Na hora de defender censura à mídia, petralhas travam quando seus frames são desmascarados

9
130

Censorship

Como todo órgão aparelhado pelo estado, o blog Rede Brasil Atual, publicou mais uma matéria tendenciosa pedindo censura à mídia.

Com o título “Não há democracia onde falta o direito à informação”, eis o artigo:

No dia em que esta edição era concluída, a Suprema Corte da Argentina encerrava mais uma batalha judicial do grupo Clarín contra a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Lei de Meios, vigente no país vizinho desde 2009. A Justiça não deu razão ao maior conglomerado de mídia, comparável ao que é a Globo por aqui, e assegurou mais uma vitória ao projeto do governo da presidenta Cristina Kirchner que está revolucionando o setor audiovisual. Quem soube da notícia pelos telejornais na Globo deve ter ficado estarrecido, preocupado com a presença do “demônio da censura e da perseguição à imprensa” tão próximo de nosso território. Mas quem ler o artigo do professor Laurindo Lalo Leal Filho à pagina 12 desta edição entenderá que não é bem assim.

E existem tantos acontecimentos que não “são bem assim” na imprensa comercial no Brasil, como na Argentina, na Europa, nos Estados Unidos, que o único jeito de o público formar uma opinião que não seja a dos donos dos jornais, rádios e TVs é a diversidade. Diversidade de veículos, de coberturas, de regionalidades, de cultura, e até de opiniões. Só que em boa parte das democracias que se prezam já existem sistemas que regulam os meios de comunicação de modo a impedir ou dificultar o monopólio da opinião. No Brasil, existe projeto para isso, mas o governo ainda não tirou da gaveta. Quando tirar, aliás, prepare-se: os porta-vozes da Globo e afins vão cuspir veneno em seu monitor.

Enquanto isso não acontece, vamos dando nossa contribuição para que o acesso à informação seja mais democrático e para que o público tenha contato com outras ideias e outros Brasis solenemente ignorados pela imprensa chamada de “grande” por alguns. Ao que parece, estamos indo bem. Como dizem alguns dos colegas em depoimentos à reportagem de capa, ganhar três importantes e concorridos prêmios da comunicação brasileira é uma comprovação da alta qualidade. É uma homenagem a quem consegue transformar a história esquecida em história contada. E nada mais justo do que receber o prêmio que leva o nome do jornalista Vladimir Herzog, símbolo da luta pela liberdade. Porque não existe democracia onde falta informação.

O engraçado é que se a Globo denunciou censura à mídia, acertou. E órgãos de mídia pró-PT, como Carta Capital, usaram os truques de sempre para dizer que sua proposta de censura “é democratização de mídia”. Como se vê, estamos em uma democracia, que os petistas querem demolir, assim como Kirchner fez na Argentina. Tanto é uma democracia que a Globo e a Carta Capital puderam emitir suas opiniões.

Alguns posts na caixa de comentários do blog, no entanto, são muito mais interessantes para estudarmos a dinâmica de como funciona a pregação pró-censura do MAV na rede. Antes, veja o post lúcido de um não-petista:

