Por que o discurso intervencionista é tudo de ruim e nada de bom?

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Como sói ocorre quando escrevo contra o discurso da direita intervencionista (que eu já chamei de “marchista” na época da Marcha pela Família, mas agora não se aplica), surgiram protestos e contra-argumentações. Como a direita felizmente usa a dialética ao invés da retórica (não sempre, mas na maioria das vezes), boa parte das objeções foram educadas. O que não significa que não tenham problemas lógicos que precisam ser tratados. Tratar esses problemas lógicos/morais é o objetivo deste novo texto. (O texto de ontem foi Lá vamos nós de novo: mais uma vez tenho que falar sobre discursos infelizes pedindo intevenção militar)

Uma das objeções aparece em forma daquilo que chamo de tática de “beco sem saída”. Ou seja, dizer que nos encontramos em uma situação limite, na qual “não temos outra alternativa senão a intervenção militar”.  Note que mesmo que isso fosse verdade (e não é) não serve para refutar a comparação que fiz ontem a respeito do problema moral envolvendo o raciocínio intervencionista. Relembremos: eu disse que pedir intervenção militar à esta altura do campeonato (como em quase todas as situações) não passa da tática de se recorrer ao tapetão quando não se tem condições (ou principalmente disposição) para tentar vencer em campo.

Antes de refutar este aspecto, quero recomendar dois livros em especial: Gut Feelings, de Gerd Gigerenzer, e The Righteous Mind, the Jonathan Haidt. Em ambos os livros sabemos sobre experimentos nos falando a respeito dos “gut feelings” (ou o que chamamos aqui de reações do fígado), e das péssimas argumentações que, se estivermos desavisados em relação ao fenômeno, podemos fazer. Enfim, quando tentamos justificar um posicionamento político assumido pelas vias não racionais (pode ser pela emoção, imprinting ou mesmo manutenção de uma mania para atender a uma faceta de nossa personalidade), fazemos argumentações flagrantemente ilógicas para sustentar essa posição.

Um exemplo deste tipo de má argumentação pode ser vista na questão do aborto. Muitos direitistas defendem o direito do ser humano não ter o estado intervindo em sua vida, especialmente em questões relacionadas à tomada de risco. Em síntese, uma rejeição ao estado babá. Mas estas mesmas pessoas, se forem de orientação conservadora, podem, em alguns casos, usar o seguinte argumento: “Um dos problemas relacionados ao aborto é que a mãe ficará traumatizada pelo resto de sua vida”. Ué, mas ele não disse antes ser contra o estado babá? Nesse caso, temos uma flagrante contradição e um péssimo argumento criado para sustentar uma posição assumida de forma não-racional. (Eu não estou dizendo que argumentar contra o aborto ou tomar a opção pró-vida é algo automaticamente irracional, mas citando uma situação na qual usam-se argumentos irracionais para defender a posição pró-vida defendida de forma iracional)

Quando chegamos neste ponto, o termo recomendado por ambos autores é “racionalização”, que serve para definir argumentos não necessariamente racionais, mas uma tentativa de fazer algo irracional soar como racional. Tanto Haidt como Gigerenzer fazem um ótimo trabalho nos explicando como temos muito trabalho ao tratar destas racionalizações, por que muitos não as largam, mesmo diante de bons argumentos.

Ouso dizer que a maioria dos argumentos de “beco sem saída”, usados pelos intervencionistas são baseados em racionalizações deste tipo, e, portanto, dificilmente serão abandonados diante da argumentação.

Por exemplo, eles dizem que “está tudo dominado, portanto é impossível a vitória pelas vias democráticas”, mas como a coisa pode estar tão dominada se o PT anda desesperado para censurar a mídia e enfrenta atualmente um altíssimo indice de rejeição nas pesquisas? Fica claro que muitas dessas situações “extremas” são ampliações do real poderio do inimigo. E ainda temos que lembrar de Saul Alinsky nos dizendo que “poder não é o que você tem, mas o que o inimigo pensa que você tem”. Parece que o intervencionista usando o discurso do “beco sem saída” sempre tenta nos convencer que a situação chegou a um ponto diante do qual “não temos outra solução que não a intervenção militar”.

Também temos outro problema: qual é o “ponto” que justifica uma intervenção militar? Para o contra-golpe de 1964 tínhamos um golpe militar proposto pelos marxistas. Logo, era uma situação limite. Se o PT amanhã mesmo propor que as Forças Armadas ajudem na dissolução do Congresso, é claro que teríamos um argumento para uma intervenção militar que impeça o PT de fazer isso. Mas é claro que estamos longe de uma situação similar. Até por que os petistas são gramscianos enquanto os golpistas de 1964 não eram. Eles cometeram a precipitação de tentar um golpe armado (e por isso tomaram um contra-golpe), enquanto a extrema-esquerda atual jamais incorrerá no mesmo erro. Em outras palavras: a justificativa moral existente para o contra-golpe de 1964 não existe para uma intervenção hoje. E nem vai existir.

Mas e se o país estiver com as instituições tão danificadas a ponto de justificar uma intervenção militar? Isso nos leva a insistir no questionamento: qual é o “ponto” onde essa decisão pode ser tomada? A meu ver é um só: o momento onde começarem a ocorrer severas violações de direitos humanos, e exista uma crítica formal dos países mais civilizados do mundo em relação a isso. Algo como ocorre hoje na Coréia do Norte, frequentemente denunciada por violações de direitos humanos. Para quem usa a força para massacrar seu povo, sem qualquer respeito pela Declaração de Direitos Humanos da ONU (esse é um bom referencial), uma intervenção militar seria justificável, inclusive com a participação de outros países.

Mas não é o caso nem na Venezuela, mesmo que o país viva uma situação de caos. Gostem ou não, os governantes de lá foram eleitos por via democrática. Se eles aparelharam o estado de forma a solapar a plena democracia, ainda assim o fizeram a partir das instituições democráticas. Até por que existe um risco inerente na democracia: o domínio tão absoluto de um grupo sobre o outro que muitas vezes a democracia pode ser corrompida a ponto de ser similar à uma ditadura, que é o que ocorre na Venezuela – e tratarei deste ponto daqui a pouco. Mesmo assim, torno a dizer: tudo foi alcançado pela via democrática.

Na América Latina, o único país justificando uma intervenção militar é Cuba, até por que os governantes de lá tomaram o poder pela via armada, e exatamente por isso não possuem argumentos para reclamar do uso da força armada contra eles. Mas em qualquer outro país latino-americano, a tomada de poder socialista ocorreu pela via democrática, e, portanto não temos uma justificação moral para tirá-los do poder via intervenção militar.

Alguns poderiam dizer, com razão: “Mas eles controlam a mídia, os movimentos sociais e tudo o mais, então não temos chance”. Mas a resposta é só uma: eles ainda fizeram o que fizeram pela via democrática (mesmo que a tenham corrompido). E é por essa via que devemos derrubá-los. Eu estou plenamente ciente de que tudo se tornou dificílimo para os venezuelanos, e o mesmo pode ocorrer por aqui daqui a alguns anos. Mas ninguém disse que seria fácil. A direita tem errado por muito tempo em termos de estratégia política e isso é o que tem causado tanta dificuldade para nós.

Alias, a esquerda já abandonou qualquer discurso de tomada de poder por “intervenção militar” há mais de 50 anos, enquanto vemos algumas pessoas da direita ficando nessa conversa intervencionista. Se estamos  deliberadamente atrasados no mínimo 50 anos em termos de estratégia política, em comparação aos ultra-esquerdistas, então o máximo que devíamos fazer era parabenizá-los por serem tão superiores em termos de tomada de poder pelas vias democráticas, que é a única maneira moralmente legítima de se chegar ao poder contra quem chegou lá jogando pelas regras do jogo democrático. (A exceção, repito, é Cuba, pois não quis jogar o jogo democrático ao chegar ao poder via intervenção armada)

Creio que já estressei esse ponto suficientemente, e chego ao segundo, onde os intervencionistas abandonam o argumento de “beco sem saída” e partem para dizer que “é injusto algumas pessoas pagarem pelo erro de outras”. Esse argumento surge quando dizemos a eles o seguinte: “Entendemos que a situação está crítica em vários países socialistas, mas isso ocorreu por erro dos eleitores e dos intelectuais orgânicos da oposição, que escolheram a opção errada. Que convivam com o erro por um tempo, até que a urgência os force a tirar os socialistas do poder”. Reconheço que ao dizer isso muitos intervencionistas se irritam, dizendo algo similar ao seguinte: “Você quer dizer que eu tenho que pagar pelo erro dos outros?”. Minha resposta: “Sim, tem, pois vivemos em uma democracia”.

