O que Andrew Napolitano está querendo nos dizer a respeito da “fraude” na democracia?

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O post A volta de Mad Max: o ideal do libertarianismo fundamentalista como o segundo pior dos mundos, em que fiz uma crítica a alguns (não todos) libertários gerou uma série de indignações, tanto que para responder a todas precisarei de dois posts. Este é o primeiro (o segundo só vem no fim de semana), onde trato a alegação de que a “democracia” é uma fraude, e, portanto, o melhor seria abandonar qualquer tipo de luta democrática.

Por sorte, esse argumento é minoritário na direita, mas vem gerando massa crítica a ponto de possivelmente se tornar um verdadeiro problema para nós no futuro. Claro que é um argumento que não vai levar a lugar algum, a não ser a uma pagação de mico que pode respingar no resto da direita. Quer dizer, já não estão ajudando por deixarem de usar boas táticas da guerra política, e ainda querem completar o desastre com um dos piores frames do mundo?

Escolho para refutação o texto “E se eu lhe disser que a democracia é uma fraude?” de Andrew Napolitano, do Mises Institute.

Como o texto é arrogante até dizer chega, usarei um método diferente para refutá-lo: é a técnica tradução com responsabilização, que aprendi com um antigo gestor.

A técnica é utilizada quando você está diante de alguém com posição gerencial (ou de liderança, que seja) com capacidade para realizar alguma coisa, mas que está discutindo de forma a criar “becos sem saída” para justificar não apenas a inércia como transferir culpa de forma indevida a outros. Veja como funciona:

  • Gerente Sabonete: Não temos indicadores para dar a avaliação de produtividade desejada.
  • Coach: Deixe-me ver se eu entendi o que você está dizendo. Você diz que nenhum dos gerentes aqui, incluindo você, priorizou a confecção de indicadores?

Notou a “tradução”? Simplesmente o mesmo fato é repetido, mas mencionando uma esfera de responsabilidade que havia sido escondida na primeira afirmação.

Vamos a outro exemplo para você pegar o jeitão da coisa:

  • Gerente Sabonete: Não temos a equipe treinada em requisitos, e o cliente tem notado isso.
  • Coach: Deixe-me ver se eu entendi o que você acabou de me dizer. Mesmo tendo uma área corporativa responsável por treinamento, você esperou o cliente reclamar para tomar uma providência?

De novo, note que não há nenhuma desonestidade nesta “tradução”. Apenas está sendo exposta uma responsabilidade escondida de forma marota por alguém querendo fugir de sua responsabilidade.

Creio que esse recurso é o suficiente para que eu trate o texto de Napolitano, selecionando as partes mais divertidas. (A diferença é que desvelarei não apenas fugas de responsabilidade, como também desvios e demais inconsistências)

Comecemos:

E se eu lhe disser que você só pode votar porque seu voto não faz diferença?  E se eu lhe disser que, não importa em quem você vote, a mesma elite política, os mesmos lobistas, e os mesmos grupos de interesse sempre estarão no comando?  E se eu lhe disser que o conceito de uma pessoa/um voto era apenas uma ficção criada pelo governo e por esses grupos de interesse para induzir a sua complacência?

O que ele está querendo nos dizer é que, mesmo com toda a noção de voto ser a maior inimiga dos tiranos, em termos históricos, há uma prova em contrário disso. Prova que não foi apresentada, diga-se, de passagem. Ele também nos diz que essa “ficção”, segundo ele, surgiu para ajudar uma “elite política, lobistas e grupos de interesse”, mas não mostrou como esses grupos deixariam de existir com o fim da democracia. Como sabemos, as civilizações que mais evoluíram no Ocidente foram as mais democráticas, mas se isso é apenas uma “ficção” como ele explica o fato das ditaduras ficarem para trás? As teorias de Napolitano não começam bem.

E se você descobrir que a democracia, em seu formato atual, é extremamente perigosa para as liberdades individuais?  E se você descobrir que a democracia desvirtua totalmente o conceito que as pessoas têm de direitos naturais, fazendo com que elas passem a acreditar que tomar a propriedade alheia é um “direito adquirido”?

Ele está querendo nos dizer coisas importantíssimas acima. Para começar, ele diz que o conceito que as pessoas têm a respeito da propriedade pode ser influenciado por pessoas que pensem o contrário dele (aliás, eu respeito o direito à propriedade tanto quanto Napolitano). Então, Napolitano nos diz de duas coisas uma: (1) ou a ideia que ele defende não é válida, em termos de “venda” de ideias, (2) ou ele não está disposto a convencer as pessoas de que é útil ter sua ideia. Ou seja, ou ele defende uma ideia ruim ou diz que não está “afim” (ou não tem condições) de lutar por sua ideia.

E se você descobrir que, se o número de pessoas que for às urnas para votar a favor de uma medida criada pelo governo (como em um referendo) for maior do que o número que for votar contra, a democracia permite que o governo faça tudo o que ele quiser?

Aqui ele nos diz que se o povo escolhe algo via referendo ou votação, essa escolha pode beneficiar o governo, e, portanto é um problema. Me parece que o risco de “perder a contenda” o incomoda bastante, se eu compreendi direito o que ele quer nos dizer. É a famosa teoria do tapetão, que deveria fazer qualquer um de seus proponentes morrerem de vergonha.

E se você descobrir que o propósito da democracia moderna é o de convencer as pessoas de que elas podem prosperar não pelo trabalho e pela criação voluntária de riqueza, mas sim pela apropriação da riqueza de terceiros?

O que está querendo nos dizer é que o “propósito da democracia moderna” é o mesmo que “propósito da esquerda moderna”. Fica claro que ele nos diz que a esquerda moderna convenceu as pessoas de que “apropriar riqueza de terceiros” era melhor, enquanto ele e seus amigos não tiveram condições ou vontade de fazer o mesmo convencimento em direção oposta. Aqui já é o suficiente para notarmos que Napolitano omite sua responsabilidade (ou de pessoas que pensam iguais a ele) a todo momento.

E se eu lhe disser que a única maneira moral de adquirir riqueza é por meio da atividade econômica voluntária?  E se eu lhe disser que o governo é capaz de persuadir as pessoas de que é perfeitamente aceitável adquirir riqueza por meio da atividade política?

O que ele está querendo nos dizer aqui é que a única maneira moral de adquirir riqueza, sendo por meio da atividade econômica voluntária, não tem sido bem defendida no mercado de ideias por pessoas iguais a ele. Mais ainda: ele nos garante que a aquisição da riqueza por meio da atividade política é um mal em si, mas não nos diz como superar a política para eliminar a democracia.

E se eu lhe disser que a atividade política inclui todas as coisas parasíticas e destrutivas que o governo faz?  E se eu lhe disser que o governo jamais é capaz de criar riqueza?  E se eu lhe disser que tudo o que governo possui adveio do roubo de cidadãos produtivos?

Ele segue nos dizendo que a atividade política é um mal em si, mas não consegue nos dizer como ele poderia fazer a ideia de eliminação da democracia prosperar se não for pela seara política. Ele nos diz que Carl Von Clausewitz estava errado ao dizer que a guerra é apenas a continuação da política por outros meios. Ele nos diz que o governo é incapaz de gerar riqueza, mas a maioria dos nossos governos tem garantido o direito de propriedade, fundamental para geração de riqueza. Ele nos garante que uma sociedade sem governo (não testada ainda) pode se proteger suficientemente das ameaças externas, logo, seríamos menos “roubados” sem governos. Ele também nos diz que não tem condições ou vontade de convencer as pessoas a votarem por “redução do roubo” governamental.

E se você descobrir que a ideia de que precisamos de um governo para tomar conta de nós não passa de uma ficção que foi exitosamente perpetrada para aumentar o tamanho e o poder do estado?  E se você descobrir que o objetivo dos políticos e burocratas que ocupam o governo é expandir seu controle sobre a população?

Ele, que gosta de apontar ideias da democracia como “ficção criada para enganar os outros”, provavelmente deve gostar de ler ficções científicas como jornais falando de programas de austeridade na Zona do Euro e até na Suécia. Ele quer nos dizer que se o objetivo de políticos e burocratas é só expandir seu controle sobre a população, os programas de austeridade da Suécia e da Europa devem ter ocorrido em uma dimensão paralela. Talvez é lá onde os guardiões da galáxia devem lutar…

E se você descobrir que essa mistura de governo inchado e democracia gera dependência?  E se você descobrir que, tão logo esse tal ‘governo democrático’ cresce, ele começa a enfraquecer as pessoas, acabando com sua auto-suficiência?  E se eu lhe disser que um governo inchado destrói a iniciativa e a motivação das pessoas, e que a democracia as convence de que a única motivação de que precisam é ‘votar certo’ e aceitar os resultados?

