O verdadeiro poder do pensamento positivo na guerra política… e sem precisar de auto-ajuda

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Num ambiente de disputa sobre questões públicas em territórios democráticos (e até em ditaduras), quase toda a guerra política tem um único fim: conquistar mentes, influenciando-as em direção aos seus objetivos. Em relação a esses objetivos, não adianta eles estarem alinhados aos objetivos de uma boa parcela do eleitorado. É preciso demonstrar isso para eles de forma clara e convincente. Grande parte da luta é baseada em influenciar os neutros, desanimar os opositores (ou ao menos irritá-los a ponto de fazê-los cometer erros) e animar (além de ajudar a direcionar) aqueles que estão ao seu lado.

Um dos princípios da guerra política é implacável: o lado que demonstra mais vontade de vencer, toma a dianteira. Além disso, o lado que demonstra mais convicção da vitória, também ganha pontos. Aquele que agrupar esses dois fatores, enquanto o outro lado não, está a beira de vitórias por goleadas.

Quando Karl Marx lançou o jogo Caminhando na marcha da história, ele queria dizer apenas duas coisas, e nada mais: (1) Marxistas com certeza vencerão no final, pois esta é a marcha da história, (2) O papel dos marxistas é fazer a roda da história girar. No item (1), temos a propaganda de convicção de vitória, e no item (2) temos o estímulo à vontade de vencer.

Isso se reflete no comportamento deles a cada menor ação que façam, onde, ao mesmo tempo em que confiam que vão vencer, convencem os seus (além de vários neutros e até alguns opositores) de que a vitória é inexorável. Até os esquerdistas moderados e os diversos tipos de ativistas de extrema-esquerda assimilaram esse modus operandi.

A direita, por outro lado, não raro diz que “está tudo acabado”, executando uma anti-estratégia política. É praticamente o inverso da postura dos esquerdistas. Alguns diriam que isso é realismo. A meu ver é apenas a construção de um fracasso de forma programada, até por que em política não existem jogos com final definido a longo prazo. Se víssemos esse tipo de atuação em liderança corporativa, poderíamos avaliá-la como a postura de pessoas com quadro clínico de depressão atuando em funções de gestão.

Atenção: eu não digo que não devemos alertar o público de riscos e impactos no caso da adoção da ideia do oponente. Pelo contrário. Devemos fazer isso sempre, pois na guerra política utilizar os símbolos de medo e esperança é outro princípio fundamental. O problema surge quando transformamos os símbolos de medo (relacionado ao adversário) em desespero e ignoramos os símbolos de esperança, que nós também devíamos portar (assim como fazem os esquerdista quando falam em público).

O bom estrategista político trabalha com os símbolos de medo e esperança adequadamente. Ao invés disso, alguns da direita trabalham com os símbolos de desespero (em relação ao adversário), e falta de esperança (em relação a si próprios). Assim, não há expectativa do povo brasileiro (de direita) que resista, e então a massa toma a única decisão esperada, em termos de dinâmica social do comportamento popular: “vamos votar nos outros então!”.

O grupo que não consegue convencer o público (especialmente a parte neutra deles) de que “vai vencer” ou aos seus pares de que “precisa vencer” está automaticamente professando sua desistência da guerra política. E essa mensagem é assimilada por uma boa parte da população prestes a ser influenciada pelos intelectuais orgânicos que atuam nos jogos políticos. Parece até que a esquerda diz: “se a direita não quer [o poder], nós queremos”.

Ao olharmos a participação dos esquerdistas em qualquer interação virtual, perceberemos que eles basicamente sabem usar o “pensamento positivo” na guerra política. Muito provavelmente por que aprenderam, com o tempo, a fazer discursos de forma estratégica.

O primeiro passo para que a direita saia do lamaçal onde se encontra é entender que são agentes de mudança e que falam para um público ávido (ao menos de forma inconsciente) por suas participações. Mas estas participações precisam dar a convicção, especialmente aos neutros, de que vale a pena apostar nestes agentes de mudança.

Qualquer líder corporativo sabe disso: a maioria quer apostar suas fichas naqueles que tem mais chance de vencer, assim como maior vontade de chegar lá. Caso contrário, por que o eleitorado (ou mesmo a opinião pública em geral) irá apoiá-lo? Basicamente eles questionam: “Se você não está a fim de chegar lá, por que eu deveria confiar em você nessa luta?”

Quando um esquerdista diz que “O Clarin caiu, e a Globo vai cair. Tremei!”, ele está jogando o jogo da confiança em sua vitória. Ele sabe que isso é parte fulcral de sua luta por conquista de mentes. Enquanto isso, alguém da direita, nas redes sociais, diz “Acabou, de vez, e isso vai ocorrer no Brasil”. Será que não é esse um dos pontos centrais do discurso da direita que fizeram com que a população brasileira os mandasse catar coquinho na descida?