Quando esses protestos surgem sinto que há uma falta de visão a respeito do que significa a política, como um todo, e especialmente o que significa a noção de responsabilidade política, tema que tratei no texto Aperitivos da Guerra Política – III – O princípio OZ.

Eis a dura realidade: em política não existem apenas “eles [os eleitores] errando”, mas, principalmente, nós, intelectuais orgânicos da luta direita X esquerda, ou seja, qualquer pessoa que se assuma como formador de opinião. Somos nós que direcionamos a opinião pública, independente do grau e da abrangência de nossa ação. A maioria absoluta da população vai bandear pro lado que tiver os melhores formadores de opinião e que estejam executando as melhores estratégias.

Não seria cego ao ponto de negar uma hegemonia esquerdista nos meios de comunicação, além do uso de ações censórias por parte da extrema-esquerda contra pessoas que se rebelam, mas esse item é apenas um dificultador, jamais um impossibilitador. Isso significa apenas que nós temos que ser mais perspicazes ao selecionarmos nossas estratégias, assim como colocar a censura petista como um dos principais aspectos sob nossa crítica. A meu ver não temos sido duros o suficiente na denunciação das tentativas de censura petista.

Um dos princípios fundamentais da democracia se baseia na soberania do povo, que toma decisões a partir do voto. Mas esse reconhecimento traz muitas verdades implícitas, algumas delas doloridas: nós, intelectuais orgânicos, devemos assumir nossa responsabilidade pelos resultados das eleições. Não temos “eles que votaram errado”, mas sim nós, que não fomos suficientemente bons na escolha dos nossos frames, que não escolhemos adequadamente nossas estratégias, e mesmo que tivéssemos ido bem nos dois itens anteriores, não usamos os frames e estratégias adequadas em quantidade suficiente, de acordo com as condições adversas que existem. Dito de outra forma, a responsabilidade dos resultados das eleições é, em grande parte, não do povo, mas dos intelectuais orgânicos.

Esse é o momento mais dolorido, onde uma análise holística da situação política nos leva a ter que aceitar a maior parte da culpa pelo atual estado de coisas. Não é a extrema-esquerda apenas que tem vencido (quer dizer, os intelectuais orgânicos da esquerda, hoje aparelhados pelo estado), mas nós, intelectuais orgânicos da direita, que não temos feito nosso trabalho. Reconhecer isso é o primeiro caminho para pensarmos em revisar nossas estratégias e, principalmente, o grau de nossa atuação.

Sem esse reconhecimento, nada feito. A mensagem dizendo “a culpa é dos eleitores que votam errado” é moralmente errada em vários aspectos, além de estrategicamente desastrosa. Primeiro, ela comunica um desrespeito à escolha do povo. Segundo, ela comunica ao nosso subconsciente a seguinte mensagem: “a responsabilidade não é nossa”. Mas se não reconhecermos essa responsabilidade aí é que os resultados não surgem mesmo.  Faça o teste da não-responsabilização em qualquer contexto e veja os resultados. Tenho certeza que você conseguirá fazer qualquer time fracassar.

Enfim, na democracia, a vitória política não é definida basicamente “na hora da eleição”, mas na atuação dos intelectuais orgânicos de cada lado, o que se refletirá, evidentemente, não só nos resultados das eleições, como nas votações do Congresso, principalmente quando demonstramos de forma clara que muitas pessoas estão contra a aprovação ou rejeição de uma propostas, e fomos nós que as conscientizamos disso. Assim, não existe sentido na afirmação “é injusto que alguns paguem pelos erros dos outros”.

E falando em erro, quero concluir este tratamento de objeções (e creio que tratei algumas das mais importantes delas) lembrando que, além de ser um erro moral (propor intervenção militar é apelar ao tapetão) e um erro tático (estamos deixando de nos responsabilizar por ações relacionadas a vitorias em guerra política, o que devia ser nossa prioridade), é uma estratégia vergonhosamente equivocada.

Faço o seguinte paralelo: imagine que você pertença a um grupo de sujeitos que vão constantemente em bando nas baladas “pegar mulheres” – já sei que vou ser chamado de machista, mas se as mulheres se juntarem para “pegar homens”, é o direito delas. Seja lá como for, temos a constatação de um fato: as mulheres entendem que em qualquer processo de sedução, elas devem ter a ciência de escolherem seus parceiros voluntariamente, isto é, não serem forçadas a isso. E você deve sub-comunicar essa mensagem sempre. O poder da sedução está na percepção de que alguém não é forçado a se deixar seduzir. Agora imagine que um dos caras do seu grupo de baladeiros resolva dizer: “mulher não tem que ter opção de escolha pois não sabe escolher, sedução aqui é no porrete”. Você não morreria de vergonha de estar do lado de alguém usando tal tipo de discurso? Ou mesmo que te confundam com quem usa esse discurso somente por estar no mesmo grupo que ele? Você não procuraria se distanciar de gente que ao abrir a boca somente queima seu filme?

É assim que devíamos encarar o discurso intervencionista: como se fosse uma “doença” que causa danos aos direitistas dispostos a lutar na guerra política de verdade, de acordo com os parâmetros gramscianos de tomada de poder (sempre pelas vias democráticas), e até mesmo os parâmetros sharpianos (cujos métodos são focados na luta diante de ditaduras já estabelecidas). Qualquer outra opção é imoral, infrutífera e só serve para queimar o filme.

E tudo fica ainda mais bizarro quando visualizarmos em um momento singular do atual governo, onde eles tentam implementar o Decreto 8243, censurar empresas como Empiricus e Santander, controlar a mídia e realizar diversas outras ações de ditadura sutil. Nunca tivemos um momento histórico onde pudemos lançar um shaming contra eles a partir do frame mostrando que somos pessoas lutando pela a liberdade, nos opondo a censores. Nunca foi tão fácil mostrar, com evidências, que o rótulo “totalitário” se aplica perfeitamente a eles. E o que fazemos? Deixamos que algumas pessoa da direita façam vicejar movimentos pedindo “intervenção militar”. Quer dizer, perderam o frame “liberdade contra a tirania”, em torno de uma opção politica que fica abaixo da crítica.

Entendo que tratei as principais objeções ao texto anterior, mas também entendo que novas racionalizações vão surgir. Se surgir algo de novo, tratarei em mais um texto. Por enquanto a mensagem que fica é: “fujam do discurso intervencionista como o vampiro foge da luz do dia”.

P.S.1: Para finalizar, não quero ser arrogante de me posicionar como um “Gramsci da direita”, em termos de fornecimento a estrategias para a direita. Mas não posso deixar de citar o fato de que me inspirei no histórico de Gramsci ao ver como ele gastou uma boa parte de seu tempo criticando vários comunistas de sua época pelas estratégias erradas que estes usavam. Se Gramsci incomodou pessoas com as quais se alinhava politicamente em sua época, não me incomodo em fazer o mesmo hoje, e estou ciente de que esse texto vai incomodar algumas pessoas da direita. Peço que se alguém se encaixar entre os ofendidos, que não leve para o pessoal, pois meu único interesse é discutir estratégias que funcionem. Se algum ofendido quiser responder, ótimo, mas peço que não se apele a “gut feelings”, mas a argumentos e citações de estrategistas políticos que validem uma estratégia política baseada em pedir “intervenção militar”. A meu ver, isso não funciona muito, e ao meu lado tenho uma base de autores, tanto da esquerda (principalmente) como direita, endossando minha rejeição a discursos pedindo “intervenção militar”. Mas, como já disse, se há contra-argumentos, que se apresentem.

P.S.2: Hoje foi um dia atípico, pois trouxe dois textos longos para este blog (e outros dois textos curtos, sendo o outro texto logo O que Andrew Napolitano está querendo nos dizer a respeito da fraude na democracia?). Esse que você acabou de ler, editado no Word, deu mais de 10 páginas. Ambos foram feitos no espaço de 2 horas, a partir das 20 horas (sim, eu sei, eu sempre escrevo neste período, entre 20 e 21 hrs., mas hoje ultrapassei o limite). Por causa a quantidade e da rapidez, posso ter deixado alguma coisa passar batido em termos de variação de terminologias, maneirismos e coisas do tipo. Mas vai ficar assim mesmo, pois eu não poderia deixar passar de hoje para publicar esse texto.

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38 COMMENTS

  1. Luciano, dentre seus textos, esse deve ter sido o meu favorito. Me identifiquei muito com ele pois tenho muitos amigos corretos e bem intencionados que pedem pela intervenção militar, algo que eu repudio.

