Por que nossa oposição não pode se limitar ao esquerdismo?

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Indo para uma reunião de negócios, de taxi, aproveitei o tempo para ler dois capítulos do ótimo livro de Kevin Williamson, O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo. Foi quando eu notei que, mesmo sendo tão direitista como Williamson, sou um ferrenho opositor dele em relação à como o esquerdismo deve ser percebido.

Veja este trecho, após ele narrar as barbáries do socialismo:

Devemos também considerar que a causa de todo esse sofrimento não foi a presença de homens maus, mas de ideias equivocadas […] Cada ditador do século XX parecia singularmente perverso – até que sua crueldade fosse equiparada ou ultrapassada pelo ditador da nação vizinha. Qual a probabilidade de que homens perversos pudessem chegar ao poder, mais ou menos na mesma época, na Alemanha, na Itália, na Rússia e na China? Uma explicação mais plausível é que, por mais malévolos que fossem esses ditadores, foi a ideologia que seguiam, e não o caráter moral peculiar deles, que assumiu o papel de fator decisivo. A ideologia do planejamento central é um convite ao exercício do poder ditatorial e da repressão, como argumentou Hayek com tanta habilidade em O Caminho da Servidão.

À primeira vista, o parágrafo acima parece não encerrar qualquer forma de problema, certo? Errado. Observe as duas visões comuns que possuímos a respeito da esquerda:

  1. O esquerdismo é apenas uma ilusão, que não funciona – essa é a posição de Kevin Williamson, assim como de uma boa parte dos direitistas
  2. O esquerdismo é a melhor opção, e com certeza funciona – essa é a posição dos esquerdistas

Minha forma de tratar a questão é tão oponente da primeira quanto da segunda. A visão que defendo aqui é de que o esquerdismo é a melhor opção para pessoas com segundas intenções, ou seja, a obtenção do poder a partir da intervenção estatal, e nada mais que isso.

Esta visão que defendo faz surgir, naturalmente, algumas objeções, sejam elas vindas tanto da direita que é tratada na hipótese 1, como da esquerda em geral (ou seja, a hipótese 2). Uma dessas objeções nos diz que pode ser injusto dizer que o esquerdismo foi elaborado de forma proposital para enganar incautos e dar poder a burocratas. Principalmente os esquerdistas hão de se incomodar com esta constatação que, se não justificada, pode complicar radicalmente minha hipótese. Lembro que sendo minha hipótese a mais válida e corroborada pelas evidências, crer no esquerdismo passa se tornar um problema moral.

Porém, elenco alguns pontos que, em conjunto, corroboram fortemente a hipótese 3 (o esquerdismo não é um “engano”, mas uma fraude deliberada para dar poder a burocratas). São eles:

  • Falta de alinhamento com a realidade de pessoas como Jean Jacques Rousseau e Karl Marx. Todavia, estas pessoas tinham uma bagagem suficiente de conhecimento para não incorrer nos erros em que incorreram.
  • Falta de alinhamento proposital com a realidade dos ideólogos do esquerdismo. Note que aqui o termo “proposital”, não utilizado para o ponto anterior, surge. O fato é que esse ponto é identificado quando refutamos o material de esquerdistas, usando coisas como guias de falácias e afins, e mesmo assim eles prosseguem mantendo o discurso. Sendo assim, a hipótese de “engano” é eliminada já a partida.
  • A solicitação de inchaço estatal é sempre parte dos discursos da esquerda, mesmo que eles digam lutar por “igualdade”. Só que as mesmas propostas podem ser feitas por outras soluções além do inchaço estatal. Fica claro que todas as solicitações de inchaço estatal sempre são convenientes para quem quer se aproveitar do inchaço estatal. Em adição, quaisquer alternativas para a melhoria de vida dos pobres são descartadas caso não envolvam inchaço estatal. Qualquer pessoa adulta já percebe as segundas intenções logo de cara.
  • Quando obteve sucesso pleno, o esquerdismo sempre levou ao totalitarismo, com a capacidade dos donos do inchado inchado de exterminarem seus opositores, como vimos em vários casos no século XX. Não é uma coincidência que todos eles sejam esquerdistas.

Claro que estes pontos são apenas alguns exemplos, mas é o suficiente para termos a noção de que acreditar em “erro” esquerdista chega a ser um erro infantil.

Não me entendam mal: eu não digo que vários autores da direita são infantis. O livro de Williamson é um petardo, assim como a obra de Hayek. Entretanto, na avaliação da essência do esquerdismo, ambos erraram ao tratar uma fraude como se fosse um equívoco. E essa distinção muda absolutamente tudo no momento de tratarmos o fenômeno esquerdista. Eles seriam muito mais assertivos em suas críticas ao esquerdismo se não tivessem cometido tal erro.

