Encontrando o elo fraco do esquerdismo OU Como atingir a religião política com mais eficácia

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A maior inspiração para o paradigma neo-iluminista vem do neo-ateísmo. Nunca escondi isso. Também jamais omiti a heurística por trás da criação deste novo paradigma: (1) Existem crenças no mundo, (2) Estas crenças podem ser avaliadas por sua validade, (3) Em caso delas não serem válidas, elas podem ser avaliadas quanto ao impacto na vida dos descrentes, (4) Se os proponentes da crença ainda se tornam absolutistas e não toleram críticas dos discordantes, isso cria um agravante para o sistema de crenças em análise, (5) A responsabilidade da denunciação desta crença é de seus oponentes. Esses cinco passos resumem toda a obra militante de Richard Dawkins, Sam Harris, Daniel Dennett e afins.

A partir desta conclusão óbvia, baseada em uma reconstrução do neo-ateísmo, podemos, enfim, olhar as crenças que falam sobre fatos do mundo. Qualquer uma delas. Acreditar que há um vampiro que lhe visitará à noite não é diferente de acreditar que o estado inchado é confiável. Ambas as crenças falam sobre fatos do mundo, e, por isso, devem ser avaliadas por sua validade ou não. Mais ainda: podemos questionar se é “moral” que alguém possa nutrir esta crença ou não. Um amigo me disse: “Luciano, não é correto avaliar a religião política pela mesma ótica da religião tradicional, pois a primeira é feita para mudanças sociais, e a segunda para mudança espiritual”. Isso não passa de desculpa esfarrapada, pois em ambos os casos temos afirmações sobre o mundo, que podem ser válidas ou não, e, se aceitas, estas afirmações podem impactar os descrentes da mesma forma. Não há uma regra lógica que nos leve a exonerar a religião política do mesmo escrutínio e denunciação assertiva feita contra a religião tradicional. Pelo contrário: o empilhamento de corpos da religião política nos obriga moralmente a questioná-la de maneira ainda mais contundente do que os neo-ateus questionam a religião tradicional.

Em um nível ainda mais profundo, devemos entender os sistemas morais que surgem a partir destas crenças da religião política. Quais valores se derivam deste sistema de crenças? Esses valores são úteis para nós? Em uma análise científica da moralidade, será que devemos aceitar os valores humanos derivados de crenças da esquerda? Por exemplo: se Trotsky criou a moral que rege a vida de todo adepto da extrema-esquerda, colocando o ato de mentir como lícito se for para benefício de seu grupo, será que devemos tolerar esse valor? Não, não devemos. Devemos comunicar, para aqueles que estão ao nosso lado, aos neutros (e aos religiosos políticos que querem se converter) a respeito de como este valor surgido das crenças de esquerda é podre.

E como podemos fazer isso? Novamente, temos que retornar aos neo-ateus, e assim podemos entender que um sistema de crenças popular depende de alguns fatores: um conjunto de ideias que se multiplica, e pessoas que aceitam e podem multiplicar essas ideias.

O elo fraco desta cadeia é geralmente uma pessoa que acredita de verdade nas crenças inseridas por outras pessoas nele. Logo, não falamos dos esquerdistas beneficiários, que são os estrategistas políticos que sabem que o esquerdismo é uma mentira do início ao fim. Estes mentirosos profissionais não se sentirão abalados se demolirmos sua crença. Ao invés disso, eles criarão novos truques para desmoralizar aqueles que denunciarem todas as fraudes do esquerdismo. Falamos, então, dos esquerdistas funcionais, os crentes “de verdade” no esquerdismo.

Mais uma vez a receita de sucesso deve ser aprendida com os neo-ateus. Sam Harris dizia para ridicularizar os religiosos em público, mas sua ênfase, em especial, era para os ataques aos religiosos de menor conhecimento teológico. Uma nova geração de leitores de William Lane Craig é, com certeza, menos vulnerável à ridicularização. Mas os crentes mais humildes certamente não conseguiam se safar dos ataques. Humilhados em público, a cada sessão de ridicularização, eles eram expostos como “um exemplo da fragilidade argumentativa cristã”. Em outras palavras, isso é atacar o elo mais fraco de uma cadeia.