    • Rodolfo,
      Creio que muitos ainda não entenderam quem é o inimigo e isto é que causa tanta confusão.
      O inimigo é a “República Corrupta do Brasil”.
      Creio ser muito difícil comentar sobre o inimigo, portanto, vou passar direto para a guerra contra ele, que está sendo travada desde quando aconteceu a petição pela Lei da Ficha Limpa.de 2010, que contou com mais de 1 milhão de assinaturas.
      Mesmo sem estarmos conscientes, o que estamos fazendo desde então, são táticas de guerrilhas denominadas “guerrilhas de atrito”.
      Estas guerrilhas correm juntas, nas redes sociais, blogs, sites, manifestações de ruas, papos entre amigos,, de bar, etc e são eficientes pois não tem como serem contra atacadas.
      O clamor pela intervenção militar é tão somente outra guerrilha de atrito.
      Clamar por intervenção militar não significa necessariamente que a pessoa deseje realmente a intervenção, mas que acredita haverem motivos suficientes para tal.
      Tudo são “jogos de guerra”, com game over e play again.
      Mas o inimigo segue o mesmo, a “Republica Corrupta do Brasil”.
      Minha última guerrilha de atrito foi de 25/05/2014 até 12/07/2014, militando forte pela candidatura de Jair Bolsonaro a presidência, mesmo sabedor que Bolsonaro é tão somente um blefador falastrão tão somente interessado em reeleição, temos muitos destes no congresso nacional tais como o Romário e outros vários.
      O tempo está se estreitando e os jogos serão a cada dia mais curtos, de menor período e de maior intensidade.
      Tenho uma sequencia de minhas táticas e suas datas de inicio ou término.
      https://www.facebook.com/pages/Julio-Auler/515265275266169?ref=hl&sk=events
      Bem, isto é como enxergo o processo de democracia participativa que estamos iniciando e algum dia atingiremos a operabilidade. É inexorável. Está acontecendo a nível mundial…
      Caso deseje conversar mais a respeito o meu perfil de face é: https://www.facebook.com/julioauler
      Saudações,
      Julio Auler

    • O que me deixou mais impressionado com o texto é este trecho aqui:
      “o representante (da arquidiocese), por fim, disse tb ser vítima d críticas por católicos fundamentalistas e conservadores.”

      E o pior! é que eu não acho que ele esteja mentindo. Os piores inimigos são aqueles que se fazem passar por aliados.
      Se alguém pedir para que ele diga quem é o representante da arquidiocese ele irá omitir. Alguém precisa desafiá-lo a dizer falando que se ele não revelar o nome estará divulgando uma informação falsa.

  2. Luciano, você sabe a diferença entre grassroots e fake grassroots (este último também denominado astroturfing)? Os primeiros, grassroots, são movimentos criados espontaneamente por indivíduos da sociedade, com o objetivo de reivindicar algo que seja comum àquele grupo. Já o segundo, são protestos fabricados artificialmente, geralmente financiados por alguma organização maior (políticos, empresas…), que visam a um objetivo específico, por exemplo, a propaganda positiva ou negativa.

    Será que esse protesto associando a direita brasileira com intervenção militar não é um dos fake grassroots, querendo manchar a imagem da direita brasileira?

    De fato, já está em curso uma campanha de difamação contra a direita e os liberais, perpetrada pela imprensa televisiva apadrinhada do estado.

    Olhe essa matéria do Fantástico abaixo, que fala sobre exorcismos. Num dado momento, eles tentam associar os carrões estacionados como se fossem de “profissionais liberais”, porém, não fornecem qualquer prova de que aqueles carros pertencem realmente a profissionais liberais.
    http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/padres-exorcistas-explicam-casos-de-possessao-demoniaca/3525060

    • É possível. No entanto, não se pode deixar de perceber que equívocos morais e políticos de uma parcela bem intencionada da população são espontâneos, seja por simples falta de informação (a respeito do que são equívocos morais e políticos), seja por desinformação mesmo (por terem sido levados a crer que suas escolhas não são tais equívocos).

    • Brincadeira… A Igreja Católica está cada vez mais se protestantizando, realmente o que foi mostrado no vídeo é algo patético e não reconheço isto como Igreja Católica.
      Segundo o ensinamento da Igreja Católica existem casos de possessões sim, mas são casos raríssimos. Não este tipo de coisa onde as pessoas ficam gritando na Igreja histericamente. Este tipo de coisa é sim explicado pela psicologia.

  3. Agora temos um novo elemento da guerra pelo poder: a internet.

    Diria que esta, será em breve, um dos fatores de maior peso nas decisões políticas. E a direita, por incrível que pareça, vem conquistando bons espaços nessa mídia.

  4. Bom dia Luciano Henrique,

    Como não tenho FB, te mando essa informação por comentario mesmo.

    No dia 25 de julho de 2014 o PGR, Rodrigo Janot, enviou ao Ministério Público Federal o Mandato de Injução n°4.733/DF (Agravo regimental) cujo o impetrante é a ABGLT na qual:

    “O Ministério Público Federal opina pelo provimento do agravo, para que se conheça do mandado de injunção e se defira em parte o pedido, para o efeito de considerar a homofobia e a transfobia como crime de racismo e determinar a aplicação do art. 20 da Lei 7.716/1989 ou, subsidiariamente, determinar aplicação dos dispositivos do Projeto de Lei 122/2006 ou do Projeto de Código Penal do Senado, até que o Congresso Nacional edite legislação específica.”

    O mandado de injunção está compreendido no pedido articulado pela ABGLT (veja pág. 7) a qual requer subsidiariamente:

    “[…] seja declarada a mora inconstitucional do Congresso Nacional na criminalização específica da homofobia e da transfobia, […] determinando-se que ele aprove legislação criminal que puna, de forma específica, especialmente (mas não exclusivamente) a violência física, os discursos de ódio, os homicídios, a conduta de “praticar, induzir e/ou incitar o preconceito e/ou a discriminação”, por conta da orientação sexual ou da identidade de gênero, real ou suposta, da pessoa […].”

    O link para o site do MPF é esse:
    http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_constitucional/para-pgr-homofobia-pode-ser-considerada-crime-de-racismo-ate-haver-legislacao-especifica

    e o PDF da noticia:

    http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_pdfs/combatehomofobia.pdf

    Tomara que essa mensagem chege à você.

    Um abraço!

  5. Eu acho que existe uma diferença entre a estratégia pontual e errada de pedir intervenção militar agora e demonizar a intervenção militar em si. Nós, da direita, temos que saber separar ambos mostrando, ao mesmo tempo, que não apoiamos nenhuma intervenção militar agora, mas que, em certos casos, a intervenção militar não é apenas necessária, mas o único caminho moralmente aceitável, ainda que seja para mudar um regime que chegou ao poder por vias democráticas, como o nazismo. Esse é o ponto.

    Temos que ser competentes em provar ao brasileiro apolítico que a esquerda também teria obrigação moral de apoiar intervenção militar caso corrêssemos o risco de, por exemplo, instauração de um regime nazista no Brasil. Com isso, anulamos a tentativa de demonizar intervenção militar enquanto tal, mostrando sua necessidade em alguns casos pontuais. A partir deste momento a esquerda estará impedida de colar em nós a pecha de autoritários por este motivo, pois provamos por A + B que intervenção militar nem sempre é sinônimo de autoritarismo.

    Finalmente, precisamos mostrar que o que legitima um governo não é apenas a ascensão através do sufrágio universal, mas o pleno exercício democrático (que pressupõe o respeito e a preservação do espaço das minorias) durante todo seu período. A eleição é apenas o primeiro passo e eu diria que o último é a transição pacífica a um oponente em um espaço de tempo não tão longo.

    Sinceramente, acho facílimo fazer esse trabalho. Pedir intervenção militar atualmente não é apenas um erro, mas uma burrice e esse pessoal precisa entender isso. Mas isso não nos obriga a ficar na defensiva, sem preparar um antídoto para um frame demonizador que a esquerda quer jogar no nosso colo.

    No final das contas, caso realmente estivéssemos em vias de nos tornarmos uma Cuba, ainda que o começo tenho sido por vias democráticas, eu não vou ficar resignado ou me culpando coisa nenhuma, mesmo porque a responsabilidade pelo avanço do gramscismo não é nossa, mas de gerações anteriores. Não tendo a opção de fugir e contribuir de fora para derrubar os tiranos, temos que ir pro pau mesmo e com preparação prévia! Não existe legitimidade alguma, nem justificativa moral em transformar-nos numa Cuba, ainda que por vias democráticas. A esquerda PRECISA SABER que há gente em quantidade suficiente preparada para isso.

    • Complementando a mensagem anterior, as pessoas, o povo, não repudiam intervenção militar. Pelo contrário. O povo gosta do exército. Sente-se protegido e confia nele. É a mesma lógica do Joãosinho Trinta a respeito de miséria e luxo: “Pobre gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”. Quem não gosta das forças armadas é intelectual de esquerda.

