Reacionários da esquerda estão irritados com os subversivos da direita

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Eis o motivo pelo qual jamais aceitei o rótulo “reacionário”, lançado pelos esquerdistas contra nós. Eu sou, de fato, um agente de mudança, praticamente um subversivo. E, em contrapartida, vemos um assustador reacionarismo por parte dos esquerdistas diante do surgimento da direita enquanto movimento a participar efetivamente da política.

Evidências do reacionarismo doentio da esquerda podem ser vistas no texto “O Reacionário está na moda”, publicado no Terra Magazine por Marcelo Semer.

Hora de começarmos a análise:

Não foi surpresa que logo após o comentário em que deu status de legítima defesa a justiceiros, a jornalista Rachel Sheherazade tenha tido a oportunidade de escrever artigo no espaço mais nobre de um grande jornal.

Foi vociferando a altos brados, contra todas as formas de ‘esquerdismo’, sem sutilezas nem decoros, que Reinaldo Azevedo ganhou o status de colunista nesse mesmo diário.

Lobão foi guindado a uma revista semanal depois que minimizou a tortura dos anos de chumbo, desprezando quem se disse vítima por ter tido “umas unhazinhas arrancadas”.

Diogo Mainardi pulou da revista para a TV a cabo, apelidando semanalmente o presidente de anta.

Até humoristas que se orgulham de ser politicamente incorretos, sobretudo com o mais vulnerável, vêm emplacando programas próprios na telinha.

Se alguém ainda tinha dúvidas, elas estão sendo dissipadas: o reacionário está definitivamente na moda.

Ele conseguiu citar meia dúzia de nomes de direitistas (e em alguns casos nem isso) que pertencem à mídia, antes monopolizada pela esquerda, e ainda acha um absurdo. Semer confessa que em seu mundo ideal direitistas não devem existir. O reacionarismo à flor de sua pele já aflora logo no começo…

Não há veículo da grande imprensa que não tenha hoje um ou mais comentaristas dispostos a tirar o espectador da ‘zona de conforto’, e destilar o mais profundo catastrofismo, enquanto estimulam a ira e desprezam a dignidade humana em nome de uma hipotética Constituição de um único artigo: a liberdade de expressão absoluta.

Vejamos como ele tenta atribuir aos outros as culpas que os esquerdistas possuem.

Quando Marx disse que o capitalismo ia entrar “em colapso”, agiu como um verdadeiro catastrofista. Enquanto isso, a direita foi mostrando que quanto mais livre a economia de um país, melhor. E o colapso é o caminho dos regimes socialistas. Pergunte aos venezuelanos.

A questão da “ira” também é outra projeção praticada por Semer, já que são os esquerdistas que dependem de luta de classes artificiais para sobreviver, usando o ódio como combustível.

O frame em que ele diz que a direita pratica o “desprezo à dignidade humana” não faz o menor sentido, pois é na direta que valorizamos o indivíduo. A esquerda preza o coletivo. Logo, vive para afrontar a dignidade humana.

Por fim, a questão da liberdade de expressão. Sim, nós valorizamos a liberdade de expressão absoluta. Por isso, nos opomos aos esquerdistas, que adoram censurar seus oponentes.

Semer, sem querer, nos promoveu.

Mas há dois componentes neste jogo que complicam a equação e nos aproximam da intolerância.

Atenção especial nisso que ele diz. Veremos agora os dois componentes, que, segundo ele, nos “aproximam da intolerância”.

Primeiro, o fato de que o catastrofismo sem limites, o derrotismo por princípio e o esforço de detonar o Estado de todas as formas e sob todas as forças, produz uma inequívoca sensação de que estamos sempre à beira do abismo. Mesmo quando evoluímos.

A estabilidade política é desprezada, sufocada pela ideia que resume toda política em corrupção –mas que, inexplicavelmente, considera o corruptor apenas uma vítima do sistema que patrocina.

Todo mal reside nos políticos, nos partidos, enfim no Estado –nunca no mercado ou nos mercadores.

A maior autonomia dos órgãos de investigação e a independência dos operadores do direito, somadas ao fim da censura, têm ligação direta com esse mal-estar da liberdade: a democracia não é pior porque produz mais monstros, apenas mais incômoda porque é impossível escondê-los.

O derrotismo desproporcional, que remete toda e qualquer política à vala comum, acaba por conferir a violência foros de alternativa.

