Hora de papo sério: uma análise dos frames relacionados à intervenção militar e rejeição à democracia

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lakoff

Acabamos de chegar em agosto e o natal está longe. Mas já sei o que vou pedir para o Papai Noel: uma direita que consiga pensar mais estrategicamente em termos políticos.

Em posts recentes tratei a questão dos pedidos por “intervenção militar” (feitos por alguns direitistas conservadores) e pelo “fim da democracia (feitos por alguns libertários). Em ambos, o resultado foi uma grande polêmica. Antes de mais nada, peço que prestem atenção na expressão “alguns”, pois o próximo que vier falando que estou contra “o libertarianismo” ou “o conservadorismo” já deve estar ciente de forma antecipada que cometerá uma fraude intelectual.

Pois bem. Entendo que ambos os frames “intervenção militar” e “fim da democracia” são mais ou menos similares, e, portanto, nesta análise eu os tratarei como um só. E atenção: esta minha análise não focará os aspectos éticos e morais das solicitações anti-democracia, mas nos aspectos unicamente pragmáticos. (Eu sempre abordo os dois aspectos, mas por questão de foco aqui tratarei apenas o impacto estratégico-tático do uso de determinados frames)

Como introdução, antes de nos adiantarmos mais, eu recomendo sabemos um pouco mais dos frames. Você pode, por exemplo, consultar os verbetes frame e controle de frame, neste blog mesmo.

Só de livros de George Lakoff (foto), o arquiteto da retórica do Partido Democrata nos Estados Unidos, temos os seguintes exemplos:

  • Moral Politics: How Liberals and Conservatives Think
  • The Little Blue Book: The Essential Guide to Thinking and Talking Democratic
  • Thinking Points: Communicating Our American Values and Vision
  • Whose Freedom?: The Battle over America’s Most Important Idea
  • The Political Mind: A Cognitive Scientist’s Guide to Your Brain and Its Politics
  • Don’t Think of an Elephant! Know Your Values and Frame the Debate
  • Women, Fire, and Dangerous Things: What Categories Reveal About the Mind

Em relação a Lakoff, aproveito para lhes avisar que os líderes petistas não apenas conhecem o trabalho dele. Eles dominam esse material. Claro que os militantes não precisam conhecer este material (que é vasto), mas os marqueteiros do partido, como João Santana, tem o material de Lakoff como livros de cabeceira.

Alias, outro autor ótimo é Drew Westen, que escreveu The Political Brain: The Role of Emotion in Deciding the Fate of the Nation. Não por coincidência, Westen é tão esquerdista quanto Lakoff, e isso está de acordo com o que sempre tenho dito: os esquerdistas estão anos-luz a frente dos direitistas no que diz respeito a estudo e aprimoramento de técnicas para se chegar ao poder. A difeita infelizmente tem focado nas teorias e na ética de suas mensagens, mas não em como o cérebro humano assimila as mensagens recebidas, tanto nossas como de nossos adversários.

Fora da política pública, temos um outro ótimo livro em The Power of Framing: Creating the Language of Leadership, de Gail T. Fairhurst, que conheci apenas recentemente, por dica de um leitor. O livro é bem completo e é praticamente um curso de frames, com ênfase no mundo corporativo. Mais focado para a área de vendas, há o excelente Pitch Anything, de Oren Klaff, que diz o seguinte: “entender como aplicar o controle de frame é o conhecimento mais importante que alguém pode adquirir”. Ele não exagerou. De muito mais difícil assimilação é Frame analysis: An essay on the organization of experience, do sociólogo Erving Goffman, que começou toda essa brincadeira em 1974.

Em síntese, esse pessoal da esquerda não está brincando e o material que lhes dá sustentação (e eles estudam e praticam com afinco) é baseado em tudo que eles conseguirem obter de útil em termos de neurociência, linguística e psicologia social.

Não estou dizendo que vocês precisam ler todos esses livros (mas se for fazê-lo, recomendo começar por Lakoff), mas citei-os aqui para que se tenha uma ideia de que adentramos um campo onde não há espaço para brincadeira, manias, desafabos, mas para ações políticas que dão resultado no que diz respeito a conquista de mentes. Ou você obtém resultado em sua comunicação ou não obtém. Simples assim.

Podemos começar agora a analisar a questão sobre a ótica do controle de frame. E a partir de agora, já lanço um aviso: ao final deste texto você assume responsabilidade moral pelos discursos que profere. Estamos combinados?

Para entendermos o que as pessoas pedindo “fim de democracia” ou “intervenção militar já” comunicam para uma boa parte do eleitorado, basta abstrairmos um exemplo de duas consultorias de informática disputando um cliente. Imagine a consultoria X-Bolinha comunicando sempre que os clientes devem comparar as diversas propostas e ao final tomar a decisão, que eles acham que será a favor deles. Essa mensagem sub-comunica que “o cliente tem opção, está livre para escolher, e há argumentos para escolher em favor da X-Bolinha”. Agora imagine a consultoria Y-Quadrado agindo de forma opressiva, não dando tempo sequer para o cliente avaliar a proposta, dizendo “assine já”. Essa mera sub-comunicação já é suficiente para este fornecedor ser descartado. É exatamente por isso que todo e qualquer estudioso de marketing sabe que o cliente deve perceber ter opções e estar no comando. Não importa se isso é verdade ou não. O que importa é que o cliente tenha essa percepção.

