Por que, em termos estratégicos, apoiar o PSDB até as eleições é a melhor opção para a direita?

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Clausewitz-et-Sun-Tzu

O amigo Arthur Rizzi Ribeiro escreveu o texto Por que eu não me entusiasmo com uma possível vitória tucana?, com o qual concordaria plenamente, mas apenas se eu fosse avaliar a questão em termos não-pragmáticos.

Arthur diz o óbvio: o PSDB não é um partido de direita, mas possui um DNA típico do socialismo fabiano. Disto se conclui que nós devemos votar no PSDB (em um provável segundo turno), mas passar a criar uma oposição ao próprio PSDB se este vencer. Eu discordo dos seguintes pontos: (1) não-entusiasmo agora, (2) oposição imediata em caso de eleição.

Para avaliar melhor esse problema, vou retornar às questões do mundo corporativo, onde poderemos ver como funciona melhor essa espécie de instância da “janela de Overton”. Para ilustrar melhor a questão vamos comparar a dicotomia esquerda X direita com a dicotomia estrutura funcional X estrutura projetizada no ambiente corporativo.

A coisa funciona assim: a não ser que alguém esteja no staff estratégico da corporação, possui maior “poder” quem tem maior nível de autoridade sobre um conjunto de ações, assim como um maior headcount. Ou seja, o número de pessoas que se reportam a você. Caso você não tenha um grande headcount, precisa ter autoridade sobre o headcount dos outros.

Qualquer um que leia o PMBOK, sabe que temos cinco estruturas organizacionais para a gestão de projetos. Veja o quadro abaixo, retirado do PMBOK (Corpo de Conhecimentos para Gestão de Projetos, do instituto PMI):

estruturas

Para um gerente funcional, a estrutura funcional é a ideal. Para um gerente de projetos, a estrutura por projeto é a melhor.

Entretanto, é praticamente impossível transformar uma organização funcional em uma organização projetizada em um tempo relativamente curto. A resistência do status quo será tão grande que pessoas propondo esse tipo de mudança serão expurgadas da organização.

O fato é que em uma estrutura funcional, a equipe possui alta fidelidade com seu gerente funcional. Em muitos casos, existe a situação onde um gerente funcional sai da empresa e leva grande parte de sua equipe junto. Esse poder com certeza será usado para impedir a transformação de uma organização de funcional para projetizada do dia para noite.

Sabendo disso, consultores de gestão de projetos adotam a técnica de “colocar só a cabecinha”, ou seja, propor a implementação de uma estrutura matricial fraca, que possui pouca resistência dos gerentes funcionais. Na verdade, eles gostam da ideia de ter uma área de gestão de projetos com funções basicamente administrativas, continuar controlando o orçamento do projeto e ter um gerente de projetos com autoridade limitada sobre as atividades. Nessa perspectiva, o gerente funcional pensa assim: “Que bom, esse pessoal da gestão de projetos está aqui para me ajudar a entregar projetos…”

O que muitas vezes o gerente funcional não sabe é que a implementação a estrutura matricial fraca é um passo para a implementação de uma estrutura matricial mista, provavelmente um ano ou dois anos depois. A estrutura matricial forte pode surgir também um ou dois anos depois. E assim, sucessivamente, há uma chance da organização se transformar em uma estrutura projetizada, que é o paraíso para gerentes de projetos. Na estrutura projetizada, o gerente de projetos tem autoridade total sobre os recursos humanos do projeto e controla o orçamento, além de se reportar aos mais altos níveis hierárquicos.

Por que eu trouxe todo esse léxico das organizações de gestão de projetos? Por que é assim que estrategicamente deve-se pensar em implementar mudanças na política pública. Assim como existem escalas de esquerdismo, existem escalas de direitismo. Um partido como o PSDB poderia ser comparado, no exemplo acima, à uma estrutura matricial fraca, enquanto o PT seria a estrutura funcional. (Lembre-se que posicionei estrutura funcional como a esquerda, e estrutura projetizada como a direita)

Hoje em dia não há espaço e nem estrutura política para que a sociedade vote em um partido de direita. Até por que os poucos políticos de direita não entendem muito de estratégia política e nem possuem suas estratégias de chegar ao poder tão organizadas como possuem os ultra-esquerdistas do PT e os socialistas fabianos do PSDB.