A regra é clara: quer queira, quer não queira, um esquerdista funcional que não é um exímio engenheiro de truques ainda é um esquerdista, e, portanto, pode ser duramente ridicularizado em público por suas crenças injustificadas e perigosas. Como ele é um funcional, possui apego legítimo às suas crenças injustificadas, e se sentirá abalado quando ridicularizado em público por causa daquilo que crê. Em suas respostas emocionais, torna-se ainda mais vulnerável.

Desafiar esquerdistas no Facebook ou em quaisquer ambientes pode se tornar, enfim, uma ação estratégica caso reconheçamos que há um valor intrínseco em atacarmos argumentativamente os representantes de uma crença injustificada.

É claro que não podemos abandonar as outras formas de ataque ao esquerdismo. Muito pelo contrário. O que defendo é que devemos priorizar o ataque aos esquerdistas funcionais, ou os esquerdistas mais humildes que acreditam de verdade no esquerdismo, como uma ação estratégica para não perdermos a oportunidade de ridicularizar um esquerdista em público.

E não precisamos ter pena: mesmo que o esquerdista seja honesto em suas crenças, ele propaga fraudes intelectuais que seus líderes beneficiários inseriram em sua mente. Ou seja, ele é um transmissor de fraudes mesmo que ache que suas fraudes não são fraudes. Em todo o caso: o perigo é o mesmo. Ademais, neste caso ainda é moralmente justificado ridicularizar o esquerdista funcional pelo fato dele não ter tido racionalidade e ceticismo suficientes para rejeitar sua crença.

Em outras palavras, você pode atingir o elo mais fraco do esquerdismo sem o menor peso de consciência.

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24 COMMENTS

  1. Discordo!Ainda prefiro tentar mostrar meu pensamento direitista para os mais humildes esquerdistas que buscam uma verdade que eu supostamente encontrei!Eu também fui esquerdista e segundo a sua estratégia eu poderia ser esquerdista até hoje só de raiva pelo escárnio!É oq eu penso.Portanto aos “funcionais” esclarecimento e para os beneficiários escárnio total!

    • Eu já fui anti-darwinista e sofri ridicularizações. Isso não me impediu de hoje em dia o esquerdismo. Há um ponto interessante no que você falou: realmente se todos os debates fossem entre duas pessoas, sem ninguém assistindo, sua proposta seria MUITO MELHOR. Mas os debates públicos são assistidos por outros, e quando um esquerdista está sendo ridicularizado por seu esquerdismo, isso vai para a conta da esquerda.

      • Interessante sua estratégia,mas ainda prefiro debater no campo da lógica e da racionalidade antes de já começar ridicularizando.Geralmente os esquerdosos começam a me xingar quando não tem mais argumentos kkkk…eu não revido.Mas a partir de agora vou ridicularizar qualquer esquerdoso que começar a xingar.Não xingar de volta mas desmascarar o procedimento esquerdoso simplesmente ridicularizando!

  2. Cada vez que traçamos planos contra um potencial inimigo em público, esse plano é vão, porque ele é de conhecimento do próprío inimigo. Se a esquerda é um inimigo em potencial, planos contra ela devem ser conspirados em segredo. Este é o elo fraco da Internet.

  3. Este artigo está 97% excelente 🙂
    Os 3% faltantes, são culpa da tua insistência em analogias disparatadas e obsoletas 😉
    «
    Acreditar que há um vampiro que lhe visitará à noite não é diferente de acreditar que o estado inchado é confiável.
    »
    Óia, véio, um vampiro é bem menos improvável do que o deus-do-acaso implícito no credo darwinista, ou do que as 26 dimensões (todas elas “materiais”) propostas pela teoria das (super-)cordas 😛

  4. Perfeito. Mas acho que esse trabalho de ridicularização tem que ser bem feito. Veja-se o caso do Olavo de Carvalho, por exemplo: ele faz isso muito bem. Observo que ele primeiro sempre coloca às claras a falsidade da argumentação do oponente. Se este continua a debater respeitosamente, o Olavo também continua no debate de idéias. Se o oponente começa aridicularizá-lo, aí, e só então ele ridiculariza a pessoa do oponente. É como o embate entre dois advogados de causas contrárias, ou como uma arte marcial levada para o campo da argumentação. Um vídeo de que gosto muito e exemplifica isso: http://youtu.be/7xo1MqwBKLw

    • É quase assim que eu penso hehe…mesmo pq pode ser um familiar ou amigo nosso no debate(não só debate virtual)!Tirar a esquerdose é como um exorcismo,não basta ir lá e xingar o demônio pq aí que ele não sai mesmo kkkk…tem que ser, como diria Jack o estripador, “por partes” ksks!