O processo é simples de explicar: em nossa mente há frames que geram situação de alívio (o que gera abertura à interação) diante de quem nos dá opção (pensamos: “somos livres para decidir”). Frames que geram situação de repulsa se ativam diante de quem nos tira a opção (pensamos: “ele nos tirou o poder de decisão”). Um autor místico, Hassan i Sabbah, disse certa vez: “inferno é a condição de não ter alternativas”. Bingo!

Cientes disso, o que o esquerdista, especialmente aquele almejando o poder totalitário, faz? Ele simplesmente reempacota toda e qualquer proposta totalitária com os frames adequados. Por isso, quando o PT criou seu decreto soviético o nomeou de “Política Nacional de Participação Social”. Segundo eles, isso significa “mais democracia”. E quando eles pedem projetos de censura sutil à mídia? Simplesmente eles renomeiam de “democratização de mídia”. É nisso que dá dominar a estratégia política: eles sabem que ao mesmo tempo em que não estão usando um aparato de força física, podem reempacotar ideias claramente totalitárias desde que sub-comuniquem para o eleitorado que estão “a favor da democracia”.

E enquanto isso, o que fazem os intervencionistas ou os adeptos do “fim da democracia”? Se posicionam no pólo oposto, dando à extrema-esquerda tudo que eles mais desejam: o poder de rotulá-los como “inimigos da democracia”. É só olharmos para os lados para observar que espectro político está conquistando os resultados, certo? Os esquerdistas não usam o controle de frame por acharem “bonitinho”, mas por funcionar. É por isso que cada proposta política é antecedida por um estudo anterior a respeito de como a mensagem será empacotada e entregue ao consumidor (o público). Do lado da direita, muitos ficam lendo Ludwig von Mises, F.A. Hayek, Milton Friedman e Murray Rothbard achando que isso é o suficiente. Chega a dar pena.

Ao mesmo tempo em que os esquerdistas (especialmente os da nossa extrema-esquerda) se esmeram em conquistar a mente da plateia com uma linguagem estratégica, o que fazem algumas pessoas da nossa direita? Trabalham para eles. E de graça! Basicamente, o jogo funciona assim:

  • Propagandista do PT: “Nós somos inclusivos e respeitamos a vontade do povo, por isso sempre queremos democracia”.
  • Intervencionista: “Eles, do PT, são inclusivos e respeitam a vontade do povo. Nós não. Queremos intervenção militar”.
  • Leitor de Hans-Hermann Hoppe: “Eles, do PT, só ganham por que respeitam a vontade do povo. Nós não. Queremos o fim da democracia”.

Sim, eu sei que as frases não são expressas exatamente dessa forma, mas é assim que elas são compreendidas por uma larga parte do eleitorado. E em política, você deve ser avaliado pelos seus resultados, não pelo que está nas profundezas de sua mente.

O mais irritantemente irônico de tudo é que o PT hoje em dia tem dado tantas brechas com suas intervenções totalitárias que qualquer direitista teria autoridade moral para superar os frames deles e colar na testa de cada petista: “autoritário, totalitário, ditador”. Para isso bastaria citar os fatos, explicar o que significam os sovietes e estar com a imagem limpa em relação ao totalitarismo. Mas isso agora se complicou, pois os intervencionistas apareceram pedindo “intervenção militar já” enquanto alguns libertários estão começando a gritar por “fim da democracia”. Com frames como esse, um adversário pode dizer: “Ué, você quer nos acusar de conselho soviético? E você que está pedindo mais uma vez golpe militar? Você não tem moral…”. Game over.

É exatamente por isso que digo que nós, direitistas mais conscientes em relação a como funciona o jogo político, temos a obrigação de ajudar a sepultar discursos de “intervenção militar já” e “fim da democracia”. Esse tipo de discurso deve ser cada vez mais marginalizado. O histórico da direita é muito mais democrático que o da esquerda. Não podemos deixar frames criados sem o menor traço de estratégia sujarem nossa imagem.

Uma objeção a ser tratada: e se o pedido de “intervenção militar” for tratado como “democratização”? O fato é que os frames precisam atender a uma certa coerência, mesmo quando são desonestos como aqueles feitos pelos petistas. Para ressignificar uma ditadura formal, com tanques na rua, de “democracia” só tendo o poder totalitário em mãos e com a Internet censurada. Praticamente impossível. Ou seja, ou a direita abraça de vez a democratização, vencendo os frames da esquerda (que pede democratização enquanto quer implementar mecanismos de censura sutil – ou seja, são mais espertos) ou então melhor esquecer.

Creio que já é o suficiente para que fique bem claro o que eu quero dizer com “responsabilização”. Se você chegou até aqui (e esse texto está para terminar) já tem em mente o que eu quero dizer com o fator doloroso de se adentrar à seara da estratégia política com base no estudo dos frames. Descobrimos, ao estudar os frames (que a meu ver são uma sub-parte da guerra política), o quanto somos (ou ao menos fomos) corresponsáveis por dar o poder que a esquerda tem hoje. O problema não está na democracia, mas na mania doentia (e inadvertida) que boa parte da direita tem de ajudar a esquerda a ter poder.

