Por que as picuinhas de Jeffrey Nyquist são tão contraproducentes para a direita?

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xnyquist

Em 3 de maio, escrevi o texto Por uma direita menos fofoqueira. Ali critiquei a mania que alguns direitistas ultimamente tem adotado de criar picuinhas com outras pessoas da direita. Às vezes essas picuinhas são tão extremas que algumas dessas pessoas simplesmente não conseguem encontrar mais tempo para atacar esquerdistas.

É natural que isso aconteça, pois o ser humano é limitado pelo tempo. Para quem acredita em divindades, existe a noção de seres que não possuem a limitação temporal. Mas se nós temos uma vida com início, meio e fim e vivemos restritos por tempo, é natural que se gastamos 2 horas por dia para brigar com outros direitistas, podemos deixar de encontrar tempo para escrachar esquerdistas. Novamente, quero dizer que isso é uma constatação lógica, baseada no reconhecimento de que somos restritos pelo tempo.

É difícil aturar, portanto, a tendência à criação de picuinhas com outros direitistas, manifestada no comportamento de algumas pessoas da direita. Foi exatamente por isso que no texto contra a direita fofoqueira, ataquei a postura de Jeffrey Nyquist (e Diana West) que decidiram retribuir as críticas de Ronald Radosh (publicadas no site de Horowitz) com a acusação de que Horowitz era um agente infiltrado comunista. A partir daí, Diana escreveu um livro inteiro para chamar Horowitz de “queimador de livros” e afirmar que seu oponente (que é tanto da direita como ela) não passava de um espião da KGB.

Em um outro texto traduzido pelo Mídia sem Máscara, Jeffrey Nyquist segue com sua sanha de criar picuinhas contra pessoas da direita, mesmo sendo ele um direitista. Vou comentar algumas partes desse texto, o Imperio das Mentiras – Parte II: A mentira nos alicerces da direita atual.

Você talvez já tenha tentando imaginar por qual razão a União Soviética e a Internacional Comunista nunca pensaram em se infiltrar na direita americana. Mas, e se eles já fizeram isso? Com efeito, eles já devem ter feito isso, pois os comunistas sempre se infiltram e pervertem seus inimigos, e a direita americana é o coração do lado capitalista. Sendo assim, é inconcebível que eles não tenham se infiltrado na direita. Isso significa que eles estão aqui e agora no meio de nós (dado que os comunistas nunca foram embora, a despeito do que aconteceu entre 1989 e 1990).

Na busca de uma racionalização para poder atacar quaisquer outros direitistas que não pensem exatamente igual a ele, Nyquist criou uma lógica que é no mínimo caricata. Isso acima chega a ser um OANI (objeto argumentativo não identificado), que, se aplicado, transformaria qualquer indivíduo em culpado por qualquer coisa. Os passos do raciocínio de Nyquist são os seguintes:

  1. É possível que X tenha feito Y
  2. Com efeito, X já deve ter feito Y, pois normalmente ele faz Y
  3. Assim sendo, é inconcebível que X não tenha feito Y
  4. Logo, isso significa que X está fazendo Y

Claro que o único passo mais ou menos lógico seria o 2, pois existe a argumentação de que “X normalmente faz Y” ou “sempre faz Y”. Mas isso não prova nada. Suponha que é dito que João sempre quebra as leis, isso não significa que ele deva ter quebrado uma lei específica, mas sim que ele quebra as leis quando existe oportunidade para isso. Seja lá como for, a argumentação de Nyquist é uma piada involuntária.

Diante dessa argumentação, Nyquist parte do princípio que o inimigo marxista já conquistou a América. A mensagem que ele passa é a seguinte: o jogo está terminado. Quem já leu aqui sobre direitismo depressivo, sabe o quanto esta postura é contraproducente. Se alguém quiser tirar a dúvida, basta executar o teste de liderança depressiva em qualquer organização, dizendo: “O concorrente definitivamente já nos superou, e o poder dele é inacreditavelmente superior; não há mais nada a fazer”.  Mesmo que Saul Alinsky não tivesse dado o alerta dizendo que “poder não é o que você tem, mas o que o seu inimigo pensa que você tem”, já sabemos que essa postura ajuda a construir fracassos, pois além de tudo desanima o próprio time diante de uma ampliação indevida do poderio inimigo, junto a um discurso de “acabou tudo”.