Na visão tradicional (hipótese 1), a tendência é sentirmos compaixão pelos esquerdistas, pois são pessoas “enganadas”. Com isso, são criados certos bloqueios psíquicos que nos impedem de sermos assertivos suficientemente com eles. Esses bloqueios só são eliminados quando encaramos um fraudador como ele realmente é.

Basta imaginar todas as vezes em que você esteve diante de uma fraude, prestes a lhe vitimar. Em seguida, lembre-se de todas as vezes em que você esteve diante de um erro alheio, que lhe causou dano. A reação diante do primeiro caso é capaz de ativar vários mecanismos de defesa para uma ação de contenção. Já no segundo caso, os tais mecanismos de defesa se confundem a uma mixórdia de sensações que incluem comiseração pela outra parte. O problema mais grave surge, é claro, quando consideramos um fraudador como alguém apenas “enganado”. Esse é o erro tanto de Williamson como de Hayek.

Williamson questiona a “probabilidade de que homens perversos pudessem chegar ao poder, mais ou menos na mesma época, na Alemanha, na Itália, na Rússia e na China” em favor de sua tese. Mas estudos recentes sobre a psicopatia mostram que cerca de 2% da população é composta de psicopatas. É natural que psicopatas busquem formas de obter poder. E, na disputa de posições pelo estado, o esquerdismo se torna a casa natural de psicopatas. O esquerdismo, nos exemplos do século XX, foi o meio usado para que psicopatas pudessem executar suas barbáries, exatamente por que serve para dar poder a burocratas.

Eu costumo citar Luiz Felipe Pondé, que muitas vezes faz ótimos textos. Mas discordo dele quando diz tremer quando vê alguém “prometer um mundo melhor”. Na verdade, o problema está em pessoas que usam jogos sujos para chegar ao poder (ou dar poder aos que ele segue) e ao mesmo tempo usam o argumento dizendo “querer o mundo melhor”.

A esquerda hoje se tornou um problema para nós por que ao mesmo tempo em que é um engodo para dar poder a pessoas com as piores intenções possíveis, também infelizmente é compreendida por uma boa parte dos direitistas como se fosse apenas um “erro de julgamento” ao invés de uma fraude com objetivos claros. Assim, este blog defende uma oposição não apenas ao esquerdismo, mas à qualquer forma de direitismo que insista em querer visualizar o esquerdismo como “um engano” ao invés de uma fraude.

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23 COMMENTS

  1. Great Luciano.


    A esquerda hoje se tornou um problema para nós por que ao mesmo tempo em que é um engodo para dar poder a pessoas com as piores intenções possíveis, também infelizmente é compreendida por uma boa parte dos direitistas como se fosse apenas um “erro de julgamento” ao invés de uma fraude com objetivos claros. Assim, este blog defende uma oposição não apenas ao esquerdismo, mas à qualquer forma de direitismo que insista em querer visualizar o esquerdismo como “um engano” ao invés de uma fraude.

    Creio que todos conhecem muito bem aquela estória que diz:

    “O maior truque do diabo foi incutir na humanidade a crença de sua inexistência.”

    Você ressaltou muito bem, Luciano. A maior estupidez estratégica da direita talvez seja propagar INGENUAMENTE que o esquerdismo é uma mera e singular “teoria ideológica (honesta) falaciosa”, quando em verdade é uma OBRA FRAUDULENTA ASTUTAMENTE ENGENDRADA que cinicamente objetiva o favorecimento dos perversos psicopatas, conduzindo-nos ao inexorável estado da mais abominável barbárie: “HOMO HOMINI LUPUS”.

    Yes Man! This one is just “A GREAT ARTICLE” !

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    • É ESTA ESTUPIDEZ QUE TEMOS QUE ANALISAR E DEBATER, POIS ESTAMOS LIDANDO COM UM INIMIGO CAPAZ DE QUALQUER CRIME,, APOIADO POR GOVERNOS INTERNACIONAIS GOLPISTAS, SEM CARÁCTER E ÉTICA, COMO O IRÃ, CUBA, RUSSIA, TEMOS QUE ALINHAR AS TRINCHEIRAS PARA VENCER O COMUNISMO.

      • O comunismo é um mero instrumento, uma ferramenta usada pelos astutos predadores psicopatas para escravizar os indolentes ignorantes.