No mundo corporativo, o aspecto mais fundamental de uma mudança é entender de fato o ambiente onde estamos. Somente aí, elaboramos uma estratégia de mudança, mais ou menos agressiva em relação aos nossos objetivos finais.

O PT segue essa regra à risca. Veja, por exemplo, que somente agora Lula resolveu encabeçar um projeto para censurar a mídia. Mas por que ele resolveu investir tantos esforços nisso somente agora (de forma aberta) se o paradigma que ele segue sempre pediu censura à opinião divergente? Por que ele já não saiu pedindo a censura em 1980? E por que não pediu a censura em 2002? É a estratégia política, estúpido.

Diante dessa constatação, ainda temos um problema, que é o frame a ser corrigido no texto de Arthur Rizzi. Ele disse que nós não deveríamos nos entusiasmar com uma possível vitória do PSDB. Eu discordo. Acho que devemos continuar discutindo a política de forma dialética em nossos fóruns, mas publicamente apoiar, de forma entusiasmada, o PSDB. Da mesma forma que em território organizacional, o consultor de projetos querendo implementar a estrutura projetizada, vai apoiar, de forma entusiasmada, a implementação de uma estrutura matricial fraca. Isso por que ele sabe que se apoiar em público a implementação da estrutura projetizada, vai ser derrubado.

E se o PSDB ganhar a eleição, isso significa que devemos começar a oposição no dia seguinte? Não necessariamente. Não sabemos qual o potencial do PT em atrapalhar o governo do PSDB, assim como não sabemos o quanto o PSDB vai ceder às pressões de solicitações da direita. Eu iria além: para a direita, mais importante do que atrapalhar o PSDB é impedir o retorno do PT. Assim como para o consultor de gestão de projetos, mais importante é sustentar a estrutura matricial fraca implementada (antes de pensar em implementar a estrutura matricial mista) e evitar o retorno da estrutura funcional. Nós, da direita, podemos muito mais facilmente lançar uma pressão sobre o PSDB do que sobre o PT.

Estrategistas da guerra como Sun Tzu e Carl von Clausewitz já nos falavam da importância de selecionarmos nossas batalhas. Mesmo que tenhamos incorporados todos os princípios da arte da guerra, a má seleção das batalhas pode colocar tudo a perder. Entendo que hoje nós temos uma prioridade: tirar o PT do poder.

Alguns poderão achar que este blog virou PSDBista. Nem de longe, assim como um consultor de projetos implementando uma estrutura matricial fraca não se tornou um aliado dos gerentes funcionais. A implementação de uma aliança estratégica, que pode durar um bom tempo, não significa “se tornar o outro”. É por esse tipo de pragmatismo que a esquerda tem conseguido o poder que conseguiu. A ausência de pragmatismo por parte da direita só tem ajudado os esquerdistas em seu intento. E de uma coisa você pode ter certeza: consultores de projetos comendo pelas beiradas sempre fizeram muito mais pelos gerentes de projetos do que aqueles apressados, sempre comendo cru.

Alguns pontos, a meu ver, sobre prioridades:

  • Apoiar um partido capaz de derrotar o PT. Este partido não pode ser do Foro de São Paulo. (Logo, não pode ser o PSB. Se PSB e PSDB fizerem uma coalizão, que o primeiro seja apenas coadjuvante.)
  • Evitar que o PT escolha os próximos 1 ou 2 juízes do STF.
  • Evitar que o PT consiga censurar a mídia.
  • Propor leis que reduzam o risco de aparelhamento estatal pelo PT.

Minha escolha pelo PSDB acaba sendo, portanto, pragmática. E se eles ganharem, pode-se pensar até no apoio a eles em uma possível reeleição. Entendo que esse é um tempo suficiente para criarmos uma boa conscientização de direita, com muita discussão sobre estratégia política, a ponto de termos um partido de “direita moderada” ou “centro direita” capaz de vencer o PSDB. Até por que fazer oposição ao PSDB sem termos criado um partido suficientemente forte para competir com eles não adianta absolutamente nada. Assim como se for para lutar pela estrutura matricial mista e não ter criado as condições para tal, melhor continuar apoiando a estrutura matricial fraca.