Talvez por essa postura depressiva de Nyquist, David Horowitz nutre várias objeções em relação a esse tipo de pensamento. Explica-se: Horowitz é um pragmático, focado em ação e resultados. Nyquist é focado em discursos para justificar nenhum esforço em prol de resultados (ao que parece). Talvez por isso mesmo, Nyquist (junto com Diane West) resolveu alimentar uma série de picuinhas contra Horowitz. É fato que Horowitz publicou em seu website uma crítica de Ron Radosh esculhambando o trabalho de Diane West (que também adota o direitismo depressivo), mas nada justifica a campanha obsessiva feita por Nyquist e Diane contra Horowitz. Diane chegou a lançar um livro inteiro com uma teoria conspiratória para dizer que Horowitz era “espião russo infiltrado”. Sem nenhuma evidência, é claro.

Para tentar rotular seus adversários como “espiões russos infiltrados” (sei que é difícil segurar a risada), Nyquist elaborou 11 pontos pelos quais os comunistas poderiam ter infiltrado “espiões russos” nos Estados Unidos. Vejamos um a um:

(1) Usar a direita para ajudar a esquerda – A infiltração comunista na direita efetivamente proporciona uma infiltração mais profunda e mais bem sucedida na esquerda, pois suaviza as posições da direita em vários assuntos e faz com que ela, a direita, conceda terreno estratégico.

Nyquist comete um erro colossal ao associar “suavização de posição” com “concessão de terreno estratégico”, quando é exatamente o oposto. As tais “suavizações de posições” podem facilitar a implementação de propostas que atendam a um dos lados, incluindo o da direita. Basta estudar a Janela de Overton para saber que para cada questão política existem dois extremos e várias posições “suavizadas” no meio do caminho entre esses extremos. De acordo com a técnica de persuasão “Porta na Cara” uma proposta mais extrema pode facilitar a aceitação de uma proposta mais branda, portanto é estratégico implementar as propostas mais brandas. A esquerda faz essas “suavizações” com uma facilidade impressionante e esse é um dos motivos pelos quais eles ganharam tanto terreno estratégico. Pelo que podemos notar, aquilo que tem sido um diferencial da esquerda (a suavização de propostas para a aquisição de terreno estratégico) Nyquist não quer que a direita use.

(2) Comprometer e restringir os capitalistas – Estabelecer relações comerciais com países comunistas, especialmente com a China, para que assim efetivamente sejam neutralizadas as correntes da direita anti-comunista e também sejam comprometidos os meios de arrecadação da direita.

A crítica às relações comerciais com países comunistas poderia até ser pertinente, não fosse o fato de que essas relações comerciais também prejudicam o status quo socialista de países como China e Rússia. A abertura comercial tem feito muito mal também aos sistemas fechados desses países. Um exemplo são as aberturas econômicas forçadas por causa da globalização.

Outro ponto de que Nyquist se esqueceu é que os produtos chineses são, de fato, baratos. Deixar de adquiri-los (em um modelo de “compra de produtos, mas não de tecnologia”) seria perder competitividade em relação aos países europeus, que fazem comércio com a China. Vendo por esta perspectiva, não me parece que seja preciso “infiltrar espiões russos” para existir comércio com países comunistas.

(3) Balcanizar a direita – Agentes de influência, colocados dentro da direita, podem efetivamente dividir a direita em pequenos grupos mutuamente hostis. Em vez de conquistar o consenso por meio da síntese ideológica, cada elemento é encorajado a atacar o outro, impossibilitando assim a unidade entre várias partes constituintes e, principalmente, a unidade do todo.

Nyquist parte de uma visão equivocada de guerra política, pela qual é imprescindível uma unidade discursiva para que os resultados surjam. Seja na guerra tradicional, seja na guerra política (que é essencialmente baseada em táticas de guerrilha), a união discursiva é desnecessária, desde que, é claro, os inimigos principais sejam os mesmos.

A lógica para isso é clara: se criarmos restrições para aqueles que podem lutar ao nosso lado, menos pessoas poderão participar e, portanto, não teremos ação suficiente para gerar resultados. Ou por que você acha que os marxistas são aliados de “adeptos de welfare state” e “capitalistas de estado”? Simples: por que eles sabem que todos tem o mesmo inimigo: os adeptos do livre mercado. Não há unidade discursiva entre eles, de forma alguma, mas eles alimentam um inimigo em comum.

Enfim, a tal “unidade” pregada por Nyquist é não apenas desnecessária, como prejudicial, pois reduz severamente o número de pessoas que podem lutar contra esquerdistas.

