O Apartheid Petista: avaliando o caráter daqueles que endossam os rolezinhos

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Ontem, no final da tarde, eu voltava de táxi para casa e passava próximo a um shopping. Foi quando o taxista comentou que havia um amontoado de policiais no Shopping Campo Limpo (longe de onde estávamos), com um aglomerado de jovens funkeiros querendo entrar, e “umas 200 viaturas na frente do shopping” (conforme disse o taxista). Em seguida, o taxista disse: “São todos vagabundos esses que tentam fazer bagunça em shoppings. Isso é um absurdo!”.

Antes de retornar ao tema, quero mostrar um excelente texto de Guilherme Macalossi, “O Brasil de Ana Clara Santos Souza”:

Zé Dirceu está na Papuda. Ana Clara Santos Souza está no cemitério Jardim da Paz. Zé Dirceu teve sua vida retratada em livro escrito por Otávio Cabral. Ana Clara Santos Souza foi morta na depredação de um ônibus no Maranhão e não viveu o suficiente para ver um livro contando sua história. Zé Dirceu sofreu ao tomar banho de água fria na cadeia. Ana Clara Santos Souza sofreu ao ter mais de 90% do seu corpo queimado. Zé Dirceu é um mensaleiro condenado. Ana Clara Santos Souza é uma vítima anônima que se juntará a estatística da violência do país que produz 50 mil homicídios por ano.

Quando Zé Dirceu começou a cumprir sua pena, dezenas de gatos pingados que lhe reverenciam foram à frente da sede da Polícia Federal para louvar o ídolo. Enjaulado, recebeu a atenção das autoridades, todas preocupadas se o impoluto ex-guerrilheiro estava sendo bem tratado. Quando Ana Clara ardeu em chamas, Maria do Rosário estava de férias. Ela não recebeu atenção das autoridades, só a de seus parentes e amigos, desesperados com a sua perda brutal e abrupta. O bisavô da menina, consternado com a notícia, morreu também. Foi vítima do infarto que Genoíno não teve.

O PT, com sua mentalidade coletivista, diz lutar para que todos sejam iguais. O tratamento dispensado a Ana Clara berra o contrário. A menina de seis anos não tinha o DNA ideológico necessário para ser considerada vítima social. No país onde o peculato e a formação de quadrilha são características dos heróis, só é vítima social quem incendeia ônibus. Ana Clara não é Dirceu. Ana Clara não é Champinha.

As cenas de grotesca selvageria que ocorrem no Maranhão, estado dominado por um clã de coronéis liderados por José Sarney, mostram que existem dois Brasis. Um deles é o dos companheiros e aliados de ocasião. O outro é o que assiste ao velório de uma criança assassinada.

Simplesmente, irrepreensível. Por causa da moral relativista, junto ao amontoado de fraudes intelectuais propagadas pela extrema-esquerda ao longo das últimas décadas, perdeu-se, em larga parte de nossa intelectualidade orgânica, a capacidade de julgamento do que é certo e errado. Isso tem levado à bizarrices como a transformação de mensaleiros em heróis, enquanto vítimas pobres da violência urbana são desprezadas.

Isso também explica a postura moralmente criminosa que os jornalistas petistas tem adotado para descrever os rolezinhos. Para eles, só importam os pobres vândalos, enquanto os pobres decentes são chamados de “elite”.

Estou exagerando? Então vamos dialogar com Rudá Ricci, que escreveu o texto “O fenômeno do rolezinho: O Occupy da periferia”, publicado no Brasil247. Ricci diz:

Este ano promete. Promete em desnudar o país para além das imagens plácidas das novelas (não tão plácidas assim, mas sempre tendo como centro nervoso a classe média tradicional ou segmentos mais abastados do Brasil).

Como já mostrei anteriormente, o truque é típico: chamar a população pobre que frequenta os shoppings populares de “elite”. Tudo, é claro, tem um motivo: fantasiar uma guerra de classes inexistente, que é sempre o pretexto que eles usam para pedir inchaços estatais. Mas eis a verdade: a população que frequenta os shopping populares não pertence aos “segmentos mais abastados do Brasil”. Pertence, ao contrário, à mesma classe que os funkeiros adeptos a baderna.

Neste momento, surge o fenômeno dos rolezinhos, estas “visitas” de jovens da periferia aos shoppings da periferia (até agora, rolezinho em shopping de classe de consumo A – este novo termo mercadológico – só o MST, como pode ser conferido AQUI ). De São Paulo para o resto do país (ontem, foi a vez do shopping Estação, em BH).

Aha, pegamos o meliante com a bota na botija. Para tentar dar legitimidade aos “rolezinhos”, Ricci sugere que o movimento agora seja extendido aos shopping mais elitistas. Como sempre, só vemos isso no discurso esquerdista: busca de pretextos. E como não poderia deixar de ser, apresentam o fenômeno do orgulho da vergonha. Se orgulham do MST ter invadido um shopping para atrapalhar as compras de pessoas que só querem ir e vir sem serem atrapalhados por baderneiros e criminosos.