    • Mas nunca cite o Olavo de Carvalho, pois é a unica referência que um esquerdopata conhece, utilize as táticas dele, de fato são muito boas, mas se citar o nome dele os esquerdopatas começam a atacar a ele e mudam o foco do debate, o que é algo esperado. Ainda que não consigam refutar o Olavo pode tornar o debate logo cheios de colagens indesejadas de comparações ridículas entre CUba e Brasil e também o socialismo e o capitalismo, não sei como alguém concebe essas comparações mas eles usam…

      • Luciano eles já tem vários discursos prontos de combate ao Olavo, que a meu ver é um gênio, mas se tiver um grupinho, que em sua maioria só conhecem o Olavo por pedaços de videos que são veiculados nas mídias esquerdopatas vai entrar em um debate desagradável, infrutífero e massante. Já passei por isso e só sai, por que um filho de quenga acabou citando Ludwig e aí entrei sem vaselina. A não ser que seja estritamente necessário, Exemplo eu estava em um site que falava de combustíveis fosseis, e acabei me deparando com um grupinho fazendo piadas com um pedaço de um texto dele sobre o assunto, postei o vídeo inteiro e solicitei que assistissem e se caso ainda tivessem algo a acrescentar que eu estaria disposto a debater. Após algum tempo só via ad hominem, contra a minha pessoa e contra ele. Ou seja o debate fica improdutivo, pois trata-se de algo que eles não conhecem e não entendem, Foram doutrinados para não conseguirem entender pensamentos mais complexos. Princialmente os nascido de 85 para frente!

  5. Caro Luciano.

    O que eu estou percebendo é que você está enrolando muito.

    Por favor, publique logo esse seu livro (sinfonia inacabada) e pare de enrolar.

    Abraços.

  6. Gostei do texto, bem esclarecedor, mas acho que devemos entender que religião é diferente de espiritualidade. Uma é uma ação institucionalizada e burocratizada, a outra é a legítima busca pelo lado transcendente da Vida e do Universo. E não acho um bom exemplo o ceticismo do Daniel Dennett, do Sam Harris e do Richard Dawkins não! Eles são embusteiros, criam expectativas para algo ser provado dentro de critérios que não batem com aqueles de algo que se deseja provar a eles. O conhecimento que possuem sobre Astrologia e Paranormalidade chega ser cretino (aliás, acho que o conhecimento que têm de Ciência é que chega a ser cretino) rsrsrs

    Abraços!

  7. Não vai funcionar, porque o esquerdista não vai debater contigo. São treinados para não debater justamente porque sabem que não tem argumentos. Ele vai te xingar e denunciar todas as mazelas do capitalismo que não tem nada a ver com o assunto.

    • É exatamente neste momento em que a ridicularização deve ser utilizada ainda mais…

      Basicamente, quando o esquerdista resolver travar o debate, paramos de dialogar com ele e falamos para a plateia, demonstrando o comportamento antissocial do esquerdista.

      Assim, o esquerdista torna-se DURANTE o debate a PROVA daquilo que você expoe sobre o esquerdismo enquanto um fenômeno cultural.

  8. “ele propaga fraudes intelectuais que seus líderes beneficiários inseriram em sua mente. Ou seja, ele é um transmissor de fraudes mesmo que ache que suas fraudes não são fraudes. Em todo o caso: o perigo é o mesmo.”Com certeza um grande perigo.A mentira tem um grande poder destrutivo, e deixa atrás de si um rastro de pólvora.Aqueles que optam por ela gratuitamente,sem uma mínima avaliação ,podem se tornar co-autores de todos os tipos de crime.Podem ainda,tornarem-se futuras vítimas dessa teia de intrigas.
    O que pode ser ainda pior,é quando se forma,de alguma maneira,um laço afetivo qualquer, entre os disseminadores das mentiras e àqueles que a legitimam.Sem dúvida que isso deve ser combatido,devido a imprevisibilidade de suas consequencias.