(4) Explorar os neoconservadores no campo do livre comércio – Neoconservadores são idiotas úteis quando se trata de livre comércio, assunto esse que é um elemento de grande importância na estratégia comunista. É importante notar que a posição neoconservadora em relação ao livre comércio torna o Partido Republicado suscetível à aventuras militares estrangeiras instigadas por provocações terroristas.

Não comentarei este ponto, pois não entendi o que Nyquist quis dizer aqui.

(5) Tornar os paleoconservadores idiotas úteis de Moscou – Isolados e desmoralizados pela debandada de todas as facções para uma posição mais progressista e pela crescente imoralidade sexual, os paleoconservadores caem inevitavelmente na cínica retórica moscovita pró-cristã e pró-conservadora.

Nyquist parte de um princípio nonsense: a retórica moscovita pró-cristã e pró-conservadora seria apenas uma armação para enganar conservadores. Muito difícil disso ser verdade. Podemos apostar em uma outra hipótese: o tal “conservadorismo” é apenas uma característica do animal humano. Como a Rússia não precisa do marxismo cultural, ela dispensou esses movimentos para assumir posições mais úteis em termos de evolução de grupo. Já falei disso por aqui. Em suma, os russos não precisam do marxismo cultural, que foi criado apenas para gerar efeito no Ocidente.

(6) Aliar-se aos libertários para dividir a direita e atacar o complexo militar-industrial americano – Os libertários são o pior tipo de idiotas úteis quando se trata de negociar com os comunistas, mas diferente dos neocons, eles são defensores dos cortes drásticos de gastos. Em termos de guerra cultural, os libertários não têm problemas com a união homossexual ― assunto que pode ser usado para dividir a direita anti-socialista.

Que os libertários mais puristas são usados de forma até vergonhosa pelos esquerdistas, quanto a isso não há dúvida alguma. Eles tem uma seríssima dificuldade em pensar estrategicamente, e muitas vezes falam em termos de ideais infantis. Porém, eles são muito úteis enquanto estão fazendo ataques ao estado inchado.

Esse tipo de pensamento de guerrilha, que Nyquist não consegue entender, dificulta qualquer ação que ele possa desenhar em prol de um resultado efetivo. No caso dos libertários, eu acho que podemos usá-los enquanto eles atacam o estado inchado, e rir deles enquanto eles tentam emular ideias esquerdistas.

(7) Fundir a direita populista com a esquerda revolucionária – Timothy McVeigh disse que a extrema direita e a extrema esquerda deveriam unir-se, porque, no fim das contas, eles estão combatendo o mesmo inimigo (i.e., o governo americano). Uma elite corporativa opositora do livre comércio que criou milhões de empregos no estrangeiro, a direita populista tem boas razões para apoiar uma reforma dos seus ideais. Mas se fizerem isso, estão fadados a encontrar uma sórdida surpresa esperando por eles.

Nyquist comete outro erro aqui: o de achar que a extrema-esquerda realmente combate o governo, seja ele qual for. Na verdade, o marxista sempre usará formas para obter poder a partir do estado inchado. Eles são muito mais pragmáticos do que Nyquist sonha. Por outro lado, enquanto a extrema-direita (seriam os libertários puristas) ataca o governo, prejudica as reais intenções de qualquer esquerdista.

(8) Usar a direita conspiracionista para desacreditar o anti-comunismo e confundir aqueles que estudam o comunismo e têm nele o nosso atual inimigo – Além de estabelecer uma forma esquizofrênica de anti-comunismo, os teóricos da conspiração estão em constante animosidade com o mesmo inimigo aos quais os comunistas querem destruir, isto é, os próprios capitalistas.

Quem viu o primeiro parágrafo debulhado neste texto, sabe que Nyquist usa o conspiracionismo para atacar direitistas que não pensam igual a ele. Então, por essa lógica, devo considerá-lo um “espião russo infiltrado”? Mas não vou cair no joguinho dele…

(9) Usar a esquerda para induzir a direita à violência – Conforme cresce cada vez mais a esquerda, e a direita cada vez mais sofre com a incoerência, chegará a hora da grande provocação. Quando chegar essa hora, não há dúvidas sobre qual lado será aniquilado.

Nyquist realmente está desatualizado em relação ao marxismo cultural. Depois dessa metodologia, não é preciso haver a fase da “grande provocação” e nem a fase da “guerra civil”. Os tempos são outros. O objetivo é ganhar o poder sem ter esse conflito. Como aconteceu recentemente na Argentina e está ocorrendo no Brasil…

(10) Massacrar os macartistas – Não permita que ninguém faça uma investigação que lembre a de McCarthy. Esse tipo de coisa tem de se impedir desde o começo.

