Eduardo Guimarães tenta provar que não há censura na Venezuela. Pena que ele faltou às aulas de lógica básica…

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No Brasil247, Eduardo Guimarães (um dos mais asquerosos promotores dos programas de censura à mídia e Internet do PT) lançou um texto chamado “A prova de que não há censura na Venezuela”. Evidentemente, estamos diante de um desastre lógico de proporções apocalípticas.

Em uma manobra da inversão da realidade, ele começa dizendo que “a maioria dos venezuelanos não tem liberdade de expressão no Brasil devido ao fato de que, por aqui, grandes redes de televisão, grandes jornais, grandes rádios ou mesmo grandes portais de internet literalmente censuram tudo que contradiga a versão da oposição ao governo da Venezuela”. 

Vejamos algumas notícias da Internet provando que Guimarães, como sempre, mente:

Enfim, não existe nenhuma evidência de que a nossa imprensa privilegia um dos lados na questão das manifestações na Venezuela. A crise venezuelana é noticiada por que é um fato do mundo, e fim de conversa.

Mas o pior surge quando Guimarães afirma que os jornais fazem “censura” ao proibir a opinião do governo venezuelano. Como vimos, isso não passa de mentira deslavada. A mídia noticia os fatos, assim como as declarações dos governistas e oposicionistas.

Mas vamos supor, a título de argumento, que realmente a mídia nacional resolvesse deixar de publicar as declarações dos governistas da Venezuela. Isso não configuraria censura, no que diz respeito à censura estatal (que é a única censura moralmente passível de denúncia), até por que os órgãos de imprensa em questão… não são o estado.

Por isso, sempre que Eduardo Guimarães faz um cirquinho para dizer que a “mídia censura a opinião do governo venezuelano”, ele distorce de forma absurdamente torpe o conceito de censura para esconder aquilo que ele defende: censura governamental a partir do PT e dos chavistas, fazendo o uso do estado para censurar a opinião alheia.

A maior instância de fraude intelectual, todavia, vem ao final do texto, quando ele publica um texto chamado ” O Maduraço”, publicado em 8 de março no El Nacional.

Vamos ao texto que, segundo ele, seria a “prova” de que não existe censura na Venezuela:

Ontem, o senhor Maduro condecorou e exaltou postumamente os integrantes da Guarda Nacional Bolivariana que faleceram durante a violenta repressão lançada pelo governo contra os estudantes que tomaram as ruas para protestar contra a bancarrota social e econômica em que se encontra o país, e que afeta os setores mais pobres da sociedade.

O senhor Maduro também condecorou 57 integrantes da Guarda Nacional que, segundo as versões extraoficiais, foram feridos em consequência dos ataques de estudantes e de pessoas residentes da região, gente que saía do metrô rumo ao seu trabalho, idosos que iam comprar alimentos e trabalhadores que seguiam para o trabalho cotidiano.

Tão perigosa aglomeração composta por simples garotos menores de idade, estudantes magricelos e jovenzinhas nada musculosas, além de pessoas do povo famélico, empobrecida e cansada, causou à treinada, disciplinada e militarizada Guarda Nacional nada menos do que 57 feridos. Valha-nos Deus. Estamos tão mal [de policiais]? Por isso o contrabando e o narcotráfico nos ameaçam de morte.

Segundo Maduro, os sargentos foram assassinados pela extrema direita enquanto cumpriam seu dever de defender a paz. Que rapidez a de Nicolás [Maduro] para investigar por sua conta um fato de natureza tão complexa que exige de qualquer equipe de investigação do Cicpc [órgão de inteligência venezuelano] um tempo prudencial e um especial cuidado para montar corretamente as peças do quebra-cabeças policial.

Que pena que Maduro não estava em Dallas quando mataram o presidente Kennedy, porque o FBI e o governo norte-americano teriam poupado tempo e dinheiro.

Já Nicolás [Maduro] cometeu a imprudência e o presumível delito de revelar parte do resumo dos assassinatos ocorridos na esquina de Tracabordo, na Zona de Chacao [bairro de Caracas] – as duas balas são iguais, afirmou –, um ato que está expressamente proibido a qualquer funcionário que tenha acesso ao material.

A procuradora-geral da república se atreverá a chamar a atenção [de Maduro] publicamente?