As pessoas que mais assimilam o conteúdo deste blog são as mais aptas a assumir responsabilidade na guerra política. Mas sei que alguns recusam essa responsabilidade. Sei que não é fácil de uma hora para outra se descobrir como agente não-intencional com funcionalidade de dar poder aos esquerdistas. Um amigo me disse: “Você quer dizer que eu tenho sido quase um serviçal dos esquerdistas sem saber por muito tempo?”. Minha resposta: “É exatamente isso que estou dizendo, mas dá para fazer uma mudança de rota”.

Posso perceber isso na reação indignada que alguns terão diante deste post. Racionalizações vão surgir por diversos motivos: a proteção ao investimento emocional nas crenças atuais, o apego às manias (ao invés de resultados), o desânimo diante da alta vantagem que os esquerdistas possuem em termos de estratégias para o controle da mente (mas que você pode aprender, se quiser), a eterna fuga da responsabilidade por resultados e daí por diante. Mas nenhuma dessas reações muda os fatos: pessoas que usam os frames “anti-democracia” são corresponsáveis pelo sucesso da esquerda, especialmente a extrema-esquerda.

Você se considera pronto a assumir a responsabilidade pelos seus discursos na guerra política?

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41 COMMENTS

  1. Eh assustador ver como alguns rejeitam esse tipo de conhecimento, provavelmente deve ser preciso usar hipnose para parar com o direitismo depressivo. é igual largar vício por cigarro

    Outro assunto -> esse vídeo do Oren Klaff é muito bom, pode ajudar na explicação pro pessoal

  2. Nem terminei de ler o texto, mas já começou mal. Essa é uma falsa analogia:

    ‘Imagine a consultoria X-Bolinha comunicando sempre que os clientes devem comparar as diversas propostas e ao final tomar a decisão, que eles acham que será a favor deles. Essa mensagem sub-comunica que “o cliente tem opção, está livre para escolher, e há argumentos para escolher em favor da X-Bolinha”. Agora imagine a consultoria Y-Quadrado agindo de forma opressiva, não dando tempo sequer para o cliente avaliar a proposta, dizendo “assine já”. Essa mera sub-comunicação já é suficiente para este fornecedor ser descartado. É exatamente por isso que todo e qualquer estudioso de marketing sabe que o cliente deve perceber ter opções e estar no comando. Não importa se isso é verdade ou não. O que importa é que o cliente tenha essa percepção.’

    …porque reduz a democracia à decisão de UMA pessoa. Mas já dá pra notar aonde vc quer chegar, vc quer dizer que quem pede por por ex, uma ditadura capitlista passa a mensagem de que o capitalismo não é bom, vc quer acreditar que é tudo uma questão de venda. Luciano, não sei pq é tão difícil entender que algumas pessoas NÃO estão dispostas a serem convencidas.

    Bom, a PNL é uma das suas influências, certo? Pois é, no persuasion engineering, Richar Bandler fala que vender NÃO é manipular, é ajudar as pessoas a tomar a decisão certa. Agora vc já notou que pro pessoal do bolsa esmola um sistema de livre mercado não é a melhor coisa pra eles?

    • Slaine,

      Vc entendeu errado o que eu quis dizer ali.

      Se você entrar em uma sala e fazer uma proposta para o público convencendo-os de que você RESPEITA O DIREITO DE DECISÃO DELES é uma coisa. Se chegar para o mesmo público e falar que NÃO RESPEITA O DIREITO DE DECISÃO DELES é outra.

      Há uma diferença neste sentido e é isso que eu expus com o exemplo.

      O que você quer dizer ao pedir “fim de democracia” é comunicar ao povo que NÃO RESPEITA A DECISÃO DELE, e então dar o espaço para o esquerdista conquistar o coração da plateia com esse frame.

      Pq faz isso? Por mania? Orgulho? Hábito? Não sei. Não sou juiz de sua cabeça. Mas sei os resultados bons para a esquerda quando alguns direitistas agem assim.

      Detalhe: a questão do Bolsa Esmola. Uma parte da população recebe o benefício e o Brasil é um país pobre. É preciso primeiro tirar do poder aqueles que usam o Bolsa Família como instrumento de voto de cabresto, tornar o programa federal e depois discutir formas de superá-lo com outras iniciativas.

      Não coloque o carro na frente dos bois.

      Política é estratégia.

      Abs,

      LH

  3. Resumindo, isso tudo parte do pressuposto de que o único problema real é uma questão de convencimento. Se a direita puder convencer a maioria de antas, eles não vão querer mais ser parasitas e vão votar em alguma coisa pró livre mercado.
    Isso é um mito mais utópico que a maior utopia anarco capitalista.

    • O único problema real está na INÉRCIA da direita e a RECUSA ARROGANTE em jogar o jogo político. Quem crê nos ideais da direita está sofrendo com isso.

      Não devíamos querer convencer os parasitas, mas aqueles que são parasitados e os BI-CONCEITUAIS.

      Abs,

      LH

      • A regra do parasitismo é que os parasitas sejam menores e em menor número, do contrário o sistema entra em colapso. A democracia pode ser uma saída para o não parasitismo, mas para isso os parasitados têm que perceber a presença dos parasitas e suas consequências e é justamente isto que não acontece hoje e que precisa ser mudado.