Tenho plena consciência que alguns puristas não gostarão desta abordagem, mas o purismo não nasceu para conquistar resultados. Não foi com o purismo que o PT, o partido das grandes monstruosidades morais, chegou ao poder. Não é com o purismo que os tiraremos de lá. Para tirá-los de lá é preciso de estratégia política, e parte essencial dessa estratégia envolve a escolha adequada de nossas batalhas.

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29 COMMENTS

  1. Muito importante esta sua abordagem! Realmente, se estamos diante de um dilema, temos que escolher a alternativa que trará mais resultados positivos.

  2. Existe o risco dos tucanos se reunirem com os petistas, visto que eles já fizeram isto uma vez, minhas perguntas são:Como evitar isto?E os outros players como o PMDB, o PSB,o PSOL?
    É muito claro que os dois principais grupos que suportam o PT são os sindicatos e as Universidades, sendo assim qual deve ser nossa postura sobre estes grupos?

    • Que a possibilidade existe é fato, assim como qualquer coisa é possível em política. Mas com a polarização hoje, acho bem difícil.

      Players como PMDB e PSB devem ser gerenciados como partidos fisiológicos, e o PSOL deve ser empurrado para cima do PT, a meu ver.

      Em relação aos sindicatos e universidades, nossa postura deve ser de guerra cultural no segundo caso, e a defesa de leis que impeçam o aparelhamento de sindicatos pelo governo, por exemplo. Falarei mais sobre o assunto.

      Abs,

      LH

      • Eu acho mais custoso impedir o aparelhamento dos sindicatos.Acho mais fácil “vitaminar ” uma organização que rivalize com os sindicatos pelegos através de uma ótica de direita.Digo isto porque li sobre a existência de um grupo novo no Brasil, um braço de profissionais da EPL, os Profissionais pela Liberdade.O que acha disso?

      • Os sindicatos têm monopólio territorial. Não pode haver mais de um sindicato por categoria em determinada área geográfica. É o tal princípio da unicidade sindical. Desnecessário dizer que isso cria estruturas rígidas de poder sindical. Essas estruturas precisam ser desfeitas. É preciso gerar concorrência sindical, ou seja, quebrar os monopólios territoriais. Parece uma batalha tranquila, bastante palatável ao grande público.

        Outra frente de batalha: revogar a compulsoriedade da contribuição sindical. Essa é a maior fonte de renda legal dos sindicatos. Também parece uma batalha tranquila. Qualquer trabalhador independente (a esmagadora maioria) que tenha diante de si a alternativa de não pagar um dia de trabalho a um sindicato que ele desconhece completamente, podendo embolsar esse valor, certamente o fará.

        Com essas duas medidas, a atual estrutura sindical, instrumentalizada pelo PT, seria rapidamente quebrada. Seria necessário apenas encontrar uma forma de minimizar a barulheira que a turma faria.

        Pragmaticamente falando, vemos o Solidariedade, partido formado com base na Força Sindical, como a primeira legenda a estar oficialmente no palanque tucano. Não será com medidas que contrariem o sindicalismo que a Força Sindical conseguirá se impor frente a CUT, Conlutas e outras centrais controladas pelo PT. Eles buscarão tomar posições sem alterar a estrutura e/ou dispostivos legais. Logo, não podemos esperar que os tucanos encampem bandeiras anti-sindicais. A menos que traiam o aliado, o que só poderia ser pensado caso houvesse uma estrutura à direita, organizada, em condição de dar suporte político aos tucanos nesta hipotética cisão.

