Por que precisamos superar o direitismo purista?

13
147

174092-martial-arts-martials-arts

Após publicar o post Feliciano e a defesa das cotas raciais: uma contradição?, vi manifestações díspares. Alguns gostaram bastante da idéia da crítica ao direitismo purista. Outros acharam um absurdo, praticamente como se fosse um apaziguamento vergonhoso na linha Neville Chamberlain, só que em relação ao esquerdismo.

Creio que fui mal interpretado por estes últimos, pois uma coisa que este blog não faz é apaziguamento. Aliás, se existe um blog que ataca mais fortemente o esquerdismo, eu desconheço, até por que a abordagem focada em dinâmica social é implacável com os discípulos de Rousseau e Marx. Aliás, com uma ênfase forte em dinâmica social e ceticismo político, o esquerdismo só resiste na base da histeria ou da desonestidade, mas jamais em termos de argumentação racional.

Antes de apresentar meu caso, vamos à definição do que chamo de direitismo purista: deixar seus valores filosóficos de direita influenciarem suas propostas políticas a tal ponto que essas propostas se confundirão com os valores. A partir desse momento, não existe mais ação política, mas sim a verbalização de valores pessoais ou de um grupo. Isso qualquer um faz.

A ação política deveria ser pragmática, mas o mesmo não se espera dos valores individuais de alguém. Cientes disso, devemos tomar cuidado com o purismo na hora de avaliarmos nossas propostas políticas, assim como o nosso posicionamento político.

Um exemplo é o petismo recente, que apoiou as privatizações de Dilma, mesmo que os valores da extrema-esquerda preguem a estatização. Em uma visão purista, os petistas deveriam considerar errada a privatização de Dilma. Todavia, eles já se acostumaram não só a pensar pragmaticamente, como a defender um partido que age de forma pragmática. Eles querem resultados.

David Horowitz, em “A Arte da Guerra Política”, já nos dizia que política não é a arte de enfiarmos os nossos valores goela abaixo dos outros, mas sim implementar programas que, em conjunto, tragam maior benefício àqueles que se alinhem com os nossos valores.

Senão, vejamos. A meu ver, qualquer forma de esquerdismo é uma doença social. Acho particularmente danoso o esquerdismo moderado, pois ele encobre formas mais extremistas do esquerdismo. Assim, em minha análise, o PSDB ajuda a acobertar o PT. Mas observe: esses são meus valores. Eles devem ser divulgados (e são), e defendo que um ataque assertivo ao esquerdismo seja uma prioridade da direita.

Por outro lado, se eu sou anti-esquerdista, logo é melhor ver um partido como o PSDB vencer o PT, ainda que isso seja difícil. Isso por que, em curto prazo, é mais viável torcer para que um partido mais moderado de esquerda vença um mais extremista do que esperar por um partido de direita aparecer com um candidato de ponta.

A eleição de um partido mais moderado de esquerda é uma proposta política que eu defendo. Já a denunciação do esquerdismo moderado como algo que não pode ficar isento de críticas (tanto quanto a extrema-esquerda) é um valor. Meu valor, no entanto, não me impede de propor algo que politicamente seja benéfico à direita, mesmo que destoe de meus valores mais puristas. (Note que, ainda assim, a proposta alternativa destoa muito mais de meus valores, portanto, sem problemas aqui)

Vamos rever o caso de Feliciano: no conjunto de suas propostas (mesmo que recentemente ele tenha apoiado uma política de cotas raciais), ele tem ajudado mais à direita ou à esquerda? No caso de Joaquim Barbosa, quando vemos ele condenar políticos de extrema-esquerda do PT à prisão (com muita justiça, diga-se de passagem), ele tem beneficiado mais ao pensamento anti-corrupção da direita ou o pensamento trotskista da extrema-esquerda? É por isso que digo que atacar estes dois (Feliciano e Barbosa) pode ser um tiro no próprio pé, pois, no conjunto das “obras”, parece que temos outras prioridades em termos de ataques a serem feitos.

Sei que isso pode causar tremores em alguns, pois pensar em afrouxamento de valores pessoais pode dar a ideia de relativismo moral, que é considerado um verdadeiro câncer pela direita. Mas minha concepção de substituição do direitismo purista pelo direitismo pragmático não tem nada de relativismo moral.

Basicamente, é uma questão de escolha: na época da Segunda Guerra Mundial, a aliança com os russos para derrotar Hitler era moral ou não? Se foi moral, por que Rússia e Estados Unidos entraram em guerra fria posteriormente? Simples: isso é o pragmatismo político. Ou, como diria Horowitz: “É a política, estúpido!”.