      Passamos por um momento no qual intervenção militar está associado ao regime militar, algo relativamente recente e que é rejeitado por 95% dos formadores de opinião no nosso país. Por isso que esse pessoal que pede intervenção militar é burro. Não entendem o espírito do tempo e criam uma situação embaraçosa para seus pares ideológicos. Mas isso não será assim para sempre. Arrisco dizer que o espaço para dizer as verdades a respeito daquela época que a extrema esquerda sempre quis reescrever é bem maior hoje do que, 10, 12 anos atrás antes da quadrilha petralha tomar o poder. Não se trata de defender o regime, mas de contar a história como ela foi de fato, e não através da lente da esquerda e dos formadores de opinião não-esquerdistas frouxos.

      Mas enquanto a verdade não se estabelece por inteiro, os nossos precisam atuar para impedir a infiltração esquerdista nas forças armadas e nas forças policiais, defender o armamento civil através do vitorioso frame do “direito individual” utilizado no referendo de 2005 e rechaçar qualquer tentativa da esquerda de nos fazer parecer autoritários. Devemos fazer isso mesmo que o PT vença as próximas eleições.

  6. Luciano, olha só isso, olha o Gregório Duvivier esquerdando com força na FLIP: http://g1.globo.com/pop-arte/flip/2014/noticia/2014/07/humor-atual-perdeu-humanidade-e-o-afeto-diz-gregorio-duviver-na-flip.html

    Acho que de repente valeria a pena vc discorrer sobre essa reportagem num texto: ele falou que o humor atual “perdeu a humanidade e o afeto”. Ora, o humor desde os primórdios era sátiro e ácido, esse molóide é um louco varrido. Aliás, ele não acha “desumano e desafetuoso” denigrir a imagem do Feliciano ou do cristianismo. Para estes temas, a “tolerância suprema” dele vai para as cucuias e ele pode ser “desumano e desafetuoso”.

    Bom, já dizia o marxista cultural Herbert Marcuse: “… liberando a tolerância, então, significaria intolerância contra os movimentos da direita e tolerância aos movimentos de esquerda”.

  7. Que baita texto,Luciano! um chute no c* desses retardados de direita que ficam pedindo “intervenção militar”. puta merda! além disso,convenhamos,grande parte do pessoal de direita é covarde,medroso…..enquanto o pessoal de esquerda,e deve-se dar créditos à eles por isso,são corajosos e não tem medo de dar a cara a tapa.

    • Aí que você se engana. Este pessoal da esquerda são pessoas extremamente medrosas e ainda digo mais, sofrem de imensa carência afetiva e aprovação social. Eles só atacam porque atacam em bando e sabem que existe um suporte atrás deles.
      Coloque eles em proporção de igualdade de condições em uma luta e vai ver todos correndo com o rabo entre as pernas.

    • Discordo completamente. É fácil humilhar um esquerdista em uma conversa de bar, por exemplo, pois nesse ambiente ele não pode sair te xingando (pois pegaria mal entre os amigos ali). Eu mesmo já fiz alguns ficarem caladinhos. Quando eles estão sozinhos eles choram fácil fácil.

      • Mas então, por que não vemos movimentos de direita por ai? veja que até a marcha da família foi fraquíssima! até pra se dizer de direita o pessoal fica com receio,com medo de pegar mal pro lado dele,perder amigos e tal.foi nesse sentido que disse que os esquerdistas não tem medo de dar a cara a tapa.eles estão ai nas ruas,na internet..são os black blocs,as feministas,esses famosos socialistas….fora isso,eu concordo com vocês.em pé de igualdade,eles não podem com a gente. rsrs
        mas eles andam em bando,enquanto nos liberais,libertários,conservadores,reaças…..ficamos brigando entre nos mesmos

      • Franklin,

        Os esquerdistas também brigam entre eles mesmo. Leia o livro “Gramsci”, de Carlos Nelson Coutinho e você verá que não foi nada fácil o embate entre o pessoal da ação e os fatalistas comunistas (que eram a maioria na Europa logo após a sovietização da Rússia).

        O problema é quando escolhemos frames errados.

        De nada adianta estarmos unidos, se a estratégia está errada. Essa é minha crítica ao discurso intervencionista.

        Abs,

        LH

  8. Texto muito bom, como de costume. Mas eu acredito que uma ponta específica tenha ficado solta (e ela não se relaciona ao debate político público, mas ao debate interno que norteia a tomada de decisões no âmbito da direita); quais os limites da democracia? A história nos mostra que, em determinados momentos, o povo toma decisões, por vias democráticas, que fatalmente redundarão em brigas, ódios, ressentimentos e aniquilação posterior da própria democracia. Os nazistas foram eleitos na Alemanha. O chavismo foi eleito na Venezuela. O Hamas foi eleito em Gaza. Todos democraticamente. Até que ponto estes três exemplos, e outros similares, trazem em seu contexto, DE FATO, o elemento de apatia de seus opositores? Qual a linha tênue que separa o “beco sem saída” falso do destino realmente inexorável? O intervencionismo militar alheio e assumido é realmente a única justificativa moralmente aceitável para ativar o nosso?

    No caso do Brasil atual, acredito que há plenas condições de barrarmos democraticamente a trajetória filo-bolivariana que o país tem tomado sob o comando do PT. Logo, o ponto de vista central do texto, apontando para o erro estratégico no discurso da chamada “direita intervencionista”, me parece irrefutável. Ao mesmo tempo, não me parece razoável imaginar a democracia como um regime em que qualquer decisão, por oriunda do povo, possa ser legitimidade tomada e aceita. Entendo que seja necessário comunicar ao povo sobre quais limites ele não pode chegar. O eventual insucesso nessa comunicação, contudo, não pode suscitar a aceitação passiva dos efeitos devastadores de decisões democráticas desastrosas. A sutileza e a inteligência política das estratégias de Gramsci tornam a implementação de suas idéias mais palatáveis, mas não as validam moralmente nem mesmo pela via democrática. Da mesma forma, a nossa competência na apropriação das bem sucedidas estratégias adversárias nem sempre redundarão em nosso êxito político.O que fazer, por exemplo, se o PT vencer a eleição e caminhar para o autoritarismo imediato, endossado pela vitória democrática, recorrendo à máquina do Estado para aniquilar o dissenso com todas as ferramentas à sua disposição? Devemos apenas lamentar por nossa incompetência, aceitar resignados as consequências disso e aguardar pelo colapso econômico do sistema enquanto tentamos estabelecer novas diretrizes materialmente não-implementáveis a curto prazo?

    A crítica à “direita intervencionista” é muito importante, especialmente para o debate público. Mas se consideramos a hipótese de nossas estratégias serem eleitoralmente malsucedidas, o que deve fazer parte das projeções para consumo interno, a rejeição peremptória do intervencionismo e a submissão às consequências de qualquer decisão por vias democráticas, mesmo aquelas que promovam a destruição da própria democracia, podem ser contraproducentes. Admito que é bastante complexo acertar o frame que abarque competitivamente essas variáveis. Eis aí um exercício intelectual para direitistas.

  9. Absolutamente incrivel, muito obrigado por mais essa Luciano, eu realmente nunca tinha ouvido falar nesse metodo sharpiano, eu tenho muito que aprender pelo visto.

  10. olá luciano.
    eu tinha postado aqui na caixa, recentemente, mas parece q um erro impediu q minha mensagem chegasse.
    bom, primeiramente vc é, sim, um dos nossos gramscis de direita. hehe.
    e eu sabia q vc, como um intelectual orgânico, é a favor de uma intervenção militar somente em casos moralmente justificáveis:
    1- violação dos direitos humanos.
    2- tomada do poder comunista por revolução armada.
    e quem for razoável irá concordar com esta postura.
    e notei q a diferença de um intervencionista é ignorar q temos uma guerra cultural mais importante do q uma guerra armada para travar.

    mas a minha questão para vc é: se o foro de são paulo (PT) é co-responsável por assassinato em massa a cada ano, através da ação das FARC, e q sua intenção (do foro) é tirar toda nossa liberdade para se perpetuar no poder, vc considera justa uma intervenção, se caso os intelectuais da direita falharem em formar a opinião do povo, à tempo, contra a ditadura comunista?

    • Não considero não, pois as FARC são um problema colombiano.

      E eu sei que a intenção do Foro é tirar nossa liberdade para se perpetuarem no poder, mas estão fazendo isso pela via democrática. É por lá que temos que impedi-los tb.

      Abs,

      LH

      • luciano, devo te agradecer pela análise holística. e vou aproveitar o espaço para resolver alguns problemas: se o PT é causador indireto dos homicídios em massa, com cerca de 50 mil brasileiros por ano, isso não se encaixa na condição ‘violação dos direitos humanos’?
        acho q suas respostas foram bem claras até aqui. portanto, não vou me delongar depois desta questão, q deve resolver todos os meus problemas de uma vez. abcs!