O que ele está nos dizendo é que essa mistura de governo inchado e democracia tem gerado uma dependência de discursos depressivos que não convencem as pessoas a optar pela liberdade. Pelo que se nota, ele nos diz também que se as pessoas são enfraquecidas, isso deve se expandir a ele e seus amigos, incapazes de convencê-los a se tornaram auto-suficientes. Novamente caímos naquela situação onde temos das duas uma: (1) ou a ideia dele é indesejável, (2) ou ele não tem vontade ou disposição em quantidade suficiente para convencer as pessoas. Ele parece nos dizer que o governo inchado destrói a iniciativa e a motivação dele e seus amigos para convencer as pessoas a votar certo em direção às suas ideias, as quais prejudicariam os burocratas do estado inchado.

E se eu lhe disser que o homicida Josef Stalin estava certo quando disse que a pessoa mais poderosa do mundo é aquela que conta os votos?  E se você descobrir que os votos que realmente contam ocorrem em segredo, atrás dos bastidores?

Para quem gosta de usar o truque dizendo que “os outros acreditam em ficção criadas pelos outros”, Napolitano quer nos dizer que existe “pessoas de um lado contando os votos” ao invés de grupos multi-partidários? Ele também quer nos dizer que os votos que realmente contam estão tão em segredo (atrás dos bastidores) que ninguém sabe disso. Só ele. Deve ter visão de raio-X. Mas por que ele não revela para todo mundo então? Ou está com preguiça?

E se eu lhe disser que o problema da democracia é que a maioria se acredita apta a ‘consertar o que está errado’, a criar qualquer tipo de lei, a tributar qualquer tipo de atividade, a regular qualquer tipo de comportamento, e a se apossar daquilo que mais lhe aprouver?  E se o maior tirano da história estiver hoje entre nós?  E se esse tirano tiver o apoio da maioria?

Ele está querendo nos dizer que há excessos acatados ou apoiados pela maioria (no que ele está certo), mas omite o excesso de letargia de quem contradiz esses excessos. Pelo que se pode assimilar do que discursa Napolitano, a culpa está nos “convencidos” e não nos convencedores. Clara inversão de valores. Segundo ele nos diz bem claramente, se o maior tirano da história estiver hoje entre nós, pessoas que lutam contra a tirania fugirão da responsabilidade de denunciá-lo ao povo. Alias, eu prefiro muito mais um tirano avaliado enquanto ainda temos uma democracia do que sob uma ditadura…

E se o governo for astuto o bastante para ludibriar os eleitores, de modo que estes passem a defender e justificar tudo o que o governo quiser fazer?  E se o governo comprar o apoio das pessoas por meio de benesses que ele distribui?

Só posso entender que Napolitano nos diz que o “governo” (inimigo dele, e, se for baseado em um estado inchado, meu também) é mais astuto que ele para ludibriar os eleitores, e portanto tudo o que o governo quiser fazer, fará. Ele também nos diz que se o governo comprar o apoio das pessoas por meio de benesses que distribui, que isso não será denunciado em quantidade suficiente por ele e seus amigos. Até o momento, não temos um “caso contra a democracia’, mas contra a letargia racionalizada de pessoas que não querem jogar o jogo democrático.

E se eu lhe disser que uma república vibrante depende não do processo democrático da votação, mas sim de eleitores informados e ativos, que entendem corretamente os princípios da existência humana, dentre eles a posse inalienável de direitos naturais?

Ele está nos dizendo não ter condições ou disposição (e o mesmo vale para seus amigos) de convencer a pessoas, democraticamente, que respeitar os direitos naturais é um imperativo.

E se eu lhe disser que podemos nos libertar do jugo do estado interventor, mas que os defensores do establishment não querem isso?

Ele está querendo nos dizer que um vendedor de idéias de “liberdade” ao mesmo tempo está discursando contra a democracia, omitindo o fato de que a monarquia caiu exatamente por uma demanda por… democracia.

E se eu lhe disser que o governo será o mesmo não importa quem vença as eleições?

Aqui a mensagem é especial para quem está no Brasil: Napolitano nos diz que se o PT perder, todos os projetos do PT (inclusive os bolivarianos) continuam pois “o governo não será o mesmo não importa quem vença as eleições”. Esse é o problema das racionalizações furadas: sempre encontramos o “gap”…

 

E se eu lhe disser que existe apenas um grande partido político, o qual é subdividido em duas alas, social-democrática e socialista?  E se eu lhe disser que este partido único criou leis eleitorais que tornam praticamente impossível o surgimento e o sucesso de uma concorrência política?

Ele está nos dizendo que o Partido Republicano, que lutou contra o ObamaCare, ou é social-democrata ou socialista. Fantástico.

E se você descobrir que o sucesso do governo depende de sua habilidade de fingir e enganar?

Napolitano está nos dizendo que o sucesso do governo depende da leniência dele e seus amigos em relação aos fingimentos e enganos do governo, sendo que cada vez que esses engodos fossem denunciados (com uso do escracho) inclusive, existiria capitalização a favor dos opositores. Mas ele bate o pézinho e não quer aproveitar as oportunidades…

E se você descobrir que o governo é bom em fazer os outros acreditarem? E se você descobrir que o governo fez o povo acreditar que os políticos são servidores do povo?

Ele está nos dizendo que é ruim em fazer os outros acreditarem na validade de sua proposta. Alguns céticos diriam que a proposta específica dele pode ser ruim. Ou é mal defendida. Em tempo: eu não acho que os políticos são servidores do povo. Mas acho que podemos escolher os melhores ou piores de acordo com nossos interesses. Ele quer nos garantir que não podemos fazer isso.

E se você descobrir que o governo fez o povo acreditar que a maioria democrática nunca erra?  E se eu lhe disser que a tirania da maioria é tão destrutiva para a liberdade humana quanto a tirania de um indivíduo louco?

Aqui ele nos diz que “o governo fez o povo acreditar que a maioria democrática nunca erra”, mesmo que na verdade o que havia sido dito é bem diferente, que a vontade do povo é soberana. Mas é importante quando Napolitano diz que aqueles com ideias destrutivas convencerão mais o povo do que ele e seus amigos farão. A mensagem que ele sub-comunica é bem clara: ele não tem competência ou vontade na mesma quantidade que “os destruidores” no momento de convencer a plateia.

O que você faria?

Em relação a tudo que Napolitano diz? Eu avisarei ao maior número de pessoas que gostam de política para não confiarem em qualquer discurso “anti-democracia” que venha de supostos opositores da esquerda. Todos estes discursos, como pudemos ver, transitam entre a fuga da responsabilidade nojenta e a racionalização baseada em espantalhos.

Ademais, como eu posso confiar em pessoas que defendem fuga de responsabilidade? Fico imaginando se não tivermos mais uma democracia. Qual seria a elite que ficaria no poder, sem poder ser retirada por meio do voto? Espero que Napolitano não participe desta cúpula, pois se ele nem assume sua parcela de responsabilidade pelo fato dos adeptos da tirania chegarem vez por outra ao poder, como podemos confiar nele?

Se este é o texto “desafiador” para atacar o conceito de democracia (e dar sustentação a direitismos depressivos, que não passam de fuga para não se fazer absolutamente nada), confesso que estou profundamente decepcionado.

Eu prefiro que um bando de sacos de lixo cheguem ao poder e, de vez em quando, tenhamos chance de mudar o lixo, do que perder essa chance ao rejeitarmos a democracia.

Sabe como é: o nosso cesto de lixo deve ser trocado sempre que possível, senão a coisa começa a feder demais. Por isso que, mesmo com seus defeitos (os quais eu reconheço), sabemos que qualquer outra opção além da democracia é inaceitável. Não vale nem como piada.

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44 COMMENTS

  1. Eu já tive o desprazer de ter uns ‘debates’ acalorados por lá (no Mises) por conta desta senda que libertários estão trilhando.

    Resumindo: eles estão se tornando (se é que já não se tornaram) o alter ego do maior inimigo deles: o Estado. Mas eles estão cegos demais para perceberem isso. A existência dos libertários está se tornando um vácuo tão grande que já não é mais possível ver onde terminam os socialistas e onde começam os libertários.

    Eles estão se tornando tão tiranos quanto o maior inimigo deles. Lamentável.