  4. Este é um dos melhores artigos que eu li ultimamente, junto com o anterior.
    Eu padeci deste erro de apego excessivo a ideologia libertária, não por ela ser errada ou ruim, mas por querer aplica-la em um mundo onde tudo conspira para que elas não dêem certo , mas felizmente sempre me senti incomodado sobre como aquilo teria aplicação hoje em nossa situação atual, senti um distanciamento da realidade que me incomodou pois não queria viver em um mundo imaginário, quero contribuir para melhorar o meu mundo real, mesmo sabendo que ótimo ele não vai ficar.
    Infelizmente muitos de nós não estamos preparados para lidar com a frustração da derrota e da dificuldade de assumir uma posição de inferioridade. Esta questão do sucesso da esquerda no campo cultural e intelectual é dificil de engolir e por isso é mais confortavel viver apegado a uma realidade paralela e a uma ideologia. Esta é a zona de conforto que é de difícil saída.
    Voce pegou neste texto no caucanhar de aquiles de muitos libertários e conservadores e espero que muitos saibam qual guerra deve ser lutada de agora em diante, pois os esquerdistas estão dando risada desta falta de traquejo de marketing e conhecimento sobre comportamento humano que a direita tem mostrado. Chega ao cúmulo de alguns mavs, mesmo sendo burros, se infiltrarem em grupos de discussão fomentando este tipo de atitude justamente porque sabem que muitos libertarios e conservadores, embora estudados e inteligentes, tem essa fraqueza emocional e psicológica.

  5. Fantástico o seu artigo, Luciano. Eu tenho acompanhado seus textos a alguns meses e tenho me surpreendido com a qualidade… Vou acumulando aqui as excelentes sugestões de leitura.

    Sobre o texto, realmente… É impressionante a quantidade de imbecis (e eu me incluo neste grupo) que pouco pensa sobre as próprias ações e decisões, e apenas se deixa levar pelo discurso mais convincente.

    O comentário do Slaine diz que “Isso é um mito mais utópico que a maior utopia anarco capitalista.”, pois eu discordo… Na verdade o problema é sim o convencimento, basta constatar que 80% do eleitorado é composto por imbecis, e verá que na verdade tudo não passa de uma simples venda.

  6. Luciano sou fã e leitor do blog e assino em baixo tuas considerações. O calcanhar de Aquiles da esquerda é o autoritarismo e isso poderia ser explorado na guerra política, apesar da esquerda tentar cada vez mais sem sucesso esta sua faceta. Entretanto fica muito difícil projetar sua imagem se em cada embate aparece algum “gênio” da direita pedindo ditadura militar. Para o espectador fica um esquerdista se esquivando das acusações de autoritarismo e um direitista falando abertamente em instaurar a ditadura, obviamente um espectador moderado pendera para o falso democrata.

  7. É impossível que um leitor honesto e que se atreva a entrar na debate político brasileiro não entender a necessidade de assimilar o máximo de instrumentos e “armas” na defesa dos valores ideológicos que acredita.

    Eu conheci o seu blog relativamente a pouco tempo e antes eu não tinha a menor noção de que essa abordagem existia. E ao longo dos seus textos você deixa claro que não foi da noite para o dia que você conseguiu assimilar tantos conceitos e técnicas de argumentação. E é evidente a importância de sempre estar se afiando como um cavaleiro diligente faz com a sua espada.

    Eu nunca abordo a questão da intervenção em debates, no máximo me manifesto muito lateralmente sobre ela quando me vejo obrigado a isso, fazendo sempre as minhas reservas pessoas. Intervencionistas, e eu conheço vários pelo Facebook, são extremistas como qualquer outro do espectro ideológico e eu não gasto os tendões das mãos com discussões virtuais com extremistas.

    É óbvio e ululante que, em um contexto de normalidade institucional, os movimentos intelectuais anti-esquerdismo, seja de qual natureza for, devem se reorganizar e estas recomendações são mais do que essenciais: são vitais.

    Eu me considero um privilegiado por ter acesso pelo menos a este blog e poder aprender um pouco, mesmo sem cumprir todos os meus deveres.

    Acontece, porém, que eu não quero ir para a prisão, não quero morrer, e nem quero que o ambiente institucional do Brasil se deteriore de tal maneira a se assemelhar com a situação política, social e econômica da Venezuela.

    O controle de frames e a técnicas argumentativas inerentes a guerra política só têm espaço hoje, no Brasil, porque a humanidade, durante os vários séculos, passou por várias crises, onde milhões de pessoas lutaram em guerras e conflitos para defender a liberdade!

    A independência dos EUA, embora seja uma história cheias de controvérsias e mitos, é um dos exemplos mais importantes para a minha formação enquanto indivíduo intelectualmente ativo: o brasileiro nunca lutou por nada, sempre recebeu a “liberdade” praticamente de mãos beijadas e a esmagadora maioria dessa geração presente sequer sabe das muitas turbulências havidas em nossa história e os riscos que correm por ignorarem as ameaças.

    Jamais usei e nunca tive a pretensão de usar o argumento intervencionista como instrumento de guerra política. O intervencionismo não tem essa função. O intervencionismo só tem espaço quando qualquer cenário para atuação de guerra política revela-se totalmente inviabilizado.