        O verdadeiro inimigo a ser vencido está dentro de nós mesmos. No âmago de nosso Ser.

        A melhor arma a ser usada contra a astúcia é, com certeza, a argúcia.

        Há um antigo ditado oriental, que suponho ser de origem budista, e que diz:

        “Ao invés de ficar reclamando das trevas, acenda uma vela ou abra uma janela.”

        Fiat Lux.

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    • PENSAMENTOS e REFLEXÕES.
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      1.) Jiddu Krishnamurti — Obra: “A Arte da Libertação”.


      Nós os indivíduos somos quem fazemos e configuramos o mundo (a sociedade). Os nossos problemas são, então, projetados ao mundo tornando-se os problemas do mundo. Portanto, para resolvermos os problemas do mundo devemos começar atuando em nós mesmos, resolvendo, antes, os nossos problemas individuais. E desse modo, naturalmente, projetaremos ao mundo as soluções que encontrarmos para os problemas em nós mesmos.

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      2.) Richard Bach — Obra: “Ilusões”.


      Os homens são criaturas deveras interessantes e curiosas, pois tudo aquilo que buscam com mais afinco ensinar aos outros, invariavelmente é precisamente aquilo que eles mais necessitam aprender e apreender para si mesmos.

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      O comunismo é um mero instrumento, uma ferramenta usada pelos astutos predadores psicopatas para escravizar os indolentes ignorantes, que por desejarem e escolherem o caminho do egoísmo e das facilidades terminam sendo vítimas estúpidas de sua própria maldade (ou pecado original, como queiram).

      O verdadeiro inimigo a ser vencido está dentro de nós mesmos, no âmago de nosso Ser.

      O primeiro e maior revolucionário esquerdista, exposto na literatura bíblica, é aquele que rebelou-se contra a ascendência do irmão mais velho, e mostrando sua outra face não encontrou-se lugar para ele no Reino, sendo consequentemente precipitado no abismo das trevas.

      Então o seu maior truque foi incutir na humanidade a crença de sua inexistência.

      A melhor arma a ser usada contra a astúcia é a argúcia.

      E há um antigo ditado oriental, que dizem ser de origem budista, e que diz assim:

      “Ao invés de ficar reclamando das trevas, acenda uma vela ou abra uma janela.”

      Fiat Lux.
      ———-

      Eu penso ser claro e evidente que devemos combater as técnicas revolucionárias esquerdistas com a razão e a lógica, usando o precioso arsenal da assertividade cética e científica.

      Mas devemos ter sempre em mente, para não nos desviarmos de nossa busca, de nossa rota principal, que o VERDADEIRO INIMIGO ESTÁ DENTRO DE NÓS. Devemos tomar sempre o devido cuidado de não nos entregarmos à armadilha de devaneios perigosos.

      A melhor arma a ser usada contra a astúcia é a argúcia.

      Fiat Lux.
      ———-

  2. Luciano, mais uma que pode valer algum comentário:a a dupla saída da família Sarney da vida política, com José e Roseana dizendo que não mais irão se candidatar a cargos políticos. Por que é interessante falar sobre esse assunto:

    1) De fato, tanto o ex-presidente quanto sua filha estão com a saúde bem fragilizada, com o patriarca tendo 85 anos, o que significaria terminar um hipotético novo mandato de senador pelo Amapá com 93, se fosse eleito. Logo, poderia mesmo ser por esse motivo, mas fica estranho os dois renunciarem à vida pública ao mesmo tempo;

    2) Há outros Sarneys na vida pública, mas eles não têm o destaque do pai e da filha. Não acho que o Sarney Filho tivesse força suficiente para qualquer coisa, ainda mais quando vemos que ele está no PV e beneficiando-se do índice menor para conseguir eleição proporcional;

    3) Porém, sabemos que a família Sarney sabe dos bastidores da política brasileira em um grau muito maior que o de qualquer analista político. José, como sabemos, como presidente do Senado foi decisivo para que se conseguisse aprovar muitas das propostas que ajudaram no avanço da agenda do Foro de São Paulo. Podemos considerar que eles saibam de podres de quem ajudaram dos quais a mídia não saiba nem tenha como saber;

    4) Porém, também temos de considerar que como o Foro aparelhou altamente a máquina pública, mais os conhecimentos dos bastidores da política em si, também temos de considerar que saibam de podres do clã Sarney que a mídia não tenha como saber;