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11 COMMENTS

  1. Luciano, mais um apanhadão que pode gerar coisas importantes:

    1) Mais uma prova de que PT e PSDB não são assim tão diferentes: tucanos querem tornar o Bolsa Família permanente. Talvez tenham notado que é um bom cabresto eleitoral para os mais pobres;

    2) Anonymous diverge do Black Block, mas nem tanto, como se pode ver aqui;

    3) Depois de aparecer pichação escrito CV em uma das arruaças do Black Bloc na Cidade Maravilhosa, bem como após as escutas no PCC demonstrando que eles queriam infiltrar gente nos protestos dos encapuzados (como é suspeito de ter acontecido no Jaçanã), mais uma suspeita de que protestos com vandalismo interessam ao crime organizado e que este pode estar por trás disso: nas áreas de onde policiais foram deslocados, dispararam os crimes. Em tese dá para pensar que muita gente no centro carioca acabava por desocupar favelas (aqui podendo pensar também nas que têm UPPs) e criando ambiente para o crime organizado de lá adiantar serviços que não podiam ser feitos devido a um policiamento mais ostensivo. Logo, “Fora Cabral” e “Fora Alckmin” podem ser de muito interesse da bandidagem propriamente dita;

    4) Mário Sérgio Conti amacia para o lado dos black blocs;

    5) Alta preocupação para os partidos Novo, Liber, entre outros que estão tentando registro: sancionado o projeto que inibe a criação de novas agremiações políticas. Logo, no nível eleitoral fica mais difícil derrubar o marxismo-humanismo-neoateísmo;

    6) Porém, mais uma vez podemos agradecer à característica peemedebista de ser balaio de gatos: as rusgas entre o partido do vice e o da presidente estão impedindo que certos projetos que interessem ao PT avancem, bem como há coisas interessantes que a Câmara aprovou, como o voto facultativo (o que vai gerar pressão no Senado, que derrubou projeto parecido anteriormente);

    7) Por fim, veja o que o MHN fez na Suécia: uma multidão de crianças mimadas que, se contrariadas, denunciam seus pais para as autoridades, mesmo que na prática não tenham feito nada além de discutir com os pequenos ou dado um grito.

    • Cidadão,

      “Em tese dá para pensar que muita gente no centro carioca acabava por desocupar favelas (aqui podendo pensar também nas que têm UPPs) e criando ambiente para o crime organizado de lá adiantar serviços que não podiam ser feitos devido a um policiamento mais ostensivo. Logo, “Fora Cabral” e “Fora Alckmin” podem ser de muito interesse da bandidagem propriamente dita;[…]”

      Eu, sinceramente, já não tenho mais dúvidas sobre essa tese; isso que vc disse já é a síntese da realidade aqui do meu Rio.

      Já começou a campanha pra valer contra as UPPs cariocas. Até onde sei são todas puxadas pelo PSOL, PT e Globo (com o apoio das anêmonas radicais e inocentes de sempre) .

      A tal campanha em favor (já repararam que nunca usam o termo ‘CONTRA’?) da ‘desmilitarização da PM’ me parece que é CLÁUSULA PÉTREA nesses movimentos de esquerda e a maioria da população, que VÊ no seu dia-a-dia que as UPPs melhoraram SIM o ambiente de insegurança e MATANÇA que existia, NÃO está percebendo a perfídia monstruosa desse discurso ‘anti-polícia’.

      Isso é gravíssimo. Se essa ideia passar, as UPPs estão com os dias contados.

      Luciano, como travar essa dinâmica social que vai entregar de bandeja a nação nas mãos dos piores facínoras do mercado revolucionário?

      PS: Desde o começo ficou muito claro pra mim que as UPPs foram vendidas como “A SOLUÇÃO DE TODOS OS PROBLEMAS SOCIAIS”. Uma MENTIRA tão irrealista, tão absurda, tão escrota e infantil (*UPP é apenas UM DOS PEDAÇOS de uma política de segurança muito mais ampla) que É CLARO que algo criado pela ONU e que poderia sim ser usado de outra forma (com muito mais eficiência e benefício para a população que vive sob o terror diário sem precisar seguir as diretrizes globalistas dessa organização internacional), acaba começando errado, dando errado e acabando errado, pra infelicidade dessa nação imensa e mansa.

      O esquerdismo é mestre em afirmar e defender algo de maneira positiva, boa, altruísta e justa, negando e atacando; o domínio total do ‘bilinguis maledictus’ de que fala a Bíblia: o homem de duas línguas.