É lamentável o que Cristina Kirchner está fazendo para destruir o Clarin. Ela não suporta o Clarin, porque o Clarin não se prostra à sua bizarrice política. Ela quer calar a imprensa livre. A concepção de imprensa para essa Evita de quinta categoria é esta: uma imprensa aduladora e subserviente. E os argentinos tem o descaramento de louvá-la como se ela fosse uma santa. Um bando de ignorantes e pés-rapados que não sabem sequer o que estão comemorando. Essa ralé argentina pode até supor que ela está abrindo um caminho para “democratização da mídia”, mas o que eles não percebem que, ao calar a Imprensa livre, a presidente continuará a iludi-los com expedientes politiqueiros e populistas. É verdade que numa democracia que se preze e imprescindível que exista direito humano à informação, mas também é verdade que numa democracia, é mais que imprescindível que haja direito humano a livre expressão de pensamento e a liberdade de imprensa, mas isso é um acinte e um crime, na concepção de Cristina Kirchner. Mas isso não é exclusivo da Argentina; na Venezuela, no Equador, no Uruguai, na Bolivia, em Cuba, na China e na Coreia do Norte, a liberdade de imprensa é um crime hediondo. A imprensa tem de servir ao sistema politico em vigor nos respectivos países, sem delongas. É deveras lamentável! Peremptoriamente, Cristina Kirchner é um péssimo exemplo para a América Latina, assim como Nicolas Maduro, Evo Morales, Jose Mujica também o são. DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA é, na verdade, censura total à imprensa. É por isso que a Argentina é motivo de piada para o mundo. Que vergonha! Que vergonha! Que vergonha! Só de ler a respeito de Cristina Kirchner, o sentimento que eu tenho, como cidadão latino-americano que sou, e de incomensurável nojo.

Dai, um petista respondeu com os frames que aprendeu, ou seja, sem o menor apego aos fatos, e de maneira robótica:

A REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA É UM PASSO FUNDAMENTAL PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. A MÍDIA É REGULAMENTADA EM TODOS OS PAÍSES DESENVOLVIDOS DO MUNDO, ENTRE ELES A INGLATERRA, A ALEMANHA, A FRANÇA E PRINCIPALMENTE OS ESTADOS UNIDOS. NO BRASIL, QUALQUER UM QUE FALAR EM UMA LEGISLAÇÃO PARA LIMITAR A MONOPOLIZAÇÃO DOS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO, POR INTERMÉDIO DA CHAMADA MÍDIA CRUZADA, É AUTOMATICAMENTE ROTULADO DE CHAVISTA. O QUE A SOCIEDADE BRASILEIRA DESCONHECE É QUE EM QUALQUER PAÍS DO PRIMEIRO MUNDO ACIMA CITADO, A MÍDIA CRUZADA (TELEVISÃO, RÁDIO, JORNAIS E REVISTAS E INTERNET SEREM PROPRIEDADE DE UM MESMO GRUPO DE COMUNICAÇÃO) É RIGOROSAMENTE PROIBIDA! NOS CASOS DOS PAÍSES QUE PERMITEM A MÍDIA CRUZADA, TEMOS A CONSTANTE MANIPULAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA. NÃO SOU PETISTA E NEM TENHO PROCURAÇÃO DE FERNANDO HADDAD PARA DEFENDÊ-LO, MAS PARABENIZO O PREFEITO DE SÃO PAULO, PELA CORAGEM DE ASSUMIR A POSIÇÃO CORRETA DA DEMOCRATIZAÇÃO DA SOCIEDADE, CONTRA OS IMPÉRIOS QUE CONTROLAM INTEIRAMENTE UM SETOR INTIMAMENTE LIGADO À PRÓPRIA QUESTÃO DA SEGURANÇA NACIONAL DE QUALQUER PAÍS!

Só que outro não-petista responde, desmantelando o principal truque embutido no bloco acima:

