MP-RJ denuncia casal por ato obsceno na Marcha das Vadias durante a visita do Papa… e qual a culpa das feministas em tudo isso?

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Segundo o UOL, o MP do Rio de Janeiro denunciou casal que fez ato obsceno durante uma marcha de vadias durante a visita do Papa no Brasil (relembre do evento aqui):

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) informou na noite de segunda-feira (9) que denunciou um casal que danificou imagens de santos na Marcha das Vadias que aconteceu no dia 27 de julho em Copacabana, durante a Jornada Mundial da Juventude. Eles foram denunciados por prática de ato obsceno em local público e de preconceito de religião.

Eles tiraram as roupas, quebraram as imagens e ainda sentaram na cabeça de uma delas. A marcha ocorreu durante a concentração de peregrinos para a 1ª missa da Jornada Mundial da Juventude com o papa Francisco.

Segundo o texto da denúncia, o casal demonstrou intolerância religiosa com os católicos presentes ao evento. “Os denunciados, com consciência e vontade, vilipendiaram publicamente santos e imagens católicas, quebrando-os intencionalmente para demonstrar o seu desprezo e preconceito pela religião católica”.

Antes que eu comente essa notícia, vamos relembrar o post Feministas, católicos e um ato de guerra formal: o que fazer a respeito disso?, que publiquei há poucos dias. Uma leitora disse:

Que generalização absurda! Como se todos os esquerdistas defendessem violência e aprovassem movimentos ultra-radicais feministas! Uma coisa nada tem a ver com a outra. Lamentável.

Será que ela está correta? Será que existe uma generalização injustificada? Mostrarei aqui que essa reclamação é vazia. 

Na verdade, o comportamento da esquerda buscando se isentar de responsabilidade é a mesma historinha de sempre. Uma chorumela repetitiva, sempre buscando se isentar de eventos causados por eles próprios. A esquerda, infelizmente, ainda não aprendeu a reconhecer seus próprios erros. Será que isso um dia vai acontecer? Como diria o ceguinho esperançoso, veremos…

Vamos aos fatos. Os esquerdistas, por opção voluntária (e não por coerção), optaram por criar discursos nos quais transpuseram a guerra de classes original de Marx (burgueses X proletários) em várias instâncias de conflitos: homens X mulheres, negros X brancos, heterossexuais X gays. Essas distinções não existiam na sociedade, em termos de guerra. Antes do marxismo, costumava-se guerrear formalmente com outros povos, outras tribos, outras nações. A partir do advento do esquerdismo, as guerras, no âmbito político, passaram a ser entre classes artificialmente criadas, sem nenhuma justificativa para tal.

A maioria absoluta dos casais sabe que não estão em guerra. Em uma empresa, profissionais brancos e negros também sabem que não guerreiam entre si. Quem tem amigos homossexuais, sabe que não está em guerra com eles. Mas isso é apenas a visão não-esquerdista do mundo. Na visão esquerdista, indivíduos não existem. Existem apenas classes de indivíduos, e todas essas classes estão em guerra, e, para gerar a paz, eles pedem mais inchaço estatal, além do envio de verba federal para ONGs, grupos sociais e daí por diante. Para piorar, todas essas guerras foram declaradas pela esquerda. Ou seja, a esquerda cria a guerra e depois pede inchaço estatal para alcançar a suposta paz. (Aliás, alguns nem pedem a paz, mas apenas a manutenção do estado de guerra infinitamente)

Como as feministas originais poderiam abandonar esse paradigma? Simples. Substituindo sua postura “feminista” por uma postura iluminista (em estilo britânico) atuando contra injustiças e discriminações cometidas, seja de homens contra mulheres, seja de mulheres contra homens. Ademais, poderiam gastar um bom tempo estudando psicologia evolutiva, para diferenciar uma construção social derivada de fatores biológicos daquilo que é uma mera construção artificial, que não nos gera nenhum benefício evolutivo. Em outras palavras, ao invés de brigar por que muitas mulheres optam pela família tradicional, poderiam estudar o ser humano, em termos biológicos, para entender se isso é uma construção cultural artificial ou uma adaptação cultural que foi mais pressionada pela biologia do que outra coisa. E daí sim, elaborar demandas que atendessem tanto a homens como mulheres que se sentissem restringidos em seus direitos básicos. Poderemos notar, neste caso, que a maioria das demandas das feministas não faz o menor sentido, e nem representa o interesse das mulheres.

Algumas feministas dizem que “sem as feministas, as mulheres não poderiam votar”, mas essa crença não tem o menor fundamento. O fato é que o pensamento iluminista original poderia ter conquistado o mesmo direito ao voto sem a encenação de guerra de classes. O discurso de guerra de classes é, e sempre foi, desnecessário para a conquista de resultados políticos, que poderiam ser obtidos de outra forma, por via de discursos mais racionais do que aqueles derivados do esquerdismo.

