Agora é hora de testarmos a hipocrisia da esquerda: “Adolescente preso a poste comandou surra em abrigo”

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Segundo a Veja, fica claro que o bandidinho preso ao poste não era nenhum santo. Vamos a algumas partes da matéria, com comentários:

Nada justifica a ação de justiceiros, as punições impostas por grupos à margem das leis ou os ‘julgamentos’ paralelos. Estas são as práticas de que lançam mão as quadrilhas de milicianos, traficantes e as gangues que se aproveitam do medo e da insegurança para angariar algum poder e perpetrar ações violentas. Os ‘playboys’ que prenderam um adolescente de 15 anos a um poste com uma tranca de bicicleta, na madrugada do último domingo, na Zona Sul do Rio, rebaixaram-se ao nível dos criminosos que supostamente tentam combater.

Há uma falha moral gravíssima no texto acima, conforme já comentei anteriormente. Para que os sujeitos que prenderam o bandidinho ao poste se rebaixassem ao nível dele era preciso que o bandidinho fosse tão ficha limpa quanto a maioria de suas vítimas. O que, como sabemos, não ocorre. A maioria das vítimas de bandidos profissionais, como é o bandidinho do poste, é composta de cidadãos que trabalham efetivamente, a maioria deles sem antecedentes criminais. Sendo assim, para os agressores do bandidinho se rebaixarem ao nível deste último é preciso que eles peguem um jovem sem antecedentes criminais e façam com ele o mesmo que fizeram com o bandidinho. Aí, e somente aí, se rebaixarão ao nível do mequetrefe.

Registros da Polícia Civil aos quais o site de VEJA teve acesso mostram que a vítima da gangue, apenas cinco dias antes, tinha comandado uma surra contra outro menor, um colega do abrigo Central Carioca, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Ou seja, decidiu, por conta própria, uma punição a alguém que estava em desvantagem – exatamente como fizeram os homens que o perseguiram.

Bom, mas é isso que criminosos fazem o tempo todo não? Eles decidem punir pessoas em desvantagem, com o uso da força e sem o menor apreço pela lei. Mas aí parece que temos um novo critério para a esquerda. Como veremos, o sujeito agredido pelo bandidinho do poste era marginal também. Aí temos um problema para o marginal agredido pelo bandidinho do poste: como o seu agressor é um bandido declarado (e portanto, uma “vítima da sociedade”), então ele não receberá a mesma defesa que o bandidinho do poste. Para a esquerda, só é “fashion” defender um marginal agredido caso seus agressores não sejam marginais profissionais.

A surra foi registrada no último dia 28 de janeiro. O adolescente chegou ao abrigo levado por uma equipe do Conselho Tutelar. Ele havia sido detido por ter assaltado em 3 de janeiro. A vítima, um músico de 37 anos, caminhava pelo Aterro do Flamengo por volta das 3 horas da manhã. Acompanhado de outro menor, o adolescente teria fingido estar armado e exigiu celular e mochila da vítima. Os assaltantes fugiram em direção à ciclovia, enquanto o músico buscou ajuda. De dentro de um  táxi, ele avistou os dois menores e pediu ajuda a uma viatura da Polícia Militar. Os policiais conseguiram deter os assaltantes em flagrante.

Conforme previsto, o bandidinho do poste não era santo e cometeu um ato de extrema-violência: ameaçar alguém com arma de fogo. Devemos parar de aceitar os atenuantes da esquerda e entender que assaltos à mão-armada são crimes de uma violência inaceitável.

Uma vez no abrigo, o adolescente se juntou a outros três menores para castigar um jovem, a quem chamava de “informante” da polícia. Ele dizia que o garoto era apontado por milicianos da Zona Oeste como “X9”. O registro da Polícia Civil detalha os nomes de todos os envolvidos nas agressões. O adolescente surrado pelo grupo disse à polícia ser vizinho do agressor. Disse também que ouviu de seus algozes a reclamação de “falar demais e o que não deve”. Não há, no registro, detalhamento sobre os delitos que levaram os outros menores para o abrigo municipal. Sabe-se, no entanto, que um deles também foi perseguido no Flamengo, na noite em que ocorreu o episódio da tranca de bicicleta.