É verdade que nos países desenvolvidos, sobretudo os que você citou, a  mídia é regulamentada, mas com o fito de cumprir e resguardar os nobres preceitos inerentes a liberdade de pensamento, de expressão e de opinião dos cidadãos e da imprensa. Entrementes, na America Latina (Argentina, Venezuela, Equador, Uruguai, Bolívia e Cuba), o que ocorre é o contrário. A democratização da mídia, nesses países, é a total subserviência midiática ao sistema politico em vigor em tais países, a saber, é a censura à mídia, mesmo. Eles alegam, de modo velado, que a mídia livre é golpista, anti-povo, maldita, e outras tolices. Na verdade, os déspotas megalonanicos tem medo de que seus desmandos, seus caprichos, seus abusos de poder e seus crimes de corrupção sejam descobertos e publicados. A chamada mídia democrática é uma incomensurável cortina de fumaça criada por tais abutres politiqueiros e despóticos para destruir, definitivamente, a mídia e a imprensa livres e independentes. E o que o PT tanto deseja implantar no país: a censura total e absoluta à imprensa e a mídia em geral. E qual a razão para isso? Simples. O PT, sistematicamente, odeia a imprensa e a mídia, pois seus inúmeros escândalos de corrupção, sobretudo o maior de todos eles, o Mensalão, tornaram-se públicos graças à imprensa. E por causa disso, a imagem do pseudo-partido ficou arranhada, maculada. E por isso que o PT, tomado por uma fúria voraz, quer calar e, se for possível, destruir a imprensa livre. Mas a Presidente Dilma e o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, deram um banho de água fria nas pretensões espúrias e acintosas do PT, ao declarar, publicamente, que são contrários a toda forma de censura à imprensa e a mídia em geral. E a Dilma declarou, diversas vezes, que é preferível o som das vozes críticas ao silêncio das ditaduras. E veja bem, é a Presidente Dilma quem diz isso. E mais. O direito à liberdade de pensamento, expressão, opinião, comunicação e à liberdade de imprensa é assegurado pela Constituição Brasileira. Tal argumento de monopólio da opinião é, peremptoriamente, ilógico e parvo. Desde que a censura foi abolida pela Constituição, passamos a ter mais para expressar o que pensamos e o que sentimos, de todas as formas. É só pesquisar a História do Brasil. Cercear a imprensa e a mídia? Não, obrigado!

Aí o petista trava, pois isso foi além dos frames desonestos que aprendeu:

Dá nojo ler o que este coxinha escreve. É um típico leitor de esgoto Veja. Se você fosse um pouco honesto saberia que a lei argentina foi considerada pela ONU uma das melhores leis de mídia do mundo, mas como só lês a última flor do fascio nunca ficará sabendo .

Como sempre, o petista mente em tudo que fala sobre seus projetos de censura à mídia. Na verdade, a ONU não falou absolutamente nada a respeito das leis de mídia. Quem deu sua opinião foi Frank de La Rue, que atua na ONU. No dia em que a opinião de um membro da ONU se tornar “a opinião da ONU”, me avisem, pois todos os livros sobre lógica terão que ser reescritos.

O mais engraçado foi ver que o empadinha nem teve como responder ao oponente, pois está claro que regular a mídia é uma coisa (como nas nações civilizadas), mas regular a mídia e submetê-la aos desvarios de um estado que investe os tubos em anúncios na mídia (como nas republiquetas tribais da América Latina), é outra mais que completamente diferente: é exatamente a oposta.

Antes, uma dica, aos que lutam pela liberdade de imprensa: nunca usem o termo “democratização da mídia”, a não ser quando for para denunciar as fraudes dos petistas ao tentarem confundir o público fingindo que querem “democratizar a mídia”.

E outro ponto: não confiem tanto assim na Dilma e no Paulo Bernardo. Eles são petistas. Com certeza, estão tramando algo.

Eis que chega outro petista fingindo-se de sonso:

“A democratização da mídia, nesses países [republiquetas latino-americanas], é a total subserviência midiática ao sistema político em vigor”. E como se dá isso?

Vejamos, para começar o lucro do governismo de PHA: R$ 832.000 só da Caixa Econômica Federal. Aliás, o site dos Correios também confessa o envio de verba injustificada para PHA.

Também temos esta notícia do UOL, de tempos atrás, mostrando que os sites governistas ganham muito mais na distribuição de verbas.

Ou seja, é verdade que existem algumas regras proibindo a propriedade cruzada de meios de comunicação em alguns países do primeiro mundo. Entretanto, esses países não são pautados pelo uso desavergonhado (e sem regulamentação alguma) do uso de dinheiro estatal em prol do governo nos meios de comunicação.