Para que serviu o macartismo? Simples: para dar autoridade moral à esquerda. É só para isso que serve um movimento aberto de perseguição a comunistas, pedindo que eles sofram sanções por parte do governo.

É claro que hoje em dia o nazismo é condenado e o mesmo não se aplica ao comunismo. Mas nem isso justificaria um novo macartismo. Ao invés disso, deveríamos problematizar o fato dos comunistas serem tolerados, enquanto os nazistas não são. Deveríamos comparar a contagem de mortos e discutir os motivos para padrões tão diferentes. Por que matar 100 milhões de pessoas é lícito se os criminosos forem comunistas, mas matar 30 milhões é ilícito se os criminosos forem nazistas? Não seria por causa da doutrinação marxista nas escolas? Observe que o levantamento destes questionamentos, em larga escala, causaria muito mais problemas políticos aos esquerdistas do que pedir a proibição do discurso comunista via ação estatal.

(11) Destruir a carreira de qualquer escritor ou político que sair dos propósitos e programas listados acima – Estratégias bem sucedidas sempre buscam limitar as opções dos oponentes. Em termos de guerra de informações, é necessário que também seja limitado o campo de pensamento do inimigo. Não se deve permitir o enraizamento de certas ideias na mente do público; e os escritores devem ser instintivamente condicionados a evitar discutir implicações estratégicas de posições ideológicas.

Este 11º e último ponto é apenas uma distinção de emergência criada por Nyquist para justificar toda a diatribe feita por ele contra Horowitz (e já denunciada aqui). É claro que quando Ron Radosh criticou o livro de Diane West, não estava querendo “destruir a carreira dela”. Radosh, assim como Horowitz, estava apenas rejeitando uma postura de direitismo que mistura direitismo depressivo com direitismo purista, além de discursos conspiratórios facilmente ridicularizáveis pelo inimigo.
Se eu quisesse jogar o mesmo jogo de Nyquist poderia usar o oitavo ponto para comprovar que ele é um “espião russo infiltrado”. Não farei isso, pois não tenho o mesmo interesse de Nyquist em criar picuinhas entre direitistas. Eu torço, apenas, para que Nyquist melhore seus conhecimentos de estratégia política, pois, a meu ver, ele não apresentou nenhuma proposta efetiva para que a direita obtenha resultados.
Vamos agora a uma análise das dinâmicas de Nyquist, resumindo os pontos prejudiciais para qualquer ação de direita:
  • A dinâmica da restrição de aliados –  por esta dinâmica, vemos que Nyquist só aceita pessoas que pensem de forma similar a ele para lutarem ao lado dele. Esta dinâmica é prejudicial pois limita a quantidade de pessoas que podem estar ao seu lado.
  • A dinâmica da demonização dos aliados rejeitados – por esta dinâmica, um aliado rejeitado (isto é, alguém de direita com o qual Nyquist não aceita se alinhar) deve ser demonizado a partir de acusações não provadas de “espionagem”. Essa dinâmica é danosa, pois são gastos muitos esforços internamente, na direita, para resolver essas picuinhas, além, é claro, de desanimar ações em conjunto contra a esquerda. Para piorar, a esquerda pode assistir a tudo e se divertir usando esses comportamentos para atacar a direita.
  • A dinâmica do direitismo depressivo – já falei o suficiente a respeito do assunto. Creio que não há nenhuma vantagem competitiva em dizer que “o adversário já dominou tudo, não tem jeito”. Se usarmos esse tipo de discurso em qualquer outro ambiente, destruímos qualquer resultado. Seja na montagem de um time para disputar um torneio ou de uma equipe para conquistar resultados corporativos. Vale o mesmo para a política pública.
  • A dinâmica conspiracionista – se baseia em inventar conspirações para apresentar um “poder absurdo dos adversários” (de forma a desanimar a própria tropa). Mais uma vez, a esquerda pode fazer a festa ridicularizando a direita por isso.
  • A dinâmica da não-concessão – por essa dinâmica nenhuma proposta intermediária é apresentada ou discutida. Esse privilégio é dado apenas aos esquerdistas, que, obviamente, o utilizarão para conseguir seus resultados.
Novamente, ressalto que eu poderia ser ranheta ao ponto de dizer que Nyquist até parece um “espião infiltrado de Moscou”, pois todas as “dicas” que ele dá só ajudariam a esquerda. Mas não me interessa fazer isso. Mesmo que eu não concorde com nenhuma estratégia dele, se ele for capaz de apresentar ataques certeiros aos esquerdistas, eu o apoiarei.
Foi com posturas assim (sem purismo exacerbado, sem restrição exagerada de aliados, sem teorias da conspiração internas e injustificadas, sem demonização de aliados rejeitados) que os aliados derrubaram Hitler.
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14 COMMENTS

  1. Luciano.

    Confira a redação do texto ao relacionar os passos no inicio:


    Com efeito, X já [[[ teve ]]] ter feito Y, pois normalmente ele faz Y

    ERRATA:

    leia-se “deve” em lugar de “teve”.