Como seriam alguns exemplos de pragmatismo político? Por exemplo, deixar de lado (temporariamente) as críticas aos adversários do PT, e lançar artilharia propagandística pesada contra os petistas. Ao criticarmos o PSDB, devemos embutir ao mesmo tempo uma crítica mais forte ao PT. Também podemos elaborar propostas que usem parte dos valores da esquerda (ou mesmo valores que são nossos, mas foram usurpados pela esquerda) e ao mesmo tempo causem constrangimento aos esquerdistas, como por exemplo a substituição da Lei Rouanet para investimento do dinheiro em assistencialismo (que tem sido uma bandeira da esquerda). Saber agir assim é praticamente uma arte na guerra política.

Fazer política não é fácil. Entrar na guerra política de forma estratégica é uma arte ainda mais difícil. Apenas transcrever seus valores pessoais em propostas políticas é fácil demais. O problema é que isso nunca dará resultados. Esta regra vale tanto para esquerdistas como direitistas.

A maioria das propostas políticas da esquerda abarcam valores que atendem tanto a esquerdistas como direitistas, mesmo que no fim elas sempre privilegiem o primeiro lado. A esquerda, quando elabora suas propostas, pensa em um público amplo. A direita também pode aprender essa arte, mas para isso é preciso abandonar o purismo.

Eis um racional que pode nos ajudar: uma proposta política deve ser elaborada visando a mais larga parcela do eleitorado quanto possível, mas que ainda seja coerente com nossos valores, mesmo que não seja uma replicação ipsis literis desses valores. Criar essas propostas é uma arte. Banalizar esta arte achando que basta divulgarmos nossos valores é “fazer política nas coxas”.

Vejamos uma proposta que elaborei em meu ensaio Escravos de Cuba (prestes a ser publicado na Amazon no próximo domingo, 8 de dezembro – já com atraso, pois a data original era 25 de novembro): propor o ensino universitário privado, mas com financiamento estatal para algumas áreas chave, como saúde. Todos os alunos teriam que pagar pelo ensino, mas alguns poderiam optar por fazer o curso de graça. Nesse caso, pagariam pelo ensino com o atendimento a regiões carentes por um período de três anos. Isso desoneraria o estado do custo pelo seu estudo. Também poderíamos propor investimentos privados para essas bolsas, com anúncios de produtos nos hospitais. A redução de gastos estatais significa redução de aparelhamento estatal, o que com certeza  esquerda não quer.

Note que são apenas ideias que, ao mesmo tempo em que abrangem uma larga parcela do eleitorado, neste momento atendem mais aos interesses da direita do que da esquerda.

Também podemos usar o pragmatismo político na elaboração de frames, como a crítica aos esquerdistas do PT pelas desigualdades de tratamento aos presos mensaleiros em comparação aos demais presos. Alguns diriam que a bandeira da “igualdade social” é da esquerda, mas podemos usar este exemplo para dizer que o PT defende a desigualdade social, e, por causa do estatismo que atravanca a mobilidade social, podemos definir a direita como muito mais defensora da igualdade social do que a esquerda.

Eu não quero trazer estas ideias como as únicas, mas como possibilidades dialéticas da direita diante de um cenário onde podemos fazer aquilo que Gramsci propôs à esquerda há várias e várias décadas: abandonar o purismo em prol de ações pragmáticas que, pouco a pouco, fizessem a balança perder para o lado da esquerda. Basicamente, com a ideia do pragmatismo político ser usado pela direita, é isso que proponho.

Podemos notar, aliás, que mesmo com seu pragmatismo político, a esquerda não deixa de tratar a direita como o mal encarnado. Logo, pensar de forma pragmática (em oposição ao direitismo purista) não nos deve fazer abandonar as duras críticas à esquerda. Ao contrário, ao menos neste blog, as pauladas no esquerdismo serão cada vez mais contundentes, mesmo que eu tenha abandonado o direitismo purista há anos.

Mas se ainda lhe falta motivação, basta pensar naquilo que mais irritaria seu adversário (ou seja, o sinal de que você conquistou vitórias políticas): fazer a balança pender a favor do seu lado, com a implementação de propostas políticas. É isso que o esquerdista teme mais do que o diabo da cruz. E é exatamente isso que a direita raramente consegue fazer por causa de um purismo exacerbado.

Por outro lado, o que proponho é fazer propostas políticas que confundam os esquerdistas (e atendam aos esquerdistas moderados, centristas, bi-conceituais e direitistas, obviamente), enquanto se derrubam algumas propostas que eles consideram prioritárias. Ao mesmo tempo, podemos fazer ataques duros ao esquerdismo como um todo.