Como nas manifestações de junho, a PM ataca sem dó, revelando sua vocação para a violência, para identificar no diferente um inimigo da ordem. Esta cultura militar que já está passando a hora de ser extirpada na manutenção da segurança de ações civis.

Na ótica de Ricci, na presença de vandalos a PM deve dizer “Por gentileza, não invada esta loja!”. Não há como fugirmos desta constatação: eles realmente não tem nenhum pudor em defender situações insustentáveis. Aliás, do jeito que a coisa anda, podemos precisar da ajuda do exército para proteger os shoppings. Seria muito melhor.

O fato é que o rolezinho já é o fenômeno social mais interessante do início deste 2014. E pode se somar às manifestações do próximo junho. A PM, enfim, vai dando munição para o confronto do ano. Como toda reação violenta e despolitizada, que pensa que jogar a sujeira para debaixo do tapete disfarça os problemas com a mobília da casa.

De novo, mais um padrão (é por isso que eu digo que investigar textos esquerdistas não passa da busca por padrões de discursos, os quais embutem fraudes típicas). Aqui ele transfere a culpa de “atos de violência” para a polícia, por esta ter reprimido os rolezinhos. Não falta ele dizer que o rolezinho “já é o fenômeno social mais interessante do início deste 2014”. Enquanto isso, o comportamento da extrema-esquerda, mobilizando jovens baderneiros pobres contra cidadãos pobres honestos, também é interessante para ser estudado como fenômeno social. Não passa de mais uma instância da simulação de guerra de classes para a capitalização política.

Eduardo Guimarães, um dos mais ardorosos promotores de censura por parte do PT, disse, no texto “O direito constitucional de dar um rolé”

Não pode ser considerado nem como uma pálida sombra de justiça a concessão recente pelo Poder Judiciário de uma liminar que gerou algumas das cenas mais bizarras que estes olhos cansados pela visão de tantos absurdos ao longo da vida já puderam contemplar.

Na verdade, Guimarães acha bizarro que o Shopping JK Iguatemi tenha conseguido uma limitar impedindo a entrada em suas instalações de “adolescentes desacompanhados”. Essa liminar foi estendida de forma automática a outros shoppings da grande São Paulo e de algumas cidades do interior do Estado.

Entretanto, Guimarães não percebe o óbvio: os shopping são empresas privadas, e os donos destas empresas podem escolher seus clientes. É por isso que alguém pode montar um sex shop só para mulheres, e não permitir a entrada de homens. A partir do momento em que os rolezinhos transformaram aglomerados de adolescentes em multidões que causam risco a lojistas e compradores, é mais do que justo existir uma liminar protegendo o shopping desses grupos.

Manifestações violentas têm ocorrido por todo país e este blog tem criticado esse tipo de ação. Contudo, nunca o direito de reunião e manifestação.

Mais um truque de inversão da realidade. O critério que vale para locais públicos, não é o mesmo que vale para locais privados. Uma loja pode, por exemplo, probir a reunião de mais de 10-15 pessoas por questões de espaço. Atualmente, restaurantes permitem a entrada de pessoas somente de acordo com sua capacidade. Não existe essa de “direito de reunião e manifestação” em empresas privadas. É isso que a mente de Guimarães não consegue assimilar.

Enquanto alguém não comete vandalismo ou qualquer outro crime, não pode ter sua presença impedida em locais abertos ao público como sói ser um shopping. É inconstitucional. Aliás, fazer uma triagem para permitir o ingresso do cidadão em algum local baseada nos critérios que as fotos acima revelam, é criminoso.

Segundo o artigo 5º, inciso XVI da Constituição Federal, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização”.

Guimarães é tanto desonesto quanto ilógico. Se lesse o artigo 5º, que ele citou, teria visto que as pessoas podem se reunir pacificamente em “locais abertos ao público”. O problema é que o público pode ser selecionado, desde que não existam discriminações como raça, sexo e etnia, de forma injustificada. Assim, o direito dos shoppings poderem proibir a entrada de adolescentes desacompanhados dos pais não viola o artigo 5º.

“Rolezinho” é uma corruptela do substantivo masculino rolé. Trata-se de uma gíria antiga, que já era usada em São Paulo quando este blogueiro cinquentenário ainda era tão adolescente quanto esses que foram humilhados, discriminados e que tiveram seus direitos de cidadãos violados.

O direito de um cidadão pobre entrar em um shopping popular simplesmente não existe para Guimarães, o que já nos descreve com clareza sua carta de intenções: ao invés de lutar contra a discriminação, o petista quer usar a simulação de guerra de classes para capitalizar politicamente, nem que para isso precise mentir até dizer chega.

Ricci e Guimarães, ao elaborarem seus discursos em prol dos rolezinhos, mostram que não se importam com os cidadãos honestos que frequentam shoppings. Assim como Maria do Rosário não se importa com Ana Clara, morta de forma cruel por criminosos que incendiaram um ônibus.

Há no Brasil um verdadeiro Apartheid Petista, onde pessoas são discriminadas por não terem o DNA ideológico necessário para ser considerada vítima social.