    Não é possível fazer controle de frames ou desmascarar fraudes em países como Cuba e Coreia do Norte, onde as pessoas não dispõe sequer do que comer, nem eletricidade, nem acesso à internet, ou qualquer outro meio difuso de informações e ideias. É uma perversidade exigir das pessoas que ousarem resistir a opressão desses regimes que atenham ao debate de ideias, que leiam esquerdistas americanos, que desmascarem as fraudes nos discursos de Fidel Castro ou o Kim Jong-un, como podemos fazer com o Narco-petralhismo em geral.

    E apesar de não usar o intervencionismo como argumento na guerra política, eu não o demonizo. Se me tomarem o computador, eu pego um fuzil, ou uma baladeira, ou qualquer outra arma que eu puder usar para defender a minha liberdade e o meu País.

    Eu prefiro dormir e acordar todos os dias com a sensação de que ainda posso contar com as Forças Armadas, acreditando que eles não tenham sido corrompidos pelo Narco-petralhismo de tal forma que a sua atuação, se ocorrer, se volte contra os interesses superiores da Nação, como ocorreu em Cuba, na Coreia do Norte, como está acontecendo agora na Venezuela, onde os militares estão sim sendo usados para oprimir a população, prender opositores e assassinar pessoas.

    E se eu puder contar com as Forças Armadas para defender o País de um ataque real e consistente do totalitarismo da esquerda, quando eles se decidirem, eu estarei na frente do 23 BC de Fortaleza para me oferecer voluntariamente.

    É claro que eu não quero isso, não desejo isso, e não espero que cheguemos a esse ponto, mas quando bloquearem o acesso a internet, como na Venezuela, quando fecharem o Congresso, quando os milicos resolverem agir para não serem esmagados, eu estarei ao seu lado e não me importo com o frame que essa minha postura possa causar na mente de alguma toupeira que não entende absolutamente nada do que acontece no País.

    No mais, nos dois últimos meses eu tenho dedicado quase todo o meu tempo disponível para estudar política lendo, relendo e “trelendo” as postagens mais importantes e também as mais antigas desse blog. Estou plenamente de acordo que o pensamento político “anti-esquerdismo” está debilitado, desarmado e que nas últimas décadas apenas serviu para fortalecer o esquerdismo. Isso é óbvio.

    Eu não vou nem comentar o que penso sobre o pensamento libertário porque ai já seria muito mais a dizer e a filosofia utópica em que se baseia me está tão distante da realidade do mundo e especialmente do Brasil que não me empolga nenhum pouco.

  8. Deveria comentar no outro texto, mas vai aqui mesmo.

    Luciano, definitivamente, você não entendeu o argumento libertário pela extinção do Estado e pelo fim da democracia. Vou dar uma dica: é muito mais deontológico do que utilitarista.

    A democracia não é ruim porque não funciona. Ela é ruim porque atenta contra as liberdades individuais e concentra muito poder nas maos de poucos.

    “Por que devem os meus vizinhos ter poder para decidir o que eu faço com meu corpo e meu dinheiro?”

    • Ok, e como já disse usa-se o frame “anti-democracia” para dar mais poder para a esquerda poder decidir o que você faz com o seu dinheiro. 😉

      Na predileção pelo deontológico ignorando-se o aspecto utilitarista, o libertário escolhe as batalhas que quer lutar e os resultados que quer obter.

      Respeito seu direito, mas pelo menos o texto diz a dimensão da responsabilidade de quem quer seguir com o frame para ajudar a esquerda.

      Alias, já que o esforço para dar o frame positivo para a esquerda é tão importante, uma coisa: qual a proposta para “decidir plenamente o que você faz com seu corpo e seu dinheiro”?

      • Você acha que a única interpretação possível pra quem escuta o ‘frame’ anti democracia é ‘eles não ligam pra minha opinião’
        Mas não acha isso muito simplista? Não acha que também é possível alguém entender como a democracia é contra as liberdades individuais?

        Quando um LIBERTÁRIO explica por que é contra a democracia, isso é totalmente diferente de um marchista, por ex, explicando. Ouvindo do marchista, o cara em cima do muro realmente pode pensar que eles não ligam pra sua opinião, mas ouvindo o argumento de um libertário é justamente o contrário, se vc quer ser capacho do lula, libertário nenhum vai querer te impedir.

      • O duro é que é facil argumentar em favor da democracia. Note que na política temos dois lados, o argumentativo e, principalmente, o emocional. E se você vier pedindo fim da democracia para valorizar “liberdades individuais”, um esquerdista pode te atacar com esse vídeo.

      • Eu entendo porque você não enfoca no argumento deontológico. Não há argumento contrário convincente. Talvez você perceba isso e prefira sair pela tangente.

        Eu não sou anarquista e não concordo com os libertários que defendem a abstenção. Não porque aprecio a democracia, mas porque entendo que se a finalidade é acabar com o Estado a melhor forma é pelo processo democrático. E eu nem estou falando de ganhar eleições. O sistema eleitoral, no meu ponto de vista, é a melhor forma para divulgar ideias para o grande público.

        Não concordo com os que dizem que todos os partidos são iguais. Todavia, convém frisar que, para os libertários ao menos, a direita pode ser tão big government quanto a esquerda.

        Na verdade, os libertários anarquistas não escolhem suas batalhas. Eles apenas consideram eficaz lutar de outras formas. Chamam isso de agorismo.

        A proposta? O fim do estado … E da democracia.