  3. Concordo plenamente com o seu texto, como não possuímos um partido e nem um candidato de direita, é mais que estratégico, como visão de longo prazo, optar por um partido que é menos radical que o PT, que nesse caso é o PSDB. Não morro de amores pelo PSDB, mas é preciso ganharmos tempo, e como o PT se reelegendo, radical como é, fica mais complicado.
    Para quem não vê o que está em jogo, acreditar que não se deve votar no PSDB é o pior caminho a ser tomado na atual conjuntura. Entre dois prejuízos certos, opção pelo menos oneroso, danoso e gravoso.
    Um exemplo interessante e, sem dúvida, lógico, é o que faz o comercio: quando se possui um grande estoque de mercadoria, onde o prazo de vencimento está preste a ocorrer, é preferível promover uma promoção e, sabiamente, diminuir o prejuízo, pois caso não o faça, perderá 100% da mercadoria. Lembrando que os custos fixos, como aluguéis, água e luz, independentemente de vender a mercadoria, ter prejuízo ou lucro, não afastaram a empresa de arcar com tal responsabilidade. Resumindo, entre ter um prejuízo de 100% e outro de 50%, obvio ser preferível o de 50%.
    Depois do PSDB, claro, podemos pensar algo melhor, pois teremos mais tempo para nos organizarmos.

  4. Luciano, concordo com esta abordagem, faz muito sentido. Inclusive, devemos organizar e por em prática um conteúdo atualizado sobre Comunismo, socialismo, Foro de São paulo, as FARC, PT e as esquerdas. Acredito que, com o aopio de bloggers e do Prof Olavo de Carvalho, que salvo outros aspectos é um expert no assunto, poderiamos fazer o que os militares duarante a ditadura tiveram todas as condições para fazer, mas por comodidade e miopia, não fizeram, Instruir e disseminar na sociedade a verdade sobre estes aspectos da ideologia em crescimento. Um abraço.

  5. Minha opinião coincide integralmente com a do Luciano nesta matéria. Apesar de ser de esquerda, o PSDB é nossa melhor opção no momento. Se não o apoiarmos estaremos, em minha opinião, perenizando o controle de nosso país nas mãos de Cuba e do Foro de São Paulo.

    Que o PSDB é um partido de esquerda está declarado em seu próprio nome. Só para ilustrar, Aécio recentemente, falando a respeito do Marco Civil da Internet disse que ele era um “avanço da Sociedade” ( – aos 05′:37). As tais “cotas” universitárias surgiram no governo de FHC o qual, a par de algumas piadinhas de que, pelos critérios dos “doutores” que as instituíram, ele também seria “negro” e nada fez a respeito para cercear esta excrescência. Em resumo, o PSDB não pode nem vai criticar algumas ações do PT porque são, também bandeiras socialistas defendidas por ele, mas, apesar disso, sua candidatura à presidência é a única,que, dentro do cenário atual, pode dar trabalho ao PT e nossa prioridade deve ser tirar o PT do planalto.

    A nós resta rezar a todos os deuses para que o PSDB desça de cima do muro e, mais uma vez, não dê um tiro no próprio pé! Ah, é verdade: e votar no PSDB também! 😀

  6. E se Denise Abreu surpreender nos debates, dando uma surra nos outros candidatos (tal como o próprio Olavo já predisse)? E se os eleitores se surpreenderem com a polêmica e uma suposta transparência nunca antes vista?
    Confesso que estou em cima do muro, no mais, acredito que as coisas se tornarão claras em breve. Por enquanto tenho duas possibilidades.

    Agora uma coisa que acho estranha é: se o PSDB tem seu próprio projeto socialista para o país, por que nunca denuncia o Foro de São Paulo?

    • Desculpe, mas a Denise sequer tem como certa sua indicação pelo PEN. Mesmo que consiga, seu partido é nanico e terá tempo de TV exíguo. Prá pleitear participação nos debates, ela teria que se descolar claramente dos outros candidatos nanicos. E mesmo que conseguisse chegar aos debates, dada a rigidez de regras exigidas pelos grandes partidos, que resultam em um formato pastoso e fomentador de falsidades, dificilmente ela teria como obter algum destaque (por sinal, acho que as pessoas depositam demasiada esperança em debates, mostrando desconhecimento sobre a real importância deles pelo formato habitual).