  2. Bem primeiro que a direita deve dizer a verdade e não pode sair enganando. Pelo menos é melhor se calar ou ser modesto como O de C que afirma que no Brasil só é possível criar um núcleo de resistencia e ao menos que fatores internacionais intervenham ,o Foro de SP pode cair de vez .
    E segundo é fácil para a esquerda dizer que vai ganhar ela venceu e vence na fraqueza dos católicos e na burrice e colaboração dos protestantes , queria ver ela entrar no mundo islâmico .
    Sem contar que é mais difícil derrubar um regime de esquerda do que outra coisa . Como é possível um dia a Rússia e China cair do lado dentro? a FSP tem um agente para cada 200 pessoas , e toda a imprensa é controlada?E pior crise econômica derruba democracias , mas não ditaduras.
    E pior que a solução do Olavo para o Brasil , criar intelectuais que recuperem a cultura é problemático . Na Rússia o Alexandr Soljentisin recuperou a cultura russa, Ganhou um Nobel de Literatura os estudantes russos tem como leitura ” Arquipélago Gulag” e o regime caiu por isso?E pior ainda brasileiro tem desprezo pela cultura.
    Sinceramente o que vai derrubar o PT e o Foro de uma vez é só fator internacional, creio eu .
    Mas pessoalmente acredito mais em você do que Olavo em fazer uma diferença e eventualmente derrubar a esquerda.Enquanto ele foca demais nisso de cultura e só agora está pensando em curso de Política . Voce já falava em política e domina a Engenharia Social , PNL , Hipnose etc…
    Tenho mais fé em você , porque espero que você crie um exército de Rasputins/Derren Browns e tem a mentalidade para a eficiência enquanto Olavo tem para eficácia .
    Embora ache importante Olavo o foco dele na Alta Cultura etc…

    • Hannoy,

      Obrigado pelas palavras. Mas eu farei um texto adicional mostrando que a questão não é entre dizer ou não a verdade, mas sim em lutar para tornar algo uma verdade a partir de sua ação.

      Por exemplo. Imagine que você fosse um comandante dentro de uma das balsas desembarcando na praia da Normandia no Dia D. Ao ser aberta a balsa, você vê milhares de tiros nazistas, e vários soldados aliados caindo mortos na água:

      Qual informação é “verdadeira” ou “falsa”?

      (1) Vamos todos morrer, acabou-se
      (2) Vamos lá chutar o rabo de Hitler

      É disso que estou falando. Na guerra política, estamos diante de situações abertas onde dizer “acabou-se tudo, eles vão vencer” ou “vamos lá vencer, que a vitória será nossa” não podem ser classificadas como verdades ou mentiras por que falam de eventos do futuro que estão abertos.

      Mas elaborarei isso melhor em uma parte 2.

      Abs,

      LH

      • Valeu por essa bela explicação, Luciano.

        “Mas eu farei um texto adicional mostrando que a questão não é entre dizer ou não a verdade, mas sim em lutar para tornar algo uma verdade a partir de sua ação.”

        Fazer acontecer. Essa questão de ‘verdade x mentira’ fica pra depois, pruma outra ocasião, já que não se pode julgar as ações numa guerra (cultural, no caso) no ato em que elas acontecem. É isso?!

        —–

        Hannoy,

        Concordo contigo sobre essa questão da intervenção internacional (mas seria um MILAGRE GIGANTESCO algum país ou organização estrangeira a essa altura do campeonato se interessarar por bananeiras e primatas endinheiristas e tarados, por um futuro brasileiro que não parta daqui mesmo).

        “Sem contar que é mais difícil derrubar um regime de esquerda do que outra coisa.”

        Justo porque as pessoas dessa Era já não compreendem mais (perderam, esqueceram um ensinamento universal) que LIBERDADE (e paz, e sossego, e prosperidade, e justiça social) é a ETERNA VIGILÂNCIA.

        Fora essa ideia maluca e infantil de IGUALITARISMO terrestre e mundial somado ao RELATIVISMO MORAL. Isso tem que mudar na mentalidade das novas gerações, torná-las fortes, imunes à ideologia revolucionária. O foco pra mim vai ser sempre aí, na consciência individual. Como bem diz o nosso Lobão: ‘o frouxo, unido, jamais será um indivíduo!’.

        O esquerdismo é tipo uma “AIDS social”, uma doença auto-imune que liquida com a inteligência (como neurônios) e DESTRÓI nossa natureza cognitiva e intelectiva com o mundo ao redor, nos prendendo a um escotoma sufocante produtor de revoltas, recalques e desesperanças com relação a realidade que nos cerca. Uma ‘doença do espírito’ como bem detectou o Olavo através do estudo de um psiquiatra (ou psicólogo) que não me lembro o nome agora.