      • Se essas 50.000 mortes fossem causadas em campos de concentração do governo, ou em salas de morte, com certeza seriam violação de direitos humanos.

        Do jeito que a coisa está hoje, temos no máximo uma péssima gestão da segurança, mas não uma violação dos direitos humanos a partir do estado.

        Abs,

        LH

    • Luciano, eu sempre me precipito em dar publicidade a qualquer escrito sem antes realizar a devida e necessária adequação de regras de gramática, ortografia, etc. Você poderia apagar esse comentário para eu republicá-lo com as correções devidas? Agradeço antecipadamente!

    • Sim, sim, por favor!

      Eu só gostaria de ressaltar que, apesar de ter me circunscrito em uma análise do intervencionismo militar, não defendo isso para o momento. Eu só passarei a militar explicitamente em defesa do “tapetão” quando colocarem em prática os procedimentos preparatórios para uma “Assembleia Constituinte exclusiva para a Reforma Política”, controlada por setores do MST e outras entidades terroristas.

      Pois ai, nesse turno, a esquerda vai pegar as vias democráticas e as regras do jogo e mantar às favas. E vamos ter que militar em regras escritas por eles, tal como a Constituição cubana que foi elaborada nas coxas pelo querido Frei Beto.

      Ai sim, se e quando isso ocorrer, ou os militares interveem, ou eu corro ao aeroporto mais próximo.

      Essa questão de Assembleia Constituinte exclusiva, apesar de ser uma teratologia jurídica aberrante, já conta com o apoio de alguns setores da comunidade jurídica. O alerta amarelo, na minha mente, já está ativado.

      Quando convocarem o tal monstrengo bolivariano, aí, sinto muito, estaremos sim em um beco sem saída.

      Eu estou muito preocupado com a evolução dos fatos em decorrência do silêncio que fazem a respeito da Convenção 169 da OIT, que é uma verdadeira agressão a soberania e a integridade territorial. Hoje, 13% do território nacional já estão sobre controle de pseudo-nações indigenistas manipuladas por ONGs estrangeiras.

      Eu acho que li há algum tempo um texto seu falando dessa questão indigenista, se não me falha a memória. Eu estou estudando sobre esse assunto e acredito que se você puder se dedicar a todas as táticas manipuladores desse setor do esquerdismo, estará dando uma contribuição muito valiosa para os debates.

  11. Luciano, se me permite, ante a acentuação de alguns pressupostos equivocados, venho novamente repisar as questões que tratei de forma apressada nos comentários do texto que antecedeu a este.

    A utilização dessa nova linguagem – tática de “beco sem saída” – realmente foi genial. Tiro meu chapéu. A um só tempo você minimiza a importância dos fundamentos extraídos do contexto histórico e de experiências históricas anteriores e ainda gruda nos argumentadores uma qualidade depreciativa, infantilizando-os, como se estes, em sua totalidade, não tivessem qualquer respeito pelos valores democráticos, suas regras institucionais, e desconhecessem a gravidade de tal medida, especialmente considerando o atual cenário internacional, hoje, evidentemente desfavorável em relação àquele de 1964.

    Simplesmente perfeito!

    Acontece que a história esta ai repleta de exemplos onde as intervenções militares se revelaram de fato uma necessidade de sobrevivência, quando todas as outras opções, ou estiveram além do alcance do grupo político que eu chamo de “intervencionistas”, ou porque estes, diante de uma ameaça real e iminente (e eu não quero reduzir o debate a simples devaneios ou divagações) não se dispuseram a por em risco a vida de milhões de indivíduos inocentes (no nosso caso, idiotas úteis, irresponsáveis, alienados, moralmente depravados, eleitores que vendem o voto, que votam nulo, que viajam no dia das eleições, que não leem absolutamente nada, e muito menos este blog ou qualquer outro periódico ideologicamente oposto à hegemonia socialista-gramsciana).

    A intervenção militar constitucional ocorrida na Nicarágua, que resultou no acolhimento do Senhor Zelaya na Embaixada brasileira, é um dos exemplos mais enigmáticos e recentes.

    Primeiramente, faço questão de reiterar a minha posição para o presente momento: tratar de intervenção militar, por parte das Forças Armadas brasileiras, é tão urgente como tratar de uma invasão chinesa, russa ou venezuelana (considerando que este país, a despeito de sua grave crise econômica e social, tem realizado investimentos muito superiores ao Brasil em suas forças militares, para qual fim, ninguém sabe).

    Nossos militares, hoje, estão acuados, desmoralizados, maltratados, sucateados, e constantemente são difamados e têm sua reputação dilacerada nas várias sessões da maligna “Comissão da Verdade”, e também nas suas versões estaduais que têm causado bastante dano.

    Superando essa questão, considerando hipoteticamente que há uma possibilidade real de que os militares possam arquitetar e por em prática um plano de intervenção, de modo a interromper o que você chama de “via democrática”, eu imagino (sim, é apenas uma especulação) que eles aguardarão a ocorrência de um fato consensualmente dramático que “legitime” a sua ação.

    Veja bem:
    “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

    Eu sou advogado, não quero me prevalecer dessa condição, e se algum colega advogado discordar de minha análise, estarei aberto a ponderar qualquer objeção, mas eu entendo ser indispensável interpretar a Constituição, que é o manual de onde provém todas as regras do jogo democrático brasileiro.

    As Forças Armadas têm natureza institucional nacional, pois são órgãos do Estado, enquanto pessoa política de direito interno, e da Nação, enquanto elemento sociológico reconhecido pelo direito internacional; são permanentes, ou seja, independem de autorização de um Poder constituído para existir, pois precedem a Ordem Constitucional e, assim, não podem ser extintas; e, por fim, ostentam a qualidade de Forças regulares, ou seja, não se trata de uma força militar extraordinária ou extravagante que somente é convocada para situações extraordinárias.

    Como eu havia dito antes, pelo menos quanto ao Exército, este existe desde antes a noção de Brasil independente. O Brasil, enquanto Nação, nasceu juntamente com o Exército e dele dependeu durante toda a sua história. Foi pelas mãos do Exército que conquistamos a atual configuração geográfica e em face de sua atuação constante, pelo menos aparentemente, a temos mantida a salvo de graves instabilidades (no que se refere a disputas fronteiriças), embora o Narco-petralhismo posto em prática uma “política” que contribuiu para a ocorrência de grande movimentação de tropas das FARC (e, portanto, as FARC não são um problema exclusivo da Colômbia) e também do Exército venezuelano em zonas sinuosas, sem falar do grande fluxo de cocaína que abastece nosso imenso e ascendente mercado consumidor e corre frouxo, cujo controle está muito além das suas possibilidades materiais.

    Indago: quantos terroristas das FARC foram capturados pelo Exército brasileiro ou mesmo pela Polícia Federal e foram julgados pela Justiça Federal por tráfico internacional de armas ilegais e drogas ilícitas?

    Portanto, essa noção, que você deixa implícita em suas colocações, de que uma intervenção dos milicos é imoral, irracional e fora de propósito, é, no mínimo, um desrespeito às nossas Forças Armadas enquanto parte da nossa história e maiores garantidores da nossa liberdade, independência política e estabilização institucional (já que no Brasil, pelo menos, não vivemos em estado de guerra civil, conflitos regionais armados, ameaça estrangeiras dos nossos vizinhos pouco amistosos, etc.), como se estes fossem indignos e estranhos à democracia, como se os militares não fossem parte do povo e como se eles representassem, em si mesmos, uma Instituição rival da democracia e uma ameaça muito maior do que o narco-petralhismo.

    Assim, colocar a intervenção das Forças Armadas na mesa, a meu juízo, não é um ato irracional ou imoral, quando laboradas as devidas ponderações. E, independentemente da nossa vontade, esta será sempre uma opção da Nação, gostemos ou não, concordemos ou não.

    A questão que se coloca, como eu já disse, e você explora bem essa parte, está estritamente relacionada ao momento em que os militares “poderão” agir, com o mínimo de respaldo nas regras do jogo democrático, ou seja, em conformidade estrita com a Constituição, pois, do contrário, os ataques da esquerda mundial dirigidas contra Israel parecerão uma briga de comadres.

    A Constituição diz “implicitamente” em quais circunstâncias as Forças Armadas devem agir. O Constituinte de 1987/1988 jamais declararia expressamente uma possibilidade de intervenção militar, por razões mais do que óbvias.
    A interpretação do artigo 142, a meu juízo, é meramente declaratória, pois a Constituição não existe por si mesma e nem se impõe sem ação dos órgãos a quem entregou o monopólio da “vis corporalis” que, no caso, são órgãos de Segurança Pública e, subsidiariamente, as Forças Armadas. Os órgãos de Segurança Pública são aqueles arrolados no artigo 144 e agem sob a batuta dos Poderes constituídos, especialmente o Poder Executivo e o Poder Judiciário, representando, portanto, uma “longa manus” daqueles indivíduos que exercem estas funções estatais.

