A covardia no uso dos apelos emocionais contra Israel

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Só há uma forma honesta de tratarmos questões de guerra: com senso de proporções, um olhar para a realidade e entendendo o que move os participantes dos conflitos sob análise. Sem isso, o que teremos são análises enviesadas, sempre mandando a racionalidade às favas.

É um fato que a análise política dos adversários de Israel já ultrapassou as raias do ridículo, mesmo que qualquer pessoa em sã consciência seja obrigada a reconhecer que de fato há efeitos colaterais indesejáveis no atual conflito entre Israel e o Hamas. A morte de pessoas inocentes, principalmente em cenários onde os terroristas tem a mania de colocar crianças perto de suas bases de lançamentos de mísseis, é uma consequência da defesa contra jihadistas.

Nada disso justifica apelos emocionais baratos e covardes, como aquele feito pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon (foto), que disse ontem, dia 30, que “nada é mais vergonhoso que matar crianças dormindo”. Desculpem-me sair da seriedade que o assunto requer, mas… e se as crianças estivessem acordadas, teríamos um atenuante moral? É claro que Ban-Ki-moon partiu para a apelação mais patética possível.

Temos que avaliar a questão sob uma ótica racional: há algum traço de verdade na alegação de que Israel está escolhendo seus alvos (onde existem “crianças”) de forma deliberada? Essa é a questão a ser discutida. Não parece que isso esteja ocorrendo e não há evidência alguma nesse sentido. Dessa forma, todo o chororô contra Israel e “em nome das criancinhas palestinas” não passa do oportunismo mais calhorda que uma mente cínica pode prover.

Alias, se é para apelar à emoção, de forma pífia, difícil arrumar um exemplo mais cristalino do que o do porta-voz da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Christopher Gunness. Ele, um notório defensor do Hamas, fez o dramalhão abaixo:

É claro que o choro ali é fingido! O pior é que o energúmeno chorou com a mão no rosto. Ninguém merece um circo patético desses.

Quando jornalistas resolvem apelar ao anti-semitismo e deixam de fazer jornalismo, é o momento de começarmos a tratá-los com mais severidade em termos de escrutínio cético. Ou eles tem provas de que Israel tem atacado civis de forma deliberada ou não tem. Ou eles tem provas de que todas as evidências mostrando que o Hamas usa crianças como estudos humanos são falsas ou não tem.

Do lado dos inimigos de Israel, as regras já estão claras: eles deliberadamente resolveram abandonar qualquer forma de debate e partir para a demonização israelense, fazendo uso de “crianças vítimas” e discursos fraudulentos para demonizar Israel.

Tudo isso enquanto eles escondem fatos como a mania que o Hamas tem de lançar mísseis contra Israel enquanto existe o cessar fogo. Mas é claro que gente como Ban-Ki-moon jamais irá denunciar isso, certo?

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23 COMMENTS

  1. Luciano, acompanho seu Blog faz tempo

    Mas VOCÊ ESTÁ BATENDO O RECORDE DE ARTIGOS EXCELENTES !!!
    Só artigo nota 10 esses ultimos dias!

  2. Eu lembro que em outras épocas os jornalistas cobriam a guerra ‘in loco’, alguns até morriam. Hoje? Sequer saem de suas cadeiras de rodinhas, mais preocupados que estão em tecer editoriais dramalhões do que mostrar a verdade.

    Eu diria que os atuais jornalistas cursaram a faculdade errada: artes dramáticas.

    • Caro Roger,
      Não, eles não fizeram a faculdade errada; fizeram a certa, a de “jornalismo”. Por que digo isso? Abandonei o curso de jornalismo que fazia em universidade federal, já que meu estômago não aguentava mais o esquerdismo e a tal de “construção social” que a dominam. Imbuídos de fervor revolucionário professores doutrinam os alunos a se tornarem “construtores sociais”, assegurando-lhes que estão fazendo nascer uma sociedade “mais justa e igualitária”, e para isso devem “torcer” os fatos para atender à narrativa das teses esquerdistas.

  3. E para dar mais pano à manga nessa história, eis que Dilma Rousseff, ainda magoada com a réplica Israelense de que o Brasil é insignificante no cenário mundial, resolveu apelar aos seus amigos bolivarianos do Mercosul para reforçar o ‘repúdio’ aos bombardeios de Israel às ‘pobres vítimas da Palestina’. Publicado no site esquerdista 257.

    Decerto que a anã socialista precisa subir nas costas de algum cumpanheiro para poder ser ouvida no cenário mundial. O problema é que todos seus cumpanheiros de Mercosul são ainda menores que ela.