Isto é a mistura entre a propagação de nossos valores (valores da direita, contra os valores da esquerda, de forma assertiva) com a implementação de políticas que nos beneficiem. Isto geraria resultados, irritaria a esquerda e beneficiaria a direita.

É, eu sei. Política não é uma moleza. É uma arte, assim como são as artes marciais. E em qualquer arte marcial fazer o trivial não gera nenhum resultado. O maior motivo para o abandono do direitismo purista é que ele é trivial: basta ter valores, e reescrevê-los em forma de proposta política. É óbvio que não vai dar resultados mesmo.

Eis a mensagem: a melhor forma de ajudarmos o pensamento da direita começa por pensarmos a política de forma estratégica. E isso pode ser feito através de propostas políticas que podem até confundir a esquerda, mas que no fundo (e no conjunto da obra) são arquitetadas para beneficiar todos aqueles que achem que o pensamento de direita é melhor que o pensamento de esquerda.

Ver também o texto “Política e Princípios”, extraído de A Arte da Guerra Política, de David Horowitz.

Anúncios

13 COMMENTS

  1. Concordo inteiramente com sua estratégia.

    Estamos em guerra e, numa guerra como escreveu Sun Tzu,há momentos em que precisamos recuar, o que não significa que fomos derrotados. É claro que você não está falando em recuar, mas em abrir mão de certos princípios que governam o direitista, o que para mim, não deixa de ser um recuo. Um recuo estratégico, o que é fundamental em qualquer guerra.

    O que mais me preocupa com relação ao direitismo é que seus princípios são fundamentalmente morais e seus programas sociais se cumprem a médio e longo prazos. A esquerda, prega a amoralidade e oferece soluções mais imediatas ás pessoas.

    Vencer o imediatismo esquerdista apenas será possível, em minha opinião, se a direita souber flexibilizar seus rígidos princípios e, quem sabe, talvez até, reavaliando alguns deles quanto a se ainda se adéquam às realidades do mundo moderno como, por exemplo, aceitar que não é preciso ser religioso, ou seguidor de alguma religião, para ser de direita, assim como a esquerda aceita religiosos esquerdistas – e até os usa muito bem como seus garotos-propaganda.

  2. Bom termo esse: direitismo pragmático. Sob esse termo poderíamos encontrar os que pensam mais ou menos os de centro-direita como eu. Nesse caso os moderados (ainda q em alguns aspectos destoem de algumas premissas nossas), não fortalecem os radicais em nada (minha opinião). Entre os direitistas puros, vejo infelzmente muitos adeptos do Olavo. Uma pena, pq muitos se posicionam de forma radical e com isso só fragmentam uma direita já tão pálida do nosso cenário político.

    • Não acho que o Olavo seja radical, ele e o Rodrigo Constantino já andaram até ‘fazendo as pazes’
      Radical mesmo são os anarco capitalistas, pra eles quem fala de estado mínimo e comunista, é tudo a mesma coisa. Comentando isso o Rodrigo Constantino disse: ‘pra vcs Milton Friedman, Hayek e até Mises são comunistas, estou bem acompanhado então’

  3. Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?
    Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas tolo; por que morrerias antes do teu tempo?

    Eclesiastes 7:16-17

    Bom conselho para a ação in-campo, no front político.A resiliência deve ser utilizada com inteligencia,sem abrir mão dos fundamentos de seus valores,mas, também,sem afixar-se à eles de modo a tornár-los improdutivos ou inoperantes,concedendo demasiado espaço ao adversário que corre como uma avalanche em direção ao precipício.
    Muito importante que essa compreensão que você levantou seja assimilada.Não somente para levantar barricadas e cavar trincheiras,mas também para o desenvolvimento e implementação de propostas como
    citado.

  4. Luciano, não valeria a pena falar sobre os protestos na Ucrânia (segue álbum do UOL e também análise sobre o assunto)? Talvez este seja o primeiro confronto mais acentuado entre gramscismo e o eurasianismo de Dugin. O povo encheu as ruas querendo que o país se aproxime da União Europeia, em vez da Rússia putiniana.
    É uma situação meio que entre a cruz e a caldeira. Os ucranianos não querem nem um pouco voltar-se a uma Rússia cujos herdeiros no poder são basicamente filhotes daqueles que promoveram o Holomodor, mas também temos de levar em consideração que a União Europeia está basicamente falida e quem aceitar entrar na onda do euro terá um destino já cantado por Portugal, Espanha, Itália, Grécia e outros países com menos variedade econômica que França, Inglaterra e Alemanha, fora correr riscos de convulsões internas que outrora não existiam, mas que acontecem quando se aplica o que quer aquela zona econômica.

