Introdução (até que enfim) ao neo-iluminismo

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Crenças são ferramentas para a geração de efeitos. Robert Dilts já nos dizia isso em “Crenças”, uma das melhores obras da PNL. Uma vez que aceitemos uma crença, nossos comportamentos são afetados. Podemos dizer que não só o animal humano, como toda espécie animal, tem comportamentos influenciados por crenças.

O comportamento de fugir de um animal selvagem se baseia na crença de que este animal pode nos devorar. O comportamento de apostar em um galo de briga se baseia na crença de que este galo pode vencer a briga de galo (a não ser que não gostemos de dinheiro, obviamente). O comportamento de dirigirmos com cuidado se baseia na crença de que a direção atabalhoada pode fazer com que provoquemos um acidente. E assim, sucessivamente, conseguimos fazer uma rastreabilidade bidirecional associando crenças a comportamentos, e vice-versa.

As crenças podem, no entanto, ser danosas, ou injustificadas. Elas podem estar simplesmente erradas. Ao ligarmos os pontos A e B, podemos simplesmente estar fazendo a conexão errada. Exemplo: podemos achar que temos dor de dente por causa da chuva, ou que um funcionário está descontente por causa do salário (quando pode ser outro motivo), e daí por diante. Crenças erradas a respeito do mundo são aquelas que definimos como irracionais. E não estou entrando em minúcias a respeito de coisas como razão instrumental, razão pura e coisas do tipo. Não é este o foco aqui, ao menos no momento.

Sam Harris sugeriu que nos opuséssemos contra as crenças irracionais, sejam elas quais fossem. Quero defender aqui um paradigma nos mostrando que as crenças irracionais não são nossos maiores problemas, mas sim uma categoria específica de crenças irracionais, que defino como crenças irracionais problemáticas. Estas crenças irracionais podem vir da religião tradicional ou de qualquer outro tipo de sistema de pensamento. Assim, defendo que as crenças irracionais devam ser catalogadas em dois tipos: crenças irracionais neutras e crenças irracionais problemáticas.

Por que decidi não focar nas crenças irracionais neutras? Simplesmente por que elas são inerentes aos seres humanos. Essa é a programação biológica do animal humano. Boa parte das decisões humanas são irracionais, embora uma minoria dessas são racionais. Sem esquecer de que, para mim, decisões (ou até comportamentos) são apenas resultados de crenças que temos. E a própria decisão de verbalizar uma crença positivamente é um comportamento resultante da pessoa de fato possui esta crença dentro de sua cachola.

Quero defender a ideia de que devemos priorizar o desmascaramento e a demolição não das crenças irracionais neutras, mas das crenças irracionais problemáticas.

A crença racional neutra é aquela que tem duas possíveis consequências principais: não resulta em decisões e comportamentos que causem qualquer tipo de impacto no mundo, ou resultam em impactos no mundo, mas somente para o próprio crente. Por exemplo, se alguém achar que gritar dentro de uma latinha, vedando-a em seguida, causa a captura de um grito, temos uma crença irracional, mas que não causa nenhum efeito adverso no mundo. Achamos engraçado, mas as pessoas devem ter o direito de acreditar nestas bobagens. Alguém também pode achar que cortar o próprio pênis vai causar o nascimento de um pênis novo, com ereções eternas. Essa crença com certeza causa um impacto no mundo, mas somente para a própria pessoa.

Observe que tratei de dois tipos de crenças irracionais que não são um problema para nós. Elas não impactam nossa vida e dão o pleno direito de cada indivíduo tomar suas decisões que não impactem diretamente em terceiros. O quanto uma crença possui impacto indireto nos outros também pode ser discutido. Mas creio que, para o momento, já é o suficiente para que eu defina de quais tipos de crenças irracionais estou tratando.

Pois bem. Ao invés de tratar de “crenças irracionais”, como diz Sam Harris em A Morte da Fé, eu opto por tratar as crenças irracionais problemáticas, que se encaixam em uma ou mais das configurações abaixo:

  1. Crenças irracionais que impactam diretamente os descrentes
  2. Crenças irracionais que, mesmo impactando os descrentes, não são suficientemente questionadas pelos opositores desta crença
  3. Crenças irracionais que, tendo atendido as condições acima, ainda assim não admitem questionamentos
  4. Crenças irracionais cujos adeptos busquem limitar a liberdade dos descrentes

Uma vez que apliquemos estes quatro critérios, podemos, enfim, reinterpretar praticamente todo o livro A Morte da Fé e finalmente termos um forte caso contra as crenças mais perigosas de nosso tempo. Pode-se dizer que se o neo-ateísmo é um movimento defendendo um ataque às crenças alegadas como irracionais se forem de alguma religião revelada, a minha superação e reconstrução deste paradigma propõe: um ataque às crenças irracionais da religião política, ou à quaisquer crenças irracionais problemáticas relacionadas às questões da vida pública.