A criminalização da política é, assim, uma poderosa vitamina da intolerância. E seus responsáveis são justamente aqueles que mais bradam contra a violência que ao mesmo tempo estimulam.

Olhar os fatos como eles são é, na visão de Semer, “catastrofismo sem limites”. Hoje em dia temos tentativas de censurar a mídia, muito mais que 50.000 assassinatos por ano (e, lembremos, a principal função do estado é garantir a segurança) e impostos abusivos, mesmo com serviços de quinta. Se apontar os fatos, que constrangem o governo que ele adora, é “catastrofismo”, isso significa que ele mente para não precisar contestar o oponente. Não, discutir os fatos não é catastrofismo.

Nosso país nunca esteve tão próximo de se tornar uma ditadura sanguinária. E isso não é evolução. Nosso país nunca esteve tão próximo de perder toda sua liberdade de imprensa. E isso não é evolução. Há mais risco de alguém ser assassinado hoje no Brasil do que no Iraque. E isso não é evolução.

Além do mais é claro que ele preza a “estabilidade política”, pois é o partido que ele defende que está no poder. Só que não resumimos “toda política em corrupção”. Pelo contrário, sabemos que os petistas são muito mais corruptos que os demais. E também sabemos que há políticos que não tem histórico de corrupção.

O curioso é vê-lo mencionar elementos como “derrotismo desproporcional” e “criminalização da política” sem dar exemplos do que fala.

Provavelmente a tal “criminalização da política” seja apenas o jogo da simulação de falso apartidarismo, que, na verdade, visa esconder a preferência por um lado político apenas por questões de capitalização. E, justiça seja feita, é mais fácil jogar este jogo quando não estamos alinhados ao partido que está no poder.

Talvez o tal “derrotismo desproporcional” seja o reconhecimento de que o estado brasileiro está falido no que diz respeito à segurança. E está mesmo! Se mais pessoas reagirem com violência a essa situação ainda assim isso seria resultante da constatação dos fatos.  No máximo, que isso sirva como pressão para que o governo resolva investir em segurança, mas, como seus ideólogos são fundados na proteção aos criminosos violentos, isso não vai acontecer.

Sendo assim, quem estimula a reação violenta são os próprios governistas, que se recusam a investir em segurança pelo fato de sua base ideológica (ou melhor, os intelectuais orgânicos que lhe dão base)  ficaria indignada se víssemos uma ação policial efetiva.

Agora, vamos ao segundo fator:

A política também tem perdido seu prestígio por estar sendo sepultada pelo fator eleitoral.

O pragmatismo sem freios destroça ideologias, pensamentos e valores e é um consistente obstáculo ao avanço civilizatório. Quando o poder é mais relevante que a política, os fins sempre servem para justificar meios. […]

A submissão rala à pauta punitiva, que ameaça inserir o país na lógica de um Estado policial, é outro indício. Como o instrumento penal é sempre seletivo, mais repressão significará mais desigualdade.

Esvaziar a política nunca é uma tarefa prudente, menos ainda quando o canto da sereia do reacionarismo está cada vez mais afinado.

Há 50 anos, nossa democracia foi estuprada por militares que deram um golpe, civis que o financiaram e reacionários que o justificaram, inclusive e fortemente na imprensa.

Pragmatismo sem freios? Será que ele não revisou seu texto adequadamente? É o PT que fez parcerias com Paulo Maluf e Fernando Collor!

É o esquerdismo exacerbado que sempre defendeu que o poder é mais relevante que a política, assim como são os ideólogos da esquerda os maiores usuários da máxima “os fins sempre servem para justificar os meios”. É exatamente por reagirmos a isso que ele prega que existe um pensamento de direita, recusando-se a permitir que o estado seja tão forte a ponto de permitir que seus donos abusem do poder.

Quanto a “estado policial”, basta lermos o livro Assassinato de Reputações, escrito por Romeu Tuma Jr., onde vemos que o PT estabeleceu um estado policial no Brasil.

Mas provavelmente ele diz que “estado policial” é aquele que pune os criminosos violentos. Mas, se for assim, quem lincha bandidos também é criminoso violento, e, portanto, não deve ser “reprimido”. Mas essa é a lógica dele!

Ele diz que há 50 anos os militares deram um golpe de estado, apoiados por civis, inclusive na mídia. Hoje em dia, no entanto, são os esquerdistas que apoiam ditaduras sangrentas, como na Venezuela, que em poucos dias ceifou a vida de oito pessoas apenas por que elas discordaram do governo.