    “Com efeito, X já deve ter feito Y, pois normalmente ele faz Y”.

    Abs.

    Apolo.

  2. Com relação à dinâmica do direitismo depressivo, você acha que a direita deveria ignorar os obstáculos reais e tentar evoluir por outros caminhos, ou não seria melhor bater de frente com esses obstáculos, muitos deles criados de forma antidemocrática e inconstitucional (urnas eletrônicas violáveis já comprovadas por cientistas de várias universidades mundo afora, Estatutos segregacionistas, cotas, desarmamento, esses decretos PTistas, etc)?

    O fato é que, quando a direita acha uma nova maneira para progredir – o que por si só já é difícil de se fazer -, eles imediatamente arrumam um novo obstáculo para dificultar esse novo caminho, impedindo que a direita se desenvolva nele. Isso tem sido feito de forma sistemática pela classe política. Aos poucos eles vão fechando o cerco para a oposição. Você vai ignorando, ignorando, até que uma hora, catch!, não há mais caminhos a serem traçados, e a esquerda dominará sem qualquer resistência.

    • Depende do obstáculo, deve-se bater de frente com eles. Por exemplo, desarmamento e os decretos petistas. Alias, o PMDB (olha só) está sendo muito incisivo para derrubar o decreto.

      O que não podemos é fazer um discurso dizendo que “tá tudo acabado”, e essa é a essencia do direitismo depressivo.

      Abs,

      LH

  3. Luciano.

    Refletindo sobre o seguinte parágrafo de seu texto:

    Diante dessa argumentação, Nyquist parte do princípio que o inimigo marxista já conquistou a América. A mensagem que ele passa é a seguinte: o jogo está terminado. Quem já leu aqui sobre direitismo depressivo, sabe o quanto esta postura é contraproducente. Se alguém quiser tirar a dúvida, basta executar o teste de liderança depressiva em qualquer organização, dizendo: “O concorrente definitivamente já nos superou, e o poder dele é inacreditavelmente superior; não há mais nada a fazer”. Mesmo que Saul Alinsky não tivesse dado o alerta dizendo que “poder não é o que você tem, mas o que o seu inimigo pensa que você tem”, já sabemos que essa postura ajuda a construir fracassos, pois além de tudo desanima o próprio time diante de uma ampliação indevida do poderio inimigo, junto a um discurso de “acabou tudo”.

    Podemos considerar outro aspecto importante nesse parágrafo, que poderia ser interpretado com terminologia militar fazendo alusão à necessidade de manutenção da “MORAL da TROPA” ou seja: a configuração da estrutura psíquica dos soldados para enfrentarem o combate, Portanto o direitismo depressivo seria uma postura e atitude contraproducentes no sentido de solapar a necessária e fundamental “MORAL da TROPA” para o combate e a consequente almejada vitória.

    • Luciano.

      Observação.

      Quero deixar claro que não estou querendo fazer qualquer alusão ou defesa à uma iniciativa de natureza militar. Sou totalmente contrário a esse pensamento de intervenção militar despropositada e descabida. Apenas citei a interpretação pela terminologia militar por parecer-me bastante didática e esclarecedora, evidenciando de forma clara e significativa o PERIGO do tal “direitismo depressivo”, que invalida já a priori o combate à todo e qualquer tipo de tirania, totalitarismo, marxismo, leninismo, gramcsismo, eurasianismo, paganismo, etc, etc, etc.

      Aliás achei excelente esse seu artigo também por evidenciar didaticamente esse conceito de “purismo direitista” e seu consequente perigo sutil, que eu desconhecia.

      Pois é meu caro! Vivendo e aprendendo…

      Abs.

      Apolo.

  4. Luciano.

    Veja o artigo abaixo e, se possível, faça uma avaliação. O caso parece ser muito sério.