Vejamos como isso funciona na prática.

Imagine um pastor que acredita no cristianismo de forma literal. Ele não propõe nenhuma forma de cerceamento de liberdades individuais, embora ache que crimes violentos devem ser punidos. Ele propõe que os gays devem ter o direito a união civil, mas também defende que ele possa pregar em seu púlpito a defesa da família tradicional. Por mais que alguém queira acusá-lo de crenças irracionais neutras (e, como já disse, todos possuem crenças irracionais), não podemos acusa-lo, ao menos nos exemplos que citei, de crenças irracionais problemáticas.

Por outro lado, imagine que um grupo LGBT proponha que, em sua concepção de estado laico, o líder religioso não possa mais expressar aquilo no que acredita. Esse grupo também propõe que os religiosos devem ter seu direito de participar na política vetado. Observe que são duas crenças irracionais problemáticas, que atendem aos critérios que coloquei, especialmente o de impacto direto aos descrentes, e o cerceamento da liberdade dos mesmos descrentes.

Alguém mais cínico poderia objetar: “Aha, Luciano, essa enfim é sua artimanha para tirar o foco dos religiosos e lançá-lo para outras pessoas? Espertinho você, não é?”. Essa crítica nem de longe é justificada, e vou mostrar aqui que meu paradigma impede esta possível “saída pela tangente”.

Imagine um líder religioso do Sudão que diga que, de acordo com as leis místicas nas quais ele acredita, as mulheres devem ter seu clitóris extirpado. Imagine também um líder jihadista que afirme ter uma missão divina de matar os infiéis. É claro que falamos de crenças irracionais problemáticas e que nesses exemplos estão associadas à religião tradicional. Creio que esses dois exemplos provam que meu paradigma não torna a religião tradicional imune à críticas, mas apenas dá um reforço à ideia de que devemos priorizar quais crenças da religião tradicional são ou podem se tornar um problema para nós. Questões como aborto, eutanásia e casamento gay são relacionadas a crenças que impactam a vida daqueles que não compartilham delas, e também são foco de meu paradigma.

Sam Harris colocou como um símbolo de sua campanha contra a religião tradicional as vítimas do 11 de setembro. Entretanto, seu erro grave foi atribuir esse tipo de consequência à religião tradicional, quando poderíamos facilmente argumentar pela hipótese de que aquele evento terrorista tinha muito mais a ver com a religião política do que com a religião revelada. Neste caso, a alegação de Harris, de que o atentado do 11 de setembro foi causado pela religião tradicional, torna-se uma crença irracional problemática, que também é demolida se usarmos o neo-iluminismo nessa questão.

Neo-iluminismo não é exatamente a mesma coisa que ceticismo político, mas ancora-se em seus princípios. Mas também podemos dizer que o neo-iluminismo é a aplicação do ceticismo político em questões públicas. Em outras palavras, com o neo-iluminismo estamos fazendo exatamente o que os iluministas originais fizeram, só que agora contra todas as possíveis variações de crenças que nos lançam em eras de desrazão, mais obscuras do que as eras medievais, enquanto ao mesmo tempo impactam diretamente seus descrentes, limitando as liberdades destes últimos. Podemos dizer que essas crenças, especialmente as da esquerda (que as possui em quantidade inacreditável), nos levam de volta às eras tribais. O neo-iluminismo pode também ser definido como uma ação específica contra crenças que estão nos levando de volta às eras de barbárie dos tempos tribais.

Sam Harris propunha que usássemos exemplos de mulheres que tinham o clitóris extirpado como um exemplo das consequências nefastas da religião. Na verdade, pelo neo-iluminismo, temos uma visão muito mais ampla. Vejam exemplos de vítimas de crenças irracionais problemáticas:

  • Mulheres que tem o clitóris extirpado em rituais
  • Pessoas que morrem em gulags
  • Vítimas de crimes desnecessários
  • Vítimas de atentados terroristas, inclusive atentados suicidas
  • Pessoas que pagam impostos injustificados

Enfim, todos os problemas que Harris atribui à religião, eu atribuo à crenças irracionais injustificadas. E isso resolve a maior parte dos problemas teóricos que os neo-ateus criaram para eles próprios. Ao invés de estudar um problema apenas se ele estiver relacionado à religião tradicional, eu estudo o problema em si.