      • Rafael
        Eu entendo porque você não enfoca no argumento deontológico. Não há argumento contrário convincente. Talvez você perceba isso e prefira sair pela tangente.
        Realmente é o efeito Dunning-Kruger mesmo. Eu citei uma base completa em favor da democracia liberal, e se há opção por ignorá-la, é um direito. Cria-se uma oposição entre direitas, que é mais do que necessário neste momento. Ninguém ignorou argumento algum por que meu objetivo primal neste texto foi mostrar um erro estratégico-tático.
        Eu não sou anarquista e não concordo com os libertários que defendem a abstenção. Não porque aprecio a democracia, mas porque entendo que se a finalidade é acabar com o Estado a melhor forma é pelo processo democrático. E eu nem estou falando de ganhar eleições. O sistema eleitoral, no meu ponto de vista, é a melhor forma para divulgar ideias para o grande público.
        Perfeito. Ou seja, meu texto é a defesa disso. E estou confiante que apresentaremos argumentos melhores, no ambiente democrático, para que os adeptos da monarquia não cheguem lá.

      • Esse tema é, de fato, repleto de controvérsia e apelos emocionais fortíssimos em defesa da “liberdade individual”, pois é senso comum (pelo menos entre aqueles que pensam) que a própria existência do Estado, qualquer que seja a modalidade estrutural adotada, representa um contrapeso à liberdade individual.

        Acontece que os libertários proferem suas teses ignorando a realidade e a natureza humana por completo, baseando-se em premissas falsas como o “princípio da não-agressão”.

        Eu geralmente sugiro o seguinte: convença os nobres integrantes do PCC, do Comando Vermelho e de outros clubes similares da importância do “princípio da não agressão”, que é feio roubar, sequestrar, matar, estuprar, esfolar vivo, pois isto viola a liberdade individual do outro.

        Quando todos os agentes de organizações criminosas estiverem conscientes disto, e ai eu faço questão de incluir as organizações terroristas transnacionais, como FARC, Irmandade Muçulmana, Hamas, Al Quaeda, etc., ai sim poderemos iniciar as tratativas para desmontar o Estado nacional.

        No entanto, e não menos importante, será necessário também convencer países como Coreia do Norte, China, Cuba que as democracia da Civilização Ocidental se extinguirão e com elas as suas fronteiras, e que não devem nos invadir e implantar em nossas áreas privativas (jardins, quintais, clubes de tênis, apartamentos, casas, etc.) o regime que impõem às suas populações respetivamente.

        E depois devemos decidir o que fazer com todo o arsenal termonuclear de todos os Estados extintos, a quem caberá a propriedade privada, e com isso os Porta-aviões, submarinos, navios e tanques de guerra, ou seja, todo o inventário de todas as Forças militares do mundo.

        Resolvidas esses pequenos detalhes inconvenientes, passamos ao plano econômico.

  9. Simplesmente, obrigado Luciano! Sou um ávido leitor, e também sou um libertário.Pensei que iria demorar, mas você sintetizou o que eu penso a respeito da guerra política e ideológica. Nunca pare com o blog!

  10. Concordo com todas as premissas lançadas no texto. As perguntas que faço são: Como criar e organizar grupos de intelectuais orgânicos e militantes de direita para a guerra política sem remunerá-los? Como a estratégia dará certo se não tivermos pessoas dedicadas 24/7 na tarefa?

    Esse tipo de trabalho, feito de maneira profissional, requer dedicação total. Não pode ser um hobby. A esquerda sempre soube disso. Já os direitistas, via de regra, se preocupam com a carreira, a família etc. O engajamento político tem potencial enorme para prejudicar esses aspectos da vida. Como contornar tal situação?

    • Thomas,
      Eu gasto geralmente 1 hora por dia para o blog para postagens, e umas 6-8 horas de fim de semana. E o conteúdo gerado por este blog já gerou resultados efetivos, em vários testemunhos de pessoas mostrando como deixaram de perder debates e conseguiram fazer vários esquerdistas silenciarem em vários ambiente.
      E, sim, tudo isso enquanto é um hobby, que não atrapalha em nada minha vida profissional.
      Em tempo: este tipo de hobby ajuda na ampliação de conhecimentos, na aquisição de uma visão mais holística, do aumento do poder de previsibilidade. Ou seja, eu só tive benefícios com isso, mesmo que não ganhe nada com o trabalho que eu faço.
      Outra coisa, agora do ambiente corporativo: eu já apliquei o princípio OZ, que estuda principalmente o uso de desculpas para não se ter resultados, e é uma MANIA do ser humano inventar desculpas para não fazer alguma coisa. Não é nem preguiça, mas falta de perspectiva. Então, não se ofenda. E não estou avaliando você em questões corporativas, mas em questões da política pública.
      A meu ver, o que você disse é apenas DESCULPA INJUSTIFICADA para não fazer nada. É apenas um mecanismo de proteção, que precisa ser derrubado.
      Quer ver?
      Esse tipo de trabalho, feito de maneira profissional, requer dedicação total.
      Independentemente de ser de maneira profissional ou não, gera resultados. Ou você acha que todos os neo-ateus postando na Internet são “profissionais” em tempo integral. A desculpa de “requer dedicação total” foi inventada para justificar inércia.
      Não pode ser um hobby.
      Para alguns pode. Pq não? Outros podem adentrar ao território profissional.
      A esquerda sempre soube disso. Já os direitistas, via de regra, se preocupam com a carreira, a família etc.
      Este é um falso dilema. Ninguém proíbe você, por exemplo, de criar um perfil fake. Veja o exemplo do canal do Otário.
      O engajamento político tem potencial enorme para prejudicar esses aspectos da vida. Como contornar tal situação?
      Para quem vê riscos do engajamento político prejudicar sua vida, recomendo: uso de perfis fake, vitória em debates nas redes sociais, criação de blogs e conteúdo de diversas formas, etc, etc.