  4. se interessar, uma curiosidade: o problema de Israel com os mísseis do Hamas é o mesmo dos americanos contras os norte-vietnamitas pelo menos no livro “Flight of the Intruder” escrito Stephen Coonts, que virou o filme “Intruder A-6: Um Vôo Para o Inferno”…

  5. Dois pesos e duas medidas: quando é por ex, o astrólogo, vc diz que ele pode mentir, roubar, ser um filho da puta escroto, etc, que isso não tem importância nenhuma, o que importa é SE o que ele fala seja verdade.
    Beleza, concordo plenamente.
    Mas quando é alguém defendendo o povo palestino vc pega esse mesmo critério e joga no lixo.
    ——–
    E outra coisa, é um atestado de ignorância chamar quem defende o povo palestino de anti semita porque os próprios palestinos também são povos semitas.
    Uma pesquisa básica pouparia o neocon de mais essa vergonha.

      • Neocon? provavelmente é um libertário retardado, anti olavista e anti judeus também, não é só entre os rad trads que esta praga pegou pelo jeito e só pra constar, em NENHUM momento o Luciano Ayan se diz anti palestina, mas anti Hamas, não meta o louco não cara e por fim, vai estudar o que “neocon” significa, pois o Luciano Ayan é liberal, e não um conservador pró estado babá!!!

      • Espantalho. Eu não disse que apelo emocional = argumento, o que eu disse é que, pro bem da verdade, do mesmo jeito que é certo ignorar o lixo moral do astrólogo quando ele mente, enrola, diz que fulano não está no curso quando estava, etc, do mesmo jeito que é certo ignorar isso tudo quando ele fala uma coisa certa, também seria certo ignorar o teatrinho e apelo emocional de alguém que defende o povo palestino, quando esse alguém está falando uma coisa certa.
        O apelo emocional nesse caso seria equivalente aos ‘filhos da puta’ e ‘vai tomar no cu’ que são 99% dos ‘argumentos’ do olavo. O que não significa que não existe nada de verdade na história, afinal tirando o teatrinho, é mentira que Israel está jogando bomba em colégios e hospitais da ONU? E matando crianças? Não é. Então, se for pra ser honesto, se vc ignora as besteiras de um dos lados tem que ignorar as besteiras do outro.
        SE.

      • diz que fulano não está no curso quando estava, etc

        eu tenho um monte de livros do Olavo, li-os todos e nunca vi isso lá. de novo a mania de transformar algo irrelevante e da briga privada dele contra seus oponentes como O PONTO PRINCIPAL da análise sobre ele.

        é a mesma lógica que faria você deixar de ler schopenhauer pq ele jogou uma criada pela escada abaixo.

        O apelo emocional nesse caso seria equivalente aos ‘filhos da puta’ e ‘vai tomar no cu’ que são 99% dos ‘argumentos’ do olavo

        engraçado que nos livros não há palavrões coisíssima nenhuma, só nos programas true outspeak.

        é diferente do caso do ban-ki moon, onde dar declarações emotivas fazem PARTE de seu trabalho.

        afinal tirando o teatrinho, é mentira que Israel está jogando bomba em colégios e hospitais da ONU? E matando crianças? Não é.

        Vou repetir o que está no texto: “Ou eles tem provas de que Israel tem atacado civis de forma deliberada ou não tem. Ou eles tem provas de que todas as evidências mostrando que o Hamas usa crianças como estudos humanos são falsas ou não tem.”.

        Assim, dizer “bombardeou hospitais” ou “matou crianças” não tem utilidade argumentativa na análise de um conflito.

        Então, se for pra ser honesto, se vc ignora as besteiras de um dos lados tem que ignorar as besteiras do outro.

        Já fiz a defesa acima. E, é fato, eu não dou atenção aos palavrões do Olavo. Você é que está dando atenção excessiva a eles.

        Abs,

        LH

      • ‘vai estudar o que “neocon” significa, pois o Luciano Ayan é liberal,’

        Quem tem que estudar é vc, ele já disse que não é liberal, é ‘neo iluminista’, whatever this means.

    • ‘em NENHUM momento o Luciano Ayan se diz anti palestina, mas anti Hamas’

      Se você acompanhasse direito o blog, teria visto ele falando com todas as letras: ‘Israel está em guerra contra A PALESTINA’.

      • Eu usei o termo radicais islâmicos, mas já escrevi equivocadamente “guerra contra Palestina”.

        Sorry. Foi nos primeiros posts, onde eu estava pouco informado sobre este conflito atual.

        Agora, não tem erro: qualquer texto meu sempre mencionará “guerra contra o Hamas”.

        Abs,

        LH

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