    Por interpretação meramente declaratória quero dizer que o texto apenas diz o óbvio, pois declara um fato histórico: As Forças Armadas destinam-se à “defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

    Em outras palavras, as Forças Armadas não deve se imiscuir em questões eminentemente políticas, ideológicas e animosidades internas entre facções políticas, grupos de indivíduos, setores da sociedade, etc, salvo se, destes conflitos, resultar ameaça à Pátria, aos Poderes constitucionais, à Lei (aqui em sentido amplo, incluindo a própria Constituição enquanto Rainha das Leis) e à Ordem. Assim, segundo as regras constitucionais, em regra, os conflitos de interesses (inclusive os de índole penal) serão dirimidos pelo Poder Judiciário, e os conflitos políticos e ideológicos serão tratados no âmbito dos Parlamentos (Federal, Estaduais e Municipais) e dos meios de comunicação em geral, imprensa, jornais, revistas, blogs, redes sociais, etc.

    Por sua vez, o Presidente da República é o Commander-in-chief das Forças Armadas, e estas estão sujeitas a dois princípios fundamentais: hierarquia e subordinação que, pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e da própria Justiça Militar da União, enrijecem a relação entre superior e subordinado de uma forma muito mais intensa do que ocorre nas relações entre servidores públicos civis e também nas relações de trabalho (empregado e empregador).

    Neste diapasão, as Forças Armadas jamais poderiam, sem manchar sua honra histórica, simplesmente marchar contra o Palácio do Planalto e chutar quem quer que lá esteja, apenas e tão-somente por discordar de taxas de juros, remessa de dinheiro público para Cuba, corrupção, censura sutil da imprensa, etc.

    Essas questões “menores”, improbidade administrativa, crimes, arbitrariedades, etc., devem ser resolvidas e seus prejuízo estancados pela via apontada pela Constituição e pelas leis em geral.
    Portanto, se de fato a maioria dos “intervencionistas” pretende solucionar essa qualidade de “conflitos” através dos militares, seguindo a máxima “os fins justificam os meios”, quando tais conflitos não tenham aptidão para por em perigo direta e explicitamente os valores protegidos pelo artigo 142, então uma intervenção militar, neste cenário, poderá dar azo a uma consequência ainda pior do que as próprias causas: a reação da esquerda mundial seria imediata e enérgica, cuja repercussão causará danos irreversíveis às próprias Forças Armadas, apressando e justificando, o processo de “contra-intervenção” no sentido de afastar toda a cúpula de Oficiais “golpistas”, com duras repercussões no campo penal militar.

    Pois bem. Como funciona nosso sistema jurídico, comumentemente conhecido pela doutrina como Estado de Direito?!

    Seguindo todas as prescrições constitucionais, o Legislativo elabora as normas primárias, de índole geral e abstrata; o Executivo realiza ações governamentais por meio da Administração Pública e o Judiciário interpreta e aplica a lei ao caso concreto, dirimindo conflitos e dizendo o Direito.

    Esse é o mecanismo clássico de freios e contrapesos que todo bom revolucionário esquerdista odeia com toda força.

    Qual situação, ao meu ver, e creio ousadamente autorizar uma ação direta dos militares?! Eu subdivido a situação “ideal” em 3 fases:

    (1) Pressupostos essenciais: Um apagão do Parlamento, uma “invasão” de indivíduos ideologicamente comprometidos com a agenda revolucionária nos mais diversos postos do Judiciário, de modo a eliminar a sua qualidade constitucional mais importante: imparcialidade, e a instauração de um endêmico processo de desmoralização da Administração Pública: propositalmente ineficiente, incompetente e corroída pela corrupção e pelo uso de recursos do Estado (cargos e dinheiro) para o benefício de determinadas classes políticas.

    Isso já é uma realidade no Brasil há bastante tempo.

    (2) Alerta institucional: ineficiência do sistema de Segurança Pública, sobrecarga do Poder Judiciário, elaboração de um corpo legislativo destinado a promoção e fomento da agenda revolucionária, enfraquecimento moral e financeiro das Forças Armadas, tolerância diplomática exagerada com prática anti-democráticas praticadas em outros Estado, uso de recursos públicos destinados ao ensino e à cultura para fins ideologicamente alinhados com a agenda revolucionária, desmoralização de autoridades constituídas (no caso de juízes especialmente), achatamento dos Partidos de oposição, depravação moral e cultural do povo.

    Essa fase concluiu-se antes mesmo da eleição da Anta-mor.

    (3) Estado de perigo iminente: Assinatura de instrumentos internacionais que fragilizam a soberania, alianças internacionais formais com Estados ditatoriais, blindagem total do Governo no Parlamento e demais órgãos de fiscalização, aparelhamento e uso político de órgãos estruturais do Estado (ex.: Polícia Federal, ABIN, Receita Federal, CADE, Banco Central, Agências Reguladoras, AGU, Estado-Maior das Forças Armadas), dentre outros fatores.

    Não quero me alongar nesse ponto, pois evidentemente se trata de uma classificação subjetiva e, por isso mesmo, controvertida.

    O que eu quero estabelecer nesse ponto cinge-se ao cenário atual, agosto de 2014, às vésperas de uma eleição presidencial.

    Mesmo diante de todas essas circunstâncias, que não foram imaginadas pelos “intervencionistas”, seguindo um critério lógico e objetivo, o único fator decisivo que falta para legitimar uma intervenção constitucional, nos exatos termos do artigo 142, ocorreria se e quando a Anta-mor agir de modo a perder, em um contexto estritamente militar, a condição moral de Comandante Suprema das Forças Armadas consubstanciada na pessoa do Presidente da República.

    O critério provém eminentemente da filosofia militar, com a qual eu não estou afinado e, portanto, não poderia nem mesmo me arriscar em dizer o que mais Dona Estela Vanda, verdadeiro títere de Fidel Castro, precisaria fazer para que os Generais brasileiros reconheçam que esta indivídua violenta a Constituição de tal forma a se despir moralmente da qualidade de Comandante Suprema das Forças Armadas.

    Ressalto que a Constituição prescreve todo o procedimento para afastar o Presidente da República de suas funções e estabelece também quais são os órgãos legitimados a tanto, e essa função, evidentemente, não cabe aos Generais.

    No artigo 85 encontramos um rol de crimes de responsabilidade, tidos como crimes políticos, cuja gravidade, em abstrato, vulnera e instabiliza o pacto político, consubstanciado na própria Constituição, que une a Nação.

    Dos 7 incisos lá taxativamente enumerados, eu acredito que só falta mesmo a Dilma fechar o Congresso, explicitamente, pois o mesmo já estava politicamente fechado quando ela se elegeu. Ou então fechar o Supremo Tribunal Federal, mas isso seria desnecessário, já que a maioria dos Ministros são petistas apaixonados e ideologicamente alinhados com a agenda cultural esquerdista.

    Pois bem, se concordamos que o Parlamento está politicamente fechado e, portanto, nem mesmo abrirá um procedimento de “impeachment”, e se concordamos que os Ministros do STF são, em sua maioria, petistas apaixonados, então concordamos, por simples dedução lógica, que Poder constitucionais estão gravemente vulnerados, logo, obstados os caminhos ordinários de freios e contrapesos, a sobrevivência jurídica da Constituição, que não tem aptidão para documento lírico, estaria a depender de uma ação dos militares com arrimo no artigo 142.

    Nesse contexto, considerando que os Generais estejam plenamente conscientes da atual situação do Parlamento e do Judiciário, que poderiam está aguardando?

    Em seu texto, você pincela, desdenhosamente, quais seriam as situações que, a seu juízo, autorizariam o uso da intervenção militar, ou seja, traduzindo para uma linguagem constitucional, o desaparecimento moral da autoridade suprema da Presidente da República só ocorrerá quando esta impuser ao Brasil uma realidade política, econômica e social equivalente à da Coreia do Norte, de Cuba, mas exclui a Venezuela, pois alega que lá o Nicolas Maduro e todo o Parlamento foram eleitos democraticamente.

    Fundamentar seu raciocínio se valendo da Coreia do Norte e de Cuba como cenários que autorizariam a ação dos militares, desconsiderando os deveres do artigo 142, me desculpe, foi uma zombaria muito ofensiva.