Não há debate sobre “lei de mídia” decente se não tratar, antes de tudo, de uma regulamentação claríssima e extremamente exigente em relação à como distribuir verbas públicas em mídia. Aliás, o próprio orçamento do governo para anúncios do governo deve ser extremamente restrito.

Essa é a verdadeira discussão: o uso do poder do estado na distribuição de verbas públicas, sem uma regulamentação clara para evitar a compra de apoio em mídias específicas.

Como as tais “leis de mídia” jamais discutirão essa questão nas republiquetas latino-americanas, é claro que estamos diante de um truque sujo para coagir a mídia livre.

Anúncios

9 COMMENTS

  1. Cara, excelente postagem como sempre, e destaco a muito importante notícia/matéria do uol que você citou, bom ver um pouquinho de jornalismo por essas bandas.

  2. À parte e interessante, eu não sei se esse site de notícias possui sistema de like/dontlike, mas quando você trouxe os argumentos foi fácil lê-los e rir das besteiras dos petistas, assim como concordar com o sujeito que contra-argumentou ao mesmo tempo em ver sua inocência em usar Dilma como exemplo (apesar de ser facilmente perceptível a razão de tê-la usado). Se o site tiver esse sistema, esses dois posts petistas provavelmente estariam com tonelada de likes e eu, pelo menos, iria ficar desconcertado com a “torcida”.

  3. Minha nossa, Luciano. Chega a ser ridículo a diferença intelectual entre uma pessoa mentalmente sã e um esquerdista. Veja o primeiro debiloide: texto todo em caixa alta, berreiro, cheio de lugares comuns e língua de pau, fora a propaganda oficial do PT já fortemente enraizada na cabeça do infeliz. O sujeito claramente possui várias das deficiências cognitivas descritas por Reuven Feuerstein: http://educacaodialogica.blogspot.com.br/2013/07/as-28-deficiencias-da-inteligencia.html

    Agora fica fácil de entender o porquê do “comportamento de seita” que descrevestes certo tempo atrás, esses sujeitos são literalmente incapazes de pensar corretamente, que dirá pensarem por si próprios. Uma tristeza.

  4. Mesmo que a propriedade dos veículos de comunicações venha a ser limitada algum dia, ainda assim somente sobreviveriam economicamente aqueles que tivessem leitores ou audiência, o que é o mesmo que dizer consumidores (pagantes ou não) e anunciantes.
    Qual anunciante quer afastar seus consumidores prestigiando comunistas que pregam o fim da família e da propriedade privada?
    Quanto aos que são exclusivamente patrocinados pelo governo comunista, existirão enquanto houver comunismo, com mais ou menos dinheiro de acordo com os votos obtidos.
    Em tempo: Antes do PT ganhar eleição presidencial, Carta Capital circulava com tiragem de cinco mil exemplares. número menor que o de municípios do Brasil. Não sei qual é a tiragem atual, mas devem ser uns vinte mil, que é número de cargos comissionados no governo federal.

  5. Replico aqui o meu post no Facebook sobre o tema, ao compartilhar esse texto do Ayan.
    —————————————————————————————————————————————
    Mais um expediente esquerdista do tipo “fabricamos uma injustiça e nos propomos para resolvê-la, se você dar todo o poder à nossa trupe”.

    Meu amigo, não vivemos mais numa ditadura. A mídia é democrática. Se você está lendo bostacapital ou bostismopolítico é justamente porque há tal liberdade. Se não há um canal totalmente pró-governo na TV é graças ao próprio governo, que cria um mar de burocracia para dar concessão de rádio/TV a quem deseja. É, meu caro empadinha, quem hoje oferece a muleta foi o mesmo que quebrou suas pernas ontem.