      • Quando eu falo sobre “dar resultados” não me refiro a debates e conversas entre amigos pessoais ou conhecidos virtuais. Todos nós conseguimos, de uma forma ou de outra, convencer indivíduos a respeito dos nossos pontos. Alguns, mais. Outros, menos. Me refiro a criar as nossas Heritage Foundations, não o que se faz hoje em dia, com todo respeito, em lugares como o IL ou Millenium. Me refiro a ter uma militância de verdade, que alcance milhões de pessoas e se dedique integralmente ao trabalho de ocupação de espaços, de assessorar e eleger candidatos. Me refiro a transformar, futuramente, tudo que se debate neste e em outros espaços não no voto no menos pior, mas no voto em pessoas que realmente nos representem. Me refiro a empurrar o PT e a extrema esquerda para uma situação na qual jamais atinjam mais de 1/3 dos votos válidos, tornando-se portanto, inviáveis para vencer eleições majoritárias como cabeça-de-chapa. Me refiro a destruir o Foro de SP, moral e financeiramente. Me refiro a criar uma situação de alternância de poder entre conservadores/liberais (regra) e social-democratas (exceção).

        Em suma, em que pese o trabalho elogiável que se faz aqui e em outros lugares, estou falando de outro patamar de atuação. É isso que eu chamo “dar resultados”. Não se trata de dar desculpa. É uma dúvida sincera, assim como sobre a questão de prejuízos pessoais que o engajamento ideológico pode acarretar. Você acha realmente que dá para alcançar tudo isso que eu falei sem profissionalismo? Quando o Olavo fala que o que a direita mais precisa é, em 1º lugar, dinheiro, em 2º, dinheiro e em 3º, dinheiro, não seria exatamente para criar este quadro que falei?

      • Thomaz,

        Há um conceito corporativo que funciona como antídoto “anti-enrolation” (não estou dizendo que seja o seu caso) chamado “quick win”. Funciona assim: o sujeito aparece com uma proposta de implementar um plano de melhorias, como uma nova gestão de serviços, cujos resultados serão visíveis daqui 3 anos. O patrocinador exige, em retorno, uma série de “quick wins”. Por exemplo, a entrega de uma versão do catálogo em 1 mês, a coleta dos indicadores atuais em 2 meses, e, assim, por diante. Enfim, os resultados serão vistos de forma particionada.

        Isso funciona para evitar que o sujeito chute suas premissas lá no alto, como justificativa para não entregar nada. Até pq seria fácil para um executivo ficar torrando dinheiro em algo, sem entregar qualquer resultado, e com 30 meses de projeto sair para outra organização e não entregar resultado algum.

        A meu ver a noção de que “o que a direita mais precisa é, em 1º lugar, dinheiro, em 2º, dinheiro e em 3º, dinheiro” é uma fuga do quick win, não de forma intencional, claro. O próprio Olavo de Carvalho tem mudado de ideia quanto a isso. Pode-se ler nos apendices da nova versão de “A Nova Era e a Revolução Cultural”.

        Ademais, a esquerda foi mobilizada pela produção intelectual “underground” por décadas, até conseguir um financiamento na Escola de Frankfurt. Enquanto isso, Gramsci criou a sua estratégia dentro de uma prisão. Eu aplaudo os marxistas por terem tido pessoas focando em resultados, mesmo que vários deles tenham pensado “só fazemos X depois de conseguir Y”.

        Então a afirmação de “1º lugar, dinheiro, em 2º, dinheiro e em 3º, dinheiro” é uma com a qual discordo ferrenhamente. Eis como eu retornaria: “Para que dinheiro se as estratégias e ações de seu lado nem sequer foram comprovadas como efetivas?”.

        Então esse “outro patamar de atuação” (onde temos que chegar, é fato) depende do que fizermos agora. Sair pedindo dinheiro é fácil? Merecê-lo (enquanto movimento político) são outros quinhentos…

        Abs,

        LH

      • Partindo do pressuposto de aplicabilidade factual do seu exemplo, o que demarcaria a transição entre as quick wins e o engajamento profissional?

        Gramsci, como os títulos afirmam, escreveu seus cadernos no cárcere e eles foram resgatados apenas muitos anos depois de sua morte para servirem de estratégia alternativa e de longo prazo do comunismo a uma revolução armada. Não houve um teste prévio e definitivo. A teoria foi sendo testada na prática até chegar ao ponto atual, que ainda não é o de chegada. Isso poderia ser visto como as quick wins deles. Ok. Ocorre que o profissionalismo não veio como resultado da verificação constante de sua eficácia, mas paralelamente a ela e praticamente com grandes doses de abnegação inicial e dogmatismo. Os caras simplesmente acreditaram naquilo e foram em frente.