    A situação atual da Coreia do Norte é muito mais grave do que a da Alemanha Nazista e é possível afirmar, sem ser leviano, que a violência aos direitos humanos lá diuturnamente cometidos alcança tal nível de barbárie que fazem os “gulags” soviéticos parecerem um baile de debutante.

    http://jornaldehoje.com.br/caes-comem-criancas-vivas-na-coreia-norte-relata-guarda/

    http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/comunismo-2/comunista-psicopata-da-coreia-do-norte-tira-hannibal-da-ficcao-para-a-realidade/

    http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3018673&seccao=%EF%BF%BDsia

    Por outro lado, a implantação e, principalmente, a sustentação (friso) desses regimes é decorrência direta e necessária do absoluto controle que a respectivas “nomenklaturas” têm das suas instituições militares. Ou seja, nesses países cogitar uma intervenção militar é o mesmo que esperar nevar no semiárido nordestino: é estatisticamente possível, mas irrisoriamente provável.

    Alias, nesses dois países, e na sua lista eu incluo também a China e outras ditaduras sustentadas pelas Forças Armadas, qualquer intervenção militar, acaso ocorresse, seria no sentido de destituir indivíduos e não o regime em si mesmo, ante a relação umbilical deste e com a própria “filosofia” daquelas instituições militares. E é impossível, e eu me dispenso de explicações, usar de técnicas intelectuais e de contra-subversão ideológica nesses cenários.

    Com relação à Venezuela, a situação é mais delicada e eu me atrevo a dizer que você se apoia em premissas falsas.

    Eu recomendo fortemente o blog da jornalista Graça Salgueiro, que também pública suas matérias no “Mídia Sem Máscara”, pois é quem, a meu juízo, a brasileira que mais entende de Venezuela e América Latina e, por ter acesso a fontes primárias, tem mais informações e “autoridade” para explicar como funciona as “vias democráticas” na Venezuela.

    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/14068-farsa-eleitoral-na-venezuela-cronica-de-uma-fraude-anunciada.html

    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/14044-a-fraude-foi-a-grande-vencedora-das-eleicoes-na-venezuela.html

    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/13388-eleicao-na-venezuela-sob-risco-de-fraude.html

    Há uma foto muito famosa circulando na internet, onde fiscais (não sei dizer se do Estado ou do partido) literalmente se colam nos eleitores para saber em quem estão votando. É uma cena teratológica e que, para mim, é mais do que suficiente para deslegitimar o processo democrático da Venezuela.

    Portanto, risível defender o regime venezuelano, com apoio da ideia de que o grupo político que se apoderou daquele Estado, lá chegou por vias democráticas. E sugerir à resistência lá instalada que contraditem-no pelas técnicas da Guerra Política é um desrespeito com os vários cidadãos que já perderam a vida nos últimos meses e com aqueles que hoje estão bem guardados em instalações militares, vítimas de acusações criminais esdrúxulas, como no caso do Leopoldo Lopez, longe das câmeras e também do acesso à internet.
    http://notalatina.blogspot.com.br/2014/02/juiza-e-pressionada-para-condenar_27.html
    http://notalatina.blogspot.com.br/2014/02/juiza-e-pressionada-para-condenar.html
    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/14051-venezuela-comeca-a-conhecer-o-terror-castro-comunista.html

    http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/11/jornalista-americano-e-preso-na-venezuela-enquanto-fazia-reportagens.html

    http://www.portugues.rfi.fr/americas/20140301-jornalistas-estrangeiros-sao-presos-durante-protestos-na-venezuela

    http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,dois-jornalistas-sao-presos-e-canal-de-tv-e-tirado-do-ar-em-ato-na-venezuela,1129906

    Ocorre, porém, como eu já havia alertado, o que, alias, foi solenemente ignorado, as Forças Armadas venezuelanas não estão mais a serviço dos interesses superiores da Nação venezuelana, pois são dirigidas diretamente pelo Comando Militar de Havana, pitoresca cidade onde nossa amada Anta-mor constantemente vai buscar conselhos, bebe da sabedoria dos irmãos Castro e para onde remete suntuosas quantias do dinheiro dos pagadores de tributos brasileiros e importa agentes do serviço secreto cubano, além de escravos travestidos de médicos, sustentando o falido Regime tirânico e sua livre e descontrolada atuação em toda a América Latina.

    http://notalatina.blogspot.com.br/2013/03/cuba-transforma-venezuela-num.html

    http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/foro-de-sao-paulo/15248-2014-06-08-00-20-57.html

    http://www.epochtimes.com.br/presenca-exercito-cubano-ocupacao-ceo-venezuela/#.U9wbYfldWSo

    A respeito do perigo iminente em se subestimar a ação coordenada da extrema-esquerda Latino-americana cito alguns trechos de uma notícia publicada em 2006 e disponível na íntegra na página do Facebook “Foraforo”:

    https://www.facebook.com/Foraforo/posts/485414328213572
    ——————————————-
    “O Mercosul e o Foro de São Paulo
    por Graça Salgueiro em 02 de agosto de 2006
    Resumo: Após o final da Cúpula do Mercosul, todas as análises feitas na grande mídia sobre o evento evitaram tocar numa questão chave: a relação direta do “novo” Mercosul com o Foro de São Paulo.
    […]
    Em 24 de julho de 2000, o presidente Chávez deu uma declaração ao informativo “La insignia” em que dizia ser partidário de uma união política, econômica e militar do Grupo Andino e do Mercosul.
    “Deve ser uma integração plena, não só econômica. Há que avançar para a integração, não só para a integração econômica e política” – continuou o presidente. “Há um ano eu dizia: se existe a OTAN, por que não pode existir a OTAS, uma Organização do Tratado do Atlântico Sul, que some à África do Sul?”.
    Mais tarde, em setembro de 2003, reuniram-se nas instalações da Escola Militar de Montanha em Barcelona, Argentina, os Comandantes dos Exércitos da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai para tratar da “integração militar no Mercosul”.
    Estiveram presentes os comandantes:
    • Tenente-general Roberto Bendini (Argentina),
    • General-de-exército Francisco Albuquerque (Brasil),
    • Juan Cheyre Espinosa (Chile),
    • Santiago Pomoli (Uruguai),
    • Luis Barreiro Spaini (Paraguai) e
    • César López Saavedra (Bolívia).
    Nesta ocasião, o general Francisco Albuquerque teria dito: “Esse é um exemplo para o mundo”, referindo-se à “integração militar” que mais tarde Chávez iria sugerir a criação das Forças Armadas da América Latina, coordenadas pelo Mercosul.
    Nos dias 16 e 17 de fevereiro de 2004, o Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo reuniu-se na cidade de São Paulo e em sua Declaração comunica dentre outras tantas metas, a seguinte:
    “1. Os partidos e as forças políticas participantes do Grupo de Trabalho debateram a estratégia comum dos movimentos sociais e da esquerda frente aos temas da integração e do comércio global.
    Com relação a isso, reafirmam a necessidade de uma verdadeira integração de nosso continente e rechaçam a proposta da ALCA, da forma apresentada pelo Governo dos EUA, assim como os tratados de comércio sub-regionais e bilaterais promovidos por este país.
    Defendemos uma integração e relações comerciais solidárias, que respeitem a soberania dos países de nossa região e promovam o direito inalienável dos povos ao desenvolvimento econômico e social, deixando claro nossa posição a favor da inclusão de Cuba no sistema inter-americano e condenação do bloqueio estadunidense a esta nação”.
    Como se pode observar, a inclusão de Cuba ao Mercosul já era uma meta antiga e determinada pelo Foro de São Paulo.
    Em dezembro de 2004, o sociólogo comunista germano-mexicano Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, em uma entrevista cedida ao site de extrema-esquerda Rebelión afirmava o seguinte:
    “Bem, a única forma de resistir a esta imposição dos tratados de livre comércio é esse Bloco de Poder, com um programa próprio. A luta contra a ALCA tem sido defensiva porém, com a defensiva não se ganha uma guerra e esta é uma guerra contra o Império.
    Necessita-se de uma proposta estratégica própria. Hugo Chávez a formulou na ALBA: Alternativa Bolivariana para a América Latina. Tem-se dado passos para integrar um eixo Venezuela-Cuba, por uma parte, e um eixo Venezuela-Argentina por outra, porém não há sustentação teórica; é uma integração bilateral que segue a lógica das vantagens comparativas de David Ricardo, e o que necessitamos é um salto qualitativo para conseguir a constituição de um Estado regional que é o MERCOSUL ampliado, aprofundado, democratizado com a Venezuela, com Cuba e em uma segunda fase com Evo Morales na Bolívia e com a CONAIE (Confederação de Nacionalidades Indígenas no Equador) no Equador, que realize a integração o quanto antes nas quatro esferas sociais fundamentais do ser humano: a econômica, a política, a cultural e a militar”.
    […]”
    ————————–

    O que podemos extrair de uma análise politicamente cética a respeito desses fatos e de sua importância para a manutenção do regime democrático, do Estado de Direito e das liberdades individuais fundamentais no Brasil?!