    E só para reduzir mais um frame esquerdista a pó: eles sempre dizem que “nos países desenvolvidos há regulamentação da mídia”. Tem sim, empadinha. A diferença é que lá há regras bem claras sobre o uso de VERBAS PÚBLICAS em propagandas e canais de mídia. Lá a regulamentação existe para proteger a mídia do governo. Aqui e nas outras bananalândias é para proteger o governo da mídia. Então, quer “democratizar” a mídia? Primeiro “democratize” o uso de verbas públicas na mídia. O mesmo que o governo manda pro bostismopolítico, bostacapital e outros da BLOSTA (Blogosfera Estatal – eu prefiro chamar de BESTA), ele vai mandar pra Globo e pra Veja.

    Democracia, a gente vê por aqui.

  6. Luciano, essa ladainha de que a regulamentação nos tais países desenvolvidos impede a criação de grandes grupos atuando em várias áreas de comunicação é mentira. Nos EUA vc tem a time-warner que atua na tv aberta, publicação, cinema, tv a cabo, internet; Concast, atua nas mesmas áreas que o grupo anterior, na Alemanha eu me lembro do Pro-sieben mais outros 2 grupos que também atuam em vários setores de mídia e na Inglaterra tem o ITV e o newscorp. Em todas as grandes economias é assim, o problema para eles é a não subserviência ao projeto de poder deles.

  7. O primeiro comentário à matéria sob exame no site da Rede Brasil Atual é de lascar. O Petralha diz, entre outras barbaridas essa pérola: “A democratização da imprensa visa resguardar direitos sim tanto do cidadão – que no Brasil não sabe consumir informação -quanto de quem produz essa noticia.”.
    Escrevi uma resposta que publico aqui:
    os 62 anos foi preciso que um petralha me informasse que eu não sei consumir informação. Ah, muito obrigado, sr. Petralha! Peço encarecidamente que forneça seu telefone para que eu possa consultá-lo na próxima vez que eu for à banca de revistas e tiver de escolher entre a VEJA e a CARTA CAPITAL (CC), por exemplo.
    Confesso, segundo seus sábios e quase divinos critérios, minha ignorância, pois, ainda que diversas vezes adquira a CC, Piauí, Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e outras da mesma veia esquerdista, leio VEJA desde a primeira edição e até agora mantenho a minha preferência por VEJA [a repetição do substantitivo é proposital]. Sei que ao dizer que leio VEJA semanalmente coloco-me entre aqueles milhares – qual a tiragem semanal de VEJA mesmo? – de ignorantes segundo a sua celestial avaliação; mas agora conto com a sua sapiente direção, para me orientar. Se iluminação quer dizer ler a Carta Capital, aceito o sacrifício…

    Sim, eu tenho três receptores de TV em casa que captam as emissoras locais, com a programação nacional e regional e, ainda, TV por assinatura. Das emissoras locais assisto a CNT, Globo, Band, Record, RIT, Boas Novas, Novo Tempo, Rede TV, Rede Vida e na TV por assinatura, assisto os canais de informação (esporte não!), de filmes de suspense e as séries que tratam de investigação de crimes. É claro que preciso selecionar toda essa programação de acordo com meu tempo disponível e meu gosto, minhas preferências. Tirando aí a questão do tempo disponível, reconheço agora que, como não sei consumir informação (nem diversão) alguma coisa deve estar errada comigo! Fui um imbecil até hoje, mas agora – ALELUIA! – conto com o sr. Petralha para me tirar dessas trevas da ignorância que a minha liberdade de escolha, minha consciência, minhas preferências me levaram. Sei que daqui por diante apreciarei as emissoras maldosamente chamadas de “chapa branca” e me tornarei um leitor devoto de “A Ilha” do Fernando Morais, especialmente do capítulo entitulado “Imprensa” que fala justamente da liberdade de imprensa em Cuba. Eu sempre odiei na minha falta de luz, confesso, o parágrafo final do capítulo que assim vai: “Charuto na boca […] Angel Guerra repete: ‘Liberdade de imprensa para atacar um governo voltado para o proletariado? Isso nós [os cubanos devotos de São Fidel Castro e de Santo Che Guevara] não temos. E nos orgulhamos muito de não ter.” Como podia enxergar eu aí nesse parágrafo a supressão da liberdade de opinião e de expressão? Cego! Cego! Cego! Mas agora tenho luz: POST TENEBRAS LUX! Tudo se resolverá com o número do telefone do sr. Petralha! Prometo ler o capítulo acima citado todos os dias, três vezes ao dia durante o restante de minha agora iluminada vida para purgar minha anterior ignorância.

