertura do processo.

PSOL havia representado contra Bolsonaro, acusando-o de ter dado um soco no senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) no dia 23 de setembro, durante visita de parlamentares ligados às Comissões da Verdade da Câmara dos Deputados e do Senado ao antigo DOI-COdi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), no Rio de Janeiro.

A confusão começou quando Bolsonaro, que não integrava o grupo ligado à Comissão da Verdade, forçou a passagem, no portão do quartel, e chegou a dar um soco na barriga do senador, segundo relato deste. O parlamentar fluminense nega ter ter agredido o senador. Segundo ele, houve apenas troca de empurrões e agressões verbais.

O deputado havia sido impedido de acompanhar uma visita de integrantes das comissões da verdade da Câmara e do Senado ao local.

Durante o tumulto, representantes de movimentos como Tortura Nunca Mais e Levante Popular da Juventude exigiam, aos gritos, a saída de Bolsonaro, que conseguiu entrar.

Já Bolsonaro criticou a tentativa de barrarem sua entrada no prédio e, quanto à representação do PSOL, afirmou que Randolfe “está tentando se vitimizar”.

Meus comentários

Na guerra política, a esquerda já capitalizou (e muito) com a notícia do lançamento do processo de Randolfe contra Bolsonaro, tempos atrás. Mesmo que a ação tenha sido arquivada como improcedente ontem, ainda assim a capitalização já durava mais de um mês.

Eis a dinâmica. Em uma questão pública, a partir do momento em que um lado lança um processo judicial contra outro, pontos positivos começam a ser contados em prol do lançador do processo. Isso por que a mídia tende a divulgar a notícia do processo, e uma larga parcela da população (os mais humildes) terão várias percepções sobre a pessoa que recebeu o processo. Alguns exemplos seguem:

  1. Será com certeza condenado, então perdeu, deve ser culpado
  2. Se não for condenado, talvez mereça ser condenado, possivelmente é culpado
  3. Talvez o processo seja injusto, e ele merece ser absolvido
  4. Com certeza ele será absolvido, pois é inocente, e isso não vai dar em nada

O diacho é que cada receptor das notícias sobre o lançamento do processo “escolherá” (especialmente em nível inconsciente) uma das alternativas acima, que irá ser retroalimentada em sua mente durante todo o curso da notícia. No caso da escolha inconsciente das opções 1 e 2, especialmente sobre os neutros, esse feedback tende a ter efeitos como a desistência de votar em uma pessoa, ou ao menos aceitar as posições políticas dessa mesma pessoa. As mesmas opções, se aceitas pelos opositores, podem alimentar o ânimo da tropa. No caso dos oponentes, pode fazê-los baixar a moral.

E o detalhe fundamental: desde o lançamento do processo até o seu encerramento, a mensagem “escolhida” por cada receptor continua ecoando. E em todo esse período existe a capitalização.

Para ilustrar esse processo, vamos transformar isso em dinheiro fictício, apenas a título de compreensão.

Imagine que você lançou um processo contra o cidadão X, e esse processo foi amplamente divulgado na mídia. Escolha uma amostra de 100.000 pessoas, e estime que 20% desta amostra cairá na escolha 1. Suponha, a título de estimativa, que outros 20% cairão na escolha 2. São as duas escolhas que beneficiam aquele que processou. Agora conte, para cada pessoa, R$ 1,00 por semana. Depois aplique uma taxa para cada semana em que o processo corre, reduzindo-a em ¼ a cada semana. Algo como R$ 0,75 na semana 2, R$ 0,56 na semana 3, e assim por diante. Contabilize esses valores semanalmente, para cada um da amostra (use uma planilha Excel). Todo esse dinheiro que está entrando em sua “conta”, está saindo do bolso do acusado.

Após a decisão sobre o processo sair e o acusado ser absolvido, alguns tendem a achar: “Ah, agora o acusado recupera todo o dinheiro com juros, certo?”

Erradíssimo, pois nem todos os que leram as notícias do lançamento do processo, lerão a notícia de seu arquivamento, ou mesmo da absolvição do acusado. Em suma, é impossível que ele “receba o dinheiro de volta com juros”. Aliás, nem sem juros. Basta contar com uma boa parcela da população não tendo acesso à notícia do arquivamento, estimar esse valor, e fazer as simulações. Sempre aquele que lançou o processo vai sair ganhando, pois desde o início do processo ele capitalizava, enquanto esse valor saía da conta do acusado. Quando a absolvição vier, apenas uma parte do dinheiro sairá da conta do acusador e voltará para a conta do acusado. O acusador ainda ficará com um bom “dinheiro político” no bolso. Mas antes de lançar o processo, logo no começo, ele não tinha nada.