    • O problema dos libertários não são as análises que eles fazem, são as propostas para resolver o problema, além da visão de que o mercado pode regular tudo. Isso era algo que o Constantino tinha e que vivia discutindo com o Olavo de Carvalho até ver a merda em que estamos afundados e se deu conta de que sem uma construção moral da sociedade não adiante ter um mercado livre.
      No final das contas este pessoal libertário não se deu conta que acaba fornecendo mais força para o movimento revolucionário do que combatendo.

      • Pessoal, eu era um desses anarcotários. Fiquei maravilhado com a tal praxeologia e com a coerência lógica das proposições libertárias. Entretanto, quando comecei a estudar movimentos revolucionários, comecei a sentir uma estranha semelhança entre os liberais radicais (os libertários) e todos os outros grupos revolucionários, mas ainda não conseguia definir o que consistia isso.

        Até que comecei a ler sobre ideologias. Aí a ficha caiu. O libertarianismo é só mais uma IDEOLOGIA política, ou seja, um corpo de ideias que visam alcançar o paraíso terreno, sem conexão com a realidade.

        Eles SEMPRE dizem “que a liberdade cuidará de tudo”, deixando ao futuro o julgamento e a avaliação das suas ações. Coisa que Marx adorava fazer.

        Alguns têm uma concepção extremamente materialista do mundo. Tudo se resume a problemas econômicos e ao cálculo econômico. Esses são os burros e mais parecidos com os socialistas.

        Outros são mais fanáticos. Eles incorporaram a defesa “moral” do libertarianismo, principalmente de sua única norma, o PNA. Esses são os talebans. Qualquer um que não seja tão extremista quanto eles é visto como inimigo, tirano e escravizador. O eufemismo para seus oponentes é “estatista”.

        Mais uma característica de ideologias: extremismo, não ter chance de fazer alianças, diálogos.

        Até agora eles (os libertários) não passam de um grupo que passa o tempo fazendo masturbação mental de seu “mundo perfeito” sem estado, e de quebra servindo de testas-de-ferro dos socialistas, defendendo ideias que só têm chance alguma chance de sair como eles pregam num mundo completamente diferente do atual, sem o amplo domínio dos revolucionários.

        Tudo isso me afastou deles e de sua ideologia. Eu consigo perceber, agora, que o maior dano que um homem pode fazer a si mesmo e aos outros é se afastar da realidade, é sonhar para depois querer “transformar”, ao invés de ver, aprender e depois pensar em melhorar as coisas.

      • João Marcos: perfeito seu comentário. Não podia ter dito melhor.

        É exatamente o que eu penso. E foi exatamente a sua percepção que fez afastar-me do movimento libertário, pois, como você mesmo disse: é mais uma dessas ideologias que afastam as pessoas da realidade.

        Eu estou cada vez mais convicto de que é como Ayn Rand comentou em a ‘Revolta de Atlas’, através do personagem John Galt: a crise moral/cultural do mundo atual é derivada de um grande afastamento da realidade, crise essa provocada pelos ‘místicos’.

    • Já li há algum tempo… ele é um tanto inconvincente, pois foca no excessivo poder que os estados tendem a aumentar (se esquecendo que há um limite para isso, e comparação com outros estados), além da ATUAL incapacidade da direita usar frames para combater o inchaço estatal. Assim, a proposta de “superação da democracia” é bem menos viável do que adentramento de fato à guerra política por parte de quem não gosta do estado inchado.

  2. O problema de boa parte deste texto anti-democracia é fazer a mesma confusão que a esquerda faz: Dizer que democracia é APENAS a escolha da maioria. Esta crença ignora que para haver democracia deve haver livre circulação da informação e da escolha, ou seja, para haver democracia tem que haver alguma liberdade.

  3. Outra coisa que notei bem nos libertários-anarcocapitalistas nesses tempos em que venho estudando religiões políticas: um enorme desconhecimento das noções mais básicas de arquitetura e urbanismo. Vejo os caras defendendo cidades coalhadas de arranha-céus, em uma mostra psicológica de algo grandioso que fique para sempre e chame a atenção mesmo que em ruínas. Isso de cara lembra bastante a história das obras grandiosas que surgiram nos governos da Cortina de Ferro e do nazismo, com a diferença aqui de essas obras serem feitas pela iniciativa privada aproveitando-se de códigos habitacionais que permitam obras que se elevem para além de onde a vista der.
    Esquecem-se esses caras que áreas com muitos prédios altos têm seu regime de ventos alterado violentamente, além de você adensar muita gente em pouco espaço, gerando uma série de problemas. Também não notam que é quebrado um clima propício para que uma vizinhança que se conheça mais se forme (vide o que ocorre em São Paulo em que por vezes você não sabe o nome de quem mora no apartamento do mesmo andar que o seu), que são geradas áreas que podem ficar permanentemente sombreadas e ilhas de calor.

    Eles acham ruim a existência de diferentes tipos de zona de construção, sem notar que as mesmas existem não só para que se tenha diferentes tipos de residência e comércio como também organizar detalhes importantes como a alocação de empresas poluentes para que estas estejam em algum lugar onde seu impacto seja minorado. Imagino eu que sequer notem que a existência de recuos nos terrenos, além de ser para facilitar a passagem de ar por uma quadra, servem também para que haja a segurança de evitar que o incêndio em uma construção se alastre para outra que esteja imediatamente ao lado, algo sabido desde a época dos romanos, que tiveram de aprender com o grande incêndio da capital de seu império.
    E também me pergunto se esses LAncaps prefeririam morar em uma cidade altamente verticalizada ou, caso nelas morem, escondam de todos o sonho de morar em uma vizinhança cheia de casinhas ou em uma das raras vilas que sobraram. Imagino eu que escondam bem isso, pois senão seriam chamados de algum equivalente ao que “caviar” é para marxistas-humanistas-neoateístas.

    Vejo também absurdos que eles propõem, como as tais ruas particulares em um nível muito além dos condomínios fechados que conhecemos. LAncaps propõem absurdos como cobrar pedágio para se passar por ruas, o que inclusive contraria o pressuposto de liberdade que eles tanto pregam, que tem de incluir obviamente a liberdade de ir e vir, algo que demanda corredores que sejam de uso comum por todos, o que inclusive está em consonância com a natureza animal que nós possuímos quando o assunto é aquilo que é moralmente neutro (a interação de territórios de animais sempre tem espaços de uso comum entre animais que marcam suas áreas, de maneira a que haja a circulação entre os muitos donos de territórios e a interação normal entre os indivíduos de uma mesma espécie).
    Também não notam detalhes importantes, como o preço de uma tarifa de transporte público ter de ser único para uma cidade inteira de maneira a não penalizar os pobres que porventura morem longe do lugar de trabalho e permitir a todos planejar melhor o impacto orçamentário de tal serviço, bem como o tal preço poder embutir vantagens como a possibilidade de baldeações sem custo. Também não devem notar que por vezes a administração pública tem algumas contas complexas em que por vezes é melhor tomar prejuízo no transporte porque o bem e as riquezas geradas em consequência dele acabam compensando largamente aquilo que se investiu no transporte. Esquecem-se de detalhes importantes como haver acessibilidade a todos, como o caso de se exigir que ônibus que operem em uma cidade tenham obrigatoriamente sistemas de acesso para que deficientes físicos também exerçam sua liberdade de ir e vir. E aqui estamos falando daquilo que é razoável se pedir.

    Por isso que acho importante monitorar não apenas os MHNs como também os LAncaps, pois enquanto os primeiros têm um conjunto completo de cultura que eles querem impor para substituir o conjunto existente, conjunto esse que é muito pior que aquele a que querem substituir, os segundos acham que a cultura se resume muito a algo atrelado à economia, sem terem qualquer outra proposta no ramo cultural que não o mantra de que a economia magicamente seria algo além do gerenciamento de recursos escassos. E neste caso, a vacuidade de propostas dos LAncaps para além da economia ou de achar que tudo é economia acaba sem querer podendo ser usada pelos MHNs para impor a cultura deles e nessa, derrubar e pasteurizar todas as culturas, acabando justamente com a variedade de conhecimentos que essas culturas possuem.
    Não falo aqui de sermos radicais e querer algo parado no tempo para todo o sempre, seja para cidades ou culturas, mas sim sabermos reter e descartar o que haja de bom ou ruim em vez de jogar fora tudo aquilo que foi conseguido antes para nos tornarmos cobaias de algo que só existe na cabeça de um ideologizado qualquer que crê ser a imposição de sua utopia a solução dos problemas da humanidade, mesmo que na prática crie problemas que não existiam antes de ser implantada e gere mais problemas que por vezes sequer o utopista imaginou que existiriam por não ter uma visão de longo prazo que leve em conta aquilo que é normal e esperado na humanidade, fruto de muitos anos de estudo e experiência acumulada que vai sendo passada de geração em geração pelo contato interpessoal (isso a que chamamos de cultura).