      Como se vê, a Denise tem que derrubar barreiras, a meu ver, intransponíveis. Não sei o que o Olavo disse a respeito da candidatura dela. Creio, apenas, que qualquer comentário dele a respeito será alimentado, não pela abordagem pragmática, elencando as reais chances da candidata, mas pelo honesto e genuíno empenho em não desestimular uma candidatura que se coloca corajosamente no campo da direita. Se eu estiver certo nessa minha tese, louvo o espírito, mas prefiro uma visão mais realista.

  7. OFF: Rachel Sheherazade acaba de dar uma demonstração da MAIS COMPLETA FALTA DE ASSERTIVIDADE que INCENTIVA o comportamento falso moralista, psicótico e histérico de esquerdistas.

    No programa da Eliana (SBT) ao ser idaga sobre as declarações de Boechat (aquele que apoia black blocks, quebradeira, destruição de patrimônio público e privado — responsáveis pelo assassinato de um jornalista de sua própria casa), rachel simplesmente disse que “não sabe o porque” boechat disse o que disse dela, inclusive quando a chamou de “fascista”.

    Ora, ora….enquanto os esquerdistas com histórico comunista atiram mísseis em seus adversários políticos e ideológicos, ditos conservadores ou liberais como rachel sheherazade em vez de responderem a altura, querem apenas “os conhecer melhor”.

    http://www.youtube.com/watch?v=kjZx1a_8CIU

    O negócio é o seguinte….
    no parte final do quadro só foram apresentados (e tenha certeza, não foi à toa) DESAFETOS IDEOLOGICOS de Rachel, momento em que ela deveria TRATAR COM A MÁXIMA ASSERTIVIDADE seus oponentes.

    O fato dela tratá-los com luva de pelica conclui-se em duas possibilidades:
    Ou ela é de fato ingênua e está em mode de contenção de danos, OU realmente acabamos de ver mais uma demonstração de censura ‘branda’ em pleno ar.

  8. Excelente post! Parabéns!!!!

    Este “link” mundo corporativo X guerra politica foi um otimo exemplo, praticamente “desenhou”.

    abs,

  9. Luciano,

    se hoje o Estado está inchado e ainda deve crescer mais, os direitistas não deveriam levar em conta, cada vez mais, as ondas que o Leviatã cria ou mesmo controlar alguns de seus tentáculos, através das ongs? A esquerda fala de enforcar o capital com a corda que este te forneceria, não deveríamos enformar o Estado com a corda que ele pode fornecer? Será que não foi isso que aconteceu nas reformas realizadas por Gorbachev?

    Claro que isso levanta alguns problemas de caráter ético e estratégico. Do ponto de vista ético, levanta a dúvida de até onde é válido usar o Estado para promover causas da direita. É claro que essa análise precisa levar em conta a situação em que o Estado permite pouco espaço para a iniciativa privada. Sobre o ponto de vista estratégico, há dois problemas que costumo observar em direitistas, ou são “ultra-pragmáticos” ou são “ultra-moralistas”, mas seria mais preciso considerar que alguns vivem sempre no presente e outros que não vivem no presente.

    Os “ultrapragmáticos” ou presentistas analisam tudo por conta da situação atual. Por exemplo, se não existem candidatos de direita, eles simplesmente pensam na melhor opção para a situação atual(o que não é necessariamente errado, mas pode ter seus problemas). Ao invés de pensarem em candidatos que sejam mais alinhados aos seus ideais, se apegam aquele que ‘supostamente’ tem maior chance de vencer.(sem pensar nos efeitos que teria se um candidato que não ganha receber um número maior de votos, sugerindo possíveis vitórias nas próximas eleições.

    Os “ultra-moralistas”, idealistas ou anti-presentistas idealizam um futuro ou um passado glorioso, e analisam suas ações apenas a partir deste ideal. Se não existem candidatos muito próximos ao seus ideais políticos, prefere tomar ação nenhuma e não votar em nenhum candidato. Abrir mão da ação possível na maioria dos casos é o seu pior defeito.