        Antigamente todos sabiam que não adiantava construir muros em volta das cidades para proteger os seus cidadãos sem antes colocar sentinelas no alto das torres até pra poder construir os muros.

        O esquerdismo só vai cair quando recolocarmos as sentinelas no alto dos muros das nossas próprias consciências e abandonarmos essa viadisse vigarista de “mundo melhor”, de pensamento em bloco, pacifismos avatáricos-ecoloterroristas, “justiças sociais” preconcebidas em laboratórios “iluminados”…

        As pessoas tem que abandonar essa ideia de ‘AMAR O MUNDO’ e começar a amar de verdade quem está ao lado, dentro de casa; em vez de sombrear o mundo inteiro com suas boas intenções, estender o braço a quem caiu no buraco ou passa fome em frente de casa; em vez de sair gritando EUREKA! pelos corredores das IDEIAS GENIAIS!, usar a balança do bom senso, da História e do empirismo científico.

        É isso. E isso eu tô aprendendo com o Olavão (para a nÓÓÓssa alegria!), e aqui com o nosso Luciano franco-atirador-com-mira-laser-e-binóculo-de-visão-noturna-que-ninguém-tem (para a nÓÓÓssa alegria também). ;¬)

        Falando em binóculo…
        Manhê, eu tb quero um desse de natal!

      • *CORREÇÃO:

        -“O esquerdismo é tipo uma “AIDS social”, uma doença auto-imune que liquida com a inteligência (como neurônios) […]”

        -O esquerdismo é tipo uma “AIDS social”, uma doença auto-imune que liquida com a inteligência (comE os neurônios)[…]”

        Mal aí.

  3. “Hannoy,

    Concordo contigo sobre essa questão da intervenção internacional (mas seria um MILAGRE GIGANTESCO algum país ou organização estrangeira a essa altura do campeonato se interessarar por bananeiras e primatas endinheiristas e tarados, por um futuro brasileiro que não parta daqui mesmo).”Essa idéia é do O de C , e pensei em algo como Lenin fez na Rússia , um ataque de fora do pais . Tipo os Olavetes sairem do Brasil , irem Para EUA , Colombia e Chile e dar um golpe anti-Comunista do lado de fora do Brasil.E sei lá podemos dar a Amazônia , uma boa parte dela para os EUA . O Acre por exemplo só dá prejuízo a União Chile damos um porto a eles no Atlântico enfim…

  4. “O esquerdismo só vai cair quando recolocarmos as sentinelas no alto dos muros das nossas próprias consciências e abandonarmos essa viadisse vigarista de “mundo melhor”, de pensamento em bloco, pacifismos avatáricos-ecoloterroristas, “justiças sociais” preconcebidas em laboratórios “iluminados”…

    As pessoas tem que abandonar essa ideia de ‘AMAR O MUNDO’ e começar a amar de verdade quem está ao lado, dentro de casa; em vez de sombrear o mundo inteiro com suas boas intenções, estender o braço a quem caiu no buraco ou passa fome em frente de casa; em vez de sair gritando EUREKA! pelos corredores das IDEIAS GENIAIS!, usar a balança do bom senso, da História e do empirismo científico.”
    Pois é O Yuri Bezmenov e outros aconselham a voltarmos a Tradição . René Guenon queria a volta da casta sacerdotal .
    Mas tipo a Alta Cultura é coisa para poucos , sem contar que a Tradição caiu justamente pelo clero se ater a minúcias e besteiras de versículos e Moralismo exarcebado .
    Eu diria que devemos voltar a Tradição , mas com uma nova abordagem . Tipo os padres e clero aprenderem a Engenharia Social e serem mais liberais por exemplo na parte sexual . È claro não da margem a excessos como casamento gay .
    É tipo o Star Wars , os Jedis cairam para os Sith como Palpatine e Darth Vader por se aterem a minucias como se Jedis devem casar ou não e não reconhecerem o talento do Anakin por causa de Tradicionalismo besta .
    Quando Luke refez a Ordem Jedi tipo, ele permitia Jedis se casarem enfim…

  5. “Justo porque as pessoas dessa Era já não compreendem mais (perderam, esqueceram um ensinamento universal) que LIBERDADE (e paz, e sossego, e prosperidade, e justiça social) é a ETERNA VIGILÂNCIA.”Aham por isso o partido do Thomas Jefferson nos EUA , tinha uma TOCHA . Para simbolizar a vigilancia que exige a Liberdade.Isso complica no Brasil onde o pessoal implora por Leis e Regras , quer deixar para os outros.Só quer saber de dinheiro.

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