  4. Luciano, você é bom no que faz. Escolheu convenientemente um texto que não se propõe a explicar nada, apenas a lançar idéias para chamar o leitor à pesquisa e reflexão a respeito delas, o expõe como sendo um texto que deveria ser explicativo, e por fim o “desmascara” pela sua incapacidade de explicar, demonstrar e propôr soluções (embora haja dezenas de textos que façam isso, mas você não quis escolher a nenhum deles, pois facilitaria aos leitores fazerem julgamentos sobre qual proposição – a sua ou a do autor – é melhor, ao invés de simplesmente comprar sua idéia). Palmas pra você.

    Eu acho interessante tudo o que os comentaristas falam sobre o libertarianismo porque eu me identifico UM POUCO com o que o pessoal alega ter passado, exceto que eu nunca consegui acreditar num mundo libertário como sendo o ideal, ou mesmo bom, pelo simples fato de a história nos revelar como o desejo de poder é inerente ao ser humano, e o exercício de poder através da violência ser sempre uma alternativa à qual recorrerão alguns dos que não o conseguirem exercer por outras vias. A única coisa que se aproxima da perfeição nos libertários é seu embasamento ético, mas infelizmente ele exigiria que a sociedade evoluísse muito no sentido de ensinar todas as pessoas a obedecerem o PNA.

  5. E se eu lhe disser, e se eu lhe disser e se eu lhe disser.
    Pode dizer o que quiser, mas provas que são boas nada.
    Esse texto é tão sério como os textos que dizem que o homem não foi à Lua ou que o 11 de setembro foi planejado pelos americanos (não duvido nada que muito anarco-capitalista tenha caido nesse último, já que envolve governo).
    Só para lembrar, o marxismo também tem como objetivo uma sociedade sem Estado.Olha aí quantas “maravilhas” ele criou.

  6. Há poucos dias mesmo eu li o texto que deu origem a essa refutação. Na oportunidade, fiquei com uma pulga atrás da orelha que é a mesma a respeito dos direitistas radicais que esquecem que o ser humano, muitas vezes, precisa de estímulo, apoio e orientação antes de ser capaz de chegar ao patamar do mérito. E é a questão: onde ficam os pobres e os ‘especiais’ nessa (muito bem definida por aqui) ideologia alter ego do seu maior inimigo, o Estado?!!

  7. Luciano, este foi o texto que escolheste para refutar? Convenhamos, este do Napolitado é um texto não muito profundo, com afirmações rasas para instigar reflexão…

    Você parte do princípio que estamos falando de uma democracia num país de primeiro mundo, onde existe o respeito para as instituições. O texto generaliza.

    Você diz que uma democracia num país de primeiro mundo leva a uma sociedade avançada. No entanto, democracias em quaisquer outros lugares não têm bons históricos. E mesmo assim, as democracias têm levado a uma concentração de poder cada vez maior, onde os candidatos que prometem tirar da minoria A para entregar a maioria B geralmente ganham, enquanto que os canditatos mais realistas só são eleitos quando a época é de crise.

    No mais Luciano, sob o ponto de vista da ética dos contratos e do direito natural, muita das suas afirmações não se sustentam. Por exemplo, o partido Republicado, nomenclaturas à parte, persegue o aumento do governo quase tanto quanto os democratas. Aqui, o ponto do Napolitano é que não existe nenhum partido defendendo a redução do estado ( no caso dos EUA, o autor era juiz por lá, se não me falha a memória ), e os dois partidos no poder impedem o surgimento de partidos concorrentes.

    Entenda da onde ele parte, Luciano: imposto é roubo, é uma violação do PNA e do jusnaturalismo. Se você não levar isto em consideração, sua crítica perde o propósito e erra o alvo.

    Se você procura um texto desafiador ( apesar de eu acreditar que suas críticas erraram o alvo, e as posições do Napolitano continuam ), procure no arquivo do IMB. O texto que você escolheu é um dos textos simples que são publicados de vez em quando para instigar o leitor.

    Coloco alguns abaixo, caso lhe interesse:

    A tragédia social gerada pela democracia
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1571

    A democracia não é a solução; é o problema
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=398

    Por que a monarquia é superior à democracia
    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=373

    Artigos sobre o assunto ‘Democracia’
    http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11

    Ps. Seu texto ficou longo, quem sabe outro leitor com mais tempo disponível ou com mais habilidade no teclado possa lhe responder linha por linha.

    Abraços.

    • Monarquia não impossibilita democracia. Os parlamentos, o 1o ministro como chefe de governo, a separação de poderes, tudo isso está lá. E não é isso que os ancaps querem. Eles querem o fim do jogo, seja na forma presidencial, seja na forma parlamentarista.

      Provavelmente pq são completos incapazes de jogar o jogo e o melhor que se faz é se afastar deles. Vai que é doença?

      • Não é não, Geronimo, é porque, se o ser humano fosse suficientemente civilizado (ou QUANDO o ser humano FOR suficientemente civilizado), esse jogo sequer deveria fazer parte da sociedade. Pelo menos no que tange a vida de todos. Cada um só deveria precisar cuidar da própria vida.

        Se isso fosse possível no mundo real, nossa civilização teria evoluído a passos muito mais largos, e talvez situações como a pobreza fossem exceções raras e temporárias em nosso mundo. Não é por incapacidade de jogar o jogo, é por entender que o jogo em si destrói muito mais do que constrói. No entanto, no mundo real, ele precisa ser jogado, para se conseguir alcançar realidades o menos destrutivas possível.

        Fazendo analogia, talvez você acuse de incompetência e doença pela sua incapacidade de compreensão das consequências lógicas e morais expostas, ainda que sirvam mais como ideal – um norte a ser perseguido – do que como guia de prática.

      • Ora Luciano, fiz breve um apanhado para ver se você capta a mensagem. Se quer refutar algo, refute a base do pensamento: a imoralidade da iniciação de agressão contra inocentes. Todo o arcabouço libertário é construído em cima disto. Se um ou outro autor comete um erro ou se excede, é correto extender a culpa a todos? Posso até fazer o jogo de alguns leitores daqui, dizendo que isto é tática de socialista, colocar toda uma multidão num mesmo saco por causa dos ( supostos ) erros de uns…

        Mas sim, Hoppe é um dos melhores ( no sentido de mais prolífico e mais profundo ) autores libertários na atualidade. Se conseguir escrever uma refutação convincente aos escritos deles, será um feito e tanto. Se conseguir refutar a base do pensamento libertário, melhor ainda.

        Ps. Em geral, os artigos do Mises são resumos de obras inteiras, ou capítulos extraídos das mesmas. Por isto as vezes pode parecer que o autor foi “preguiçoso”: a explicação de um eventual argumento se encontra em outro artigo ou capítulo.

        Abraços

  8. nao ha uma opcao melhor do que a democracia.
    simplesmente apontar os defeitos da democracia nao ajuda em nada.
    quero ver algum desses libertarios radicais, anarco capitalistas, desenvolverem uma forma de regulacao possivel, algum meio para a convivencia social.
    nao existe.
    eles se interessam apenas em dizer que a democracia eh fajuta.
    mas o que colocar no lugar de democracia?
    como fazer sem uma democracia.
    eles nao sabem e nao parecem se interessar por isso.

      • E o que significa “o mercado proverá”? Já parou para pensar no que isso quer dizer?

        O mercado nada mais é do que pessoas fazendo trocas voluntárias. Quando alguém responde “o mercado proverá” está dizendo que a solução pode ser encontrada sem se recorrer à coação de pessoas pacíficas, ou seja, nós, seres humanos, podemos arranjar uma solução para um problema X ou Y sem precisar sair descendo o sarrafo em quem não fez mal a quem quer que seja.

        Você realmente acha isso comparável ao fanatismo religioso dos marxistas? Você pode até achar, mas saiba que a cooperação voluntária sempre produziu melhores frutos do que uma bota no pescoço. E sempre vai produzir.

        Parafraseando o Stephen Hawking, o mercado vencerá porque funciona.

  9. Luciano, que decepção! Que lixo de teste é esse? Perdão pela palavra mais forte; foi inevitável.

    Com exceção desse trecho “Ele segue nos dizendo que a atividade política é um mal em si, mas não consegue nos dizer como ele poderia fazer a ideia de eliminação da democracia prosperar se não for pela seara política.” eu discordo de todo o resto. Mas que resto, né? Tudo que você fez foi dizer que o autor é preguiçoso. Não refutou um argumento.