O texto de Semer é um sintoma do que se tornou o esquerdismo funcional: incapaz de visualizar a realidade, projeta tudo aquilo que eles fazem em seus oponentes.

Mas a verdade é muito mais dolorida para Semer. Praticamente tudo aquilo que ele tentou imputar à direita são os defeitos da esquerda que ele defende. E esses defeitos só estão aí por que a esquerda está no poder, por responsabilidade de gente como ele.

Se hoje em dia a direita absorver algumas características políticas do esquerdismo (ex. pragmatismo, simulação de falso apartidarismo, problematização, etc.), ainda assim o fará de acordo com princípios morais mínimos. Que a esquerda não possui, diga-se, de passagem.

Aliás, o conteúdo de Semer foi postado em seu blog, chamado Sem Juízo. Se os textos dele são insanos e delirantes, ao menos o título do blog faz justiça a eles. 

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10 COMMENTS

  1. Tem certeza de que ele está atacando a direita ou isto é uma auto-análise? Sempre aquela velha máxima comunista: xingue-os do que você, acuse-os do que você faz…

  2. “A estabilidade política é desprezada, sufocada pela ideia que resume toda política em corrupção –mas que, inexplicavelmente, considera o corruptor apenas uma vítima do sistema que patrocina.” – Ou seja, o corrupto é uma vítima dos empresários capitalistas…

  3. Não existe diálogo com esse pessoal, hoje eu percebi isso.
    Saí com um amigo que prezo muito pela amizade de tantos anos – professor de história – e começamos a debater sobre a Venezuela, Cuba, os médicos cubanos, etc.

    Tínhamos bebido um pouco – meu deus! -, o cara defendeu tudo aquilo, ignorando tudo que eu falava sobre o autoritarismo, repressão da polícia Venezuelana, a ilegalidade escandalosa do programa mais médicos – eu sou advogado, sei um pouco de direito trabalhista.

    Tudo que eu falava não fazia efeito. Ele sempre descambava para os EUA, etc, informações extremamente duvidosas.
    Desisto de conversar sobre política com o cara, só vou sair pra fazer festa! Socialismo é uma seita!

      • Luciano, boa dica!

        Eu precisava da prova cabal que essas pessoas são incapazes de debater de maneira honesta e razoável. Acordei nessa ocasião, que é impossível.

        Esse meu amigo nem é dos mais fanáticos, e é uma pessoa articulada, mas totalmente fechado na caixinha de pensar esquerdista.

        Parece que aquilo dá sentido à vida dele, e ir contra esses preceitos é blasfêmia.

        Mas estou influenciado bastante meus amigos mais à direita e neutros. Eles gostam de ouvir minha opinião e estão achando a esquerda cada vez mais patética e infantil.

    • Lucas, faz um bom tempo, cerca de um ano, que comecei a perder a paciência com os amigos. Quando chega nesse ponto que você toca, em que o interlocutor passa a ignorar meus argumentos e fatos, eu mando logo tomar no toba!
      É impressionante como uma ação assim é capaz de trazer o sujeito imediatamente à realidade. O susto inicial do impropério o faz ter que me olhar nos olhos, para então rebater meus argumentos, pois deixo claro que repetir bordões manjados (exemplo clássico é o embargo a Cuba como culpa da miséria da ilha, ao mesmo tempo em que demonizam o Satã) não deve fazer parte do debate.
      Tenho me saído bem dessa forma. Ah, e ainda não perdi nenhum dos amigos. Como eles já sabem minha nova abordagem, procuram evitar, mas eu findo puxando o assunto pro centro das discussões.

      • Exatamente. Quando ele comparou os EUA com Cuba para falar de democracia, eu soltei uma gargalhada, pois era só o que aquilo merecia: um argumento maluco. Ele desistiu de continuar naquilo. Depois, falei: “se tu continuar com essa babaquisse de falar que os EUA sao uma ditadura porque Noam Chomsky disse, eu vou parar de conversar, não fiquei louco ainda”.
        Eles vão percebendo que não aceitamos seus termos absurdos, desistem desses e assumem outros automaticamente. É tiro pra tudo que é lado. No final se desesperam!

  4. Caracas! E muita sem vergonhice, mentira deslavada e distorçao da realidade em um unico artigo!!! Os caras REALMENTE adotam a maxima “acuse«os do que voce faz”!

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