Por exemplo, quando Harris tenta dizer que os genocídios são causados pela religião, ele se defende dizendo que “ateísmo não causa genocídios, apenas teísmo”. Quando confrontado com os crimes de Stalin e Hitler, ele diz que “os crimes de Hitler são causados por religião, e os crimes de Stalin por irracionalidade”. O problema é que essa declaração é irracional e cheia de furos, pois cria categorias facilmente refutáveis por qualquer um que estude lógica. Já em meu paradigma eu atribuo tanto a condenação de pessoas pela Inquisição quanto o lançamento de pessoas em câmaras de gás pelos nazistas como resultados de crenças irracionais problemáticas que não foram suficientemente questionadas pelos descrentes quanto a essas crenças.

O neo-ateísmo é a cadela que gerou o neo-iluminismo, mas este renegou a mãe em suas posturas, mantendo os mesmos instintos.

Claro que há muitas objeções a serem tratadas e detalhamentos a serem feitos, assim como muitas abordagens práticas mostrando a urgência deste tipo de paradigma para a atual era de tribalismo, que vem solapando pouco a pouco nossas mais queridas noções de sociedade civil. Mas, em uma casca de noz, creio que fiz a introdução ao neo-iluminismo, respondendo a algumas questões no Facebook perguntado: “Luciano, mas que raios é o neo-iluminismo?”.(Ver também o verbete neo-iluminismo, da seção Glossário)

Como definir este blog? É um blog praticando e difundindo o neo-iluminismo. Uma das melhores formas de fazer isso é pela aplicação do ceticismo político contra a religião política.

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16 COMMENTS

      • Zcla,

        E entendo e respeito sua crítica. Mas o texto simplesmente explica a postura deste blog. A reconstrução do neo-ateísmo para que, ao invés de usá-lo contra a religião tradicional, seja usado para todas as crenças irracionais problemáticas, é o neo-iluminismo. Daí, eu preciso dar uma explicação do por que ajo desta forma, e do quão útil é este modelo para desmascarar oponentes que possuam crenças que impactem sua vida. Entre essas crenças estão a crença no estado inchado, na ausencia de culpa de bandidos, etc.

        Não entendo por que explicar por que este blog é tão assertivo nas críticas aos esquerdistas seria uma “mudança de direção”.

        Abs,

        LH

  1. Interessante Luciano, vc tb conhece as técnicas da PNL, eu gosto muito principalmente pelo pragmatismo dela. Mas acho que Robert Dilts não chega nem perto do trabalho original de Bandler e Grinder, principalmente do Richard Bandler que até hoje ainda desenvolve idéias novas.

  2. Quomodo possumus viam scire ?

    Sapientiam autem non vinciti malitia.

    Estou postando essa mensagem porque estou curioso sobre uma questão.
    Mas antes permita-me uma nota introdutória, para um melhor esclarecimento.

    Eu tive uma vida plena de realizações, não posso, de modo algum reclamar.

    Quando jovem, eu tinha muitas ideias, as quais julgava exuberantes, avançadas e maravilhosas, e em certos momentos chegava até mesmo a me considerar especial, em relação aos demais pobres mortais, apenas por julgar que as minhas ideias eram especiais, pois eram minhas.

    Grande e imenso ego né?

    Bem… Eu também era muito cobiçado pelas mulheres e tinha todas as que eu queria.
    Fui campeão de Karatê. Era muito respeitado pela rapaziada, e meus amigos sempre podiam contar comigo para uma boa e divertida briga nas boates…
    Era muito divertido. Nós gostávamos de uma boa briga naqueles saudosos tempinhos que não voltam mais.

    Sabem como é né? Coisas de Homens jovens cheios de energia e virilidade…
    Há! O amor era lindo e a mulherada ficava satisfeita, hehe.

    E acredito que isso ajudou um pouquinho a enaltecer o meu já imenso ego.

    Como eu sempre cultivei as artes marciais, acabei aprendendo que o caminho do verdadeiro Samurai não era feito apenas de valentia nos combates, mas também e principalmente de estudos profundos e muita cultura, pois um Samurai de verdade se primava pela sua nobreza e cultura diferenciadas.

    E foi nesse caminho do bom combate que eu realizei minha maior conquista: minha família.