Enquanto se ocupava de exaltar postumamente os dois sargentos da Guarda Nacional que morreram durante os choques, o senhor maduro fazia vista grossa para os vinte venezuelanos assassinados por comandos policiais e grupos paramilitares que atuam à margem da lei e para os quais os crimes e desmandos não têm lei nem castigo. Esses vinte mortos não são seres humanos, pertencem à escoria de direita fascista e, portanto, é bom que tenham morrido.

Porém, responda, senhor Maduro: o senhor está seguro e em sua consciência não tem dúvida de que esses vinte assassinatos foram cometidos pelo que chama de “direita fascista? E se não for assim? E se o senhor, como todo ser humano, se engana? Não estaria o senhor encobrindo presumivelmente esses crimes?

O que ao senhor incomoda, senhor Maduro, é reconhecer publicamente que os que saíram à rua para protestar estão fartos de passar fome pela permanente escassez de alimentos, por ver morrerem seus familiares porque o senhor foi inepto na importação de medicamentos assim como no cuidado de dotar hospitais de equipamentos, em enfrentar a insegurança descontrolada que enche os necrotérios com centenas de cadáveres, em acabar com o narcotráfico que corrompe os jovens nas favelas, em deixar que as escolas caiam no abandono, em arrasar as terras cultiváveis e converter os camponeses em mendigos urbanos.

O senhor odeia os estudantes e mandou reprimi-los porque os jovens gritavam as demandas do povo contra a pobreza, a escassez, a fome, o inferno e a corrupção. Falavam pelo povo, expunham ao mundo a indigência e o abandono em que o senhor mantém hoje este país que um dia foi próspero e formoso.

Que o texto é crítico em relação a Maduro, quanto a isso não há dúvida alguma. Mas não é um texto assertivo o suficiente para uma crítica. É um texto polido, que faz questionamentos demais e afirmações de menos. Com exceção do último parágrafo, parece até uma cítica simulada para fingir imparcialidade.

Como exemplo, veja a seguinte afirmação: “Porém, responda, senhor Maduro: o senhor está seguro e em sua consciência não tem dúvida de que esses vinte assassinatos foram cometidos pelo que chama de ‘direita fascista?'”.  O que parece ser uma afirmação inocente contém o frame dizendo que “se de fato fossem da ‘direita fascista’, não haveria problema em matar os vinte jovens venezuelanos”.

Guimarães diz: “E, creia-me, leitor, o ataque do El Nacional é um dos mais suaves que se faz ao governo venezuelano.”.

Bom, eu não não acredito em absolutamente nada do que Guimarães diz. O tal “ataque” do El Nacional parece coisa encomendada pelo próprio governo, por conter frames que interessam ao governo, empacotados em uma simulação de crítica. Mas se é assim, por que Guimarães não trouxe os “ataques mais fortes”? Detalhes…

Novamente, vamos supor, a título de argumento, que de fato o texto do El Nacional é um ataque ao governo de Maduro, e, portanto, seria um texto passível de censura dos chavistas. Ainda assim, poderíamos atribuir a publicação do texto a uma falha do mecanismo de censura chavista.

Sim, essas falhas existem, pois não é possível censurar tudo. Por exemplo, em uma época em que o governo era pródigo ao censurar filmes com sexo e violência na TV, deixaram passar o filme Calígula, na TV Gazeta, à meia-noite. Era normal, por exemplo, ver um par de seios censurado em um filme, e, dias depois, no mesmo horário, um nu frontal. Sim, algumas coisas “escapam” da censura…

Eis que vemos o gravíssimo erro lógico de Guimarães. Ele confundiu ausência de evidência (em um contexto específico) com evidência de ausência (em um contexto geral). E este é um erro lógico inadmissível para qualquer conhecedor de lógica básica.

Vamos a algumas notícias, no entanto, que refutam a tese de Guimarães:

Enfim, temos evidência de censura praticada por Maduro. E, como sabemos, para a censura existir, basta que ela seja praticada pelo governo. A existência da censura como uma prática governamental não depende de uma prática censória absoluta e infalível. Supostas falhas na aplicação da censura não provam sua inexistência, assim como um dia de sol em uma região não prova a inexistência de chuvas por lá.