    Vou tentar te explicar uma coisa que pelo visto você ainda não entendeu: libertários não são conservadores ou “de direita”. Continue criticando-os que ficará ainda mais fácil de as pessoas perceberem isso.

    Por fim, peço que continue a colocar fermento no bolo libertário. Quando Reinaldo Azevedo e Paulo Henrique Amorim seguirem os seus passos teremos certeza do sucesso do movimento.

    Abraços.

    • Rafael,

      Minha ideia não era basicamente “refutar”, mas complementar com INFORMAÇÕES QUE ELE HAVIA OMITIDO na pergunta dele.

      Quando alguém diz que “o povo não vai saber escolher”, está escondendo a informação de que “ele e os que estão do lado dele não terão condições ou disposição para convencer o povo do contrário”.

      Releia sob esse prisma para ver que minha intenção foi basicamente mostrar esse tipo de informação no conteúdo de Napolitano.

      Abs,

      LH

      • No comentário anterior, onde consta “teste” leia-se “texto” e onde houver desse trecho leia-se deste trecho.

        Pois bem, Luciano.

        O texto de Napolitano, embora seja muito bom, não tem a pretensão de exaurir o tema. O autor busca por meio de perguntas (inéditas para a maioria dos leitores) instigar o leitor a questionar o funcionamento do sistema democrático moderno. Quem se interessar pelas indagações sobre uma verdade até então absoluta, com certeza, procurará novas fontes e, aí sim, se aprofundar.O autor propõe também, ainda que de passagem, pois em tão apertadas linhas, um novo modelo. Nesse, não valeria mais a máxima um homem, um voto, mas um homem, um estado. Em outras palavras, anarquismo. Não tenho intenção de defendê-lo nestas linhas, quero deixar claro.

        Não acho que a tese dele é tão simplória quanto “já que o povo não saberá escolher de que adianta continuar a tentar convencê-los”. O buraco, creio, é bem mais embaixo.

        Ainda aguardo você bater em alvos menos fáceis, quero ver o que pensa das ideias libertárias minarquistas mainstream, as que estão a conquistar o Partido Republicano. Seu primeiro alvo foi o mais controverso no meio libertário, o C4SS e os left-libs, seu segundo alvo tem uma envergadura maior, porém está longe de ser uma unanimidade, o fim do Estado e da democracia. Espero ansiosamente.

        Abraços.

  10. Mancada em escolher o Andrew Napolitano para chamar de “irresponsável” na luta política, que foge da batalha e etc. O cara fez muito mais pela liberdade NA PRÁTICA e para expor a esquerda do que todos nós juntos.

    • Homeless,

      Eu não nego isso. Eu não o chamei de “irresponsável”, disse que ele NÃO ASSUME A RESPONSABILIDADE pelos erros dele e seus amigos na hora do confronto de ideias, e depois vem reclamar da democracia.

      O problema não é com a democracia, mas sim quem não consegue exercer sua vigilancia adequadamente.

      Abs,

      LH

      • Luciano, apoiar a democracia não legitima quaisquer resultados das ações dos governantes? Pela lógica da sua última afirmação, dá pra colocar a culpa do holocausto nas vítimas, que não se mobilizaram eficientemente para remover o representante eleito democraticamente…

      • Catarinense,

        Eu não disse que legitima as ações dos governantes, mas legitima a chegada deles ao poder.

        E o que eu estou dizendo é uma conclusão óbvia.

        Se você participa de um campeonato e tem um time que ganha 10 torneios seguidos, será que o problema está nas regras do torneio ou em sua incapacidade de montar um time para ganhar também?

        A culpa da vitória de Hitler deve ser compartilhada com os ADVERSÁRIOS de Hitler.

        Abs,

        LH

      • A chegada de alguém ao poder só pode ser legítima se você considerar que a própria existência deste poder é legítima. E para tal, precisa considerar que o meio que este poder utiliza para existir, neste caso, a agressão contra inocentes ( ou ameaça ), é legítimo.

        Não há como considerar que seja legítimo alguém ser escolhido para ocupar tal posição, não importa por quem.

        Não estou sendo chato: o ponto de toda ótica libertária é esta: é justo alguém, ou um grupo de pessoas, agredir, ou ameaçar outro alguém ou outro grupo, sob o pretexto que for?

        Ps. Sua afirmação sobre a vigilância na democracia é semelhante a dizer que a culpa de um estupro seria da vítima – neste caso, ela não teria se mobilizado o suficiente para convencer a polícia da ameaça existente.

        Ps2. Se as regras forem justas, a culpa seria minha. Se não forem, não. Na política, as regras nunca são justas.

      • Eu entendo que chegar pelo voto dá uma legitimidade À CHEGADA DE ALGUÉM AO PODER. Em relação à “agressão contra inocentes” falamos de um aspecto moral, não legislativo. Esse contínuo equívoco entre ética e sistema político viável é um absurdo que alguns libertários cometem.

        Em relação a ser “justo” agredir alguém, sob qualquer pretexto, isso tudo depende do que falamos.

        Em relação a questão do estupro, se assumirmos que estamos em um cenário onde ela está “por conta dela”, sim, ela pode ser questionada em relação aos riscos em que se envolveu. A questão é que vc cometeu aqui uma falsa analogia: a vítima de um estupro com um estuprador. Mas temos OPOSIÇÃO e SITUAÇÃO, que tem a fala, as estratégia, os frames a serem utilizados.

        Quem optou DELIBERADAMENTE por historicamente não se envolver em guerra política foram os adversários da esquerda.

        Por isso existe esse ressentimento com a democracia.

        Há um ponto interessante:

        Se as regras forem justas, a culpa seria minha. Se não forem, não. Na política, as regras nunca são justas.

        Por que as regras não são justas? Quais seriam as regras justas?

        Abs,

        LH

      • Boa tarde Luciano, todo o sistema político como o conhecemos é baseado na agressão contra inocentes: eu não posso me abster de pagar impostos.

        Concordo com você que, idealmente, as pessoas de bem não deveriam se omitir quanto à face do mal. Mas o próprio fato delas serem corretas as afasta do diálogo político, pois a natureza deste é completamente oposta a da pessoa honesta, como você bem sabe: a esquerda vive de jogar sujo.

        O próprio jogo político nas democracias afasta naturalmente as pessoas boas e atrai as ruins. Você deve ter lido o livro do Tuma Jr. sobre o que acontece com quem se atreve a desafiar o status quo. Imagine se uma família, dona de uma empresa que existe à gerações, vai se expor a este risco, de denunciar um político – que em 4 anos, no máximo 8 vai embora – e sofrer retaliações que podem acabar com seu longevo negócio? Naturalmente, eles vão ou se omitir ou se aliar.

        Neste sentido, o argumento de Hoppe a favor das monarquias faz todo o sentido.

        Na política, as regras não são justas, pois obriga todos a se envolverem, mesmo quem não quer, não pode ou não tem condições, sob pena de encorrer em terríveis penalidades – por exemplo, um empresário de classe média que luta para tocar a sua empresa, e não tem tempo nem energias para se envolver no debate político, embora ele seria extremamente beneficiado, caso participasse com sucesso, ou extremamente prejudicado, caso perca ou não ocnsiga se defender.

        O jogo político é, por natureza, “ajeitado” ( a palavra mais correta seria ‘rigged’, me falta uma palavra em português para o termo ) para os grandes players se manterem no topo, e se assegurarem cada vez mais por lá. O BNDES dá dinheiro de graça para estes. Agora, se um pequeno ou médio for pedir…

        Hoppe em “Uma teoria de socialismo e capitalismo” e Hayek em “o Caminho da Servidão” exploram bem esta questão, sobre como as democracias, cedo ou tarde, viram governos fascistas/corporativistas ( são sinônimos ).

        A democracia tem um custo muito alto para a sociedade. Imagine se toda a energia e recursos empregada nas disputas eleitorais, lobbys e tempo para se ajustar a cada novo desmando do novo governante fosse empregada em outros assuntos mais produtivos?

        Mas isso tudo é um exercício de pensamento. Claro que, no mundo que vivemos, a melhor solução ao nosso alcance é lutar no jogo político. Mesmo que historicamente, quase todas as sociedade que mudaram para melhor só o fizeram depois de atingir o fundo do poço, mas o preço sempre foi alto demais para esperar que este seja o agente de mudança.

        Quem sabe com a internet possamos conseguir as mudanças sem precisar passar pelo estágio de convulsão social?