    Mas isso não é tudo! Horror dos horrores (já que não sei consumir informação), leio diariamente Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Luciano Ayan, Jornal da Besta Fubana (esse é da gota serena!), Augusto Nunes e outros da “direita raivosa” (é assim que devo chamá-los a partir de agora, não é?). Ainda que possa contar a meu favor que leio Brasil247 e Paulo Henrique Amorim algumas vezes. Todos na internet, claro. Mas, assim que o sr. Petralha me fornecer o telefone, esse horror vai cessar. FIAT LUX! – Raiou a luz! Terei um guia seguro sobre o que devo acessar para ler. Daqui para frente, seguindo a onbudswoman da Folha, chamarei Reinaldo Azevedo de “rotweiller”. Como deverei chamar os amestrados do Brasil247? Sim, sim, devo aguardar o número do telefone…

    No post que gerou o seu comentário, sr. Petralha, leio o seguinte, lá no fim do texto: “Porque não existe democracia onde falta informação.” Prometo, agora que já estou sendo iluminado – imaginem o que vai acontecer quando, pelo telefone, poderei entrar em contato com a MENTE SAPIENTÍSSIMA que me ensinará a consumir informação, sim, prometo fazer o possível para convencer os milhões de cubanos que vivem em Miami e que fugiram de Cuba, o “território livre nas Américas” a voltarem para sua terra. Como já começo a perceber, os EUA é uma terra onde às pessoas são sonegadas informações. Nessa terra amaldiçoada – nunca mais bebo Coca-Cola – não existe “Diversidade de veículos, de coberturas, de regionalidades, de cultura, e até de opiniões.” Em Cuba, sim, todas essas “diversidades” estão presentes (só me falta entender porque alguns cubanos fazem greve de fome na prisão, mas essa falta de entendimento será sanada quando eu recber o número do telefone do sr. Petralha. Tudo será bem explicado provavelmente com a recomendação de ler o Granma no site do dito cujo endereço é: http://www.granma.cubaweb.cu. Aliás, devo confessar, que até hoje pensava que aquele “.cu” tinha a ver com a qualidade das matérias e idéias do periódico. Mas vejam como a iluminação já começou: aquele “.cu” significa Cuba ou seja, Cuba é o “.cu”! Ah, nada como as luzes daqueles que ensinam aos outros como consumir informação!). Além disso, prometo me esforçar para reerguer o Muro de Berlim, a Cortina de Ferro, a Cortina de Bambu e restaurar aquele potento de liberdade, a União Soviética (malditos sejam Reagan, Thatcher, João Paulo II e alguns outros que contribuiram para a destruição do Farol da Humanidade!). Se os habitantes desses lugares se recusarem a seguir a minha orientação, passarei o número do telefone do sr. Petralha para eles… Eles serão iluminados, as trevas da ignorância serão espancadas e farão assinatura do Pravda! Que futuro glorioso espera esses povos. Che, Stalin, Pol Pot e Mao terão em mim defensor tenaz para desfazer a falsa informação de que eles mataram milhões. Não se preocupe Fidel, o mesmo farei por ti!
    Enfim, aos 62 anos, finalmente, a Luz.

    PS 1 – Possuo duas graduações e terminando uma terceira. Fiz duas especializações.
    PS 2 – “A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na Literatura, a ironia é a arte de zombar de alguém ou de alguma coisa, com vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou interlocutor. Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo.” (Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ironia).
    PS 3 – Petralhas, vão catar coquinho!

Deixe uma resposta