  9. Ainda não consigo achar valida a expressão “neo-ateísmo” já até procurei e em que outro momento da historia tivemos um movimento anterior, ou em que momento o significado de ateu ou ateísta mudou ou passou a ter dois significados para ser dizer neo-ateísmo?

    No mais parabéns pelo texto. Sou ateu, não sigo uma ideologia politica, sou anti-esquerdista e anti-comunista e não concordo com nenhum tipo de imposição que não aquela que se pode provar pelo metodo cientifico rsss

    • Edinho… vamos lá…

      Ainda não consigo achar valida a expressão “neo-ateísmo” já até procurei e em que outro momento da historia tivemos um movimento anterior, ou em que momento o significado de ateu ou ateísta mudou ou passou a ter dois significados para ser dizer neo-ateísmo?

      Usar a expressão neo-ateísmo não significa que ateísmo passou a ter dois significados. Assim como com o neo-iluminismo, não significa que o iluminismo passou a ter dois significados.

      Simplesmente existe uma postura que transforma o ateísmo em militância. Se dissermos que todo ateu é igual a esta postura militante, então seríamos injustos com os ateus que não são. Logo, há um termo para definir esta nova postura, que não deixa de ser ateu, mas não é “somente um ateu”.

      No mais parabéns pelo texto. Sou ateu, não sigo uma ideologia politica, sou anti-esquerdista e anti-comunista e não concordo com nenhum tipo de imposição que não aquela que se pode provar pelo metodo cientifico rsss

      Espere aí…

      Se provarmos pelo método científico que tomar duas doses de vinho de manhã melhora a saúde, então temos que IMPOR isso às pessoas? Isso é esquerdismo e defesa de coerção.

      Aliás… eu também sou ateu, mas não sou neo-ateu. 😉

      Mas sou neo-iluminista…

      • Mas pelo método «`TÁ-NA-CARA», é fácil provar que as “pequenas doses diárias de vinho” podem ser substituídas por pequenas doses diárias de *suco de uva*, e que portanto essa “recomendação médica” FAJUTA não passa de desculpa esfarrapada para os que adoram ficar de pilequinho 😛
        — Espelho, espelho meu, existe alguém mais scéptico do que eu?
        — Não, não existe 🙂

      • Bom, se o teu objetivo realmente era esse, então em minha modesta opinião, bastava você indicar um dos artigos da tua época pré-neo-iluminismo 😉

      • Valeu, obrigado! Ficou entendido esse maldito termo que tanto me intrigava. De fato o ateu militante e ávido por uma vitima incauta é muito chato, pior até que os religiosos mais fanáticos, ou tão chatos quanto, vai.

        Com relação a imposição de algo provado pelo método, é só uma brincadeira com Dawkins, uma figura de linguagem que uso com alguns amigos que partilham do ateísmo, uma boa cerveja de trigo e eventualmente um charuto.

        Conheço pouco sobre o neo-iluminismo, falta de tempo para ler, trabalho muito e o pouco tempo que tenho, tento colocar a leitura politica em dia e procurar boas fontes de cultura e troca de informação como o seu site, se puder me passar matérias para eu conhecer ficarei muito agradecido!

  10. Luciano,

    Mais um bom argumento para os pessimistas antipetistas de plantão:

    *Oligarquia Financeira Transnacional já decidiu que PT deve ser tirado do Palácio do Planalto em 2014:

    “O PT não resistirá a 2014. Esta é a aposta dos agentes econômicos internacionais. E se o Brasil não vencer a Copa da Fifa, a derrota programada será socialmente ainda mais desgastante para petistas e petralhas que, a partir de agora, devem investir na procura do bote salva-vidas no PTitanic. Na língua dos controladores globalitários, “the game is over”.”

    http://www.alertatotal.net/2013/12/oligarquia-financeira-transnacional-ja.html

    Um dos elos fracos do governo chama-se Petrobrás.

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