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    http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/15285-2014-06-22-17-07-57.html
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    Os tentáculos jurídicos da revolução

    Escrito por José Fighera Salgado | 22 Junho 2014
    Artigos – Direito

    [ Adaptado ao Brasil, o garantismo possibilitou a inserção de uma escancarada inversão de valores ao Direito e à própria Justiça Penal, praticamente transformando o bandido em vítima e imprimindo à vitima o status de vilã. ]

    [ A incorporação torta do garantismo Penal ao Direito Penal brasileiro acabou transformando tal doutrina em um monstro a serviço do socialismo. ]

    Não tendo triunfado a chamada “luta armada”, pela qual os prepostos do comunismo internacional pretendiam fazer do Brasil uma ditadura-satélite e inscrever o país nos quadros totalitários da história, a revolução migrou para esfera cultural, na qual logrou grande êxito na subversão dissimulada procedida através da estratégia gramsciana, visando o mesmo fim. Na mesma esteira, ocorreu uma vasta infiltração revolucionária no universo jurídico brasileiro, em especial no âmbito do Direito Penal, que acabou por transformar este campo em um terreno fértil para a ação da esquerda radical.

    Já na fase inicialmente mencionada (luta armada), quando os militantes praticavam delitos em prol da implantação da tirania comunista, a atuação de muitos penalistas brasileiros já ideologizava-se neste mesmo sentido, sempre muito bem disfarçada de luta democrática. A doutrina passou a refletir muitos posicionamentos supostamente libertários que, munidos de falsos anseios de redemocratização, inseriam o pensamento revolucionário de forma intensa no âmbito do Direito Penal pátrio. E a revolução cultural tratou de, nas esferas acadêmico-universitárias, formar profissionais jurídicos cada vez mais engajados na referida causa. Assim, pouco a pouco nosso Direito Penal foi sendo perversamente moldado para possibilitar a ampla promoção do modelo de Estado inerentemente antagônico ao Estado Democrático: o Estado totalitário socialista.

    No decorrer desta sistemática desvirtuação do Direito Penal brasileiro em prol da revolução comunista, foram sendo incorporados ao mesmo tendências estrangeiras que encaixaram-se perfeitamente ao que desenhava-se. Foi o caso do garantismo penal, conjunto de teorias de Direito Penal e Processo Penal de autoria do jusfilósofo italiano Luigi Ferrajoli. Em sua concepção original, o garantismo caracterizava-se basicamente pelo compromisso com a legítima garantia das liberdades individuais e direitos fundamentais de todas as pessoas (não tinha, portanto, um aspecto seletivo conforme se pontuará adiante). No entanto, ao promover uma releitura do caráter retributivo que caracteriza e dá sentido à Justiça Criminal, o garantismo trouxe consigo o germe de sua própria deturpação. Assim, em terras brasileiras, o garantismo foi apropriado indevidamente pelos juristas soi disant progressistas, que trataram de vincular toda leitura da teoria à suas perspectivas amiúde anticientíficas e militantes. A desumanidade e o caos do sistema penitenciário brasileiro facilitaram a difusão do garantismo à moda brasileira, centrado na “superação do retributivismo”. No fim do processo de assimilação ao Direito Penal brasileiro, o garantismo tornou-se irreconhecível, tornou-se uma aberração.

    Adaptado ao Brasil, o garantismo possibilitou a inserção de uma escancarada inversão de valores ao Direito e à própria Justiça Penal, praticamente transformando o bandido em vítima e imprimindo à vitima o status de vilã. Assim, enquanto a Justiça “garante” excessivamente e com um zelo maternal os (devidamente ampliados) direitos do réu, a vítima é esquecida, sem amparo algum. Obviamente, o zelo idealizado pelos garantistas brasileiros – brasileiros, frise-se – não estende-se a cidadãos de bem que, frente a nova legislação violadora dos direitos por excelência (vida, liberdade e propriedade) criada e promovida pelo comando revolucionário, já pensam em pôr em prática a justa desobediência civil, única arma do cidadão oprimido por governos tirânicos. A aplicação das garantias é seletiva, dirige-se apenas à bandidos, sempre úteis ao processo revolucionário; desta forma, é possível afirmar que os que acusam a “seletividade do sistema penal” (que diz que o sistema penal só alcança minorias étnico-raciais, pobres, etc) promovem uma outra modalidade de seletividade. Latrocidas, seqüestradores, estupradores, narcotraficantes, terroristas e todos os tipos de agentes criminosos merecedores de segregação penitenciária passam a ser amparados (e não devidamente punidos) pela Justiça Penal. De outro lado, as vítimas são abandonadas, e cidadãos que, espremidos por um Estado expansivo e proto-totalitário, vêem-se obrigados a violar leis violadoras de direitos elementares, sendo tachados então de criminosos e punidos com máximo rigor. Como o crime é aliado e meio de ação dos comunistas, a lógica garantista brasileira fecha o ciclo: os marginais são heróis e os cidadãos honestos são opressores.