    5) Em grau de poder, o PT tem atualmente bem mais que o clã Sarney, que está restrito ao Maranhão e à vaga de senador no Amapá. Logo, há um belo desequilíbrio de forças que desfavorece o lado maranhense da coisa. E já vimos o que aconteceu quando Roseana tentou se candidatar à Presidência…

    6) Logo, em tese a dupla saída da família Sarney pode significar uma espécie de acordo entre cavalheiros em que o lado mais fraco se retira da disputa para não ser engolido pelo lado mais forte, que dá uma colher de chá. Alguns dizem que de repente a família Sarney poderá vender tudo e ir morar no exterior caso se confirme um golpe no Brasil;

    7) Ainda continua havendo uma aliança entre os poderosos do Maranhão e o PT, desta vez pelo apoio de Roseana a Lobão Filho, cujo pai é o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. E essa aliança segue essencial para que o projeto do Foro seja concretizado, uma vez que o PT não consegue passar dos 30% históricos quando no modo puro-sangue. Logo, podemos ver por sintomas como esse que é de se imaginar que a implantação da receita bolivarianista no Brasil esteja muito mais difícil do que conseguiram imaginar.

    Vamos somar a essa dificuldade que o pessoal do Foro está tendo a rebelião dentro do PP após a presidência do partido ter anunciado oficialmente apoio a Dilma. Temos a candidata ao governo gaúcho Ana Amélia Lemos dizendo que vai pintar o nome de Aécio na testa, enquanto a base paulista ameaça largar Alexandre Padilha e apoiar Paulo Skaf. Em que pese o PMDB ser aliado do PT no nível federal e o vice-presidente Michel Temer ser de São Paulo, temos o fator “balaio de gatos” pesando bastante, além do fato de o PMDB historicamente ser forte no estado mais rico da Federação, principalmente no interior. Logo, muito interessaria que o Padilha fosse deixado na saudade pelo PP e o Skaf passasse a ser apoiado para o governo.
    Tudo indica que Alckmin ganhe no primeiro turno, mas até agora o Skaf vem se mostrando o adversário mais forte. Pode acabar interessando ao PT também que o Skaf vença, ainda que o orçamento paulista ficasse fora das garras do Foro. Porém, como dá para notar, estamos vendo ratos fugindo do navio e isso significa muita coisa.

  3. Luciano, há uma coisa sobre a qual quem combate o marxismo-humanismo-neoateísmo pode jogar: o histórico desconhecimento deles sobre os pobres, que vem desde o próprio Marx, que nunca conheceu um operário em sua vida. Temos este texto que considero interessante, escrito por um carteiro contrário a tal ideologia. Observe o cara comentando a naturalidade com que foi recebido por Flávio Quintela (autor de “Mentiram (e Muito) para Mim” e o estranhamento que gerou em Gilberto Dimenstein.
    E esta é uma daquelas oportunidades de mostrar o quão mais receptivos de maneira desinteressada são os anti-MHNs em comparação aos MHNs.

  4. Lendo o artigo me vem a cabeça aquela máxima que o esquerdista usa nossa própria moral contra nós mesmos. Um exemplo são as feministas abortistas, os direitistas sendo anti aborto
    estão salvando a feminazi dela mesma porque uma desgraçada dessas vai engravidar ali adiante, vai abortar, e depois vai estar lá arrependida e destruída psicologicamente. Mas como ajudar uma monga dessas sem ser rigoroso? E o sendo, dá margem pra ser acusado de fascista. É uma sinuca de bico.

  5. Seu texto foi muito pertinente e me fez ver um lado da moeda que não via, pois o discurso repetido tenta impor uma espécie de piedade para amenizar que não há intencionalidade em certos padrões impostos, mas um “engano” de ação. Não tenho predileção por sigla partidária, mas tenho, até por formação educacional teológica, dificuldade de digerir ideologias totalitárias que não gerem o bem comum para valer; onde o texto Sagrado dos Cristãos vai ensinar em Atos 2 que os primeiros cristãos tinham tudo em comum e a base para tal não era uma política partidária explícita, mas este bem comum tinha e deve ter “O Amor a Deus e ao próximo” como fundamento fundante por um etos coerente. Segue um poema sobre Ser Político para reflexão.