    O defeito das duas posições é a falta da visão estratégica e de processo da sociedade. Quando falo em visão estratégica, falo em adotar uma ação ou tática baseada em uma análise de como se comportam os diferentes agentes, sejam eles aliados, opositores ou neutros.Também deve levar em conta os ganhos e as perdas, que só podem ser devidamente avaliadas se for consideradas as ações dos diferentes agentes da sociedade. Essa visão estratégica é base para uma visão de processo da sociedade. Para avaliar um processo político(ou de ganho ou perda de influência política) é necessário buscar prever qual a sucessão de comportamentos que diferentes agentes vão tomar e onde um determinado processo deve se estabilizar. Nada disso parece ser muito levado em conta, talvez seja necessário que um pouco mais de estudo dos direitistas dessas questões FORMAIS da política.

  10. Por incrível que pareça, acredito que, em caso de vitória, caberá, num segundo momento, ao próprio PSDB decidir e legitimar o seu principal oponente. Se eles fizerem um bom governo e tiverem êxito rápido (e interesse) na estratégia de retirar o PT e a extrema-esquerda do aparelho do Estado, poderão perfeitamente definir quem são seus oponentes. Ou eles isolam o PT e a extrema-esquerda, tachando-os de radicais, ou fazem isso com quem estará à sua direita, legitimando o próprio PT. Muitos dos nossos passos deverão levar em consideração esse aspecto: Como o PSDB enxergará a sua própria oposição? Para o país, o mais saudável é um ambiente em que o PSDB seja centro-esquerda, seu principal adversário seja centro-direita e o restante orbitando em torno deles.

  11. “E se Denise Abreu surpreender nos debates, dando uma surra nos outros candidatos (tal como o próprio Olavo já predisse)? E se os eleitores se surpreenderem com a polêmica e uma suposta transparência nunca antes vista?”Isso não acontecerá, só pode participar de debate televisivo quem tem representação no Congresso . O PEN não tem então não irá , Era para Denise concorrer agora para deputada , e membros do partido dela terem representação e em 2018 ela concorrer a presidencia e ir para o debate televisivo.

  12. Luciano, você viu este artigo do Aécio Neves? Claro que devemos dar um desconto para o óbvio fato de ele usar esse espaço para dar uma preparada de terreno até o período em que for candidato de fato e não mais poder escrever artigo, mas parece-me que ele concatenou bem as coisas.
    Destaque para a linguagem simples adotada no texto e as construções bem esquemáticas. Não sei se ele andou lendo uns discursos do avô dele ou do Carlos Lacerda, mas o tom do texto parece bastante com aqueles de políticos do tempo em que a política era mais emocionante.

    Em tempos, aviso que me surpreendi com esta postagem, até porque estava mais ou menos dentro daquilo que eu imaginava sobre a opção possível para a situação atual. Porém, ainda acho que seria bom notar o confronto intra-Foro que está havendo entre o PT e o PSB (Lula dizendo coisas não muito abonadoras sobre Eduardo Campos e o ex-governador pernambucano respondendo as acusações, greve da polícia gerando saques e violência generalizada na região metropolitana do Recife, distúrbios em Belo Horizonte mais ou menos na mesma ocasião da greve pernambucana, Romário humilhando verbalmente o PT que anteriormente o acusara de faturar com a Copa e outras coisas). Essa briga intra-Foro é algo que não estou vendo ser capitalizado adequadamente pelo combate ao marxismo-humanismo-neoateísmo, mas que dá todas as chances possíveis para que se possa surfar onda alheia.
    Como há poucos meses até a eleição e seu resultado, também seria importante ver como é que se iria desaparelhar o estado brasileiro, pois o mesmo atingiu um grau tamanho que pode gerar muitos problemas ao governante não petista que porventura o assuma, problemas esses que podem acontecer quase que imediatamente após 1º de janeiro de 2015.

  13. Bem, um dos pontos é não votar em nenhum partido do Foro de São Paulo: PT, PCB, PC do B, PDT, PPS, PSB e PPL, e claro, na extrema esquerda, PSOL, PSTU e PCO. Minha dúvida era exatamente essa em votar no PSDB, o fato de ser da esquerda fabiana e muitas vezes avançar projetos que o PT depois aprofunda, sem falar no fato de ter sido nos últimos anos uma oposição tímida, com medo de ofender a opinião pública esquerdizada e ser demonizado. O PSDB nunca defende com força os bons atos de seus governos, e tentam desmentir e desmascarar o PT veementemente. Para vencer deveriam fazer isso. Em todo caso, vou votar neles.