    Este processo de adulteração do Direito Penal brasileiro em nome do socialismo produziu um tipo de criminalista “progressista” extremadamente imoral e cuja absurdidade das posições as quais sustenta causa repulsa a qualquer cidadão, vinculado ou não a ofícios jurídicos, que não tenha sido afetado pela perversa manipulação revolucionária. Advogados que utilizam o discurso de luta de classe para promover bandeiras do marxismo cultural, e cumprir os ditames da engenharia social esquerdista, hoje infestam os tribunais e agem como verdadeiros militantes com capacidade postulatória. A magistratura e o parquet também contam com muitos militantes comunistas com salários pagos pelo contribuinte. O cidadão sofre na carne as conseqüências desta militância, dados os níveis estratosféricos de criminalidade que ela acaba justificando e até mesmo impulsionando.

    A esquerda revolucionária sempre teve no crime um aliado. Nada mais natural para o que tem o próprio crime como importante meio de ação. Por isso, a incorporação torta do garantismo Penal ao Direito Penal brasileiro acabou transformando tal doutrina em um monstro a serviço do socialismo.

    A situação caótica proporcionada por esta deformação do Direito Penal e da Justiça parece ter atingido seu ápice, embora saibamos que o quadro só tenda a aprofundar-se. As polícias judiciária e militar são ostensivamente atacadas pelos pretensos “juristas progressistas”, tendo sua atuação controlada por estes falsos paladinos e toda a rede de amparo com a qual contam. Se a polícia prende o bandido, a Justiça solta, e se a Polícia age de forma enérgica e necessária, a Justiça a pune a Polícia. Sob a influência desta verdadeira esquerdização do Direito, a Lei Processual Penal torna-se cada vez mais frouxa, garantindo aos bandidos a impunidade que os torna a cada dia mais fortes em sua ação nefasta a sociedade e benéfica à revolução.

    Surgem cada vez mais e mais advogados, magistrados e promotores de justiça notoriamente ideologizados, que utilizam o Direito para a promoção da causa revolucionária. Quando algum Juiz assume postura não-submissa aos interesses da cúpula comunista, é devidamente repudiado pela esmagadora maioria dos operadores do Direito Penal, tomados pela nova mentalidade imperante na área. Doutrinadores promovem, com êxito, teorias cada vez mais absurdas e destruidoras, a serem incorporadas ao Direito Penal brasileiro com o passar dos anos. Criminalistas idôneos comprometidos com a justiça, a ordem e o Estado Democrático de Direito são classificados como “retrógrados” e repudiados. E a população, aterrorizada pelos criminosos, sem autodefesa devido ao desarmamento civil e sem amparo na Justiça Penal, torna-se cada vez mais refém da barbárie.

    Essa situação social terrível para o povo ordeiro e conveniente para o governo e demais facções revolucionárias, em parte, foi proporcionada pela deturpação pela qual passou o Direito Penal brasileiro. Sendo a revolução comunista beneficiada pelo caos, pelo crime e pela impunidade, cumpre esse novo (e estranho) Direito Penal não um papel civilizador, de mantenedor da ordem e de garantidor dos verdadeiros direitos do cidadão, e sim um papel de instrumento, de tentáculo a serviço desta revolução que anda a passos largos rumo a implantação definitiva do totalitarismo vermelho.

    José Fighera Salgado é bacharel em direito, especialista em ciências criminais e músico gaúcho.

    ———-

  5. ‘Que os libertários mais puristas são usados de forma até vergonhosa pelos esquerdistas, quanto a isso não há dúvida alguma. (…) No caso dos libertários, eu acho que podemos usá-los enquanto eles atacam o estado inchado, e rir deles enquanto eles tentam emular ideias esquerdistas.’

    Disse tudo.
    Eu já simpatizei com esses caras, hoje acho eles uns imbecis completos, e acho que se Mises estivesse vivo iria sentir vergonha desse pessoal que SE DIZ seguidor dele e defende coisas que ele nunca disse.