Essa regra nos diz que, na guerra política, quem lança mais processos contra o adversário vence, independente do fato dos processos concluírem com sucesso ou não. E quando o processo conclui com a condenação do opositor, aí temos uma vitória absoluta. É a capitalização máxima. Mas mesmo nos arquivamentos de processo, o acusador ainda se dá bem.

A única forma de neutralizar esse tipo de ataque é lançando processos de volta contra aqueles que fazem processos indevidos. Por exemplo, Bolsonaro poderia ter lançado um processo de denunciação caluniosa. Poderia, também, ter desmoralizado, em termos morais, o seu acusador. Como não fez nada disso, só Randolfe conseguiu capitalizar em cima dele. No máximo, o arquivamento de processo constitui uma diminuição do prejuízo, e nada mais que isso.

É uma verdade dura demais para que as mentes destreinadas em guerra política consigam apreendê-la de primeira? Acho que sim. Mas esses são os fatos.

A esquerda se especializou em lançar processos em quantidades colossais sobre seus adversários por um único motivo: isso funciona.

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21 COMMENTS

  1. Essa regra nos diz que, na guerra política, quem lança mais processos contra o adversário vence, independente do fato dos processos concluírem com sucesso ou não.

    Luciano Ayan deu aula para o Jean Wyllys… kkkkkk

  2. Não tinha enxergado por essa ótica assim que vi a notícia, muito boa a análise..uma pena que isso aconteça.

    Mudando de assunto, pra informar as pessoas que leem o teu blog e são cidadãos decentes, mais uma parte da agenda se cumprindo:

    Pedofilia oficialmente classificada como “orientação sexual” pela Associação de Psicologia Americana.

    http://www.charismanews.com/us/41571-pedophilia-officially-classified-as-sexual-orientation-by-american-psychology-association

    Aí está senhores..já está acontecendo. Futuramente, teremos a “Parada do orgulho pedossexual”…

    • Exatamente como nós conservadores havíamos predito. E exatamente como aquele livro velho que ninguém dá a mínima já havia previsto antes de todos. Agora teremos leis para a pedofilia “consentida”.A decadência / declínio moral da sociedade é passo fundamental para destruição da mesma. Já aconteceu antes, está a acontecer agora, “Assim como na época de Noé”.

      A próxima agenda será a da bestialidade (que corre a todo vapor nos bastidores), e assim teremos junto com a ciência descabida (sim porque ao que me consta a verdadeira ciência ESTÁ MORTA (foi morta pelas ideologias)), “corruptado toda a carne”.

      Sinto um pesar enorme, por aqueles que tem filhos pequenos.
      E não tenho palavras para expressar a profunda IRA que possuo do ser humano enquanto espécie, dita ‘pensante’. Mas ao mesmo tempo sei que isso é parte da improficuidade da mente do homem em um época há muito já prevista.

      Me é muito claro, porque a esquerda, os globalistas (metacapitalistas), os ocultistas e demais pagãos detestam antes do cristianismo, a própria essência da bíblia. Pois nela além da previsão de TODAS as agendas, existe a denúncia inequívoca de a quem eles todos servem.

    • Também apoio o Bolsonaro, mas quem não conhece o assunto mais à fundo não sabe o que se passou eles só ouvem “Bolsonaro será processado por homofobia”, Bolsonaro será processado/cassado por racismo”, “Bolsonaro será processado por agredir”. Para quem conhece o cara não cai nessa, mas para o resto da população sim.

  3. Discordo de você um bocado, Luciano. Bolsonaro está ganhando popularidade entre os conservadores, justamente porque está peitando sem meias palavras a ditadura politicamente correta/gayzista. Ele está se tornando um “símbolo” de resistência. Tem até uma página de apoio a ele, chamada “Bolsonaro Zuero”, com 22.153 likes até agora.

    No vídeo onde ele bota a Maria do Rosário no lugar dela, por exemplo, a maioria dos comentários do vídeo são de apoio a ele.

    • Complementando e expandindo o que o Luciano disse:
      não basta vencer muitas vezes, é necessário obter mais vitórias do que os adversários, SEMPRE.
      Sendo que o ideal é a combinação “Flawless Victory” + FATALITY 😛

    • Só um complemento do que eu falei. Continuo, respeitosamente, discordando, mesmo no tal caso do Randolfe, pois segundo o vídeo abaixo, ele vai entrar com uma representação contra o PSOL por causa do desvio de verba de um sindicato para o benefício do PSOL – o chamado “mensalão rosa”.