    Eu tenho o privilégio de poder dizer que ainda tenho amigos, mas a maioria já se foi deste mundo. Tenho muitas saudades deles todos.

    Porém, com alguns deles, eu estava presente no ato do vencimento do prazo de validade do homem aqui na terra. E querem saber? Nós, homens, mudamos radicalmente, por dentro, na alma, quando vemos a vida se extinguir nos olhos de um amigo.
    E nesse momento, inefável, toda aquela tralha de conceitos artificiais sofisticados vira fumaça, e não significa porra alguma.
    O espírito e a consciência buscam respostas no infinito, e um sentimento de solidão envolve o ser.
    Mas ai acontece o inesperado, e nessa noite negra da alma, o homem percebe que a individualidade e a consciência são mistérios inexplicáveis, que abarcam o infinito.

    E é nesse ponto que entra a minha questão indicada no inicio, a saber:

    Será que os neo-ateus, neo-iluministas, neo-iluminados, neo-lamparinados, neo-lampejados e neo-árvores-de-natal-alados irão se manter FIRMES e VALENTES em suas bem elaboradas, sofisticadas e magnânimas “convicções” de neo-seres-auto-considerados-especiais quando estiverem se defrontando conscientemente com seu timing final de prazo de validade aqui nesse nosso grão de pó ?

    Será que vocês se manterão íntegros e valentes em suas “convicções” ou clamarão por DEUS ???

    O que acontecerá com vocês na verdade hein?
    Vocês tem o domínio do seu futuro?
    Podem garantir que estarão vivos amanha?

    Hó! Duvida cruel!

    Em verdade vocês não podem responder essa questão agora, eu sei muito bem o que digo…

    Mas, com certeza, irão descobrir a resposta, sobre vocês mesmos, quando sua hora chegar.

    Essa hora sempre chega, e quando menos se espera a vida já passou. Eu sei como é.

    Boa Viagem.

    • Algumas respostas

      Será que vocês se manterão íntegros e valentes em suas “convicções” ou clamarão por DEUS ???

      Alguns vão clamar por Deus, outros não…

      O que acontecerá com vocês na verdade hein?

      Não sabemos.

      Vocês tem o domínio do seu futuro?

      Ninguém tem.

      Podem garantir que estarão vivos amanha?

      Não. 😉

      Abs,

      LH

      • Caro Sr. Luciano Henrique

        “Sapientiam autem non vinciti malitia.” Essa frase está lá no topo do site de filosofia do Professor Olavo de Carvalho.

        Essas perguntas que o senhor respondeu, do meu texto, são auto indutivas e portanto desnecessário seria respondê-las, mas como o senhor se deu ao trabalho de fazê-lo, então resta evidente que o senhor não entendeu as metáforas.

        Uma metáfora, Sr, Luciano Henrique, é apenas uma figura de linguagem, um recurso literário.

        Eu sou apenas um aprendiz da vida breve vida, da vida louca vida.

        Caso o senhor esteja disposto a um debate de verdade, vá ao site do Prof Olavo de Carvalho e prove lá, a sua vasta sabedoria. Prove perante quem é MESTRE de VERDADE.

        Mas, por favor, não vá lá para responder perguntas auto indutivas, pois seria vergonhoso para o senhor.

        Boa Viagem.

      • Ridendo, vamos testar?

        “Sapientiam autem non vinciti malitia.” Essa frase está lá no topo do site de filosofia do Professor Olavo de Carvalho.

        Bela frase, diga-se.

        Essas perguntas que o senhor respondeu, do meu texto, são auto indutivas e portanto desnecessário seria respondê-las, mas como o senhor se deu ao trabalho de fazê-lo, então resta evidente que o senhor não entendeu as metáforas.

        Há um erro aí. “Desnecessário” não é o mesmo que “impeditivo”. As perguntas tinham uma direção clara, e a não resposta à elas configuraria em um benefício para uma ideia em detrimento de outra. Isto é mais claro que a neve. 😉

        Uma metáfora, Sr, Luciano Henrique, é apenas uma figura de linguagem, um recurso literário.

        O que não impede a análise destas metáforas, evidentemente.

        Caso o senhor esteja disposto a um debate de verdade, vá ao site do Prof Olavo de Carvalho e prove lá, a sua vasta sabedoria. Prove perante quem é MESTRE de VERDADE.

        Debate de verdade sobre o que?
        Mestre de verdade em que?

        Mas, por favor, não vá lá para responder perguntas auto indutivas, pois seria vergonhoso para o senhor.