        Como os nossos não têm produzido novas estratégias de tomada de poder, mas apenas identificado o que foi criado pelo outro lado com eficácia, pregado sua aplicação com sinal invertido e desmascarado os ardis criados por eles, não teríamos que emulá-los também historicamente nesse sentido para que chegássemos ao patamar que, como você mesmo concorda, temos que chegar?

        Claro que o trabalho de formiguinha tem que continuar. Ele tem sua serventia e nós todos já os fazemos em nossos respectivos universos. Mas acho que superestimamos seus resultados e esquecemos de ressalvar que, por mais competente em estratégia política que o outro lado seja, a fadiga de material por ora nos ajuda. E depois? Vejo a busca de profissionalismo como um trabalho que já deveria começar.

  11. Eu fico admirada com sua paciência e dedicação, você está fazendo o que tento fazer há 20 anos, que é esclarecer as pessoas sobre verdadeiras roubadas que existem no discurso lulopetista. E como você bem notou, os mais refratários a aprender, modernizar seu discurso e sua abordagem são os ultradireitistas dito conservadores. Esse pessoal precisa aprender que é através dessa atitude autoritária, revanchista e BURRA que eles perdem influência e a dão de mão beijada pro lulopetismo e pro MTST.
    Mas eles se acham inteligentes, e por isso se recusam a aprender. É preciso reconhecer que o tratamento através do método da intervenção somente demonstra duas coisas: primeiro, demonstra que quem pede por intervençao militar reconhece seu fracasso como líder, pois precisa de força bruta para impor seu ponto de vista, e segundo, demonstra alienação e incompetência pois prefere delegar o poder à força bruta do que rever seus valores, achar uma solução e trabalhar pela sua implementação.
    Já convenci MUITA gente simples iludida pelo PT com uma pergunta simples: “Você entregaria a chave da sua casa e os seus filhos a um cachaceiro desbocado que rouba seu armário de comida quando você não está olhando e sustenta a amante e mais um monte de outros cachaceiros com as coisas que roubou de você?” Quando a pessoa responde “Não, claro que não” aí eu conto toda a historinha do Lula. Funciona em 60% dos casos. funciona muito melhor quando mostra as fotos dele com a Rose e com bandidos que estão na cadeia.
    agora, se eu disser “Lula é um bandido que precisa ir pra cadeia, e os militares têm que voltar pra acabar com ele”, ah, isso tem o efeito contrário. 80% passam a defender o safado.
    Os intervencionistas têm que entender que eles não estão falando com almas afins quando tentam convencer um eleitor do PT, estão falando com gente que têm uma alta probabilidade de ter sofrido lavagem cerebral, e desfazer essa “hipnose” é o objetivo maior.
    Parabéns pela paciência e esforço, e torço para que você tenha muito sucesso.

    • Eu citei uma base de estudos, mostrei os reflexos de um frame, mostrei os efeitos da comunicação estratégica, e vc diz… “não fique criando espantalhos”.

      Faça uma reflexão e veja se o seu posicionamento é racional.

  12. Pois e Luciano eu entendo perfeitamente que muitos de nos as vezes fazemos o jogo dos terroristas sim porem agora gracas a voce e a outros importantes pensadores como Olavo de Carvalho, Tio Rei e outros estamos adquirindo os conhecimentos necessarios para desmascara-los no entanto eles e que estao com o poder nas maos e estao avancando sem treguas e nem mais prestam atencao na nossa argumentacao. Entao o nosso conhecimento das fraudes intelectuais deles nao esta nos adiantando para nada. Como barrar o FORO DE SAO PAULO, o Decreto 8243, a Censura da Internet e a Comissao da Verdade (mentira), a liberdade dos mensaleiros, e outras aberracoes dessa gente?

    • A meu ver devemos pressionar os deputados para derrubar o Decreto 8243. Para inviabiliza a censura da Internet, devemos criar conscientização pública sobre a a ameaça. No caso da liberdade dos mensaleiros, não há nada a fazer senão o escracho público. O mesmo vale para a Comissão da Verdade.

      Mas a pressão política precisa aumentar em quantidade. O que está sendo feito nas redes sociais é um bom caminho.

  13. Luciano, tem uma tática que me veio agora à cabeça que talvez seja interessante, talvez um tiro no pé. Analise, por favor:

    Que tal chamarmos os esquerdistas de “capitalistas políticos”? Seria um nome que eles certamente odiariam, mas que reflete exatamente o que eles fazem: acumulam lucros políticos com cada ação que fazem, criando uma desigualdade monstruosa de poder (e grana também) contra os mais fracos.

    O lado ruim é que talvez isso seja ruim para a plateia, pois estaríamos praticamente aceitando que capitalismo é uma coisa ruim. E o termo “capitalista político” também não me parece bom, pois não explicita as coisas logo de cara, talvez seja difícil de captar.

    Pra contornar isso, seria sempre necessário enfatizar que não condenamos a tática (e realmente não podemos condenar, como você mesmo demonstra nesse post), mas apenas a incoerência deles.

    Bom, análise política não é meu forte. Essa fica pra você…

  14. Luciano, sou seu leitor desde 2012, então falo com algum conhecimento de causa: esse texto foi um dos melhores e mais didáticos que você já escreveu.

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