Tudo isso, é claro, não passa de lógica básica, que Guimarães não se furta em ignorar para lançar mais uma torpe instância de propaganda chavista financiada com dinheiro público.

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27 COMMENTS

      • Ia ser legal se cada rotina tivesse um rótulo bem curto, ou algo pra identificar, assim quando uma retardada dessas viesse com cada uma era só a gente ficar respondendo com algo tipo 1: argumentum ad hominem 2:falácia da falsa analogia, etc

      • Olá Luciano Ayan, eu leio seu blog faz um tempo, e o uso como fonte de contra argumentação.

        Seu nome está sendo citado por um cara do blog do mensalão na discussão da Bruna com a “derrotista morena”, ele tá fazendo propaganda do neo ateísmo e esquerdismo enquanto diz que te humilhava no orkut.

        Só achei que deveria saber.

      • Já tive informações, e o nível ali é tão baixo que nem respondi. Aliás, outros já brilhantemente esculacharam o coitado.

        Para um sujeito que se dizia esquerdista moderado, virar baba ovo de Cynara Menezes já é o cúmulo da auto humilhação para o Suriani.

        O mais patético é o cara ser neo-ateu e ESQUERDISTA… Ele rejeita a fé religiosa e tem uma fé muito pior. rs.

        Abs,

        LH

  1. Luciano, quero sua opinião sobre uma coisa

    Ultimamente eu estava com a ideia de fazer uma espécia de dicionário do esquerdismo online, com o “significado” dos termos que eles comumente usam. Como diferencial pensei em colocar links para os exemplos (do contrário a coisa ficaria facilmente parodiável). Por outro lado, isto teria o inconveniente de dar views grátis para os sites deles. O que vc acha da ideia?

  2. O Eduardo Guimarães não era assim, foi levado pelo orgulho a se tornar o que é hoje.
    Usar o orgulho é a melhor forma de corromper alguém.
    A militância encheu a bola dele e antes um homem “bom” se perdeu.
    Lembra o filme “um homem bom”.

  3. Pra essa gente só há censura se todos estiverem amordaçados.

    Se todos tiverem suas cordas vocais e braços removidos aí não é censura, pois nesse caso
    ninguém estaria sendo impedido de se expressar, as pessoas “apenas” não são capazes de se expressar.
    E a culpa delas não serem capazes de se expressar, nessa situação, seria do capitalismo e do imperialismo dos EUA
    que criaram a tecnologia que tornou possível amputar as cordas vocais e mãos de todas as pessoas do país!
    Não importa se foi o Maduro que mandou cortar, a culpa é dele e ele bota em quem quiser!!!

  4. Luciano, li no blog do Políbio Braga e repasso.

    http://polibiobraga.blogspot.com.br/2014/03/ministra-luciana-lossio-continua.html

    Ministra Luciana Lóssio continua sentada em cima do caso das eleições suspensas de Erechim, RS

    A ministra foi advogada de Dilma e do PT na campanha de 2010, mas não se considerou impedida e beneficiou o PT de Erechim.

    Completou um ano a decisão liminar tomada pela ministra Luciana Lóssio, TSE, que suspendeu as novas eleições marcadas para março do ano passado pelo TRE do RS para o município de Erechim, RS.

    . O atual prefeito Paulo Polis, PT, reeleito em 2012, foi cassado pelo juiz eleitoral local, sentença confirmada mais tarde por 7 x O no TRE, o que ensejou o agendamento de novo pleito para março de 2013. A campanha chegou a ser iniciada, mas Polis não pode concorrer, já que estava com os direitos políticos suspensos. O PT apresentou, então, a candidatura de Anacleto Zanella, que recebeu novamente o apoio do PMDB. A oposição apresentou o nome de Luiz Carlos Schmidt, DEM, numa coligação com o PDT. Ao examinar um recurso da vice de Polis, Ana Lúcia Oliveira, a ministra Luciana Losio extrapolou o próprio pedido, suspendeu as novas eleições e mandou empossar Polis e Ana. Ela fez isto no próprio dia em que assumiu o cargo, nomeada por Dilma Roussef. Sua decisão contrariou liminar negada por razões idênticas ao companheiro de chapa de Ana, Paulo Polis, no caso assinada pela ministra Carmem Lúcia

    . “Já protocolamos até mesmo representação contra a demora com que a ministra examina o processo, mas também no Conselho Nacional de Justiça o caso não caminha”, disse nesta segunda-feira ao editor o advogado de Luiz Francisco, Luiz Carlos Coffy.