    • Eu até ía dar um “downvote” nesse vídeo, mas vi tanto voto negativo que até fiquei com pena.
      O mais legal é que essa turma do Psol (partido dos “di menor”) vivem se “comendo”:

      ” Randolfe Rodrigues
      Luciana Genro disse que substituiu o senador Randolfe Rodrigues (AP) como candidata do PSOL à Presidência porque o parlamentar “acabou seduzido por uma proposta de ser mais viável eleitoralmente”.

      “Quando ele era candidato, não estava representando a posição média do partido. Foi por isso que ele desistiu da candidatura. Ele não estava conectado com o pensamento da maioria. Foi por isso que abriu mão e hoje está embarcando na pressão oportunista de estar mais próximo de quem está com mais chances eleitorais”, declarou.

      Segundo a presidenciável, Randolfe Rodrigues “está praticamente fora do PSOL”. O senador, que está em Brasília para participar do chamado “esforço concentrado” dos parlamentares nesta semana, disse que a declaração de Luciana Genro foi uma “surpresa”.

      “Eu não sabia nem da entrevista nem sabia que eu estava fora do PSOL”, afirmou quando foi informado sobre o conteúdo da fala da candidata. Ele não respondeu se tem intenção de deixar o PSOL.

      “Meu futuro político é definido pelo povo do Amapá e é definido a partir do debate que eu trato com meus companheiros de partido. Fora esses personagens, ninguém mais define meu futuro político”, declarou.”

      http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/pressao-popular-substitui-apoio-no-congresso-diz-luciana-genro.html

      Olhem como ele gosta da “nova política”:

      http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,psol-lanca-pre-candidatura-de-randolfe-rodrigues,1103030

      Virou senador com ajuda do grupo do Sarney e agora quer posar de combatente das oligarquias.

      O fogo amigo sempre é divertido 😀

      http://www.lsr-cit.org/psol/congresso/1100-4o-congresso-do-psol-randolfe-e-provocacao

  4. Eu acredito que compreendi a lógica do raciocínio e ainda assim não estou inteiramente convencido das conclusões, eis que o MENSALÃO, o mais assombroso caso judicial de toda a história do Brasil, apesar de ter causado graves danos a imagem de todo o partidão, não foi suficiente para evitar a reeleição de Lula em 2006 e da Dilma em 2010. E mesmo após o seu encerramento, com a culpa pronunciada pela mais alta Corte do País, com a prisão de ilustres líderes do partido, ainda assim temos Dilma bastante competitiva e intacta na disputa presidencial.

    O Mensalão cito apenas a título de simples exemplo, tendo em vista outros casos mais recentes de demandas judiciais, como no caso da Petrobrás que levou a derrocada de um nome expoente do PT: Deputado André Vargas.

    Da forma como eu percebo, todas as diversas investidas contra o Deputado Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara, e não foram poucas, apenas lhe rendeu mais notoriedade e mais “popularidade” nos setores mais conservadores e mais a “direita”, antes completamente órfãos e que, ante a antipatia da grande imprensa, não sabiam sequer da sua existência enquanto parlamentar.

    Eu mesmo sou um exemplo disso, sou do Ceará, nada conhecia sobre a antiga trajetória política do Jair Bolsonaro (ao que parece 6 mandatos consecutivos) e só tive o privilégio de tomar conhecimento da sua existência haja vista a eclosão de tantos ataques desesperados e agressivos por parte da extrema-esquerda, o que inevitavelmente renderão ao Deputado Bolsonaro uma popularidade sem igual nas redes sociais.

    Como dizem os populares: “falem bem, ou falem mal, mas falem de mim”. Eu penso que quanto mais exposição, mesmo que isso possa imediatamente repelir a parcela “neutra” e “desatenta” da população, termina por produzir um efeito inverso ao pretendido pelo agressor, que é tornar a construção involuntária da imagem de mártir, de “herói”, de homem destemido e que não se enverga.

    Esse frame, produzido gratuitamente pela própria extrema-esquerda, contra os seus próprios interesses imediatos, sem nenhuma indução deliberada por parte do Bolsonaro, na minha compreensão, serviu muito mais para notabilizá-lo em âmbito nacional, pois antes apenas restrito ao Estado do RJ, do que para prejudicá-lo em termos de capitalização política.

    É como penso.

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