      • Catarinense
        Boa tarde Luciano, todo o sistema político como o conhecemos é baseado na agressão contra inocentes: eu não posso me abster de pagar impostos.
        Essa é uma discussão interessante, e pode ser levada à frente com a proposta de impostos opcionais, ou “state as a service”, como já tratei por aqui.
        Mas o próprio fato delas serem corretas as afasta do diálogo político, pois a natureza deste é completamente oposta a da pessoa honesta, como você bem sabe: a esquerda vive de jogar sujo.
        Eu já entendo como moralmente incorreto, A PARTIR DO MOMENTO em que sabemos do jogo sujo da esquerda, nos omitirmos no desmascaramento deles. Não há uma boa justificativa para não empreendermos uma luta política contra eles.
        É assim: em uma empresa há fraudadores. E há auditores. A dependência dos fraudadores no jogo sujo não dá uma justificativa para a complacência diante da vitória dos fraudadores.
        O próprio jogo político nas democracias afasta naturalmente as pessoas boas e atrai as ruins. Você deve ter lido o livro do Tuma Jr. sobre o que acontece com quem se atreve a desafiar o status quo. Imagine se uma família, dona de uma empresa que existe à gerações, vai se expor a este risco, de denunciar um político – que em 4 anos, no máximo 8 vai embora – e sofrer retaliações que podem acabar com seu longevo negócio? Naturalmente, eles vão ou se omitir ou se aliar.
        Mas esse é o problema central: pela OMISSÃO DELIBERADA da direita na guerra política, hoje bastou o ressentimento, e entendo que os discursos anti-democracia são baseados na ideia de que um lado que tinha a RESPONSABILIDADE de ir para a guerra política, não assumiu esta responsabilidade suficientemente. Pessoas como Tuma Jr. são vítimas disso.
        Neste sentido, o argumento de Hoppe a favor das monarquias faz todo o sentido.
        Se nós desenvolvemos uma cultura hoje na qual “temos que esperar”, então a monarquia pode ser o pior dos mundos. Mas isso eu tratarei em meu texto.
        Na política, as regras não são justas, pois obriga todos a se envolverem, mesmo quem não quer, não pode ou não tem condições, sob pena de encorrer em terríveis penalidades – por exemplo, um empresário de classe média que luta para tocar a sua empresa, e não tem tempo nem energias para se envolver no debate político, embora ele seria extremamente beneficiado, caso participasse com sucesso, ou extremamente prejudicado, caso perca ou não ocnsiga se defender.
        A comparação é indevida. Empresários existem na esquerda e na direita. Quem tem que agir é o INTELECTUAL ORGÂNICO, e se um lado tem vencido com mais facilidade, a OMISSÃO do outro lado deve ser questionada.
        O discurso dizendo “não há tempo para fazer isso” também é extremamente problemático.

        O jogo político é, por natureza, “ajeitado” ( a palavra mais correta seria ‘rigged’, me falta uma palavra em português para o termo ) para os grandes players se manterem no topo, e se assegurarem cada vez mais por lá. O BNDES dá dinheiro de graça para estes. Agora, se um pequeno ou médio for pedir…
        Este texto explica a tendência humana de encontrar “agentes responsáveis” quando a coisa não é bem assim: http://lucianoayan.com/2013/05/05/padronicidade-e-agencialidade-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-o-ceticismo-politico/
        Por exemplo, o BNDES dá dinheiro de graça para estes players por que não há pessoas do outro lado LUTANDO PARA LIMITAR a ação do BNDES.
        Hoppe em “Uma teoria de socialismo e capitalismo” e Hayek em “o Caminho da Servidão” exploram bem esta questão, sobre como as democracias, cedo ou tarde, viram governos fascistas/corporativistas ( são sinônimos ).
        Minha interpretação vai em outro sentido: é evidente que a esquerda optou por jogar o jogo político, e a direita não investiu esforços nisso. Por isso defendo que se lute para recuperar o tempo perdido. Mas ao usar o frame “democracia não funciona”, alguns da direita (e eu chamo os libertários de direitistas, e vou dizer o por que em um post sobre isso tb) AJUDAM A CONSTRUIR O PODER PARA A ESQUERDA.
        Leia um tanto sobre profecia auto-realizável e entenderá do que falo.
        A democracia tem um custo muito alto para a sociedade. Imagine se toda a energia e recursos empregada nas disputas eleitorais, lobbys e tempo para se ajustar a cada novo desmando do novo governante fosse empregada em outros assuntos mais produtivos?
        Parece que depois do advento do estado moderno e da democracia, temos sido muito mais produtivos. Ao que parece, essa “tensão” tem gerado resultados…
        Mas isso tudo é um exercício de pensamento.
        Essa é uma de minhas críticas também a esse tipo de approach. Eu sou adepto da ação prática com base nos fatos, de forma pragmática. Podemos tender mais à direita (como eu) e à esquerda, mas os resultados vem com um misto de pragmatismo e realismo. Recomendo ler John Gray, que fala um tanto disso.
        Claro que, no mundo que vivemos, a melhor solução ao nosso alcance é lutar no jogo político. Mesmo que historicamente, quase todas as sociedade que mudaram para melhor só o fizeram depois de atingir o fundo do poço, mas o preço sempre foi alto demais para esperar que este seja o agente de mudança. Quem sabe com a internet possamos conseguir as mudanças sem precisar passar pelo estágio de convulsão social?
        Eu também espero que sim.

      • Luciano, eu não defendo a postura das pessoas que escolhem não lutar, apenas fiz uma análise do por quê do cidadão comum não se interessar pelo jogo político. Talvez faça parte da natureza humana ( a aceitação de sua condição ), seja consequência da rotina desgastante da maioria das pessoas, ou até mesmo culpa do próprio arranjo democrático – afinal, não é o trabalho destas pessoas, existem outras que foram colocadas lá no poder justamente para isto, defender os ideais do povo.

        Entender o jogo político requer esforço intelectual. Se o brasileiro comum E o brasileiro “burguês” mal conseguem pagar as contas do mês, como irão conseguir dedicar tempo para empreender este tipo de esforço?

        Eu não defendo o tipo de comportamento de quem se omite, mas entendo completamente as razões. É outro ponto negativo para a democracia, pois põe todos no mesmo barco.

        A respeito da monarquia, o que eu quis dizer é que o político profissional, que busca o poder para enriquecer através dos lobbies, favorecimentos e chantagens não vai ter vez, pois o monarca está lá, teoricamente, para proteger os interesses da nação ( claro, sou bastante crítico a esta visão também, se você procurar meus comentários no artigo do Mises verá que tive longas discussões com monarquistas ). Mas neste aspecto, a monarquia é superior. Claro, podemos debater sobre o problema de um mau monarca, que foi uma das razões que a democracia surgiu, mas nesta questão do político que busca o poder pelo poder, a monarquia vence.

        Concordo com você que os libertários são de direita, mas historicamente, os direitistas sempre foram contra o estado como o conhecemos hoje. Eles sem dúvida não enchergaram a mesma oportunidade que a esquerda, pois desde o princípio, enquanto o direitista via no governo um meio para melhorar a sociedade, o esquerdista via um método de obter poder sobre os outros. Desde aí a luta já foi desleal.

        Basicamente este é meu ponto, e creio que você concorda comigo: a direita está naturalmente em desvantagem, pois esta é composta de pessoas “boas” ( que não buscam o poder pelo poder, nem julgam saber o que é melhor para a vida dos outros: inocentemente acreditam na função do estado de prover o bem da sociedade ), enquanto que os esquerdistas só querem saber do poder de mandar na vida dos outros. Claro, isto de uma forma geral.

        Num dado momento do século XX, os esquerdistas encontraram o caminho das pedras para chegar no poder, e pegaram a direita desprevenida, abrindo larga vantagem. Quem sabe no século XXI não teremos nossa revanche? Temos os melhores argumentos, falta levá-los às massas. Os libertários usam o argumento moral contra a própria existência do estado, que também é uma arma poderosa, só que a primeira vista acaba assustando o leitor desatento, acostumado com o arranjo atual e crente que a idéia de anarquia representa o caos, a falta de ordem.