  14. gente acredito que o proprio aécio tem posiçóes de direita tambem mais tem que saber anda pelo fil da navalha pois qualquer declaraçao errada pode até lhe custar a eleição então vamos todos ajudar eu queria éra a volta dos militares mais sei não ser possivel por enquanto avante com aécio……

  15. Interessante. Porém discordo de um ponto: o PT não chegou ao poder com purismo, mas se forjou enquanto oposição desta forma. Por isso, acredito que assim que (se) o PSDB for eleito, a direita deverá se aglutinar e formar sua cara própria, inclusive no congresso nacional, pois ficar debaixo do guarda chuva dos tucanos é um tiro no pé (vide esfarelamento do PFL após governo FHC).

  16. Dentro da estratégia marxista da técnica das tesouras, o PSDB é o partido que apenas retarda a Revolução Cultural. É o partido que não muda absolutamente nada no país, ou seja, não desfaz ou destrói nenhum estrutura administrativa construída pelo PT durante seus mandatos. Apenas muda coisas insignificantes, ao invés de destruir e construir tudo novamente.

    PT e PSDB são os dois maiores partidos do Brasil, e os dois são de Esquerda Light. Com o PT mais à esquerda e o PSDB menos à esquerda que o PT.

    No Brasil, quem dá as cartas da política é o PT. O PSDB está sempre com as cartas marcadas, fazendo apenas uma falsa oposição.
    Mas não pense que o PT escreve seu próprio plano de governo, quem faz isso é o Foro de São Paulo.

    Nos EUA, há uma oposição verdadeira.
    Os republicanos são extremamente ridicularizados principalmente nas universidades. Mas perceba que não são os democratas que fazem isso, são os marxistas. São os marxistas que se infiltraram no sistema de ensino e nos órgãos de cultura do Ocidente na década de 60.
    Nos EUA o jogo político muda completamente. Os republicanos abertamente defendem verdadeiramente coisas de “direita”. Enquanto os democratas defendem abertamente coisas de “esquerda”.
    Não existe falsa oposição.
    O sistema de ensino americano apenas não ridiculariza os democratas, porque dentre os partidos mais famosos é o mais à esquerda. Não é o mais à esquerda, mas dos famosos é o mais à esquerda.

    Mas concordo com o texto. Dentre os disponíveis, o PSDB é o menos à esquerda de todos.
    SE o PSDB ganhar, a direita poderá se organizar melhor e tentar ganhar mais espaço na política do congresso brasileiro.
    Na minha opinião, o LIBER é o partido que mais defende o livre mercado, sem esse corporativismo descarado que temos no Brasil.
    Mas discordo com eles no tema da legalização do aborto. Então podemos encontrar, ou criar um partido que não necessariamente defenda um mercado tão livre como o LIBER, mas se oponha nessa questão do aborto.

    Podemos usar o retardo da Revolução Cultural do PSDB para o nosso interesse.

  17. Antes de mais nada, temos um pais com eleições obrigatórias, poucos paises do mundo, tem isso, na verdade eu nem conheço outro que o tenha, o que gera eleições obrigatória, socialismo, porque? todos os políticos são socialistas, politico, que é politico gosta de poder, e direita(a verdadeira) é menos poder para governo, então tem o cenário das eleições, aonde a maioria vai escolher, sem deixar um duvida, ou seja o pessoal vai votar no PT ou PSDB, e um deles vão ganhar com 51% do votos, a oposição recebe um mensagem falsa do povo, afinal o povo escolheu na duvida, porque tinha que votar em um, a mensagem que eles recebem é que a oposição não representa o povo, de modo algum, a oposição vê se obrigada a se alinhar ideologicamente com o governo que já é de esquerda, a oposição, não luta contra diretamente e não forma nenhum partido de direita, então afundamos mais ainda na esquerda, o melhor hoje em dia é votar em branco, não nulo, em branco, é a mensagem que queremos uma ideologia politica diferente.

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