        Ué, o sujeito já começa propondo um debate e diz que algumas questões não podem ser respondidas? rs.

        Era só o que me faltava…

      • Ao Sr. João Olavo.

        Sr. João, a palavra “coitado” advém do latim “coitare” significando: coito ou sexo adúltero. Portanto, Sr. João, “coitado” é uma definição para o indivíduo gerado pelo coito, que em seu particular estilo de linguagem, Sr João, ficamos assim: “coitado” = “filho da puta”.

        Cuidado! Cuidado na rua Sr. João, pois de repente o senhor poderá, devido à sua ignorância linguística, ofender alguém mais sábio que o senhor e se ver em maus lençóis. Aí o mundo ficará pequenino para o senhor, Sr. João Olavo.

        Cuide-se meu caro Sr. João Olavo.

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      neo-iluministas, neo-iluminados, neo-lamparinados, neo-lampejados e neo-árvores-de-natal-alados
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      k k k k k k k 😀

      E só pra encher o saco do Luciano (mais uma vez), os “portadores da LUZ” são naturalmente suspeitos de serem agentes de LÚCIfer 🙂 , e por que isto? É porque a “luminosidade” associada ao Diabo é a do tipo “fraca”, mais especificamente e simbolicamente, do tipo *lunar*. É a luz que brilha apenas o suficiente para se fazer perceber *dentro da escuridão*, mas que justamente por ser pouco intensa, se torna pouco ou nada perceptível quando confrontada com a luz do Sol 😉
      Falando (mais) seriamente agora, também sou da opinião de que o termo “neo-iluminismo” foi uma escolha pouco feliz, da mesma maneira que a expressão “religião política” — em ambos os casos, se trata de um íman para atrair mal-entendidos e interpretações equivocadas.

      • JMK,

        Vejamos por que o termo neo-iluminismo foi escolhido, e por que é difícil escolher uma descrição melhor para o que ele representa.

        Imagine que você não entende as fraudes intelectuais feitas por seus oponentes. Aos poucos, sem perceber, você está em “trevas intelectuais”, incapaz de reagir aos eventos do mundo exterior. Você pensa ter liberdade, mas não tem, pois está aprisionado por vendas lançadas em seus olhos.

        Este questionamento das fraudes intelectuais de seus oponentes vai, aos poucos, lhe dando uma visão da realidade, permitindo que o mundo seja de fato percebido.

        Em nossas eras atuais, o conjunto de fraudes intelectuais é tão grande no debate público, que podemos definir a grande massa como histérica ou no mínimo incapaz de perceber a maior parte dos eventos do mundo. Essa percepção só é recobrada se as fraudes intelectuais forem aos poucos “retiradas” da frente por uma vassoura argumentativa.

        Isto é, em resumo, o neo-iluminismo.

        Que outro termo você sugere para este tipo de paradigma? 😉

        Abs,

        LH

      • Luciano,
        neste ponto e neste momento, você está certo, eu não conheço um termo *menos ruim* do que neo-iluminismo ou neo-fosforismo 🙂 Por outro lado, isto não invalida a afirmação de que os termos “neo-iluminismo”, “religião política”, “programação neuro-lingüística” (OUCH!), e etc., são mesmo imprecisos, inadequados, e têm sim um jeitão “de viés marqueteiro ” 😛 , por assim dizer.
        Esta foi a resposta *curta* 🙂 A resposta *comprida* fica para uma outra ocasião — principalmente porque, e eu não tenho medo de admitir isto, ela serve também para apontar as insuficiências dos “inimigos da modernidade e do progresso”, entre os quais eu me situo. Conforme já dizia o jornalista Ferreira Netto, a situação é realmente MUITO complicada O_o

    • Como indicação para ESTE PARADIGMA eu recomendo os quatro autores neo-ateus: Sam Harris, Richard Dawkis, Daniel Dennett e Christopher Hitchens.

      Daí, basta aplicar o conteúdo, quando cabível, à crítica à religião política. Basicamente, a inspiração tirada deles é quanto à crítica assertiva, questionamento impiedoso, ausencia de respeito injustificado, defesa da liberdade de expressão, luta contra doutrinação escolar, etc, etc.

      Daí, para encorpamento das argumentações, recomendo autores como: John Gray, Michael Oakeshott, Isaiah Berlin, Olavo de Carvalho e Eric Voegelin. Da nova geração, recomendo Tammy Bruce, Ann Coulter, David Horowitz (um de meus preferidos), Mark Levin, etc.

      Abs,

      LH

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