    Ser Político

    Sempre me trará à memória que é histórico
    Pois todo cidadão é um sujeito mais que episódico
    Sua vida é fruto de um interagir geopolítico
    Onde a individualidade não permite a falta de senso crítico
    Mas um agir comunitário de nível altruístico

    Ser Político

    Sempre me trará à memória que é humanístico
    Pois o agir do indivíduo se faz no dialógico
    Para remover qualquer atropelo tirânico
    Que impeça o caminhar social lícito
    Onde o direito é um bem comum recíproco

    Ser Político

    Sempre me trará à memória que é função ética
    Pois tem em seus princípios toda uma dialética
    Para ao final promulgar uma síntese genética
    Que renova os ditames da desejada sócio-política
    Por uma cosmovisão higiênico realística

    Ser Político

    Sempre me trará à memória que é de arco oftálmico
    Pois a visão que tenho do mundo não pode ser apolítica
    Que faz que eu seja vítima de um viés dicotomista
    Onde os que gostam por uma razão errática
    Tiram vantagem de tudo que devia ser comum à nossa vista

    Ser Político

    Sempre me trará à memória que é de base teológica
    Pois sua gênese tem origem, no Pai, não paternalista
    Que ao criar o ser, o fez com propósito libertacionista
    Onde o livre-arbítrio nos dá o fundamento da didática
    Ao apontar “O Caminho, A verdade e A Vida” salvífica – (DSB)

  6. Tudo bom Luciano ?
    Gostei bastante de seu artigo, mas acredito que tanto a sua quanto a posição do Williamson são verdadeiras, porém em situações diferentes, para pessoas diferentes.

    Uma coisa é a liderança de alta cúpula, os próprios burocratas em si. Outra coisa são as pessoas iludidas pela “ilusão” da esquerda.

    Ainda digo que em casos mais doentios, quando certos membros já sofreram tamanha lavagem cerebral, eles passam a acreditar em ambas as coisas, não sabendo diferenciá-las.

    Agora acho meio difícil ter certeza que os autores tinham realmente noção do poder de controle de massas da ideologia que estavam criando, incompetência mesmo parece algo razoável também.

  7. Eu também não acredito em equívoco nenhum. É pura maquiavelice. É coisa de ditador amoral e sanguinário e todos que apoiam esse tipo de ideologia são imagem e semelhança desses mesmos ditadores.

  8. Luciano, soube dessa? Parece que o grande jornalista Paulo Eduardo Martins vai se candidatar a deputado pelo PSC.Do perfil dele:

    “Amigos, diante do quadro em que a liberdade de expressão é seriamente ameaçada, onde o gigantismo do estado alimenta corruptos insaciáveis e a destruição dos valores é uma política de governo, decidi mudar de campo de batalha. Vou submeter meu nome à convenção do PSC com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. É preciso encarar o inimigo e endireitar o Brasil. Conto com a compreensão e o apoio de todos. Contem com o meu sangue.”

  9. Luciano, valeria a pena falar desta bobagem monumental que Ann Coulter escreveu sobre futebol e a empolgação de seus compatriotas com o desempenho da seleção americana na Copa. Esse texto já está circulando freneticamente nas redes sociais e já municiou marxistas-humanistas-neoateístas e propagadores inconscientes de gramscismo com uma bala dundun de prata das boas, daquelas. Veja o tamanho do desconhecimento dela sobre o esporte bretão:

    1) Ela diz que conquistas individuais não têm grande peso no futebol, ao que ela chama de “esporte de mentirinha” (vide o uso do termo real sport). Ela sequer notou o peso que tiveram na seleção americana o atacante Dempsey e o goleiro Howard, ambos fundamentais para a classificação na primeira fase. Ela também não notou que esportes popularíssimos em seu país, como futebol americano, basquete e hóquei no gelo são essencialmente coletivos e igualmente permitem o destaque individual. Se há uma derrota, ela é consequência do coletivo também, assim como a vitória. E também pode haver times que ganhem e que sejam um craque mais o resto. Sequer ela reparou que o esquema básico do futebol é o mesmo do hóquei no gelo (dois gols defendidos por goleiros em cantos opostos e jogadores de linha que irão tentar fazer esses gols).
    Ela pergunta se há um equivalente a MVPs em futebol e qualquer um lembraria que não só a Fifa está premiando com um troféu o melhor jogador de cada partida na Copa como também existe a Bola de Ouro (Cristiano Ronaldo recebeu a mais recente), o troféu Puskas (gol mais bonito) e outras premiações, isso sem falar que bons jogadores são premiados com bons contratos, bons times e ficam na memória e na história;

    2) O segundo item dela é praticamente pedir para falar “cala a boca, burra!” e pedir para veja um jogo de Libertadores para que ela depois diga se o talento atlético não é decisivo e se em um jogo masculino profissional uma mulher poderia jogar contra esses caras, mesmo que fosse a Marta;