    Vamos dizer que o protesto por lá tem um cunho gramscianizado (e não gramsciano, significando que a população está meio que agindo sem saber que a UE é marxista cultural e que, se soubesse, pediria para o país trilhar um caminho equidistante tanto de Rússia quanto dos vizinhos a oeste). Temos oportunistas, como as militantes do Femen, que vão querer se promover em cima de demandas legítimas do povo. Não dá para dizer se há black blocs na jogada, até porque está frio naquele país e qualquer um pode estar com casaco preto de capuz sem que isso signifique afiliação a isto ou aquilo. Uma marca é esta máscara que é metade com o símbolo da UE e metade com o do comunismo, ainda que agora eu não tenha como saber o que ela significa. Entre os destaques de hoje, há o fato de terem usado uma escavadeira para atacar a barricada da polícia, ainda que o contexto todo da coisa, como já dito anteriormente, dificulta saber se é coisa de black bloc ou espontânea do povo. Talvez este ataque a policiais valendo-se de uma corrente seja alguma mostra de tática, mas ainda fica difícil saber algo além de que os manifestantes estão do lado gramscista da força. É verdade que há algumas bandeiras vermelhas, mas a maioria dos pendões agitados é do próprio país, o que pode significar que eventuais gramscistas estejam desempenhando papel de bastidores e no máximo estejam tentando manobrar os protestos (e, caso os manifestantes fiquem contrários aos marxistas-humanistas-neoateístas seguidores de Frankfurt, veríamos os de bandeira vermelha xingando a maioria do povo de “coxinha” com esse termo sendo escrito em alfabeto cirílico). Por ora, vamos ter de ficar observando para ver aonde chega essa coisa toda e lembrar que já há know-how dos fortes de como afastar o povão de manifestações, conhecimento esse desenvolvido durante o mês de junho neste país onde nos encontramos.

  5. Concordo com o “pragmatismo” necessário para se obter pequenas vitórias que podem levar a uma grande vitória no longo prazo. Mas, no caso específico da atual situação política do Brasil, acho que não vale mais a pena eleger alguém do PSDB, pois a supercrise econômica que está se formando vai explodir no colo do próximo governo, e é melhor que este seja petralha, senão eles ainda vão capitalizar em cima convencendo a massa que foi só eles saírem para os “direitistas” do psdb quebrarem o país.

    • André,

      Só um detalhe: com quatro mandatos seguidos, o PT consegue aparelhar ainda mais o estado e empossar ainda mais ministros no STF. Aí acabou-se…

      Por isso digo que alternativas menos extremistas que o PT são úteis.

      Foco: quebrar o ciclo totalitário do PT.

      Abs,

      LH

      • eu pensei nisso também.
        Eu estava com tanto nojo da politica depois que comecei a frequentar olavo, MDM e seu blog que meu pensamento era anular para não me sujar mais.
        Agora eu vejo que é essencial quebrar o ciclos. Enquanto não aparecer um candidato de direita, votar na rotatividade da esquerda é o que eu acho melhor.
        Gostaria de ver sua opinião a esse respeito, Luciano.

  6. Luciano, a história se repete na Argentina e foi comentada pelo blog Marxismo Cultural: católicos se postam em frente à igreja da cidade rezando Ave Maria e feministas tresloucadas os ficam pichando e tentando cavar falta em cima deles lançando mão de pichar seus corpos, cuspir neles, passar spray de pimenta, fazer atos obscenos em plena rua e outras coisas. Seguem vídeos sobre a história toda:

    http://www.youtube.com/watch?v=MAJZAmiaplE

    http://www.youtube.com/watch?v=NsIRoWUlt44

    http://www.youtube.com/watch?v=7bgXFmbZi3Y

    http://www.youtube.com/watch?v=W3SWlmFQFyc

    Veja que mulheres do grupo chamado Autoconvocadas (que pediam desculpas no vídeo anterior pelo que suas congêneres fizeram) foram agredidas pelas feministas também:

    http://www.youtube.com/watch?v=r3GROcgWrjE

    http://www.youtube.com/watch?v=BpGeG4TN5l4

    Bem como há suspeitas de terem agredido o pessoal do Argentinos Alerta, site antiaborto:

    http://www.youtube.com/watch?v=-fJCnG34cPU

    Veja também uma marxista-humanista-neoateísta aparentemente moderada pouco antes do ocorrido meio que querendo limpar a barra do pessoal que faz o serviço sujo:

