Glossário: Fraude intelectual

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Última atualização: 09 de novembro de 2013 – [Índice de Termos][Página Principal]

Um dos conceitos mais importantes deste blog é o de fraude intelectual, que, a primeira vista parece ser apenas sinônimo de falácia. Todavia, a fraude intelectual possui características mais específicas do que a mera falácia.

A falácia é um raciocínio errado que aparenta ser verdadeiro. Muitas vezes falácias aparecem por erros de julgamento ou mesmo por diversas motivações pessoais, algumas delas até inconscientes.

Já as fraudes intelectuais são artimanhas lógicas planejadas para a obtenção de benefícios pessoais. Uma fraude intelectual é composta de uma falácia. Mas, além disso, podemos dizer que as fraudes intelectuais são falácias planejadas deliberadamente para enganar os outros.

Encontrei no Yahoo Answers, uma definição curiosa de fraude intelectual, que nos dá tanto uma explicação como um exemplo do que estamos falando:

Fraude intelectual significa a falsificação de uma posição assumida ou sugerida por um escritor ou interlocutor, dentro de um livro, controvérsia ou debate, ou uma ideia apresentada enganosamente para esconder conhecidas fraquezas lógicas. É o recurso preferido pelos ateus.

Esta definição começa acertando na descrição. Mas no fim há uma fraude intelectual praticada pela pessoa que escreveu o conteúdo acima ao dizer que os ateus tem a fraude intelectual como recurso preferido. Na verdade, não há evidências de que ateus ou teístas tenham mais preferência por fraudes intelectuais do que os demais.

Creio que já deu para você entender que o conceito que diferencia a fraude intelectual da mera falácia é o benefício, recebido pelo propagador da fraude. Assim, a fraude intelectual é uma artimanha lógica para gerar benefício para seu propagador.

Algumas fraudes intelectuais podem ser simples e outras mais elaboradas.

Certa vez, neste blog, demonstrei que um humanista estava sendo desonesto. Ele disse: “Eu não posso praticar desonestidades, pois tenho como crença, pelo humanismo secular, de que todas as minhas ideias devem ser validadas pelo método científico”.

A fraude encontrava-se no ato de dizer que a declaração de alguém sobre seu estado mental serve para provar a inocência ou culpa desta mesma pessoa sobre qualquer comportamento avaliado por partes externas. E para reforçar essa ideia de que estamos diante de uma fraude, temos claramente identificado o benefício: quando alguém convence a plateia de que “suas ideias estão auto-validadas por si próprio, emulando o método científico dentro de sua cabeça” automaticamente ganha o benefício de não ser questionado pelo que diz. Convenhamos: a vida do vendedor de ideias passa a ser uma moleza a partir daí.

O desenvolvimento da arte de identificar fraudes intelectuais de oponentes é uma aptidão que devemos desenvolver cada vez mais e mais. Isso pode ser usado não apenas para debates políticos, como para diversas situações da vida cotidiana.

E sem esquecermos de um critério básico: uma fraude intelectual é mais do que uma falácia básica. Ela é uma artimanha com o fim de gerar o benefício para o praticante desta fraude. Isto é, ele ganha e você perde.

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1 COMMENT

  1. Duas notas:

    1) a parte inicial e maior do trechinho que você achou no Yahoo! Respostas é na verdade um copy-N-paste da Wikipedia lusitana 🙂 (eu também não sabia disto, acabei de descobrir fuçando o *mardito* Google);

    2) considerando que aquele trechinho foi escrito no Yahoo! Respostas, devemos dar um “desconto” ao autor dele e perceber que, quando ele disse “ateus”, na verdade ele quis dizer neo-ateus / ateus militantes / antiteístas / anticristos 😉 Pois de fato, 99,999% dos “ateus do Yahoo!” são neo-ateus, fãs de Naruto e DBZ, habitués do Paulo Lopes e do HypeScience, e que engolem de bom grado qualquer besteira veiculada pelos “canais de documentários” (Discovery, Nat-Geo, History Channel).

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