    3) Ela reclama dos empates em 0 a 0 e demonstrou desconhecimento inclusive da história recente do futebol nos Estados Unidos, em que tentaram evitar os empates e o resultado foi a não-conquista tanto de público novo como daqueles públicos clássicos. Quando a MLS parou de tentar evitar o empate, o resultado foi o que já estamos vendo, em que já levam mais público para uma partida do que a NBA e a NFL (sendo que um estádio de time da MLS tem em média 30 mil de capacidade, algo compatível com os megaginásios de basquete e hóquei). Logo, ela apenas se mostrou a americanona que não conhece o resto do mundo e quer dizer como o resto do mundo deve agir.
    Ela fala da dificuldade de haver um empate sem pontos no futebol americano e o quão mais difícil seria marcar um touchdown quando há meia dúzia de brutamontes para cada lado, mas novamente ela demonstra o desconhecimento do que seria um jogo de Libertadores (em que não há aquela fleugma de uma Liga dos Campeões);

    4) Diz ela que um esporte é uma guerra sublimada e só pode ser chamado de esporte se houver a possibilidade de humilhação pessoal ou ferimento maior. Ela dá o exemplo das porradas no hóquei e na possibilidade que o basquete e o beisebol têm de se perder um jogo ganho nos últimos momentos da partida. E ela dá o exemplo da frase de Thatcher sobre derrotas sucessivas da seleção inglesa para a alemã: “Não se preocupe. Depois de tudo, vencemos os alemães duas vezes jogando seu esporte nacional”, referindo-se às duas Guerras Mundiais.
    Novamente o desconhecimento de quem nunca viu um jogo disputado e quer falar como se de tudo soubesse. Nunca viu um jogo com gol aos 48 do segundo tempo (e ela poderia ter assistido a Estados Unidos X Portugal), nunca viu um cara sair de campo com uma lesão bem feia após um carrinho e outras tantas coisas. Ela nunca deve ter visto algo como isto:

    http://www.youtube.com/watch?v=i8jTGqmexr4

    http://www.youtube.com/watch?v=48U2CLVTmq8

    http://www.youtube.com/watch?v=odi77aLC-04

    5) Ela reclama de não se poder usar as mãos no futebol e que isso eliminaria o perigo de ter de pegar uma bola no ar. Realmente ela não viu sequer o Howard, da seleção do país dela, fazendo defesas cinematográficas, nem zagueiros salvarem com os pés a meta de um goleiro rendido, como fez David Luiz na final da Copa das Confederações. Pior de tudo, ela vem querer dizer que futebol seria esporte de gente involuída por supostamente não se poder usar o polegar opositor. Ela não notou que o goleiro usa isso, assim como se usa esse polegar opositor na reposição de bola (para direcionar a bola da maneira mais adequada). Ela sequer nota que existem várias formas de se chutar uma bola;

    6) Ela diz que o futebol estaria sendo jogado goela abaixo dos americanos e diz que o número de matérias do New York Times falando sobre o esporte ganhando corpo nos Estados Unidos só estaria abaixo daqueles que ela diz que estariam fingindo que o basquete feminino seria fascinante. Realmente não só a Ann Coulter não conhece futebol como não deve saber da existência de figuras como Hortência e Paula.
    Ela também não notou que se a audiência do futebol está aumentando, é porque lembraram que os latinos gostam do esporte e eles são minoria significativa naquele país;

    7) Ela reclama de o futebol ser um esporte forasteiro e que os negros americanos não gostam dele tanto quanto brancos e hispânicos gostariam. Diz ela que o fato de o futebol ser um esporte forasteiro ganhando popularidade seria a razão de o NYT estar descendo pela goela do pessoal.
    Claro que ela não notou que o atletismo, esporte no qual os Estados Unidos são potência mundial, é de origem europeia. Aliás, é esporte ainda mais individual que futebol americano e hóquei no gelo. Aliás, o hóquei no gelo de que ela tanto falou é de origem canadense, mas remonta à Europa, tendo raízes em um jogo criado pelos índios Mi’kmaq justamente após o contato com os europeus (mais ou menos como a técnica de tocar viola dos índios guaranis daqui, em que um instrumento estrangeiro foi apropriado por um povo local e reinventado de uma maneira toda própria);