    http://www.youtube.com/watch?v=cjLsO83GHVo

    Segue também a versão dos MHNs para a história (no canal desse vídeo, nenhuma menção às agressões praticadas pelas feministas aos católicos que rezavam e às Autoconvocadas):

    http://www.youtube.com/watch?v=5iTCTtT7riI

    O ocorrido foi em 24 de setembro e, se formos ver, houve transferência de know-how brasileiro para a passeata de lá. Note o cântico de “a América Latina vai ser toda socialista”, bem como o uso de spray de pimenta por parte dos manifestantes mais brabos (black blocs aqui no Brasil fizeram isso contra policiais em algumas das últimas manifestações cariocas) e a queima de um boneco representando o papa Francisco (algo análogo ao que Zé Celso Martinez Correia fez na PUC, mas com a diferença de impacto de a Argentina ser bem mais católica que o Brasil). Também vi desta vez na manifestação argentina algo que é mais típico de Brasil: dizer que conservadores são fascistas, como pudemos comprovar com as feministas pintando bigodes hitlerianos nos que rezavam. Também há certas analogias com o Chile, como o tipo de pichação que fizeram na igreja (compare-se isso com recentes episódios de vandalismo em Santiago). Porém, ao contrário de outras vezes, e isso pode ser lido nos links da postagem do Marxismo Cultural, desta vez a Igreja Católica apoiou os fiéis. Destaque também para a omissão (proposital?) dos policiais encarregados de proteger a cidade durante o 28º Encontro Nacional das Mulheres (era um efetivo de 600 soldados).
    Falando em Brasil e analogias com ocorridos na PUC-SP, pode ser que o papa Francisco tenha avançado mais uma etapa no que suspeito ser “engenharia reversa do gramscismo”: Dom Odilo Scherer foi nomeado para a Congregação para a Educação Católica, possivelmente tendo sido sua resistência aos MHNs que queriam PUC laica (sic) uma peça de portfólio decisiva.

  7. Luciano, novamente mando o que vi hoje:

    1) Pode ser que os black blocs voltem com tudo no Rio, ainda mais que a pesquisa do Datafolha mostrou a queda de Cabral. Desta vez a vítima anunciada é Bill Clinton, que chefia evento que ocorre entre o domingo e a terça na Cidade Maravilhosa;

    2) Também temos uma sakamotice meio esquisita. Aparentemente é sobre a morte de Nelson Mandela (que mereceu esta e esta outra análise do Rodrigo Constantino e esta do Reinaldo Azevedo, ambas que considero bem equilibradas), mas observe que ele vem querer dizer que há outras alternativas que não o pacifismo gandhiano. E vemos mais um pouco de demofobia por parte dele ao dizer que alguém não pode ficar triste com a morte de Mandela e ao mesmo tempo condenar a violência nos protestos. Observe também que ele vem querer isentar os pobres de serem julgados caso ajam com violência. Chegou a pôr indígenas no bolo, mas tenho a impressão de que essa postagem marca um fenômeno no marxismo-humanismo-neoateísmo brasileiro, que é o de talvez estar se desvinculando de recortes raciais, em um longo processo, possivelmente por ver que os brasileiros não aceitam essa coisa toda. Logo, irão mirar em cima dos pobres em geral, talvez usando o Bolsa Família e outros expedientes (caso haja agentes de influência entre os médicos cubanos). Observe que ele também vem querer insinuar que as leis brasileiras seriam tão injustas quanto as sul-africanas do tempo do apartheid e que, por isso, deveriam as pessoas ir contra elas, bem como querer jogar nas costas do povo brasileiro que ele seria preconceituoso com índios, quando na realidade preconceito é ação individual e que só se torna coletiva se vira lei como na África do Sul ou na Alemanha nazista ou, fora dos ambientes governamentais, quando forma grupos de ódio. Logo, como pode notar, pode até mesmo ser que a postagem em questão seja uma tentativa de ir amaciando o caminho para os black blocs voltarem à carga total que tiveram em outras ocasiões;

    3) E já que PSDB não é tão diferente assim do PT, eis que vemos quererem dar pontuação extra na prova do concurso público se a pessoa fizer parte da etnia certa, que com certeza não inclui brancos ou orientais. E a dúvida que fica é sobre se negros, mestiços (chamados pelo IBGE de “pardos” e grupo que inclui também gente sem ancestralidade africana) e índios, se estudarem tanto quanto qualquer concurseiro e acertarem as questões da prova, são menos capazes que concurseiros brancos e orientais. Eu acho que não e que são tão capazes quanto qualquer um de vencer por seus próprios meios, mas parece que os tucanos não concordam.

Deixe uma resposta