    – A ministra Luciana Lóssio advogou para o PT nas eleições gerais de 2010. Ela foi advogada, portanto, da presidente Dilma Roussef. Fez inúmeras sustentações orais no Plenário do TSE.

    Não é só o Supremo que está dominado, não.

    E agora, José?

  5. Já viu esse filme? Ele é uma comédia leve que satiriza filmes de ação, mas percebi nele uma coisa muito interessante, ele acaba satirizando o socialismo e regimes totalitários, principalmente, em aspectos que não se costuma enfatizar. A história é de um policial que é rebaixado e vira um policial de interior em um vilarejo com as menores taxas de crime do país. Com o tempo, o policial percebe que também é o vilarejo com taxas altíssimas de “acidentes”, e isso por que todo mundo no vilarejo interpreta mortes como mortes acidentais, mesmo quando há muito provavelmente um assassino. Em um momento, o policial descobre que há uma conspiração das lideranças do vilarejo para matar as pessoas que podem manchar a fama do vilarejo. Existem várias referências interessantes ao socialismo, como esses líderes considerarem fazer as coisas pelo bem comum(embora matem por motivos banais), a subversão psicológica dos policiais(eles sempre vêem mortesm como meros acidentes), e algumas referências, como uma velhinha que chama o policial protagonista de fascista, quando ele está tentando cumprir a lei.

  6. Ayan, ontem estava lendo uma entrevista no site do Olavo e encontrei um parágrafo que pode ajudar contra o “direitismo pessimista”, me parece um argumento a favor de um “otimismo ativo”, devemos agir e acreditar que nossa ação tem influência sobre o futuro.

    O trecho:
    “O otimismo de Peyrefitte, além de bem contrabalançado por uma dose de ceticismo, é de um tipo diferente do habitual. Não se baseia somente na esperança, mas na simples constatação de um fato: a liberdade de decisão humana, que nenhum determinismo logrou jamais revogar, seja para instaurar em lugar dela a necessidade do mal, seja a fatalidade do bem crescente. Peyrefitte é otimista pela simples razão de que o pessimismo é uma ilusão deprimente baseada na presunção de já conhecermos o futuro. O futuro a Deus pertence, e Deus seria um verdadeiro idiota se criasse seres capazes de decisão sem deixar na mão deles ao menos uma parcela da responsabilidade por esse futuro. Peyrefitte é otimista porque entende que, ora mais, ora menos, é sempre possível agir. E quem vai provar que não?”

    Destaco:
    “o pessimismo é uma ilusão deprimente baseada na presunção de já conhecermos o futuro”

    O link:
    http://www.olavodecarvalho.org/textos/peyrefitte.htm

    abs

  7. Luciano
    Você está gastando vela com mau defunto.
    Eduardo Guimarães é um poço de mediocridade. Fica embevecido quando é citado em qualquer lugar e sempre dá um jeito de contar que alguem falou dele. Dias atrás colocou um texto dizendo que um cara do PSOL ( outro mediocre) criticou-o. Parecia o senhor ninguem protestando contra o senhor quem?. Leio seus posts porque me divirto muito com os aloprados que frequentam seu blog.

  8. Luciano
    Sugiro que veja este programa da Globonews sobre a Venezuela porque demonstra exatamente como a falta de combatividade do entrevistado “de direita” dá a vitória ao esquerdista no debate.
    Você poderia até fazer um post mostrando como deveria ter sido a reação contra as mentiras ditas pelo esquerdista.

    http://g1.globo.com/globo-news/entre-aspas/videos/t/todos-os-videos/v/especialistas-debatem-perspectivas-politicas-da-venezuela-apos-prisao-de-lider-da-oposicao/3157867/

  9. Boa noite, Luciano.

    Se quiser se divertir ainda mais com o Guimarães, procure uma briga ele teve dia desses com um cara chamado Gilberto Maringoni (que infelizmente foi meu professor). É hilário. O petralha radical contra o ultra-psolento. Tá no Face de ambos e o Dudu pôs no 247.

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