    8) Ela tenta fazer uma comparação entre o futebol e o sistema métrico, do qual os MHNs americanos adorariam por ser europeu. Diz ela que o sistema métrico surgiu da Revolução Francesa nos pequenos intervalos em que pessoas não estariam sendo guilhotinadas.
    Diz ela que um americano seguirá usando medidas de sistema imperial, mesmo tendo sofrido o que ela diz que é uma lavagem cerebral de estilo chinês para que usem sistema métrico. Porém ela não nota que o sistema métrico pegou justamente por sua praticidade, em que a centésima parte de um metro é um centímetro e os graus Celsius são mais precisos que os Fahrenheit. Ela se esquece inclusive de que os cientistas americanos usam o sistema métrico e só transferem as coisas para o sistema imperial para que o americano leigo compreenda;

    9) Ela também quer comparar em audiência o futebol da bola redonda com o da oval, o que parece ser bem impróprio. Parece que para ela não desce a ideia de que nos Estados Unidos possa ocorrer de em um período de tempo mais curto do que acreditamos o esporte mais popular do mundo estar entre os principais de lá. Ela não notou que uma das grandezas do futebol é permitir que qualquer tipo físico seja atleta. Temos gente magra como o Oscar, gorda como o Walter, goleiros baixinhos que são muralhas, as pernas tortas de Garrincha, a miopia congênita de Pelé e outras tantas coisas. Se formos ver, um jogador de futebol pode na prática ser mais vencedor que um de basquete (em que dificilmente há pessoas baixas, como Muggsy Bogues, ex-pivô do Charlotte Hornets) ou hóquei e futebol americano (que são mais para brutamontes mesmo).
    Aqui também ela dá margem para que MHNs a acusem de racista, quando diz que isso aconteceu por causa da lei de imigração de 1965. Diz ela que nenhum americano cujo bisavô tenha nascido nos Estados Unidos está assistindo aos jogos, o que é de uma leviandade daquelas. Ela se esquece que na seleção americana há americanos do tipo que ela diz que não veriam futebol, como o próprio Dempsey, craque da equipe, a não ser que ela considere americanos de ancestralidade irlandesa menos americanos que aqueles descendentes dos primeiros colonos. E se ela olhasse para a equipe que está em campo, veria que há também o Graham Zusi, o Brad Davis, o Michael Bradley, o Geoff Cameron e outros, isso sem falar dos jogadores de ancestralidade africana que também estão lá, como o Beasley. Além disso, ela se queima muito perante os latinos, que historicamente votam em republicanos e podem achar que estão sendo considerados menos americanos do que os WASPs.

    Enfim, como você pode ter lido, esse artigo da Ann é uma queimação de filme atrás da outra e ela acaba sendo aquela anti-MHN que todo MHN gostaria de ter pela frente, ao menos nesse aspecto. Também fica ruim para ela, caso um dia exista uma espécie de internacional de direita, pois a maioria absoluta dos conservadores e liberais clássicos do mundo ama futebol de paixão e usa o sistema métrico tão execrado por ela. E essa maioria absoluta de liberais clássicos e conservadores com certeza estão dando um facepalm daqueles e perguntando o que raios ela quer com esse tipo de artigo, justamente porque sabem o quão complicado é um Campeonato Brasileiro, um Campeonato Argentino, um Campeonato Inglês, uma Libertadores, uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes da Fifa ou a tal Copa do Mundo que a tal Ann parece estar falando na base do “não vi nem gostei”.
    Ficamos naquela coisa: se Ann Coulter não gosta de futebol, isso é pura e simplesmente uma preferência dela. Se ela vem falar mal de futebol e solta coisas típicas de quem não conhece sequer uma das 17 regras do esporte e a cultura gerada por mais de um século de esporte, aí ela está fazendo um gol contra pior que estes aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=k6Ptjwl4VTM

    Enfim, para mim este é um daqueles artigos que Ann Coulter não precisava ter escrito, mas já que escreveu, só nos resta lamentar tamanho compêndio de batatadas enumeradas. Aliás, fico aqui pensando se não valeria, já que estamos falando de autocrítica dentro do combate ao marxismo-humanismo-neoateísmo, falar um pouquinho que fosse dos chamados neoconservadores. E neste caso inclusive ficamos pensando se a Ann está mesmo falando seriamente ou se ela quis dar uma trollada para embarcar em uma onda de ser promovida com tamanho monte de bobagens propositais. Alguns inclusive estão chamando Ann de “troll de si mesma”.
    Tal artigo já rendeu resposta de Ed Foster-Simeon, presidente da U.S. Soccer Foundation, bem como este artigo do comentarista esportivo da Forbes, que também me pareceu bem consistente. Além de comentários negativos no Twitter inclusive de gente que não gosta de futebol:

    http://twitter.com/wingate32/statuses/482138701016096768

    E até mesmo na Fox News tivemos zoeira sobre as besteiras dela de dizer que americanos gostarem de futebol é sinal de decadência moral daquele povo:

    http://www.youtube.com/watch?v=NwBTuEYtnpo

    Por fim, este comentário vindo do Daily Mail, que é do país onde foi inventado o futebol.