        Acredito que uma sociedade minarquista seria fantástica para se viver e trabalhar. Mas um lugar como o Vale de Galt não seria nada ruim…

      • Catarinense
        Talvez faça parte da natureza humana ( a aceitação de sua condição ), seja consequência da rotina desgastante da maioria das pessoas, ou até mesmo culpa do próprio arranjo democrático – afinal, não é o trabalho destas pessoas, existem outras que foram colocadas lá no poder justamente para isto, defender os ideais do povo.
        Você está cometendo o erro de dividir as pessoas entre povo e políticos. Eu fiz outra divisão: povo, políticos e INTELECTUAIS ORGÂNICOS. Você mesmo participa nas redes sociais gerando conteúdo. A questão é: está usando a estratégia correta, os frames corretos e obtendo RESULTADOS?
        Aí é que está o pulo do gato.
        Entender o jogo político requer esforço intelectual. Se o brasileiro comum E o brasileiro “burguês” mal conseguem pagar as contas do mês, como irão conseguir dedicar tempo para empreender este tipo de esforço?
        É exatamente contra este tipo de fatatalismo que Gramsci se defrontou há 80 anos. O que eu posso fazer é demonstrar, com exemplos, estudos, métodos, etc as consequências de irmos pro caminho do fatalismo escatológico.
        Eu não defendo o tipo de comportamento de quem se omite, mas entendo completamente as razões. É outro ponto negativo para a democracia, pois põe todos no mesmo barco.
        A meu ver, é um ponto positivo para a democracia: na luta contra o poder estão aqueles que omitem, e os que não se omitem. O que está em confronto aqui são dois SISTEMAS ÉTICOS opostos. O meu prega a soberania do povo e a RESPONSABILIDADE dos intelectuais orgânicos de cada lado. Sem esse reconhecimento, vai restar apelar ao tapetão mesmo. Note que no texto do Hans Hermann Hoppe ele dá um verdadeiro tipo no próprio pé de quem age assim, pois a própria proposta para o fim da democracia depende do CONVENCIMENTO DAS PESSOAS a lutarem por esse sistema, ou seja, ele precisa da democracia para defender o fim dela. Eu já havia lido isso há uns 2 ou 3 anos sob outros filtros. Mas hoje, sob a ótica de paradigmas mais realistas como os de David Horowitz e John Gray (que são bastante diferentes entre si, diga-se), soa meio patético o pedido de Hoppe.
        A respeito da monarquia, o que eu quis dizer é que o político profissional, que busca o poder para enriquecer através dos lobbies, favorecimentos e chantagens não vai ter vez, pois o monarca está lá, teoricamente, para proteger os interesses da nação ( claro, sou bastante crítico a esta visão também, se você procurar meus comentários no artigo do Mises verá que tive longas discussões com monarquistas ). Mas neste aspecto, a monarquia é superior. Claro, podemos debater sobre o problema de um mau monarca, que foi uma das razões que a democracia surgiu, mas nesta questão do político que busca o poder pelo poder, a monarquia vence.
        Historicamente, a monarquia parece não ter sido uma boa ideia. O grosso do desenvolvimento veio depois de sua queda. Em países do Ocidente, a monarquia existe hoje em alguns deles apenas como um adereço, sem poder de comando. Acho que a aposta pela monarquia depende muito de “teoricamente” ou “deveria ser”, o que acho falacioso em termos de implementações politicas. Mas tratarei disso no texto em que refutarei os textos que você me passou.
        Concordo com você que os libertários são de direita, mas historicamente, os direitistas sempre foram contra o estado como o conhecemos hoje. Eles sem dúvida não enchergaram a mesma oportunidade que a esquerda, pois desde o princípio, enquanto o direitista via no governo um meio para melhorar a sociedade, o esquerdista via um método de obter poder sobre os outros. Desde aí a luta já foi desleal.
        Aí que está: se o esquerdista vê um método de obter poder sobre os outros, então é uma OPORTUNIDADE de ouro para a direita desmascará-los perante o povo. Mas historicamente optou por ficar na teoria, no papo de aranha, e enquanto isso a esquerda investiu no jogo político. A meu ver cabe aos direitistas apenas o reconhecimento de terem perdido tempo e lutar para recuperar o tempo perdido.

        Basicamente este é meu ponto, e creio que você concorda comigo: a direita está naturalmente em desvantagem, pois esta é composta de pessoas “boas” ( que não buscam o poder pelo poder, nem julgam saber o que é melhor para a vida dos outros: inocentemente acreditam na função do estado de prover o bem da sociedade ), enquanto que os esquerdistas só querem saber do poder de mandar na vida dos outros. Claro, isto de uma forma geral.
        Mas o que vemos? Algumas pessoas da direita dizendo “querer fim da democracia”. É o mesmo que dizer: “eu quero que vocês, eleitores, vão para a puta que o pariu, e votem neles”. Politicamente, este é o resultado.
        O que estou dizendo é que, em nome de manter as manias, os direitistas estão deliberadamente SE COLOCANDO EM DESVANTAGEM, pois se não querem vencer a guerra de frames, entregaram o jogo.
        Num dado momento do século XX, os esquerdistas encontraram o caminho das pedras para chegar no poder, e pegaram a direita desprevenida, abrindo larga vantagem. Quem sabe no século XXI não teremos nossa revanche? Temos os melhores argumentos, falta levá-los às massas. Os libertários usam o argumento moral contra a própria existência do estado, que também é uma arma poderosa, só que a primeira vista acaba assustando o leitor desatento, acostumado com o arranjo atual e crente que a idéia de anarquia representa o caos, a falta de ordem.
        Na guerra política, não vence apenas quem tem melhores argumentos, mas quem tem os melhores frames. O que acontece? Alguns libertários pedem “fim da democracia”, e automaticamente DESLIGAM o cérebro da plateia para ouvi-los. Chega a dar pena de ver.
        Recomendo ler estes dois textos:
        http://lucianoayan.com/2013/04/13/glossario-controle-de-frame/
        http://lucianoayan.com/2013/04/18/glossario-frame/
        É por isso que eu digo: quem usa o frame “fim da democracia” está OPTANDO DELIBERADAMENTE por ajudar a esquerda depois de saber o que é frame.
        Acredito que uma sociedade minarquista seria fantástica para se viver e trabalhar. Mas um lugar como o Vale de Galt não seria nada ruim…
        Em tempo: a história de John Galt é inspiradora, mas já vi o Paul Krugman usando o seguinte frame: “Enquanto isso, os malucos do Partido Republicano acham que vivem em um romance de Ayn Rand”.
        Só um conselho: cuidado. É a guerra de frames.

  11. Luciano, política é jogo sujo – isto afasta naturalmente o cidadão comum.

    A briga é assimétrica desde o princípio. É preciso um esforço muito grande só para fazer frente ao que o esquerdista faz por natureza – você sabe que é mais fácil lançar uma mentira no ar do que refutá-la, e que uma pessoa honesta não consegue mentir descaradamente.

    Tudo bem que você pode treinar alguém para rebater acusações de maneira efetiva – mas você sabe que o discurso esquerdista tem ampla vantagem nisto. É muito mais fácil apelar para a emoção do que a razão.

    E me diga uma coisa, você acredita que o desenvolvimento tecnológico está correlacionado com o tipo de governo? A única correlação que se pode fazer é que regimes mais liberais – não importa se é rei, presidente ou ditador – se desenvovem mais do que os regimes menos liberais. Veja o Brasil de D. Pedro II, a China dos anos 90, a Coréia do Sul durante a reconstrução, o Chile de Pinochet. Dizer que a democracia é o melhor regime para o desenvolvimento da sociedade é falacioso. A cada 4 anos a indústria para de produzir para esperar o resultado da eleição, para então decidir os próximos 4 anos! Isto é absurdo, como um empresário vai poder começar um projeto que visa retorno em 10, 20 anos? O capitalismo precisa de segurança jurídica. A democracia por si só não garante. Se esta estiver aliada a um arranjo republicano, acaba se saindo um pouco melhor.

    Quanto aos frames, isto é outro gol contra da democracia. Por quê eu deveria me preocupar com isto, enquanto eu poderia estar ocupado trabalhando, criando projetos, desenvolvendo produtos, abrindo novos negócios?

    Numa democracia, gasta-se energia demais só para manter as coisas como estão.

    Ps. Não li ainda seu mais novo texto.