    Nós não estamos devidamente preparados e protegidos a ponto de nos darmos o luxo de simplesmente tarjar os “intervencionistas” como sujeitos imorais e despreparados para a guerra política.

    Luciano, eu não quero polemizar e muito menos me arvoro na capacidade de convencê-lo ou tenho a pretensão de conseguiria dissuadi-lo em suas posições, mas ignorar desdenhosamente todo um cenário real e iminente de ameaças, traduzidas em risco de perder a vida e a liberdade, em benefício exclusivo das técnicas “gramscianas do bem”, como se dispuséssemos, com folga, de 30, 40 anos para disseminar e fazer reverbera nos mais diversos setores da sociedade as ideias direitistas, conservadoras e liberais, especialmente no âmbito acadêmico, é, ao meu ver, uma proposta perigosa e suicida, e que não pode simplesmente servir para pôr um ponto final nesse tema.

    Eu recordo que situação semelhante de menosprezo ocorreu em 1933 quando Hitler foi democraticamente eleito e solenemente subestimado por todos os países ao seu redor, que descartaram a possibilidade de intervir previamente e emergencialmente, enquanto podiam, mesmo diante da explícita e alardeada violação aos termos do Tratado de Versalhes.

    A ideia de aguardar a ocorrência de prisões arbitrárias, assassinatos e outras violações a direitos humanos, e socorrer-se exclusivamente à uma intervenção do Conselho de Segurança da ONU (que é um organismo muito suspeito), em detrimento da ação preventiva e emergencial apenas de militares brasileiros, é um risco que eu, como cidadão, não aceito correr, e também não aceito seja menoscabado.

    “Tanque das tropas de Maduro persegue e atropela estudante”
    https://www.youtube.com/watch?v=Tonhwt9_KLU

    Não quero que morra um só brasileiro pelas mãos de petistas sedentos de poder. Não quero que um só brasileiro seja arbitrariamente preso, realidade hoje vários cidadãos venezuelanos, sob o silêncio mórbido de toda a comunidade internacional. Não quero receber ordens de militares falando em castelhano. Não quero que nenhum direito fundamental seja aprioristicamente violado para só então aplaudir os que clamam pela intervenção militar.

    A missão constitucional e institucional das Forças Armadas está bem clara no artigo 142, e este dispositivo faz parte das regras democráticas do nosso sistema, gostemos dele ou não: “[…] (1) defesa da Pátria, (2) garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da (3) lei e da (4) ordem”.

    Se o Estado brasileiro foi sequestrado por uma organização criminosa, de índole narcotraficante, se os Poderes constitucionais, Legislativo, Executivo e Judiciário estão reféns e sob o controle dessa organização criminosa que os usam para açoitar o povo, vampirizar os recursos do Estado e assolapar as liberdades individuais, mesmo que estes criminosos lá tenham ascendido se utilizando das vias legais, mesmo assim as Forças Armadas têm o dever de restaurar a regularidade institucional do País.

    Pode parecer exagerado, e é realmente um exagero, mas vou me arriscar fazer uma analogia, mesmo correndo o risco de cumprir algumas da rotinas esquerdistas: imaginemos uma situação em que eu tenha convidado um amigo para adentrar em minha residência. O mesmo havia conquistado a minha confiança por meios legítimos e “democráticos” como todo bom psicopata e acessou o interior da minha residência sem violar nenhuma regra legal. Mais tarde, este amigo anuncia um sequestro e me mantém em cárcere privado, telefone para uns comparsas cubanos e venezuelanos para que venham saquear a minha residência. Enquanto isso, eu tento dissuadi-lo por meio de argumentos lógicos e racionais de que sua conduta é moralmente questionável ao invés de pedir uma intervenção da Polícia Militar?!

    Ora, mesmo que eu quisesse dispor da minha vida e da minha liberdade de modo a permitir que contra mim alguém empreendesse alguma atividade criminosa semelhante, se, por acaso, o fato chegasse a conhecimento da Polícia, esta teria o dever (e não simples liberalidade) de agir e restaurar a ordem legal e, em seguida, instaurar os procedimentos legais cabíveis.

    O mesmo ocorre em relação às Forças Armadas que não se inibirão de agir apenas porque alguns setores da sociedade acreditam ser moralmente mais adequado tentar reverter o cenário e as ameaças à democracia brasileira apenas no campo intelectual.

    E digo mais: as Forças Armadas não agirão em face de passeatas, abaixo-assinados, ou manifestações públicas semelhantes. Elas agirão, como eu mencionei no comentário do texto antecessor, quando se sentirem institucionalmente ameaçadas de tal sorte que a sua omissão traga mais danos ao País do que a sua intervenção direta, e também signifique a extinção dos seus valores tradicionais e históricos.

    Isso considerando, é claro, que as Forças Armadas também já não estejam sob o controle desses “inimigos internos”, como ocorreu em Cuba, na Venezuela e na Coreia do Norte, pois a intervenção dos milicos brasileiros, neste cenário, ocorreria como uma espécie de “vira-mesa” em favor do Narco-petralhismo.

  12. Luciano, eu entendo o seu posicionamento e também concordo que intervenção militar não é a solução. Mas tenho muito receio da situação atual. A esquerda vem aprimorando os seus métodos desde 1917 com a Revolução Russa. Tudo o que Gramsci desenvolveu mostrou validade atuando contra regimes democráticos, ou pelo menos com certa abertura a dissidências. Atualmente, quando as extremas esquerdas assumem, elas fecham completamente as portas para o revide democrático. Você acredita mesmo que na Venezuela quem ganhou as eleições foi Maduro? Pelo que eu sei foi Capriles, e as urnas eletrônicas foram manipuladas. Você não acha que o mesmo pode ocorrer no Brasil? Luciano, eles estão mais de 50 anos na nossa frente! O povo brasileiro é conservador e religioso, mas está completamente anestesiado. Intervenção militar não é a solução mas o que você coloca no lugar me parece apenas altruísmo. Você é uma pessoa ética e quer lutar a luta correta. Mas eles não são assim! Precisamos, nós democratas de direita, pensarmos melhor em métodos de combate, ou não teremos chance nenhuma de mudar a situação!

    • Olá Volpe
      Eu concordo que devemos ter receio da situação atual, e que as consequencias podem ser as mesmas. Neste blog, cito o tempo todo métodos de combate, pesquisando a nata dos estrategistas políticos, vários deles da esquerda (Lakoff, Gramsci, Alinsky, etc.).
      O maior desafio para nós é convencermos os direitistas que tem usado estratégias erradas a adotarem estratégias corretas. Isso vai dar trabalho, mas depois que um deles abandona suas manias (como exemplo: pedir fim da democracia, pedir intervenção militar, comunicar derrotismo, etc.), os resultados são positivos.
      Abs,
      LH

  13. Antes de julgar conheça por que causa luta os intervencionista, se estivéssemos combatendo apenas uma crise política pura e simplesmente te daria razão, porem o assunto e mais complexo muito mais complexo, observe que no Brasil morre mais pessoas do que na guerra da Coreia do Norte, milhões de Brasileiros morrem em nossa pátria por ano, já estamos numa guerra, nosso país está sendo tomado de assalto pelos globalistas, estão acabando com nossa soberania, nossas fronteiras foram abertas para os mulsumanos e suas crenças ante cristã, pesquise sobre a (xaria), criaram um orgao em nossos narizes que tem vários partidos nacional e internacional filiado a ele, inclusive partidos guerrilheiro como as Farc, nossas divisas estão sendo vendidas a preço de banana, a Amazônia está sendo loteada e vendida, estamos abrindo nossas porteiras para nós coligarmos a outros países as ideogias maxista lenistas tomaram nossas faculdades e nossos jovens tem liberdade de comprar e usar drogas de toda diversidades dentro dos centros universitarios acabou a moral e os bons costumes dando lugar a reversão de valores a imoralidade impera em todos os setores, ESTAMOS COMINISTAS , NOSSOS POLÍTICOS TORNARAM OS TRÊS PODERES NUM COVIL DO CRIME ORGANIZADO O SIPREMO TRIBUNAL FEDERAL não funciona não há mais um sistema legal imparcial…….e em breve mudarão nossa bandeira verde amarela por uma vermelha com um Machado e uma foice …….SOMOS EXTREMISTAS LOUCOS OBSTINADOS????INTERVENÇÃO MILITAR JÁ ORDEM E PROGRESSO FAXINA GERAL NOS TRÊS PODERES ALGEMAS MILITAR CADEIA MILITAR TRIBUNAL MILITAR.JA.

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