  10. Luciano, este é um daqueles lances que parecem piada, mas têm um fundamento científico: pelo que estão falando, uma pessoa que se sente feia é mais propensa a ser presa de marxistas-humanistas-neoateístas e outros tipos de esquerda. Segue a fonte primária também.
    É quase certo que os MHNs soubessem disso em um nível empírico e se aproveitassem disso, inclusive quando inventam histórias de que a beleza seria um padrão social imposto (quando na realidade é a combinação de proporções áureas, que existem em qualquer coisa bela da natureza, e simetria) ou a recente invenção da “gordofobia”, fora tentativas de se dizer que feios são oprimidos por bonitos.

    E como já disse outras vezes, a invenção da “gordofobia” e a tentativa de inventar a “feiofobia” podem ser sintomas bons de que o marxismo-humanismo-neoateísmo está fazendo uma bela água, uma vez que agora estão se apoiando em uma característica com alto grau de transitoriedade (afinal, um gordo pode emagrecer, o que nos faria perguntar se ele passa a ser opressor por causa disso, e mesmo que seja gordo isso não impede seu sucesso, vide Jô Soares) ou que não obrigatoriamente impede que alguém viva uma vida boa (vide os tantos feios bem-sucedidos que fazem piada com a própria feiura, além de vermos que rascunhos do inferno como Donald Trump conseguiram ficar mais ricos do que qualquer galã).

  11. Parabéns pelo post.

    Vou usar muito essa frase:
    … o esquerdismo é a melhor opção para pessoas com segundas intenções …

    Quando o assunto é esquerdismo, “tem que ser pé na porta”:

    “O socialismo não deu errado. O socialismo é errado.” Roger Scruton

  12. Luciano, não sei se isso é muito do seu interesse, mas eu vi os termos Steven Pinker e psicologia evolutiva, que eu acredito já ter visto aqui… e, de qualquer forma, me parece que o sujeito, o Hauser, defendia uma tese de que macacos já teriam um padrão inato de certo/errado, logo, imagino que seu trabalho tenha sido usado como argumento por algum defensor do rosseaunianismo. Fica aqui o link, é só uam sugestão, como eu disse no começo, não sei se é o tipo de coisa da qual você gosta de tratar:

    http://io9.com/5613020/evolutionary-psychologist-under-investigation-for-shoddy-research-at-harvard

  13. Gostei do texto mas acredito que existam vários tipos de esquerdistas; claro que tem o esquerdista canalha que come caviar e se utiliza do esquerdismo para adquirir poder e se locupletar, mas tem também os esquerdistas imbecis que comem arroz e feijão quando podem e acreditam nas falações dos líderes vermelhos, mas uma coisa é certa e me faz ainda ter um pouco de dúvida sobre o assunto, qualquer pessoa que acredite que seu sustento deve partir do Estado e não do seu próprio suor também deve ser taxada de canalha, logo existem os esquerdistas canalhas e os manipulados canalhas, independente disso quero que todos eles vão pra PQP e VTNC bem fundo.

  14. Olá Luciano, há muito tenho observado que esquerdistas tentam descredibilizar fontes de informações, sem sequer analisar o conteúdo da informação em si. Se uma fonte A noticia algo que vá contra a turma do PT, seus militantes logo tentam, de forma preventiva, colocar a sua audiência contra a fonte, atacando-a preventivamente, sem sequer se preocupar em analisar o conteúdo da notícia em si. Acredito que esse tipo ataque direto à fonte deva se tratar de uma fraude intelectual, já que simplesmente afirmar que “a fonte A faz parte do PIG, logo, a informação está equivocada” não é refutar a informação em si. Você saberia me explicar como refutar esse tipo de “ataque direto à fonte” e, se possível, deixar algum nome técnico para esse tipo de fraude intelectual, se é que existe?
    Obrigado.

  15. Realmente esta história de “idéias equivocadas” é muito irritante.
    Outra coisa que notei é que ele tirou culpa dos ideólogos e colocou a culpa nas ideologias.
    Ora, as ideologias existem por causa das pessoas. Sem pessoas não há ideologias.
    Tirar a culpa da pessoa e coloca-la apenas sobre a ideologia é algo tão bizarro como tirar o crime das costas do criminoso e colocar a culpa na arma (onde foi mesmo que ouvi esta história?).

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