  6. Só não sei porque esse pessoal as vezes ofende a inteligência dos próprios leitores com a seguinte lorota: a de que RUSSO e COMUNISTA são sinônimos. Ora, qualquer país pode passar um tempo comunista, depois ter economia livre, como foi no Chile, e o contrário também, ser capitalista, depois comunista, depois alguma coisa entre os dois…o mundo não é estático, as coisas mudam o tempo todo.
    Com certeza tem comunista nos EUA, mas será que eles vieram da Rússia? Será que não eram americanos produto da escola de Frankfurt, dos socialistas fabianos e do pensamento esquerdista que predomina nas universidades?
    Esse negócio de Russia Russia Russia parece o astrólogo falando que o Ron Paul é um agente russo.

  7. A análise que voce fez sobre o texto do Nyquist tem alguns pontos interessantes, mas acho que talvez existam algumas considerações que poderiam levá-lo a ter uma perspectiva mais positiva que aproveite melhor o que foi escrito por Nyquist.Vou comentar sobre essas considerações, aí voce vê se concorda ou não, e se tem algo de interessante:

    1) os 11 itens que Nyquist escreveu parecem mais hipóteses úteis para avaliar o que as pessoas ligadas a política dizem ou fazem do que afirmações categóricas sobre Radosh ou Horowitz. Se voce pensar nesse aspecto, pode ser muito relevante para os direitistas se habituarem a ter essas hipóteses em mente ao observar agentes políticos.

    2) Nyquist se apoia em um contexto americano. Nesse contexto, é provavel que outras ações esquerdistas sejam mais perigosas ou comuns. Por exemplo, dizem que na América Latina, Gramsci foi bem melhor aplicado do que em outras partes do mundo.

    3) Nyquist não se refere, necessariamente, a coisas que estão acontecendo neste exato momento, mas que podem vir a acontecer no futuro. Por exemplo, se por um lado a esquerda pode querer eliminar a direita sem conflito, por outro lado, pode ser que, conhecendo e tendo desenvolvido a competência ao longo dos anos para criar e vencer este conflito, ela(a esquerda) possa ter esta carta na manga.

    4)Sobre a questão do purismo, acho que algum grau de purismo pode ser importante.Aliás, a esquerda vem em um processo de auto-purificação ao longo das décadas. No regime militar, se juntou ao MDB, para enfraquecer o regime. Com o fim do Regime, partidos esquerdistas foram criados com a saída de membros do MDB. Mais tarde, PSDB ganhou, e depois o PT. Assim que o PT ganhou a primeira vez a presidência, surgiu um partido mais radical com membros que eram do PT, o PSOL.

    • Acervo,

      Seguem minhas considerações sobre seus pontos.

      1. Eu até concordaria, não fosse o fato de que algumas das hipóteses estão em desacordo com os princípios de uma adequada estratégia política. Por exemplo, ele entende que a suavização de posição dá terreno ao oponente. Mas, ao contrário, a suavização abre frente para conquista de poder em prol de um lado, tirando terreno do oponente.

      2. O modelo gramsciano de guerra cultural é usado em toda a América. Aqui vemos que o PT se especializou mais nesse quesito. Mas ao olharmos a esquerda atual norte-americana, vemos que as guerras culturais são as mesmas.

      3. Sim, é uma possibilidade.

      4. Um grau de purismo pode ser útil, mas desde que não seja contraproducente. O exemplo que você citou mostra o não-purismo da esquerda, usado para CONQUISTAR TERRITÓRIO ESTRATÉGICO, para que somente depois eles possam vir a ser mais puristas. Minha maior crítica à alguns direitistas é que eles PARTEM DO PURISMO, que inviabiliza muitas conquistas. A meu ver, isso é colocar o carro na frente dos bois.

      Abs,

      LH

  8. “(3) Balcanizar a direita – Agentes de influência, colocados dentro da direita, podem efetivamente dividir a direita em pequenos grupos mutuamente hostis. Em vez de conquistar o consenso por meio da síntese ideológica, cada elemento é encorajado a atacar o outro, impossibilitando assim a unidade entre várias partes constituintes e, principalmente, a unidade do todo.”

    (Batendo a cabeça na parede, comento)
    TIPO ASSIM!! DO JEITO QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?????!!!!

    Eu realmente tive dificuldade de acreditar que eu estava lendo esse paragrafo.

    “(11) Destruir a carreira de qualquer escritor ou político que sair dos propósitos e programas listados acima”

    E essa frase me soou extremamente esquerdista, agora quem está tendo delirios paranóicos sou EU!

    É dificíl não ficar deprimido depois de ver alguém que supostamente deveria estar do meu lado propagar uma bela quantidade de bullshit como essa…

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