Devemos explicar para todas essas vítimas sociais como a extrema-esquerda é responsável por criar essa situação. Devemos dizer coisas como: “Cidadão pobre e honesto, você está sendo desprezado por ideólogos petistas, que priorizam os baderneiros dos rolezinhos em detrimento de você. Isso mostra claramente de que lado eles estão. Fique de olho!”. E assim, aos poucos, é nosso trabalho transformar esse Apartheid Petista em algo abjeto, digno de rejeição social.

A defesa dos rolezinhos, em detrimento dos cidadãos honestos que tem poucas opções de diversão (e os shoppings populares estão entre elas), é um exemplo deste Apartheid Petista, que precisa ser tratado com a assertividade necessária.

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10 COMMENTS

  1. E eis que houve um rolezinho que gerou muito tumulto ontem. Local da coisa: o elitista e burguês Shopping Metrô Itaquera. Por que elitista e burguês? Ora, vocês verão em um dos vídeos passados abaixo que há no estacionamento um EcoSport do modelo novo parado no estacionamento. E, como sabemos, a classe C não tem o direito de adquirir um carro que passe do limite máximo de um popular de R$ 30 mil adquirido em suaves prestações:

    http://www.youtube.com/watch?v=DGmnO3E4vXA

    http://www.youtube.com/watch?v=IG3ZIE3eS20

    http://www.youtube.com/watch?v=GT_i1Dyv1o4

    http://www.youtube.com/watch?v=zZePcftDvJw

    http://www.youtube.com/watch?v=tTIhu4HQH3k

    Uma coisa a se prestar muita atenção: pode ser que a polícia tenha se excedido na contenção do tumulto e dado borrachada em inocente, em que pese os ânimos de todos estarem bem acirrados na ocasião. Claro que fica um terreno bom para marxista-humanista-neoateísta fazer das suas com textos pretensamente em solidariedade aos oprimidos, mas o principal aqui é novamente que se tenha uma boa estratégia para a contenção futura de eventos desse tipo, pois já é difícil identificar quem está no “rolezinho” e quem não tem nada a ver com isso. Vai muito da sutileza da coisa e é fundamental que os agentes de segurança saibam fazer essa diferenciação para que o transeunte assustado com a coisa toda não seja tomado como um agente ativo da história.
    Vamos lembrar aqui também que o Shopping Metrô Itaquera é um dos seis shoppings que obtiveram liminares antorrolezinho na justiça.

    • Falando em rolezinho, Sakamoto entra no terreno da vergonha alheia ao usar um personagem animado altamente vergonha alheia para dizer que as mesmas pessoas favoráveis a liminares antirrolezinho (que também contemplaram os altamente elitistas e burgueses shoppings Itaquera e Campo Limpo) fariam uma série de coisas, como jogar água com as rodas do carro em um mendigo que estivesse sentado em calçada adjacente.
      E, para variar, usou o altamente marxista-humanista-neoateísta termo “coxinha” que, como já disse antes, originalmente era usado em São Paulo com um dos sinônimos de soldado da PM, mas que os MHNs resolveram ressignificar e dizer que haveria uma longa história pregressa de que tal termo seria sinônimo de alguém rico e insensível ao que está ao seu redor. E, como sabemos, passaram a xingar o povo de “coxinha” quando este resolveu ir às ruas no último junho e expulsou os partidos MHNs das passeatas, fora passarem a protestar por pautas que desagradavam gente de tal matiz e chamando os que estão no poder à sua responsabilidade.
      Aliás, é a segunda vez que ele usou o tal Coxeco para dizer alguma coisa, tendo sido a primeira há dois meses. Logo, ele próprio deve ter notado o quão vergonha alheia é o tal personagem, ainda que tenha tentado dar-lhe uma sobrevida para tentar demonstrar algo.

    • Provavelmente esse Eco Sport devia ser de algum traficante que estava no meio do rolê. Sabe como é, né? Traficantes são burgueses e opressores… adoram dinheiro e coisas caras!

    • Rolezinho é um encontro realizado no shopping marcado por jovens e adolescentes (funkeiros) pelas redes sociais. Os jovens promovem “arrastão” ,”corre-corre”, gritarias e desespero nas pessoas de bens que só querem relaxar e curtir um passeio no shopping. Parte dos deliqüentes funkeiros participantes do “rolezinho” vão ao shopping para praticar furtos, baderna e a outra parte, para protestar contra a proibição de bailes funks. Rolezinho é uma espécie de protesto contra a proibição de bailes funks. Aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, a lei aguarda sanção do prefeito Fernando Haddad (PT).

  2. O shopping Estação (onde já aconteceu o rolezinho), em BH, está longe de ser um shopping para “azelite”. Está localizado em Venda Nova, uma das regionais mais populosas e com grandes demandas sociais.

  3. “Jornalista” sem apresentar credencial e tatuada da cabeça aos pés. Depois vai dizer que a boa dica dada pelo policial foi “violência”, “truculência” ou outra “ência” qualquer.

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