    • Catarinense
      Luciano, política é jogo sujo – isto afasta naturalmente o cidadão comum.
      Eu não escrevo para o cidadão comum, mas para os 10% dispostos e capazes a influenciar a opinião do restante. É aqui que qualquer questão política é decidida.
      Dentro desses 10%, os frames proferidos por eles irão mover a maior parte da opinião pública.
      A briga é assimétrica desde o princípio. É preciso um esforço muito grande só para fazer frente ao que o esquerdista faz por natureza – você sabe que é mais fácil lançar uma mentira no ar do que refutá-la, e que uma pessoa honesta não consegue mentir descaradamente.
      A questão não é que a briga é assimétrica desde o princípio, e esse é o aspecto mais doloroso de adentrar à dinâmica social da guerra política, que é o paradigma deste blog. A partir disso, reconhecemos nossa responsabilidade. Ao estudarmos os frames (e você verá isso no texto de ontem), descobrimos algo que pode de início ser vergonhoso (e eu me senti assim no começo): a briga é cruel com o povo, pois, inadvertidamente, boa parte da direita serve à esquerda na guerra política.
      Tudo bem que você pode treinar alguém para rebater acusações de maneira efetiva – mas você sabe que o discurso esquerdista tem ampla vantagem nisto. É muito mais fácil apelar para a emoção do que a razão.
      Qualquer pessoa pode reempacotar seus frames para vencer no aspecto emocional. A esquerda é mais habilidosa em fazer isso, enquanto pelo que tenho notado boa parte (não todos, sorte) da direita são de uma cabeça dura a ponto de assustar. A esquerda é muito menos cabeça dura neste sentido. A vantagem que o esquerdista tem é a que ele ESCOLHEU ter.
      E me diga uma coisa, você acredita que o desenvolvimento tecnológico está correlacionado com o tipo de governo? A única correlação que se pode fazer é que regimes mais liberais – não importa se é rei, presidente ou ditador – se desenvovem mais do que os regimes menos liberais. Veja o Brasil de D. Pedro II, a China dos anos 90, a Coréia do Sul durante a reconstrução, o Chile de Pinochet. Dizer que a democracia é o melhor regime para o desenvolvimento da sociedade é falacioso.
      Recomendo a leitura de Francis Fukuyama. A democracia é mais eficiente para gerar resultados por que há pressão por estes resultados. Isso, é claro, quando existe uma imprensa livre.
      A cada 4 anos a indústria para de produzir para esperar o resultado da eleição, para então decidir os próximos 4 anos! Isto é absurdo, como um empresário vai poder começar um projeto que visa retorno em 10, 20 anos? O capitalismo precisa de segurança jurídica. A democracia por si só não garante. Se esta estiver aliada a um arranjo republicano, acaba se saindo um pouco melhor.
      E se eu lhe dizer que a cada ano as empresas esperam o balanço fechar e tem baixa em seus projetos? Quando existe uma mudança de dirigente, então, nem se fala. Eu acho que falta muito de noção da realidade para quem fabricou esses discursos anti-democracia.
      Quanto aos frames, isto é outro gol contra da democracia. Por quê eu deveria me preocupar com isto, enquanto eu poderia estar ocupado trabalhando, criando projetos, desenvolvendo produtos, abrindo novos negócios?
      Os frames são inerentes ao ser humano, e o controle de frame vale para qualquer coisa, inclusive interação comercial, corporativa, sexual, etc.
      Em tempo: se, como Oren Klaff disse sabiamente, o controle de frame “é o conhecimento mais importante que alguém pode ter em vida”, por que conhecer e aplicar isso é um problema? Sinceramente, não entendi sua objeção.
      Quer dizer, eu trago umas dicas aqui, que funcionam, e vc chama isso de “um problema”?
      Numa democracia, gasta-se energia demais só para manter as coisas como estão.
      E, coincidentemente, foram as democracias que evoluíram mais e mais. Compare com os países islâmicos.

      • Só vou responder a sua última afirmação:

        (…)Numa democracia, gasta-se energia demais só para manter as coisas como estão.
        E, coincidentemente, foram as democracias que evoluíram mais e mais. Compare com os países islâmicos.(…)

        A dicotomia não é democracia X tirania. É livre mercado X intervenção estatal. É império das leis X insegurança jurídica. Entenda isto, e vai entender o argumento libertário. A democracia chavista não trouxe desenvolvimento para a Venezuela. A ditadura de Pinochet trouxe as bases do desenvolvimento ecoômico para o Chile.

      • Luciano,

        Não sou libertário, mas é claro que o livre mercado surgiu antes das democracias (afinal, é tão somente o resultado da livre interação entre as pessoas e independe de sistema político para existir). Jamais tantos impostos foram arrecadados quanto na era democrática. Jamais o potencial do mercado foi tão limitado. E por quê? O motivo é simples: ganha mais votos quem promete mais esmolas e serviços à população. Esmolas e serviços compraras com tributos. Simples como 2 e 2 são 4.

        É um jogo de cartas marcadas. O que não exime, todavia – concordo contigo -, a população esclarecida do dever de lutar e denunciar absurdos e erros com argumentos persuasivos.

        Se o mundo melhorou na era democrática (sob certos aspectos, mas não em outros – jamais um poder absoluto como o dos Nazistas e Comunistas poderia surgir sob uma monarquia, marcada pela tensão e equilíbrio dos poderes entre os reis, barões, duques, condes, etc. – e é impossível ignorar os 150 milhões de mortos do Século XX nessa análise), não foi em razão da democracia, mas sim do desenvolvimento tecnológico (evolução, por sua vez, muito mais ligada a fatores como o tempo e o mercado que a democracia em si).

        Tenha a certeza de que se os barões que se revoltavam em razão dos “altos impostos” que o Rei cobrava na Inglaterra há alguns séculos olhassem pras cargas tributárias atuais iriam dar risada sem parar (se chegava a 10% era ESCANDALOSAMENTE ALTO). Se soubessem no que iria dar, talvez ainda estivéssemos sob uma monarquia absolutista hoje em dia heheheh.

        Uma monarquia constitucional (não absolutista) com certeza é o melhor sistema de governo já “inventado”. Infelizmente, contudo, não se sustenta sem se tornar absoluta e – como a história já mostrou – caso contrário tende a desaparecer. A monarquia constitucional foi, na verdade, um estágio rumo ao modelo político atual.

        Como um conservador, tenho a cabeça sempre voltada para a preservação “dos males, o menor”, pois as transições – principalmente as revolucionárias – tendem sempre a dar em merda. No momento, esse mal é a democracia. Não há mais volta para a monarquia e para a eliminação do voto. É uma ilusão perigosa (pois impopular): daqui, só para o totalitarismo.

      • Leonardo

        Não sou libertário, mas é claro que o livre mercado surgiu antes das democracias (afinal, é tão somente o resultado da livre interação entre as pessoas e independe de sistema político para existir). Jamais tantos impostos foram arrecadados quanto na era democrática. Jamais o potencial do mercado foi tão limitado. E por quê? O motivo é simples: ganha mais votos quem promete mais esmolas e serviços à população. Esmolas e serviços compraras com tributos. Simples como 2 e 2 são 4.

        Discordo disso.

        Entendo que ganha mais votos aquele que CONVENCER O PÚBLICO de que sua proposta elevará o nível de vida de larga parte da população (inclusive os mais pobres).

        A direita tem argumentos mostrando que suas propostas oferecem isso em maior quantidade (inclusive para os mais pobres).

        Porém, a mesma direita se recusou a jogar o jogo político, e então a esquerda vendeu melhor sua ideia.

        Terei um texto sobre isso já amanhã.

        Abs,

        LH

      • O problema não é a forma de governo em si, é a quantidade de CIDADÃOS ESCLARECIDOS.

        Quando há uma quantidade em tamanho suficiente para influenciar o processo político, o estado (seja ele democrático, autocrático, monárquico, parlamentarista, etc) vai ser bem menos prejudicial ao cidadão comum. Esse é um dos padrões que observei em “boas sociedades”: a presença de uma elite, em todos os termos: econômicos, claro, mas principalmente em termos culturais e morais.

        Assim que essa elite diminui drasticamente, perde a influência política. E então seus valores não serão “implementados” na sociedade. E isso deixa o vácuo para ser preenchido pela escória.

        O Brasil não tem essa elite. Então, pode ter monarquia, ditadura, república parlamentarista….que não sairemos do lamaçal. Todas as nossas ações devem ser no sentido de favorecer o surgimento e crescimento mais rápido possível dessa elite.

        Isso nos leva à tática: o que fazer agora, no curto prazo. O principal é garantir o MEIO de ação: a liberdade de discurso. Qualquer partido que ameace a liberdade de discurso deve ter seu apoio político erodido.

        Ao mesmo tempo, manter os trabalhos de formação de elite.

        É o que eu já pensei.

      • João Marcos

        Isso nos leva à tática: o que fazer agora, no curto prazo. O principal é garantir o MEIO de ação: a liberdade de discurso. Qualquer partido que ameace a liberdade de discurso deve ter seu apoio político erodido.

        Perfeito!

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