Enfim, quando as feministas agem de maneira ridícula, adotando uma moral psicopática, como na questão do ataque a jovens católicos na catedral argentina, mostram os efeitos de um tipo de discurso que inseriu na mente delas uma fantasia de guerra de classes. Da mesma forma quando uma vadia enfia um crucifixo no ânus de seu amigo, diante de um público religioso (incluindo crianças), está de novo exibindo efeitos de discursos baseado na fantasia de guerra de classes. Indo além do feminismo, quando jovens negros criam o “knockout game”, para nocautear brancos em vias públicas, novamente, temos efeitos relacionados a fantasia de guerra de classes. Em resumo, a criação de guerras artificiais tem suas consequências, e o feminismo assume o risco ao pensar em guerra de classes o dia todo.

Por isso, não se justifica um discurso dizendo que “essas feministas mais radicais não representam o feminismo e nem o esquerdismo”. É exatamente o contrário: as feministas que agridem as pessoas e perdem todo seu senso de ética estão apenas entendendo direitinho que o discurso de guerra de classes (obra do esquerdismo) quer dizer. Essas feministas são extremistas apenas em sua aderência aos princípios do feminismo, e, por tabela, aos princípios do esquerdismo. Quando elas se opõem de maneira bélica “ao homem” (enquanto classe), temos apenas a consequência do aceite de um discurso.

Portanto, não há generalização alguma. O esquerdismo é um fenômeno natural, que é visualizado quando se utiliza um tipo de discurso específico. O feminismo é outro fenômeno natural, também visualizado a partir da utilização de um tipo de discurso específico. As consequências desse tipo de discurso são (já dá para pegar o jeitão da coisa, não?) parte de um fenômeno natural, da mesma forma.

Sim, os usuários do discurso esquerdista são responsáveis pelo aceite de seus discursos à risca. E, sim, os usuários do discurso feminista, também são responsáveis pelo aceite de seus discursos à risca. Os “extremistas” são apenas aqueles que entenderam direitinho o discurso ridículo de guerra de classes que estes grupos sempre difundiram e continuam difundindo.

Seria muito mais moral que eles aceitassem as responsabilidades pelo que conseguiram criar. Mas como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera daí mesmo é que não sai nada…

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7 COMMENTS

  1. Mais um “fogo-amigo” (provavelmente o último dêste ano de 2013):
    neste artigo, notei pelo menos 2 “armadilhas conceituais” que, um dia, os teus inimigos, se eles quiserem, poderão usar contra você, Luciano. Apontar e explicar essas armadilhas fica como lição-de-casa para os leitores mais aplicados 😉

  2. Muito bom!

    Uma das mais claras explicações que tenho lido sobre a responsabilidade das esquerdas pelos excessos que vemos sendo praticado nas ruas em nome de “direitos” questionáveis.

    Também achei excelente o desmascaramento da falsa alegação esquerdista de que “conquistas” como o voto feminino, melhorias no ambiente de trabalho e na situação dos próprios trabalhadores só aconteceram apenas graças a ela. Essa falsa visão de monopólio esquerdista das “conquistas” é muito divulgada pelos midiáticos socialistas, como por exemplo, o escritor Ken Follet, no romance “A Queda de Gigantes” que transforma os socialistas ingleses em verdadeiros paladinos da justiça na luta contra os “arrogantes” conservadores do início do século XX.

  3. Exatamente o mesmo truque barato usado nas manifestações. Todos sabiam que no final ia ter quebra-quebra, mas este era perpetrado por uma “minoria” totalmente desconectada com o “movimento”. Conta outra.
    Isso tudo é fruto do relativismo absoluto em que estamos vivendo. Somos responsãveis por aquilo que fazemos e também pelo que incitamos os outros a fazerem, seja por carta, email, vídeo, twitter, facebook, o ca%$#lho!

    • Realmente é incrível. Você poderia mostrar um dezena de estudos sobre psicologia evolucionista e elas simplesmente diriam que é tudo derivado do pensamento machista, que eles fizeram os comportamentos se adaptarem aos ideais machistas.

      Pode muita coisa ser construção social mesmo, agora negar logo de primeira toda uma pesquisa ou ramo científico em favor da construção social, é fogo…

      Ai, porque nós somos seres sociais, e porque a biologia apenas influencia nosso corpo e não nossa mente… Algo assim o pensamento feminista.

  4. Na Suécia, a neurocientista Annica Dahlström teve as verbas de suas pesquisas cortadas pelo governo, sob a alegação de que suas pesquisas iam contra as políticas sociais adotadas pelo país. Motivo? Ela provava que o cérebro feminino é diferente do masculino. Ideólogos de gênero e igualitaristas são irracionais e querem impor a igualdade através da negação da realidade. Sem o uso da política de identidade, o feminismo (bem como as outras ideologias de cunho marxista) não passa de uma desculpa para comportamento irresponsável, insano ou criminoso.

    Quanto às feministas que são “moderadas” ou funcionais, por mais que elas façam esse teatro sobre reprovarem as ações das feministas radicais, na prática sancionam suas ações através do discurso “ninguém pode julgar”, pois colhem os benefícios resultantes das agressões praticadas pelas mesmas contra os homens, a religião e a instituição família, sem precisarem se sujar.

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