Vamos criar uma escala de prioridade para merecer a defesa dos esquerdistas:

  1. Marginal confesso agredido por cidadão sem passagem pela polícia <- crime abominável, que merece ser exposto ao público
  2. Marginal confesso agredido por outro marginal confesso <- é crime, sim, mas não merece repercussão
  3. Cidadão honesto agredido por um marginal confesso <- não há crime, pois o marginal é “vítima da sociedade”

Podemos supor, então, que por esta lógica a esquerda não dará nenhuma repercussão ao caso do outro marginal agredido pelo bandidinho do poste.

Além do registro de roubo, a Polícia Civil tem uma ocorrência em que o adolescente vítima dos justiceiros foi detido por furto. O crime ocorreu na região do Vila Carioca, onde mora a mãe do jovem, em Campo Grande, na Zona Oeste. No registro, um vizinho da família afirma que o adolescente tem um histórico de roubos e furtos no bairro. O objeto levado foi uma furadeira elétrica. Em seu depoimento à delegada Monique Vidal, na 9ª DP (Catete), na última quarta-feira, o jovem admitiu já ter roubado o equipamento e ter participado do furto de uma motocicleta. O vizinho também afirma que a mãe do rapaz por várias vezes precisou ressarcir vizinhos de furtos praticados pelo filho.

Eu acho que praticantes de furtos leves devem ser encaminhados para medidas socio-educativas, se suas famílias ressarcirem os bens furtados. Mas com o caso de roubos devemos ter outra conversa. Uso de coerção física para usurpação ilegal de algo, muitas vezes a partir do uso de arma de fogo, é uma barbárie. Aqui, como eu pensava, temos configurado o item 2, onde temos marginal violento atacando marginal violento.

A delegada Monique Vidal afirmou ao site de VEJA que tanto a agressão ao menor como os furtos e roubos a ele atribuídos estão sendo investigados. “O caso deste menor é emblemático. Estamos investigando a agressão absurda contra ele. Mas também investigamos os supostos assaltos pelos quais ele estava sendo acusado quando foi pego. Para isso, no entanto, é preciso que a população colabore e denuncie. Não adianta ficar contando casos no Facebook sem dar elementos à polícia para recolher provas e identificar os culpados”, disse.

Se o caso do bandidinho do poste agredido é emblemático, como a tal Monique Vidal compararia o caso com as várias barbáries praticadas por criminosos violentos contra civis diariamente? Chamar o que ocorreu com o bandidinho do poste de “emblemático”, em um país com 50.000 homicídios por ano, é realmente uma afronta à dignidade humana.

Em relação às manifestações da esquerda contra a agressão feita pelo bandidinho do poste contra ao colega marginal do abrigo, como diria o ceguinho esperançoso, veremos.

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28 COMMENTS

  1. Gente, sei lá. Não gosto de me por em esquerda nem direita, apenas penso o que penso. E penso o seguinte: o cara errou então deve pagar. Pelas leis do estado, ele deve ser preso (julgado e condenado?). Não se pode fazer justiça com as próprias mãos ou daqui a pouco, todos farão isso e não necessitaremos mais de estado. Ele cai e temos anarquia. Pelo ponto de vista humano, o que foi feito com o ladrão, não deveria se fazer. Porém, o que ele fez com suas vítimas, também não. Aí é que está o problema, até que ponto um erro justifica o outro, se, e somente se, justifica de alguma forma. A grande solução não é caçar, um por um, todos os bandidos do Brasil, surrá-los e acorrentá-los aos postes, mas sim surrar o estado, a política social, a política criminal e assim por diante. Não acho que atacar a consequência resolva alguma coisa. Num momento de ira, talvez, pode te fazer sentir-se bem, mas não muda nada realmente.

    • Ninguém está estimulando ou defendendo só foi dito que é compreensivel o desespero das pessoas que acabaram fazendo isso e que esse comportamento as pessoas estão se rebaixando ao nível da esquerda. Estão expondo também como a esquerda é ipócrita, mentirosa e dissimulada nos seus julgamentos pois julgam de forma diferente coisas iguais.

    • Pelo que entendi do Sakamoto é isso que ele espera de todas as vítimas de assalto, estupro e até mesmode assassinatso (e porque não?! Poderiam deixar um bilhete com pedido de desculpas antes de serem mortos pelo bandido-vítima-da-sociedade)

    • Legal sua filosofia. Faz o seguinte, fala isso pro cara com a faca no seu olho. Aposto que ele vai se comover e te oferecer uma flor, como prova da amizade nova que vocês vão começar.

      ~Ironia.

      Mas sabe o que seria realmente irônico? O cara te cegar, você ficar passiva, e no dia seguinte ele cegar um amigo seu. No fim do mês tá todo mundo cego, menos os que estão cegando os outros.

  2. Luciano, muito bom o artigo.

    Só adicionaria que os cidadãos também tem o direito de autodefesa consagrado no artigo 5º , LXIII , da CF. O que é totalmente diferente da lei de talião. E o que a Rachel falou no comentário foi exatamente isso. Sinceramente não entendi porque a Veja desconsiderou isso. Creio que é apenas uma prova contra aquela bobagem esquerdista de que a Veja é a revista da Direita.

    Os adolescentes infratores zombam de nossas caras e permanecem impunes com as bençãos de uma ideologia de direitos humanos que penaliza as vítimas.

    abraços,

    Júnior.

    • E por falar em VEJA . . .

      Ontem, fazia compras no supermercado quando, enquanto eu estava na fila do caixa, no vídeo que fica cima das caixas, passou a propaganda da VEJA desta semana cuja matéria de capa é o caso do marginal que foi preso por populares no Flamengo, com a seguinte legenda:

      “Quando a gente começava a achar que a justiça no Brasil funciona aparecem os justiceiros.” (ou algo bem parecido – infelizmente não escrevi o texto para reproduzi-lo).

      Minha pergunta foi: QUEM acha que a Justiça no Brasil funciona, cara pálida?

      O resultado do mensalão embora desse um gostinho de vitória foi logo desmoralizado pelo comportamento inadequado dos condenados e de todo o Partido dos Trabalhadores, sem que a Sociedade pudesse fazer nada mais do que lamentar o tremendo TAPA na cara recebido todo o dia do PT e de sua militância.

      Que justiça que “está dando certo” é essa, que, quando não impede que os “coitadinhos” sejam presos, deixa bandidos e criminosos serem endeusados perante uma sociedade totalmente de mãos amarradas?

      • E a Veja é “didireita”… Quem já foi de Mino Carta, nunca estará totalmente limpo! A verdade é que a Veja possui colunistas de direita e só. De resto, em diversos momentos, ela passa o tempo inteiro se desculpando e se justificando para falar o óbvio e o correto. Existem outros muito piores porque escondem os fatos. A Veja não esconde mas se desculpa. Parece o PSDB quase pedindo perdão quando faz alguma crítica ao PT. Não temos MESMO nenhuma imprensa realmente de direita; isso é como achar que existem partidos conservadores no Brasil. Mas ainda é a menos pior já que contribuiu para queda de diversas maçãs podres desde a retomada da democracia (não só na ditadura petista).

        O caso do marginal preso no poste é mais complexo que apenas “não vamos nos rebaixar ao nível do crime”. Isto é lorota e esconde a real natureza do problema que é uma resposta agressiva (só seria extrema se ele tivesse sido assassinado e isto pode começar a acontecer muito em breve) à incompetência homérica das instituições que gerem a proteção pública. Na falta da organização e da justiça, se embrenha o caos e a selvageria. Agora jogar a culpa totalmente a quem reagiu desta maneira é coisa de babaquinha de DCE. Como eles sempre simplificam tudo porque seus neurônios não vão conseguir fazer a sinapse caso mais de uma variável seja posta na discussão, o caso foi de racismo contra um negro e de violência contra um pobre. E o uso da palavra “playboys” pela Veja demonstra claramente que falta coragem à revista.

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